Blog do Rodrigo Mattos

Reparos no Maracanã por abandono são estimados em pelo menos R$ 20 milhões
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Uma estimativa inicial aponta que os reparos necessários no Maracanã por conta do abandono são de pelo menos R$ 20 milhões. O valor pode subir a até R$ 30 milhões dependendo de avaliações mais profundas. Essa é a informação com que trabalha um dos consórcios que disputam a concorrência que não quis ser identificado. A Odebrecht informa que ainda não tem um montante preciso o que só será obtido após uma vistoria completa.

A questão de quem vai ficar com essa conta é o principal empecilho para a construtora dar sequência à venda da concessão para a Largardère ou para a GL Events, duas habilitadas pelo Estado do Rio de Janeiro. Essa discussão se estende e atrasa o desfecho. A Odebrecht entende que o Comitê da Olimpíada Rio-2016 é responsável por esses reparos.

Os principais consertos necessários são na cobertura, na parte elétrica e em cadeiras da arquibancada. No caso da cobertura, é preciso fazer manutenção e consertos na lona para reabrir o estádio com segurança. A avaliação é de que seria preciso R$ 9 milhões para esse item. A princípio, um laudo prévio não apontava danos que comprometessem a estrutura.

No caso das cadeiras, a Rio-2016 entregou o estádio com cadeiras com lugares trocas, e muitas delas quebradas. Além disso, o mobiliário de camarote estava jogado de qualquer maneira em depósitos. Isso precisa ser recuperado. A parte elétrica é a terceira preocupação. Há ainda o gramado cujo custo é mais baixo.

O laudo preliminar feito pela Odebrecht mostrava 56 irregularidades no estádio após a entrega pela Rio-2016. Mas a própria construtora se recusou a assumir a segurança e a manutenção do estádio por dois meses, agravando a situação e gerando roubos de cabos elétricos. O Rio-2016 nega ser responsável por qualquer reparo novo no estádio.

''Fizemos uma inspeção com a Odebrecht na entrega do estádio e a estimativa dos consertos era de R$ 400 mil'', afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada. ''Temos um laudo da SBP e outro da Promo mostrando que os danos a cobertura foram apenas um furo na lona e uma colocação de som.''


Após confusão, Coritiba prevê transmissão online de final ou venda do jogo
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Após a confusão que resultou no cancelamento do Atletiba, a diretoria do Coritiba informou que há a intenção de transmitir online uma possível final do Estadual entre os times. Outra possibilidade seria a venda para outra emissora que não a Globo. Mas o blog apurou que uma cláusula de preferência pode complicar essa revenda.

O imbróglio teve como origem o fato de Atlético-PR e Coritiba não terem aceito a proposta da Globo para contrato do Estadual. A emissora fechou com os outros dez times e a federação paranaense. Os dois grandes do Paraná tentaram transmitir o jogo online, e a federação impediu com uma alegação de que havia pessoas não credenciadas no campo.

''Vamos repetir como respeito ao torcedor (transmissão na final). Maior patrimônio é a torcida. E essa torcida temos que tratar com carinho'', afirmou o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, que não descartou acordo com outra emissora. ''Podemos fazer o acordo. Não tem problema nenhum''

Mas o blog apurou que uma cláusula de preferência no contrato do Estadual de 2016 é um complicador para a venda pontual do jogo. Isso porque, se qualquer emissora fizer uma proposta pelo Atletiba, os clubes teriam de apresentar a Globo que tem direito de cobrir. Assim, possíveis concorrentes ficam intimidadas.

Diretores da Globo, no entanto, falaram com Barcelar e informaram não ter relação com a atitude da federação. E acrescentaram que não viam motivo para impedir a transmissão online.

''Estive conversando com o diretor da emissora que tinha contrato e ele me disse que seria um absurdo que podemos contratar qualquer emissora. Fomos procurados por outras duas emissora, mas resolvemos fazer pela internet por youtube'', completou Barcelar.

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, também tinha informado que negociara com a Record e com o Esporte Interativo antes do Estadual. O acerto da Globo com outros dez times e a cláusula de preferência foram complicadores para um acerto.

A tendência é portanto de uma nova transmissão online em clássico e em uma possível final do Estadual. Com isso, Barcelar quer testar se a federação paranaense vai oferecer resistência. ''Vamos ver se era esse o problema'', disse sobre a falta de credenciamento de repórteres.

