Blog do Rodrigo Mattos

Após punir América-MG em 18 dias, STJD arrasta caso de corintiano Petros
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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) demorou 18 dias entre a denúncia do Joinville contra o América-MG por uso de jogador irregular e a punição com perda de 21 pontos. O jornal “Lance!'' mostrou há 18 dias uma possível irregularidade na inscrição do corintiano Petros e até agora o tribunal sequer concluiu o inquérito sobre o caso. Esse episódio poderia levar a perda de pontos do Corinthians, embora seja muito difícil que isso aconteça pelo ambiente do tribunal.

A polêmica teve início porque o contrato de renovação de Petros é datado do dia 2 de agosto. Mas ele apareceu no BID da CBF no dia anterior, no dia 1, quando é registrada sua rescisão com o Vitória. A questão a ser respondida é se haveria irregularidade no contrato registrado, o que deixaria o jogador sem condições de jogo e o clube sujeito à punição.

A investigação começou com um pedido da procuradoria do STJD. Foi encarregado do caso o auditor da corte Gabriel Garciliano Jr. Ao blog, ele afirmou que a expectativa é de concluir essa apuração no final da próxima semana, quando decidirá se houve algum problema ou se haverá arquivamento.

“Já requisitamos alguns documentos para a CBF que mandou alguma coisa'', afirmou Garciliano Jr, que explicou já ter feito novo despacho com pedido de uma série de informações. Por enquanto, ele não tem um quadro claro do que vai acontecer. “Tem a questão do BID. O tribunal entende se não está no BID não existe. Mas não posso avançar muito porque tenho que analisar.''

Garciliano Jr lista as informações pedidas à confederação: 1) É possível fazer a rescisão sem a assinatura do clube cedente? 2 ) O regulamento da CBF permite o registro de contratos ainda não vigentes? 3) Quando houve a rescisão com o clube anterior?

Esses dados têm que ser fornecidos pela CBF em 48 horas. Garciliano terá mais cinco dias para tomar sua decisão, ou seja, a apuração dura pelo menos até o final da próxima semana. O auditor considera o tempo de andamento “normal'', e não entende que houve lentidão no processo.

Até agora a confederação não mostrou nenhuma disposição de atuar ao contrário do que ocorreu em casos como Portuguesa (Heverton) e André Santos (Flamengo) quando fez as denúncias. “Isso não está com o departamento. É com o registro'', afirmou o diretor de competições da CBF, Virgílio Elíseo. Foi seu departamento que denunciou os dois clubes no ano passado.

Em conversas com auditores do STJD, o blog constatou que a presença de Petros no BID tem boas possibilidades de livrar o Corinthians de punição. Fora casos excepcionais, o tribunal não tem punido quem aparece no boletim. Enquanto isso, o América-MG já está na fase de recurso para tentar recuperar seus 21 pontos perdidos.


Punir Sheik pela ‘vergonha da CBF’ é ferir a liberdade de expressão
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Esse texto não é uma defesa de Emerson Sheik. Não se propõe tampouco a discutir os erros e acertos da vida do jogador alvinegro, ou se sua expulsão diante do Bahia foi justa ou injusta. O objetivo aqui é tratar do direito dele de fazer críticas a quaisquer instituição, clube, ou colega desde que sem ofensa. Porque o direito de Sheik é o de todos nós.

Vamos aos fatos. Após ser expulso pelo árbitro Igor Junio Benevenuto, o atacante botafoguense chamou o juiz de safado, segundo o relato da súmula. Depois, virou-se para a câmera e disse que a CBF é uma vergonha.

Separemos os fatos. Sheik pode, sim, ser punido por ofender o árbitro. Está previsto no CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) esse tipo de pena, e, assim como acontece em processos cíveis, uma pessoa responde por crimes de difamação. Na Justiça Desportiva, a possível pena é de suspensão. Ok, são as regras.

