Blog do Rodrigo Mattos

Férias
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Este blog entra em férias e volta no dia 21 de fevereiro.


Crise no patrocínio de futebol no Brasil cresce e atinge até a CBF
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A crise de patrocínio no futebol do Brasil acentuou-se em 2016 e estendeu-se até a CBF. Fatores como a crise econômica, os escândalos de corrupção na confederação e falta de retorno pelo investimento têm derrubado os valores pagos para se associar a camisas de times. Esse processo, ressalte-se, já vem ocorrendo desde o final de 2013.

Principal patrocinadora do futebol brasileira, a Caixa Econômica Federal decidiu investir R$ 115 milhões esse ano, sendo R$ 83 milhões já fechados. Em relação aos clubes que já tinham contrato, os valores foram mantidos sem reajuste pelo segundo ano seguido. Só que a inflação pelo IGP-M foi de 16% nos dois anos.

“Isso ocorre em função do momento econômico diferente do anterior à primeira assinatura dos contratos. Não há nenhum gatilho nos contratos. Desde o 1o que temos o mesmo valor'', explicou o superintendente nacional de Promoções e Eventos da Caixa, Gerson Bordignon, quando fechou os novos contratos.

Um clube como Flamengo, por exemplo, leva R$ 25 milhões. Se houvesse reajuste pela inflação, o valor já seria de R$ 28 milhões. A diretoria do clube justifica ter aceito o valor pelo momento complicado do país. Sua intenção era atingir R$ 100 milhões no total em 2016, embora no orçamento estejam previstos R$ 90 milhões. Mas o rubro-negro passou janeiro com dois patrocinadores a menos (Jeep e Viton) do que no ano anterior.

A maioria dos grandes clubes têm patrocinadores master, mas em valores inferiores aos de outras épocas. Um estudo do consultor Amir Somoggi mostra, em seu blog no jornal “Lance!'', que os valores de patrocínio estão em queda desde 2014. Houve um crescimento grande de 2003 (R$ 59 milhões) a 2013 (R$ 470 milhões). Considerados os valores corrigidos pela inflação neste período, os patrocínios quadruplicaram. Mas, em 2014, caíram para R$ 467 milhões.

“A crise econômica tem impacto, mas antes já tinha caído. É mais barato do que propaganda, mas quem gasta R$ 30 milhões uma hora vê que não dá o retorno para aquele preço e reduz'', comentou Somoggi.

O caso da CBF é um misto de crise econômica ao efeito das acusações de corrupção na entidade, na opinião de consultores. A entidade perdeu quatro patrocinadores, Sadia, Michelin, Proctor & Gamble e Unimed após três de seus ex-presidentes serem acusados de levar propinas pelo FBI. Os patrocínios são a principal fonte de renda da entidade, responsáveis por 70% do seu faturamento.

A diretoria da confederação atribui só  ao cenário econômico desfavorável, mas empresas apontaram a falta de credibilidade. Foi essa a razão dada para a Petrobras para romper o patrocínio de placas da Copa do Brasil. Outra que se afastou do futebol é a Coca-Cola. Clubes têm informado que a entidade não compra mais placas de patrocínio como antes.

 


É possível evitar o desmanche de times pela China? Advogados discutem tema
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Os ataques de clubes chineses aos times brasileiros, principalmente o Corinthians, geraram uma dúvida sobre se é possível para os cartolas impedir a saída de jogadores. Advogados têm entendimento diversos sobre o tema. Alguns apontam que há mecanismo legais para segurar atletas, e outros argumentam ser impossível.

A questão se concentra na contradição entre a legislação da Fifa e a brasileira como ocorre em outros casos. Pela norma da Fifa, o clube que tem o jogador sob contrato pode segurá-lo mesmo com pagamento da multa. Pela lei do país, ele pode sair se pagar a multa rescisória mesmo com discordância do time.

Números do TMS da Fifa mostram que, em janeiro, o Brasil perdeu 96 jogadores para o exterior, enquanto 78 voltaram ao país. Um relatório da entidade fala em declínio de contratações no país, e expansão da China. O país asiático gastou US$ 43 milhões só em janeiro, atrás apenas de Inglaterra e Espanha.

