Blog do Rodrigo Mattos

‘Fla mostra que quem apanha pode sair’ diz sindicato sobre André Santos
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O Sindicato de Jogadores do Rio de Janeiro vai mandar uma carta de protesto ao Flamengo pela dispensa do lateral-esquerdo André Santos após ser agredido por torcedores. Na opinião do presidente da entidade, Alfredo Sampaio, que tem dado apoio ao atleta, a atitude do clube dá força para a torcida que bateu nele.

No domingo, após a goleada sofrida para o Internacional, André Santos foi agredido por torcedores na saída do Beira-Rio. Na terça-feira, ele anunciou que a diretoria tinha decidido dispensá-lo. O Flamengo diz que o contrato ainda não foi rescindido.

“Abre uma brecha para a torcida achar que define as coisas na força. Essa é a mensagem que fica. Vamos protestar e pedir cuidado para o clube'', afirmou Sampaio. “O Flamengo demonstrou que qualquer um que apanha pode sair.''

A carta estava sendo redigida pelo departamento jurídico da entidade, que também será colocado à disposição do jogador para processar o Flamengo se ele entender que houve constrangimento. “Claro que o clube tem direito de dispensar desde que pague a indenização.''

A dispensa do jogador pegou o sindicato de surpresa porque havia uma reunião prevista no clube, na manhã de terça-feira, para discutir a segurança dele e dos outros jogadores. Na segunda-feira, a entidade já se encontrara com André Santos para lhe oferecer apoio.

Foram encaminhados ofícios para a secretaria de segurança do Rio de Janeiro e para a CBF para pedir maior proteção ao atleta. Já houve outros casos de jogadores que sofreram pressão física em 2014, como os corintianos que tiveram o centro de treinamento invadido por torcedores.


Dunga só pensa na Copa-2018, e esquece futuro do futebol nacional
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Do discurso do técnico Dunga, em sua primeira entrevista coletiva, conclui-se que a CBF continuará a pensar apenas na preparação do time para a próxima Copa, em 2018, sem planejar o futuro. Sua estratégia é oposta a da Alemanha que priorizou uma plano de cerca de 10 anos para formar seu time campeão, e, mais do isso, mudar seu futebol.

A intenção de Dunga fica clara em uma das suas afirmações: “Procuramos jogador não para daqui a dez anos, mas para curto e médio prazo'', afirmou ele, embora tenha prometido trabalhar juntamente com a divisão de base.

Posteriormente, ele afirmou que a Alemanha não mudou muito sua estrutura nos últimos anos porque já contava com campos e centros de treinamento – o treinador viveu um bom tempo no país, onde foi jogador. Só que os alemães, de fato, construíram mais de mil campos, e exigiram alterações nos CTs de todos os clubes. Para Dunga, o país achou “uma boa geração''.

O treinador, no entanto, reconheceu o atraso do futebol brasileiro ao contrário do antecessor Luiz Felipe Scolari, para quem o 7 a 1 para Alemanha foi fruto de uma “pane''. Dunga afirmou que o Brasil não é mais o melhor e terá que trabalhar, sem ilusões, para retomar sua posição. “Não vamos vender a ideia de que vamos ganhar antes da Copa.''

É fato que Dunga demonstra estar mais antenado com o futebol atual do que o antecessor ao admitir que este é disputado em todos os setores do campo, com todos os jogadores marcando e atacando. Mas suas referências entre os treinadores atuais, aqueles com quem diz ter conversado, não são os tops que revolucionam o esporte.

Citou Arrigo Sachi, Arsene Wenger e Rudd Gullit. Mas são Guardiola, Jurgen Klopp e Joachim Low, entre outros, que dominam o cenário atual. Também surpreendeu que ele tenha dito que a maioria dos times foi defensiva na Copa-2014, já que o torneio bateu o recorde de gols ao lado do Mundial-1998.

Do discurso de Dunga, pode se concluir que haverá um trabalho tático e coletivo forte para recuperar a seleção. Mas não há nenhum sinal de estratégia para fazer a revolução que o esporte precisa no país.