 


Veto à grama sintética no Nacional afeta plano do Palmeiras para sua arena
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Aprovada pelo Conselho técnico dos clubes, a proibição do gramado artificial para o Brasileiro-2018 afetou os planos do Palmeiras para o Allianz Parque. Havia um estudo dentro da agremiação alviverde para colocar partes de grama artificial para melhorar o campo em seu estádio. Por isso, a diretoria votou contra a medida.

Mais, ainda não está claro se clubes que têm um percentual menor de grama sintética em seus estádios como Corinthians e Grêmio poderão mantê-las com a fórmula atual. A CBF vai estabelecer regras mais detalhadas no futuro, embora a tendência é seja de que continue a ser permitido.

''Pessoal acha que gramado sintético prejudica algumas equipes. Nós não concordamos porque jogamos lá (no campo do Atlétio-PR) e vimos que não era uma sintética comum'', contou o vice-presidente alviverde, Genaro Marino.

Ele informou que o Palmeiras estava estudando o uso da grama sintética no Allianz Parque justamente porque melhoraria a qualidade do campo, e tornaria mais fácil a manutenção. O time sofreu com problemas no campo em 2016. Isso por conta de dois empecilhos: a realização de shows no Allianz e o fato de partes do gramado que não pegam sol.

Há inclusive uma questão técnica sobre o veto à grama artificial que terá de ser esclarecida pela CBF no futuro. A princípio, proibiu-se só os gramados totalmente artificiais. Mas há vários híbridos como o da Arena Corinthians e da Arena Grêmio, que têm grama artificial trançada na natural que fica por cima. Isso fortalece a grama e a sua qualidade.

O diretor de competições da CBF, Manoel Flores, ainda não soube dizer se esse tipo de combinação estará vetada. ''Isso tudo depende de uma análise mais aprofundada. A análise que estamos fazendo no projeto gramado vai definir como estão as questões do gramado hoje'', contou ele ''A partir daí, a gente vai entender como a gente estabelece isso.''

O regulamento do Brasileiro-2017 terá um dispositivo transitório em que afirma que a grama artificial é proibida para 2018, com um período de transição neste ano. A sugestão do veto foi do presidente do Vasco, Eurico Miranda, mas o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, pediu uma carência para o Atlético-PR. Por isso em 2017, os outros times terão direito a treinar um dia na Arena da Baixada.


Primeira Liga estuda disputa como torneio de verão estilo Florida Cup
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A Primeira Liga estuda modificar sua fórmula e ser disputada como um torneio de verão em estilo Florida Cup. Haveria uma concentração de jogos no início da temporada, com sedes fixas, com jogos de grandes times. Depois, as finais seriam disputadas posteriormente durante o ano.

Essa ideia foi revelada pelo presidente da liga, Gilvan Tavares Pinho, após reunião do Conselho Técnico da CBF. O blog confirmou que a discussão tem ocorrido internamente entre os integrantes da liga como alternativa para fugir do aperto do calendário da confederação.

O formato ainda não foi fechado, mas a inspiração na Florida Cup é clara. A discussão gira em torno de ter um número entre uma e três sedes. Os jogos ocorreriam em um período concentrado de tempo, e não com o espaçamento atual que espalha a Primeira Liga pelo calendário. As finais poderiam ser realizadas depois durante a temporada.

Com esse novo modelo, a Primeira Liga espera se tornar mais atrativa para a televisão e empresas parceiras. A liga já tem um contrato de televisão com a Globo e Sportv de R$ 23 milhões que é válido por três anos, sendo o primeiro deles em 2017. Mas esse ano tem sofrido com críticas de seus próprios integrantes pelos problemas de calendário.


Globo ofereceu a Atlético-PR e Coritiba um quarto da cota do Madureira
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A origem da confusão que gerou o cancelamento do clássico Atletiba foi o fato de os dois grandes do Paraná terem se recusado a assinar um contrato com a Globo pelo Estadual. Isso ocorreu porque a oferta da emissora foi de R$ 1 milhão de cota para cada um de Atlético-PR e Coritiba. Entre outros times de menor expressão, o Madureira ganha R$ 4 milhões líquidos pelo Estadual do Rio.