“(Time interessado em contratar) Tem que falar com o clube que tem contrato no período em que o jogador está sob proteção, isto é, nos três primeiros anos do acordo no caso de atletas abaixo de 28 anos. Há exceção quando está nos dois anos finais de contrato, e no final da temporada. Em outros casos, tem que negociar'', contou o advogado Carlos Eduardo Ambiel.

Ex-avogado do São Paulo, ele cita o caso do zagueiro Breno. O Bayern de Munique pagou um valor maior do que a multa porque teve de negociar com o clube do Morumbi, segundo ele. Em outro caso, o time brasileiro poderia reportar à Fifa e acusar de assédio.

“Sei que há esse entendimento, mas discordo. Para mim, quando há o pagamento de multa, a saída é consensual. O clube pode falar direto com o jogador e depois pagar a multa'', rebateu Marcos Motta, advogado que atua nos tribunais da Fifa. “Bobo é o clube que paga além da multa. Se é meu cliente, e dizem que não vão liberar, falo para ir à Justiça trabalhista que libera.''

Pela Lei Pelé, de fato, o rompimento do contrato é possível desde que seja paga a multa rescisória estipulada em contrato. Foi o caso de alguns clubes chineses que levaram jogadores do Corinthians sem sequer se dirigir ao clube.

Mas a Lei Pelé também pode ser usada para segurar jogadores no caso dos mais jovens. É o que acontece quando há assédio de clubes europeus a garotos da base dos times. E, nisto, a ação judicial pode ser uma arma para o clube.

“Um atleta nosso da base que não tinha contrato foi aliciado por um clube europeu. Desconfiamos, e entramos com uma ação e notificamos o clube e o pai. Alegamos que a lei nos faculta ter direito a assinar o primeiro contrato com o atleta'', explicou o vice-jurídico do Atlético-MG, Lázaro Cunha, que disse que o atleta continua no Galo. “Pedimos investigação de onde vinha o dinheiro e se havia até lavagem de dinheiro.''

Como um conclusão, quando um clube sofre assédio de seus jogadores, há armas jurídicas para tentar impedir sua saída tanto na legislação nacional quanto da Fifa. Mas a vitória para tentar segurar o jogador é sempre incerta, e depende de cada juiz.


FPF isenta clubes de certidão fiscal para jogar Paulista
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Diante de um vácuo jurídico na interpretação da Lei Profut, a Federação Paulista de Futebol isentou suas equipes de mostrar as CNDs (Certidões Negativas de Débito) para disputar o Paulistão. Teoricamente, era obrigatório pela legislação. Outras federações como a do Rio de Janeiro e de Minas Gerais foram rígidas e exigiram o documento.

A Lei do Profut alterou o artigo 10o do Estatuto do Torcedor: o texto passou a prever que é critério técnico para se classificar a uma competição apresentar a regularidade fiscal, de FGTS e comprovar o pagamento de salários em dia. Só que o governo admite que há diferentes interpretações de como isso será executado, e ainda tenta esclarecer a questão.

Representantes do Ministério do Esporte estiveram na Federação Paulista e falaram sobre essas interpretações, sendo uma delas a de que não havia certeza de que a CND tivesse que ser apresentada antes do campeonato. Foi a tese encampada pela FPF.

Assim, a Federação Paulista incluiu em seu regulamento geral a obrigatoriedade de regularidade fiscal. Só que entendeu que não é ela quem fiscaliza a questão. Levará casos à Justiça Desportiva em caso de denúncia.

Já federações como a de Minas Gerais e do Rio de Janeiro tiveram uma compreensão diversa e exigiram as CNDs dos clubes. No Estadual do Rio, houve clubes como Botafogo que não conseguiram a certidão, mas o TJD da federação foi flexível e os liberou.

Em Minas, houve maior rigor. Desde outubro, a federação local fez reuniões com os clubes e disponibilizou uma consultoria tributária para ajuda-los a conseguirem a regularidade. Ao final, a FMF informou que os 12 times da primeira divisão passaram a ter as CNDs – alguns as obtiveram na sexta-feira antes do Estadual. Ou seja, não eram impossível criar um programa para obter as certidões.

 


Discussão jurídica adia obrigação de CND para clubes jogarem competições
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Logo após a aprovação da Lei Profut, as federações estaduais previam uma caos no futebol por falta de times para disputar pela necessidade de regularidade fiscal. Mas uma lacuna em relação à interpretação da lei adiou, na prática, a obrigatoriedade de CNDs (Certidões Negativas de Débitos) para os Estaduais. O governo agora faz movimentos para fazer valer o dispositivo no Brasileiro ou em 2017.

