Blog do Rodrigo Mattos

Arbitragem do Rio ganha mais do que resto do país apesar de erros decisivos
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Considerados os jogos decisivos dos últimos dois anos, os árbitros da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) têm cometido bem mais erros do que em outros Estados. Mesmo assim, os juízes do Rio continuam a ser os mais caros do país em 2015 como já ocorria em 2014.

No final de semana, a arbitragem das semifinais custou R$ 19.236 por partida, incluindo INSS e confrontos sub-20. Em um jogo, deu gol em que houve impedimento de jogador do Botafogo. Em outro, marcou pênalti inexistente em favor do Vasco contra o Flamengo, entre outros erros. Também houve falhas em outros clássicos.

O valor gasto é levemente mais baixo do que no ano passado quando as semifinais geraram R$ 21 mil para os árbitros do Rio – lembre-se havia cinco em campo naquela op. O blog mostrou que, em 2014, a arbitragem carioca já era a mais cara do país com cerca de R$ 40 mil em uma final.

Em Minas Gerais no atual ano, todas as taxas somadas para as semifinais giram em torno de R$ 6 mil no caso de árbitros Fifa. Na final da Copa do Brasil, gastou-se R$ 13 mil por trio de arbitragem por jogo – lembre-se que as partidas tiveram rendas bem superiores do que o Estadual do Rio. O Rio Grande do Sul e São Paulo também têm taxas menores do que o Rio.

Questionada, a Ferj explicou que não considera as taxas altas: informou que elas são acertadas de comum acordo entre a federação e a comissão de arbitragem antes do campeonato. A argumentação da federação é de que os valores são baixos consideras as rendas milionárias e a necessidade de qualificação dos árbitros. Lembra que eles passam por treinamento, psicólogos, etcs.

O dinheiro não vai diretamente para as mãos dos árbitros. É destinado à Coopaferj (cooperativa de árbitros), teoricamente, formada para facilitar o recebimento dos valores visto que os juízes não são profissionais. Um de seus diretores é Jorge Rabello, que acumula o cargo com a presidência da comissão de arbitragem. Não foram encontrados representantes da cooperativa pelo blog.

Os árbitros mais bem remunerados são bem jovens: a Ferj conta que fez uma renovação no quadro e que a média de idade  caiu de 39 anos para 32 anos nos últimos sete anos. A avaliação da federação em relação ao ano passado foi de que houve poucos erros, em torno de 4%, mas o problema é que um deles foi no jogo do título. O relatório deste campeonato não está pronto.

Não se sabe qual a nota da arbitragem do Estadual: certo é que esta receberá uma boa recompensa financeira na final independentemente do resultado.


Finais dos Estaduais de Rio-SP têm inversão de forças após Brasileiro
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As finais dos Estaduais do Rio de Janeiro e de São Paulo têm uma inversão de forças entre os seus oito times grandes em relação ao que ocorreu no Brasileiro-2014. Quem esteve mal no Nacional chegou às decisões. Quem fez boas campanhas ou pelo menos razoáveis foi eliminado nas semifinais do final de semana.

No Paulistão, classificaram-se à final Palmeiras e Santos contra Corinthians e São Paulo, respectivamente. No ano passado, o time palmeirense lutou para não cair no Brasileiro: ficou em 16o lugar; e a equipe santista terminou em 9o. Já os eliminados corintianos e são-paulinos classificaram-se para a Libertadores, com a quarta e a segunda posições.

Como se explica essa inversão? No caso do duelo na Vila Belmiro, o São Paulo teve uma queda de desempenho considerável, perdido apesar de reforços. Já o Santos se reconstruiu das cinzas com seus garotos mesmo enfrentando uma crise financeira que lhe fez perder parte do elenco.

O dérbi foi equilibrado e tanto corintianos como palmeirenses poderiam sair vitoriosos dos penais. Mas isso é uma demonstração da recuperação do time alviverde que contratou uma série de jogadores e conseguiu aumentar sua fonte de receitas, o que o elevou a patamar pelo menos similar ao rival.

No Rio de Janeiro, os finalistas são o Botafogo, rebaixado para a Série B, e o Vasco, que é oriundo da Segundona. Deixaram para trás o Fluminense (6o colocado) e o Flamengo (10o), que podem não ter feito campanhas brilhantes, mas estavam à frente dos rivais.

