Blog do Rodrigo Mattos

Sem contrato de imagem, Rogério ajuda marketing do São Paulo
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A diretoria do São Paulo tem aproveitado a volta de Rogério Ceni como técnico para turbinar ganhos com marketing. Isso apesar de o treinador não ter assinado um contrato de imagem assim como não fazia na época de jogador. Ainda assim, ele participa de campanhas e reforçou a imagem do clube em negociações.

Com Rogerio como técnico, em 2017, o São Paulo fechou contrato de patrocínio com o Banco Intermedium, em acordo que ainda terá de passar pelo Conselho Deliberativo. Agora, todos os espaços no uniforme estão cobertos.

Mas há campanhas com esses patrocinadores e prospecções de futuros parceiros que ganham muito com a presença do ídolo. Nas negociações, dirigentes são-paulinos têm usado o nome de Rogério para mostrar que houve valorização da imagem do clube. Segundo os cartolas, sua presença no banco traz outra repercussão para os patrocinadores.

Um exemplo é a Corr Plastik que assinou contrato para ter seu nome em várias propriedades do clube, inclusive a camisa de treinador. O acordo foi assinado no meio de 2016. A avaliação de dirigentes são-paulinos é de que, com Rogério, teria sido possível assinar por um valor maior.

Quando voltou ao clube, o ex-goleiro não assinou contrato de direito de imagem. Sua participação em propagandas e campanhas do São Paulo é negociada caso a caso. Em algumas ocasiões, é acertada uma divisão dos ganhos entre ele e a agremiação. Em outras, ele cede gratuitamente sua imagem para o São Paulo.

Os dirigentes são-paulinos ainda festejam porque o técnico dá duas entrevistas semanais e portanto sua imagem aparece mais até do que a dos atletas. Com isso, avaliam que há ganhos com o uso da imagem internacional do ex-goleiro.


Barça monitorou Vinicius Jr e mais três da Copinha, mas espera profissional
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O Barcelona de fato monitora o atacante Vinicius Jr, do Flamengo, há pelo menos um ano. Mas ele é apenas um de um grupo de atletas brasileiros acompanhados pelo time catalão. E o clube tem a política de investir só depois que o jogador vingar no profissional. Um alvo mais maduro é o lateral Jorge.

O clube espanhol tem uma equipe de 40 olheiros espalhados pelo país, entre contratados e agregados. Sistemas similares são desenvolvidos por outros grandes europeus. A questão é que nenhum deles pode contratar o jogador antes dos 18 anos pelas regras da Fifa.

No caso do Barça, há uma lista extensa de jogadores. Vinicius Jr entrou nela há um ano. Da Copinha, entraram na mira também Jean Lucas, meio-campista do Flamengo, Carlinhos, centroavante do Corinthians, e Shaylon, meia do São Paulo. Todos considerados bons jogadores e sendo observados pelo clube catalão.

A questão é que o Barça nem pensa em fazer proposta agora por nenhum desses jogadores mesmo os que já têm 18 anos. A intenção do clube é esperar o atleta subir para profissional e verificar se ele confirma as boas qualidades vistas no júnior. Depois, o Barça pode fazer uma proposta e tentar usar seu prestígio com jogadores brasileiros para atrai-los.

Um jogador que está nesta fase mais avançada, por exemplo, é outro rubro-negro: o lateral-esquerdo Jorge. O Barça observa sua carreira desde mais novo, assim como outros grandes europeus. A própria diretoria admite que pode vende-lo no meio do ano, caso algum time oferece pelo menos € 10 milhões (sua multa é € 30 milhões). Convocado para a seleção, ele se valorizou.

Um exemplo foi Gabriel Jesus. No ano passado, o Barcelona estava de olho nele, mas perdeu a corrida para o Manchester City. Chegou a olhar para Roger Guedes, porém ele caiu de rendimento. Portanto, o monitoramento nem sempre leva a uma proposta.


