Blog do Rodrigo Mattos

Férias
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O blog entra de férias até 1o de fevereiro


COI vai dobrar repasse de dinheiro para cidades-sedes de Olimpíadas
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Em seu novo modelo de organização, o COI (Comitê Olímpico Internacional) anunciou que vai mais do que dobrar as verbas para a organização dos Jogos de 2024 em relação ao Rio-2016. Isso significa que a futura cidade-sede escolhida deve ter uma redução significativa de custo, já que as regras novas prevêm um evento mais enxuto e com mais dinheiro do comitê.

O processo de candidatura para 2024 foi lançado na semana passada, e já tem como interessados os EUA, Itália e a Alemanha. É a primeira eleição após o COI aprovar a Agenda 2020 que prevê redução dos custos de postulação e organização dos Jogos, e mudanças no processo para trabalhar com as cidades os riscos da competição.

Com essa concepção, o comitê internacional informou que dará uma contribuição de US$ 1,5 bilhão (R$ 3,92 bilhões) para ajudar os Jogos de 2024. Esse novo valor representa um incremento significativo em relação a Tóquio-2020, cujo orçamento tem uma previsão de R$ US$ 750 milhões (R$ 1,96 bilhão) oriundos do COI, além de US$ 335 milhões dos patrocinadores internacionais.

É uma reação às críticas e desinteresse demonstrado por algumas cidades em relação ao modelo antigo da organização da Olimpíada, usado no Rio, em que o custo recai de forma pesada sobre a sede.

Além disso, nas novas diretrizes, fica claro que o COI quer acabar com as candidaturas milionárias. Para se ter uma ideia, o governo federal, do Estado do Rio e prefeitura gastaram R$ 85 milhões com a postulação vencedora carioca. Desse total, cerca de R$ 50 milhões foram com consultorias sem licitação.

Para modificar o cenário, o COI criará uma nova fase na candidatura que é a do convite. Ou seja, as cidades manifestam seu interesse em sediar o evento e são chamadas para reuniões e seminários com executivos do comitê que vão ajudá-las a moldar a proposta. Só depois disso elas formalizam sua intenção de concorrer e entregam dossiês até setembro.

E está claro o que se espera no novo modelo olímpico. O COI relata que incentivará que sejam priorizadas sedes existentes ou temporárias (montadas e desmontadas) sempre que não houver uma justificativa de um local que será usado a longo prazo. Essa foi a estratégia adotada em boa parte das instalações de Londres-2012. O Rio utilizou esse modelo para algumas sedes como tênis, handebol, etc.

O COI, claramente, se adapta a um novo mundo que questiona os altos custos envolvidos em grandes eventos, como ocorreu em protestos contra a Copa do Mundo no Brasil. Resta saber se a Fifa seguirá o mesmo caminho no futuro.


Enquanto Aidar e Juvenal brigam, dívida do São Paulo aumenta
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O presidente do São Paulo, Carlos Miguel Aidar, e seu antecessor Juvenal Juvêncio brigam desde o ano passado por conta de questões financeiras. Mas ambos têm um ponto em comum: gastaram mais do que arrecadaram e aumentaram a dívida do clube. Agora, a diretoria são-paulina estuda formas de incrementar receitas para tentar resolver a situação.

Vamos aos números. Quando Juvenal Juvêncio assumiu o São Paulo, em 2006, o passivo do clube era de R$ 68 milhões, valor do final de 2005. Sua arrecadação naquele ano fora de R$ 112 milhões, isto é, bem superior ao total dos débitos.

Ao deixar o clube em 2014, Juvenal deixou um passivo total de R$ 312,9 milhões (final de 2013) em um ano em que a receita atingiu R$ 362 milhões inflada pela venda do atacante Lucas. Em resumo, em um ano de renda excepcional, o débito foi pouco menor do que a receita, o que significa que cresceu mais proporcionalmente durante suas gestões.

Pior foi que cresceu o débito bancário com empréstimos feitos pela antiga administração que já devem ter atingido R$ 130 milhões com os juros. Isso apesar de o São Paulo ter pago R$ 50 milhões dos débitos em 2013 com o dinheiro de Lucas.