Por que a troca de posições? Quebrados e com novos presidentes, botafoguenses e vascaínos tiveram uma trajetória similar com elencos modestos, uma tentativa de arrumar a casa financeiramente e a aliança com a Ferj (Federação de Futebol do Rio). Seus elencos foram o suficiente para ter jogos equilibrados contra os adversários, e derrotá-los sem sobras.

No caso tricolor, isso pode ser explicado pelas perdas do time após o rompimento com a Unimed: tornou-se uma equipe de garotos. O Flamengo deveria ter vantagem sobre os rivais pelo seu maior investimento, mas seu técnico Vanderlei Luxemburgo não foi capaz de traduzir isso em campo. Somado a isso, ambas as equipes foram prejudicadas por árbitros e pela Justiça Desportiva, no caso do Flu.

Essa inversão de forças nas finais dos Estaduais não significa que isso vai se repetir nas competições mais importantes como Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores. Até porque o desempenho nos regionais, em boa parte das vezes, tem tido pouca relevância para se projetar o que acontecerá no restante da temporada.


Vasco leva vaga com ajuda do árbitro e erros de Luxemburgo
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Em um confronto parelho, o Vasco contou com um erro claro da arbitragem para bater o Flamengo e levar a vaga na final do Estadual. Poderia ser encarada como uma compensação pelo título perdido com falha do juiz em 2014 diante do mesmo rival. A questão é que os árbitros da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) mais uma vez mancham um jogo decisivo.

O início do clássico tinha um cenário similar à primeira semifinal: pouco promissor tecnicamente com leve predomínio do Vasco. Pelo menos não havia a violência da outra partida. Com vantagem territorial, os vascaínos ameaçavam com bolas pelo alto já que lhe faltavam recursos para jogar pelo chão.

A partir do momento em que acordou, o Flamengo tinha em Éverton seu jogador mais perigoso. Chutou bola por cima e cruzou para Alecsandro desviar para o gol, parado por linda defesa de Martín Silva. Até então o erro do juiz Rodrigo Nunes de Sá era não ter expulso Christiano que enfiou a sola nas costas de Andreson Pico com violência similar a de Jonas no primeiro confronto.

Sem que ninguém pensasse o jogo no meio de campo, dos dois lados, a correria predominava sobre a articulação de jogadas. Assim, a arma do Vasco era uma postura tática superior a do Flamengo. Já os rubro-negros tinham jogadores melhores à frente.

Era esse o contexto quando Márcio Araújo perdeu a bola e gerou o contra-ataque do Vasco nos pés de Rafael Silva. A bola chegou em Serginho que apenas dividiu com Wallace. O juiz inventou um pênalti. Nos festejos do gol, Gilberto e Rafael Silva foram para arquibancada e não levaram amarelo, que seria o vermelho para o centroavante. O árbitro não tinha critério e prejudicava o Fla.

A partir daí, Vanderlei Luxemburgo se encarregou de garantir a manutenção do placar. Tirou Éverton (o mais perigoso do Fla) e Marcelo Cirino do campo por Eduardo da Silva e Gabriel -manteve Márcio Araújo e seus erros de passe. O time ficou perdido e sem poder de reação, o que seria perfeitamente possível pois faltava metade de um tempo.

Do outro lado, Doriva teve méritos por armar um time ao menos competitivo com jogadores limitados, algo similar ao que ocorreu no Botafogo seu rival na final. Mas não dá para apagar: chegou à decisão na base do apito. E logo após a pressão do presidente vascaíno, Eurico Miranda, aliado da Ferj.


Grêmio já acumula dívida de R$ 74,3 mi com estádio
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O Grêmio começa a sentir o custo de ter a casa própria: seu balanço de 2014 registrou uma dívida de R$ 74,3 milhões referentes ao estádio. Esse débito é com a Arena Porto Alegrense, empresa pertencente à construtora OAS, e tem como origem encargos do financiamento bancário para construção e gastos da pré-operação da arena.

Explica-se: a agremiação gaúcha fechou um contrato com a empreiteira que construiu o estádio em troca de imóveis. Pelo acordo, a grosso modo, há uma divisão de ganhos e custos entre Grêmio e OAS de acordo com o lucro ou prejuízo da arena. E o clube participa da quitação de financiamento para realizar o projeto.

