Blog do Rodrigo Mattos

Férias
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Este blog entra de férias por dez dias e volta em 7 de setembro.


CPI do Futebol mira federações e pede quebra de sigilo de Marin
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A investigação da CPI do Futebol amplia-se para as federações estaduais filiadas à CBF, principalmente a FPF  (Federação Paulista de Futebol), nicho de Marco Polo Del Nero. Além disso, já há um pedido para quebra de sigilo bancário e fiscal do vice-presidente da confederação José Maria Marin, preso na Suíça.

A apuração da comissão ainda está no início e por isso o objetivo é coletar o máximo de informações possíveis. Com esse intuito, o presidente da CPI, senador Romário (PSB), requisitou dados sobre processos nas Justiças Estaduais contra todas as federações.

No caso da Paulista, que era presidida por Del Nero, os requerimentos foram mais amplos. Além dos processo, foi pedido o contrato da Chevrolet com a FPF. A intenção é verificar a coincidência entre o fato de a GM, após a ascensão de Del Nero e Marin, ter se tornado parceira também da CBF. Há uma especial atenção aos intermediários do negócio.

Outro contrato de patrocínio da CBF que foi requisitado é com a Marfrig, fechado na época de Ricardo Teixeira e já rescindido em disputa que gerou processo judicial e que já foi tratado neste blog. Esses requerimentos serão apreciados na reunião desta quinta-feira da CPI.

Ao mesmo tempo, o senador Paulo Bauer (PSDB-SC), vice-presidente da CPI, requereu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marin. Esse pedido só deve ser apreciado na próxima semana porque há um prazo regimental para analisar sigilos.

Ao justificar o pedido, Bauer afirmou: “A presente medida se torna imprescindível para verificar o recebimento de recursos de origem ilegal e averiguar crimes de fraude e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que possam ter ocorrido durante o mandato como presidente da CBF.'' Del Nero já teve seu sigilo bancário quebrado na semana passada pela CPI do Futebol.


Com saldão, São Paulo consolida-se como maior vendedor de jogador do Brasil
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O desmanche atual do São Paulo não chega a ser surpreendente quando se percebe que o clube já se consolidou como o maior vendedor de jogador do Brasil. Estudo do Itaú/BBA mostra que o time foi quem mais ganhou com negociação de atleta nos últimos cinco anos. E, com as transações de 2015, já ultrapassa R$ 300 milhões em receita.

O problema é que essas transações não foram suficientes para aplacar a crise financeira do são-paulina. A dívida cresceu a R$ 341 milhões ao final de 2014, e há promessa de nova alta nesta temporada. Há previsão de um déficit que pode chegar a casa dos R$ 100 milhões se não houver controle de custos.

O ranking do Itaú/BBA mostra que nas últimas cinco temporadas o time obteve um total de R$ 289,9 milhões com negociações de atletas. Para isso, pesou a negociação de Lucas que ultrapassou R$ 100 milhões.

O valor é superior aos R$ 247,7 milhões arrecadados pelo Internacional (segundo colocado), e aos R$ 238,7 milhões ganhos pelo Corinthians (terceiro no ranking). Santos e Botafogo completam a lista de cinco primeiros.  Em média, o São Paulo levou R$ 58 milhões por ano com negociações de atletas.

Neste temporada, apertado financeiramente, o clube repetiu a prática e já fez transações de R$ 53,4 milhões. Assim, no total, acumulou R$ 343,3 milhões em seis anos. O Inter colou no São Paulo ao negociar Aranguiz e Nilmar em 2015: total de R$ 61 milhões. E ficou com R$ 308,1 milhões. Se vender Geferson, ficará mais próximo, mas não ultrapassa os são-paulinos.

Percentualmente, o São Paulo é o time mais dependente das negociações de atletas que somam 15% das receitas anuais. Mas apenas em 2013, com Lucas, o dinheiro que entrou virou alívio financeiro com redução da dívida bancária quase pela metade. O problema é que, com os juros, o valor dobrou em seguida.

Com as vendas em série, a diretoria são-paulina tem aproveitado pouco em seu time o alto investimento na base.  “É o clube que mais investe na Base no Brasil mas é ineficiente a ponto de ter investido R$ 61 milhões em elenco profissional nos últimos dois anos'', disse o relatório do Itaú/BBA.


