Blog do Rodrigo Mattos

Por que brasileiros preferem investir no futebol dos EUA do que no Brasil?
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Empresários brasileiros já controlam três times de futebol nos EUA, sendo dois deles comprados neste ano. O investimento nacional cresce no país norte-americano enquanto minguam recursos por aqui. Qual a explicação dessa migração de capital do Brasil para um futebol menos desenvolvido? Foi atrás dessas repostas que o blog conversou com responsáveis por times e por uma das ligas, e fará duas reportagens sobre o tema.

Primeiro, expliquemos que são duas ligas: a maior a MLS (Major League Soccer) e a mais recente NASL (Northe American Soccer League). A segunda tem como sócio majoritário a Traffic, grupo com sede brasileira, além de participação de empresários nacionais no Fort Laudardale Strikers (no qual Ronaldo se tornou sócio) e no Caroline Railhawk (da própria Traffic). Além disso, há o Orlando Soccer City, que foi comprado pelo brasileiro Flávio Augusto da Silva e contará com Kaká.

É preciso que se diga que o futebol nos EUA ainda não é um grande negócio. O que leva os brasileiros para lá é o potencial de crescimento visto que há um público numeroso fã do esporte e poucos times.

“Ainda não é um negócio rentável. A maioria dos times da MLS perde dinheiro, as equipes da NASL também perdem. Há exceções como Seattle na MLS ou o San Antonio Scorpions na NASL, entre outros motivos porque não têm tanta concorrência local de outros esportes. A questão é que queremos crescer de forma orgânica na nossa liga'', explicou Stefano Hawilla, filho de J. Hawilla e diretor-executivo da Traffic.

Sua empresa detém cerca de 60% das ações da liga, mas esse percentual deve cair para que seja mais dividido entre os clubes. Essa é uma realidade bem diferente de outros países: as equipes são donas de partes da liga, e todas têm participação no conselho onde se tomam decisões sobre os seus caminhos. A Federação Norte Americana (correspondente a CBF) apenas manda os árbitros.

Em suas decisões conjuntas, os clubes costumam se ajudar como conta Ricardo Geromel, que é um dos sócios com Ronaldo do Strikers. Ele contou que antes de tomar a decisão de comprar o time da Traffic se reuniu pelo menos duas vezes com cada um dos donos das outras equipes, que o ajudaram a entender o panorama local. “A liga trabalha para nós, para ajudar os nossos times a crescerem – e não o contrário'', analisou.

Não é só isso. Geromel, que tem um irmão jogando como zagueiro no Grêmio, explicou que o ambiente nos EUA é bem mais propício para fazer negócios. Um aspecto é a questão de legislação trabalhista e tributária, mais cara e complicada em território nacional. Há ainda um problema sério de confiança na honestidade dos participantes do esporte no Brasil.

“Consideramos que o futebol profissional brasileiro não apresenta uma opcão com significativo retorno no investimento – a não ser que você esteja disposto a sujar as mãos e não seguir todas as regras do jogo. Aliás, os clubes brasileiros não são instituições com fins lucrativos. Oficialmente, os clubes nem têm donos, apesar de alguns casos algumas águias se apoderarem e fazerem parecer seu próprio quintal.  O Paulo Cesso (um dos sócios no Strikers) chegou a ser dono de uma equipe em Guarulhos, mas tomou tanto chapéu e não foi um investimento com bom retorno'', contou o economista.

Sua declaração e a de outros donos de time deixam claro que o objetivo do futebol nos EUA é obter lucro e operar como uma empresa. Para isso, é preciso potencializar receitas, e minimizar gastos. E quais são as rendas dos times e ligas americanos?

As receitas dos jogos e de patrocínios são as principais no momento, isto é, ingressos e parceiros, mas não na camisa do time. A MLS tem uma média de público de aproximadamente 20 mil, acima do Brasileiro. Criada em 2011, a NASL tem uma média de 6 mil, parecida da Série B do Brasileiro. Ambas têm crescido a cada ano – elas não têm nenhuma conexão, e os times só jogam entre si na Copa organizada pela federação.

