Blog do Rodrigo Mattos

Entre sedes olímpicas, Rio tem violência só comparável a Atlanta
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Entre as cidades olímpicas, o Rio de Janeiro tem índices de violência só comparáveis a Atlanta que recebeu a edição de 1996. É o que mostra um levantamento feito pelo blog nas estatísticas criminais das seis últimas sedes no ano em que receberam os Jogos. Especialistas confirmam que as duas cidades destoam das outras, mas destacam que as piores zonas são longe das instalações olímpicas.

O município carioca tem um índice de homicídio de 24,1 por 100 mil habitantes, segundo dados da secretaria de segurança pública para 2015. Já a cidade norte-americana tinha um número ainda maior de 47,4 homicídios por 100 mil habitantes, em 1996, de acordo com dados do FBI (polícia federal). Sua população era bem inferior ao Rio atual, 413 mil contra 6,1 milhões.

Há, no entanto, algumas diferenças nas estatísticas das suas cidades. Atlanta incluía em seu dado homicídios dolosos e não dolosos (chamam de manslaughter). O Rio põe em um pacote os casos de letalidade violenta, em que estão homicídio doloso, mortes em confrontos policiais e por agressão. A taxa carioca de homicídio culposo – sem intenção – é de 7,6 por 100 mi habitantes em 2015.

Teoricamente, o município carioca seria menos letal do que Atlanta. Mas, por conta do critério diferente, especialistas entendem ser difícil fazer essa afirmação. De qualquer maneira, é certo que são números muito superiores a outras sedes que giram entre um e dois assassinatos por 100 mil pessoas.

“Sim, está certo (que são as mais violentas sedes). Mas tanto lá quanto aqui a violência está concentrada em determinados bairros que não são os que vão ter instalações dos Jogos. São situações parecidas. Além disso, haverá muito policiamento e quem vier não deve ser afetado”, afirmou o professor da UERJ, José Inácio Cano, que atua no Laboratório de Análise de Violência.

A comparação com outras cidades olímpicas mostra uma disparidade. Sydney tinha 1,3 homicídios por 100 mil pessoas quando recebeu os Jogos. Para Atenas, o dado de 2005 – único disponível – aponta 1,4 assassinatos por 100 mil habitantes.

O governo chinês mantém obscuros os dados de Pequim, mas o país tinha um índice de 1,1 homicídios por 100 mil pessoas em 2008. Especialistas consideram que a capital não tinha grande variação. Sede de 2012, Londres também tinha uma estatística de 1,3 assassinatos por 100 mil habitantes. Não foi possível obter os dados discriminados para Barcelona-1992, mas o índice de homicídios na Espanha na época girava em torno de 1 por 100 mil habitantes.

Apesar das similaridades – violência concentrada em bairros e tráfico de drogas -, especialistas apontam também diferenças entre Rio e Atlanta.  A professora da USP, Esther Solano, que faz parte do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entende que o município carioca pode ser mais violento por causa da polícia.

“Acho que nem Atlanta (iguala o Rio). A brutalidade da PM do Rio não tem paralelo no mundo. O índice do governo estadual nem sempre inclui esses dados da morte por policiais e de que quando eles são vítimas. E são dados significativos. Por isso, acho que pode ultrapassar a letalidade de Atlanta”, explicou Solano.

Na comparação em outros índices de violência, o Rio tem um total de 1.453 casos de roubo por 100 mil pessoas, considerados todos os tipos em 2015. Em Atlanta, esse número era de 1.163 em 1996, também bem alto. Mas, em compensação, os casos de estupro são de 24 por 100 mil habitantes no município brasileiro, enquanto atingiam um total de 95 na cidade norte-americana.

Atlanta era uma passagem da rota do tráfico de drogas, servindo como rota para mercadoria que desembarca em Miami vinda do México e da América do Sul. Por isso, há um histórico de confrontos de gangues, principalmente em áreas mais pobres..“As cidades americanas enfrentaram um problema sério de violência durante a década de 90”, completou Solano.

A cidade norte-americana foi a última sede olímpica onde houve um atentado terrorista que matou duas pessoas. José Inácio Cano, no entanto, não vê relação com os índices de violência da cidade. “Terrorismo sempre é um risco, assim como a criminalidade. Mas também não acho que nenhum dos dois vai comprometer os participantes dos Jogos (no Rio).”

