Blog do Rodrigo Mattos

Corinthians é vetado de receber verba pública, mas diz ter situação regular
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A CBC (Confederação Brasileira de Clubes) vetou acesso do Corinthians à verba pública para um projeto de esporte olímpico. Motivo: não atendeu as exigências da legislação, entre elas está a regularidade fiscal. Só que o clube alega já ter resolvido todas suas pendências com a União, e estar com suas certidões em dia.

Por uma lei de 2011, a CBC é encarregada de administrar verba de loterias federais destinada aos clubes. Havia uma trava para que esse recursos fossem utilizado por falta de regulamentação da legislação, o que só ocorreu no início deste ano. Há R$ 150 milhões disponíveis para agremiações, e por esporte universitários e secundário.

O primeiro pacote envolveu liberação de R$ 23 milhões para compra de equipamentos esportivos, e 21 clubes foram agraciados, entre eles o único do futebol foi o Flamengo. O Corinthians e o Fluminense entraram com pedidos de verbas para projetos olímpicos, mas não preencheram os requisitos jurídicos necessários.

“Clubes têm que se enquadrar na legislação. Tem que ter todas as Certidões Negativas de Débitos, e uma série de exigências. E tem que haver uma adaptação do estatuto em relação à reeleição em até quatro anos'', explicou o presidente da CBC, Jair Pereira. Ele disse que qualquer agremiação cujo projeto não for aceito pode tentar novamente em futura liberação de verbas.

O Corinthians estava com um problema com suas certidões por conta de um processo antigo da procuradoria do Estado com cobrança de taxas de fiscalização. Segundo a “Espn'', isso tinha interrompido o recebimento do patrocínio da Caixa Econômica Federal, que só é possível com todas as CNDs em dia.

Mas, em setembro, a Justiça Estadual reconheceu que essa dívida estava extinta, e suspendeu o processo. Isso renovaria a regularidade fiscal do clube. Pela informação da diretoria corintiana, os pagamentos da Caixa estão sendo feitos normalmente.

“O patrocínio está todo em dia. Estamos com a situação fiscal regularizada. Estamos com as certidões em dia'', explicou o diretor jurídico corintiano, Luiz Alberto Bussab. Ele prometeu verificar o que tinha acontecido com o projeto olímpico, mas não deu retorno até a sexta-feira à noite. A questão é que as exigências para receber verbas públicas da loteria podem ir além das CNDs, e são valores que sofrem mais fiscalização do que o patrocínio da Caixa.

O blog consultou dirigentes do clube para saber exatamente qual era o projeto olímpico do Corinthians que foi rejeitado e quanto tinha sido pedido, mas também não obteve reposta. O esporte em que a agremiação tem investido mais, claro depois do futebol, é a natação, onde tem uma equipe forte.


STJD reduz só em um jogo suspensão de Guerrero, e ele está fora do clássico
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O pedido do Corinthians de transformar a suspensão do atacante Paolo Guerrero em multa pecuniária só foi aceito em parte pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) com uma redução de um jogo. Mas o jogador segue fora do clássico contra o Palmeiras pois terá de cumprir duas partidas. Mas pelo menos ele poderá atuar contra o Santos.

Em julgamento nesta semana, Guerrero foi punido pelo pleno do STJD com três jogos de suspensão por empurrão no árbitro Leandro Bizzo Marinho no jogo com o Bragantino, pela Copa do Brasil. Pelo CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), se o clube já terminou sua participação em um campeonato, a pena tem que ser cumprida na competição subsequente, isto é, o Brasileiro.

Mas, pelo artigo 171, nestes casos, há a possibilidade de o clube pedir para o presidente do STJD a conversão da suspensão em medida de interesse social. Resumo: o time pode requisitar que a pena vire multa a ser dada para uma entidade social.

Foi o que fez o Corinthians em pedido protocolado na quinta-feira. Os advogados requisitaram ao presidente do STJD, Caio Rocha, que todas as três partidas se tornassem pena pecuniária. Em princípio, ele sinalizou que a tendência era que a medida fosse  indeferida, o que deixou pessimistas os dirigentes.