“Quando se faz investimentos sem ter recursos disponíveis, tem que se ir a mercado para obter os recursos. Esses foram os casos dos empréstimos'', contou o vice-presidente de Administração e Finanças do São Paulo, Oswaldo Vieira de Abreu, que passou pelas duas gestões.

E quais foram os investimentos de Juvenal? Contratações para o futebol e o centro de treinamento da categoria de base. Neste último caso, o dinheiro veio de lei de incentivo, mas há a manutenção que ultrapassa R$ 20 milhões. Comparado com outros clubes, a situação do São Paulo não é tão ruim, mas o problema é a falta de receitas para cobrir as altas de despesas.

Pois bem, chegamos a gestão Aidar. Logo de cara ele conseguiu uma antecipação de dinheiro da Globo, negociada também por Juvenal, e aplicou boa parte desse montante na compra de Alan Kardec por um custo total de R$ 20 milhões. Essa é uma crítica dos apoiadores de Juvenal: se estava preocupado com a dívida, por que gastou mais?

Mais, no final do ano passado, o São Paulo diz ter fechado com prejuízo de R$ 70 milhões, como previsto. O que fez no início desta temporada? Investiu dinheiro do próprio caixa no volante Thiago Mendes do Goiás, e agora gastará com Jonathan Cafu. Viera de Abreu argumenta que os valores não são altos se comparados ao mercado. O clube ainda fez propostas por Dudu e Conca, contando com receitas futuras.

A conclusão é que nenhum dos dois cartolas trabalhou de fato para conter despesas, o que Aidar promete realizar agora. A diretoria prepara um plano para ter uma solução financeira para o clube até o final do ano. Há, sim, um programa para reduzir custos, mas o principal é alavancar as receitas.

“Tem a bilheteria do estádio, a possibilidade de naming rigths do Morumbi. Há negociação de patrocínio em curso. Felizmente, há essas possibilidades no trabalho de reestruturação'', afirmou Vieira de Abreu, admitindo, no entanto, que será um ano difícil.

Do lado de Juvenal, a antecipação de bilheteria sofre séria oposição com a alegação de que Aidar aumenta o problema para entregar os ingressos por 10 anos para a BWA, empresa que gerou muitos problemas nas vendas no Morumbi. A questão do naming rights é vista com descrença em um estádio com o nome consolidado como o Morumbi.

A alegação do grupo de Juvenal é: a dívida bancária existe, mas é administrável. Essa sempre foi a opinião do próprio Vieira de Abreu ao falar sobre os débitos.

Todas esses pontos serão postos na reunião marcada para 9 de fevereiro do Conselho Deliberativo quando há a promessa de novo embate entre situação e oposição do clube. Em uma acusação, ambos terão razão: endividar o clube.


CBF cria regra ‘anti-chapéu’ em contratações e prende jovens a clubes
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No seu novo regulamento de transferências, a CBF deu mais poder aos clubes em relação aos seus jogadores com duas medidas novas. Uma é aumentar o limite do primeiro contrato de atletas acima de 16 anos, de três para cinco anos. A outra é obrigar clubes que assinem um pré-contrato a avisar o seu time atual do esportista, uma espécie de regra “anti-chapéu'.

Esse é o regulamento que determinou o fim dos investidores em direitos de jogadores a partir de maio, e obrigou times a informarem todos os valores das negociações, inclusive as comissões a empresários e participação de terceiros.

O artigo 7o do regulamento aumentou para cinco anos o limite dos contratos de jovens recém-profisionalizados, atendendo o que está previsto na Lei Pelé, mas não era cumprido. Antes, era aplicado apenas três anos, como manda a Fifa. Para efeitos internacionais, isto é, assédio de estrangeiros, continuam valendo o prazo menor.

“Assim, eles respeitam os cinco anos. Desde 2007, a CBF só vinha aceitando o registro de contratos de três anos.  É uma reviravolta, a maior novidade desse regulamento'', contou o especialista em direito esportivo Eduardo Carlezzo.

