Blog do Rodrigo Mattos

Disputa entre Globo e Esporte Interativo já aumenta em 70% valor do Carioca
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A disputa entre Esporte Interativo e Globo pelo Estadual do Rio vai quase dobrar o valor dos seus direitos de transmissão. O canal da Turner ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões pela competição, como revelado pela “Folha de S. Paulo''. Agora, a Globo terá de igualar essa proposta. O contrato atual é de R$ 60 milhões, isto é, o aumento seria em torno de 70%.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da Ferj e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. O blog não conseguiu confirmar se há cláusula contratual neste sentido, ou seja, um mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a Ferj atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

 


Conmebol diz a times que Libertadores rende R$ 726 mi e tem acordo suspeito
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Após pressão, a Conmebol revelou aos clubes brasileiros quanto ganha com a Libertadores em reunião na semana passada na sede da CBF. O montante é de US$ 205 milhões (R$ 726 milhões) por ano entre contratos de televisão e de marketing da competição e da Copa Sul-Americana. Entre eles, está um acordo com a empresa ISM, acusada de pagar suborno a cartolas em investigação nos EUA. A entidade informou que tenta romper esse contrato.

A Conmebol está sob pressão de clubes desde que estourou o escândalo de corrupção no futebol sul-americano em que foi revelado que três ex-presidentes da entidade levavam propinas em contratos, incluindo o da Libertadores. Por isso, os times criaram no final de 2015 a Liga Sul-Americana de clubes cujo objetivo é exigir da confederação continental aumento das cotas e transparência dos contratos.

Inicialmente, os times brasileiros participariam do grupo, mas praticamente romperam com o restante da América do Sul em reunião na quinta-feira.  Antes disso, na terça-feira, os representantes dos clubes nacionais se encontraram com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez.

Na ocasião, ele revelou que o contrato com a Fox, relativo a Libertadores e a Sul-Americana, totaliza US$ 175 milhões. Houve um aumento de US$ 40 milhões em relação ao compromisso anterior que era com a T & T Sports & Marketing, empresa da qual a Fox é sócia e que é acusado pelo FBI de pagar propinas a dirigentes. Em dezembro, o ex-presidente da Conmebol, Wilmar Valdez, tinha dito ao blog que o acordo valia US$ 150 milhões. Dominguez informou aos clubes que tentará negociar por novo aumento no acordo.

O outro contrato da Conmebol é com a ISM (Internacional Soccer Marketing). A empresa paga US$ 30 milhões por todos os direitos de marketing da Libertadores, segundo informação da confederação. Dominguez garantiu que tenta romper esse acordo, mas ainda não conseguiu.

Explica-se: o relatório do Departamento de Justiça dos EUA acusa a ISM de pagar propinas aos ex-dirigentes da Conmebol Nicolas Leóz e Eduardo Delucca. Esses pagamentos começaram na década de 90 e foram até 2012, segundo as investigações. O dono da empresa é Zorana Danis que negociou os direitos da competição com a Toyota, Santander e Bridgestone.

O presidente da Conmebol ainda prometeu dar acesso aos contratos para os clubes brasileiros se eles requisitarem. Com o praticamente certo rompimento com a liga, os times nacionais decidiram negociar diretamente com a confederação sul-americana.


CPI do Futebol usará queda de Jucá para pressionar por relatório contra CBF
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Membros da CPI do Futebol do senador Romário (PSB-RJ) avaliam que a queda de Romero Jucá do ministério do Planejamento poderá ser usada para pressionar para reviver as investigações em torno da CBF. Foi justamente Jucá, como senador e relator da comissão, quem praticamente a enterrou ao fazer um relatório sem nenhuma acusação contra dirigentes da confederação: só fazia propostas ao futebol.

Os senadores Romário e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) pretendem pressionar o presidente do Senado, Renan Calheiros, para recuar da decisão de anular depoimentos de Marco Polo Del Nero e outros dirigentes na CPI. A estratégia estudada é questionar Calheiros se ele está junto com Jucá na empreitada de engavetar a comissão sem acusações contra a CBF.

A partir daí, a segunda ideia seria aprovar um relatório alternativo ao de Jucá na comissão. Esse documento já está sendo elaborado com os dados apurados pela CPI. Entre eles, estão indícios de que a CBF fez caixa dois em campanha eleitoral, atuou para interferir no STJD, e relações de negócios suspeitos de seus dirigentes com parceiros da entidade como Wagner Abrahão, dono do Grupo Águia. As movimentações financeiros de Del Nero são outro dado relevante.