O investimento para se comprar um time é baixo no caso da NASL, e alto na MLS – o Orlando foi comprado por US$ 100 milhões. Mas os custos com salários não são altos se comparados com qualquer lugar do mundo, com exceção dos astros como Raul, que foi jogar no New York Cosmos, ex-time de Pelé e membro da NASL, ou Kaká.

Se tem patrocínio e ingressos, os clubes ainda não têm receita de televisão significativa na nova liga. “Estamos chegando em nossa quarta temporada e os ingressos têm crescido a cada ano. Por enquanto, os clubes têm contratos com televisões locais a cabo. Mas, quando a liga crescer mais em times, vamos procurar contratos com televisão'', contou Bill Peterson, chefe da NASL (o nome do cargo é comissioner).

Os EUA já foi o segundo maior comprador de ingressos para a Copa-2014, atrás apenas do Brasil. O interesse pelo futebol no país é crescente como ficou demonstrado pela mobilização da população durante o Mundial. Há uma organização de negócios em estruturação para explorar esse potencial. Por isso até brasileiros desistiram do “país do futebol'' para botar seu dinheiro por lá.


Fla denuncia Sport à Fifa na briga por título de 1987, e rival ironiza
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A diretoria do Flamengo entrou com uma denúncia na Fifa contra o Sport por ter recorrido à Justiça comum na disputa pelo título Brasileiro de 1987. A notícia saiu na coluna de Lauro Jardim, na Veja, e foi confirmada ao blog pelo presidente do time rubro-negro carioca, Eduardo Bandeira de Mello. O clube pernambucano reagiu com ironia à medida.

O Flamengo ganhou o módulo verde da Copa União, que reunia os principais times do país. O Sport ganhou o módulo amarelo, uma espécie de segunda divisão. A CBF mudou o regulamento durante o campeonato, e impôs um confronto entre os dois pelo título brasileiro, o que não foi aceito pelos cariocas. A Justiça deu o título à equipe pernambucana, mas a CBF decidiu por dividi-lo após várias reviravoltas.

Um relatório do departamento jurídico do Flamengo afirmou que o clube entrou com um pedido de inquérito para “apurar conduta ilegal do referido clube pernambucano, que não esgotou as instâncias desportivas e buscou suporte na justiça comum, o que é terminantemente proibido pelas normas da entidade máxima do futebol profissional (FIFA)''. Isso está previsto no Estatuto da Fifa, mas vários clubes já foram à Justiça.

O presidente do Sport, João Humberto Martorelli, disse não ter conhecimento sobre o processo, e que esperaria o seu time ser notificado antes de tomar alguma medida. Mas provocou os cariocas:

“Isso é uma história que vai e vem do Flamengo e já fomos à Fifa não tinha nada. Essa é uma questão decidida na Justiça e ganhamos. O que o Flamengo faz é usar o “juris sperdiandis'', ou seja, fica esperneando por ai'', disse o cartola pernambucano.

Há ainda intenção da diretoria do time rubro-negro carioca de novas medidas no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e o no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar mudar a decisão em favor do Sport. Mas isso é difícil visto que a sentença em favor do time pernambucano transitou em julgado.


Com rombo de R$ 60 mi, Corinthians prevê vender R$ 38 mi em atletas em 2015
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Com um buraco nas contas neste ano, o Corinthians fechou um orçamento apertado para 2015 com baixo valor para contratações e a previsão de venda de R$ 38 milhões em jogadores. Os números foram aprovados na segunda-feira em reunião entre conselheiros. Haverá redução no investimento, mas continua a gastança com a folha salarial.

Até outubro deste ano o clube alvinegro tem um déficit operacional que já atingiu R$ 60 milhões, segundo o balancete. Há três explicações: as receitas abaixo do esperado e gastos muito acima do previsto com contratações e salários de jogadores. Para se ter ideia, foram investidos R$ 38 milhões em atletas, o quádruplo do orçado.

A verdade é que a diretoria do futebol contratou atletas sem sequer consultar o financeiro para saber se havia caixa suficiente. Negociações durante 2014 foram feitas sem nenhum respeito ao orçamento, segundo apurou o blog.

