Blog do Rodrigo Mattos

Democratização da CBF divide clubes e jogadores. Governo fica neutro
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A democratização da CBF tornou-se um dos pontos do racha entre os clubes de futebol e o Bom Senso FC, representante dos jogadores. Em meio à discussão da lei para dívidas dos times, o grupo de atletas quer incluir a entidade nas regras da Lei Pelé que limitam mandatos, preveem medidas transparência e participação de esportistas em eleição, e na diretoria. Clubes resistem.

No final de 2013, o governo federal regulamentou o artigo 18A da Lei Pelé que prevê uma série de regras para as entidades desportivas beneficiadas por recursos públicos. A princípio, a confederação estaria isenta. Só que há um movimento do Bom Senso FC e da “Atletas pelo Brasil'' para incluí-la com pressão sobre o governo Dilma Rousseff.

O grupo de jogadores de futebol alega que, em reunião, os clubes tinham concordado em botar a CBF dentro do artigo 18A, da qual a entidade escapa por não receber recurso público. Os clubes negam que tenham aceitado essa condição, e rebatem dizendo que não era prerrogativa deles negociar esses termos.

“Sempre colocamos que havia coisas que não era conosco, mas com a CBF'', afirmou o presidente do Coritiba Vilson de Andrade Ribeiro, representante dos clubes.

Em paralelo, o grupo “Atletas pelo Brasil'', que tem como figuras de destaque Raí e Ana Moser, cobrou de candidatos a presidente da República a assinatura de uma carta em que eles tivessem o compromisso pela democratização das entidades esportivas. Isso incluiria a participação de atletas no colégio eleitoral.

O governo, no momento, adota uma posição dúbia diante da pressão. “Temos que avaliar. O que corre o risco é de a lei ser questionada na Justiça porque a CBF pode entender que ela não é constitucional'', alegou o secretário de futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento.

Caberá então ao Ministério do Esporte e à Casa Civil decidir o status jurídico da CBF durante a discussão da lei, ou nada fazer e mantê-la isenta de responsabilidades previstas na lei.

 


Clubes querem penas por dívidas só em 5 anos, e racham com Bom Senso
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O acordo entre clubes e o Bom Senso FC sobre a lei para dívidas dos times evaporou-se em sua maior parte com várias discordâncias dos dois lados. As principais divergências são o prazo para início das punições por não pagamento, o teto para gastos no futebol e a formação do comitê para penas. Com isso, as duas partes enviaram projetos diferentes ao governo federal que decidirá qual levará ao Congresso.

Houve uma reunião entre membros do grupo de jogadores e representantes do Ministério do Esporte, incluindo Aldo Rebelo, nesta quarta-feira em Brasília. Agora, sem consenso, a pasta e a Casa Civil decidirão quais pontos das propostas vão adotar. Certo é que Bom Senso e clubes têm agora um discurso beligerante.

Um encontro entre cartolas e jogadores, no mês passado, tinha chegado a acordos sobre a maioria dos pontos da LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte). Até há uma tabela de penas com exclusão de campeonatos para atrasos de pagamentos de salários e de parcelas de débitos fiscais. A exceção era o teto de 70% para gastos dos clubes com futebol, que os dirigentes rejeitavam.

Só que o Bom Senso FC alega que os dirigentes descumpriram o acordo e enviaram uma proposta diferente ao governo. Já os clubes afirmam que nunca aceitaram os argumentos dos representantes dos atletas, e atacam.

Os clubes serão beneficiados com a renegociação de suas dívidas fiscais a partir do momento que a nova lei entrar em vigor, o que poderia ocorrer em 2015. O prazo para pagamento é dilatado, e as parcelas bem menores do que as atuais.

Mas os cartolas querem que as punições como rebaixamento ou impedimento de participação em campeonato por não pagar salários ou débitos fiscais sejam válidas em 2019. Sendo que os times só podem ser punidos após um ano sem quitar seus compromissos. Assim, só poderiam sofrer penas daqui a cinco anos. O Bom Senso alega que houve um compromisso para que isso fosse válido em 2016.