O problema do relatório alternativo é que a comissão tem maioria de senadores ligados a Jucá. Assim, se houver uma votação, certamente o grupo de Romário perderá e só poderá encaminhar o seu documento informalmente ao Ministério Público Federal. Com a queda de Jucá, a avaliação é de que há uma chance de reverter isso com pressão de opinião pública. A diretoria da CBF ficou satisfeita com o relatório de Jucá que considerou “consistente''.


Sete fatos que explicam por que não há favorito no Brasileiro-2016
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É um clichê dizer que o Brasileiro é um campeonato imprevisível em que qualquer um pode conquista-lo. É uma meia verdade, mas é fato que a competição é bem mais equilibrada que as ligas europeias. E, na edição de 2016, acentuou-se ainda mais esse nivelamento neste início, deixando a sem favorito.

Como mostrado pelo blog do PVC, há 13 anos o campeonato não terminada a segunda rodada sem  nenhum time com seis pontos. Claro que esse é um quadro inicial e podem haver modificações durante o percurso: um elenco/time pode encaixar e se distanciar. Mas, no momento, isso não parece ser a maior probabilidade. E há alguns fatores que explicam por que não há um favorito no Brasileiro.

E por que o meia verdade escrito lá em cima? Embora não exista um favorito, dificilmente o título deixará de ficar nas mãos dos 11 maiores clubes do país, talvez o Botafogo possa ser excluído desse grupo. Desde 2003, nos pontos corridos, foi sempre um dos grandes que ganhou o Nacional.

Bem, então, vamos elencar algumas explicações para a falta de favorito do Brasileiro:

1. Desmonte de equipe por falta de recursos: Foi o que ocorreu com o Corinthians, campeão do ano passado. Isso obrigou o técnico Tite a remontar a equipe, o que está claro que demandará mais tempo do que esperavam os corintianos.

2. Troca de técnicos constantes já no início de temporada: Até agora, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Cruzeiro já trocaram de técnicos pelos maus resultados no início da temporada. É possível que ocorra também com o Flamengo. Isso significa que o estilo do novo treinador será imposto com o Brasileiro em curso, o dificulta saber até onde podem ir esses times.

3. Danos provocados pela seleção e pela janela de transferência: Campeão Paulista, o Santos foi destroçado pelas convocações da CBF e pode perder jogadores para o exterior. Outros clubes como o Corinthians e Atlético-MG também têm jogadores visados.

5. Foco na Libertadores: O São Paulo é um time que cresceu na temporada, embora esteja longe de ser regular para um campeonato de grande fôlego. Apesar da parada da Libertadores, está claro que sua prioridade é o torneio continental, o que afetará sua campanha.

6. Não há dinheiro de sobra: Houve clubes que investiram bem na temporada como Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG e Fluminense. Ainda assim, os seus gastos giram no máximo no patamar de R$ 30 milhões cada, muito inferiores aos estrangeiros e europeus. Dá para montar bons times se bem gasto, mas nunca para sobrar na temporada.

7. Calendário apertado: Como já mostrado pelo blog, os times jogam com intervalos mínimos, o que os impede desempenhos 100% em toda temporada. Isso é outro fator para nivelar o campeonato.


Fla recusa troca de Wallace por Fernandinho, e Grêmio deve rever proposta
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A diretoria do Grêmio propôs ao Flamengo a troca dos direitos do atacante Fernandinho, que já está emprestado ao rubro-negro, pelo zagueiro Wallace.  O clube carioca recusou a oferta na quinta-feira. Agora, o time gaúcho estuda uma nova proposta para ter o jogador. As duas equipes se enfrentam neste domingo.

Wallace anunciou que não queria jogar mais no Flamengo, e informou ter proposta do Grêmio. A diretoria rubro-negra pôs o atleta para treinar em separado e deixou claro que ele não sairia sem compensação. Então, dirigentes gremistas procuraram os cariocas para fazer uma proposta.

Inicialmente, oferecem um empréstimo com os direitos fixados, o que foi rechaçado. Depois, o Grêmio propôs repassar os 50% dos direitos de Fernandinho para o time rubro-negro. Ao final do empréstimo do atacante, o Flamengo terá de pagar € 1,5 milhão por esses direitos se quiser ficar com o atacante. Em troca, o clube gaúcho ficaria com os 60% dos direitos sobre Wallace que atualmente pertencem ao rubro-negro.