Ao alterar o artigo 10o do Estatuto do Torcedor, a lei previa que é critério técnico para se classificar a uma competição apresentar a regularidade fiscal, de FGTS e comprovar o pagamento de salários em dia.

“É importante dizer que a exigência da lei é imediata. Mas existe uma adaptação. A lei carece de regulamentação. Está vigente, mas não dá um detalhamento se o clube teria de apresentar a CND antes ou durante o campeonato'', explicou o secretário de futebol, Rogério Hamam. “Além disso, a lei também fala em critério técnico. Então, a necessidade da certidão poderia interferir no direito adquirido.''

Por isso, o governo pedirá que o CNE (Conselho Nacional do Esporte) se manifeste sobre a interpretação da lei em 16 de feveiro, isto é, se a certidão já é imprescindível ou não. Aí o governo poderia ter uma versão oficial de como tem de ser cumprida a regulamentação. Além disso, trabalhará na regulamentação da lei.

Em paralelo, há a previsão de uma votação de uma MP no Congresso que pede o adiamento da obrigação de regularidade fiscal para 2017. Então, existem dois cenários possíveis: essa medida ser aprovada e ficar tudo para o próximo ano ou ser reprovada e o governo correr para regulamentar a lei antes do Brasileiro. Há membros do governo que já trabalham com a ideia de que a exigência só fique para 2017.

Advogados ouvidos pelo blog têm opiniões diferentes. Uns dizem que a exigência é imediata e deveria estar sendo cumprida. E outros defendem que tem de haver regulamentação da lei.

“Não estou dizendo que não há necessidade da CND porque estaria indo contra uma lei que lutei para aprovar. Mas, neste momento dos Estaduais, há uma lacuna'', ressaltou Hamam. Com o vácuo, cada federação tem interpretado da sua forma a norma.

Ligados à CBF, o Sindafebol (Sindicato de Entidades do Futebol) e o PHS entraram com uma ação de inconstitucionalidade no STF contra a Lei do Profut alegando que esta causaria o caos no futebol porque não haveria times para disputar os campeonatos por falta de CNDs. Não conseguiram uma liminar. Mas, na prática, a exigência foi adiada.


DIS junta provas para desmentir depoimento de Neymar
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O depoimento de Neymar à Justiça Espanhola causou revolta no grupo DIS (fundo do Sonda) que processa o jogador. Questionam afirmações de que não conhecia o dono do fundo Delcir Sonda e de que não tinha participação nenhuma nas negociações, deixando tudo com o pai. Executivos do fundo, agora, juntam provas como documentos e vídeos para desmentir essas declarações se for necessário.

Foi o DIS, que era dono de 40% sobre os direitos do atleta, quem deu início ao processo contra Neymar na Espanha alegando ter sido enganado na negociação do Santos para o Barcelona. Há uma queixa-crime por corrupção e uma cobrança de € 35 milhões.

Pois bem, segundo a versão do DIS, Neymar afirmou não conhecer os donos do grupo à Justiça da Espanha. Em Madrid, Delcir deu uma entrevista se dizendo “apunhalado pelas costas'' pelo jogador.  Executivos do fundo dizem ter provas para desmentir o jogador.

Entre elas, está um vídeo, do meio de junho de 2011, em que Neymar aparece negociando seu futuro com membros do DIS. Fala-se de Real Madrid e de outros clubes. Logo depois, no final daquele ano, seu pai assinou contrato com o Barcelona.

Essa é outra contradição apontada pelo fundo. O advogado de Neymar, Gustavo Xisto, deu uma entrevista à “Rádio Jovem Pan'' dizendo que o jogador não sabia do negócio do seu pai com o Barcelona em 2011. “O Neymar não tinha conhecimento do contrato firmado em 2011 com o Barcelona. Por incrível que pareça, ele não tinha a mínima noção em 2011 que poderia ir para o Barcelona.''

Só que um documento da disputa judicial na Justiça Brasileira entre Receita Federal e Neymar indica o contrário: ele foi parte no acordo com o Barcelona no final de novembro de 2011. E quem informa isso são os próprios advogados do jogador. Em resposta ao fisco, a defesa do atleta deixa claro que o Neymar participou da negociação. Veja abaixo em documento que o blog publicou em 2014.