Nesta sexta-feira, ele concedeu a conversão de apenas um jogo em multa para ser revertida em favor de instituição social. As outras duas partidas terão de ser cumpridas. A decisão do tribunal será publicada em breve. Na manhã de sexta, os advogados do Corinthians ainda trabalhavam com a informação de que o pedido fora rejeitado.

A decisão explica-se porque, para o presidente do tribunal, não fazia sentido anular toda uma suspensão estabelecida pelo STJD ainda nesta semana. O próprio Caio Rocha tinha votado por 90 dias de suspensão. Mas, seguindo a tendência do tribunal de converter em parte as penas, ele concedeu a transformação de pelo menos um jogo de Guerrero.


Teixeira irrita-se com Del Nero, mas prefere fazenda a brigar por CBF
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Desde o primeiro semestre, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira passou a viajar frequentemente ao Brasil após se separar de Ana Carolina Wigand. Esse período coincidiu com uma crescente irritação com Marco Polo Del Nero, vice-presidente da entidade e futuro chefe da entidade, pelas mudanças promovidas na confederação. Até agora o ex-dirigente, no entanto, não quis briga, preferindo se manter afastado do futebol e reativar os negócios de sua fazenda no Rio de Janeiro.

Para entender a relação entre Del Nero e Teixeira é preciso voltar a 2012 quando o ex-presidente teve que renunciar à CBF pelas provas de que recebeu propina de parceiro da Fifa e de que tinha ligação com empresa que faturou com amistoso da seleção. Foi embora para Miami com mulher e filha. Para a confederação, fechou um acordo com Del Nero e José Maria Marin para que assumissem desde que mantivessem intacta a operação na entidade.

Cada vez que o início da gestão de Del Nero se aproxima, no entanto, mais é desmontada a estrutura da CBF armada por Teixeira. Um dos pontos centrais foi o afastamento de José Carlos Salim e Antônio Osório das diretorias de marketing e financeira da entidade. Foram mantidos com cargos sem função apenas para terem salário, mas, na prática, nada fazem. O marketing foi para as mãos de Gilberto Ratto, ex-São Paulo, e o departamento financeiro para Rogério Caboclo, ambos de confiança do futuro presidente.

Esses são os setores que controlam os vultosos recursos de contratos de patrocínio, a maioria deles fechada pelo antigo presidente. Sem os aliados do antecessor, Del Nero tem substituído paulatinamente os acordos -como foi o caso da Chevrolet no lugar da Volkswagen – e passa a controlar a operação de fato.

Outro centro de poder da CBF é o empresário Wagner Abrahão, amigo de Teixeira e que sempre lidou com ingressos e viagens da confederação e até da Copa-2014. Ele passou a responder às ordens diretas de Del Nero, e até criou ligação com o filho dele Marcus Vinicius Del Nero. Isso embora sua amizade ainda seja com o ex-presidente. Desta forma, o futuro presidente da CBF passa a dominar todos os principais setores que rendem dinheiro, e deixa o antecessor de lado e no escuro.

Entre pessoas próximas a Teixeira, há a informação de que sua irritação com Del Nero chegou a tal ponto que só fala com ele por meio de Abrahão. O vice da confederação repete assim o que fez com Eduardo José Farah, ex-presidente da Federação Paulista de Futebol, que o colocou no poder e depois foi esquecido e escanteado.

Esses movimentos seriam o suficiente para o ex-presidente da CBF tentar uma revanche, mas até agora ele não tomou atitudes nesta direção até pelos problemas de saúde – é dibético e hipertenso. Revelada pela “Folha'', sua volta ao Brasil, intercalada com estadias em Miami, está mais relacionada a retomar a vida pessoal após a separação. Além de procurar por amigos, ele até prepara uma recuperação das atividades da Fazenda Santa Rosa: há a possibilidade de voltar a produzir leite com força como fazia anteriormente. Esse negócio foi quase abandonado quando ele foi morar nos EUA.

A fazenda, lembre-se, era o elo entre Teixeira e Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona, que provava sua relação com os ganhos no jogo entre Brasil e Portugual, em 2008. A “Folha de S. Paulo'' mostrou que a Ailanto, empresa de Rosell, mantinha uma subsidiária com endereço na mesma fazenda. E a propriedade de Teixeira, embora inativa, recebia uma aluguel por esse serviço. Era um dos pontos que demonstrava transferência de dinheiro de Rosell para o ex-presidente da CBF logo após a Ailanto faturar R$ 9 milhões em dinheiro público no amistoso realizado em Brasília.