Recusas de convites, sumiços e imóveis. O que Dunga fez longe da seleção
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Dunga passou quatro anos longe da seleção, da demissão ao final da Copa-2010 até a volta nesta terça-feira. Neste período, só dirigiu um time de futebol por dez meses, o Internacional, em 2013. No tempo livre, recusou convites, investiu em imóveis e deu sumiços para viajar. Esse é o relato de pessoas próximas ao novo treinador do time brasileiro.

Não foram poucas vezes que tentaram tirar Dunga do Sul. Propostas do Oriente Médio, de times brasileiros e até de uma grande equipe européia (Inter de Milão) chegaram para o treinador, segundo amigos. Mas ele ou não gostava da ideia logo de início, ou fazia muitas exigências que inviabilizavam sua contratação. Confessava aos amigos que só lhe interessava trabalhar fora, e preferencialmente com seleções.

Suas seguidas recusas se explicavam porque não tem necessidade financeira de trabalhar no futebol. Com dinheiro acumulado na carreira, investiu bastante em imóveis no Rio Grande do Sul, principalmente em Ijuí, sua terra natal, para revendê-los por preços maiores.

Assim podia viver da forma que queria. Entre as atividades estavam os churrascos e peladas no campo “Capitão Dunga'', que fez no meio do seu condomínio, juntamente com outro de bocha. Reúnem-se a ele empresários e pessoas de seu círculo. Do meio do futebol, o ex-goleiro Danrlei era um dos presentes.

Mas às vezes Dunga sumia das peladas até por três meses. Já se sabia que tinha viajado, boa parte das vezes para a Europa e para o Japão, país que adora. Ia ver contatos do mundo do futebol que manteve nos países em que jogou, inclusive na Alemanha.

Seus amigos dizem que assiste a um número impressionante de jogos na televisão. Durante a Copa-2014, de fato, esteve em várias partidas.

Por telefone, mantém contato com colegas de países distantes sobre assuntos relacionados do futebol. Sabe dizer, sem pensar, quem é o lateral-esquerdo do Sttutgart, segundo uma pessoa próxima. Mas não há nenhum relato de curso de aperfeiçoamento que Dunga tenha feito. Se aconteceu, ele não contou aos amigos.

Durante todo esse período, Dunga revelava a amigos um certo rancor com certas pessoas ao deixar a seleção. E entendia que não tinha feito tudo que queria.

Seu plano confidenciado a amigos era trabalhar com garotos novos, de 14 a 18 anos, para formar uma geração entrosada. Deixou esse planejamento explícito em um dos relatórios feitos à CBF quando ainda era treinador da seleção.

Mas, contraditoriamente, sua passagem pelo time brasileiro foi marcada pelo pouco aproveitamento de jogadores jovens – nem convocou Neymar para a Copa-2010. Amigos apostam que Dunga volta à seleção porque não suportava a ideia de não ter completado o trabalho.

Por isso, recusou o convite da Venezuela para ser o treinador que levaria o país pela primeira vez à Copa. Por isso, interrompeu a negociação com a seleção do Japão, que sonhava em dirigir.


Ex-presidentes pressionam e diretoria do Fla sinaliza mudança no futebol
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Um grupo de ex-presidentes e altos dirigentes do Flamengo pressionam a diretoria do clube a fazer mudanças radicais no futebol para fugir do rebaixamento. O time é o último na tabela do Brasileiro. O grupo diz ter sinalização da cúpula de que vai tomar medidas. Há a possibilidade de volta de Kléber Leite ao futebol do clube. Mas não houve decisão de demitir Ney Franco em reunião nesta segunda-feira.

Houve uma reunião nesta tarde na sede da Gávea em que foram exigidas do presidente Eduardo Bandeira de Mello alterações no futebol como a nomeação de um vice-presidente e a saída do técnico Ney Franco. Também foi pedida a redução do preço dos ingressos durante a crise.

“Não é uma mudança para quinta-feira. Tem que ser feito agora. Foram os ex-presidentes e estavam todos os representantes de poder do clube pedindo a mesma coisa. A sensação que ele (Eduardo Bandeira de Mello) deu para a gente é de que vai haver mudança'', afirmou o ex-presidente rubro-negro Hélio Ferraz.

Entre as exigências, está a entrada de Kléber Leite ou Marcos Braz como vice-presidente de futebol, um cargo que está vago. A demissão do técnico Ney Franco, que está na corda bamba, é outra requisição. Mas, em reunião nesta noite de segunda-feira da diretoria, não houve nenhuma decisão de demitir o treinador.