“Era um negócio que envolvia os direitos do Fernandinho, mas a diretoria do Flamengo não aceitou'', contou o presidente gremista Romildo Bolzan Jr. “Agora, vamos analisar uma outra possibilidade de proposta.'' A posição do Flamengo é de que tem de haver alguma compensação ao clube, seja jogador, seja dinheiro.

É ruim o clima entre a diretoria do Flamengo e Wallace. Após o seu anúncio de que gostaria de sair do clube, houve cartola até que queria que ele fosse demitido por justa causa com pagamento de multa contratual. Prevaleceu uma saída conciliadora e o zagueiro está treinando em separado até a resolução do problema, embora isso não agrade o jogador.

A questão é que o diretor de futebol Rodrigo Caetano, que tocava essa transação, está na berlinda e corre risco de ser demitido. Isso trava a negociação.


Governo busca solução para cumprir Lei Profut sem afetar Brasileiro
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O governo federal está no meio de um imbróglio jurídico relacionado ao Brasileiro-2016. Isso porque não há um consenso sobre se é obrigatória ou não a apresentação de certidões fiscais pelos clubes para a disputa do campeonato. A CBF não as exigiu. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, disse que procura uma solução em que se cumpra a lei, mas sem tirar a estabilidade do campeonato.

Sancionada em 2015, a Lei Profut torna obrigatória a apresentação das certidões aos times para se manterem no programa de financiamento. Entidades que organizam o campeonato deveriam incluir essa exigência em seus regulamentos em que seria previsto o rebaixamento dos times caso descumprissem a norma. Isso não aconteceu até agora.

“Vamos instalar a Apfut (Agência do Futebol) e vamos avaliar essa situação. A lei tem que ser cumprida. Não há hipótese de não ser cumprida. Mas vamos analisar de perto a situação jurídica inclusive a ação no STJD (que decidirá sobre a exigência em ação sobre o Campeonato Paraibano). É preciso achar um ponto de equilíbrio porque é fundamental o campeonato ter estabilidade'', disse Picciani, na sexta-feira.

Pela sua declaração, a intenção é evitar uma disputa jurídica em relação à exigência com possíveis ações para questionar o Brasileiro.

A confusão jurídica vem desde fevereiro com os Estaduais. Na ocasião, o Ministério do Esporte informou a algumas federações que não seriam necessárias as certidões por um período de adaptação, algumas as exigiram, outras não.

O blog de Gabriela Moreira, na ESPN, mostrou que o Ministério do Esporte mandou um parecer para a CBF em que dizia que, para o Brasileiro, isso seria obrigatório. A confederação ignorou à espera de uma regulamentação.

Há ainda uma lei que modifica a Lei Profut e estende a adesão ao programa de financiamento até o meio do ano. Um membro da Apfut ouvido pelo blog informou que, possivelmente, isso também retardaria a entrada em vigor da obrigação das certidões. Certo é a necessidade do Ministério do Esporte determinar alguma medida que esclareça a questão.


Multa milionária pesa em decisão sobre futuro de Muricy no Fla
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Com Vinícius Castro

Ao tentar dar um rumo para seu time, a diretoria do Flamengo terá de decidir pela permanência da cúpula do futebol e do seu técnico Muricy Ramalho. No caso do técnico, pesa contra uma demissão um custo alto visto que todo seu contrato até 2017 terá de ser pago. A estimativa interna é de que o gasto seria em torno de R$ 6 milhões.

No meio da discussão no clube, há ainda o fator da doença do treinador já que ele sofreu uma arritmia cardíaca e está afastado do time. Os dirigentes têm que esperar sua recuperação para saber o que fazer nesta situação. É possível que ele não possa continuar.

Certo é que a diretoria do Flamengo confiava bastante em Muricy para ter mudado a regra dentro do clube para técnicos. Antes, todos eram contratados com uma multa de um ou dois salários. No caso de Muricy, estabeleceu-se que ele teria direito a todo o contrato de dois anos se houvesse rescisão.

Pois bem, faltam 19 meses para a conclusão do contrato. Há quem estime dentro do clube o custo total em R$ 9 milhões pelo seu salário. Mas membros da diretoria têm uma conta bem mais conservadora: entendem que o gasto ficaria em torno de R$ 6 milhões.

Esse valor terá peso na decisão porque não estava previsto em orçamento, isto é, teria de ser feita uma rearrumação nas contas caso o clube opte pela saída. De qualquer maneira, ainda não há uma definição na diretoria sobre o assunto.