Na frente, Corinthians e Galo destoam ao manter base no Brasileiro
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Nas duas primeiras posições no Brasileiro, Atlético-MG e Corinthians têm uma característica similar: mudaram pouco seus elencos durante o campeonato. É o que fica demonstrado pelas escalações das duas equipes na primeira rodada do segundo turno, que inclui só jogadores já contratados antes da competição. Outros times têm formações bem modificadas.

Ressalte-se que o líder Corinthians perdeu seus dois atacantes Emerson Sheik e Guerrero, que foram para o Flamengo. Apesar disso, contra o Cruzeiro, o técnico Tite utilizou 14 jogadores que já estavam por lá no início do Nacional. A formação só não é parecida com a da primeira rodada porque naquela ocasião foram escalados reservas por conta da Libertadores.

Algo similar ocorre no Galo. Dos 14 jogadores usados pelo técnico Levir Culpi contra o Palmeiras, todos foram contratados antes do Brasileiro. De novo, a escalação só não é parecia com a da primeira rodada porque o Atlético-MG poupou atletas para o torneio continental.

Terceiro colocado, o Grêmio segue política similar. Diante da Ponte Preta, foram 14 atletas que já estava no clube no início do Brasileiro. Mas o time gaúcho trocou o treinador Luiz Felipe Scolari por Roger durante o campeonato.

O blog levantou os dados de elencos de outras três grandes equipes para fazer comparações. Flamengo e São Paulo enfrentaram-se com grupos bem modificados em relação ao início do campeonato. Na 13a posição, rubro-negros tinham um setor ofensivo inteiro novo, Ederson, Allan Patrick, Guerrero e Sheik, contratados no Brasileiro.

Já o São Paulo, em sexto, sofreu um desmanche que ameaça a permanência do técnico Juan Carlos Osório. Da equipe que estreou no Brasileiro, quatro atletas foram vendidos: Paulo Miranda, Dória, Souza e Boschilia.

Lanterna, o Vasco teve, como o Flamengo, um setor inteiro ofensivo contratado durante o Nacional na derrota contra o Goiás. Era composto por Riascos, Nenê, Herrera e Jorge Henrique. A lição do Brasileiro até agora é que, para disputar de fato o título do Brasileiro, é preciso montar a base do elenco antes do campeonato.


CPI do Futebol vai investigar comissões de contratos da CBF
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A CPI do Futebol vai investigar as comissões de contratos de patrocínio da CBF. Para isso, a intenção é verificar acordos paralelos aos compromissos de patrocínio da entidade. A questão é que não há certeza sobre a colaboração da confederação que pode resistir a mostrar os documentos.

Durante esta semana, a pedido do senador Romário, a comissão parlamentar requisitou que a CBF mande todos os seus contratos relacionados a patrocínios, que geraram R$ 360 milhões em receitas à entidade em 2014. A reivindicação é abrangente e pode incluir contratos paralelos por comissões. Membros da CPI já têm informação de que é importante ter esses acordos.

Até porque as comissões aumentaram para percentuais entre 15% e 20% desde que José Maria Marin, hoje preso, assumiu a CBF. Antes, na gestão de Ricardo Teixeira, giravam entre 5% e 10%.

O blog apurou, no entanto, que dentro da CBF há questionamentos se é obrigatório que os contratos sejam fornecidos. A entidade pode alegar que os documentos têm cláusulas de confidencialidade. Oficialmente, a entidade não quis se pronunciar.

Dentro da CPI, há um entendimento de que o sigilo não barra a autoridade de investigação já que o presidente da comissão, Romário, teria poder de autoridade judicial. A avaliação é de que a confederação só quer ganhar tempo.

Um exemplo é que, em processo judicial, a CBF tentou impedir que o contrato com a Marfrig se tornasse público. A Justiça recusou e o contrato teve que ser revelado tanto que o blog já fez matéria sobre o assunto. A CPI do Futebol de 2001 teve poder para exigir todos os documentos da entidade, e sigilos bancários.