Assim, um jogador de 16 anos pode ficar preso ao clube até os 21 anos. Anteriormente, o clube poderia perdê-lo aos 19 anos. Claro, desde que o Barcelona, por exemplo, não queira contratá-lo. Neste caso, vale a regra anterior.

No artigo 24o do regulamento, a CBF cria uma regra que não existe em lugar nenhum do mundo. Fica estabelecido que um clube pode assinar um pré-contrato com jogador de outro time seis meses antes do término do acordo, como manda a Fifa. Só que a agremiação tem que avisar o outro que está negociando com o atleta.

Assim, haverá chance do time que detém o contrato do jogador fazer uma oferta melhor para convencê-lo a ficar, ou tentar negociá-lo com outra equipe. Na prática, limita o chapéu por pré-contrato em que o clube fica sabendo na última hora que perdeu um atleta para um rival. Como exemplo, o São Paulo teria de avisar o Palmeiras que estava negociando com Wesley. Isso, óbvio, deixará um clima péssimo para o atletas que ficar mais seis meses no clube em caso de rivais.

Caso não avise, o time será multado em R$ 50 mil e estará sujeito a outras punições cabíveis pela Justiça Desportiva. Não fica claro qual o tipo de pena.

“Se pegarmos um caso prático como o do Guerrero, por exemplo, terá de ser avisado para o Corinthians se quiser negociar com qualquer clube do Brasil. Ou estará sujeito à punição. Poderá causar turbulência'', analisou Carlezzo.


Polêmico, STJD ganha mais poder pelas mãos da CBF
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Durante as duas últimas temporadas, voltaram a se intensificar as críticas ao poder do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) no futebol brasileiro. Foi resultado da polêmica em torno da decisão de rebaixar a Portuguesa e manter o Fluminense na Série A ao final de 2013. Pois bem, o plano da CBF para reestruturar o esporte aumenta mais a influência da corte.

Pelo ordenamento atual, o STJD tem a prerrogativa de julgar questões disciplinares de jogadores e técnicos (dentro de campo), da arquibancada (comportamento de torcida), e atitudes de dirigentes, entre outros tópicos. Na prática, pode punir qualquer pessoa envolvida no futebol nacional na maioria dos casos por eventos em estádios.

Em seu novo regulamento nacional de transferências, a CBF proibiu que investidores tenham participação sobre direitos de jogadores a partir de maio, em concordância com a norma da Fifa. Pois bem, no documento, fica estabelecido que o comitê disciplinar da federação internacional, os tribunais esportivos e o STJD que vão impor sanções disciplinares aos clubes e atletas que desrespeitarem essa norma.

Não fica claro qual artigo do Código Brasileiro de Justiça Desportiva será utilizado. Mas certo é que, se um clube infringir a nova norma da Fifa, haverá mais um motivo para o tribunal puni-lo. A corte ainda poderá impor sanções por outros pontos relacionados a transferências, o que não ocorria antes. Haverá também um Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF para brigas sobre negociações, mas o poder de sanção é do STJD, juntamente com a Fifa.

Além disso, o vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero propôs ao Ministério do Esporte que uma comissão dentro do tribunal esportivo também fique responsável por fiscalizar e punir medidas relacionadas ao fair play financeiro. Ou seja, seria um grupo que analisaria se um time está em dia com salários e obrigações fiscais, e poderia determinar perda de pontos e até eliminações.

Ainda não está claro como esse grupo será formado, nem sequer se serão membros do STJD que atuarão – Del Nero deixou isso em aberto. Em São Paulo, é o tribunal esportivo que analisa salários atrasados de jogadores que deveriam gerar sanção – nunca puniu ninguém. De qualquer maneira, é mais um poder que pode funcionará dentro da estrutura do tribunal.

Resta saber se a corte está prepara para o aumento do seu papel no futebol brasileiro quando já vinha sendo tão questionada em sua área de atuação tradicional.