A consequência será sentida no próximo ano. Apesar das promessas do candidato de situação Roberto Andrade, só estão previstos R$ 10 milhões para contratações de jogadores, um valor que sequer dá para pagar as luvas pedidas por Paolo Guerrero para renovar o seu contrato.

Em compensação, há necessidade de vender atletas: são R$ 38 milhões de receitas estimadas com esse item. Para isso, o clube terá de repetir o desempenho deste ano em que negociou R$ 40 milhões em jogadores até agora. O problema é que jovens como Malcom têm apenas uma pequena parte de seus direitos pertencentes ao alvinegro.

No geral, o orçamento tem um a receita bruta de R$ 234 milhões, bem inferior ao previsto pelo São Paulo (R$ 284 milhões) e o Flamengo (R$ 360 milhões). O Corinthians costuma, de fato, fazer uma estimativa mais conservadora, e esta é similar a de 2014. Mas, na atual temporada, o clube sequer vai atingir a renda reduzida prevista, pois ganhou apenas R$ 176 milhões até outubro.

Nos dois anos, uma das principais questões é a falta de renda de bilheteria que ficará com o fundo para pagar o Itaquerão. As outras receitas se mantêm estagnadas ou com pequeno crescimento como a televisão. O superávit previsto é em torno de R$ 500 mil, um cenário mais otimista do que os R$ 50 milhões de déficit estimados pelo São Paulo.

Apesar de todos esses buracos, o Corinthians prevê um aumento, abaixo da inflação, para seus gastos com salários, mas um expressivo salto das despesas com direitos de imagem de jogadores. O valor orçado em 2014 era R$ 21 milhões e passará para R$ 30 milhões no próximo ano.

Em resumo, não dá para o torcedor sonhar com uma Libertadores com o time recheado de novos e caros jogadores. O técnico Tite terá dificuldade de contar com reforços a não ser que os dirigentes resolvam gastar o que não tem, de novo, como na última temporada.


Gambiarra na Câmara dá benefício a clubes, e governo se divide sobre veto
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Com uma gambiarra em texto de medida provisória, a Câmara dos Deputados aprovou o refinanciamento das dívidas dos clubes com enormes descontos e nenhuma contrapartida. Só que agora há uma divisão no governo federal sobre o veto ou não a esse benefício aos times.

Há meses setores do governo, Bom Senso FC e cartolas têm negociado um texto de consenso para solução dos débitos das equipes de futebol que gira em torno de R$ 4 bilhões. Na noite de terça-feira, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) incluiu o financiamento na MP 656 sobre legislação tributária, que foi aprovada na sessão. Na tarde de quarta-feira, foi votada a última emenda sobre o assunto. E, agora, o texto irá para o Senado.

Só há um artigo sobre o futebol, o 142, que prevê que os clubes terão 20 anos para pagar as dívidas, com descontos de 70% das multas, 30% dos juros e 100% do encargo. Em troca, não terão de fazer nada. Não há nenhuma previsão de punição para quem não pagar os parcelamentos fiscais ou pendências trabalhistas como negociado.

“Desse jeito, os clubes não têm nenhuma contrapartida e vai se repetir o que gerou o problema das dívidas'', afirmou o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), que era relator da proposta inicial. “Tem que haver a previsão de rebaixamento no caso do não pagamento da dívida.''

No governo federal, há uma divisão sobre o tema. “O Ministério do Esporte defende as contrapartidas. Vamos propor que seja feita outra MP com as contrapartidas'', disse o secretário de futebol do Ministério do Esporte, Toninho Nascimento. Mas a pasta não é contra o texto aprovado.

O Ministério da Fazenda, no entanto, quer condições mais duras com 204 meses para pagamento, e uma entrada de 10%. Fora isso, o Bom Senso pede à Casa Civil a inclusão das contrapartidas com rebaixamento, e perdas de pontos por falta de pagamento de débitos com o governo ou com jogadores. Por isso, há um setor do governo que defende o veto dessa gambiarra para o futebol no meio da MP.