Arena Corinthians desvaloriza R$ 227 mi desde a Copa, diz consultoria
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As receitas abaixo da expectativa tiveram um impacto no valor de mercado da Arena Corinthians. Desde a Copa-2014, o estádio desvalorizou 20%, ou R$ 227 milhões. Agora, a instalação esportiva vale R$ 857 milhões, segundo avaliação que consta do relatório do fundo que a controla.

Inicialmente, o estádio corintiano tinha o seu valor determinado pela quantidade de dinheiro gasto na construção, isto é, foi se valorizando até atingir o montante de R$ 985 milhões. Com a arena pronta, o critério mudou: passou-se a se levar em conta a ser receita estimada para o empreendimento.

A avaliação é feita pela consultoria imobiliária JLL Jones Lang LaSalle e incluída no relatório do fundo, que tem como principal ativo a arena. “Para a avaliação da propriedade, a JLL utilizou o método de avaliação conhecido como “capitalização da renda'', que considera as projeções de renda e respectivos custos para o prazo de 30 anos'', diz o documento do fundo.

Com esse critério, em junho de 2014, a Arena Corinthians foi avaliada em R$ 1,084 bilhão pela consultoria. Baseava-se no contrato entre Corinthians e o fundo que exigia receita líquida mínima de R$ 112 milhões por ano no início. O valor teria de chegar a R$ 211 milhões após três anos.  Essas são as metas a serem atingidas pelo clube ou corre o risco de perder a gestão da arena.

Só que, com o estádio em funcionamento, as receitas previstas não se concretizaram apesar da média de público acima de 30 mil por jogo. A venda do naming rights ainda não saiu, embora a diretoria do clube prometa que vai ocorrer em breve. Camarotes emperraram. No ano passado, o total das rendas contabilizadas foi de R$ 73 milhões pelos relatórios do fundo, o que foi obtido basicamente com bilheteria e a fidelidade da torcida.

Por isso, semestre a semestre, o valor de mercado tem caído. Nos últimos seis meses de 2015, por exemplo, foi reduzido de R$ 889 milhões para R$ 857 milhões. Claro, se o clube conseguir vender os naming rights, isso pode ser revertido. “As estimativas de receitas para a Arena, informadas pelo FII, foram elaborados pelo Sport Club Corinthians.''

O blog tentou ouvir o fundo e o clube sobre a queda de valor de mercado do estádio, mas não obteve respostas nem por e.mail, nem em ligações telefônicas. O consultor de marketing e financeiro Amir Somoggi entende que houve um erro na primeira avaliação que determinou o preço da arena cima de R$ 1 bilhão.

“Esse valor de R$ 1,084 bilhão estava irreal. Nunca deveria ter existido'', contou ele. “Não existe arena no país que vá ganhar R$ 112 milhões líquidos em um ano logo de cara. Se for muito bem sucedido nos naming rights, com R$ 15 milhões ano, vender bem camarotes, poderia iniciar com R$ 90 milhões brutos e subir depois aos poucos.''

O consultor ressaltou que tem que se levar em conta a dívida de financiamento do estádio para se saber o valor real. O Corinthians deve em torno de R$ 800 milhões pela construção, entre débitos com a Odebrecht e com o BNDES. Neste último caso, está inadimplente de pagamentos.


Clubes brasileiros irritam-se e abandonam reunião de liga sul-americana
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A reunião da Liga Sul-Americana de clubes, realizada no Paraguai, terminou com praticamente um rompimento entre os clubes brasileiros e o restante do continente. Os cartolas de times ficaram irritados porque suas propostas para o estatuto foram rejeitadas e se retiraram no meio da reunião. Agora, farão uma encontro próprio para decidir se abandonam de vez a liga, o que é a tendência.

Desde o início do ano, times do continente fortes – como Boca Juniors, River Plate, Peñarol – formaram um grupo para questionar a Conmebol em relação aos contratos da Libertadores. Seu objetivo era obter os documentos e com isso cobrar pelo aumento de suas receitas na competição.

Os clubes brasileiros foram chamados em seguida para integrar a organização: Santos, São Paulo, Corinthians e Palmeiras, Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco; Inter e Grêmio, Atlético-MG e Cruzeiro. O primeiro encontro foi cordial, mas depois o entendimento desandou.

Em uma reunião em São Paulo, houve um atrito entre os times nacionais e os estrangeiros. Isso porque os clubes brasileiro exigiram que o estatuto desse privilégios a eles e aos argentinos. Ou seja, teriam maior participação na diretoria e no conselho de negociação com a Conmebol.Houve desconforto entre times dos outros países que viram arrogância dos brasileiros.