A negociação do contrato ocorreu em janeiro de 2017. A Globo ofereceu um total de R$ 6 milhões pelo contrato do Paranaense, sendo um terço para os dois grandes clubes. Quando Coritiba e Atlético-PR recusaram, a Globo fechou o restante do Paranaense com os outros dez times por R$ 4 milhões.

''Sei que o Carioca é um campeonato que vale mais do que o Paranaense. Mas se você for ver é 1/20 em relação ao valor do Carioca'', comentou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, ao ser informado que o contrato do Estadual do Rio de Janeiro vale R$ 120 milhões.

Por meio de arbitral, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) é quem decide a distribuição das cotas do Rio de Janeiro. Esta destinou cotas de R$ 4,5 milhões brutos (R$ 4 milhões líquidos) para os quatro clubes mais bem posicionados depois dos grandes no Estadual de 2016, Boavista, Bangu, Madureira e Volta Redonda. Cada um levará esse valor como cota, e todos são aliados da Ferj.

Depois de recusar a oferta da Globo, Atlético-PR e Coritiba procuraram alternativas para arrecadar mais com o Paranaense. ''Tentamos fazer um sistema de pay-per-view para os nossos sócios. Pensamos em fazer uma concorrência para a TV Fechada que tivesse Sportv, Esporte Interativo. Foi negociado um acordo com a Record para a TV Aberta'', explicou Petraglia.

Mas, ao mesmo tempo que os clubes traçavam a estratégia, a Globo fechou um acordo com a federação paranaense para os outros dez times. Na prática, isso inviabilizava qualquer projeto dos dois grandes visto que eles só teriam direito a um jogo, Atlético-PR e Coritiba.  ''Ficamos impedidos de vender a maioria dos jogos do Estadual.''

Pela legislação brasileira, os clubes têm a prerrogativa de negociar seus direitos de imagens. Só é possível transmitir uma partida se houver contrato ou autorização dos dois times. Restava assim o Atletiba, jogo de maior valor do Estadual, que seria transmitido via internet.

A versão da Globo é de que ela tentou viabilizar a transmissão de um campeonato paranaense sem os dois grandes. Tanto que tem transmitido em TV Aberta os jogos. A argumentação da emissora é de ser normal uma das partes não aceitar um acordo, e tentar vender de outra forma seus direitos.

Petraglia, no entanto, reclama do modelo. ''Não temos que negociar pela federação. Estamos querendo fazer a negociação diretamente pelos clubes. Por que eu teria de negociar para pagar comissão para a federação?'', argumentou o dirigente atleticano. Pela legislação brasileira, a federação paranaense não tem nenhum direito sobre o direito de televisionamento dos clubes.

O dirigente do Atlético-PR não sabe qual o desenrolar do imbróglio jurídico iniciado com a não realização do clássico. A dupla Atletiba pretende levar o caso ao tribunal de justiça desportiva do Paraná, e depois recorrer ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) se perderem. Em reunião na CBF, nesta segunda, o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, deve levar a questão à confederação.

Ao lembrar da proibição de realizar a transmissão, Petraglia dá uma definição sobre a justificativa da federação paranaense de que os profissionais da transmissão não estavam credenciados: ''É ridículo.''


Globo nega interferência e diz que times têm direito de transmitir Atletiba
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Criticada por dirigentes, a Globo afirmou não ter tido nenhuma interferência na confusão relacionada ao cancelamento do Atletiba por conta da transmissão online. A emissora informou reconhecer o direito deles de passar o jogo. Nos bastidores, executivos da emissora ligaram para dirigentes dos times e da federação para tentar entender o problema.

A Globo fez uma oferta para o Campeonato Paranaense por meio da federação estadual. Atlético-PR e Coritiba não aceitaram pelo valor ser baixo. A emissora não negociou diretamente com esses clubes, e fechou contrato apenas com os outros e a federação.

''O Grupo Globo não tem contrato vigente com Atlético-PR e com o Coritiba nesta edição do campeonato paranaense. Portanto não temos interferência na decisão dos clubes e da Federação de não realizar a partida. Entendemos que cabe aos clubes dispor livremente dos direitos nos jogos em que se enfrentam, e estávamos cientes inclusive da transmissão via Internet'', afirmou a emissora por nota.