Ousadia de Palmeiras com contratações exige aumento de receitas
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A mudança de rumo de gestão do presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, com a troca da cautela pela ousadia em contratações, exigirá um aumento de receitas nos próximos anos. Assim, é uma aposta que pode se tornar bem-sucedida ou um risco, analisou o consultor para marketing esportivo Amir Somoggi.

Vamos aos números. O Palmeiras fechou os dois últimos anos da administração de Nobre em déficit: R$ 22,6 milhões em 2013 e R$ 22,7 milhões até novembro de 2014. Suas receitas eram baixas como já mostrado aqui, na casa de R$ 186 milhões após 11 meses, e teriam uma recuperação para 2015 com previsão de R$ 230 milhões.

Com 14 contratações até agora, o clube gastou entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões com aquisições, já que os números oficiais não são revelados. Ainda há salários mais altos a pagar, enquanto o clube era contido em despesas em comparação a rivais como São Paulo e Corinthians. Era o 10o em custo com o futebol, segundo levantamento de Somoggi nas contas de 2013, e ficou R$ 50 milhões abaixo dos corintianos em 2014.

“O marketing está em crise e a economia está com o freio de mão puxado. Essa atitude do clube de contratar pode gerar um aumento de receita'', contou Somoggi. “Pode virar um exemplo de sucesso ou um desastre. O Santos era considerado um exemplo e depois virou um desastre.''

De fato, logo após a contratação de Dudu, o Palmeiras se tornou líder em crescimento no sócio-torcedor no ano, e atingiu a terceira posição entre os grandes times brasileiros com cerca de 70 mil adeptos. A projeção de Somoggi é de que o sócio-torcedor gere cerca de R$ 30 milhões em 2014, e que isso seja alavancado em 2015.

Um outro trunfo importante são as rendas da Arena Palmeiras. Em dois jogos no final do ano passado, o estádio mostrou ter um bom potencial de arrecadação para o clube. Outra vantagem é não ter as receitas de tv antecipadas, como ocorreu nos primeiros anos da gestão do atual presidente.

Esses itens representam um grande salto, mas não é suficiente ainda se levarmos em conta que o clube se endividou em cerca de R$ 150 milhões com seu presidente Nobre, conta que passará a ser paga neste ano. A dívida total acumulada é de R$ 363 milhões até o final de 2014, segundo o levantamento de Somoggi. Ou seja, é bem superior ao total de receitas. Resta ao Palmeiras aumentar em outros itens.

“O Palmeiras tem que conseguir um efeito no marketing. Tem que estar mais estruturado para isso. Hoje, tem receita baixa nisso'', observou Somoggi (o clube está sem patrocinador master na camisa). “Outro possibilidade é o clube se tornar vendedor desses jogadores que adquiriu agora porque esse é um item com baixa arrecadação do clube.''

O clube alviverde se mexeu no departamento de futebol, agora, é hora de agir nos outros campos da administração.


Bom Senso FC vê regra de fair play da CBF como insuficiente, e quer lei
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O movimento Bom Senso FC (formado por jogadores) entende não serem suficientes as medidas anunciadas pela CBF para implantação do fair play financeiro no futebol brasileiro, e insiste que os itens sejam incluídos em lei. Essa posição é contrária à da confederação que propõe a aprovação da legislação sem contrapartidas, assumindo para si todas as regras de punições.

A CBF já incluiu em seu regulamento geral de competições a previsão genérica de penas para clubes que deixarem de pagar dívidas. Nesta semana, prometeu colocar nas regras dos campeonatos: perda de pontos, eliminação e advertência como sanções por falta de pagamento de salários, depósito do FGTS, e cumprimento de obrigações fiscais.

Mas, para isso, exige a aprovação pelo governo da MP 656 de refinanciamento de débitos fiscais dos clubes sem estejam previstas punições por inadimplência. O vice-presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, afirmou que não dá para aplicar as novas normas sem a renegociação dos passivos.

“A gente defende que a CBF faça essa regulamentação, mas também que esteja na lei'', afirmou o diretor-executivo do Bom Senso, Ricardo Borges Martins, que é contra a aprovação da MP sem as contrapartidas. “A lei tem que ter critérios claros de fiscalização e as punições. E seria replicado no regulamento da CBF.''

