Blog do Rodrigo Mattos

Copa do Brasil tem média de gols 23% superior ao Brasileiro
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A Copa do Brasil tem uma média de gols 23% superior ao Brasileiro nesta temporada. Até agora foram 2,71 por jogo, contra 2,21 do Nacional. Ressalte-se que, na rodada desta quarta-feira, a primeira das quartas-de-final, caiu o número de tentos em relação ao restante da competição de mata-mata.

No total, a Copa do Brasil teve 399 gols, em 147 partidas. Nesta quarta-feira, foram nove gols em quatro jogos, sendo cinco deles entre Santos e Botafogo. Assim, a média dessa rodada foi de 2,25, próxima do Nacional.

O Brasileiro já tem 552 gols, em 250 jogos. É o pior Nacional de pontos corridos em média de tentos até agora. Essa é a principal explicação para vantagem de gols da Copa do Brasil em relação ao Brasileiro. Não há relação com o formato das competições, mata-mata e pontos corridos.

Até porque o histórico do Nacional mostra que, quando foi adotada fórmula de todos contra todos, manteve-se uma média ofensiva similar a de edições anteriores. A queda no número de tentos só começou a ocorrer, de fato, a partir do campeonato de 2010.

Um exemplo da diferença de rendimento dos ataques nas duas competições é o Corinthians. Na Copa do Brasil, tem média de 1,83 tento por partida, contra 1,16 no Nacional. Claro, o time alvinegro teve confrontos contra times mais fracos, como Bahia de Feira de Santana, Nacional e Bragantino. Mas também pegou duas equipes de Série A, Atlético-MG e Bahia, e fez cinco gols.

Se há times mais fracos na competição de mata-mata, eles também se enfrentaram entre si, o que gera confrontos mais equilibrados. Na quartas-de-final da Copa do Brasil, há seis times da Série A, e dois da Série B. Veremos se cairá, de fato, a média de gols nos próximos jogos.

 


Time da 3a divisão de Minas tem atletas mais caros do que Palmeiras e Fla
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Um clube da terceira divisão de Minas Gerais é um prova de como será difícil para a Fifa impor a proibição de investidores terem direitos sobre fatias de jogadores. Controlado por um fundo ligado ao BMG, o Coimbra Esporte Clube Ltda detém maior valor em atletas do que Flamengo e Palmeiras, dois grandes da Série A do Brasileiro. Só que nenhum deles atua pela equipe mineira.

É uma demonstração de como os investidores podem criar clubes pequenos com atividade esportiva irrelevante para controlar seus atletas. A Fifa diz estar de olho nos chamados times hospedeiros, que servem apenas para esse fim.

O crescimento financeiro do Coimbra começou quando um dos acionistas do BMG, Ricardo Guimarães, ex-presidente do Atlético-MG, decidiu investir em jogadores em 2009. Foi criado um fundo chamado BR Soccer, com registro na CVM (Comissão de Valores Imobiliários), que deteve controle de fatias até de atletas de seleção como Marquinhos, Oscar e Bernard, em um total de mais de 100.

Esse fundo é dono da empresa chamada Vevent, que por sua vez é a controladora do pequeno clube mineiro. Com informações até março de 2014, o balanço do BR Soccer registra que o total investido pelo Coimbra em jogadores, contratados ou revelados no clube, é de R$ 62,4 milhões. É o valor incluído no ativo do clube.

Para efeito de comparação, o Flamengo contabilizou R$ 36,5 milhões em direitos de jogadores no ativo do seu balanço até o meio de 2014. Já o Palmeiras tem um total de R$ 41 milhões também até a metade do ano. O Corinthians, com elenco mais caro, tem R$ 84,7 milhões em números do final de 2013.

Só que nenhum desses atletas sobre os quais o Coimbra detém direitos entra em campo. O gerente de futebol do time, Maron, relata que são 27 jogadores no elenco do time. “É uma maioria de jogadores formado na divisão de base do clube'', contou o dirigente. Ele afirmou que não poderia falar sobre a relação com o fundo, e o responsável não atendeu os telefonemas.

