Blog do Rodrigo Mattos

Comissão de clubes da CBF reabre briga por cotas de tv e volta do mata-mata
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Durante a reunião do Conselho Técnico do Brasileiro, foi criada uma comissão de clubes para discutir itens do Nacional para o campeonato de 2016 – o deste ano já está decidido. Clubes como Grêmio, Vasco e outros menores fazem pressão para que se volte a discutir divisão de cotas de TV, e fórmula de campeonato. O Flamengo é um dos que resistem a ideia, e o Corinthians deve seguir a mesma linha.

O grupo será formado por oito times. Entre eles, o blog conseguiu confirmar Flamengo, Atlético-PR, Vasco, Coritiba, Santos e Grêmio. Para alguns cartolas, a divisão de dinheiro e o formato entram na agenda. Para outros, será apenas uma forma de continuar a discussão de medidas comuns como a legislação de dívidas

“Vão entrar todos esses assuntos, alteração de fórmula de campeonato, cotas de TV. A Globo admitiu que pode aceitar discutir novamente essa questão'', afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bozzan, defensor do mata-mata e de reduzir a vantagem de Flamengo e Corinthians nas cotas.

Ele disse não ser contra que os dois times de maiores torcidas recebam mais dinheiro, mas gostaria que a diferença deles para os outros fosse menor. “Não me importo com hierarquia. Mas não pode um receber R$ 100 milhões, R$ 110 milhões, e outros bem menos. Disputam o mesmo campeonato.'' O vascaíno Eurico Miranda é um dos maiores aliados neste pleito.

“Que eu saiba essa comissão não é para isso. Ela já existia'', rebateu o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. “A Globo só falou que, se fosse do interesse dos clubes, poderia rever. Cada clube tem o seu contrato. Se quiserem, podem disputar um outro campeonato só deles.''

O clube rubro-negro terá provavelmente ao seu lado o Corinthians. De volta ao alvinegro paulista, Andrés Sanchez é o idealizador dos contratos individuais de televisão que elevam os ganhos dos dois times de maior torcida. Ressalte-se que ambas as equipes têm um número muito maior de partidas transmitidas em TV Aberta em relação aos demais.

Outros clubes de porte médio como o Figueirense também se manifestaram a favor da revisão das cotas. A previsão, para 2016, é de que Flamengo e Corinthians aumentem suas fatias para um valor de cerca de R$ 170 milhões. Mas todos os outros também terão reajuste dentro de suas proporções.

Em relação ao mata-mata, Eurico Miranda também fez discurso favorável a volta das finais, assim como o gremista Bozzan quer pontos corridos com decisões e índices técnicos. Pelo seu estatuto, a CBF tem a prerrogativa de dar a palavra final sobre o assunto. Só há possibilidade de mudanças para 2016.


Brasileiro terá R$ 40,00 como mínimo para ingresso, mas com exceções
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O regulamento do Brasileiro terá como novidade um preço mínimo de ingressos de R$ 40,00, o que não existia anteriormente. Serão permitidas exceções e promoções em caso de autorização da CBF.

Até 2014, os clubes poderiam estabelecer livremente os preços. “Não vejo problema porque os clubes mantêm a possibilidade de estabelecer os seus valores, ao contrário do que ocorria no Estadual do Rio. Dá para a CBF autorizar preço menor'', afirmou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, envolvido em uma briga com a Ferj (Federação Estadual do Rio de Janeiro) por patamares de bilhetes.

Outros times da Série A não manifestaram contrariedade com a medida, que adota o padrão do Campeonato Paulista que também tem preço mínimo de R$ 40,00. O presidente do Figuenrese, Wilfredo Brillinguer, afirmou que adota valores um pouco maiores em seus jogos. “Mas em alguns usamos promoções.''

Mas equipes como o São Paulo, por exemplo, estabeleceram promoção como padrão para os jogos durante o Brasileiro-2014. Seus bilhetes mínimos estavam bem abaixo de R$ 40,00. Ou seja, teriam de pedir autorização a cada jogo.