Após tragédia, Libertadores muda regra para aeroporto, mas efeito é incerto
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Após a queda do voo da Chapecoense, a Conmebol fez uma modificação no regulamento da Libertadores para tornar mais rígida a regra para aeroportos que recebam voos de equipes visitantes na competição. Mas o texto é tão cheio de ressalvas que só terá efeito prático se houver fiscalização de fato da confederação sul-americana.

O avião com jogadores da Chapecoense caiu em novembro na semana da final da Sul-Americana, o que causou 71 mortes incluindo a maior parte do elenco. Desde então, clubes brasileiros reclamaram do difícil acesso a alguns lugares da América do Sul com deficiência na estrutura de aeroporto. Ressalte-se que esse não era o caso de Medellín, onde caiu o avião.

Dirigentes da Conmebol, no entanto, rechaçaram excluir cidades com condições precárias de transporte porque consideram que seria um preconceito impedir que alguns clubes jogassem em casa. Assim, no regulamento divulgado, houve apenas um ajuste na regra para aeroporto próximo a sede do jogo.

Antes, os clubes já tinham que escolher como sede um local que estivesse a 150km de um aeroporto internacional ou comercial. Só que a regra abria uma brecha: se isso não ocorresse, os times poderiam fazer gestões junto a autoridades para garantir autorização para que o aeroporto local recebesse voos charters ou internacionais. Na prática, sem fiscalização, tornava flexível para qualquer tipo de aeroporto.

Para 2017, a Conmebol manteve essas duas condições, mas acrescentou uma ressalva. Não pode ser usado aeroporto que ''por sua estrutura técnica e humana não se encontre habilitado pelos organismos estatais competentes do lugar no caso em que a obrigação, inevitável e exclusiva, do respectivo clube é determinar outro aeroporto adequado para se ajustar ao estabelecido no presente numeral.''

Ou seja, teoricamente, não dá para fazer um puxadinho e só podem ser usados aeroportos em boas condições com aprovação do governo. Mas não há uma obrigações expressa de só se utilizar aeroportos internacionais ou comerciais, nem regras explícitas das condições deles. Além disso, não fica claro se a Conmebol rejeitará o local do jogo por causa disso. O resultado da nova regra, portanto, dependerá da fiscalização da confederação.


Tite só chamou atletas com chances de ir à Copa e manteve média de idade
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Não é apenas discurso a afirmação de Tite de que todos os jogadores convocados para o amistoso contra a Colômbia têm chance de continuar na seleção se forem bem. A lista foi elaborada depois de uma análise da idade e condição dos atletas para saber se têm condições de ir à Copa-2018. Tanto que a relação tem jogadores com praticamente a mesma média de idade do elenco formado para as eliminatórias, nem muito jovens, nem muito veteranos.

Do grupo atual chamado por Tite, apenas cinco estiveram entre os 24 convocados para os últimos compromissos das eliminatórias, diante de Peru e Argentina. São Weverton, Alex Muralha, Fagner, Rodrigo Caio e Lucas Lima. Havia outros chamados anteriormente pelo treinador como Fábio Santos e Luan.

Esse grupo tem uma média de idade de 26,8 anos, praticamente igual a da principal 26,9 anos. O mais velho é Robinho que tem 32 anos e terá 34 na Copa da Rússia, isto é, será mais novo do que possíveis titulares como Daniel Alves. O mais novo é o lateral-esquerdo Jorge que tem 20 anos, mais velho do que o já titular Gabriel Jesus.

''Cada jogador foi convocado com uma intenção. Fábio Santos, por exemplo, tinha sido convocado para um jogo pontual (contra a Argentina). Mas, se analisarmos, ele pode chegar a uma Copa (Rússia), duas teria que ver. O Jorge, por exemplo, tem outra intenção já que é novo e vai se desenvolver'', contou o coordenador de seleções, Edu Gaspar. Ele ressaltou que todos têm chance de seguir no grupo.

Com isso, o elenco do amistoso está longe de ser um apanhado de jovens como já ocorreu no passado, ou um grupo sem chances de continuar no time. É óbvio, no entanto, que a maioria não conseguirá uma vaga visto que Tite tem uma base vitoriosa montada.