Na CBF, o time tem 58 jogadores registrados, entre eles, atletas como Jocinei e Moacir, com passagens pelo Corinthians. Mas o filé do fundo está ligado a grandes clubes brasileiros, e o Coimbra detém fatias. Já fez negócios com Corinthians, Atlético-MG, São Paulo, Fluminense, Santos, Internacional e Cruzeiro, entre outros.

Em campo, no entanto, o time só conta com um categoria infantil e outra profissional, e disputa dois torneios, Taça Belo Horizonte e o Mineiro -está no módulo II do Estadual, correspondente à terceira divisão. Joga em um estádio cedido em Nova Lima, mas sua sede é em Belo Horizonte.

Ao final do Mineiro-2014, o time ficou em terceiro na chave A deste campeonato: foi a nona melhor campanha em 12 equipes. Não tem site, e seus contatos na federação mineira são celulares de dirigentes. Uma realidade bem diferente do glamour dos nomes ligados ao Coimbra. Só no cartório.


Olimpíada terá meia-entrada para ingressos
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O Comitê Organizador da Olimpíada do Rio-2016 já decidiu que haverá meia-entrada para estudantes nos ingressos para as competições. O formato em que será dado o desconto e o número de bilhetes disponíveis nesta modalidade ainda serão definidos. Isso porque há uma discussão sobre legislações estaduais relacionadas aos grandes eventos.

Explica-se: uma lei estadual do Rio de Janeiro de 2012 para a Copa-2014 estabeleceu que não havia obrigação do desconto de meia-entrada, ou qualquer gratuidade para torcedores. Essa legislação estendeu o benefício aos organizadores da Olimpíada. Ou seja, na cidade olímpica, não há obrigação nenhum de dar o benefício.

Há cerca de 15 dias, o comitê divulgou os preços dos ingressos para os Jogos, mas disse que a aplicação da metade do valor ainda estava indefinida. A intenção é ajustar o que é válido para legislações do Rio de Janeiro e de outros Estados onde haverá jogos de futebol, como São Paulo, que tiveram regulações diferentes para a Copa.

As regras de como funcionará a meia-entrada na Olimpíada devem ser divulgadas apenas em novembro, quando todo o sistema de venda será revelado pelo comitê. Ainda não há uma decisão sobre gratuidade.

Apesar de liberada para não aplicar descontos, a Fifa também concedeu a meia-entrada para estudantes e idosos na Copa-2014. E ainda criou um ingresso popular só para brasileiros.

Os bilhetes da Olimpíada variam de R$ 40 a R$ 4.600, preços mais caro da abertura. Haverá 7,5 milhões de ingressos à venda, e a comercialização começa em março.

Veja o preço de alguns ingressos da Rio-2016
  • Atletismo
    O ingresso mais barato custará R$ 100. O mais caro, R$ 1.200. As competições acontecerão no Engenhão.
  • Basquete
    O ingresso mais barato custará R$ 50. O mais caro, R$ 1.200. Os jogos serão realizados no Parque Olímpico da Barra da Tijuca e no Parque de Deodoro.
  • Futebol
    O ingresso mais barato custará R$ 40. O mais caro, R$ 900. Os jogos serão realizados em quatro cidades, além do Rio: São Paulo, Belo Horizonte, Salvador e Brasília
  • Ginástica artística
    O ingresso mais barato custará R$ 100. O mais caro, R$ 900. As competições serão realizados no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
  • Judô
    O ingresso mais barato custará R$ 70. O mais caro, R$ 700. As acontecerão no Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
  • Natação
    O ingresso mais barato custará R$ 160. O mais caro, R$ 900. As competições ocorrerão no Centro de Esportes Aquáticos do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
  • Tênis
    O ingresso mais barato custará R$ 50. O mais caro, R$ 700. Os jogos serão realizados no Centro de Tênis do Parque Olímpico da Barra da Tijuca.
  • Vôlei
    O ingresso mais barato custará R$ 100. O mais caro, R$ 1.200. Os jogos serão realizados no Maracanãzinho.
  • Cerimônia de encerramento
    O ingresso mais barato custará R$ 200. O mais caro, R$ 3.000. A festa acontecerá no Maracanã.
  • Cerimônia de abertura
    O ingresso mais barato custará R$ 200. O mais caro, R$ 4.600. A festa acontecerá no Maracanã.
Fonte: Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016


Com veto da Fifa a investidores, governo quer acelerar reforma do futebol
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Com a proibição da Fifa de investidores em direitos de jogadores, o governo federal quer acelerar medidas de reformas no futebol para não deixar os clubes enfraquecidos e sem dinheiro para manter seus principais atletas. A legislação mais importante proposta é LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte), mas também está em estudo reforma da Lei Pelé, e até uma nova lei para o futebol.