Em resposta à Receita, N & N informa que assinou contrato com o Barcelona em 15 de novembro, mesma data de Neymar. Ou seja, havia, sim, pré-contrato entre o jogador e o clube.

Em resposta à Receita, N & N informa que assinou contrato com o Barcelona em 15 de novembro, mesma data de Neymar. Ou seja, havia pré-contrato entre o jogador e o clube.

Fora as provas documentais e de vídeo, o DIS ainda aponta outros indícios para provar a sua relação com Neymar. Delcir teria comprado carro, som e até pago o cabeleireiro da mãe de Neymar no início de sua carreira.

Para executivos do Sonda, o depoimento do jogador tem tantas contradições que deve prejudicá-lo no processo. O blog tentou contato com os advogados de Neymar, sem sucesso.


Liga Sul-Americana tem disputa com Conmebol por contratos da Libertadores
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A Liga Sul-Americana de clubes iniciou uma verdadeira queda-de-braço com a Conmebol pelo acesso aos contratos da Libertadores. Esse foi o tópico mais importante da reunião de quarta-feira que teve a participação de 38 times, incluindo oito deles brasileiros. Não se descarta um rompimento se a confederação não atender as demandas dos times.

A liga tem sido conduzida pelos argentinos Boca Juniors, River Plate e Peñarol. Pela primeira vez, estiveram presentes Atlético-MG, Santos, São Paulo, Palmeiras, Corinthians, Flamengo, Grêmio e Internacional no encontro em Buenos Aires. Há a tendência que o Cruzeiro também seja chamado.

Na reunião, os clubes argentinos mostraram que já pediram à Conmebol acesso a todos os contratos de televisão e de patrocínio da Libertadores. Querem saber quanto percentualmente é destinado para suas cotas e quanto fica com a confederação.

Mas, a princípio, a Conmebol negou acesso direto dos clubes aos contratos. A intenção da entidade é expor os documentos e os números para as associações nacionais como a CBF. Seriam elas as responsáveis por detalhar os valores aos clubes.

Só que os presidentes dessas associações são justamente os suspeitos de levar propinas pelos contratos da Libertadores. É o caso dos ex-presidentes da CBF José Maria Marine e Marco Polo Del Nero.

Por isso, os clubes não aceitam uma intermediação das associações. Seu objetivo é que uma comissão de clubes tenha acesso direto aos contratos para fazer uma auditoria. Se não forem atendidos, o discurso atual de não romper com a confederação continental pode mudar. O presidente do River, Rodolfo D'Onofrio, deixou claro ao final do encontro que os clubes querem continuar na Libertadores, mas o “mundo está mudando''.

Neste cenário, é importante ter a participação dos clubes brasileiros. O estatuto da Liga será preparado e apresentado na próxima reunião em Porto Alegre em março. Aí, os times nacionais poderão estudar sua adesão. Por enquanto, mostraram-se bem favoráveis às demandas da Liga, isto é, devem se juntar ao movimento.

 


Processos contra Neymar envolvem R$ 342 milhões. Veja possíveis punições
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Nos últimos dias, o jogador Neymar e seu pai foram alvos de seguidos ataques em processos cíveis e criminais no Brasil e na Espanha por supostas irregularidades em sua transferência ao Barcelona e no recebimento de salários. No total, as quatro ações envolvem cobranças de R$ 342 milhões e acusações por seis crimes contra o atleta e seu pai.

É importante que se diga que a prisão de Neymar por sonegação fiscal, falsidade ideológica e mesmo por corrupção parece improvável. As penas são baixas e crimes desse calibre costumam gerar acordos para pagamentos, e não detenção. Claro, não se pode descartar nada visto que há acusações criminais.

Há boas possibilidades, no entanto, de o bolso do craque ser afetado. As cobranças tanto da DIS (fundo que se sentiu enganado por Santos e Neymar) quanto da Receita Federal são altas. Para entender os casos, aí vai uma explicação separada para cada processo contra o jogador e seu pai.