Tags : Brasileiro


Nova ordem do COI reduz sedes do Rio-2016, mas economia é limitada
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Ao final do ano passado, o COI (Comitê Olímpico Internacional) estabeleceu novas determinações que incluem a redução de custos na organização da Olimpíada: foi a chamada Agenda 2020. Essa diretriz terá um impacto no Rio-2016 com a redução de arquibancadas temporárias em locais de competição, e da operação de transporte. Mas o efeito é bem menor do que em Tóquio-2020 que conseguiu significativa queda nas despesas com os Jogos.

O orçamento total da Rio-2016, no momento, é R$ 37 bilhões incluindo projetos de infraestrutura, sedes esportivas e operações do evento. O COI contribuirá com US$ 1,5 bilhão, e a parte do comitê organizador será toda bancada com dinheiro privado. Esse número não terá queda significativa apesar da nova diretriz do COI

“A esta altura, não há muito o que fazer. Estamos num estágio da preparação em que já não é possível mudar muita coisa. O que acontece é que a Agenda 2020 muda a atitude das pessoas e da família olímpica. Toda vez que há uma discussão, o debate também leva em conta essa nova política'', afirmou o diretor-executivo dos Jogos, Christophe Dubi.

Um exemplo é que o Comitê Rio-2016 conseguiu reduzir o tamanho da arquibancada temporária do remo de 10 mil lugares para 6 mil. Há a possibilidade de diminuição de outras sedes. Os planos de transporte também foram redimensionados para o evento.

“O COI está usando sedes menores. O número para o remo foi reduzido de 10 mil e 6 mil. Ainda não sei quais, mas haverá um número de ajustes para os tamanhos das sedes'', contou o vice-presidente do COI, Jonh Coates. “Algumas federações aceitaram sedes menores.''

Mas será impossível obter uma economia de US$ 1 bilhão como já ocorreu com Tóquio com quatro alterações de sedes, entre elas do remo. Há previsão ainda de revisões dos locais de competição no Japão de iatismo e ciclismo que representação outro corte significativo de gastos. A prioridade é encontrar sedes já existentes.

“O Rio já estava com os planos todos feitos e falta pouco para a Olimpíada. Para Tóquio, haverá uma economia maior. Mas acho que não expressamos direito o dinheiro que estamos investindo na cidade (no Rio), que é significativo'', analisou a Anita DeFrantz, membro do Comitê Executivo do COI e da comissão de finanças.

Com Vinicius Konchinski

 


COI troca chuta no traseiro da Fifa por diálogo na Olimpíada
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A comparação de efeitos positivos e negativos da Olimpíada e da Copa será uma tarefa para o final de 2016. O que já é possível constatar é uma diferença da atitude do COI (Comitê Olímpico Internacional) em relação ao Brasil em paralelo com o que fazia a Fifa por aqui. Os cartolas olímpicos trocaram o chute no traseiro do todo-poderoso do Mundial, Jérôme Valcke, por uma tentativa de diálogo com os segmentos da sociedade nacional.

Vamos aos fatos. Primeiro, o Rio de Janeiro está igualmente com calendário bastante apertado para conclusão de obras e promessas olímpicas, assim como a Copa. A visita do COI nesta semana deixou claro que, pelo andamento atual, há a possibilidade de se ver preparativos de última hora como ocorreu no Itaquerão antes da abertura do Mundial.

O presidente do COI, Thomas Bach, afirmou que espera apertar as mãos dos operários quando chegar para abertura. Foi rebatido pelo prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que prometeu concluir tudo antes. Criou uma aposta e sorriu. Até o vice do comitê, Jonh Coates, que chamou o Rio de pior preparação de todos os tempos, deu uma maneirada e agora vê progressos.

Até o final do Mundial, Valcke deixou claro que tudo seria no último minuto, e mostrava irritação a cada entrevista, mesmo que tenha evitado novos chutes no traseiro perto da Copa.