A Arena Grêmio está dando prejuízo. Isso significa, de início, que o clube não está ganhando a parcela fixa a que teria direito, R$ 8 milhões/ano, todas as rendas são retidas, e o clube tem que pagar parte do buraco. Fora isso, há o custo do financiamento que se acumula.

Do final de 2013 para 2014, o valor do débito gremista subiu cerca de R$ 63 milhões, pois era de R$ 11 milhões em 2013. Com isso, a Arena Porta-Alegrense já é o segundo maior credor do Grêmio. A dívida líquida está em R$ 383 milhões, segundo levantamento do blog “Balanço da Bola''. O maior débito é com o governo federal.

“Em 31 de dezembro de 2014, a expectativa é de que a liquidação da dívida 2013 possa ser quitada com as parcelas a receber do preço fixo'', afirma o balanço gremista. Essas parcelas só devem ser pagas ao Grêmio mesmo a partir de 2021, já que o estádio está dando prejuízo no momento. O débito, então, seria quitado até 2028.

Só que no meio do caminho há uma negociação da diretoria do Grêmio para tentar comprar em definitivo o estádio da OAS. Para isso, foi feita uma proposta de cerca de R$ 400 milhões a serem pagos em 20 anos. Se esse negócio for fechado, toda a dívida atual registrada será incluída na transação.

As conversas, no entanto, travaram e a OAS enfrenta dificuldades financeiras para pagar financiamentos por conta de ter se envolvido na operação Lava-Jato – entrou em recuperação judicial. A diretoria do Grêmio não quis comentar o balanço do clube até que ele seja publicado oficialmente, embora já tenha sido aprovado pelo Conselho Deliberativo.


Apertado, Santos quer pagar dívida com Robinho em novo contrato
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A situação financeira do Santos continua difícil apesar das medidas iniciais da atual diretoria. Está para sair o balanço financeiro de 2014 que indicará o aumento da dívida de forma preocupante. Neste contexto, o clube tenta negociar débito com Robinho para mantê-lo, ao mesmo tempo que admite perder o meia Lucas Lima no meio do ano.

Até o terceiro trimestre de 2014, a diretoria santista registrava déficit de R$ 24 milhões, e uma dívida acima de R$ 300 milhões. Os números finais do ano ainda estão sendo ajustados antes da divulgação.

Mas há dívidas que vão impactar no time para o Brasileiro. Por exemplo, o clube admite o débito com Robinho referente aos direitos de imagem não pagos. Não há confirmação do valor, mas, obviamente, está na casa dos milhões. A intenção, no entanto, é mantê-lo no time. Por isso, será proposto a ele quitar os débitos parceladamente em um novo contrato com a renovação no meio do ano.

A aposta dos dirigentes santistas é na boa relação com o jogador e seu empresários, assim como na vontade até agora declarada do jogador de ficar no clube.

No caso de Lucas Lima, o Santos já dá a guerra como perdida até porque tem 10% dos seus direitos. O time recebeu uma sondagem do Cruzeiro, mas não quer liberá-lo para o Brasil. A diretoria vê como quase certa a sua saída no meio do ano para a Europa. O próprio empresário do jogador já admitira que o compromisso era ficar no primeiro semestre e depois negociar com europeus.

Não há milagre. Na divulgação das contas santistas, que tem de ser feita até o final do mês, ficará mais claro o que o clube pode fazer até o final do ano. O consolo entre cartolas santistas é que veem rivais como São Paulo e Corinthians com a mesma dificuldade financeira do que eles.


Renovações da Caixa com clubes se complicam e contratos podem diminuir
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As renovações de patrocínios da Caixa Econômica Federal com os clubes enfrentam uma série de complicações. As indicações são de que não haverá reajuste pela inflação, e é possível que os contratos que forem assinados tenham tempo reduzido. Há ainda uma turbulência no setor de marketing do banco federal.

Maior patrocinador do futebol brasileiro, a Caixa investe mais de R$ 100 milhões em camisas de times. Até agora só renovou o acordo com o Corinthians. Há uma compromissos por vencer no meio do ano: Flamengo, Vitória, Sport, Coritiba, Atlético-PR, entre outros. Os acordos de Vasco e Figueirense já acabaram. O banco informou que fecha o pacote inteiro no máximo em junho.