A Globo já tinha sido informada pelos dirigentes dos dois clubes que haveria a transmissão do jogo online bem antes do anúncio oficial. E não tentou atrapalhar, segundo a versão interna.

A emissora sempre tem dificuldades na negociação do Paranaense por conta da relação conflituosa entre Atlético-PR e federação. Os dois últimos contratos foram fechados em janeiro pouco antes do campeonato. Os dois clubes também preferiram fechar os contratos do Brasileiro com o Esporte Interativo.

À emissora, o presidente da federação, Hélio Cury, justificou o cancelamento do jogo porque os jornalistas em campo não foram credenciados dentro do prazo. Essa é a justificativa oficial.


Atlético-PR e Coritiba defendem seus direitos e dão exemplo ao Brasil
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Atlético-PR e Coritiba não aceitaram jogar o clássico porque a Federação Paranaense de Futebol tentava atrapalhar sua transmissão online, e a partida foi cancelada. Nada mais fizeram do que defender seus direitos previstos em lei e deram um exemplo para outros clubes brasileiros. O sistema autoritário de confederação e federações só prejudica os times.

A disputa começou quando os dois grandes do Paraná decidiram não assinar o contrato com a Globo para transmissão do Estadual. A emissora fechou com federação para ter o campeonato com os outros times.

Até aí é do jogo. Pela lei Pelé, em seu artigo 42, é de prerrogativa exclusiva das entidades de prática esportiva (isto é, os clubes) a negociação de seus direitos de transmissão, assim como todos os direitos de arena. Só Atlético-PR e Coritiba, portanto, podem autorizar transmissão de seus jogos. Teoricamente, federações e CBF nem deveriam participar disso.

Sem contrato com a Globo, os dois times decidiram fazer uma transmissão online do jogo em seus canais próprios e no youtube. Contrataram uma produtora, narradores e repórteres para atender suas torcidas.

Pouco antes do jogo, o árbitro informou que não poderia ser realizado o jogo com a transmissão. A Federação Paranaense de Futebol informou, por meio de um advogado, que a justificativa era a falta de credenciamento de repórteres em campo. Difícil acreditar nisso. O que quiseram foi atrapalhar a iniciativa da transmissão que fragilizava a FPF.

O presidente do Atlético-PR, Luiz Emed, reafirmou que seu time não aceitaria a decisão que classificou de arbitrária da federação. ''Aprendam com Atlético-PR e Coritiba e digam não. Chega, não'', afirmou ele, em recado a outros clubes brasileiros.

Sim, já passou da hora de os clubes brasileiros lutarem por seus direitos e tomarem em suas mãos seus destinos. Pela lei, têm direitos de transmissão sobre todos seus campeonatos, assim como a chance de organizar suas próprias competições por meio de ligas como se faz no mundo inteiro.

Isso só foi possível em países como Espanha e Itália quando os clubes enfrentarem o sistema de suas federações nacionais. Atlético-PR e Coritiba fizeram isso no Paraná, assim como a Primeira Liga fez em 2016 com a CBF, embora tenha deixado o movimento enfraquecer em 2017. Esse é o único caminho se os clubes quiserem mudar o futebol nacional.

PS Nota tristíssima de que morreu um torcedor do Coritiba antes da partida, além de confusão geral entre as torcidas. É a segunda morte em menos de um mês de futebol no país em 2017.


Torcida única é o muro do Trump no futebol carioca e paulista
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Minha primeira recordação de um jogo de futebol no estádio é de ir às cadeiras do Maracanã com setor misto na final do Estadual de 1986. Flamengo e Vasco decidiam o título, e o meu pai vascaíno levou a mim e a minha irmã, ambos rubro-negros, à decisão. Saímos festejando e ele quieto após os gols de Bebeto e Júlio César.

Essa é uma das melhores lembranças que tenho do meu pai, hoje já falecido. Sem gostar muito de futebol, com temperamento difícil e com especial antipatia pelo Flamengo, deu uma demonstração de tolerância ao nos levar ao jogo. Meu pai e seu amigo vascaíno nos carregaram nos ombros ao final do jogo.