A intransigência da Fifa em relação aos projetos para estádio era outra característica. A entidade mandou autoridades públicas mudarem desenhos inteiros de arenas para acomodar suas placas de patrocinadores, entre outras medidas custosas. Ainda que de forma tímida, o COI reduz alguns projetos baseado em sua agenda 2020, que prevê Olimpíadas mais baratas.

Mais importante do que isso, é a abertura do comitê para o diálogo. Neste sábado, o hotel do comitê foi invadido por manifestadntes contra obras do campo de golfe olímpico. Eram cerca de 15 pessoas.

Foram recebidos pelo diretor de comunicação do COI. Em seguida, Bach desceu à porta do hotel para conversar com integrantes do projeto. Eles não quiseram diálogo e o hostilizaram. Antes, o cartola foi debater com estudantes.

Para ser justo, a Fifa marcou reuniões com comitês contra a Copa. Nenhuma das que ocorreram teve a presença de seus altos dirigentes. O presidente da entidade, Joseph Blatter, andava pelo Rio de Janeiro cercado por até sete carros de policiais e seguranças. Seu séquito o mantinha o mais longe possível de qualquer contato popular a ponto de haver barricadas nas portas de seus hotéis.

Não se afirma aqui que o COI é um enorme benfeitor do Brasil, e que a Olimpíada será um primor de legado para o Rio de Janeiro como discursos de políticos nos querem fazer crer. Há promessas como a limpeza da Baía de Guanabara claramente inviáveis. Mas, de fato, há por parte dos cartolas olímpicos uma intenção de entender os problemas da cidade e do país, e conversar com os segmentos envolvidos, para buscar soluções. Muito mais do que se podia dizer da Fifa.


Briga de CBF com patrocinador tem avião, acusação de traição e R$ 118 mi
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Uma briga na Justiça entre a CBF e a sua ex-patrocinadora Marfrig envolve a compra de aviões, acusação de traição e uma cobrança de cerca de R$ 100 milhões. O processo ao qual o blog teve acesso revela como a confederação inclui outros interesses que nada tem a ver com o futebol em acordo de marketing da seleção de 16 anos que deveria beneficiar o desenvolvimento do esporte.

O enredo começou em março de 2010 quando o então presidente da confederação Ricardo Teixeira assinou o contrato com a Marfrig. O valor total era de US$ 160 milhões. Com uma prorrogação assinada, o acordo era válido até 2026.

Só que esse montante não entraria integralmente para os cofres da CBF. No acordo, foi estabelecido que US$ 24 milhões seriam usados para a compra de duas aeronaves para a confederação. “Além do pagamento da remuneração trimetral (…), a Marfrig se obriga, perante a CBF, a adquirir (…) 1 helicóptero da escolha da CBF, bem como uma aeronave também a critério da CBF'', diz uma cláusulas do contrato.

Veja no texto como a CBF incluiu no contrato que a Mafrig tinha que lhe dar um helicóptero e um avião como parte do patrocínio

CBF incluiu no contrato que a Mafrig tinha que lhe dar um helicóptero e um avião pelo patrocínio

A justificativa era de que as aeronaves, que a confederação poderia escolher, seriam utilizadas no projeto da entidade para a Copa-2014 sem que fosse explicado como isso ocorreria. Teixeira tinha uma verdadeira obsessão por aviões. Já tinha comprado outro para a confederação anteriormente, e incluiu mais um em acordo com a Tam, como publicado em matéria da “Folha de S. Paulo''.

No caso da Marfrig, os veículos nunca foram compradas e agora a CBF cobra da empresa o dinheiro referente a elas, entre outros valores. Mas esse não era o único item bizarro do contrato da confederação.

Além de ingressos de jogos, tamanhos de marca em uniformes, e outros itens comuns a acordos, estava previsto que a empresa tinha direito a organizar um churrasco de “confraternização'' em amistoso da seleção “sempre que for viável e a critério da comissão técnica''. Ou seja, faria festas com jogadores. Nenhuma das partes quis explicar se as comemorações foram, de fato, realizadas.