“O problema principal é que eles (Bom Senso) querem vestir a camisa da vitória. Nunca existiu esse acordo. Não é uma reunião de sindicato com mais de mil que vai chegar a uma decisão'', afirmou o representantes dos clubes, Vilson de Andrade Ribeiro, presidente do Coritiba. “Eles têm que entender que quem manda no futebol brasileiro são os clubes que dão emprego. Vamos ver nos votos.''

O Bom Senso alega que os dirigentes os traíram no que estava escrito também em relação à formação do comitê para punições, que será feito pela CBF. O governo adota uma posição neutra no momento.

“No substitutito (projeto no Congresso), estava o prazo de 2019. Mas o Bom Senso alega que as punições já vão acontecer só um ano depois então deveria ser em 2016. Não temos posição ainda. Temos que esperar'', afirmou o secretário de Futebol do Ministério, Toninho Nascimento. “O governo vai decidir uma proposta que enviará ao Congresso.''

O secretário de futebol explicou que todas as partes tinham concordado de chegar a um acordo em reunião com a presidente Dilma Rousseff. Mas não tem certeza o que aconteceu no meio do caminho para haver divergências porque não estava na reunião entre as partes. “Para mim, avançamos e está encaminhada a maior parte.''

 


Edmundo não chega a acordo com Luxemburgo por dívida, e quer salário do Fla
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Durante a Copa-2014, o ex-jogador e comentarista Edmundo e o técnico do Flamengo, Vanderlei Luxemburgo, se encontraram e se reconciliaram de uma briga de oito anos. A disputa surgiu em 2006 quando o ex-atleta entrou na Justiça contra o treinador cobrando o pagamento de cheques sem fundo. Com a paz, veio a intenção de negociar um acordo. Só que a tentativa não deu certo porque os dois não chegaram a um acerto financeiro e o processo continua na Justiça.

A cobrança de 2006 era de dois cheques do treinador em um total de R$ 400 mil. Edmundo tem ganho em todas as instâncias do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro o direito a receber o dinheiro, inclusive com a penhora de bens do técnico. Com os juros, o valor já bate em cerca de R$ 3 milhões.

Após o Mundial, há cerca de um mês, o advogado do comentarista da Band, Luiz Roberto Leven Siano, e Luxemburgo se encontraram duas vezes para fazer um acordo de pagamento. O próprio treinador fez uma proposta.

“Ele propôs R$ 2 milhões. Queria dar uma apartamento e outra parte parcelada. Levei a proposta ao Edmundo que não aceitou. Tentei negociar um valor entre os dois porque estava próximo. Falei para o Vanderlei melhorar um pouco sua proposta, mas não saiu “, contou Leven Siano.

A argumentação de Leven Siano para Luxemburgo era de que a dívida cresce a 1,5% por mês. No total, é como se o técnico devesse R$ 500 mil a mais para o comentarista da Band a cada um ano.

Sem acordo, o advogado de Edmundo avisou ao técnico rubro-negro que iniciou novas formas de cobranças já que não consegue encontrar mais bens no nome dele. Fez um pedido para a Justiça para penhorar parte dos salários que ele recebe no Flamengo e bens da sua mulher Josefa. Já existem requisições anteriores para atingir os bens da mulher de Luxemburgo, com quem é casado em comunhão de bens, e até um processo paralelo para isso.

“O salário não costuma ser um valor penhorável por ser a forma de sustento das pessoas. Mas a Justiça tem entendido que, quando o salário é muito alto, pode ser penhorada uma parte'', explicou Leven Siano. Já havia sido feita uma tentativa de penhora de rendas do Grêmio, quando Luxemburgo estava por lá, sem sucesso. No Flamengo, o treinador recebe como pessoa jurídica.

O blog ligou para o advogado José Costa que sempre defendeu Luxemburgo no caso. Mas ele informou ter repassado a ação para outro advogado no Rio de Janeiro Alexandre Barreira, que não foi encontrado nos seus telefones registrados na OAB. O assessor do treinador do Flamengo, Luiz Lombardi, afirmou não ter conseguido localizar o técnico.


Com buraco de R$ 7 mi/mês, São Paulo vê 2015 apertado, e aposta na base
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Com o time vice-líder do Brasileiro, a diretoria do São Paulo tem lidado com um rombo de R$ 7 milhões por mês, e não enxerga uma forma rápida de resolver o problema. É certo que o presidente Carlos Miguel Aidar prepara-se para ter recursos escassos em 2015, e aposta na divisão de base para formar sua equipe da Libertadores. Pelo menos é esse seu discurso atual.