 


Olimpíada dá isenção fiscal a Odebrecht, Globo e quase 800 empresas
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A Olimpíada do Rio-2016 dará isenção fiscal para um total de 780 entidades e empresas. Entre elas, estão gigantes como a Globo, a Odebrecht, o Bradesco, a Coca-Cola e a Nike. Além disso, firmas de pessoas ligadas ao presidente do Comitê Organizador do Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, também são favorecidas. A Receita Federal confirmou o benefício aos integrantes da lista, mas não informou a parte de cada um no bolo.

Em 2013, a presidente Dilma Rousseff, hoje afastada, sancionou a Lei 12.780 aprovada pelo Congresso que concedia isenções fiscais ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e ao Rio-2016. Isso incluiu fornecedores de serviços e patrocinadores do evento. É uma exigência do COI ao país-sede, compromisso firmado na candidatura do país, e praxe em outras edições. No Brasil, o total previsto é de R$ 3,8 bilhões.

“A Lei tem o propósito de criar incentivos fiscais para o comitê organizador. Isso é nos moldes da Copa do Mundo para desonerar custos da realização'', informou o comitê. “O Rio-2016 requer as habilitações. Só as empresas que estão com regularidade fiscal que podem ser incluídas, e só em notas para pagamento do Rio-2016.''

As isenções se restringem aos serviços ou produtos usados pelas empresas ou entidades para os Jogos, no período de janeiro de 2013 e 2017. Cada empresa passa a ter o direito a não pagar os impostos a partir do momento em que a Receita a inclui na lista.

No caso das empresas nacionais, elas não precisam pagar nenhum imposto de importação para produtos ou serviços vindos do exterior. Também não pagam IPI de produtos adquiridos no país para realizar os Jogos, nem têm de quitar PIS/Pasep e Cofins por serviços contratados. Firmas vinculadas ao COI não têm de pagar nem imposto de renda.

Envolvida na operação Lava-jato por acusações de corrupção, a Odebrecht tem duas empresas na lista de isentas. No início de janeiro de 2015, a empresa foi incluída como integrante do consórcio integrador do Parque Olímpico. Além disso, a Maracanã Entretenimento, subsidiária da empresa que administra o estádio, também goza de isenção.

Questionada, a Odebrecht não quis dar mais informações sobre quais eram os serviços e produtos que tiveram isenção: limitou-se a dizer que fora informada de que poderia gozar do benefício.

A construtora têm a maior parte dos contratos de construção da Olimpíada, incluindo parte do Parque Olímpico, Porto Maravilha, BRT da Transolímpica, entre outros. No total, os projetos ultrapassam R$ 10 bilhões. Mas esses contratos são com a prefeitura do Rio de Janeiro e portanto não devem ter isenção. A Carvalho Hosken, parceira da construtora no parque, também está na lista das beneficiadas.

A Globo Comunicações foi incluída na lista da Receita em maio de 2015 como prestadora de serviços e transmissora oficial do evento. “A isenção se estende aos tributos devidos pelo COI e aquelas entidades em razão de pagamentos feitos por detentores de direito de transmissão – a Globo entre eles'', informou a assessoria da Globo. Acrescentou que o pagamento da importação de equipamentos também está isento.

A emissora disse que ganhos com publicidade não estão livres de impostos. Com cotas de R$ 255 milhões, a Globo ganhará R$ 1,5 bilhão só em propaganda direta com os Jogos. “O valor da desoneração das emissoras é pequeno em relação ao total da isenção prevista em lei'', disse a assessoria.

Um dos dois maiores bancos brasileiros, o Bradesco tem quatro empresas na lista da isenção por conta do patrocínio à competição. São Bradesco Saúde, Companhia de Seguros, Previdência e Seguros. Não fica claro porque a unidade de Seguros foi incluída duas vezes. Todas entraram na lista em junho de 2014. No primeiro trimestre de 2016, o Bradesco teve lucro de R$ 4,1 bilhões. O banco não quis se pronunciar sobre a isenção.

Outros patrocinadores como Coca-Cola, Nike, Panasonic, Tam e Nissan ainda estão na lista. Na lista, ainda aparece a WTorre, outra construtora envolvida na operação Lava-Jato. A empresa alega que alugou um galpão para o Rio-2016, mas nunca gozou de benefícios fiscais porque inicialmente eles não eram válidos para o serviço. Quem teve, sim, isenção foi a Concremat, responsável pela construção da ciclovia da Avenida Niemeyer que caiu matando duas pessoas.