Agora, ao dizer que a CBF é uma vergonha, Sheik expressa uma crítica à entidade máxima do futebol brasileira, e a sua arbitragem. Não chamou ninguém de ladrão. Afirmou que o funcionamento da confederação é uma vergonha.

Entre outros itens, como ofensa ao árbitro, o procurador do STJD, Paulo Schmitt, enquadra o no artigo 258 (conduta contrária à ética esportiva) por ataque “à instituição e autoridades com claro intuito intimidatório e desrespeitoso através da mídia''. Não é um caso isolado pois a Justiça Desportiva já puniu anteriormente dirigentes por críticas ou ataques, e o CBJD permite essa leitura. Mas é uma medida que vai contra a Constituição Federal.

Está no artigo 5o, nos incisos IV e IX, o direito a livre manifestação do pensamento, e a livre expressão da comunicação. Nenhum regulamento da CBF ou do STJD pode se sobrepor a lei maior.

Imaginem se não fosse Sheik, mas um técnico de renome nacional. Em uma hipótese, ele diz: “A CBF é uma vergonha. A arbitragem do Brasil não funciona, o calendário também não.'' Ele deveria ser punido por expressar sua opinião?

Certamente Sheik não está certo em todas as suas atitudes na vida. Cometeu muitos erros pelos quais responde por ai. Mas isso não lhe tira um milímetro do direito de opinar sobre um fato de campo, desde que não ofenda ninguém.

Isso vale também para o protesto da torcida do Coritiba à atuação do árbitro Wagner Reway, que apitou dois pênaltis para o Flamengo. Os torcedores têm todo o direito de expressar sua indignação desde que não ofendam ninguém, o que não ocorreu, na minha opinião, com o cartaz sobre o juiz.

Não se trata de discutir o mérito dos protestos, mas do direito deles existirem. “Posso não concordar com nenhuma das palavras que disser, mas defendei até a morte o direito de você dizê-las'', afirmou Voltaire, na frase clássica

Por que se o STJD começar a caçar todo mundo que falar mal da arbitragem brasileira e da organização da CBF daqui a pouco estarão excluídos todos os jogadores, técnicos, jornalistas, torcedores e gandulas. Restarão estádios vazios com o presidente da confederação, José Maria Marin, e o doutor Paulo Schmitt na tribuna de honra. Não haverá nenhum grito ou canto de vergonha. Será o ápice do futebol sem vergonha que vivemos hoje no Brasil.


Fla paga R$ 159 mil mensais a Romário e só quita dívida em oito anos
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Favorito na eleição para senador no Rio de Janeiro, o ex-atacante Romário tem garantida uma renda muito maior do que a de um político durante todo seu possível mandato de oito anos. Até 2022 ele vai receber parcelas da dívida do Flamengo com ele, que estão atualmente em R$ 158.800 por mês. O salário de senador gira em torno de R$ 27 mil.

Esse débito do Flamengo com Romário é um dos valores que a atual gestão tem quitado em débitos das outras administrações. No caso do ex-jogador, houve seguidos descumprimentos de acordos feitos com ele até a diretoria fechar um novo parcelamento.

“Sempre deixavam de pagar e aumentava um pouco a dívida. Agora estamos pagando em dia'', contou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo. Irônico é que, como deputado federal, Romário participou das negociações do projeto para regularizar as dívidas fiscais do clube. “Estivemos com ele algumas vezes em Brasília. Ele tratou disso'', lembrou o dirigente.

Considerado o valor atual de seu 'salário' rubro-negro, Romário tem direito a R$ 15,7 milhões no total até 2022. Só que esse montante será maior visto que há previsão de reajuste da mensalidade a cada ano.

A conta do ex-atacante está no passivo de dívidas privadas do clube, mas há valores que o Flamengo considera como folha salarial e são de ex-atletas do clube. Atualmente, são pagos R$ 9 milhões no total, sendo apenas R$ 5 milhões de jogadores em atividade. Há aqueles de gestões anteriores, e da atual, como André Santos e Elano.