Mas, se não articula vingança, Teixeira tem aliados bem poderosos que compartilham sua irritação com Del Nero. Ele tem em Ronaldo e outras outros ligados à confederação pessoas dispostas a brigar com o futuro presidente da CBF. De movimentação própria, chegou a ligar para o candidato a presidente Aécio Neves, que era seu amigo e é próximo de Ronaldo.

Favorito a se reeleger governador do Rio, Luiz Eduardo Pezão (PMDB) é bastante próximo de Teixeira, fruto do relacionamento criado em Piraí, base política dele. No PT, há Andrés Sanchez, eleito deputado federal e aliado do ex-todo-poderoso da confederação. Outras pessoas do partido em São Paulo também têm relação estreita com o ex-dirigente da CBF. Há ainda presidentes de federação fiéis ao antigo cartola.

No cenário pintado por pessoas ligadas ao ex-presidente,  o mais provável é que esses aliados comprem a briga contra Del Nero em 2015, quando ele será de fato o presidente em substituição a Marin. Teixeira deve assistir da fazenda, de sua mansão no Itanhagá no Rio de Janeiro ou de Miami, seus portos recentes. O blog tentou, sem sucesso, falar com o atual e o antigo todo-poderoso da confederação.


Após três anos, clubes têm R$ 150 mi para esporte olímpico. Fla ganha mais
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Após um imbróglio jurídico de três anos e meio, os clubes poderão ter acesso a um valor entre R$ 145 milhões e R$ 160 milhões no para investimento em esporte olímpico. Esse dinheiro é público, oriundo de loterias, e estava travado por conta de falta de regulamentação para seu uso, o que era responsabilidade do Ministério do Esporte. Os primeiros repasses ocorrerão no final de 2014, e o efeito para a Olimpíada será nulo.

No início deste ano, saiu a regulamentação para o uso dos recursos. Então, a Confederação Brasileira de Clubes se estruturou para estudar e aprovar projetos. Nesta semana, foram anunciados os programas aprovados no primeiro pacote, em um total de R$ 23 milhões para equipamentos esportivos.

O maior beneficiado foi o Flamengo que teve três projetos referendados que englobam natação, judô, vôlei, remo e canoagem, em um total de cerca de R$ 5,3 milhões. A previsão é de que o dinheiro para os 21 clubes seja liberado até dezembro deste ano.

“Tivemos que fazer toda uma restruturação física, contratar pessoas e formar uma comissão para analisar os projetos. A legislação para entidades pegarem recursos é bem dura, com fiscalizações de CGU e TCU, então, temos que estar preparados'', afirmou o presidente da CBC (Confederação Brasileira de Clubes), Jair Pereira. “Fomos bem rápidos perto do Ministério do Esporte.''

Explica-se: em março de 2011, foi aprovada a lei que dava aos clubes uma fatia sobre o dinheiro das loterias para investimento em esporte olímpico. O recurso iria para a CBC administrar só que dirigentes da entidade argumentavam que não podiam liberá-lo por falta de regulamentação do Ministério sobre o uso dessa verba. A pasta, por sua vez, alegava que não era preciso regra. Finalmente, em 2011, saiu a portaria com a regulamentação.

Pelas regras impostas, 20% ficam para a administração da CBC gerir os recursos. Há fatias de 15% para esporte paraolímpico, 15% para confederação de esporte universitário e 15% para confederação de esporte estudantil secundário. O grosso vai para os clubes em projetos aprovados pela CBC. A estimativa é que saiam R$ 50 milhões por ano para os clubes.

O primeiro montante foi para compra de equipamentos. O segundo será para participação em competições nacionais. Para ter acesso ao dinheiro, os clubes têm que estar em dia com todas as suas dívidas com o governo federal, isto é, as CNDs (Certidão Negativas de Débitos). Foi o que ocorreu com o Flamengo que montou um departamento com esse objetivo, e mantém pagamentos das dívidas em dia.