Em relação às ausências notadas, a comissão técnica da seleção sabia que seria percebido que Moisés não fora chamado. Até porque ele foi eleito o craque do Brasileiro em 2016. Ele não está em plenas condições físicas em sua volta das férias no Palmeiras, embora a comissão não explique exatamente qual o motivo para ficar fora.

''Analisamos todas as informações que os clubes nos mandaram e a partir daí tomamos uma decisão. Não houve nenhuma indicação do clube de que não deveríamos chamar algum atleta'', contou Edu Gaspar.


Perto da estreia, Fla e Globo voltam a negociar contrato de TV do Estadual
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Após um período com as conversas travadas, Globo e Flamengo voltaram a negociar o contrato de televisão do Estadual 2017. A apenas dez dias da sua estreia na competição, o clube é o único que não aceitou um acordo com a emissora e, no momento, não terá seus jogos na competição transmitidos se persistir esse cenário.

A diretoria do Flamengo fez duas exigências que inicialmente não foram cumpridas pela Globo: receber diretamente o pagamento de seus recursos sem passagem pela Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) e uma cota maior do que os outros grandes do Rio. Isso gerou contrariedade em Vasco, Fluminense e Botafogo, além de outros times menores do Estado.

A princípio, a Globo tinha recusado esses termos e assinado com os outros times e com a Ferj. Mas, recentemente, a emissora quis voltar à mesa de negociações com o clube rubro-negro e está empenhada em construir um acordo com o time.

Do lado rubro-negro, os cartolas também se mostraram predispostos a chegar a um meio termo para assinar um contrato. Há uma ressalva, no entanto, de que o clube não abre mão dos princípios postos inicialmente: valorização de acordo com seu retorno e independência da Ferj. Por isso, a volta às negociações não é certeza de os dois chegarão a um acordo.

É fato que, sem o Flamengo, o Estadual do Rio perde valor de mercado. Além de ser o time que concentra metade da torcida da região, o time rubro-negro ainda é candidato a disputar semifinais e finais do campeonato. Ou seja, sem assinar com o clube, a Globo ficará impedida de transmitir esses jogos se o time chegar às fases finais.

Em seu orçamento, o Flamengo não incluiu nenhuma receita pela transmissão do Estadual. A previsão é de que, se o time rubro-negro aceitar um acordo, o contrato do Estadual do Rio com a Globo supere R$ 100 milhões.


Não está tão ruim: grama do Maracanã precisa de 30 dias para ser recuperada
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Imagem aérea do Maracanã assustou torcedores. Imagem: REUTERS/Nacho Doce

Fotos aéreas do Maracanã geraram preocupação. Imagem: REUTERS/Nacho Doce

Com Pedro Ivo de Almeida

Em meio ao imbróglio em torno do abandono do Maracanã, há uma crescente preocupação com o estado do gramado por conta do aspecto todo amarelado mostrado nas fotos aéreas. Mas uma avaliação preliminar da empresa Greenleaf é de que o campo pode ser recuperado em um prazo de até 30 dias. Isso, óbvio, se o trabalho no campo não demorar para começar.

Assim como o restante do estádio, o gramado do Maracanã não está recebendo nenhum tratamento no momento. Isso porque a Greenleaf não recebe da concessionária Maracanã (Odebrecht) que se recusa a reassumir o estádio, apesar de ter uma ordem judicial neste sentido.

Mas um funcionário da Greenleaf entrou recentemente no estádio para pegar equipamentos da empresa. Por lá, ele avaliou o estado do campo, e constatou que o dano era menor do que o esperado.

Segundo o seu exame, a grama não estava morta, estava apenas amarelada pela falta de cuidado. Ou seja, não seria necessário um replantio integral que levaria mais tempo. Até porque o gramado atual é recente, plantado em novembro, e portanto só morreria se houvesse um acidente.