Certo é que o clima azedou entre a Marfrig e a CBF a partir de 2012 quando começaram a atrasar as parcelas de patrocínio. A confederação notificou a empresa da interrupção de pagamentos. Houve uma negociação de acordo, mas este acabou rescindido e a entidade fechou com a BRF Foods. Aí, as versões dos dois lados são conflitantes.

A CBF afirmou que tentou receber várias vezes e, com a falta de pagamento, deu por rescindido o contrato em maio de 2013. Já a Marfrig alega que fez uma proposta de acordo, que foi aceita pela entidade. Mas, pelas suas costas, a confederação fechou com o rival.

“O fato é que, enquanto discutia com a Marfrig os termos para dar prosseguimento à parceira (…), a CBF negociava novo contrato de patrocínio para substituir o da embargante com um de seus maiores concorrentes, a Brasil Foods (BRF)'', acusa o advogado da Marfrig, que ainda fala em quebra de confidencialidade.

No total, a CBF cobra R$ 88,6 milhões da Marfrig por pagamentos não feitos, aviões não entregues e descumprimento de cláusulas do contrato. A Marfrig reconhece o débito, mas alega que o valor pedido é excessivo e alega ter direito a multa por quebra de confidencialidade.

Contrato entre Marfrig e CBF mostra que empresa podia fazer churrasco em amistoso da seleção desde que a comissão técnica autorizasse

Contrato entre Marfrig e CBF mostra que empresa podia fazer churrasco em amistoso da seleção desde que a comissão técnica autorizasse

O parecer do perito judicial é favorável à confederação. Ele estimou em R$ 118 milhões o valor devido pela empresa para a CBF, o que representaria, por exemplo, toda a renda de um ano de um clube como o Botafogo. O perito negou que a confederação tenha quebrado cláusulas de contrato, ou que tenha dito que aceitava proposta de pagamento e negociado pelas costas com a BRF Foods. A empresa contesta o laudo.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa da Marfrig informou que a empresa não iria se manifestar. O advogado da confederação, Carlos Eugênio Lopes, também silenciou:  “Não quero falar porque esse assunto está em juízo então é melhor não me manifestar'', contou ele.

Cálculo do perito judicial que estima em R$ 118 milhões a dívida da Marfrig com a CBF

Cálculo do perito judicial que estima em R$ 118 milhões a dívida da Marfrig com a CBF


São Paulo perde até R$ 2 mi com problemas de ingressos na Libertadores
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A série de problemas com a venda de ingressos provocou uma perda estimada de até R$ 2 milhões para o São Paulo na goleada contra o Danubio, primeiro do time no Morumbi nesta Libertadores. O valor é a diferença entre o que se ganhou com o público real presente (16.689 pagantes) com a expectativa inicial da diretoria do clube para a partida (em torno de 50 mil). Claro, a chuva forte que deixou a cidade com alagamentos também contribuiu para o esvaziamento do estádio.

Desde a semana passada, o torcedor são-paulino tem enfrentado um martírio para comprar bilhetes, com travas na comercialização na internet e na bilheteria. Houve ainda problemas com as catracas. A implantação de um novo sistema com a entrada de empresa Smartmove causou alguns dos obstáculos.

“O torcedor está puto com razão. A gente tem que pedir desculpas'', afirmou o diretor de marketing do São Paulo, Ruy Barbosa. “No futuro, a gente vai tentar compensar com alguma espécie de promoção.''

A renda do jogo ficou em R$ 1,107 milhão com um ingresso médio de R$ 66,35. Se houvesse mais 33 mil pessoas, o clube teria obtido outros R$ 2,2 milhões de bilheteria. A estimativa de 50 mil pessoas em estreia era otimista, visto que, em 2013, foram 31 mil contra o The Strongest. Se pelo menos esse público se repetisse, o clube ganharia R$ 1 milhão a mais. “O prejuízo foi muito grande'', disse Ruy, ainda antes do jogo.