Inicialmente, o dirigente chegou a falar para o blog em um déficit de R$ 100 milhões em 2014, como afirmara a “Folha de S. Paulo''. Sua estimativa baseia-se nos R$ 7 milhões de buraco mensal vezes 12 meses, o que dará algo como R$ 84 milhões. Como houve meses de equilíbrio, como na venda de Douglas, o valor deve ser um pouco menor. Eram R$ 45 milhões até agosto.

De qualquer maneira, o problema não é fácil de ser sanado. “Não temos como fazer uma projeção concreta (de quando vai equilibrar as contas). Ainda vamos fazer o orçamento de 2015, mas será mais um ano difícil'', afirmou Aidar. “Claro que vamos ter que fazer contenção. É óbvio que não dá (para grandes contratações). Vamos usar a base.''

O São Paulo tem se esforçado para contratar o atacante Alexandre Pato, mas não fará loucuras para tentar acertar com ele até porque desistiu de contar com parceiros. Como Kaká tambem tem saída certa, a previsão são-paulina, pelo menos até o momento, é de uma disputa da Libertadores sem arrojo nas contratações.

Até porque cortar no futebol, item mais dispendioso do clube, é essencial quando se estabelece metas de 20% de redução de gastos em todos os setores do clube, em projeto capitaneado pelo Instituto Aquila. “Temos que ter capacidade de gestão, cortar o supérfluo, vender carros…'', reconheceu Aidar.

Seria uma mudança de política visto que nos primeiros meses de sua gestão o presidente formou um time caro, com a contratações de Pato, Kaká e Alan Kardec, este a maior despesas porque teve os direitos comprados.


No esporte, Dilma tem como meta ficar entre os 10 primeiros na Rio-2016
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Fora citações sobre a organização da Copa-2014, o esporte foi pauta quase nula na campanha para presidente. No programa de Dilma Rousseff, reeleita nesta domingo, a principal promessa é o investimento no esporte olímpico para deixar o Brasil entre os 10 primeiros no quadro de medalhas dos Jogos do Rio-2016. O documento está no site de sua campanha.

“Além dos investimentos na organização dos Jogos e na infraestrutura de equipamentos olímpicos, assumimos, em parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro e o Comitê Paraolímpico Brasileiro, o desafio de proporcionar condições para que o Brasil figure, em 2016, entre os dez primeiros colocados nos Jogos olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paraolímpicos'', afirma o documento.

Para isso, o governo aposta no investimento de R$ 1 bilhão no chamado “Plano Medalhas'' em um total de 21 modalidades olímpicas e 15 paraolímpicas. O dinheiro -não se sabe ainda se a meta será atingida- têm sido dado via estatais, recursos diretos do Ministério do Esporte, lei de incentivo, entre outros. A maioria dos valores é gerido por terceiros, confederações, federações e COB.

O problema é que o investimento só começou em 2013, ou seja, é ainda menor do que o ciclo olímpico que começou ao final de Londres. O Reino Unido e a China obtiveram saltos de medalhas em seus Jogos em casas (2008 e 2012) com programas estruturados antes do início do período. O Brasil demorou a se mexer.

Pelo padrão de Londres-2012, atingir a décima colocação exigirá do país mais do que dobrar o número de medalhas de ouro obtido na edição europeia. O Brasil levou três ouros, e 17 pódios no total, acabando em 22o.

A Austrália, décima colocada, garimpou sete ouros, e um total de 35 medalhas. Há países como menos pódios como Hungria e Itália, mas com um número maior de ouros. A estimativa do COB é de que precisa-se de pelo menos 30 pódios para atingir a meta prevista.

Além das medalhas, o governo federal promete dedicar-se a executar uma Olimpíada que classifica como um “desafio''. E quer a reformulação do sistema nacional de esporte, que nunca foi realizada por nenhuma gestão até agora.

Há uma frase sobre o principal esporte do país: “É urgente modernizar a organização e as relações do futebol, por exemplo, nosso esporte mais popular''. O atual governo se mobiliza pela aprovação da LRFE (Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte) para equacionar as dívidas de clubes de futebol, que está em negociação no Congresso com contrapartidas dos dirigentes.