O que o governo abriu mão foi de criar uma norma própria do país para vetar os direitos de investidores sobre atletas, que estava em discussão no Ministério do Esporte. O entendimento é de que, com a proibição da Fifa, essa questão já estará resolvida em quatro anos, quando houver a regulamentação e a medida for válida.

“Essa ideia acabou vindo de fora para dentro. Clubes vão estar mais frágeis no primeiro momento. Mas se torna mais importante a lei de responsabilidade para poder dar mais força. Essa ideia de catástrofe no futebol brasileiro é igual ao que pregavam na lei do passe'', analisou o coordenador para futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento. “Vamos estudar uma série de questões durante esse período de quatro anos (até a validade da proibição dos investidores).''

Entre as medidas em análise no governo, está uma adaptação da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) para os jogadores, visto que a maioria recebe por meio de contratos como pessoa jurídica. Outra questão é reduzir a idade em que um atleta poderá fazer contrato, de 16 anos para 14 anos, que é um pedido da CBF. Mas o Ministério Público do Trabalho é contra a alteração.

A proibição dos investidores em direitos de jogadores terá um reflexo considerável no futebol brasileiro, já que grandes clubes têm a maioria de seus jogadores fatiados. Mas empresários e fundos de investimentos já se preparam para burlar o sistema com dois mecanismos: a compra de clubes de futebol pequenos, e contratos civis com previsão de créditos sobre as transferências.

“Se tiver um time que não está nem na Série D, e tem 40 transferências, acredito que a Fifa vai fiscalizar e punir, impedir de fazer negociações. Se o empresário quiser investir e ter categorias de base, ajudar o futebol, ai tudo bem. Quem vai fiscalizar é a Fifa. Mas o governo vai monitorar para saber se o ambiente no Brasil está funcionando e se existe necessidade de outra regulação'', completou Toninho.

Há clubes como barrigas de aluguel espalhados por Estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A Federação Paulista de Futebol chegou a aumentar o valor a ser pago para criação e inscrição de um time para R$ 500 mil para conter esse movimento. Em geral, essas equipes ficam na segunda divisão estadual, e não têm ascensão no cenário nacional.

 


STJD indica ‘falha’ no registro de Petros. Mas Corinthians pode escapar
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Após um mês, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) terminou a investigação do caso da suposta inscrição irregular de Petros. A conclusão é de que há falhas no sistema de registro da CBF, e o caso foi encaminhado à procuradoria do tribunal. Caberá para decidir se denunciará o Corinthians, o que poderia levar a perda de pontos das partidas que atuou. Ainda pode ser atribuída culpa à Federação Paulista de Futebol e à CBF.

O caso começou quando o “Lance!'' apontou que a renovação do contrato de Petros tem data de início um dia depois dele aparecer no BID (Boletim Informativo Diário). Isso levou à instauração de um inquérito no STJD.

No documento do inquérito, ao qual o blog teve acesso, o auditor do STJD Gabriel Garciliano Jr perguntou à CBF se é regulamentar ou hábito registrar no BID contrato ainda não vigente. A resposta: “De acordo com a RDP 03/2007, a responsabilidade de registrar contratos é das federações, elas que registram. Estamos aperfeiçoando, e agora não é mais permitido.'' Ou seja, pelas atuais regras, a operação de inscrição de Petros um dia antes do contrato não é permitida, mas a resposta não deixa claro se naquele momento isso era possível.

Ao receber todas as informações, Garciliano Jr apontou falhas no sistema de registro, mas foi cauteloso ao não indicar culpados. Decidiu que não era possível arquivar o caso, e entendeu que pode ter havido um mero equívoco.