O primeiro problema foi o atraso na chegada de catracas que vieram da Europa e ficaram emperradas. Depois, houve um corte na fibra ótica no jogo com o Audax. Até surgiu uma suspeita de sabotagem no caso.

Em seguida, ocorreram  questões com venda na internet para sócios-torcedores e não associados. Aí, o obstáculo foi causado por uma mal funcionamento da interação do site com uma empresa que valida os cartões de crédito. A operação, que deveria durar poucos segundos, chegou a demorar 4 horas. A empresa deve ser trocada.

Mais um terceiro problema foi a conexão entre o programa sócio-torcedor e o site em que são vendidos ingressos, o que levou os associados a só conseguir comprar na bilheteria em alguns casos.

“Toda vez que mudamos o sistema, pode ter um problema. Mas fizemos todo o possível para que estivesse tudo pronto, e as pessoas de tecnologia nos garantiram que funcionaria. Ninguém parou de trabalhar desde semana passada para tentar resolver'', explicou Barbosa. Não foi o suficiente. O São Paulo promete resolver tudo até a próxima partida da Libertadores no estádio.


Após Copa, dívida do Corinthians com Odebrecht explode e atinge R$ 397 mi
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Apesar do fim da maior parte das obras, a dívida do Corinthians com a Odebrecht pela construção do Itaquerão cresceu após a Copa-2014 e atingiu o valor de R$ 397 milhões. É o que mostram documentos do fundo gestor do estádio obtidos pelo blog. Isso explica o desespero da diretoria do clube ao afirmar que o débito está se tornando “insustentável'' em nota que culpou a prefeitura de São Paulo.

O plano era que a construção da arena corintiana tivesse pelo menos três fontes de financiamento: CIDs (Certificado de Incentivos de Desenvolvimento) do município e empréstimos do BNDES e de bancos, a serem pagos pelo clube. Mas não foi possível obter os recursos dos títulos da prefeitura e as obras e instalações saíram bem mais caras do que esperado – o valor final está em R$ 1,150 bilhão.

No início do ano passado, o fundo do estádio tinha um débito crescente que atingiu R$ 387 milhões registrados como “outros valores a pagar'' em março de 2014, segundo relatório mensal. Esse montante é composto de dívida com a construtora.

Mas, enfim, saiu o dinheiro do BNDES, que totalizaria R$ 400 milhões a serem pagos em mais de 10 anos. Foi um alívio e o débito chegou a cair a R$ 144 milhões em junho de 2014, mês de Copa. Pelo menos é o que mostrava o relatório mensal.

Mas o balanço anual consolidado para o período de 2013 a junho de 2014 já registrou um débito reajustado de R$ 317 milhões “junto à Construtora Norberto Odebrecht referentes aos custos de construção da Arena''. O grosso das obras acabou e a Copa foi concluída, mas o débito não parou de crescer.

O último relatório mensal do fundo aponta um total de R$ 397,5 milhões a ser quitado com a Odebrecht. Pelo acompanhamento dos relatórios mensais, houve um aumento de R$ 253 milhões em seis meses. Mesmo na comparação com o balanço anual, que consolidou valores, o crescimento é de R$ 80 milhões no período, R$ 13 milhões por mês.

Como foi reduzido o volume de obras após a Copa, apenas adaptações, o principal fator para explicar essa explosão são os juros. O Corinthians falou em R$ 80 milhões em nota contra a prefeitura. Mas, internamente, há funcionários do clube que  dizem que os juros já representam mais de R$ 100 milhões de custo. Em relação à construção, há uma briga entre a empreiteira e o clube sobre reais valores da obra.

A Odebrecht e o Corinthians foram questionados pelo blog sobre o alto crescimento do débito, mas não responderam nesta terça-feira. O problema é que a dívida só tende a crescer sem limites visto que não há perspectiva no momento de vender os CIDs, com uma ação judicial em curso.