Justiça penhora parte do salário de Luxemburgo no Fla para pagar Edmundo
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A Justiça determinou a penhora de parte do salário do técnico Vanderlei Luxemburgo no Flamengo para pagamento de uma dívida com o ex-jogador e comentarista Edmundo. Pela decisão, o clube terá de depositar em juízo a maior parte dos vencimentos do treinador. Nem o técnico, nem seus advogados foram encontrados para falar sobre o tema.

O processo entre Edmundo e Luxemburgo é antigo e refere-se a cheques sem fundos dados pelo comandante rubro-negro para o ex-atleta em um total de R$ 400 mil. Desde 2007, viraram ação judicial de cobrança e se transformaram em R$ 2,8 milhões em débitos, já que pouco foi obtido com penhoras e houve juros. Fracassou uma tentativa de acordo entre as partes no segundo semestre de 2014.

Por isso, no início de outubro, advogados do ex-jogador entraram com um pedido de penhora dos salários ou recebimentos do treinador que excedessem 150 mínimos (R$ 108 mil). Como seus vencimentos giram em torno de R$ 300 mil, isso significaria retenção de cerca de R$ 200 mil.

O pedido alega que Luxemburgo frauda a execução desde 2007, pois nunca há dinheiro em sua conta ou na da sua empresa WL Sports. A Justiça já determinou quatro vezes a penhora de salários do treinador, no Grêmio, no Fluminense e no próprio Flamengo. Em todas as ocasiões, a decisão chegou tarde demais pela morosidade judicial e Luxemburgo já tinha sido demitido.

Desta vez, a penhora ocorreu em 12 de novembro, determinada pela juíza Simone Chevrand, da 25a Vara Cível. O departamento jurídico do Flamengo, no entanto, informou ainda não ter sido intimado da decisão, nem ter conhecimento do caso que é pessoal do treinador.

O advogado de Edmundo, Luiz Roberto Leven Siano, reclamou da Justiça pela demora em emitir um mandado com este fim. “Estaremos aguardando o Flamengo ser intimado na pessoa de seu representante legal e o descumprimento pode levar a sanções civis e penais ao Flamengo e seu presidente'', afirmou o advogado.

O representante de Edmundo quer verificar declarações de renda da mulher de Luxemburgo, dele e do clube para saber se há alguma fraude no pagamento ao treinador por meio de caixa dois. Como o time rubro-negro sequer foi intimado da decisão, não há como ter cometido nenhuma irregularidade até o momento. A atual diretoria do Flamengo tem cumprido sentenças judiciais.

O blog procurou o advogado de Luxemburgo Alexandre Barreira de Oliveira durante a tarde inteira sem que seus telefones funcionassem. A assessoria de imprensa do técnico informou que tinha dificuldade para encontrá-lo. Por meio de nota, nesta terça-feira, o treinador informou que continua no time rubro-negro até o final de 2015, recusando sondagem do Internacional. Desta vez, a penhora foi determinada antes de sua saída do clube.

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Por influência de tvs, Bolt corre finais da Rio-2016 após novela da Globo
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Traçado com as influências da NBC e da TV Globo, o cronograma de atletismo dos Jogos Rio-2016 teve as provas nobres, as finais de velocidade, marcadas para depois do horário da novela da emissora carioca. Em resumo, Usain Bolt, uma das maiores estrelas do evento, só correrá após o programa global. Os horários foram divulgados pela Iaaf (Federação Internacional de Atletismo).

As provas finais do velocista jamaicano ocorrerão por volta de 22h30 em uma quinta-feira, sexta-feira e no domingo, quando haverá a prova mais atrativa do atletismo – a final de 100 m. As corridas de velocidade feminina, 100m e 200m, serão também depois das 22h30. Em comparação, em Londres-2012, Bolt obteve suas medalhas em eventos entre 21 horas e 22 horas.

O blog apurou que os horários foram acertados em reuniões entre as tvs detentoras dos direitos, membros da IAAF e do Comitê Organizador-2016. Quem tem o maior poder no processo é a NBC, que paga a maior fatia da dinheiro por transmissões olímpicas. O que a emissora americana queria era que as provas fossem no horário nobre de Nova Iorque, uma hora a menos do que o Rio de Janeiro.