Bandeira de Mello chama esses débitos de “penduricalhos''. E afirmou que, no total dos débitos, o percentual gerado pela atual gestão é pequeno.


Fla domina, Palmeiras reage na raça e Valdivia volta a ser Valdivia
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Até um determinado momento seria possível explicar o Flamengo e Palmeiras sob os pontos técnico ou tático. Mas, a partir do intervalo, foi uma partida que se desenhava mais pelo imponderável, pela briga dos dois times e pelas reviravoltas. Um resumo: domínio rubro-negro, reação palmeirense, e Valdivia voltando a ser Valdivia.

O que se via no início do jogo era um time organizado, bem postado, consciente do que deveria fazer (Flamengo) e um bando com jogadores que pareciam ter se conhecido naquela noite (Palmeiras).

Não era à toa. Dorival Jr. tinha optado por uma série de novidades, Juninho de volante, João Pedro, na lateral, e um sistema novo no ataque. Vanderlei Luxemburgo usava o mesmo time que tem jogado as últimas partidas, com marcação forte no meio de campo e saída rápida com Éverton.

Tanto que foi em uma jogada pela esquerda do ataque rubro-negro que João Paulo cruzou para o meio e encontrou Canteros. Juninho escorregou e ele bateu para abrir o placar.

O segundo gol foi uma repetição dos erros de outros jogos palmeirenses com a saída errada de bola de Deola. Houve um toque no braço de Eduardo da Silva antes do passe para o gol de Alecsandro. Reclamação alviverde: ficou a impressão de irregularidade, mas sem certeza. No replay, após chegar do estádio, é possível ver que o gol foi ilegal pela mão. Bem, parecia que podia sair uma goleada. Mas só parecia.

Após o intervalo, com as entradas de Valdivia e Allione, e principalmente com nova postura combativa, o Palmeiras se tornou outro. E isso foi percebido logo no primeiro lance de ataque surgido em chutão de Lúcio. Diogo aproveitou-se de falha de Léo Moura e descontou, em seu primeiro gol em muito, muito tempo.

O Flamengo recuou de vez e aceitou a pressão quando Luis Antônio entrou no lugar de Eduardo da Silva. Sua maior organização se deixou intimidar pela vontade palmeirense. E foi assim que Vitor Luis, no arranque, empatou o jogo em um chute improvável com pouco ângulo.

O Palmeiras tinha coração no que lhe faltava de estratégia, e parecia que iria virar. Mas só parecia. Valdivia ganhou uma bola de Amaral, se enroscou com ele, perdeu a disputa e pisou no adversário. Foi expulso e interrompeu a reação.

O Flamengo voltou a dominar a jogo e por duas vezes esteve muito perto do gol que não saiu. O time carioca ficou com um gosto amargo por abrir dois gols e permitir o empate. A equipe alviverde se viu frustrada com a interrupção da reação que poderia ser salvadora, um ponto de mudança na campanha atual. A diferença é que os palmeirenses vão dormir na zona de degola.


CBF ignora pedidos de Corinthians e Cruzeiro de não convocar atletas
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Ao convocar quatro jogadores de Corinthians e Cruzeiro, o técnico Dunga ignorou duas cartas com pedidos dos dois clubes para que seus jogadores não fossem convocados para os próximos jogos coincidentes com datas do Brasileiro. Isso contraria o discurso do treinador que, durante a entrevista, chegou a dizer que respeitaria reivindicações de times para excluir atletas.

Na lista, estão os corintianos Gil e Elias e os cruzeirenses Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. Eles ficarão de fora de dois jogos do Brasileiro, e um da Copa do Brasil. E ainda chegam em cima para confronto entre as duas equipes.

“Mandamos a carta pedindo para que não fossem convocados. Foi protocolado na federação mineira na semana passada. Não recebemos resposta'', afirmou o gerente de futebol do Cruzeiro, Valdir Barbosa. “Sei que o Corinthians também mandou porque conversamos e vimos a carta deles.'' Barbosa lembrou que a situação é complicada porque o Cruzeiro ficará sem ter os atletas por dez dias.