“As próprias respostas do Diretor de Registro e Transferência estão indicando que, no mínimo, falhas existem no sistema e, para uma boa apuração, sendo possível que tanto a Federação Paulista de Futebol, como a Confederação Brasileira de Futebol e também o clube, tenham infringido regras legais e/ou regulamentares, determino a remessa dos autos à Egrégia Procuradoria de Justiça Desportiva, nos termos do art. 82, § 3º., do CBJD, para as providências de sua alçada que entender pertinentes'', afirmou a conclusão.

Ao blog, o auditor do STJD explicou melhor o caso: “Há indício de irregularidade. Mas não significa que o clube é culpado'', contou o auditor. Será a procuradoria que decidirá se alguém será denunciado.

O departamento jurídico do Corinthians continua a entender que não foi cometida nenhuma irregularidade, e que Petros estava perfeitamente apto a atuar em todas as partidas. A alegação do clube é de que seu contrato de trabalho estava em vigor, e seu nome publicado no BID.


Times do Rio-SP tomam surra de gaúchos e mineiros, e têm 2o ano ruim
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Os times do Rio Grande do Sul e de Minas Gerais têm superado com larga vantagem as equipes do eixo Rio-São Paulo neste Brasileiro. Uma demonstração disso é que, ao final da 25a rodada, apenas o São Paulo dos dois Estados mais tradicionais no futebol está no G4 no Nacional, com três clubes dos outros dois Estados nesta zona.

Esse cenário desenhava-se antes do campeonato quando times de Minas e do Sul se destacavam, enquanto paulistas e cariocas penavam. São Paulo, Corinthians e Fluminense ensaiaram contrariar o prognóstico, mas perderam força nas últimas rodadas. Enquanto isso, Grêmio e Atlético-MG cresceram.

O aproveitamento dos quatro times do Sul e Minas -Cruzeiro, Inter, Galo e Grêmio- é de 62% dos pontos obtidos do total disputado. Já as sete equipes do Rio-SP – São Paulo, Corinthians, Santos, Palmeiras, Botafogo, Flamengo e Fluminense – conseguiram em média só 43,1% dos pontos, com um deles na zona de rebaixamento.

Já é o segundo Brasileiro seguido que os times do dois Estados não apresentam um desempenho de acordo com o seu poderio econômico. Em 2013, houve apenas uma equipe do Rio-SP que se classificou à Libertadores pelo Nacional.

Para se ter uma ideia, até 2012, o eixo sempre teve pelo menos dois classificados para o principal torneio sul-americano desde 2003 quando se iniciou a era dos pontos corridos. Mas não foi o que ocorreu no ano passado, e não é o cenário desenhado para esta temporada.

Ressalte-se que isso ocorreu com a queda de rendimento de São Paulo e Corinthians. Após bater o Cruzeiro, e entrar na briga pelo título, o time são paulino obteve apenas um em 12 pontos. Já a equipe corintiana perdeu três em cinco partidas.

Enquanto isso, o Grêmio teve duas vitórias e três empates, nos últimos cinco jogos. O Atlético-MG ganhou as quatro últimas partidas disputadas. Mais uma vez, dinheiro não traz felicidade no Brasileiro.


Mesma instrução da Fifa? Brasileiro tem 40% mais pênaltis do que Copa
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Na polêmica sobre critérios para mão na bola, a comissão de arbitragem da CBF apressou-se em dizer que adota no Brasileiro a mesma orientação dada pela Fifa. Juízes internacionais e nacionais tiveram, teoricamente, a mesma instrução. Só que, após o Mundial, o campeonato de nossos clubes têm 40% a mais de pênaltis do que a Copa.

No meio de semana, mais uma vez, houve uma rodada do Brasileiro polêmica com cinco pênaltis em dez partidas, sendo dois no confronto entre São Paulo e Flamengo. Um deles foi inexistente, e o outro altamente questionável. Nos três jogos do sábado, não houve penalidades.

Com isso, o Nacional atingiu a marca de 53 pênaltis. Desse total, 43 foram cometidos após o Mundial quando árbitros receberam nova interpretação sobre toque de mão na bola. Isso significa que, na atual fase do Brasileiro, há uma média de 0,28 penalidades por partida por arredondamento.