Fora esses grandes grupos, outros favorecidos foram o escritório de advocacia HB Cavalcanti e Mazzilo, que é do amigo de Nuzman Sergio Mazzilo. O escritório foi contratado pelo Rio-2016, como revelou o site da ESPN. A agência de viagens Tamoyo Internacional também ganhou o benefício: trata-se da agência oficial do COB.

O Comitê Rio-2016 não respondeu a perguntas específicas sobre cada empresa, mas defendeu sua forma de trabalhar.  “O Comitê trabalha com transparência e uso correto e competente dos recursos. Todos os prestadores de serviços executam suas obrigações para receber as contrapartidas. E as contratações são informadas de forma transparente para a sociedade'', disse por meio de assessoria.

A lei estabelece que o COI ou Rio-2016 têm que disponibilizar informações individualizadas sobre as renúncias fiscais por transparência no processo. O blog pesquisou na sessão de documentos do site do comitê e não encontrou esses dados, e o comitê não informou onde eles estão.

Já o TCU (Tribunal de Contas da União) cobrou transparência no processo de isenções fiscais. Mas a Receita também se recusou a informar quanto cada empresa teve de benefício fiscal. Alega sigilo fiscal.

“Informo que todas as pessoas físicas e jurídicas listadas nos arquivos (lista da própria Receita) abaixo estão habilitadas à fruição dos benefícios tributários referentes à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, criados pela Lei nº 12.780, de 2013, que detalha quais impostos e em quais condições podem ser suspensos ou isentos'', disse a Receita Federal.


Atraso do governo deixa brecha na segurança do acesso ao Parque Olímpico
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Máquina de raio-x parada no acesso ao Parque Olímpico

Máquina de raio-x sem utilização no acesso ao Parque Olímpico

O governo federal deixou para última hora a montagem da estrutura de segurança das instalações olímpicas e provoca brechas no controle do acesso aos locais. Primeiro, não há revista por raio-x ou detector no momento no Parque Olímpico. Segundo, foi contratada uma empresa de pequeno porte sem experiência na área para proteger as entradas – informação publicada primeiro pelo Wall Street Journal.

Essa falha do governamental ocorre justamente quando há uma preocupação com atos de terrorismo após o atentado em Nice, na França. O controle do acesso às instalações olímpicas é um dos pontos mais sensíveis da segurança pois evita a entrada de objetos não-permitidos nas instalações.

No momento, a segurança é feita por homens da Força Nacional que revistam na mão as bolsas dos visitantes no Parque Olímpico. Ao lado, uma máquina de raio-x parada não está funcionando. A instalação está aberta desde o início de julho.

Isso porque a Sesge (Secretaria Extraordinária para Segurança de Grandes Eventos) decidiu contratar uma empresa para cuidar da operação das revistas no Parque Olímpico apenas no dia de 30 de maio. O processo demorou um mês e a vencedora foi a Artel Recursos Humanos Eirelli, com sede em Santa Catarina. O Diário Oficial publicou que o contrato é de R$ 21 milhões. Até agora, o governo destinou R$ 17 milhões para a empresa.

O problema é que a Artel é uma empresa de pequeno porte – capital social de R$ 400 mil – e sem experiência aparente na área de segurança. Em seu site, a empresa catarinense se descreve como especializada em captar mão-de-obra terceirizada para picos de produção, isto é, eventos. E lista suas áreas de atuação: limpeza e conservação, telefonia, recepção, porteiro, zeladores, logística. Não há citação à especialização em segurança.

No edital de licitação, estava descrito que a contratação era para empresa “especializada na prestação de serviço para operação de equipamentos de inspeção eletrônica de pessoas, bagagens e cargas nas instalações olímpicas''.

Membros da Força Nacional admitem que não era sua função revistar bolsas. Ainda não foram informados de quando o raio-x começa a operar, mas a estimativa é de que só aconteça no final da semana. Assim, o parque ficará aberto por cerca de 15 dias sem raio-x.

Em Londres, houve problema com a equipe de segurança privada contratada que não conseguiu fornecer pessoal suficiente como prometido. O exército britânico teve de cobrir a brecha e passou a cuidar do acesso às instalações olímpicas. Mas, mesmo assim, desde o início o Parque Olímpico operava com revista por raio-x na cidade europeia.