Toda a renda do estádio é usada para quitar o empréstimos com o BNDES, que está registrado como débito pela Arena Itaquera S. A., acionista do fundo que realizou a operação. Outra parte do dinheiro é levantada em bancos, e outra de recursos da construtora. Uma informação do clube é de que os juros giram em torno de 2,5% ao mês.

Incluído o dinheiro dado pelo banco estatal, o débito corintiano pelo estádio já atingiu R$ 800 milhões no total. Se o débito com o BNDES não for pago, a Caixa Econômica Federal pode excluir o Corinthians do controle da arena. Caso o débito privado não seja quitado, a Odebrecht pode vender ações do fundo para quem quiser, tirando a possibilidade de o clube ter a propriedade.


Flamengo avisa Luxemburgo que não pagará seu salário por ordem judicial
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O Flamengo avisou o técnico Vanderlei Luxemburgo que não poderá pagar a maior parte de seus salários por conta de uma ordem judicial em favor do ex-jogador Edmundo para que os valores sejam depositados em juízo. Uma parte dos vencimentos do treinador estão penhorados desde o ano passado. Ele recorreu, mas os pagamentos estão suspensos desde 15 de janeiro.

Edmundo processou Luxemburgo por dois cheques não quitados em um processo que se arrasta há quase dez anos. O valor já chegou a R$ 2,8 milhões com juros, e não houve acordo. Em novembro, a Justiça determinou  a penhora da parte do salário do Flamengo que excedesse R$ 108 mil.

Intimado em janeiro a depositar os valores em juízo, o clube notificou à WL Sports SS LTDA, empresa do treinador, que a Justiça “determinou o depósito em juízo de todos os pagamentos devidos à VSas até o montante de R$ 2,841 milhões''. Assim, o Flamengo explicou que qualquer valor em nota emitida a partir de 15 de janeiro seria depositado na Justiça. “Somente serão pagas em caso de nova decisão judicial que suspenda ou reforme os efeitos da penhora'', completou o documento de 5 de fevereiro de 2015.

“Tem que cumprir a decisão judicial. O Flamengo não descumprirá uma decisão. Não cabia ao clube outra coisa, e apenas comunicamos isso à empresa. “, afirmou o vice-presidente Jurídico do Flamengo, Flávio Willeman. “Se existe atraso de salário por causa disso ou não, não sei. Sei que não houve nenhum depósito judicial ainda.''

De fato, o advogado de Edmundo Luiz Roberto Leven Siano já pediu que o dinheiro seja depositado e quer uma multa de R$ 500 mil diária para o Flamengo caso isso não aconteça. Só que não há uma decisão da Justiça para essa reivindicação. “Se a juíza aceitar o pedido, a multa passa a valer a partir daí'', contou o advogado.

De propriedade de Luxemburgo e de sua mulher, a WL SPorts SS Ltda entrou com um recurso na Justiça, alegando estar sendo prejudicada pela decisão e pedindo a liberação da penhora. Só que o recurso foi rejeitado. O advogado de Luxemburgo, Marcos Paulo Vieira, afirmou que não poderia falar sobre o caso com o blog por conta do sigilo com seu cliente.

Segundo Leven Siano, está marcada uma audiência de conciliação entre Edmundo e Luxemburgo para a próxima sexta-feira, em que, possivelmente, os dois estarão frente a frente. Já houve outras tentativas de acordos sem sucesso. A diferença é que, agora, de fato os a maior parte dos rendimentos de Luxemburgo está retido.


Flu x Vasco tem pior público em clássicos do Rio em 22 meses
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O Estadual do Rio de 2015 conseguiu mais uma marca negativa: Fluminense e Vasco protagonizaram no Engenhão o pior público em clássico em 22 meses. E só superaram confrontos entre os times grandes que ocorreram em Volta Redonda, em cidade e estádio bem menores. Foi o que constatou um levantamento do blog em competições oficiais relevantes.