Para a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), a empresa informou que o prazo inicial de recuperação seria de 45 dias, mas que isso poderia ser facilmente reduzido para um mês em condições ideias. Para a concessionária, a empresa deu uma avaliação mais otimista: disse que o prazo máximo seria de 40 dias, e o mínimo de 20 dias. Consultada, a Greenleaf confirmou a informação de que o campo pode ficar pronto em um mês.

Ou seja, se fosse pelo gramado, o Maracanã poderia ser recuperado ainda para as semifinais da Taça Guanabara, e certamente estaria pronto para jogos da Libertadores do Flamengo em março.

Uma outra preocupação maior é em relação à segurança da cobertura. A Concessionária alega não ter recebido um laudo do Comitê Rio-2016 atestando se houve dano na cobertura. O comitê informou já ter entregue o documento.

Pior do que isso é a resolução do imbróglio jurídico e político em relação à gestão, mesmo que provisória, do estádio. A Odebrecht se recusa a cumprir o mandato judicial. A Ferj não sabe os custos do estádio tanto que adiou uma reunião entre os clubes para tratar do assunto. O Flamengo, potencial interessado em gerir a arena, também não sabe o tamanho dos custos. Esse tipo de trava é o maior empecilho para iniciar a recuperação do campo do estádio em si.

Tags : Maracanã


Em ano de crise, clubes inflam contratações em 85% e gastam R$ 212 mi
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Em um ano de crise na economia do país, os clubes brasileiros aumentaram os gastos em contratações do exterior em 2016 em 85%: atingiram um total de R$ 212 milhões. A comparação foi feita pelo blog em cima de números divulgados pela CBF. Agentes do mercado de transferência de jogadores explicam o crescimento pelo maior volume de dinheiro de televisão no ano passado e pela repatriações de atletas.

O relatório da CBF mostra que foram 44 jogadores que vieram do exterior para o Brasil no ano passado com pagamento de multa. Eles custaram R$ 212,5 milhões aos clubes nacionais. Foram 694 atletas transferidos de fora para o país considerados os que vieram sem custo.

Em 2015, o investimento de times brasileiros em jogadores de outros países foi de R$ 114,4 milhões. E foram apenas 14 atletas. Na média, aquelas transações foram até mais caras, mas o volume de dinheiro era bem menor. Chegaram ao país 653 atletas profissionais no total.

Ainda foram gastos R$ 68,8 milhões com transferências dentro do país em 2016, segundo os dados da CBF. Não é possível estabelecer uma comparação com 2015 porque a confederação não tinha divulgado os números daquele ano. Mas isso significa que os times brasileiros gastaram cerca de R$ 280 milhões, no total, em contratações de atletas.

Um executivo bem atuante no mundo do futebol, que preferiu não se identificar, atribuiu o movimento ao uso de luvas recebidas pelos clubes nas negociações de direitos de televisão com o Esporte Interativo e com a Globo, que compraram partes do Brasileiro a partir de 2019. Segundo ele, assim que recebia as luvas, a maioria dos cartolas inundava o mercado com o dinheiro. Alguns poucos priorizaram pagar dívidas.

Além das luvas, houve um aumento de receitas de televisão por conta da entrada em vigor do novo contrato com a Globo para o Brasileiro. Rendas com negociações de atletas também cresceram por conta do mercado chinês. No geral, os clubes brasileiros ganharam mais dinheiro em um ano de crise do país.

''Houve uma maior repatriação de jogadores, além de entrada maior de jogadores da América do Sul com a mudança da regra da CBF que permitiu mais estrangeiros'', explicou o presidente da Associação de Agentes de Futebol, Jorge Moraes. ''Costumo negociar mais jogadores para o exterior, mas agora houve mais clubes do país buscando trazer jogadores de fora.''

O dinheiro arrecadado com a venda de atletas continua bem maior do que o gasto com a compra no país. Os clubes ganharam R$ 654 milhões em transações, valor inferior ao obtido em 2015 quando foram R$ 680 milhões. Ou seja, em 2016, os clubes brasileiros investiram cerca de um terço do que ganharam com contratações, enquanto antes essa relação era de seis por um.