É preciso lembrar que os clubes se comprometeram a apoiar as contrapartidas na legislação de refinanciamento das dívidas. Mas, depois, o cartola e deputado federal, Jovair Arantes (PTB-GO), incluiu uma gambiarra na MP 656 sem nada do teor combinado.

Outra preocupação é a comissão que aplicaria a lei ou o regulamento para punir os clubes. A CBF propôs que fosse criado um grupo dentro do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com este fim. O Bom Senso quer entender melhor qual seria o vínculo com o tribunal, e prega uma comissão democrática.

“É claro que vai ter algum órgão para fazer essa regulação. O que queremos é que seja democrático e participativo com representantes de todos'', observou Borges Martins. O novo regulamento da CBF foi feito sem negociação com o Bom Senso FC, mas há possibilidades de novas conversas.

O representante dos jogadores lembrou ainda que a FPF (Federação Paulista de Futebol), presidida por Del Nero, tem uma norma para punir clubes por atrasos de salários que nunca foi aplicada. “Não funcionou porque exige denúncia do jogador e há um incentivo muito pequeno para o atleta denunciar e prejudicar o seu time'', comentou.

Ao final do ano passado, a tendência era o governo federal não sancionar a MP 656 na parte relacionada ao futebol, e negociar com o Congresso uma versão que incluísse as contrapartidas. Houve uma troca no Ministério do Esporte, Aldo Rebelo por George Hilton, mas a Casa Civil também participa das negociações.


Vice do Santos acusa de falta de ética os clubes que assediam seus atletas
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Com seu elenco sob for ataque, o Santos reagiu e se pepara para ações na Justiça e na Fifa contra clubes que tentem levar seus jogadores que entraram com pedidos judiciais para saírem por salários atrasados. Ao blog, o vice-presidente santista, César Conforti, sem dar nomes, ataca os times que assediam os santistas, acusando os de falta de ética.

O Palmeiras é o maior interessado em atletas do clube, como Arouca e Aranha, mas não confirma negociações. O Cruzeiro quer o lateral-esquerdo Mena.

“O aliciamento pode provocar complicações sérias. Há que se ter ética na forma de contratar. Não é dessa forma. Não estamos cobrando nada de outros que a gente não exija de nós mesmos'', acatou Conforti, em referência à nota oficial do Santos que ameaça clubes que assediam seus atletas. O documento foi redigido após reunião do Comitê de Gestão do Santos.

Questionado se estava se referindo ao Palmeiras, Conforti disse que não gostaria de falar em nomes sem confirmação oficial. “O que temos são suspeitas, informações. Ainda não temos a confirmação. Temos que ter a confirmação e depois vamos buscar nossos direitos.''

Segundo Conforti, as informações do clube apontam que o clube não tem porque perder o vínculo com os atletas apesar dos atrasos salariais. Isso porque foram pagos dois meses de outubro e novembro, na terça-feira. Faltam 13o e dezembro que o Santos pretende quitar até o final do mês. Mas essa conclusão é controversa.

Até agora Arouca, Aranha, Leandro Damião e Mena entraram com ações na Justiça trabalhista em que pedem liberação, alegando falta de pagamentos. Para ganharam o direito a sair, têm que comprovar que há três meses de atrasos salariais ou de depósitos do FGTS (Fundo Sobre Garantia de Serviços). Até agora, a Justiça negou liminar para o goleiro, mas liberou Mena.

Apesar de acusar cartolas de outros clubes, Conforti admite a situação difícil santista, e não ataca os jogadores que entraram com ações. “Não existe decepção. Eles têm os direitos deles. Tem muito gente que entra com eles. Tem clube interessado. Mas não temos revanchismo, retaliação. Interessa a nós compor a situação'', afirmou Conforti.

Isso significa, sim, que o Santos aceitaria de volta os jogadores que entraram com a ação. O problema é convencê-los a retornar quando a situação financeira está longe de ser resolvida.