O público do primeiro clássico deste Estadual foi de 7.338 pagantes, com 8.658 de presentes. Ocuparam metade da capacidade do estádio que tinha vários setores fechados por conta de reformas – foram postos à venda cerca de 17 mil ingressos. Lembrança: o jogo teve seu local trocado porque os clubes não chegaram a um acordo sobre o lado da arquibancada que usariam no Maracanã.

Disputado na cidade do interior do Rio, pois Engenhão e Maracanã estavam fechados para reformas em abril de 2013, o Fla-Flu teve apenas 4.810 pagantes, com 5.973 presentes. Pouco antes, Botafogo x Vasco, no mesmo estádio, também teve fracasso similar.

São bem raros os casos de clássicos cariocas abaixo de 10 mil pessoas nestes últimos dois anos. Dois deles ocorreram fora do Estado, Florianópolis (Flu x Vasco, Ressacada) e Recife (Flu x Botafogo, na Arena Pernambuco). Outro caso foi o primeiro confronto entre grandes no Estadual de 2013: Botafogo e Fluminense teve 7.367 pagantes, quase igual a este domingo.

De qualquer maneira, é notável perceber que foram 31 clássicos seguidos com públicos superiores ao primeiro deste Estadual de 2015. Não é que os cariocas tenham desistido de seus times: mostram desencanto com o Estadual. Tanto que há várias boas presenças de torcidas em confrontos entre grandes pelo Brasileiro, em jogos que giram entre 30 mil e 60 mil.

Pelo que ocorreu, os torcedores que ficaram longe do Engenhão fizeram bem. Dora do estádio, organizadas vascaínas e tricolores se enfrentaram em brigas que provocaram cerca de 100 presos e um clima tenso constante nos arredores da arena. Dentro, sobraram erros da arbitragem da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).


Corinthians sabe do risco dos CIDs do Itaquerão, revela documento
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O Corinthians e a Odebrecht têm consciência do risco em relação à operação dos CIDs (Certificados de Incentivos ao Desenvolvimento) para a construção no Itaquerão. Documento do fundo cita entre os fatores de riscos do estádio os incentivos fiscais. Em seguida, considera remota a possibilidade de não poder usar os títulos.

Na sexta-feira, o clube soltou nota culpando a prefeitura de São Paulo por não poder usar os CIDs na arena, e diz que o débito total está se tornando insustentável. Os administradores do estádio não conseguem negociar os títulos por conta de uma ação judicial do Ministério Público que questiona sua legalidade. Assim, o Corinthians quer que o município recompre os títulos, ou os garanta. Mas o  prefeito Fernando Haddad rejeita a operação porque técnicos a consideram ilegal.

No relatório do fundo do Itaquerão para 2013/2014, o clube explica, entre os fatores de risco, que a obra levou em conta a desoneração de impostos por parte da União (dada a estádios da Copa) e os CIDs. E acrescenta que os títulos estavam vinculados à conclusão da arena antes da abertura da Copa, o que ocorreu em parte.

Na sequência, o relatório relaciona a ação judicial movida pelo MP contra Gilberto Kassab, a prefeitura, o fundo, Corinthians e Odebrecht. “A possibilidade de perda é remota'', diz o documento, com base no posicionamento dos advogados da empresa. O escritório de advocacia baseia-se em processos similares que não teriam sido bem sucedidos.

O problema é que, mesmo que o clube ganhe a ação, haverá uma insegurança jurídica até ela ser concluída, o que dificultará a venda dos títulos. Com isso, a dívida com juros bancários cresce. O MP estima em dois anos o prazo para o fim da ação.

Até o meio de 2014, tinham sido emitidos R$ 346 milhões CIDs, valor que subiu para R$ 405 milhões após a Copa. Segundo posição da prefeitura, esses títulos já podem ser negociados no mercado. O Corintihans esparava um ágio de 5% nos CIDs se conseguisse vender.