As imagens daquela tarde voltaram à minha cabeça quando a Justiça do Rio decretou a torcida única para os clássicos no Rio de Janeiro. Não é só o prazer da arquibancada que se perde com isso. A torcida única pressupõe que somos todos inimigos incapazes de conviver com o diferente. Ao se isolar torcedores de equipes rivais, os torcedores vão se tornar cada vez mais radicais e mais afastados uns dos outros.

É só ver que medidas históricas na política para separar pessoas, como o muro proposto por Donald Trump para conter imigrantes, só tendem a aumentar a distância e a raiva entre as pessoas. Se você não convive com o outro, nunca vai entender o ponto de vista dele, sua identidade. Se há a possibilidade de aproximação, há a chance de compreensão.

A tese do promotor Rodrigo Terra aceita pelo juiz é de que essa é uma medida que vai reduzir a violência, após os atos de barbárie do último Botafogo e Flamengo. Primeiro, é preciso lembramos que neste clássico houve uma falha da polícia militar cujos soldados não foram para o estádio como estava nos planos. Foram contidos por protestos de familiares. Os certos torcedores organizados são tão violentos hoje quanto nos últimos anos: só estavam livres para agir.

E o argumento da redução da violência se torna quase nulo quando constatamos que a maioria das mortes de torcedores em conflitos de organizadas se dá longe dos estádios. Basta lembrar do torcedor do Fluminense, que não era de organizada e apenas gostava de seu time, agredido perto do Maracanã neste ano quando voltava de um jogo em Xerém. No máximo, vai se reduzir a tensão em volta dos estádios porque tem ocorrido, sim, brigas dentro e fora deles.

Uma decisão importante como essa que afeta mais de 100 anos de tradição de festas compartilhadas no Rio foi tomada sem que se ouvisse a sociedade. Um promotor e um juiz definiram a ''solução'' sem um levantamento dos seus efeitos, sem consultas públicas na assembleia estadual, sem nada.

Esse tipo de medida arbitrária tornou-se uma tônica no Rio dos últimos tempos. Tivemos de pagar caro para organizar dois megaeventos (Copa do Mundo e Olimpíada) sem nenhuma consulta popular. O Maracanã, um símbolos da cidade, foi transformado pelo padrão Fifa também por decisão solitária do então governador Sergio Cabral. E, agora, nos tiram a festa como ocorrera em São Paulo.

Como sempre, o argumento é de que se trata de um mal necessário para nosso bem. Mas o que vejo é que a polícia terá seu trabalho facilitado, o promotor vai poder dizer que ''resolveu'' o problema e o torcedor perde o seu direito. Será impossível se repetir uma cena como essa do meu pai me levando para o estádio para ver um jogo dos nossos times.

Em 1987, o Flamengo voltou a enfrentar o Vasco na final do Estadual. O time cruzmaltino venceu com belo gol de Tita após passe de Dinamite. Eu estava lá novamente com meu pai e sai triste do estádio, e ele com um sorriso discreto na boca para não me chatear. Fomos embora juntos eu, ele e minha irmã.

Foi uma lição: me ajudou a aprender a perder e a entender o outro, também inspirou em mim um respeito que guardo até hoje pelo Vasco, por sua história, por sua torcida, por seus times, e pelo meu pai. Se não for capaz de despertar esse tipo de sentimento em torcedores adversários, o futebol torna-se cada vez mais um instrumento para alimentar o ódio e perde boa parte do seu sentido.


Demissão expõe racha entre base e seleção profissional na CBF
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A demissão do coordenador da base da seleção Erasmo Damiani expôs um racha que acontece entre o departamento de base e a diretoria da equipe principal, pelo menos desde a Olimpíada Rio-2016 até agora. É o que fica claro pelas declarações de Damiani ao blog. Ele afirmou que não teve as reivindicações atendidas pelo diretor de seleções, Edu Gaspar, e que entende que o dirigente teve influência decisiva em sua saída.

Damiani foi contratado quando Gilmar Rinaldi era o coordenador de seleções da CBF. Foi demitido nesta semana pelo presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, após o fracasso da seleção sub-20 no Sul-Americano: ficou em quinto no hexagonal final e fora do Mundial. Há o risco de demissão do técnico Rogério Micale, campeão olímpico. Edu Gaspar ganhou poder na confederação.