“Nosso pessoal já viu a parte burocrática, agora falta uma decisão política da presidência da Caixa de renovar. Sabemos que não haverá reajuste assim como não houve com o Corinthians. E ouvi de outros clubes que pode fechar só até o final de 2015 e não por um ano'', contou o presidente do Sport, João Humberto Martorelli.

Lembre-se que o país enfrenta uma crise e corte de investimentos do governo. A diretoria da Caixa tinha decidido, em fevereiro, que manteria seu investimento em uniformes de clubes. A questão é que, depois disso, não houve uma definição sobre qual o valor a ser gasto nem quais os times seriam renovados. O banco confirmou que essa informação ainda não foi fechada.

Em meio às negociações, o nome do diretor de marketing da Caixa, Clauir Luiz dos Santos, surgiu na operação Lava-Jato da Polícia Federal. Ele que aparece em fotos de assinatura de vários contratos de clubes. A procuradoria diz que o ex-deputado André Vargas, preso, o indicou para o cargo, e depois obtinha contratos vantajosos para familiares no setor.

Em nota, Caixa nega que qualquer de seus funcionários esteja sob investigação. Quem tem tocado as conversas por enquanto é Gerson Bordignon, superintendente de marketing e que cuida das questões do futebol. Clauir se mantém no cargo, e pode participar. Já os clubes tentam entender o cenário de suas renovações.

“Nosso contrato acaba em maio. Estamos em negociação. Vamos ver se o que eles (Caixa) apresentam é interessante para o clube'', explicou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Os contratos do Figueirense e do Vasco já foram encerrados, e continuam sem renovação. No caso vascaíno, que acabou em 2014, havia falta de CND (Certidão Negativa de Débito), mas o clube diz já ter resolvido. Os times têm mantido a marca da Caixa nos uniformes para obter um acordo retroativo e receber pelos meses em aberto. O banco entende que pode ser feito o mesmo com outros clubes que não fecharem imediatamente.


Corinthians deve ouvir o recado: é forte, mas não sobra na Libertadores
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Não há dúvidas: o Corinthians é o time que joga o melhor futebol no país nestes quase três meses de temporada no Brasil. Isso não é o suficiente, no entanto, para fazer o time sobrar na América do Sul. É o bastante para uma classificação como líder em seu grupo e para se postar como um dos candidatos ao título. Mais do que isso é viajar na maionese.

Pode se tirar essa conclusão da partida dura diante do San Lorenzo, atual campeão da Libertadores. Uma impressão consolidada, aliás, do que já se desenhava nos outros quatro jogos na competição sul-americana.

Diante de um time que sabe se armar defensivamente, o Corinthians teve mais dificuldades do que o habitual para exercer o seu rolo compressor de início de jogo, impulsionado pela torcida. Mas até que se achou no primeiro tempo nos pés de Renato Augusto, pois faltavam a Emerson Sheik e Love terem presenças mais firmes no ataque. Torrico impediu o gol, e Guerrero fez falta.

O San Lorenzo, diga-se, tinha lá suas esticadas quando a defesa corintiana dava espaço. Bem característico do time argentino desde o ano passado esse jogo de aproveitar o erro rival. Esbarrou na defesa do time alvinegro, que ainda é a principal virtude do time de Tite assim como no primeiro título da Libertadores.

A velocidade descoberta pelo técnico neste ano esteve pouco presente, limitada pelo bom sistema de marcação do San Lorenzo. O time alvinegro tem recursos ainda assim, e poderia ter feito o gol. Não deu, e a equipe perdeu seus primeiros pontos na Libertadores.

Nenhum drama. O Corinthians está classificado e tem um futebol consistente para enfrentar qualquer um no torneio. Mas terá adversários bem duros como o Boca Juniors, Racing e os brasileiros que se apresentarem fortes como Inter, ou Cruzeiro. Esqueça a empolgação do entusiasta eventual: cada jogo será como este de quinta-feira a partir daqui.


Del Nero ignora 7 a 1 em seu discurso de posse; Marin vê gestão vitoriosa
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Em seu discurso de posse na CBF, o novo presidente Marco Polo Del Nero ignorou a goleada sofrida pelo Brasil por 7 a 1 na semifinal da Copa-2014 para Alemanha. Seu tom foi de exaltação à era Dunga e seus resultados positivos até agora ao falar da gestão que se encerra de José Maria Marin, da qual ele foi vice.