Na Copa do Mundo, quando foi fechado o perímetro de operação do Maracanã, também já operavam máquinas de raio-x para fazer a triagem dos visitantes.

O blog enviou perguntas à Sesge na segunda-feira sobre o atraso na licitação e a contratação da Artel, mas não recebeu respostas um dia depois.


‘É idiotice dizer que Fla deixa austeridade por contratações’, diz Bandeira
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Na luta para fechar a contratação do meia Diego, o Flamengo tem sido um dos clubes mais agressivos nos gastos com reforços na temporada de 2016. Isso contrasta com o conservadorismo até o início de 2015 quando o principal objetivo era pagar dívidas. O presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, rechaça que o clube tenha abandonado a austeridade e diz que se mantém no orçamento.

“Toda vez que o Flamengo vai fazer uma grande contratação alguns colegas de vocês comentam que o Flamengo vai se render, que vai acabar a política de austeridade. Isso é uma idiotice. Nunca vamos contratar se não tiver dinheiro para pagar. Se contrato, é porque vou honrar meus compromissos'', afirmou o dirigente rubro-negro.

Bandeira se recusa a falar diretamente da tentativa de contar com Diego. Alega que não comenta possíveis contratações até estarem fechadas.

Mas ressaltou que houve espaço no orçamento rubro-negro após a saída do ex-técnico Muricy Ramalho. “Não é só isso. Há outras coisas'', explicou, sem mencionar quais outros impactos no orçamento.

Para a temporada 2016, o Flamengo tinha previsto uma receita de R$ 419 milhões. Seu gasto com o futebol ainda se mantinha em um percentual bem baixo se comparado com outros clubes: ficaria em torno de 40% com um total de R$ 156 milhões. Neste ano, o clube já negociou pagamentos de duas dívidas grandes, Consórcio Plaza e Maracanã SA em valores que somam cerca de R$ 90 milhões.

Mas há receitas de patrocínios e sócio torcedor abaixo do estimado. Em compensação, o clube levou R$ 70 milhões em luvas da Globo por renovar o contrato do Brasileiro a partir de 2019.


Presidente do Cruzeiro discorda de punição a Riascos e quer revê-la
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O presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, ficou insatisfeito com a exclusão do colombiano Riascos por declarações após o jogo e pretende rever a decisão tomada pela diretoria de futebol. Para o dirigente, o jogador não quis ofender o clube e pode ter havido um mal-entendido.

Riascos foi afastado do Cruzeiro após dar uma declaração usando a palavra “merda''. A frase do atleta foi interpretada como uma referência ao clube, e por isso considerada ofensiva. Assim, ficou decidido seu afastamento. Após a repercussão negativa, Riascos pediu desculpas e afirmou que não se referia ao clube.

“Não concordei com aquilo, não. Achei que não foi daquele jeito. As pessoas às vezes falam língua diferente e são mal interpretadas. Preciso conversar direito'', contou Gilvan. Questionado se a decisão mudaria, ele afirmou: “Lógico que pode. Ele é um ativo do Cruzeiro, investimos nele.''

O presidente do Cruzeiro lamentou que não tenha falado com a diretoria de futebol antes da decisão porque estava no Rio e não ligou para os dirigentes, mas ressaltou já ter se comunicado com o jurídico.

Logo após a punição, Vasco e Bahia já manifestaram interesse em contratar o jogador. Contudo, Gilvan disse que não tomará nenhuma decisão até resolver a questão da punição internamente.


Ronaldo, não se faz uma reputação com comissão
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É seguro dizer que até o final de 2011 o ex-jogador Ronaldo era uma figura querida do público brasileiro. Mesmo episódios polêmicos (envolvimento com travestis) ou tristes (contusões) eram superados por redenções que aumentavam sua imagem de herói, de vencedor. Até que ele decidiu se envolver com política e negócios do esporte, tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora.

Naquele final de 2011, Ronaldo aceitou assumir um cargo no COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014 talvez achando que se tornaria um novo Platini (ocupou posição similar na França-1998). As circunstâncias iniciais, no entanto, não eram lá muito favoráveis visto que teve de se aliar a um enfraquecido Ricardo Teixeira, presidente da CBF envolvido em diversas denúncias.