''A justificativa que ele (Del Nero) apresentou foi o resultado que tinha que ter uma mudança. Na verdade, foi subjetivo (o argumento técnico) porque o presidente não tem conhecimento técnico. Alguém passou para ele a justificativa. Até isento o presidente. Não dá para discutir metodologia com ele que não é um técnico'', analisou Damiani.

Questionado se os resultados justificavam a queda, o ex-coordenador discordou. ''O time sub-20 foi vice-mundial, ficou em terceiro no Pan com time alternativo e ganhou a Olimpíada. Em quatro campeonatos, foi ao pódio em três. Foi mal agora no Sul-Americano. E têm as outras seleções, sub-17, sub-15'', disse.

Perguntado se Edu Gaspar tinha relação com a sua saída, emendou: ''Está muito claro. Não preciso nem falar.'' Segundo Damiani, só estavam esperando ''o momento propício para fazer a mudança de interesse.''

O UOL revelou que Alessandro, diretor do Corinthians ligado a Gaspar, é candidato ao cargo de Damini, e o treinador do sub-20 do time Osmar Loss ao de Micale.

Segundo o coordenador da base, após a chegada de Tite e Edu Gaspar, a divisão de base perdeu dois observadores. Havia a necessidade de repor e contratar um supervisor para estruturar a base que tinha começado a ser montada anteriormente. Isso foi avisado à diretoria de seleções.

''Tenho que levar a ele (Edu Gaspar) que nunca deu aval para contratar. Explicamos várias vezes o que precisava. Não podemos ficar insistindo com o superior. Falei uma vez, duas vezes, três vezes'', informou.

Sobre a interação da comissão técnica principal com a base, durante a Olimpíada, Damiani minimizou a participação de Tite em ajuda ao treinador Rogério Micale na campanha do título.

''Não teve nenhuma (influência). Tite e o Edu iam almoçar com a gente nos dias dos jogos e depois iam assistir ao jogo do camarote lá de cima. Foram em três treinos, e depois um em Salvador. Não entendo por que fazem essa associação. Se perdessem ia ter essa associação?'', comentou. Ressaltou que pode ter havido comunicações entre Micale e Tite que ele desconhece.

Damiani ainda lembrou que o esquema de Micale com 4-2-4, usado na seleção olímpica, era diferente do tradicional de Tite com 4-2-3-1. De fato, um lançava quatro homens à frente para pressionar o adversário, enquanto o outro faz uma linha de três apoiadores atrás do atacante principal.

A principal reclamação do ex-coordenador da seleção é por ter montado uma estrutura com banco de dados para base, e uma comissão técnica, e o trabalho não ter sido reconhecido. Segundo ele, a divisão de base do Brasil anteriormente não tinha nada.

O blog tentou contato com Edu Gaspar que informou que o assunto estava com a CBF. A assessoria da confederação disse que não iria comentar as declarações de Damiani.


Nova Conmebol pagou advogado de ex-presidente preso e o usou na gestão
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Recido de pagamento da Conmebol para advogado que defende ex-presidente preso

Em sua atual gestão, a diretoria da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) continuou a pagar para um dos advogados pessoais do ex-presidente Juan Angel Napout, preso nos EUA acusado de lesar a entidade no escândalo da Fifa. Mais, esse advogado, chamado Esteban Burt, tornou-se um influente conselheiro do novo presidente, Alejandro Dominguez, opinando sobre estatuto e contratos da confederação. Ou seja, de junho de 2015 até abril de 2016, defendeu a entidade e o ex-dirigente detido ao mesmo tempo.

Essas informações constam de depoimentos e documentos no processo judicial nos EUA contra Napout, parte do ''caso Fifa'' em que se discute acesso a determinados dados da Conmebol. O conflito de interesses causou irritação em procuradores norte-americanos. A juíza do caso, Pamela K Chen, afirmou ser difícil que houvesse um objetivo comum entre o ex-presidente preso acusado de roubo da Conmebol e a própria entidade que se diz vítima no processo.

Esteban Burt recebeu 10 pagamentos da Conmebol em valores que variavam de US$ 22 mil a US$ 38 mil, em um total de aproximadamente US$ 300 mil. Os pagamentos constam no processo e a prestação de serviços descritos é de ''aconselhamento à presidência'', entre outros itens. O advogado alega que recebia em separado de Napout por serviços pessoais no processo criminal.