 


Como a Chape montou elenco após a tragédia e pensa grande
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Após 48 dias do acidente de avião que matou a maior parte de seu time, a Chapecoense tem um elenco praticamente pronto para a temporada 2017. Houve cessão gratuita de jogadores, houve contratações com investimento em dinheiro, houve incorporação da base e um orçamento como diretriz. Até que se chegou a um grupo de cerca de 30 atletas. É o que conta o diretor de futebol, Rui Costa.

“Teremos um elenco já fechado para o amistoso com o Palmeiras. Era esse nosso objetivo. Depende agora da avaliação do Mancini (técnico) na pre-temporada de atletas da base para saber se haverá outros jogadores contratados. E o grupo que pode ser enxugado”, disse o dirigente. Ou seja, pode ser que chegue mais uns poucos reforços, e que atletas jovens voltem à base.

No total, a Chapecoense contratou 21 ou 22 jogadores nas contas de Rui Costa. E não foram todas chegadas fruto de benemerência de times grandes. O time catarinense escolheu quem queria e investiu dinheiro para comprar direitos de alguns.

''Fizemos alguns investimentos na aquisição de direitos em jogadores que tiveram o perfil de que podem ser revendidos. Outros vieram emprestados com opção de compra. Nosso objetivo é transformar a Chapecoense em um time comprador no futuro. Agora, há jogadores que vieram só pelo aspecto técnico, emprestados, porque não teríamos como comprar'', justificou.

Entre as cessões, o Palmeiras foi quem mais ajudou com três jogadores. Houve ainda dois atletas do Cruzeiro. Na maioria dos clubes que se dispuseram a contribuir, chegou um jogador. Sempre quando houvesse cessão de atletas foi dos que interessavam a Chapecoense: não vinha qualquer um indicado.

Além disso, foram incorporados entre oito e onze atletas da divisão de base, sendo utilizados os que eram considerados mais prontos para o profissional. O time que faz boa campanha na Copa São Paulo, portanto, é um bem novo e não deve ser aproveitado. Rui Costa explicou que é perceptível a diferença física deles para as outras equipes.

Em toda a construção do time, houve um respeito ao orçamento implantado pela Chapecoense. O valor destinado ao futebol foi maior pela necessidade de remontagem, inclusive de todo o departamento de futebol como profissionais de comissão técnica.

''Houve uma diretriz muito clara do orçamento. Mas não podemos trazer tantos jogadores e não ter um gasto maior. É um orçamento com essa particularidade'', disse o dirigente da Chape. E completou: ''Estou acabando uma planilha, mas devemos ficar próximo da meta.''

A necessidade de montar um grupo mais robusto de 30 atletas tem relação com o alto número de jogos que enfrentará a Chapecoense na temporada. O time deve entrar em campo 70 vezes por estar classificado à Libertadores, e isso pode aumentar a 80 se houve avanço às finais. Essa trajetória começa no amistoso diante do Palmeiras.


Futebol brasileiro abre mão de R$ 300 mi para ter Del Nero na CBF
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Antes da Copa-2014, o então presidente da Fifa Joseph Blatter anunciou que investiria US$ 100 milhões em um projeto de legado para o futebol brasileiro. O valor era o quíntuplo do estipulado inicialmente pela federação internacional que teve de adaptar seu orçamento. Seriam campos e CTs distribuídos pelo país para ajudar na formação de atletas.

Dois anos e meio após o Mundial, o Brasil recebeu apenas 6% do valor total: US$ 6 milhões. Restam R$ 302 milhões pelo câmbio atual. Motivo: a Fifa barrou pagamentos para CBF por conta do envolvimento de seu atual presidente no escândalo de corrupção descoberto pelo FBI. Como se sabe, Marco Polo Del Nero foi indiciado porque os procuradores norte-americanos entenderam que há provas de que ele levou propina em contratos da CBF.

Nesta semana, houve encontro da cúpula da Fifa e nada mudou. O jornalista Martín Fernandez, do Globo.com, mostrou que a entidade vê um impedimento legal de dar o dinheiro a Del Nero visto que se colocou como vítima da corrupção em processo na corte da Nova York. Questionado sobre a CBF, o presidente da Fifa, Giani Infantino, disse que há muito o que fazer.