Espanha (civil e criminal)

Em 2015, o fundo DIS entrou com uma queixa-crime contra o jogador e seu pai, e contra o Santos. Os integrantes do fundo acusam pai e filho de esconder os reais valores da transferência de Neymar do clube santista para o Barcelona, e assim não lhes pagar os 40% a que tinham direito. Na parte civil, a cobrança do DIS gira em torno de € 35 milhões (R$ 152,6 milhões). Esse dinheiro é cobrado de Neymar, do Santos e do Barcelona. Caberá ao juiz determinar, se der razão ao fundo, quem tem de pagar.

Na parte criminal, Neymar e seu pai são acusados de fraude e corrupção, artigos 286bis e 251 do código Espanhol. A corrupção é por impedir o livre mercado de transferências ao assinar um contrato com o Barcelona, em 2011, quando ainda era jogador do Santos. Isso teria causado dano ao clube santista que foi enganado, como mostrou o blog. O crime de corrupção gera pena de um a seis anos, e o de fraude, de um a quatro anos. Dirigentes do Barcelona também são acusados. Na Justiça, Neymar pai isentou o filho da operação.

Brasil

Receita Federal (1)

Em 2015, a Receita Federal apontou que o jogador e seu pai sonegaram R$ 65 milhões principalmente em rendimentos obtidos na transferência para o Barcelona. Alega que esses ganhos eram oriundos de vínculo empregatício com o time espanhol, o que foi simulado por meio de recebimento do total pela N & N Consultoria, empresa de seu pai. Assim, a cobrança chega a R$ 188,8 milhões por conta de multa de 150%. Esse foi o total de bens bloqueados do jogador.

Receita Federal (2)

Em 2014, a Receita Federal já alegara que o jogador tinha deixado de pagar  R$ 459,6 mil em impostos por dinheiro recebido por meio da empresa Neymar Sports e Marketing. A tese do fisco é de que os ganhos eram salários do Santos, mas tinham sido disfarçados como publicidade por meio de contratos de direitos de imagem.

Criminal

O Ministério Público Federal de Santos ofereceu uma denúncia no final de janeiro em que acusa Neymar e seu pai de sonegarem impostos e cometeram falsidade ideológica por conta de supostas irregularidades nos contratos de sua empresa. Além dele, são denunciados dirigentes do Barcelona. Mais uma vez, o alvo é a operação de transferência do Santos para o time espanhol, além de ganhos salariais do jogador santista.

Na acusação da procuradoria, o contrato entre a empresa N & N Consultoria serviria para reduzir os impostos pagos já que as alíquotas são bem menores do que de pessoa física. O mesmo é alegado em relação a recebimentos da Neymar Sports & Marketing e seus salários do Santos.

Nesta denúncia, eles são acusados nos três primeiros artigos da lei sobre crimes tributárias (8.137), que tem penas entre seis meses e cinco anos. Há ainda uma acusação por sonegação no artigo 1o da lei 4.729, que prevê detenção de seis meses a um ano. A Justiça Federal ainda não decidiu se aceita a denúncia.

Defesa

Neymar pai alega que não há nenhuma irregularidade na transação do Santos para o Barcelona. Na sua versão, sua empresa recebeu do time espanhol uma indenização prevista em contrato, e a negociação tinha aval do Santos. Na Justiça da Espanha, ele assumiu a responsabilidade por toda a operação, isentando o filho.

No Brasil, Neymar pai atacou o procurador Thiago Lacerda, acusando o de procurar holofotes. Em seu site, publicou documentos da empresa Neymar Sports e Marketing para supostamente provar que não houve fraudes contratuais. Para ele,  é seu direito fazer “planejamento tributário'' e portanto preparar seus negócios de uma forma que pague menos impostos. Alega que tudo foi feito dentro da lei.


Com grupo, Santos acerta com Esporte Interativo por Nacional. Falta assinar
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Um grupo de cinco clubes, incluindo o Santos, praticamente fechou para ceder os seus direitos de TV Fechada do Brasileiro para o Esporte Interativo a partir de 2019. Falta assinar o contrato e obter mais três times para fechar o pacote. Além do time santista, o Atlético-PR confirmou ter aceito a proposta do canal da Turner. Coritiba, Internacional e Bahia também estão neste grupo.

O Esporte Interativo vem negociando com os times que não tinham contrato com a Globo para obter os direitos de TV Fechada. Acena com uma proposta de nove vezes a oferta feita pelo Sportv – R$ 550 milhões contra R$ 60 milhões. Esse valor será proporcional ao número de clubes acertados. Uma reunião na segunda-feira selou um acordo de parte dos clubes com o EI.