A questão ficou para ser decidida em Luque, no Paraguai. Pois bem, no encontro, a maioria dos times do continente rejeitou todas as propostas dos brasileiros para aumentar sua representação e poder na liga sul-americana. Irritados, os cartolas brasileiros simplesmente se levantaram e se retiraram da sala no meio da reunião.

A atitude torna improvável qualquer novo encontro entre os times do restante do continente e os do Brasil. Mas os clubes nacionais ainda vão realizar uma reunião para decidir o caso. Estão discutindo a questão já durante esta quinta-feira. É possível que mantenha-se o grupo de 12 times e negociem com a Conmebol em separado.

No final das contas, a briga por poder dentro da Liga Sul-Americana é uma disputa por dinheiro. O objetivo dos clubes nacionais ao buscar mais poder na entidade é forçar, no futuro, por cotas maiores na Libertadores, visto que o Brasil gera mais dinheiro para a competição do que os outros.


CBF abre diálogo com governo Temer, enquanto vê CPI ser enterrada
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O impeachment da presidente Dilma Rousseff e a posse do novo governo Michel Temer criaram um cenário favorável para a CBF. A CPI do Futebol, principal foco de investigação da entidade, deve ser enterrada. A diretoria da confederação já abriu diálogo com o novo Ministério do Esporte, e vê possibilidade de boa relação com o presidente Michel Temer.

Na semana passada, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, ligou para conversar com o novo ministro do Esporte, Leonardo Picciani. “Conversei com ele sobre o tema do futebol brasileiro. Queremos botar na pauta a internacionalização por meio da Apex (Agência Brasileira de Promoção e Exportação de Investimentos)'', contou Feldman, que lembrou que o ministro já visitou a CBF antes.

O antecessor no Ministério George Hilton ficou do lado da Primeira Liga na disputa com a CBF, e bancou o Profut contra os interesses da confederação. “Havia diálogo com o ministro George Hilton também apesar de divergências'', ressaltou Feldman. Ele disse que mantém relação institucional com os governos, e não festeja trocas no poder.

Mas agora há ainda a possibilidade de uma relação da confederação com a presidência que não existia com Dilma. Feldman disse que tem “relação histórica'' com Temer, já que ambos foram do PMDB. E afirmou que o presidente Marco Polo Del Nero também o conhece, e pode procurá-lo no futuro. Temer recebeu o ex-presidente da CBF José Maria Marin, atualmente em prisão domiciliar, quando Dilma o ignorava.

Neste cenário, a CBF deve ter mais força nas negociações relacionadas aos cumprimentos dos requisitos do Profut (programa de refinanciamento de dívidas dos clubes). Por enquanto, a confederação não pediu as certidões fiscais para os clubes disputarem o Brasileiro. Há uma discussão jurídica sobre a obrigação desses documentos.

Ao mesmo tempo, a CPI do Futebol, principal pedra no sapato da CBF, ficou praticamente inviabilizada pelo relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR), que se tornou ministro do Planejamento. Na visão da equipe do senador Romário (PSB-RJ), ele apressou o documento justamente para assumir o governo: não incluiu nenhum item das investigações, e apenas fez propostas para desenvolver o futebol. O documento foi considerado “muito consistente'' pela diretoria da CBF.

A equipe de Romário (PSB-RJ) trabalha em um relatório alternativo que incluirá pedidos de investigação de dirigentes da CBF para o Ministério Público Federal. Baseia-se no que foi descoberto pela CPI. Mas tem minoria dentro da comissão, e dificilmente conseguirá aprovar o texto.

Ainda há uma tentativa de mudar a composição da comissão até agosto, data final da CPI. Mas até a equipe de Romário admite que seus adversários estão ainda mais fortes com Jucá como ministro. A alternativa será levar os documentos da CPI ao Ministério Público Federal mesmo sem aval dos outros senadores.

Sem a CPI, não haverá nenhuma investigação em curso contra cartolas da CBF. Há a ação do Departamento de Justiça dos EUA que acusa Del Nero de levar propinas em contratos da entidade. Mas, se ele não viajar para o exterior, não precisa responder as acusações. Já a ação no Comitê de Ética da Fifa contra ele nem o pune, nem o absolve, pois está há seis meses parada.

Ou seja, quase um ano após a prisão de Marin, a CBF parece ter obtido o seu respiro e controlado a situação.