E dali em diante só piorou. Depois que Teixeira caiu, Ronaldo teve de servir de escudo para José Maria Marin. Tentou descolar sua imagem dele com alfinetadas no cartola pela imprensa.

Só que, embora sagaz nos negócios, se mostrou inábil com as palavras. Basta lembrar da famosa frase: “Não se fazem Copas com hospitais''. Na época, tentava justificar o dinheiro público em estádios. Acabou como resumo do que a Copa-2014 se tornou: uma festa sem nenhum benefício visível para a maioria da população.

A questão é que houve, sim, quem tenha se beneficiado, pessoas como Ronaldo. Ele abriu mão de salário no COL em favor de seus ganhos com sua 9ine. Garantia que não haveria conflito de interesses entre seus negócios e a função pública.

Logo depois, em 2012, uma empresa chamada Marinete – que tinha contratado a 9ine como agência publicitária – levou um contrato de fornecimento de assentos na Arena Fonte Nova. Coisa de R$ 8 milhões. O UOL Esporte noticiou e Ronaldo, por meio da 9ine, tratou de desmentir participação no negócio ou qualquer ganho. Alegou que sua empresa era apenas a agência de publicidade da Marfinite.

Agora, quatro anos depois, o repórter Pedro Lopes, do UOL, mostra que essa versão não era verdadeira. Havia um contrato da Marfinite com a 9ine que previa pagamento de comissão de 10%, isto é, em torno de R$ 800 mil pelo negócio. Há até e.mail que comprova que Ronaldo atua na cobrança dos valores da Marfinite.

Confrontado com a contradição, com os documentos como prova, o ex-jogador tenta sair pela tangente dizendo que nunca participou de decisões sobre contratos relacionados a Copa porque eram responsabilidades de comitês estaduais. Ora, esses comitês estavam submetidos a exigências técnicas justamente do comitê organizador, onde Ronaldo ocupava alto cargo. Em alguns casos, o COL mudou todo um projeto de estádio.

Como poderemos acreditar que o ex-jogador não usou sua influência para obter contratos para parceiros se a primeira versão do que disse se mostrou falsa? Aliás, como poderemos acreditar a partir de agora em qualquer coisa do que ele diga como comentarista, garoto-propaganda ou homem-público? Ronaldo tinha uma reputação, mas preferiu a comissão.

PS: Esse nem foi o único negócio de parceira de Ronaldo com a Copa como podem ver aqui.

 


Cortes de patrocínio e verba ameaçam natação brasileira após Olimpíada
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Com Guilherme Costa

Às vésperas da Olimpíada-2016, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos enfrenta uma crise financeira que ameaça o futuro da natação após os Jogos. Verbas de patrocínio dos Correios e do Ministério do Esporte sofrerão sério corte ou podem cair até a zero. O investimento privado é reduzido. Assim, a diretoria da entidade negocia para salvar o que for possível.

Em entrevista a “O Globo'', o presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou que iria cortar pela metade toda a verba de patrocínio da empresa por conta da crise. A CBDA é uma das principais parcerias. Só para confederação o valor gira em torno de R$ 25 milhões por ano, e já tinha sofrido redução de 10% em 2016.

“Estou negociando para que pelo menos não caia a zero (o patrocínio), que fique uma parte reduzida'', contou o coordenador técnico da CBDA, Ricardo Moura. “Os Correios são importante para a CBDA, mas a CBDA é importante para os Correios.'' A parceria se iniciou em 1993 e o atual contrato se encerra em outubro.

Não é a única ameaça aos esportes aquáticos. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, avisou, em reunião no início da semana, que não há perspectivas animadoras sobre verbas de convênios para confederações. Os recursos para projetos esportivos – que inicialmente seria de R$ 150 milhões e foram cancelados – devem ser refeitos em valores bem menores.

Picciani informou que esse o total terá de ser dividido com verba para municípios, e manutenção do Parque Olímpico, custo que deve ser dividido com a prefeitura do Rio. O que sobrasse iria para projetos de preparação de atletas. “Só a manutenção do Parque deve dar uns R$ 100 milhões. O que vai sobrar?'', disse Moura.

No total, a receita da CBDA foi de R$ 44 milhões no ano passado. Desse total, R$ 38 milhões foram de patrocínios, incluindo os convênios do Ministério e os Correios. Ou seja, sobrariam uma pequena parte disso, verbas de patrocínios menores como o Bradesco e a Lei Piva, cerca de R$ 5 milhões.