No domingo, em conversa com um dos ex-presidente, o vice-presidente de marketing, Luiz Eduardo Baptista, homem forte do clube, afirmou que aceitaria uma alteração forte no futebol incluindo a volta de Kléber Leite. Marcos Braz foi vetado.  A entrada de Leite poderia ser seguida da queda de Franco.

“Ele (Bap) topou uma redução dos ingressos e também trazer o futebol de volta para a Gávea'', afirmou o ex-presidente Márcio Braga.

A questão é que sempre houve uma forte resistência na atual cúpula do clube para a volta de Kléber Leite ao futebol rubro-negro. Até porque foi ele o responsável por boa parte do montante da dívida que dificulta a vida do clube.

Os salários estão atrasados porque a Caixa Econômica Federal deixou de pagar o patrocínio do clube. Motivo: falta de certidão negativa de débito por conta da uma dívida fiscal criada na gestão de Leite na década de 90. Isso porque o clube não declarava negociações de jogadores.

Fora quatro os ex-presidentes presentes na reunião à tarde: Hélio Ferraz, Márcio Braga, Gilberto Cardoso Filho e Antônio Augusto de Abranches.


Escolha de Dunga gera resistência até entre aliados da CBF
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A escolha de Dunga para ser técnico da seleção brasileira gera resistência entre alguns presidentes de federações aliados da cúpula CBF. Mas há uma parte que gostou do nome. Os dirigentes não apitam nesta decisão.

Logo após a final da Copa-2014, Marco Polo Del Nero e Jose Maria Marin, vice e presidente da CBF, sinalizaram que poderiam contratar um treinador estrangeiro, mas desistiram da ideia rápido. Optaram pelo retorno de Dunga, que será anunciado nesta terça-feira, para trabalhar juntamente com o coordenador técnico Gilmar Rinaldi, de quem é amigo.

Seguindo a prática do antecessor Ricardo Teixeira, Del Nero e Marin não avisaram os presidentes de federações, nem os consultaram. Só que, entre os dirigentes, há uma corrente com pedidos por mudanças no futebol brasileiro.

Pelo menos dois desses cartolas manifestaram-se ao blog contrariados com o nome por entenderem que este não representa nenhuma renovação. Segundo eles, esse descontentamento se estende a outras federações estaduais.

O blog ouviu reivindicações de dirigentes das entidades estaduais por um maior desenvolvimento de projetos para a divisão de base no futebol brasileiro. Há uma expectativa de que a CBF atue de forma mais incisiva nesta área.

Mas, entre os cartolas, há quem defenda a escolha de Dunga baseado no seu bom desempenho em competições entre 2006 e 2010. Ele ganhou a Copa América e a Copa das Confederações.

Cartolas de federações terão a chance de ouvir as explicações da cúpula da CBF sobre a escolha do novo técnico na próxima segunda-feira, em reunião que inclui também clubes, para tratar da lei de responsabilidade fiscal. Dificilmente haverá questionados pesados à cúpula da confederação.

 

Tags : CBF Dunga


Folga
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Este blog está de folga pós-Copa e volta em breve.


CBF faz pesquisa com técnicos e sonda até Sabella
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A diretoria da CBF tem averiguado a situação de vários técnicos antes de se decidir por um substituto para Luiz Felipe Scolari. Nesta ronda, foi sondado o treinador da seleção Argentina, Alejandro Sabella, mas sua contratação, no momento, é difícil. A intenção é fechar com um treinador até o final do mês.

É certo que os dirigentes da confederação derrubaram o veto a um treinador estrangeiro, que vigorava até o fracasso de Felipão. Mas pelo menos duas fontes ligadas à cúpula da CBF dizem que a preferência continua a ser um técnico brasileiro desde que entendam que é um nome viável.

O problema é que cartolas veem falta de opções no país. Por isso, a CBF procurou por Alejandro Sabella nesta segunda-feira. Um representante da confederação perguntou a ele se se interessaria por trabalhar com a seleção brasileira, segundo apurou o blog.

Mas Sabella disse que nem começaria conversas agora porque só quer descansar com a família. Mais do que isso, sua situação com a AFA (Associação de Futebol Argentino) não está definida.