Relato feito ao blog é que Infantino não mudou em nada sua relação fria com a cúpula da confederação. A CBF, no entanto, faz diversas gestões para tentar liberar o dinheiro do legado. Há alternativas em discussão inclusive que os recursos não passem pela entidade, como mostrou o ''Estadão''.

É possível que a confederação consiga em algum momento que o dinheiro venha para o Brasil. Afinal, Infantino antipatiza e tentar manter distância de Del Nero (apesar de uma foto com ele no Brasil), mas não gosta de desagradar futuros eleitores.

Pode-se contornar barreiras legais, mas não a incontornável verdade da peculiar situação do futebol brasileiro. Há dois anos e meio, o país, tão carente de investimento, não pode receber um recurso que seria útil para espalhar desenvolvimento pelo país porque mantém um presidente suspeito de corrupção no poder.

Foi o único que resistiu. Caíram todos os presidentes de federações nacionais acusados de levar propina como Del Nero, assim como se foram todos os dirigentes da Conmebol na mesma situação. Sobrou ao Brasil um dirigente que sequer acompanha a seleção porque será preso se deixar o país.

Diga-se que os R$ 300 milhões são só uma parte dos recursos que o futebol brasileiros perde com Del Nero no poder. Ao impedir a constituição de uma liga nacional, contra a qual ele brigou desde que assumiu, o dirigente impede o desenvolvimento pleno do Brasileiro como ocorreu com ligas bem-sucedidas como a Premier League, Bundesliga, Liga Espanhola. A mancha de credibilidade, que já afastou patrocinadores da CBF, representa outra perda. O prejuízo nestes casos nem dá para ser medido.

E dirigentes de federações e clubes não veem nada de anormal na situação ou se calam para evitar represálias. Um cartola me contou que, quando há almoço na CBF, todos têm que esperar Del Nero se servir no buffet primeiro antes que os outros possam comer. Um novato foi avisado do ritual ao se antecipar. É simbólico como o dinheiro retido pela Fifa: o desenvolvimento do futebol brasileiro trava à espera de um suspeito de corrupção.

 


Fla estuda se oferecer à gestão provisória do Maracanã
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Com o abandono do Maracanã, o Flamengo estuda uma possibilidade de se oferecer para uma gestão provisória do estádio enquanto não há uma solução definitiva para a concessão. A Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro) já se mobilizou também neste sentido com uma proposta ao governo para usá-lo no Estadual. Há uma questão sobre os custos para arrumar a arena, e empecilhos legais.

Após a devolução do estádio pelo Comitê Rio-2016, a concessionária liderada pela Odebrecht não aceitou recebê-lo alegando danos à estrutura. Com isso, o Maracanã está abandonado e sofre com roubos, e deterioração. Nesta sexta-feira, a Justiça do Rio determinou que a concessionária reassuma o estádio.

A diretoria do Flamengo, que integra um dos consórcios que disputa a concessão do estádio, tem intenção de usá-lo em jogos na Libertadores. Questionado se o clube poderia se oferecer para gerir o estádio de forma provisória, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou: ''É uma alternativa que pode ser considerada.''

Em seguida, explicou: ''O Flamengo estará sempre disposto a colaborar para resolver o problema. O ideal seria uma solução definitiva, mas não descartamos a provisória.''

O presidente da Ferj, Rubens Lopes, se antecipou e já fez proposta ao governo para utilização do estádio. Segundo a assessoria da federação, o governador Luiz Fernando Pezão gostou da ideia e pediu até segunda-feira para responder. No dia 17, está marcada reunião na federação para discutir o assunto em que o Flamengo deve comparecer.

A Ferj, no entanto, informou que ainda não existe um levantamento do custo dos danos ao estádio. A Concessionária do Maracanã ainda não tem esse dado, especialmente por que afirma não ter laudos do Rio-2016 sobre a cobertura e sobre o gramado, que está completamente deteriorado.