Mas a Globo também teve voz ativa no processo, e todas as principais competições ficaram para depois das 22 horas. Fatores como o calor também foram levados em conta. Como surpresa, foram marcadas finais para de manhã.

Não é o primeiro caso de eventos nobres da Rio-2016 mais tarde e ajustados a programação global. A Fina (Federação Internacional de Natação) já marcou para entre 22 horas e meia noite as finais das provas aquáticas. Ou seja, também evita o horário da novela da Globo.

O blog tentou ouvir executivos da emissora carioca sobre o horário do atletismo, mas não obteve sucesso.


Arena Palmeiras tem custo igual a Itaquerão, e ingresso mais caro
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A realização do segundo jogo na Arena Palmeiras mostrou que o estádio deve ter um custo de operação similar ao Itaquerão. Pelo menos foi assim no final de semana em partidas de portes iguais. A diferença está no ingresso, mais caro no novo estádio palmeirense.

A estreia da casa alviverde não servia tanto como parâmetro porque era a primeira operação: clube e W/Torre ainda estavam se ajustando e houve problemas, além do preço ser inflado. Para o segundo jogo, aumentou o staff que trabalhou no estádio, e foram feitas outras alterações. A despesa caiu um pouco, mas percentualmente foi maior do que na primeira partida.

Vamos aos números. O Palmeiras arrecadou R$ 2,976 milhões, com um sobra de R$ 1,9 milhão após as despesas. O Corinthians teve uma renda de R$ 2,7 milhões, o que resultou em R$ 1,757 milhão para os seus cofres. Ambos tiveram uma renda líquida de 64% após os custos.

Pessoas do staff da Arena Palmeiras afirmaram que ainda há bastante espaço para ajustes, embora tenham ficado mais satisfeitos com a operação do segundo jogo do que com a do primeiro. As despesas só do estádio giraram em torno de R$ 500 mil.

No Itaquerão, ainda há a intenção de melhorar a operação. “Quero reduzir as despesas com jogos em que há menor público'', explicou o gestor da arena Lúcio Blanco. As despesas apenas do estádio ficaram em R$ 542 mil.

Quando entra muito dinheiro, é bem mais fácil manter baixo o patamar percentual de custo de operação. Veja o caso da estreia da casa alviverde com arrecadação de quase R$ 5 milhões, e gasto de R$ 1,2 milhão. Só que o Palmeiras não poderá cobrar preços iguais aos da abertura em todas as partidas, assim como o Corinthians também já fez uma redução nos bilhetes.

O ingresso palmeirense tem um valor mais alto do que o do rival, que tantos protestos gera da torcida corintiana. O bilhete do Palmeiras custou R$ 89,00 em média neste segundo jogo, após redução em relação à estreia. Já o ingresso corintiano saiu por R$ 72 – os valores do Itaquerão têm girado em torno desse número.

Se for feita uma comparação entre as duas estreias, a diferença de preço se torna ainda maior. Na Arena Palmeiras, o primeiro jogou teve preço médio de R$ 136,8, na partida diante do Atlético-PR. No Itaquerão, esse valor ficou em R$ 83,9 no jogo contra o Figueirense.

A distância de preços começa pelo bilhete mais barato que é de R$ 50,00 no estádio corintiano, e foi R$ 60,00 no palmeirense na última partida. Resta saber se esses valores serão mantidos na próxima temporada e se o torcedor alviverde apresentará média de público similar mesmo pagando mais.


Corinthians exibe bate-bola no vestiário para vender camarotes do Itaquerão
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O Corinthians passou a dar acesso a torcedores ao aquecimento dos jogadores no vestiário antes da partida para atrair compradores dos camarotes do Itaquerão. Esse programa já estava previsto na construção do estádio, mas só começou no último final de semana, na rodada final do Brasileiro contra o Criciúma.

Foi construído um espaço em que os torcedores têm uma arquibancada para sentar, com uma divisória de vidro para o gramado em que os atletas batem bola antes da partida. O clube escolheu alguns representantes de empresas para fazerem um teste. Os atletas não ficaram incomodados e realizaram toda sua preparação no local.