O Corinthians confirmou que foi enviada uma carta para reivindicar que seus atletas não fossem convocados desta vez por Dunga. Mas tinha poucas esperanças de ser atendido. Isso porque a CBF argumentou que não poderia poupar um clube, e convocar de outros.

Impressionante é que, durante a entrevista coletiva, Dunga afirmou que qualquer um poderia pedir para não ter jogador convocado, e seria atendido. “Dentro do futebol e da CBF, temos grande liberdade e democracia: quem não quiser que os jogadores não sejam convocados, manda uma carta dizendo isso. E nós atendemos ao pedido. Acredito que ninguém fará isso'', disse ele.

O entendimento dentro dos clubes é que, com isso, o treinador disse que não chamaria mais nenhum atleta dos clubes que mandassem as cartas. Isso colocaria os dirigentes em situação desconfortável de prejudicar a carreira de seus jogadores.

Pois bem, houve duas cartas que foram ignoradas pela confederação. No final, o presidente da CBF, José Maria Marin, disse que conta com a compreensão dos clubes e agradeceu pela colaboração com os atletas.


CBF orienta árbitros a marcar pênalti em bola no braço em movimento
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A comissão de arbitragem da CBF admitiu que os juízes ainda estão em adaptação à nova orientação de marcar falta em bolas que atinjam braços de jogadores em movimento. Essa instrução foi dada em dois cursos antes e depois da Copa-2014. Mas surgiram diversos lances com interpretações diferentes nos campeonatos após o Mundial.

No final de semana, foi o pênalti para o Flamengo diante do Corinthians, no qual a confederação não viu erro. Nas rodadas anteriores, foram as penalidades para o Fluminense diante do Palmeiras (marcada) e a do time rubro-negro contra o Goiás (não marcada). Outro lance polêmico foi em favor do Flamengo no jogo com o Coritiba, pela Copa do Brasil.

Todas essas marcações foram aprovadas pelo presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sérgio Corrêa. É a instrutora da confederação Ana Paulo de Oliveira quem explica a interpretação.

“O assunto é simples e complexo. Deve-se marcar em dois casos. Quando tocar na bola com a mão deliberadamente, e podemos dizer que neste caso há intenção. E quanto houver uma ação deliberada com o braço ou a mão. Essa orientação é da Fifa, não partiu de nós'', explicou ela.

“Quando um jogador dá um carrinho, se ele salta com o braço aberto, se colocou em risco de cometer a falta. Se saltar com o braço aberto, e bater a bola, será pênalti'', completou.

A orientação da Fifa vem desde o ano passado. Mas a CBF a implantou em larga escala no Brasileiro com os cursos e orientações no meio do ano. Tanto que vai até  apresentar um vídeo no site da entidade com a explicação de por que são marcados os lances de mão para o público.

“Tínhamos um conhecimento arraigado sobre isso (de que falta era com intenção). Agora, o jogador corre o risco se estiver em posição (de braço aberto). Nem todas as reclamações têm fundamento'', completou Corrêa.

O presidente da comissão defendeu a arbitragem no Brasileiro, apesar das seguidas reclamações dos dirigentes, jogadores e técnicos. Para ele, com 920 partidas realizadas no ano, os números mostram um evolução dos juízes brasileiros. E usa os dados para se justificar:

“A evolução existe. Pode não ser notada, mas existe'', contou. “Um exemplo é que temos 34 faltas em média no Brasileiro, quando havia 30 na Copa. E esses números estão caindo. Reduzimos a média de idade dos árbitros, temos um banco de dados sobre cada um e estamos levantando quem acerta mais e quem erra mais para sermos justos.'' O número de faltas caiu de 52,4 em 2003 para 34,4, pelos números da CBF.