Um dos projetos é para construir uma nova piscina na sede da Gávea. Será importada a italiana Myrtha, que vem inteira, para ocupar o espaço vazio atual para treinamento aquático do clube. Ainda serão comprados cronômetros, blocos de saída, etc.

Um total de 45 barcos será comprado para o remo, esporte fundador do clube, e dois dojôs para o judô. Por fim, haverá um novo fosso para a queda dos atletas de ginástica, que tinha sido danificado no incêndio no clube. O vice de Esportes Olímpicos do Flamengo, Alexandre Póvoa, disse que o clube estava se preparando para isso, mas admite que o dinheiro chegou tarde para ter impacto na Olímpiada do Rio-2016.

“Para a Olimpíada de 2016, é zero, esquece. Estamos nos preparando para formar atletas para 2020, 2024. Vamos aproveitar esse ciclo olímpico com dinheiro público e projetos para esses esportes porque empresas privadas não querem investir. Depois de 2016, não sabemos se o governo vai continuar a investir'', disse Póvoa.

Além do Flamengo, clubes como o Minas Tênis, Paulistano, Sogipa também terão acesso a verbas, em um total de 21.

Tags : Flamengo


CBF acerta ao poupar jogadores do Brasil, mas insiste com calendário torto
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Enfim, a CBF acertou ao poupar os jogadores que atuam no Brasil na convocação final de Dunga, o que evita sérios prejuízos aos clubes que disputam a reta final do Brasileiro e da Copa do Brasileiro. Atendeu a uma pressão dos clubes. Mas o problema é que não apresenta nenhuma solução para o calendário que coincide datas Fifa com as competição. Ou seja, tirou o sofá da sala.

Durante a semana, clubes como Atlético-MG e Cruzeiro apelaram ao bom senso da confederação em ligações para seus dirigentes. A diretoria do Galo, por exemplo, não queria falar em público, mas se articulou para evitar a perda de Diego Tardelli e Carlos (para a sub-21). Deu certo.

Na convocação, o presidente José Maria Marin fez um discurso sobre o apoio e colaboração dos clubes. Só que voltou a enrolar quando perguntado objetivamente sobre ajeitar o calendário e acabar com coincidência das datas da seleção e dos campeonatos de clubes, que não ocorre em nenhum lugar do mundo. “Acredito que vamos aperfeiçoar e chegar a grandes melhorias no que diz respeito a diversas disputas'', disse.

Em seguida, seu sucessor Marco Polo Del Nero contou que só cinco datas-Fifa vão afetar rodadas dos clubes em 2015, o que seria uma evolução. Não é verdade. Ao se analisar o calendário, considerando a Copa América, 11 ou 12 rodadas de jogos de times serão afetadas pela seleção, o que inclui amistosos e eliminatórias.

Nesse total, estão nove ou dez partidas do Brasileiro da Série A, dependendo de quando os altetas se apresentarem para a Copa América. Ou seja, cerca de um quarto da competição sofrerá com desfalques, ou a CBF terá de abrir mão de atletas do Brasil em convocações.

Por que este cenário? Por conveniência política, Marin e Del Nero se recusam a reduzir drasticamente os Estaduais, competições esvaziadas, para não contrariar seus aliados presidentes de federações.

Enquanto nada for feito a esse respeito, a CBF continuará a agir como o marido traído que encontra a mulher com o amante no sofá da sala. A solução da confederação é vender o sofá. Para resolver o problema de fato, a entidade tem que anunciar um novo calendário para os próximos anos.


Péssimos em 2013, grandes de SP recuperam bom histórico e G4 no Brasileiro
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Em 2013, pela primeira vez, os times grandes paulistas ficaram fora do G4 do Brasileiro de pontos corridos pelo seu desempenho sofrível. Em 2014, apesar de longe do líder Cruzeiro, recuperaram-se e agora voltam a ter dois times entre os classificados à Libertadores, São Paulo e Corinthians, a oito jogos do final.

Nesta rodada do meio de semana, a equipe corintiana venceu o Vitória e voltou ao G4. O São Paulo apenas empatou com a Chapecoense, desperdiçando a chance de se aproximar do ponteiro, mas se manteve entre os donos de vaga na competição sul-americana. O Palmeiras empatou com o Cruzeiro, e o time do litoral perdeu do Fluminense.