Em relatório sobre a Copa, nesta semana, a Fifa apontou que foram 13 pênaltis marcados em toda a competição de seleções no Brasil. Para um total de 64 confrontos, isso significa uma média de penalidades de 0,2 por jogo. Chega-se a diferença de 40% entre as duas competições.

Houve uma polêmica na quarta-feira sobre o critério para mão na bola entre a Fifa e a CBF. O chefe de arbitragem da federação internacional, Masimo Busacca, afirmou que não se pode dar mão em qualquer bola. Confrontada, a confederação admitiu erros, prometeu ajustes e disse seguir o critério da Fifa. Os resultados, no entanto, são bem diferentes como se vê pelos números.

Isso porque a própria federação internacional foi criticada durante a Copa por uma orientação para marcar pênaltis em qualquer contato físico ou suposto agarrão dentro da área. Foi o caso da penalidade polêmica sobre Fred, na estreia da seleção contra a Croácia. Nenhum árbitro da federação internacional, no entanto, marcou um pênalti com bola na mão fora da área.


Fifa esconde os seus podres, mas determina transparência para clubes
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Em uma semana, cúpula da Fifa implantou medida para dar mais integridade às negociações de jogadores, e decidiu manter escondidas as investigações sobre corrupção de seus principais cartolas. A entidade máxima do futebol proibiu a participação de investidores em direitos de atletas. Ao mesmo tempo, negou-se a divulgar o relatório de apuração sobre as escolhas das Copas da Rússia-2018 e Qatar-2022.

Os dirigentes do Comitê Executivo da Fifa estiveram reunidos durante a semana em Zurique no encontro semestral para decidir questões do futebol mundial. Entre os temas, estavam a regulação das transferências, e a eleição do país árabe para sediar a Copa.

Jornais ingleses mostraram dados que indicam compra de votos de membros do mesmo comitê executivo para favorecer o Qatar. O investigador do comitê de ética da Fifa, Michael Garcia, já concluiu suas apurações sobre as irregularidades. E pediu que todas as cerca de 400 páginas em informações fossem reveladas para o público.

“Por conta do limitado papel do presidente da Câmara de Adjudicação do Comitê de Ética, Hans-Joachim Eckert (que julgará o caso), em perspectivas futuras, acredito que é necessário que o Comitê Executivo autorize a publicação apropriada do relatório'', afirmou Garcia, que já foi procurador nos EUA.

Quatro membros do Comitê Executivo da Fifa fizeram declarações similares para pressionar pela divulgação dos documentos. Foram os vice-presidentes da entidade, Ali Bin Al Hussein, Jim Boyce e Jeffrey Webb, além do integrante da cúpula Sunil Gulati.

Não foram ouvidos pelos seus colegas. Em seu documento sobre o assunto, a Fifa afirmou: “o Comitê Executivo pediu que o princípio da confidencialidade seja respeitado'', de acordo com o código de ética. A decisão sobre punições a cartolas será tomada em novembro pelo Comitê de Adjudicação da Fifa. Pelo cenário atual, um limitado número de informações sobre o julgamento será público.

Quantos aos clubes de futebol, a postura da federação internacional foi bem diferente. No mesmo documento, a Fifa falou em manter a integridade do jogo e dos atletas com o veto dos investidores em direitos de jogadores. Um dos membros do Comitê Executivo, e presidente da UEFA, Michel Platini disse que a decisão era muito positiva para a “transparência''. Em resumo, na federação internacional, a regra é expor as entranhas dos outros, e esconder os próprios males.


Ao eliminar Grêmio por pontos, STJD abranda futuras penas por racismo
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Em seu julgamento definitivo, o STJD (Superior Tribunal de Justiça) eliminou o Grêmio da Copa do Brasil pelos atos racistas de sua torcida contra o goleiro Aranha. A decisão, no entanto, foi feita por perda de três pontos, o que abrandou a punição de exclusão da primeira instância do tribunal. Isso é importante porque, no futuro, a própria corte não estará obrigada a excluir um time por discriminação.

Assim, o clube perde três pontos e sai da competição porque havia sido derrotado pelo Santos na primeira partida em Porto Alegre, justamente a ocasião em que Aranha foi ofendido. Não haverá nova partida entre as equipes.