A dupla função de Burt e o seu envolvimento com o novo presidente da Conmebol foram revelados em testemunhos em outubro de 2016: Alejandro Dominguez foi citado 69 vezes nos depoimentos. Desde que assumiu, Dominguez tenta se desvincular da gestão de Napout de quem admite ser amigo, e afirmou que a entidade vive uma nova era de transparência. Essa relação com o advogado do ex-presidente, no entanto, nunca foi revelada. Abaixo o relato cronológico do caso com a crise da Conmebol.

PRIMEIRAS PRISÕES DO CASO FIFA

A história começa em 27 de maio de 2015, data que o FBI fez a primeira série de prisões de dirigentes da CBF, da Fifa e da Conmebol acusados de receber propina em contratos. Napout não estava entre eles. Mas, em seguida, ele fez a Conmebol contratar um advogado, o paraguaio Esteban Burt, para se precaver sobre os efeitos do escândalo em sua gestão.

Quem lhe indicou o advogado foi Alejandro Dominguez que tinha contratado o próprio para negócios pessoais alguns dias antes. Então, a partir de junho de 2015, Burt passa a trabalhar ao mesmo tempo para a Conmebol, para seu então presidente Napout e para o futuro Dominguez.

Em seguida, Napout descobre que é investigado pelo Departamento de Estado dos EUA. Isso reforçaria a necessidade de ter um advogado ao seu lado. Na versão de Burt, a partir daí, sua função era dar conselhos ao então presidente sobre sua atuação nos negócios da confederação de forma a não complicar sua situação nos EUA. Na prática, ele participava de todos os contratos da entidade, embora negue ter sido advogado da Conmebol.

PRISÃO DE NAPOUT

E assim vai até dezembro de 2015 quando Napout é preso acusado de levar propina por contratos da Conmebol relacionados à Copa América e à Libertadores – era o terceiro presidente detido. Esteban Burt estava com o dirigente da confederação na Suíça quando ele foi detido por policiais suíços. Ele afirmou que continuou a prestar serviços para o dirigente em dezembro e cobrou por isso.

''Sim, eu estava com o senhor Napout. Ele ainda era o presidente da Conmebol em todas as suas atividades. A principal coisa eram assuntos da Fifa porque ele estava sendo preso…'', contou Burt à Justiça. Em 17 de dezembro, com Napout preso, o advogado recebeu mais um pagamento, o segundo naquele mês. Pela primeira vez, o cheque não era assinado por Napout porque ele estava na cadeia suíça.

NOVO PRESIDENTE DA CONMEBOL

Em janeiro de 2016, a Conmebol se prepara para a eleição do novo presidente. Alejandro Dominguez é o favorito, mas está como medo de se meter no caso Fifa. Em seu depoimento à Justiça, o advogado Micheal Kendall, que defendia a Conmebol na época, afirmou ter conversado com o novo presidente sobre o assunto.

''Primeiro, eu recebo uma ligação de Esteban em algum momento de janeiro. Ele disse que Alejandro Dominguez vai concorrer para presidente, mas ele está com medo que, se for eleito, a corte de Nova Iorque vai mira-lo por ser presidente. Você poderia falar com ele. E eu disse, claro. Ele é um cara muito honesto. Ele, todo mundo sabe, é um cara honesto. Não há nada pelo que ele deveria estar preocupado. Alejandro me liga e diz, vocé sabe, ele é amigo de Juan (Napout) e ele sente pena'', contou Kendall em seu testemunho. Neste momento, ele é impedido de contar toda a conversa por advogados da Conmebol que alegam segredo sobre comunicação com cliente.

Superado o medo, Dominguez ganha a eleição e assume a Conmebol. Uma das suas decisões foi manter o advogado Esteban Burt na folha de pagamento da Conmebol. Em sua versão, ele faria uma assessoria direta a Dominguez.

''O senhor Pappalardo (advogado de Napout) me liga e diz que Esteban quer se tornar o representante de Alejandro (Dominguez) da mesma forma que foi com Juan, aconselhando o como se manter fora de problemas, como lidar com contratos, ter certeza de que não há nenhuma complicação, o que é representação pessoal. Eu disse é uma péssima ideia'', contou Micheal Kendall. Ele temia a reação da Justiça dos EUA.