Mas não há projetos mais claros sobre quais as diretrizes do restante da reestruturação pensada para o futebol. Não é citado no programa nenhum compromisso com o “Bom Senso FC'' ou a “Atletas pelo Brasil'', formados por atletas e que pregam reformas nas atuais entidades esportivas. O candidato de oposição Aécio Neves (PSDB) tinha estabelecido um acordo com esse segundo grupo.


Será que a CBF percebeu que Minas domina o futebol do país há dois anos?
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Com a rodada de sábado, o Cruzeiro e o Atlético-MG ficaram na primeira e segunda posições no Brasileiro, pelo menos de forma provisória visto que o São Paulo joga na segunda-feira. Essa dobradinha não é nada surpreendente diante do domínio que o futebol mineiro estabeleceu no país nos últimos dois anos. Ilógico é que o Brasil continue a insistir na escola gaúcha de treinadores se é Minas que vem apresentando algo de novo.

Não são poucos os dados que demonstram esse domínio mineiro. Nos dois anos do Nacional, as duas equipes do Estado conseguiram 59,9% dos pontos, um rendimento de time classificado à Libertadores e até a aspirante a título.

Em taças, Minas caminha para seu segundo Brasileiro seguido com o Cruzeiro, e ganhou o principal torneio sul-americano com o Galo. Na atual Copa do Brasil, é o único Estado que tem dois representantes nas semifinais.

A gritaria dos dirigentes mineiros a cada convocação da seleção é um demonstração de como suas equipes contribuem para os times nacionais, inclusive na base. Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart já se tornaram constantes na nova era Dunga. Diego Tardelli ganhou a vaga de titular como centroavante. Entre os times de base, Lucas Silva, Alisson, Douglas Santos e Carlos são figurinhas fáceis.

No banco de reservas, o Cruzeiro tem em Marcelo Oliveira um técnico que completa quase dois anos em seu comando. Neste período, transformou um time que lutava contra o rebaixamento em uma equipe dominante no cenário nacional. O elenco é muito superior, ressaltam os comentaristas.

Quando foram contratados, Éverton Ribeiro, Ricardo Goulart, Nilton, Marquinhos, Henrique, Egídio e Marcelo Moreno não eram jogadores valorizados. Alguns deles eram refugos de seus times. Há, sim, atletas que chegaram em alta como Manoel, Dedé, Willian e Júlio Baptista, mas eles nem são a chave do sucesso, embora deem boas contribuições.

Ao contrário da dominante escola gaúcha dos últimos anos, o futebol mineiro tem se caracterizado pelo dinamismo nas posições de ataques, e pela vocação ofensiva, que continua mesmo quando o time está em vantagem. Marcelo Oliveira é formado em Minas como jogador, no Atlético-MG, e tem também sua carreira de técnico forjada no Estado.

O mesmo ocorre com Levir Culpi. Embora paranaense, foi no Cruzeiro e no Atlético-MG que ele teve as melhores passagens em sua carreira. Seu antecessor Cuca, um paranaense cuja carreira se iniciou no Rio Grande do Sul, não tem nada a ver com a escola gaúcha: era outro com preferências ofensivas, trocas de posição e esquema dinâmico.

Essas mudanças têm dado resultado, resta saber quando serão percebidas pela CBF, onde há um domínio de oito anos de treinadores da tradicional escola do Rio Grande do Sul que prioriza resultados e pouco se importa com apresentar algo novo no futebol.


Corinthians é vetado de receber verba pública, mas diz ter situação regular
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A CBC (Confederação Brasileira de Clubes) vetou acesso do Corinthians à verba pública para um projeto de esporte olímpico. Motivo: não atendeu as exigências da legislação, entre elas está a regularidade fiscal. Só que o clube alega já ter resolvido todas suas pendências com a União, e estar com suas certidões em dia.

Por uma lei de 2011, a CBC é encarregada de administrar verba de loterias federais destinada aos clubes. Havia uma trava para que esse recursos fossem utilizado por falta de regulamentação da legislação, o que só ocorreu no início deste ano. Há R$ 150 milhões disponíveis para agremiações, e por esporte universitários e secundário.