A análise vai na contramão de declaração do presidente da CBF, José Maria Marin, durante a convocação da seleção brasileira. Ele afirmou estar insatisfeito com a atuação dos juízes no Brasileiro. Ou seja, a confederação não se entende sobre a qualidade dos juízes nacionais.

 


CBF diz que pênalti para Fla contra Corinthians é difícil, e não é erro
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A comissão de arbitragem da CBF não classificou como erro o pênalti marcado por Sandro Meira Ricci para o Flamengo contra o Corinthians em bola que bateu na mão do lateral Fagner. Membros da cúpula da confederação descreveram o lance como “difícil'', “interpretativo'', “bola dividida''. Ou seja, poderia ser marcado ou não, dependendo da opinião do juiz.

Para relembrar o lance, houve um chute da entrada da área e Fagner segurou seu braço esquerdo com a mão direita. Foi ai que a bola bateu. Só que ambos estavam junto ao corpo do jogador e o chute foi de curta distância.

Há uma nova orientação da Fifa de que, quando um atleta abrir os braços, deve ser marcada a penalidade mesmo que ele não tenha intenção de cometer a falta.

“Existe instrutor da CBF que marcaria aquele pênalti. O jogador moveu o braço direito que desviou a bola'', explicou o presidente da comissão de arbitragem, Sergio Corrêa. Questionado se era uma bola dividida, ele confirmou: “É uma bola dividida.''

Mesma opinião teve a instrutora da CBF Ana Paula de Oliveira, ex-auxiliar: “É uma lance dificílimo, extremamente interpretativo. Poderia marcar ou não. Ele poderia ser considerado certo se marcasse ou não'', analisou.

Corrêa admitiu que houve erro do auxiliar Elan Vieira de Souza que validou o gol para o Flamengo, em lance que Walace estava impedido e chutou para o gol. Mas defendeu o bandeira. “O assistente errou. O que não observaram é que ele está encoberto. Faz parte o erro.''

Outra decisão polêmica da arbitragem no Cruzeiro e São Paulo -a não expulsão de Dedé no pênalti sobre Ganso – também foi defendida pela comissão de arbitragem. Para Corrêa, não havia necessidade de cartão amarelo para o cruzeirense, que seria o segundo. O próprio zagueiro disse que poderia receber a punição.

“Foi uma falta normal de jogo. As pessoas têm que parar de achar que tem que dar cartão em todo jogo. Me parece mais uma reclamação prévia para outras rodadas. Não adianta colocar pressão'', contou Corrêa.


Arena do Palmeiras será uma Bombonera em relação a Itaquerão, diz arquiteto
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Arquiteto da Arena Palmeiras, prestes a ser inaugurada, Edo Rocha classifica a execução do estádio como um “milagre''. Explica-se: a área reduzida exigiu um esforço extra para torna-lo moderno ao contrário de outros que contam com largos espaços. Não foi possível, por exemplo, atender todas as exigências da Fifa em relação à área externa de circulação.

Em compensação, a solução encontrada para a arquitetura é classificada por Rocha como aconchegante. Ele compara com o Itaquerão que tem os fundos abertos: afirmou que a Arena Palmeiras manterá muito mais o som dentro do estádio. Chega a comparar o efeito com o da Bombonera, tradicional casa do Boca Juniores, exaltada pela pressão da torcida. Veja a entrevista com o arquiteto feita pelo blog:

Blog – Foi possível atender todas as requisições da Fifa na Arena Palmeiras?

Edo Rocha - Está mais ou menos adaptado às normas da Fifa. Algumas requisições não dava para fazer. Não é um problema de caro, não dava para fazer no espaço disponível. Foi um milagre a transformação do estádio antigo no que se tornou. Por dois sites internacionais, foi dado prêmio. Foi um milagre o que já se fez. A Fifa tem um modelo que é construção em um espaço novo.  

Blog – Como você fez para equilibrar as requisições para shows que têm um público neutro e dos jogos em que será a casa do Palmeiras? Qual a diferença para os estádios públicos?