Cartolas argentinos querem a sua permanência pelo menos para amistosos deste ano. Pessoas ligadas ao treinador, no entanto, apontam ser improvável a sua continuidade no time argentino.

A questão é que a CBF pretende fechar a contratação de um novo treinador até o final do mês. Dificilmente o presidente José Maria Marin anunciará um novo comandante na quinta-feira, em entrevista marcada na entidade. A intenção é prolongar mais o processo para não errar.

Além de Sabella, jornais estrangeiros já relataram a procura por treinadores como o chileno Manuel Pellegrini e o português José Mourinho. Mas, na CBF, ninguém confirma a sondagens desses nomes.


Governo federal vai entregar conta da Copa incompleta
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O governo federal vai apresentar em breve a última revisão da matriz de responsabilidades da Copa-2014 com a conta final do evento. E esse balanço estará incompleto pois não incluirá alguns dos gastos com a organização do Mundial como as Fan Fest e centros de treinamento.

Até agora o preço da Copa está em R$ 25,5 bilhões, número da última matriz de responsabilidades com os gastos do Mundial. Esse valor inclui despesas com estádios, mobilidade urbana, aeroportos, telecomunicações, segurança e instalações provisórias para a Copa das Confederações.

O secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, confirmou que, na última revisão, incluirá as estruturas complementares dos 12 estádios para a Copa-2014, o que deve ultrapassar R$ 400 milhões. Só que não será considerado o custo público com as Fan Fest.

Cada uma delas gerou despesas em torno de R$ 10 milhões dependendo da cidade-sede. Em alguns lugares, como São Paulo, foi possível fazer parcerias em que empresas bancaram as estruturas da festa em troca de exploração publicitária e venda de bebidas. Mas, na maioria dos lugares, o poder público bancou esse valor.

Outra despesa que não será incluída é a reforma de CTs para o Mundial. O Ministério tinha destinado cerca de R$ 100 milhões para esse item. E alguns dos centros oficiais de treinamento (COTs) nem foram utilizados pelos times na Copa do Mundo.

“O nosso investimento no centro de treinamento era no legado. Desde o primeiro momento, a gente sabia que a maioria dos centros de treinamento não seriam usados pelas seleções''; afirmou Luis Fernandes.

Há outros custos operacionais que também não devem ser incluídos no balanço final como o crescimento da participação de policiais militares na segurança dos estádios, diante das falhas dos agentes privados. A princípio, os Estados não receberam nenhuma remuneração da Fifa por essa atuação.


Após críticas, Fifa errou mais do que governo na Copa-2014
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Após seguidas críticas pelos atrasos nos preparativos do torneio, a Fifa cometeu os maiores erros na organização da Copa-2014. Falhas na segurança interna dos estádios e comercialização ilegal de ingressos foram os piores problemas do Mundial, encerrado neste domingo. E ambos os itens estavam nas mãos da entidade e do COL (Comitê Organizador Local).

Em relação ao que estava na cota do governo, foram entregues com atrasos vários dos estádios, mas eles funcionaram, embora com erros operacionais, alguns deles também causados pelos parceiros da federação internacional. Outros itens como aeroportos e transporte público não comprometeram a organização do Mundial.

Durante a preparação, o secretário-geral da federação internacional, Jérôme Valcke, chegou a dizer que o Brasil deveria receber um chute no traseiro. Eram atrasos governamentais os motivos para o ataque.

Só que foram os seguranças privados do COL que permitiram uma invasão de cerca de 100 chilenos no Maracanã, na cena mais chocante da Copa. Em todos os estádios, houve falhas que permitiram objetos e pessoas indevidas dentro das instalações.

Também era responsabilidade da Fifa comercializar os ingressos da Copa. Só que a polícia civil estourou uma esquema de venda ilegal de bilhetes que atingiu o coração da federação internacional ao prender o executivo da Match Ray Whelan, cuja empresa é parceira da entidade há anos na operação dos bilhetes.

Problemas com gramados e serviços a espectadores e a jornalistas são outras falhas apresentadas dentro dos estádios, e portanto de responsabilidade da federação internacional e do comitê. É certo que a entrega atrasada das arenas, isso sim na conta das autoridades públicas, afetou essa operação.