Com isso, os quatro grandes de São Paulo somam 185 pontos no campeonato, o que lhes dá uma média de 46,25 por equipe. Isso significa que obtiveram um rendimento de 51,4% até agora, pouco mais da metade dos pontos possíveis.

Estão abaixo dos clubes gaúchos e mineiros, que têm médias melhores. Mas conseguiram um incremento em relação ao ano passado. Afinal, até a 30a rodada no Nacional-2013, Corinthians, Santos e São Paulo somavam 123 pontos, com uma média por time de 41. Assim, tinham rendimento de 45,6% e estavam longe dos classificados à Libertadores – o Santos era o oitavo.

No ano anterior, em 2012, o desempenho médio dos paulistas também não era dos melhores por conta da campanha que levou o Palmeiras ao rebaixamento. Eles tinham apenas 40,4 pontos em média na 30a rodada. Mas pelo menos o São Paulo chegou ao torneio sul-americano no final.

Nos campeonatos anteriores, os paulistas exibiam desempenhos bem parecidos ao atual, independentemente de conquistar o título. Em 2011, ano da taça corintiana, tinham os mesmos 185 pontos (46,5 em média) atuais ao final da 30a rodada. Patamar parecido foi visto em 2010 e 2009. Em resumo, São Paulo retoma seu protagonismo no campeonato após seu pior ano nos pontos corridos.

 


Corinthians tentará transformar suspensão de Guerrero em pena pecuniária
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A diretoria do Corinthians fará uma última tentativa no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) para tentar transformar a suspensão de três jogos de Paolo Guerrero por empurrão no árbitro Leandro Bizzo Marinho em pena pecuniária. A sanção tira o jogador do clássico com o Palmeiras, e mais duas partidas.

A conversão da pena está prevista no Código Brasileiro de Justiça Desportiva, segundo advogados corinthianos. Para tentar essa alteração, os representantes do Corinthians devem procurar o presidente do tribunal, Caio Rocha, nesta quinta-feira. A dificuldade é que o chefe do STJD votou por uma suspensão de 90 dias para o centroavante peruano.

Essa seria a última alternativa visto que a suspensão de três jogos pela trombada no juiz foi dada pelo pleno do STJD, ou seja, a instância definitiva. Assim, não cabe o pedido de efeito suspensivo para o jogador.

A punição do STJD foi resultado de um empurrão de Guerrero no árbitro Leandro Bizzo Marinho, no jogo das oitavas de final da Copa do Brasil, diante do Bragantino. Como a participação do Corinthians neste campeonato acabou, a regra manda que a suspensão seja cumprida na competição subsequente, isto é, no Brasileiro. No julgamento no pleno, sua pena foi decidida por 3 a 2.

A diretoria corintiana decidiu conter as críticas à Justiça Desportiva nesta quarta-feira. A lembrança é que o Palmieras também conseguiu um acordo para a suspensão imposta a Valdivia por meio de uma transação disciplinar. Ressalte-se que os casos são bem diferentes.


STJD ‘aprova’ Valdivia no clássico apesar de seu histórico de punições
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O acordo entre a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) e advogados do Palmeiras que liberou Valdivia para atuar contra o Corinthians ocorreu apesar da série de punições anteriores do jogador. Pela legislação, é preciso ter bons antecedentes para obter a transação disciplinar, o que não é o caso do chileno.

A justificativa de advogados do Palmeiras e dos auditores da 3a Comissão Disciplinar do tribunal, primeira instância, no julgamento do atleta, é de que só deveria ser considerado o histórico de um ano. Especialistas em direito esportivo ouvidos pelo blog dizem que esse período é pequeno. Mas o presidente do tribunal, Caio Rocha, referendou a medida como normal.

A figura da transação disciplinar, em que há acordo entre a procuradoria e o clube, surgiu com a alteração do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva) em 2009. Foi instituída a possibilidade de acerto a ser proposto pela procuradoria do STJD, que interromperia o processo.

Assim, na terça-feira, foi retirado da pauta de julgamento o nome do jogador que poderia ser suspenso por mais jogos. Ele aceitou dois jogos de suspensão e cumpre o segundo imediatamente, diante do Cruzeiro, nesta quarta-feira.E poderá jogar o clássico com o Corinthians.