Moura fala em “salvar o máximo possível''. Para os Jogos, ele disse já ter sofrido impacto na preparação dos atletas, embora tente minimizar o problema para não perder o foco na competição.

A situação da CBDA – que cuida do pólo aquático, natação, saltos ornamentais e maratona aquática – é similar a de outras confederações. O plano Brasil Medalhas 2016 -criado pela presidente afastada, Dilma Rousseff – tem perspectivas mínimas de continuidade após os Jogos.

O governo do presidente, Michel Temer, tem que cortar gastos diretos por conta do rombo no orçamento do governo, além dos investimentos estatais e de isenções. E as confederações nunca conseguiram viabilizar verbas privadas em volume suficiente para sua manutenção no futuro.


Governo não tem controle sobre verba olímpica, e paga até empresa suspeita
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Em reunião no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, admitiu a dirigentes que há problemas na fiscalização de recursos repassados para investimento no esporte olímpico e a municípios. Tanto que a pasta pediu ajuda para esse controle a outros órgãos do governo federal. Há uma investigação da Polícia Federal sobre possível desvio de verba do Ministério destinada às confederações.

Um dos temas da reunião de Picciani com dirigentes olímpicos foram exatamente esses convênios.  As confederações questionaram sobre a falta de liberação de dinheiro de projetos seja os que já estão assinados seja os que ainda não foram avaliados. Houve até o pedido para prioridade para convênios do basquete, atletismo, judô, tênis de mesa e tiro com arco – sendo esta última confederação envolvida nas suspeitas de desvios.

Além disso, as confederações apontaram que há projetos cujas prestações de contas estão há cinco anos na pasta e ainda não foram analisados pelo Ministério do Esporte. Há um prazo máximo de oito anos para concluir esse processo. Também foi questionado sobre a não aprovação de programas de lei de incentivo.

Em resposta, o ministro do Esporte explicou que há problemas porque existem 3 mil prestações de contas pendentes na pasta, incluindo verbas olímpicas e repassadas a municípios. As entidades que receberam os recursos já deram suas explicações à pasta, mas o ministério não conseguiu fazer as verificações pela equipe reduzida.

Picciani informou que já pediu ajuda da CGU (Controladoria Geral da União) e ao Ministério do Planejamento para tentar solucionar o problema. Há uma informação apurada pelo blog de que a equipe do Ministério do Esporte para fiscalizar repasses tem menos de 10 pessoas.

E a reportagem constatou que a SB Promoções, empresa que está no centro da suspeita de desvio de recursos no convênio, continua a receber pagamentos do Ministério apesar de dois anos de investigação da Polícia Federal. Seu último pagamento foi feito em 1o de julho há apenas 12 dias.

Questionado sobre suas afirmações na reunião, por meio de assessoria de imprensa, o ministro Picciani não respondeu as perguntas. Apenas informou que apresentou novos integrantes da pasta, Luiz Lima (secretário de esporte de alto rendimento) e Rogério Sampaio (da autoridade de dopagem).  “No encontro, o ministro colocou a equipe à disposição das entidades para discussão de projetos em geral, visando, também, ao próximo ciclo olímpico. O COB afirmou que não iria se manifestar sobre o assunto.


Por Jogos, prefeitura do Rio cede 5 km de praia e lagoa sem cobrar aluguel
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Júlio César Guimarães/Uol

Prédio para instalação de emissoras de televisão na Praia de Copacabana

Prédio para instalação de emissoras de televisão na Praia de Copacabana

Em nome da Olimpíada, a prefeitura do Rio de Janeiro cedeu pelo menos 5.350 metros quadrados em terreno público para privados em áreas nobres sem cobrar aluguel. São espaços nas praias de Copacabana e Ipanema que serão usados por redes de televisão e por países para promoção própria. Haverá uma contrapartida com obras de melhorias para comunidades locais, e com atividades para a população.

O terreno cedido pela prefeitura do Rio, na verdade, é maior. Não entra na conta dos 5 mil metros o espaço concedido ao Comitê Rio-2016 para a instalação da mega-loja com seus produtos na praia de Copacabana. A exploração é comercial e feita até por multinacionais patrocinadoras dos Jogos como a Samsung, que têm uma loja no local.