Outro ponto de críticas foi a arbitragem da Copa. A falta de cartões que permitiu duras faltas – apesar das negativas da Fifa – e os seguidos erros em pênaltis e impedimentos vão para a conta da entidade. Sua falta de punições disciplinares para jogadas violentas, a exceção de Luis Suárez, também geraram questionamentos.

Questionado sobre as falhas da Fifa, o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, não repetiu a postura beligerante dos cartolas da entidade durante os preparativos da competição – as críticas foram amenizadas só no final. “Você não vai me fazer brigar com a Fifa'', disse ele, que disse que, na sua opinião, o planejamento levou a uma Copa bem executada.

Da parte do COL, a análise sobre a organização da Copa é de um resultado positivo. Problemas foram considerados isolados dentro do contexto geral.


Um rapaz de 22 anos decide a Copa para o melhor time
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Houve um momento em que Schweisteiger sofreu seguidas pancadas de argentinos. Primeiro, foi Mascherano, duas vezes. Depois, foi Aguero, que lhe acertou quase um soco. Ele foi costurado no canto do campo e voltou. Ali, a Argentina deixou de jogar bola, e só sobrou um time que tem muita bola em campo.

Pouco tempo depois, Schurrle deu uma arrancada pela esquerda e cruzou na medida para Gotze, que dominou, com categoria, e chutou na saída do goleiro Romero já na prorrogação do jogo. Era um prêmio para a Alemanha, que exibiu o melhor o melhor futebol do torneio.

Foi quem teve a posse de bola, apresentou um estilo diferente com dinâmica no ataque, compactação, e jogadores excepcionais. Os argentinos foram bravos, mas essa taça não poderia estar em melhores mãos. Só que até lá foi um sobe e desce de emoção.

De início, Alejandro Sabella fez o que deveria ter feito Felipão na semifinal: trancou o jogo no meio de campo com as voltas constantes de Lavezzi e Enzo Perez para fechar o setor. Quando saía, a Argentina era inteligente ao explorar as costas da defesa alemã.

E foram seguidas as chances de gol criadas desta forma, inclusive com um Messi livre pela direta que superava com facilidade Hummels ou Howedes. O mano a mano era perigoso para os alemães, que, do outro lado, não conseguiam furar o bloqueio rival. Era sentida a falta de Khedira no toque de bola germânico.

Mas a melhor chance surgiu com o erro de Kroos que recuou uma bola nos pés de Hinguaín. Em tarde infeliz, ele perdeu a melhor oportunidade do jogo ao chutar para fora, sozinho.

A pancada na cabeça que tirou Kramer do jogo ajudou a Alemanha. Joachim Low colocou Schurrle e, com uma ajuda de uma bronca de Schweisteiger, a Alemanha se ajeitou e equilibrou a partida. Já tinha mais a bola, mas passou a também criar espaços para a conclusão, e quase faz em cabeçada de Howedes na trave.

A final era boa como há muito não se via na Copa. Mas o intervalo teve os retornos dos dois times mais cansados. Perigoso no primeiro tempo, Messi tinha menos pernas e se poupava para lances decisivos. E teve um a sua disposição à frente de Neuer, mas chutou fraco para defesa do goleiro rival.

Como em todo o jogo, a Alemanha tinha mais posse de bola, mas seu jogo esbarrava em atuações abaixo da média de Kroos e Özil. Quando aparecia a chance de um chute claro, Romero se encarregava de evitar o gol, assim como Neur fazia do outro lado.

Com os times cansados, chegou a prorrogação. Mais uma vez, a defesa aberta alemã dava as melhores chances para o rival. Palacio deve ter sido xingado pelo Obelisco em peso quando desperdiçou o arremate, livre, após falha de Hummels. Candidato a melhor da Copa, ele tinha atuação fraca, perdendo a maioria dos duelos individuais.

Mas quem tem um jogador como Schweisteiger não perde com facilidade. Melhor em campo, ele teve fôlego para dominar o meio de campo até o final. E pesou em favor da Alemanha.

Coube o papel de protagonista ao garoto de 22 anos, acusado de traidor quando deixou o Borussia Dortmund pelo Bayern de Munique. Qualquer investimento em um jogador como esse se justifica. Em uma final de Copa, ele soube fazer o que nem Messi, nem Palacio, nem Higuaín souberam. Diante do gol, dominou no peito e tocou para as redes.