O primeiro pacote envolveu liberação de R$ 23 milhões para compra de equipamentos esportivos, e 21 clubes foram agraciados, entre eles o único do futebol foi o Flamengo. O Corinthians e o Fluminense entraram com pedidos de verbas para projetos olímpicos, mas não preencheram os requisitos jurídicos necessários.

“Clubes têm que se enquadrar na legislação. Tem que ter todas as Certidões Negativas de Débitos, e uma série de exigências. E tem que haver uma adaptação do estatuto em relação à reeleição em até quatro anos'', explicou o presidente da CBC, Jair Pereira. Ele disse que qualquer agremiação cujo projeto não for aceito pode tentar novamente em futura liberação de verbas.

O Corinthians estava com um problema com suas certidões por conta de um processo antigo da procuradoria do Estado com cobrança de taxas de fiscalização. Segundo a “Espn'', isso tinha interrompido o recebimento do patrocínio da Caixa Econômica Federal, que só é possível com todas as CNDs em dia.

Mas, em setembro, a Justiça Estadual reconheceu que essa dívida estava extinta, e suspendeu o processo. Isso renovaria a regularidade fiscal do clube. Pela informação da diretoria corintiana, os pagamentos da Caixa estão sendo feitos normalmente.

“O patrocínio está todo em dia. Estamos com a situação fiscal regularizada. Estamos com as certidões em dia'', explicou o diretor jurídico corintiano, Luiz Alberto Bussab. Ele prometeu verificar o que tinha acontecido com o projeto olímpico, mas não deu retorno até a sexta-feira à noite. A questão é que as exigências para receber verbas públicas da loteria podem ir além das CNDs, e são valores que sofrem mais fiscalização do que o patrocínio da Caixa.

O blog consultou dirigentes do clube para saber exatamente qual era o projeto olímpico do Corinthians que foi rejeitado e quanto tinha sido pedido, mas também não obteve reposta. O esporte em que a agremiação tem investido mais, claro depois do futebol, é a natação, onde tem uma equipe forte.


STJD reduz só em um jogo suspensão de Guerrero, e ele está fora do clássico
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O pedido do Corinthians de transformar a suspensão do atacante Paolo Guerrero em multa pecuniária só foi aceito em parte pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com uma redução de um jogo. Mas o jogador segue fora do clássico contra o Palmeiras pois terá de cumprir duas partidas. Mas pelo menos ele poderá atuar contra o Santos.

Em julgamento nesta semana, Guerrero foi punido pelo pleno do STJD com três jogos de suspensão por empurrão no árbitro Leandro Bizzo Marinho no jogo com o Bragantino, pela Copa do Brasil. Pelo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), se o clube já terminou sua participação em um campeonato, a pena tem que ser cumprida na competição subsequente, isto é, o Brasileiro.

Mas, pelo artigo 171, nestes casos, há a possibilidade de o clube pedir para o presidente do STJD a conversão da suspensão em medida de interesse social. Resumo: o time pode requisitar que a pena vire multa a ser dada para uma entidade social.

Foi o que fez o Corinthians em pedido protocolado na quinta-feira. Os advogados requisitaram ao presidente do STJD, Caio Rocha, que todas as três partidas se tornassem pena pecuniária. Em princípio, ele sinalizou que a tendência era que a medida fosse  indeferida, o que deixou pessimistas os dirigentes.

Nesta sexta-feira, ele concedeu a conversão de apenas um jogo em multa para ser revertida em favor de instituição social. As outras duas partidas terão de ser cumpridas. A decisão do tribunal será publicada em breve. Na manhã de sexta, os advogados do Corinthians ainda trabalhavam com a informação de que o pedido fora rejeitado.

A decisão explica-se porque, para o presidente do tribunal, não fazia sentido anular toda uma suspensão estabelecida pelo STJD ainda nesta semana. O próprio Caio Rocha tinha votado por 90 dias de suspensão. Mas, seguindo a tendência do tribunal de converter em parte as penas, ele concedeu a transformação de pelo menos um jogo de Guerrero.


Teixeira irrita-se com Del Nero, mas prefere fazenda a brigar por CBF
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Desde o primeiro semestre, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira passou a viajar frequentemente ao Brasil após se separar de Ana Carolina Wigand. Esse período coincidiu com uma crescente irritação com Marco Polo Del Nero, vice-presidente da entidade e futuro chefe da entidade, pelas mudanças promovidas na confederação. Até agora o ex-dirigente, no entanto, não quis briga, preferindo se manter afastado do futebol e reativar os negócios de sua fazenda no Rio de Janeiro.