Instalações da Fifa custam R$ 108 mi no Itaquerão, 10% do total da obra
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As instalações provisórias da Fifa no Itaquerão para a Copa-2014 tiveram um custo total de R$ 108 milhões, o que é igual a 10% do do total da obra do estádio. Desse gasto, o Corinthians arcou com R$ 90 milhões, segundo a Odebrecht, responsável pela operação. A estrutura corintiana complementar corintiana foi a segunda mais cara, atrás da de Manaus.

Os números constam da matriz de responsabilidades do Ministério do Esporte, fechada no final do ano passado. Nela, está um gasto total de R$ 580 milhões com as instalações da Fifa nos 12 estádios. São estruturas montadas e depois destruídas, sem utilização posterior.

Na conta de todos as arenas, apenas a parte do Corinthians foi bancada por iniciativa privada. Nem Ministério do Esporte, nem Odebrecht souberam explicar a discrepância entre a conta de cada um. Fato é que o montante foi incluído no fundo que acumula a dívida para construção do estádio, e é bem maior do que a previsão inicial de R$ 60 milhões.

“O valor estimado para as obras temporárias era de no máximo R$ 100 milhões na época em que se efetivou o financiamento para elas. Ou seja, no final ficou R$ 10 milhões abaixo do previsto. Quanto às exigências da Fifa, deve-se levar em consideração que elas foram crescendo na medida em ocorriam as Inspections (reuniões trimestrais com técnicos da Fifa). A previsão inicial de R$ 60 milhões, no final do ano de 2013, baseava-se num levantamento preliminar realizado pela própria Fifa e a Prefeitura, justamente quando se discutia a questão dos custos e das responsabilidades sobre as obras temporárias'', explicou a Odebrecht.

Como o Ministério do Esporte não explicou sua conta, não ficou claro se incluiu como nos R$ 107,9 milhões as arquibancadas provisórias, bancadas pela Ambev em acordo com o governo do Estado. A questão é que essa instalação teve custo de R$ 38 milhões, visto é, somada ao que foi bancado pelo Corinthians, daria um total bem mais alto: R$ 128 milhões.

Governo e a construtora também discordam sobre o preço final das obras do Itaquerão. Segundo a construtora, o valor é de R$ 985 milhões. Já o Ministério do Esporte registrou um montante de R$ 1,080 bilhão.

Não é apenas no estádio corintiano em que há dúvidas. A matriz de responsabilidades registra que a Arena Amazonas teve um gasto de R$ 123 milhões com instalações da Fifa para receber a Copa, um valor muito acima de outra arenas para 40 mil pessoas. O blog enviou perguntas ao governo do Estado para saber sobre esse número, mas não obteve resposta após uma semana. O montante representa quase um quinto da obra da praça esportiva de Manaus.

Considerada a Copa-2014 e a Copa das Confederações, o Brasil gastou R$ 778 milhões com instalações provisórias, o equivalente a 9% do custo total dos estádios. O Ministério do Esporte considerou um bom investimento.

“Apenas com a exposição da imagem do Brasil, que realizou uma Copa do Mundo bem organizada e exitosa, além da receita gerada com turismo, o megaevento já se pagou, deixando importante legado, esportivo e de infraestrutura urbana, nas cidades-sede. As instalações complementares formaram parte da estrutura necessária para o pleno funcionamento de uma operação complexa do tamanho de uma Copa do Mundo, exigindo espaços de trabalho adequados para jornalistas de todo o mundo, voluntários, e profissionais de tecnologia, dentre outros'', justificou a pasta.

 


Entenda como Thiago Silva e David Luiz levam prêmio da Fifa apesar do 7 a 1
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A premiação da Fifa de 2014 teve uma surpresa nas escolhas dos brasileiros David Luiz e Thiago Silva como melhores defensores do ano apesar do fracasso da seleção na Copa. A explicação está no sistema de votação da Fifpro (sindicato mundial de jogadores) em que o peso de cada país depende do número de jogadores profissionais, o que aumenta o peso do Brasil na eleição.