“Está 90% acertado. Acertamos todos os detalhes e há um acordo em relação às condições'', afirmou o vice-presidente do Santos, César Conforti. “Só não posso dizer que está fechado porque ainda falta assinar. Até lá, temos que esperar.''

Mesmo tom foi adotado pelo presidente do Atlético-PR, Luiz Salim Emed. “Os jurídicos fizeram ajustes e houve aceitação da proposta pelos clubes. O Esporte Interativo agora vai levar o contrato para ser aprovado na sua sede. Depende só dessa aprovação. As condições estão acordadas'', contou o dirigente.

O Esporte Interativo precisa de mais três clubes para ter o pacote que gostaria do Brasileiro da Série A: oito times e um máximo de 76 jogos. O Grêmio, que estava no grupo de negociação, ainda analisa a proposta da Globo e do canal da Turner. Já o Fluminense informou não ter acordo com nenhum canal até agora, mas se acertou com a Globo.

“Sabemos que o Esporte Interativo vai procurar clubes do Nordeste como o Santa Cruz para completar os oitos. Esse era o acordo.'' O canal ainda tem esperanças de atrair clubes como Flamengo e São Paulo, embora estejam mais próximos da Globo.

O blog não conseguiu confirmar com Inter, Bahia e Coritiba se de fato aceitaram a proposta do canal da Turner, como informaram Santos e Atlético-PR. O Esporte Interativo não fala sobre as negociações no momento. Mesmo assinando com o canal, os cinco clubes ainda podem fechar com a Globo para TV Aberta e pay-per-view.

“Não impede nada. Esses direitos ainda ficarão em aberto'', contou Conforti. “Agora, a Globo sempre tratou o Santos com inferioridade. Nossos torcedores cobravam uma atitude. Então, pensamos no que era a melhor proposta para o clube.''


Liga Sul-Americana de clubes chama brasileiros e quer ser ‘protagonista’
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A convite do Boca Juniors, os grandes times brasileiros foram convidados para a fundação da Liga Sul-Americana de clubes, que será discutida em reunião na quarta-feira em Buenos Aires. O objetivo da entidade é que as equipes tenham voz ativa em questões como a organização da Libertadores, distribuição de cotas de televisão, entre outros assuntos.

Seria mais um grupo independente com participação de clubes brasileiros após a criação da Primeira Liga que criou um torneio e enfrentou a CBF. Agora, o alvo é a Conmebol, que foi alvo de seguidos casos de corrupção e é criticada pelas baixas cotas pagas aos times. Estão confirmados no encontro times como Grêmio, São Paulo e Internacional, e a há previsão como Atlético-MG e Corinthians.

O blog teve acesso ao convite feito pelo Boca Juniors aos times. “Nesta oportunidade, serão discutidos o estatuto e o regulamento que servirão como base para fundação da Liga Sul-Americana de Clubes de Futebol, cujos detalhamentos serão debatidos nesta reunião'', diz o texto do convite.

Está descrito ainda que os clubes de outros países explicarão quais os resultados da primeira reunião com a Conmebol, em 25 de janeiro. Embora só seja fundada oficialmente agora, a liga sul-americana já vem sendo articulada pelos grandes da América do Sul desde o final do ano passado, incluindo Boca Juniors, River Plate, Penãrol, Universidad do Chile, entre outros.

Faltava a adesão dos times brasileiros que já tinham sido sondados em dezembro, mas não participaram das primeiras reuniões. Pelo texto do convite feito pelo Boca Juniors, é clara a intenção de dar força aos clubes e revolucionar as relações com a Conmebol.

“Inicialmente, podemos adiantar que a dita organização terá como objetivo representar os clubes de futebol sul-americanos, garantindo e impulsionando seus interesses para que eles ganhem participação mais ativa nas atividades que englobam nosso esporte'', diz a carta. “É o meu desejo que esse seja o início de uma nova maneira de trabalhar entre clubes a partir de uma organização e protagonismo inovadores.''

Lembrança: a Europa já conta com uma entidade que reúne seus clubes mais fortes há vários anos. O grupo tem enfrentado a UEFA e a Fifa em questões delicadas, e estuda até lançar uma Superliga para substituir a Liga dos Campeões.

Colaborou Jeremias Wernek