“Foi um evento para empresários. Apresentamos os camarotes e esse é um dos direitos dos donos: poder assistir ao aquecimento. Faz parte do plano de negócios e serviços da arena'', contou Lúcio Blanco, gestor da operação do Itaquerão.

Com o setor oeste mais incrementado, já existem serviços de restaurantes, o clube intensifica o seu plano para arrecadar com os Vips. Até porque é necessário aumentar consideravelmente a renda da arena para começar a pagar o financiamento público do BNDES e os empréstimos de bancos privados.

A ala oeste sempre foi apontada como a joia da coroa do Itaquerão. Só que, com a atraso para ficar pronta após a Copa-2014, a venda dos lugares desse prédio demora mais do que o planejado. Ainda não houve negociação de assentos Vips por temporada. Já foram comercializados alguns camarotes, embora Blanco não saiba dizer quantos. São 89 deles em todo o estádio


Inter depende de investidor para ter Guerrero, mas não desiste
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As declarações públicas dos agentes de Paolo Guerrero de que não jogaria em outro time do Brasil além do Corinthians não acabaram com as esperanças do Internacional de contar com o atacante. Mas há dois fatores decisivos para o time voltar a tentar o jogador: a disposição de investidores em botar dinheiro na negociação e a vontade do novo presidente Vitório Píffero.

Nesta sábado, Marcelo Medeiros e Píffero disputaram a presidência do clube. Candidato de situação derrotado, Medeiros foi quem iniciou as conversas para contratar o atacante. Sua corrente sabe que a negociação é complicada, mas o nome dele faz parte de um pacote de reforços da Libertadores. A pretensão foi vazada em meio à disputa eleitoral, o que gerou críticas da oposição.

“Foi um dos melhores do último Brasileiro. Estamos tentando ver a viabilidade (Guerrero), mas sabemos que é difícil'', contou o diretor de futebol colorado Eduardo Lacher, que diz que nada foi fechado antes da eleição. Questionado se os agentes deram uma negativa ao Inter, ele se recusou a falar: “As conversas são sigilosas.''

Mas o pleito não era o único obstáculo. O Inter procurou o grupo DIS, cujo dono Delcir Sonda é torcedor do colorado, para obter dinheiro para o pacote de reforços. O blog apurou que a proposta do clube colorado é ceder parte dos direitos de oito atletas para ter recursos para investir em novos reforços. Lacher disse não ter ouvido falar dessa possibilidade.

De qualquer maneira, todos os fundos estão receosos de investir mais com o veto da Fifa de terceiros terem direitos sobre os jogadores. Há uma expectativa de o tema ser regulado no próximo ano com a proibição de novos negócios. Neste cenário, surge uma incerteza sobre a remuneração dos fundos que colocarem recursos agora em atletas.

Pelo carinho de Sonda pelo Inter, ainda há a possibilidade de o fundo se arriscar. A relação do DIS com Vitório Píffero também é boa pois fizeram negócios quando ele era presidente. Resta saber se ele também se interessará por Guerrero – o blog não conseguiu falar com o cartola.

A realidade é que, sem o fundo, o clube gaúcho não tem condições de bancar sozinho o pacote de reforços, nem Guerrero, cuja pedida para o Corinthians é de US$ 7 milhões de luvas. Para se ter uma ideia, o último balancete colorado, de junho de 2014, registrava uma dívida de quase R$ 100 milhões por negociações de jogadores.


Dívidas dos clubes crescem em 2014. Palmeiras tem maior aumento em SP
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Crédito da imagem: Friedemann Vogel/Getty Images

Em um ano que deveria ser de contenção de custos, os clubes brasileiros, mais uma vez, aumentaram suas dívidas durante 2014. É o que mostram balancetes deles publicados no segundo semestre e dados coletados pelo blog. Entre os times de São Paulo, quem teve maior crescimento de passivo foi o Palmeiras. Essa é a terceira matéria sobre a crise do futebol nacional.