Rocha - Um estádio público recebe de 30 a 35 jogos por ano, pode ter alguns com números maiores. O custo de um estádio novo gera uma conta em que é preciso ter outras atividades. Então, é o problema de um ativo depreciado como o Pacaembu. Um estádio novo, ele precisa ser lucrativo. O ideal seria ele estar preparado para outros eventos. A gente tem uma solução que pode fazer um show de 12 mil pessoas, onde ele era fechado. Você pode fazer um show para todos que dá 60 mil pessoas. E faz jogo para 48 mil pessoas. Tenho três em um. Um dia para a transformação.

Blog – Como chegou a solução encontrada na Arena Palmeiras para as transformações?

Rocha - Tinha outras ideias iniciais. O ideial era ter uma estrutura que sai do chão e levanta o palco. Mas o Rolling Stones quer de um jeito, o Pavarotti quer do outro. Não é só o artista, mas são todos os tipos de eventos que a gente não pode prever. Então, essa é a solução mais viável (com montagem e desmontagem do palco de acordo com o evento).

Blog – Como o plano de negócios influenciou o projeto?

Rocha - Esse plano é a partida, o início do programa que interfere no estádio. Parte de um programa e de uma viabilidade financeira para transformar um produto em uma coisa economicamente viável. Sem dúvida, o plano de negócios determinou como seria o programa de construção. Foram atendidos os pedidos feitos pelo cliente. 

Blog – Houve algum estádio que serviu como inspiração? 

Rocha - Tem uma série de normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Trabalhou-se criativamente. Não teve inspiração. Faço muitas coisas de clubes. Esse foi um projeto mais ou menos harmonizado de forma particular. Essa estrutura toda que foi montada é como um grande cesto, ninho. Ninho da China (Ninho de Pássaros, estádio olímpico de 2008) é uma referência, mas esteticamente não tem uma ligação. A ideia de ter a palavra ninho é a referência. É essa trama, esse cesto do estádio que é a ideia. Que seja aconchegue e seja acolhedora. Por exemplo, o Itaquerão entra vento dos lados e então é um problema. A ideia é mais uma Bombonera, como um lugar de touradas. O som é uma energia que escapa. Se a gente não controla essa energia, ela vira um problema, vai andando. Acaba com essa energia. Jamais poderia fazer um estádio aberto naquele lugar. Todo o trabalho de acústica foi pensado e refletido para ter repercussão pensando no que está em volta. Todas as chapas metálicas, a perfuração randômica correta. A gente faz estúdios da Globo e da Record e mexemos muito com essa parte das emissoras. Alguns princípios de acústica foram pensados no revestimento. O som, quando passa pelas lâminas, tem frequência mais confortável. É um liquidificador da frequência. Quando você ouve o som do vento na mata, cria um som que tem harmonia da frequência. Na cidade, tem outro efeito e dá irritação. A tentativa é que a voz humana que está lá dentro, a partir do momento que passe no filtro, tenha um efeito melhor.

Blog – E o efeito dentro do estádio?

Rocha- Dentro do estádio, há a característica de como foi feita a qualidade da acústica interna. Estamos falando de reverberação. Preciso ter um lugar dentro do estádio… Se você vai em um anfiteatro grego, com a qualidade da reverberação, o cara ouve no final o que acontece. A gente não consegue fazer um teatro grego. Porém, muitas das coisas de acústicas são calculadas e pensadas para isso. Acho que deu muito certo. 

Arena Palestra

Arena Palestra

Blog – Dá para fazer uma comparação com o antigo estádio do Parque Antarctica em relação ao som da torcida?

Rocha- Não consigo te dizer isso (Palestra). Vai ser melhor do que o Pacaembu, o Morumbi. Estive no Mineirão e era confuso. Quando o Palmeiras estiver pronto, você me diz com a memória (sobre o Parque Antarctica). Tem que estar com a casa cheia. Acho que deve ser dez vezes melhor. A parte de qualidade do áudio é excepcional.