Para entender a relação entre Del Nero e Teixeira é preciso voltar a 2012 quando o ex-presidente teve que renunciar à CBF pelas provas de que recebeu propina de parceiro da Fifa e de que tinha ligação com empresa que faturou com amistoso da seleção. Foi embora para Miami com mulher e filha. Para a confederação, fechou um acordo com Del Nero e José Maria Marin para que assumissem desde que mantivessem intacta a operação na entidade.

Cada vez que o início da gestão de Del Nero se aproxima, no entanto, mais é desmontada a estrutura da CBF armada por Teixeira. Um dos pontos centrais foi o afastamento de José Carlos Salim e Antônio Osório das diretorias de marketing e financeira da entidade. Foram mantidos com cargos sem função apenas para terem salário, mas, na prática, nada fazem. O marketing foi para as mãos de Gilberto Ratto, ex-São Paulo, e o departamento financeiro para Rogério Caboclo, ambos de confiança do futuro presidente.

Esses são os setores que controlam os vultosos recursos de contratos de patrocínio, a maioria deles fechada pelo antigo presidente. Sem os aliados do antecessor, Del Nero tem substituído paulatinamente os acordos -como foi o caso da Chevrolet no lugar da Volkswagen – e passa a controlar a operação de fato.

Outro centro de poder da CBF é o empresário Wagner Abrahão, amigo de Teixeira e que sempre lidou com ingressos e viagens da confederação e até da Copa-2014. Ele passou a responder às ordens diretas de Del Nero, e até criou ligação com o filho dele Marcus Vinicius Del Nero. Isso embora sua amizade ainda seja com o ex-presidente. Desta forma, o futuro presidente da CBF passa a dominar todos os principais setores que rendem dinheiro, e deixa o antecessor de lado e no escuro.

Entre pessoas próximas a Teixeira, há a informação de que sua irritação com Del Nero chegou a tal ponto que só fala com ele por meio de Abrahão. O vice da confederação repete assim o que fez com Eduardo José Farah, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, que o colocou no poder e depois foi esquecido e escanteado.

Esses movimentos seriam o suficiente para o ex-presidente da CBF tentar uma revanche, mas até agora ele não tomou atitudes nesta direção até pelos problemas de saúde – é dibético e hipertenso. Revelada pela “Folha'', sua volta ao Brasil, intercalada com estadias em Miami, está mais relacionada a retomar a vida pessoal após a separação. Além de procurar por amigos, ele até prepara uma recuperação das atividades da Fazenda Santa Rosa: há a possibilidade de voltar a produzir leite com força como fazia anteriormente. Esse negócio foi quase abandonado quando ele foi morar nos EUA.

A fazenda, lembre-se, era o elo entre Teixeira e Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, que provava sua relação com os ganhos no jogo entre Brasil e Portugual, em 2008. A “Folha de S. Paulo'' mostrou que a Ailanto, empresa de Rosell, mantinha uma subsidiária com endereço na mesma fazenda. E a propriedade de Teixeira, embora inativa, recebia uma aluguel por esse serviço. Era um dos pontos que demonstrava transferência de dinheiro de Rosell para o ex-presidente da CBF logo após a Ailanto faturar R$ 9 milhões em dinheiro público no amistoso realizado em Brasília.

Mas, se não articula vingança, Teixeira tem aliados bem poderosos que compartilham sua irritação com Del Nero. Ele tem em Ronaldo e outras outros ligados à confederação pessoas dispostas a brigar com o futuro presidente da CBF. De movimentação própria, chegou a ligar para o candidato a presidente Aécio Neves, que era seu amigo e é próximo de Ronaldo.

Favorito a se reeleger governador do Rio, Luiz Eduardo Pezão (PMDB) é bastante próximo de Teixeira, fruto do relacionamento criado em Piraí, base política dele. No PT, há Andrés Sanchez, eleito deputado federal e aliado do ex-todo-poderoso da confederação. Outras pessoas do partido em São Paulo também têm relação estreita com o ex-dirigente da CBF. Há ainda presidentes de federação fiéis ao antigo cartola.