Contemos a história por ordem cronológica. A Copa do Mundo ocorreu em junho e julho, e David Luiz estava presente na goleada sofrida por 7 a 1 pelo Brasil diante da Alemanha. Suspenso, Thiago Silva voltou na partida contra a Holanda em que o time apanhou por 3 a 0. Até as quartas-de-final, eram considerados as principais figuras do time ao lado de Neymar.

Em setembro, a Fifpro iniciou a sua votação para os melhores do mundo. Seu desafio era tentar receber os votos de 45 mil filiados por meio de diversos sindicatos pelo globo. O Brasil é o país com maior número de filiados com 13 mil no total, segundo a Fenapaf (Federação Nacional de Atletas Profissionais). De fato, é a nação líder em atletas registrados também pela Fifa.

“Recebemos os formulários e temos um prazo de até 25 dias para devolver os votos. Mandamos tudo por correio e temos que receber de volta por correio. No Brasil, votaram cerca de 1 mil atletas. Isso porque chega em uma fase muito ruim da temporada para nós, no meio'', contou o presidente da Fenapaf, Rinaldo Martorelli, que lembra que a dimensão continental do país dificulta.

Ou seja, a adesão no Brasil foi baixa. Mas, no total, votaram cerca de 23 mil atletas no mundo. Isso significa que entre 4% e 5% dos votos foram brasileiros. Como foram jogadores de 58 países que votaram, dá para concluir que o país teve bastante peso no resultado final. Bem mais do que na eleição de Cristiano Ronaldo como melhor do mundo, feita como capitães, técnicos e jornalistas, em proporções iguais por nação.

Na seleção feita pelos jogadores brasileiros, Thiago Silva e David Luiz são os defensores titulares, e ainda há Neymar no ataque, e Marcelo, na lateral-esquerda. Essa eleição segue o corporativismo visto em todas as votações da Fifpro e da Fifa, em que atletas e técnicos costumam privilegiar conterrâneos ou colegas de equipe.

Ao se observar todos os países, a conclusão é que Thiago Silva entraria na seleção de qualquer maneira já que estava entre os melhores de 51 dos 58 países, inclusive boa parte da elite mundial.

Não é o caso de David Luiz que só emplacou em 14 times de melhores de países. E o zagueiro marcado pela goleada do 7 a 1 teve apoio quase só de países não-europeus com a única exceção da Espanha. Seus eleitores foram Argentina, Bolívia, Brasil, Camarões, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Japão, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, além dos espanhóis.

Assim, quem votou no zagueiro brasileiro são os torcedores que estão mais distantes das ligas europeias onde ele joga – claro, sempre há como assisti-lo pela televisão. Na seleção feita pelos jogadores alemães, por exemplo, nem Thiago Silva, nem David Luiz tiveram vez. Já os ingleses, onde David jogava pelo Chelsea até o meio do ano, só incluíram Thiago.

Nem os dois zagueiros brasileiros parecem ter se empolgado com suas premiações já que não foram a festa de melhor do mundo da Fifa, únicos ausentes entre os 11.

Vencedores do Bola de Ouro 2014
  • AFP PHOTO / OLIVIER MORIN
    Melhor jogador:
    Cristiano Ronaldo
  • FABRICE COFFRINI/AFP PHOTO
    Melhor jogadora:
    Nadine Kessler
  • Christopher Lee/Getty Images
    Prêmio Puskas:
    James Rodríguez
  • FABRICE COFFRINI/AFP PHOTO
    Melhor técnico (masculino):
    Joachim Low
  • AFP PHOTO / OLIVIER MORIN
    Melhor técnico (feminino):
    Ralf Kellermann
  • EFE/Ennio Leanza
    Seleção do ano:
    Neuer; Lahm, Ramos, David Luiz, Thiago Silva; Di Maria, Iniesta, Kroos; Messi, Ronaldo, Robben
  • AgNews
    Prêmio Fair Play:
    Voluntários da Fifa
  • FABRICE COFFRINI / AFP
    Homenageado:
    Hiroshi Kagawa (jornalista mais velho a cobrir uma Copa do Mundo)