Blog – A decoração teve que buscar equilíbrio para o público neutro que vai a shows?

Rocha- Vai ficar bonito e muito elegante. A gente não pode ser agressivo, ofensivo, nem ter overdose (de símbolos do Palmeiras). Tem que ser uma coisa correta, elegante, dentro da escala humana. Evitar essa coisa da poluição visual que já vivemos (no dia a dia). Buscamos um equilíbrio dessa decoração. Estão de uma forma discreta (os símbolos do Palmeiras), bastante civilizada. As cadeiras todas são em três tons de verdes. Fazem parte de manchas. É um pouco essa ideia da mancha verde da torcida com parte mais gráfica da proporção das  cadeiras e do gramado. Quase como se fosse uma extensão do gramado. Quase como uma mata vista de cima. Cheguei a fazer palmeiras, a grafia era muito bonita. Eram duas alternativas, e foi feita a alternativa que era a primeira ideia. Às vezes tem-se uma ideia, e tem uma segunda, mas volta-se à primeira. Desse jeito, você enxerga melhor.

Blog – E como a parte prática do funcionamento de um estádio influenciou o projeto?

Rocha- Há a estética e o funcionamento. Alguns reclaman que eu tirei a calota que sustentava o telhado. Tinha pensado em cobrir aquela estrutura. Quando desenhou a estrutura, ficou mais high tech. Mudei o material de fora que antes seria alumínio para aço inox. Tem alguns momentos que você tem que fazer algumas mudanças no projeto. É a função que mais acomodada as entradas e saídas e da proporção. Quando quer comparar o projeto, o projeto da Fonte Nova também foi adaptada ao antigo com solução interessante. Cada caso e cada projeto é um. O que podemos definir é se agrada mais as pessoas.? Ele atende as funções. O Palmeiras atinge melhor para shows e jogos, a forma do Itaquerão só atinge o futebol, talvez a função do clima interno (do Itaquerão) não seja boa. Não é crítica. São soluções que foram dadas. Não venho botar a culpa em uma coisa ou outra.

Blog- E como os atrasos da obra afetaram o seu trabalho? 

Rocha- O grande drama do projeto demorar é porque entra o “ja que estamos fazendo isso…''. Quando entra isso, dançou. Alteramos e melhoramos algumas coisas. Por um lado, isso às vezes é bom. Ajuda a ajustar uns detalhes que puderam ser melhorados. Não houve grandes alterações. Houve ajustes normais como uma obra como qualquer outra. Toda obra sofre alguns ajustes, pequeníssimos ajustes. Tem uma coisa muito interessante. Dentro de uma obra de arquitetura ou de arte, existe aquilo que o arquiteto e artista desenhou. Ou ela fica melhor ou pior do que imagina. Na Arena Palmeiras, houve boa resposta. Ficou muito melhor do que tinha como expectativa. Tivemos condição de amadurecer. Ganhamos dois prêmios de arquitetura. Quando funcionar, estiver cheia, vai ter outra percepção do público. As comparações começam a fazer sentido. Uma coisa é a minha visão e outra é a do público.

PS: O Itaquerão também teve sua arquitetura pensada para maximizar o som da torcida, e minimizar o efeito externo do som. A ideia do projeto é de que duplicaria o som da torcida no PacaembuPara isso, foram usadas quatro camadas de revestimento na cobertura para o som voltar para o campo, além de deixar o torcedor mais próximo do gramado. Ressalte-se que uma parte da cobertura ainda não está pronta, o que deixa incompleto o sistema.


São Paulo já faz sua 2a melhor campanha no Brasileiro
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Com a vitória sobre o Cruzeiro, e a arrancada pós-Copa, o São Paulo já faz sua segunda melhor campanha no Brasileiro nos pontos corridos até a 21a rodada. Na verdade, é o 2o desempenho mais eficiente desde 1995 quando foram implantados os três pontos por vitória – não é possível comparar com outras edições.