“Estamos retomando o caminho das vitórias com a nova comissão técnica, comandada pelos experientes campeões do mundo Dunga e Gilmar Rinaldi. Estamos invictos: 8 jogos e 8 vitórias'', disse no discurso. Em seguida, Del Nero exaltou que 76 jogadores brasileiros atuam na Liga dos Campeões. E lembrou que só ficou atrás da Espanha por conta da dupla nacionalidade.

Em seu discurso de despedida, Marin fez apenas uma menção à “decepção sofrida com a derrota na Copa do Mundo'' para logo em seguida exaltar que tomou providências para recuperar o prestígio da seleção, o que diz que já está sendo alcançado. No geral, afirmou que a seleção “ganhou inúmeros títulos'', citando Toulon sub-20, Valais Coup, Copa WUHAN, entre outros.

Mais tarde, em entrevista coletiva, Del Nero só mencionou a goleada quando questionado sobre ela: “Sempre que falamos no 7 a 1 porque foi uma marca. A tragédia é uma marca. Hoje, temos um novo formato, novo treinador, uma nova mentalidade'', contou.

Em resumo, pelo seu discurso, a nova CBF de Del Nero não quer olhar para o passado e entender erros. Para ele, o Brasil tem mais a ensinar do que a aprender no futebol. A visão do cartola é de um cenário bem positivo no futebol brasileiro.


‘Imprensa fala em 7 a 1, mas está 8 a 0 para nós’, diz novo diretor da CBF
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Após três anos de José Maria Marin, a CBF terá uma troca na presidência com a posse de Marco Polo Del Nero (até então vice) nesta quinta-feira. O fato de ele já estar na gestão da entidade indica poucas mudanças. O novo secretário-geral da confederação, Walter Feldman, no entanto, promete o contrário em entrevista ao blog: vai realizar modificações.

Só que o discurso dele é de resistência a revoluções como a formação das ligas cogitada por clubes de futebol. A maior parte das medidas impostas pela MP do Futebol também são rechaçadas como interferência e falta de democracia. O calendário do futebol e os Estaduais ainda não têm um plano elaborado tanto que Feldman preferiu não falar sobre eles: só garantiu que há estudos técnicos sobre o assunto, e clubes e jogadores serão ouvidos. Veja a entrevista:

Quais prioridades para a nova gestão de Del Nero?

Feldman: Será uma gestão moderna, transparente, democrática, e social. São as palavras que o Marco Polo usou quando me chamou. Será intensa a relação com as federações e os clubes. A CBF se coloca para a sociedade: cumprirá sua função, e terá prestação de contas.

O que será feito em relação ao conflito entre clubes e federações estaduais?

Feldman: O conflito maior é no Rio. O presidente tem ouvido os dois lados. Já ouviu Flamengo e Fluminense, e Rubinho da federação. Ele tenta encontrar uma mediação de conflitos. Atua bem no papel de magistrado, que acumulou de experiência na FPF e no tribunal.

O que a CBF tem contra a MP do futebol? O que tem a favor?

Feldman: A MP, em primeiro lugar, não considerou o fato de que havia o acúmulo de dois anos de discussão no Congresso (…) Quando veio a MP, trouxe série de elementos de conflito como contas únicas obrigatórias para clubes. Nunca teve um papel do governo neste sentido em outros setores. A exigência em caso de descumprimento se ter ligas, fora do sistema de futebol, interfere. Não é a ideia da liga, e sim da liga pirata. MP veio muito cercada de elementos nocivos.

A CBF é contra a liga?

Feldman: É uma tese para mudança do sistema. Está dizendo que não é a CBF que deve organizar o futebol, mas a liga. Vindo como contrapondo, e vindo por lei, é muito estranho. O que acho estranho é como a sociedade não criticou. Não estão nem dando chances ao Marco Polo de assumir para apresentar a nova gestão. (…) O que ela (MP) tem de bom: tem o parcelamento para ajudar os clubes, e a excepcional contrapartida com modelos de gestão como pagamento de jogadores de forma prioritárias, controle de custos.

Se não aceita reforma de fora, a CBF prevê alteração no Estatuto para aumentar a democracia no sistema? 