Prevalece a decisão de Dominguez e o advogado Esteban Burt passa a receber pagamentos entre US$ 33 mil e US$ 38 mil por mês da Conmebol na nova gestão. Ele continua como defensor criminal do ex-presidente Napout. Os advogados e Napout dizem que ele só atuava em assistência pessoal aos presidentes, sem representar a própria Conmebol.

Cheque de abril da Conmebol para pagar advogado que defendia ex-presidente preso

Fato é que Burt viajou com Dominguez para reuniões importantes no Rio de Janeiro e na Rússia durante a gestão dele. Ainda participou como conselheiro para mudanças de estatuto da entidade e para o contrato comercial da Copa América Centenario, principal competição da entidade. Ou seja, teve acesso a documentos sigilosos da Conmebol.

A atuação de Esteban Burt ocorreu até abril de 2016 quando foi informado pelo presidente Alejandro Dominguez de que não prestaria mais serviços para ele e a Conmebol. Outro advogado foi contratado, e ele continua defendendo Napout até o momento.

JUÍZA VÊ PROBLEMA NA ATUAÇÃO DE ADVOGADO

Em 19 de janeiro de 2017, a juíza Pamela K. Chen discordou da tese de que Esteban Burt era apenas advogado pessoal dos presidentes. ''Após olhar com bastante cuidado a revisão das evidências que estão diante de mim, o peso das evidências indica que Esteban Burt representa o acusado Napout nas suas atribuições individuais e a Conmebol simultaneamente durante esse tempo relevante'', afirmou a juíza.

Em seguida, a juíza deixa claro que não tinha como haver um interesse em comum entre a Conmebol e Napout, visto que ele estava sendo investigado justamente por desviar recursos da entidade. Ainda mais porque a entidade se apresenta na corte de Nova Iorque como vítima dos desvios inclusive de Napout.

''Em relação ao segundo assunto, essa corte é realmente cética sobre o agumento do réu (Napout) de que havia um interesse comum de acordo para ser formado (entre Napout e a Conmebol). Eu acho que a maior área de dúvida que eu tenho é sobre um alvo de investigação criminal ter um interesse em comum com uma vítima'', afirmou a juíza Pamela K Chen.

E acrescentou que um acordo possível entre as partes permitiria que a Conmebol fosse impedida de ajudar nas investigações do Departamento do Estado. A juíza deixou claro que faria uma decisão por escrito especificando que Esteban Burt atuou como advogado da Conmebol e de seu ex-presidente Napout ao mesmo tempo durante o período de junho de 2015 a abril de 2016. Isso indica que pode haver mais facilidade para procuradores acessarem documentos da confederação.

OUTRO LADO

O blog enviou perguntas para a Conmebol por e.mail para ouvir o presidente Alejandro Dominguez sobre sua relação com o advogado Esteban Burt, com Juan Napout e as consequências para a entidade. Não recebeu resposta. No processo, ele não se manifesta porque não é parte. Advogados da Conmebol tentaram evitar que o nome do presidente fosse citado na ação.

Em seu depoimento, Esteban Burt defende que atuou somente como advogado de Juan Angel Napout como presidente da Conmebol, mas não em defesa da entidade. Segundo ele, recebia e recebe do ex-dirigente em separado pelos serviços na área criminal. Disse que executou a mesma função para Alejandro Dominguez a partir de janeiro de 2016, de novo, sem ser representante da entidade. Sua argumentação é de que são tarefas distintas. Sua firma de trabalho, no entanto, prestava serviços diretamente para a confederação.

Ex-advogado da Conmebol, Micheal Kendeall também afirmou que Burt atuava somente como defensor de Napout. Ele defendeu que a atuação dos advogados foi essencial para que a confederação conseguisse realizar a Copa América Centenário.

Os advogados de Napout são outros favoráveis a tese de que Burt não exerceu dupla função. Napout não confessou culpa e enfrentará o julgamento em novembro, enquanto espera em prisão domiciliar nos EUA. Ele tem que ficar a noite em casa. Antes do julgamento, os advogados do ex-presidente da Conmebol pretendem chegar a um acordo com procuradores sobre o acesso a documentos da Conmebol.