“A transação está prevista desde 2009. Acontece sempre. A procuradoria ou o próprio atleta pode pleitear'', defendeu o presidente do tribunal Caio Rocha Jr.

É o artigo 80-A que prevê a transação disciplinar. Há três condições que impedem a concessão do benefício, sendo uma delas: “o infrator não possuir antecedentes e conduta desportiva justificadores da adoção da medida''. Ou seja, só deve ser dado o benefício a quem não tem histórico no tribunal. Não é estabelecido prazo.

“Claro que ninguém pode ficar marcado para sempre. Mas um ano é muito curto para desconsiderar o antecedente (Valdivia tem suspensão em 2013). Tem que se estabelecer uma jurisprudência ou cria uma insegurança jurídica'', contou o advogado Luis Roberto Leven Siano, especialista em direito esportivo.

Pois bem, o chileno Valdivia sofreu uma série de punições no STJD. Sua carreira de polêmicas começou em 2007 quando ele foi acusado de agredir Alan Kardec, então no Vasco. Tomou cinco jogos de suspensão e ficou fora da reta final do Palmeiras no Brasileiro. Esse caso poderia até ser desconsiderado por ser antigo com mais de cinco anos.

Mas, em 2011, ele foi suspenso três vezes. Uma delas por suposta agressão sobre Valencia, do Fluminense, e outra por expulsão diante do Atlético-MG. Outra punição, que só foi cumprida no próximo ano, foi resultante de dura entrada no clássico com o Corinthians.

No ano passado, Valvidia foi suspenso novamente pelo STJD por ter admitido ter forçado um cartão amarelo em jogo contra o Paraná, em jogo da Série B do Brasileiro. A pena foi em setembro, isto é, há apenas um ano e um mês.


Dilma e Aécio omitem dados desfavoráveis ao usar Copa na campanha
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Na reta final da campanha presidencial, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) voltaram a usar a Copa-2014 em suas campanhas, a presidente de forma positiva, e o oposicionista, com enfoque negativo. Só que ambos omitem dados do eleitor para pintar o quadro que lhes é mais favorável.

De início, antes da sua realização, o Mundial aparecia com um papel relevante na eleição. A oposição fazia críticas aos atrasos de obras, e o governo federal defendia o legado do evento. Concluída a competição, com boa avaliação dos estrangeiros à operação, as menções passaram a ser tímidas. Até que o tema sumiu da pauta.

Mas, na reta final do segundo turno, o Mundial voltou a ser usado pelos candidatos, de forma direta e indireta. Quem levou a competição para o horário político foi o candidato do PSDB.

Em seus programas, ele atacou o governo por realizar a Copa mais cara da história. Em outra peça de propaganda, o texto menciona os altos preços das arenas: “Você sabia que só com o dinheiro desviado da Petrobras para o PT daria para fazer mais 12 estádios da Copa? E porque aqueles preços, hein?''

De fato, os estádios saíram por um total de R$ 8 bilhões. Só que, quando era governador de Minas Gerais, Aécio Neves foi o idealizador do projeto para incluir Belo Horizonte na Copa, com participação ativa em eventos da Fifa com o amigo e então presidente da CBF Ricardo Teixeira. Aquele cartola que prometeu um Mundial apenas em estádios pagos com dinheiro privado.

Isso não impediu o governo de Aécio de elaborar um modelo para reforma do Mineirão com uma PPP (Parceria Público Privada) cheia de recursos públicos. O total do custo previsto para o Estado durante os anos é de R$ 695 milhões, o que o tornou o quarto estádio mais caro do Mundial. O projeto, de fato, foi tocado pelo seu sucessor e aliado Antônio Anastasia.

E o preço ainda pode subir bastante em relação ao que foi divulgado. A PPP prevê que o governo estadual tem que ressarcir a administradora do Mineirão caso esta não atinja determinado nível de renda. A empresa tem perdido recursos porque o Cruzeiro, principal utilizador do estádio, não paga suas despesas.

A história que Dilma Rousseff conta da Copa-2014 também não é completa. Primeiro, virou um mantra para a presidente repetir que “está investindo R$ 143 bilhões em projetos de mobilidade urbana''. A “Agência Pública'' mostrou que, para atingir esse total, o Ministério das Cidades incluiu os programas do Mundial.