 


Prefeitura do Rio exagera participação privada nas contas olímpicas
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Com Vinícius Konchinski

A prefeitura do Rio vangloria-se de que a maior parte dos recursos para a Olimpíada é privada. Só que o município cede direitos ou terrenos às empresas em troca do investimento (por meio de PPPs) e isso não é contabilizado no orçamento olímpico. O prefeito carioca, Eduardo Paes, defende esse critério e rechaça que a conta esteja incorreta.

No orçamento divulgado nesta sexta-feira, a APO (Autoridade Pública Olímpica) informou que são 64% de recursos privados, e 36% públicos no total de R$ 38,7 bilhões investido na Rio-2016. Há uma expectativa de que o investimento público cresça, mas não deve ultrapassar metade do total.

A questão é o critério para as contas. Isso pode ser observado na obra mais emblemática dos Jogos: o Parque Olímpico. Na PPP (Parceria Público Privada), a iniciativa privada (consórcio Carvalho Hosken, Odebrecht e Andrade Gutierrez) entrar com R$ 1,150 bilhão, e a prefeitura, R$ 528 milhões. Os desembolsos do município são feitos por 15 anos.

Esse dinheiro é dado em troca de um terreno de 800 mil metros quadrados em uma das áreas mais valorizadas da zona oeste. O valor desse terreno não é contabilizado no percentual do orçamento olímpico.

“Tem que saber se você quer uma economia estatal como a Coréia do Norte ou como a Inglaterra com participação privada. Claro que a empresa não dá nada de graça. Estamos dando o ativo público da prefeitura para pagar. Por isso que digo que levantei R$ 18 bilhões para Olimpíada'', explicou Paes, lembrando outras PPPs olímpicas como o Porto Maravilha.

O blog questionou se o prefeito não entendia ser enganoso com a população dizer que a maior parte do dinheiro do Parque Olímpico é privado sem contar os ativos públicos cedidos. Ele rechaçou: “Se você acha que estamos enganando a população, que fale. É porque você não compreendeu o modelo.''

Isso se repete em outros projetos como o Porto Maravilha. Assim, se a conta olímpica levasse em conta os ativos públicos cedidos à iniciativa privada, seria bem diferente o percentual final. Paes disse que cada um pode adotar o critério que quiser para analisar as contas olímpicas.


Odebrecht está livre de todas as obras olímpicas no Maracanã
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A atualização do orçamento da Olimpíada deixou claro que a Concessionária Maracanã S.A. não terá mais nenhuma obrigação de realizar obras dos Jogos. Quando a Odebrecht ganhou a concessão do estádio, seria responsável por uma série de intervenções para o evento, como reforma Parque Julio Delamare, quadras de treino do Maracanãzinho, e havia até possibilidade de um ajuste na arena. Agora, está isenta enquanto se discute um contrato de revisão entre o grupo e o governo do Estado.

Divulgada pela APO, a nova matriz de responsabilidades excluiu em definitivo o Julio Delamare das competições de pólo aquático. Já as quadras do Maracanãzinho serão feitas de forma provisória e não como obra definitiva como previsto inicialmente.

Após um pedido de organizadores da abertura da Olimpíada, foi descartada também qualquer intervenção no estádio para melhorar o acesso a equipamentos. A reconstrução do Célio de Barros, que poderia ser usado como centro de treinamento para os Jogos, já tinha ficado de fora anteriomente.

“Saiu o Julio Delamare como previsto anteriormente. Quadras do Maranãzinho serão temporárias. Havia obras previstas, mas não tinha prazo e determinação de quem ia fazer. Não tem mais nenhuma obra na Olimpíada feita pelo Maracanã'', contou o presidente interino da Autoridade Pública Olimpíada, Marcelo Pedroso.

Essa definição de que não haverá obra olímpica a ser tocada pela Odebrecht ocorre em meio à renegociação do contrato de concessão com o governo do Estado. Alegando prejuízo com a decisão de não derrubar o Julio Delamare e o Célio de Barros, a construtora pediu um reequilíbrio financeiro para redução dos mais de R$ 500 milhões que teria de investir no complexo.

Agora, os números discutidos giram em torno de R$ 130 milhões. A ideia é definir um valor e depois discutir quais obras seriam feitas com aquele diheiro. Ou seja, no momento, sequer há uma decisão de que obra a Odebrecht terá de fazer.