Feldman: Muita coisa vai mudar. A CBF já aprovou mudanças que antes não havia: o fair play trabalhista. Os atletas podem questionar é a tonalidade da mudança. Federações e clubes vão incluir em seus estatutos punições para quem não cumprir medidas, as punições. Mas não pode vir por lei.

Na sua opinião, o modelo federativo do futebol brasileiro funciona? Por que ele não promoveu mudanças até agora…

Feldman: É o modelo da sociedade brasileira de quem foi eleito democraticamente. Assim é democracia. Os que são contra a Dilma não podem dizer para sair dentro do sistema democrático. A CBF é sensível às mudanças, mas tem que ocorrer no sistema. A visão democrática é de que não pode ser pelo governo.

A sua visão então é que a gestão atual da CBF tem méritos?

Feldman: A gente, quando está fora, acha que está tudo errado. Quando chego aqui, vejo que a Copa Nordeste e a Copa Verde têm uma dimensão hoje enorme. A CBF financia Série B, C, D. Gasta R$ 100 milhões com esses campeonatos, e com o futebol feminino. Como financiaria os outros sistemas sem o Brasileiro?

Mas o dinheiro vem do patrocínio da seleção, não do Brasileiro.

Feldman: O Brasileiro tem relação direta com os patrocinadores. Mudou, várias coisas aconteceram. Marco Polo entra amanhã, e está se propondo de maneira corajosa a mudar. A imprensa tem dificuldade enorme de reconhecer melhorias. Quando toda a imprensa só fala em 7 a 1, já está em 8 x 0 para nós (se refere à boa campanha da seleção de Dunga). Não tomamos gol.

O senhor fala em 8 a 0 em relação à organização do futebol brasileiro ou só ao time?

Feldman: Não, falo em relação só ao time. Se a gente só bater, não reconquista essa cadeia do futebol brasileiro. Ainda é o maior celeiro de jogadores da Europa. É um problema porque vão precocemente para fora. E há os altíssimos salários no Brasil que quebram as finanças. São um problema. Mas a seleção vai para a França e ganha em Paris. Vai para a Inglaterra, e é aplaudida. A crônica só bate. A Inglaterra aplaude o Brasil. Temos um patrimônio gigantesco.


Qual a cara do Brasil na Liga dos Campeões: Neymar ou David Luiz?
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Quando se chega às fases finais da Liga dos Campeões, é comum se organizar listas de nacionalidades de jogadores: o Brasil figura sempre entre os primeiros, ou no topo da relação. Isso vira argumento para mostrar que a formação de atletas continua forte no país. A questão é quem são esses atletas brasileiros que atuam nos principais times europeus?

Essa pergunta volta a ser relevante depois das quartas-de-final entre Barcelona e PSG em que, de um lado, Neymar brilhou, fez gol, e ajudou o Barcelona a se aproximar da classificação. Do outro, David Luiz tomou dois ovinhos (caneta, como preferirem) de Suárez em dois gols do time espanhol. É entre a imagem dos dois que o futebol brasileiro pende no principal palco de clubes.

O zagueiro ficou marcado como a cara da derrota dos 7 a 1 para a Alemanha. Falhou muito, foi estabanado, e perdeu a compostura com o placar humilhante. E Neymar era o que o Brasil sonhava ser, mas não estava em campo por contusão.

O atacante do Barcelona é também uma exceção: o único brasileiro que, de fato, é uma estrela em seu time entre os grandes europeus. Há bons coadjuvantes, ressalte-se, como Thiago Silva (contundido nesta quarta), William, Oscar, Marcelo etc.

Mas a verdade é que, ainda que tenha quantidade na liga, o Brasil está longe da qualidade de outros tempos quando havia dois ou três jogadores de primeira grandeza no futebol europeu, como Rivaldo, Romário, Ronaldo, etc. Pense nos últimos campeões da Liga dos Campeões: qual teve um brasileiro como principal destaque? Quando um brasileiro foi eleito melhor do mundo pela última vez?

Então, de uma certa forma, o futebol nacional na Liga dos Campeões é muito mais David Luiz do que Neymar. Toma mais canetas do que dá. É por isso que a cara atônita do zagueiro na tv depois de levar o primeiro drible de Suárez nos faz lembrar tanto dos 7 a 1 quando ele tinha a mesma expressão. E a boa fase da seleção de Dunga, invicta, ainda não foi capaz de apagar essa imagem que segue nos assombrando.