No cenário pintado por pessoas ligadas ao ex-presidente,  o mais provável é que esses aliados comprem a briga contra Del Nero em 2015, quando ele será de fato o presidente em substituição a Marin. Teixeira deve assistir da fazenda, de sua mansão no Itanhagá no Rio de Janeiro ou de Miami, seus portos recentes. O blog tentou, sem sucesso, falar com o atual e o antigo todo-poderoso da confederação.


Após três anos, clubes têm R$ 150 mi para esporte olímpico. Fla ganha mais
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Após um imbróglio jurídico de três anos e meio, os clubes poderão ter acesso a um valor entre R$ 145 milhões e R$ 160 milhões no para investimento em esporte olímpico. Esse dinheiro é público, oriundo de loterias, e estava travado por conta de falta de regulamentação para seu uso, o que era responsabilidade do Ministério do Esporte. Os primeiros repasses ocorrerão no final de 2014, e o efeito para a Olimpíada será nulo.

No início deste ano, saiu a regulamentação para o uso dos recursos. Então, a Confederação Brasileira de Clubes se estruturou para estudar e aprovar projetos. Nesta semana, foram anunciados os programas aprovados no primeiro pacote, em um total de R$ 23 milhões para equipamentos esportivos.

O maior beneficiado foi o Flamengo que teve três projetos referendados que englobam natação, judô, vôlei, remo e canoagem, em um total de cerca de R$ 5,3 milhões. A previsão é de que o dinheiro para os 21 clubes seja liberado até dezembro deste ano.

“Tivemos que fazer toda uma restruturação física, contratar pessoas e formar uma comissão para analisar os projetos. A legislação para entidades pegarem recursos é bem dura, com fiscalizações de CGU e TCU, então, temos que estar preparados'', afirmou o presidente da CBC (Confederação Brasileira de Clubes), Jair Pereira. “Fomos bem rápidos perto do Ministério do Esporte.''

Explica-se: em março de 2011, foi aprovada a lei que dava aos clubes uma fatia sobre o dinheiro das loterias para investimento em esporte olímpico. O recurso iria para a CBC administrar só que dirigentes da entidade argumentavam que não podiam liberá-lo por falta de regulamentação do Ministério sobre o uso dessa verba. A pasta, por sua vez, alegava que não era preciso regra. Finalmente, em 2011, saiu a portaria com a regulamentação.

Pelas regras impostas, 20% ficam para a administração da CBC gerir os recursos. Há fatias de 15% para esporte paraolímpico, 15% para confederação de esporte universitário e 15% para confederação de esporte estudantil secundário. O grosso vai para os clubes em projetos aprovados pela CBC. A estimativa é que saiam R$ 50 milhões por ano para os clubes.

O primeiro montante foi para compra de equipamentos. O segundo será para participação em competições nacionais. Para ter acesso ao dinheiro, os clubes têm que estar em dia com todas as suas dívidas com o governo federal, isto é, as CNDs (Certidão Negativas de Débitos). Foi o que ocorreu com o Flamengo que montou um departamento com esse objetivo, e mantém pagamentos das dívidas em dia.

Um dos projetos é para construir uma nova piscina na sede da Gávea. Será importada a italiana Myrtha, que vem inteira, para ocupar o espaço vazio atual para treinamento aquático do clube. Ainda serão comprados cronômetros, blocos de saída, etc.

Um total de 45 barcos será comprado para o remo, esporte fundador do clube, e dois dojôs para o judô. Por fim, haverá um novo fosso para a queda dos atletas de ginástica, que tinha sido danificado no incêndio no clube. O vice de Esportes Olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa, disse que o clube estava se preparando para isso, mas admite que o dinheiro chegou tarde para ter impacto na Olímpiada do Rio-2016.

“Para a Olimpíada de 2016, é zero, esquece. Estamos nos preparando para formar atletas para 2020, 2024. Vamos aproveitar esse ciclo olímpico com dinheiro público e projetos para esses esportes porque empresas privadas não querem investir. Depois de 2016, não sabemos se o governo vai continuar a investir'', disse Póvoa.

Além do Flamengo, clubes como o Minas Tênis, Paulistano, Sogipa também terão acesso a verbas, em um total de 21.

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