A tendência é que a assinatura da revisão da concessão ocorra antes da Olimpíada. O acordo estava quase fechado quando o presidete da empresa, Marcelo Odebrecht, foi preso em meio à operação Lava-Jato. As duas partes dizem não haver relação entre o prolongamento das negociações e a detenção, e ainda afirmam que esperam que um novo compromisso seja assinado em breve.


Fla virou máquina de moer técnico sem lógica, nem método
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A diretoria do Flamengo é a mais lúcida na hora de lidar com a administração do clube, suas finanças. Quando se trata do futebol, no entanto, os mesmos cartolas agem ao sabor do vento e das pressões. Assim, o clube se tornou uma máquina de demitir e contratar treinadores em meses.

Cristóvão Borges foi o sétimo técnico da gestão de Eduardo Bandeira de Mello que completará três anos ao final de 2015. Sua diretoria encaminha-se para contratar o oitavo, provavelmente Oswaldo de Oliveira que já era desejado antes.

No domingo, a avaliação da diretoria do Flamengo era de que Cristóvão fazia um bom trabalho e o time evoluía, apesar da derrota para o Palmeiras. Na quinta-feira, após uma derrota para o rival Vasco, em que o time foi extremamente mal e andou para trás, os dirigentes acertam a saída do treinador.

Está claro que a pressão da torcida, que hostilizava Cristóvão em quase todo jogo em casa, foi determinante para essa decisão. A torcida do Flamengo, que tanto ajuda a empurrar o time para vitórias, é impaciente com qualquer treinador no clube. Irritada com a longa má fase, exige resultados imediatos em times que estão em montagem.

Cristóvão teve um trabalho só razoável no Flamengo. Pegou um time destroçado por Vanderlei Luxemburgo e com elenco limitado, e somou mais derrotas do que vitórias em 18 partidas. Tirou o time da zona de rebaixamento, mas não avançou.

Quando passou a ter seus principais jogadores, Emerson Sheik, Guerrero, Allan Patrick, a equipe melhorava e desenvolvia bom futebol ofensivo. Mas falhava bastante na armação da defesa, uma das mais vazadas do Brasileiro por estar sempre exposta. Seus zagueiros não ajudam. Foi na média, não fez milagre. E isso é imperdoável atualmente no Flamengo.

O ponto central nem é a qualidade de Cristóvão. É que ele foi contratado mais como uma aposta, uma tentativa e erro, do que em uma decisão racional. E o mesmo ocorreu com a maioria dos outros, e deve ocorrer agora. O próximo treinador terá 19 jogos no Brasileiro até o final do ano, um pouco mais do que Cristóvão.

Nada indica que a diretoria do Flamengo vai mudar essa metodologia, ou a falta dela. Enfim, sempre há a chance de acertar por acaso…


CBF usa cota, conversa e promessa para reduzir irritação com seleção
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Ao provocar 18 desfalques no Brasileiro das Sérias A e B, a CBF decidiu adotar cotas por times, conversas e promessas  para amenizar a irritação dos clubes. O Grêmio ensaiou um movimento para desconvocar atletas da equipe olímpica, mas a confederação já sinalizou que não vai liberar ninguém. Então administra com as armas que tem a mão.

As listas das seleções principal e olímpica foram elaboradas com um limite de dois jogadores por clube para reduzir os prejuízos. O único que saiu do padrão foi o Atlético-MG que perdeu três. Mas membros da confederação ligaram para o técnico do Galo, Levir Culpi, para ter o seu aval: ele concordou. Grêmio, Corinthians e São Paulo perderam dois atletas cada um.

Depois de feitas as convocações, o diretor gremista Rui Costa, do Grêmio, chegou a ligar para outros cartolas para pedir apoio contra as convocações. Mas, como eram datas Fifa, times como o Flamengo não viram muito futuro na demanda. E o coordenador da seleção, Gilmar Rinaldi, fez nova rodada de telefonemas para dirigentes para reduzir a insatisfação.

Outra tática da CBF tem sido adotar promessas de melhorias futuras. Há algum tempo que a confederação promete que não haveria coincidência de datas Fifa com o campeonato. Até agora, no entanto, isso não evitou desfalques já que um jogo fica colado no outro.