Só que boa parte dos projetos de mobilidade foi excluída da matriz de responsabilidades do Mundial porque não ficaria pronta para a competição. No total, eram R$ 11 bilhões para o setor, número que caiu para R$ 7 bilhões. Como o documento de acompanhamento de obras do governo federal não foi atualizado, não dá para saber sequer se esse segundo número foi concluído. Certo é que cidades como São Paulo, Brasília, Salvador e Manaus ficaram sem os projetos de transporte prometidos.

O programa de governo de Dilma diz que o Mundial “no Brasil é a vitória política de um país que tem vencido a crise econômica internacional com a geração de empregos e distribuição de renda, é a vitória de um país que hoje é respeitado internacional, é a vitória da confiança na capacidade do povo brasileiro e a derrota do pessimismo.''

O impacto econômico positivo do Mundial para o Brasil, no entanto, não é um consenso nem no governo federal. Em balanço final,  Dilma e aliados afirmaram que houve R$ 30 bilhões em receitas geradas por turismo. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a própria presidente culparam a Copa pela recessão vivida pelo Brasil no primeiro semestre. Ambos afirmaram que o grande número de feriados ocorridos por conta da competição afetou a atividade econômica.

Pior, o governo federal até agora ainda não apresentou a conta final da Copa, isto é, a matriz de responsabilidades definitiva sobre o assunto. Isso estava prometido para após o Mundial, depois ficou para outubro, e ainda não saiu. A população só vai saber de fato quanto foi gasto na competição depois da eleição, então, é impossível ter noção se valeu a pena.

Outra menção de Dilma, em debates, é à eficiência da operação de segurança da Copa-2014. O Maracanã foi invadido por cerca de 100 chilenos, e outros estádios apresentaram falhas similares com a entrada até de armas não autorizadas. A “Folha de S. Paulo'' relatou um episódio em que a presidente esteve ameaçada por um policial não identificado no Itaquerão.

Essa proteção interna era, em sua maior parte, responsabilidade da Fifa. Mas era assim porque o governo federal aceitou essa imposição da federação internacional no plano geral de segurança apesar de inúmeros erros privados em Copas e Olimpíadas anteriores. Casa arrombada, o Ministério da Justiça aumentou o número de agentes públicos.


Se punidas, organizadas terão de pagar só R$ 30 mil por morte de torcedor
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O Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo abriu inquérito civil para investigar a responsabilidade das organizadas Mancha Alviverde e Torcida Jovem do Santos no confronto que resultou na morte de um torcedor do torcedor Leandro da Mata Santos. A questão é que os processos civis se acumulam contra as organizadas, e as punições são brandas. Se forem consideradas envolvidas na briga, as uniformizadas terão de pagar apenas R$ 30 mil de multa, e correm o risco de banimento que não costuma funcionar.

Não há nenhuma organizada de grandes paulistas proibida de manter atividade no momento apesar dos seguidos conflitos que já resultaram em três mortes neste ano. A Mancha Alviverde, no entanto, responderá ao seu terceiro inquérito civil, e a Torcida Jovem, ao segundo.

“Pelo Estatuto do Torcedor, no artigo 39, as torcidas podem ser banidas. Mas o problema está na legislação frágil que não permite penas maiores para quem comete crime em meio à multidão. Deveria haver uma política mais séria. Banir não é o suficiente'', explicou o promotor Roberto Senise Lisboa.

Em relação à pessoa jurídica da uniformizada, a previsão de punição além do banimento é um multa de R$ 30 mil por evento violento. Isso foi estabelecido em um termo de compromisso feito entre as organizadas e o Ministério Público. E vale para confrontos que resultem em morte ou não.

Senise defende a punição por entender que não é possível estabelecer outras sanções pecuniárias. Por exemplo, ele não vê como possível pedir que a prefeitura de São Paulo interrompa o financiamento público às escolas de samba tocadas pelas organizadas.

A Mancha Alviverde já responde a inquéritos civis por confronto com a Gaviões em 2012, e por nova briga com coritianos neste ano, que resultou em outra morte de palmeirense. O blog procurou os advogados da Mancha, sem sucesso.