Foram levantados dados de 10 agremiações, sendo sete delas com balancetes obtidos. Desses, o Flamengo é o único que reduziu de fato o seu débito. O Fluminense teve uma queda da dívida bruta, mas aumento da líquida. O Grêmio ficou estável. Palmeiras, Santos, Corinthians, São Paulo, Internacional, Atlético-MG e Botafogo tiveram crescimento das suas pendências.

Vamos aos números. Desconsideradas as receitas futuras de televisão, o passivo palmeirense saltou de R$ 281,5 milhões, em 2013, para R$ 400 milhões até agosto de 2014. Os principais culpados são os empréstimos feitos pelo presidente Paulo Nobre, que atingiram um total de R$ 138 milhões naquele mês.

Não houve variação grande do ativo (direitos e bens), desconsideradas as receitas de televisão futura. Assim, a situação financeira piorou bastante. Ressalte-se, no entanto, que a dívida tributária está sob controle.

Entre os rivais, o Corinthians também teve um crescimento do passivo de R$ 309,6 milhões para R$ 343 milhões em setembro de 2014. Seu endividamento líquido, que leva em conta o ativo do clube, subiu para R$ 256 milhões, um aumento de quase um terço.

A principal causa do rombo foram os altos gastos com o futebol e receitas em baixa que criaram um déficit. O clube incluiu débitos no Refis, e paga R$ 5 milhões por mês até o final do ano, o que reduz pendências fiscais. Uma ressalva é que a diretoria corintiana não registra no balanço os cerca de R$ 750 milhões em dívidas do Itaquerão. Somado esse valor, o clube tem a maior rombo do Brasil.

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Crédito da imagem: Heuler Andrey/Getty Images

No Santos, o passivo cresceu R$ 54 milhões só no primeiro semestre de 2014, o que elevou o total a R$ 386 milhões. A situação do clube, no entanto, é bem pior visto que há diversos atrasos de salários de jogadores, e débitos por compras de atletas. Só em direitos de imagem a dívida saltou de R$ 22 milhões para R$ 40 milhões.

O São Paulo não tem balancetes disponíveis de 2014. Mas o presidente do clube, Carlos Miguel Aidar, já admitiu um déficit de R$ 7 milhões por mês e o crescimento da dívida bancária. Ele falou em rombo de R$ 100 milhões no ano, mas deve fechar em menos do que isso.

O Flamengo teve uma redução de R$ 15 milhões no seu passivo total que ficou em R$ 810 milhões ao final de setembro de 2014. Mas o clube aumentou o ativo onde há depósitos judiciais no valor de R$ 41 milhões, ou seja, pagamento de dívidas.

A diretoria rubro-negra contabiliza uma dívida líquida de R$ 560 milhões. Só que, para isso, exclui os adiantamentos de contrato. É certo, no entanto, que a atual gestão pagou um valor em torno de R$ 100 milhões em débitos – R$ 56 milhões de redução do passivo mais R$ 41 milhões dos depósitos.

Embora sem números disponíveis de 2014, o Botafogo tem um novo presidente, Carlos Eduardo Pereira, que admitiu que a dívida já atingiu R$ 750 milhões após um ano inteiro quase de calotes em salários, processos e pendências fiscais.

Outro que acumulou débitos durante o ano foi Atlético-MG: não pagou por Diego Tardelli, tem salários em atrasos e uma disputa judicial com a União relacionada a uma pendência fiscal de R$ 270 milhões.

Por fim, o Inter teve um crescimento de passivo de cerca de R$ 16 milhões, ficando em R$ 386 milhões até o meio do ano. Pior, soma quase R$ 100 milhões em débitos por contratações de jogadores, entre participações econômicas e credores do colorado.

No Fluminense, o passivo caiu em R$ 30 milhões até setembro de 2014, fechando em R$ 461 milhões. Mas o ativo do clube também foi reduzido. Então, a dívida líquida aumentou entre R$ 10 milhões e R$ 20 milhões. O clube até teve certo saneamento com a inclusão no Refis, mas há as pendências deixadas pela Unimed em dezembro.

Não foi possível obter dados financeiros sobre Cruzeiro e Vasco.