Após o triunfo do final de semana, a equipe são-paulina atingiu 42 pontos, quatro a menos do que o líder Cruzeiro. Esse desempenho só é inferior à equipe de 2007, que tinha 43 pontos na 21a rodada e acabou campeã brasileira com antecedência.

O rendimento é superior aos times vencedores em 2008 (36 pontos) e em 2006 (40 pontos). Também é uma campanha melhor do que das duas equipes em que Kaká era protagonista, em 2003 (41 pontos) e em 2002 (40 pontos), no último campeonato de mata-matas.

O dado torna-se ainda mais significativo porque, em rendimento acumulado, o São Paulo é o melhor da história dos 11 anos dos pontos corridos. E a campanha se explica por uma retomada de uma característica ofensiva são-paulina.

A arrancada foi fruto do desempenho do quarteto formado por Kaká, Ganso, Alan Kardec e Pato. Juntos, ganharam todos os jogos até agora. Diante do Cruzeiro, Kardec fez gol e Ganso sofreu o pênalti para Rogério Ceni marcar o outro.

É uma história similar ao ataque que tinha Ricardinho, Kaká, Luis Fabiano e França, em 2002 e durante parte de 2003. Kaká saiu no meio daquele campeonato. Aquele foi o melhor ataque do São Paulo até a 21a rodada, com 43 gols no primeiro ano e 41 gols no segundo. Agora, o time tem 37 gols, superior a todas as outras equipes são-paulinas nos pontos corridos.


Gol irregular para o Fla pune a falta de ousadia do Corinthians
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Sim, o Flamengo ganhou o Corinthians com um gol irregular de Wallace, em lance em que havia impedimento de Eduardo da Silva. Sim, houve um pênalti mal marcado em favor do time rubro-negro desperdiçado pelo mesmo atacante. Mas a equipe alvinegra mereceu perder no Maracanã pela falta de ousadia de seus jogadores e de seu técnico Mano Manezes na maior parte do jogo.

No primeiro tempo, os corintianos não tiveram nenhuma conclusão perigosa a gol. Enquanto isso, os rubro-negros tentavam com jogadas laterais, principalmente em cima de Fagner pela esquerda de seu ataque. Quando a equipe paulista acertou a marcação desse lance, o jogo travou-se e ficou morno.

O que se via era uma partida quase sem emoções em que jogadores de meio de campo como Elias, Renato Augusto, Lodeiro e Canteros não justificavam a sua fama. O mais ousado em campo era Éverton com suas arrancadas.

Após a volta do intervalo, o Corinthians manteve a sua postura defensiva, de sair lentamente com cautela. Deu certo apenas em uma vez quando Guerrero deixou Luciano na cara do gol para chutar para fora.

Com suas limitações, e um time bem mais barato do que o rival, o Flamengo tentava chegar ao gol pelas laterais. Até que veio o lance de cruzamento para área em que Eduardo da Silva dominou, impedido, e Wallace, também em posição irregular, marcou o gol.

A partir daí, Mano, enfim, abriu o time e se lançou ao ataque, com substituições ofensivas. Fica claro que sua equipe não sabe jogar atacando, tanto que se expôs demais. Poderia ter tomado uma série de gols se Eduardo da Silva estivesse em uma tarde feliz.

Além do pênalti mal marcado, ele perdeu um lance na frente de Cássio. E houve outros desperdícios rubro-negros em jogadas em que tinham maior número de atacantes contra poucos defensores corintianos. No seu ataque, o time alvinegro limitava-se a lançar bolas altas na área, sem nenhuma criatividade.

Os corintianos podem reclamar, com razão, dos erros da arbitragem de Sandro Meira Ricci, e seus auxiliares. Mas deveriam reclamar muito mais da postura do time em jogos fora de casa. Não se vê uma ousadia de quem quer conquistar o título. Já o Fla está cada vez mais livre do rebaixamento do Brasileiro, sua única ambição possível neste campeonato.