O próprio presidente da corte, Caio Rocha, ao dar o sétimo voto pela retirada de pontos, explicou que a alteração da decisão “é importante para fins de precedente''. “O STJD não excluiu o Grêmio. O que excluiu o Grêmio foi perder a partida'', analisou. Ele quis tirar só um ponto, mas os outros seis auditores tiraram três.

É o pleno do STJD, como tribunal máximo, que estabelece a jurisprudência para casos disciplinares no futebol brasileiro. Esse cenário já ocorreu para outros tipos de infrações.

Rocha ressaltou o fato de o caso ser excepcional, o que também deixa claro que não haverá sanções tão duras no futuro. Como havia dito o blog após a primeira punição, a medida do STJD é educativa ao mostrar aos torcedores que não podem cometer atos racistas pois seus clubes serão punidos. Com a alteração da pena final, esse caráter de exemplo se mantém, mas perde um pouco a força.

Uma sinal da confusão do STJD neste segundo julgamento é que auditores ficaram durante boa parte do tempo discutindo se haveria mais uma partida entre o Grêmio e o Santos, apesar de o time do Sul já estar eliminado. Alguns entendiam que não deveria ocorrer, e outros que sim. Obviamente, um jogo assim não faz o mínimo sentido. A realização da partida acabou vetada.


Aprovado na Fifa, veto a investidores fará revolução no futebol do país
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O Comitê Executivo da Fifa proibiu os investidores em direitos sobre jogadores, nesta sexta-feira, em medida que será inteiramente implementada em quatro anos. A determinação afetará centenas de jogadores de clubes grandes brasileiros, segundo levantamento do blog. Ou seja, os clubes terão de fazer uma revolução na forma como contratam e levantam dinheiro.

A UEFA exigiu da federação internacional o veto à participação de empresários nos ganhos de transferência de atletas. O Brasil e a América do Sul se opunham porque seus mercados serão mais afetados.

Em seus balanços financeiros de 2013, os grandes clubes brasileiros listam cerca de 400 jogadores fatiados com participação de terceiros nos seus direitos. Isso porque apenas seis dos 12 maiores times nacionais, Palmeiras, Santos, Botafogo, Flamengo, Corinthians e São Paulo, detalharam as informações sobre seus atletas.

O advogado Eduardo Carlezzo, especialista em direito esportivo internacional, classifica como “monstruoso'' o impacto no Brasil da aprovação da nova regra:

“O Brasileiro é o sexto principal do mundo. Nas 5 principais ligas, com exceção de alguns clubes espanhóis, não há dependência de empresários e investidores para contratações. Os clubes se mantém com seus próprios recursos. Em um momento como este, de total rediscussão do futebol brasileiro, é chegada a hora de colocar este item na pauta: os clubes tem que apreender a viver com recursos próprios, caso contrário a ciranda da dependência financeira externa nunca vai acabar'', afirmou ele.

Veja abaixo as informações dos clubes sobre direitos de seus atletas no profissional e nas categorias de base ao final de 2013:

São Paulo

Eram 75 jogadores do elenco  com participação de terceiros. Entre eles, o principal é Paulo Henrique Ganso. No total, o clube detém 32% sobre seus direitos, e a DIS, o restante.

Flamengo

Eram 89 atletas com direitos divididos com empresários. Quando o artilheiro Hernane foi para um clube árabe, o time rubro-negro ficou com 50%. No elenco, o zagueiro Samir tem 60% dos direitos vinculados à equipe carioca.

Corinthians

O clube listava 15 jogadores com participação de terceiros, mas o número é maior visto que só foram relacionados os principais. Entre os jogadores do elenco, está o zagueiro Gil, do qual o clube detém 90%.

Palmeiras

O time relacionava 117 jogadores com direitos divididos com terceiros, de um total de 195. Para se ter ideia, havia atletas até do sub-14 que o clube alviverde não tem participação integral.

Santos

A lista do Santos tinha 54 jogadores divididos com investidores. Entre eles, estava o atacante revelação Gabigol, do qual o time santista tem 60% dos direitos.

Botafogo

O clube alvinvegro mostrava poucos jogadores como Jádson e Doria entre os que tinham seus direitos fatiados. Empresas como Companhia de Participações Esportivas., MFD, e Hefesto Consultoria estava entre os sócios.