Uma outra promessa é que, nas fases finais do Brasileiro e Copa do Brasil, a confederação poderia evitar convocações de jogadores que estivessem disputando o título. Isso já foi feito em 2014, e há a indicação de que se repita em 2015.

Serão sempre paliativos enquanto a CBF não resolve o problema do calendário. Nesta quarta-feira, o blog questionou diretores da entidade qual seria o plano concreto para evitar esses conflitos de datas para 2016, mas não obteve resposta. Ressalte-se que Dunga e Rogério Micale, como técnicos, não têm relação com o problema já que são obrigados a convocar os melhores para seus times.


Lobby de árbitros acabou com obrigação de sorteio e ajudou CBF
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O lobby dos árbitros derrubou a obrigação de sortear quem apitará cada jogo e abriu brecha para a CBF aumentar o poder nas escalas. Ou seja, a Anaf (Associação Nacional de Arbitros de Futebol), que ameaça greve por não levar 0,5% do direito de arena, teve uma demanda atendida na Lei do Profut. Com isso, a confederação deve acabar com o sorteio em 2016.

A Lei do Profut alterou o artigo 32 do Estatuto do Torcedor. Antes, o texto obrigava que a definição de juízes ocorresse por meio de bolinhas sorteadas. Agora, pode ser feito desta forma ou com audiência pública.

“Foi um pleito dos árbitros para que pudesse ser realizado por audiência pública (a escala) que resolvi atender. Os árbitros têm muitos argumentos neste sentido'', contou o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), que era o relator do projeto de lei. “Até o Arnaldo César Coelho (comentarista da Globo) veio me dizer que era melhor sem sorteio.''

Segundo Leite, a comissão de arbitragem da CBF, cujo presidente é Sérgio Corrêa, também opinou pelo fim do sorteio. O blog não conseguiu confirmar essa informação, mas é certo que a confederação sempre foi contra o uso de bolinhas para definir escalas. Tanto que já tem um projeto para acabar com esse.

“Pedimos, sim, o fim do sorteio e nisso fomos atendidos. Eles mantiveram a possibilidade, mas pode fazer por audiência pública'', explicou o presidente da Anaf, Marco Antônio Martins. “Imagine se no seu jornal tivesse que sortear quem vai fazer a matéria? Não dá para fazer carreira assim. Tem árbitros Fifa que ficam semanas sem atuar.''

Martins, no entanto, apresentou um argumento contraditório: disse que, na prática, o sorteio já é direcionado para poucos juízes. “O que se sorteia é o jogo e não o juiz da forma que é feito'', disse. Não conseguiu explicar como um árbitro Fifa pode ficar sem atuar durante muito tempo se há um tendência a só usar os juízes mais fortes.

Ainda não está claro como a CBF fará a audiência pública para escolher árbitros. Sua intenção é ouvir o governo federal para definir a metodologia. O Ministério do Esporte confirmou que a definição dos juízes pode ocorrer neste tipo de audiência, mas disse que o método terá de ser regulamentado.

“O artigo 32 do Profut cria ainda mais transparência ao processo de escolha dos árbitros para as partidas de futebol, ao acrescentar a possibilidade de a escolha ser feita em audiência pública transmitida ao vivo pela internet. Esse item, porém, ainda precisa de regulamentação'', disse o Ministério do Esporte.

A fórmula pensada pela entidade é definir os nomes e permitir que os clubes opinem. Mas Martins entende que os times não podem ter poder de veto.

Satisfeita com o provável fim do sorteio, a Anaf mantém a pressão para que o governo dê 0,5% do direito de arena para os árbitros. Prometem entrar com uma ação na Justiça nesta quarta-feira contra a Globo para exigir que a imagem dos árbitros não seja vinculada na transmissão dos jogos. Isso depois de fazer protesto em uma rodada com consentimento da CBF.

“Será um pedido de liminar. Depende do juiz. Se ele der, pode valer já na rodada desta quarta-feira'', contou Martins. O blog questionou o presidente da Anaf se era o momento ideal para fazer reivindicações após vários erros cometidos no final de semana no Brasileiro. “Não posso dizer que é bom. Mas erros sempre vão acontecer. A maioria foi de interpretação'', minimizou.

Fato é que, errados ou certos, os árbitros parecem ter a CBF ao seu lado. Principalmente quando fazem lobby que atende os interesses da confederação.