Para efeito de comparação, em Londres-2012, o Comitê Rio-2016 teve de pagar R$ 23 milhões pelo aluguel da Somerset House, em Londres, onde foi instalada a Casa Brasil para promoção do país e dos Jogos. O organismo foi responsável pela maior parte, mas governos municipal e Estadual bancaram, cada um, R$ 2 milhões. Ou seja, o que a prefeitura cede de graça agora no Rio, ela teve de pagar em 2012.

No Brasil, o município permitiu a instalação de dois estúdios de televisão que serão usadas por redes estrangeiras, um em Copacabana e outro em Ipanema. “Os estúdios de TV divulgarão internacionalmente imagens da cidade. Um terá como pano de fundo a Praia de Copacabana e a Arena de Vôlei de Praia. O outro, o Arpoador'', explicou a assessoria da Empresa Olímpica Municipal.

Redes como a NBC, que paga mais de US$ 1 bilhão ao Comitê Olímpico Internacional pela transmissão dos Jogos, serão beneficiadas. O espaço em Copacabana se estende do calçadão até a areia, com um prédio azul de três andares erguido e protegido por cercas. Em Ipanema, haverá uma contrapartida com a reforma da colônia de pescadores da Lagoa.

Haverá ainda cinco casas temáticas, da Suíça, Alemanha, Japão e Dinamarca, além da Federação Internacional de Vôlei. Três delas ficarão em espaços públicos como a Lagoa no caso da suíça, e duas em instalações municipais como uma escola.

“Não há uma cobrança de aluguel, mas as casas temáticas geram contrapartida para a cidade, além da exposição do Rio de Janeiro para aqueles países e o estreitamento de laços comerciais e culturais'', explicou a prefeitura carioca. Além disso, as contrapartidas são doação de legos, e 60 bicicletas, reforma de quadras municipais e de uma escola, além de financiamento de programação cultural.


Ironia: Maicon é contratado por Libertadores, mas a torna quase impossível
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Verdade é que, em condições iguais, o Atlético Nacional é um time superior ao São Paulo: mais técnico e de mais recursos. Mas não há um desequilíbrio a ponto de impedir a equipe brasileira de almejar a classificação. O ponto determinante para a vitória colombiana foi a expulsão do zagueiro Maicon que abriu espaço para os dois gols.

E foi um cartão vermelho justo? O árbitro Mauro Migliano foi extremamente rigoroso ao expulsar o jogador por um empurrão na cabeça do rival. Foi um exagero, mas não um absurdo. Não há porque um atleta da sua experiência agredir deliberadamente Borja.

Isso ainda se torna mais bizarro ao se lembrar que a diretoria do São Paulo esticou ao máximo sua corda financeira para contratar Maicon ao pagar 6 milhões de euros por ele. Era uma aposta na Libertadores. O título na competição sul-americana poderia pagar sua contratação.

E, com a derrota em casa, esse sonho se tornou bem mais difícil. O cenário complicado já se desenhava quando os dois times tinham 11 jogadores em campo.

O São Paulo não repetiu a blitz de outras partidas, diante de um adversário bem fechado e que sabia sair tocando a bola para evitar a pressão. Sem Ganso, contundido, ninguém assumia o protagonismo na criação de jogadas são-paulinas, com Wesley, Ytalo e Michel Bastos, mal.

Com o primeiro tempo controlado, e vendo que o rival ameaçava pouco, o Nacional saiu para o jogo no segundo tempo. Criou três chances seguidas, uma delas salva no pés de Maicon e outra pela trave. O São Paulo quase abriu o placar na falha do zagueiro colombiano que deixou Michel Bastos na cara do gol. Armani salvou.

E aí veio a expulsão de Maicon. Com espaço, o Nacional mostrou porque o trabalho de Rueda é elogiado e seus jogadores são desejados por vários times do mundo. Um toque envolvente resultou na conclusão de Borja livre no vazio na zaga deixado pelo capitão.

Edgardo Bauza poderia ter posto Lugano para fechar o setor. E foi punido outra vez por isso quando Marlos deu um passe de calcanhar para Borja fazer o segundo gol. Duro será para o São Paulo enfrentar esse belo time de novo, fora de casa, sem seu capitão, e precisando fazer pelo menos dois gols para levar para os pênaltis.