Blog do Rodrigo Mattos

Conta da Fifa foi usada em pagamento de propina, diz investigação dos EUA
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Uma conta da Fifa foi usada para intermediação do pagamento de propina relacionada à compra de votos para a eleição da Africa do Sul  para sede da Copa-2010. É o que aponta o relatório do Departamento de Justiça dos EUA. O presidente da federação internacional, Joseph Blatter, fez um discurso nesta quinta-feira tentando se dissociar do escândalo.

A investigação do FBI apontou que o ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner, que está preso, aceitou um oferta de US$ 10 milhões para votar em favor do país africano, recusando outra de US$ 1 milhão feita pelo concorrente Marrocos. Uma parte desse dinheiro, US$ 1 milhão, seria dado para Chuck Blazer, outro membro do comitê executivo da entidade.

Esses recursos, teoricamente, seriam pagos pelo governo sul-africano para garantir os votos. Só que o governo do país alegou que teria dificuldades para explicar a utilização dos fundos. E a propina não foi paga até 2008, quatro anos após a escolha. A única forma do suborno chegar aos cartolas foi pela Fifa.

“Arranjos foram feitos com oficiais da Fifa para que em vez disso os US$ 10 milhões da Fifa – que seriam usados para apoiar a Copa da Africa do Sul – fossem para a CFU (Confederação União do Caribe)'', afirmou o relatório norte-americano.

Em janeiro de 2008, um alto oficial da Fifa fez três transferências de conta da Fifa na Suíça para a confederação caribenha. Após esse dinheiro chegar ao Caribe, Warner passou a desviá-lo por meio de empréstimos e outros pagamentos para laranjas. E pagou parte do dinheiro para Blazer.

Warner nega irregularidades. Blazer se declarou culpado e fez delação premiada. Já Blatter desvia sua responsabilidade mesmo quando se trata de operação de conta da própria Fifa.

“Eu sei que muitas pessoas ultimamente me responsabilizam. Mas eu não posso monitorar todos o tempo inteiro. Se as pessoas querem fazer algo errado, elas também vão tentar esconder'', discursou o dirigente nesta tarde na Suíça.

 


Ex-chefão da Conmebol exigiu e embolsou lucros da Libertadores
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O ex-presidente da Conmebol, Nicolás Leóz, exigiu parte dos lucros da Libertadores, e conseguiu uma mesada e propinas pagas pela Traffic. As informações constam da investigação do Departamento da Justiça e do FBI nos EUA. A competição teve uma explosão de rendimentos nos últimos anos, mas os clubes brasileiros reclamam que o dinheiro não chega a eles.

A investigação mostra o crescimento dos contratos de marketing da competição. De 1998 a 2007, foram pagos R$ 110 milhões pelos direitos de nome da competição comprados pela Toyota. No contrato seguinte, pagou-se R$ 125 milhões por cinco anos, isto é, mais do que o dobro.

Só a Traffic destinou outros R$ 180 milhões para ter os direitos de toda a competição, de 2000 a 2007, que poderiam ser revendidos a redes de televisão e outros patrocinadores. A questão é que o Léoz não queria que a empresa arrecadasse sozinha.

“No início dos anos 2000, o acusado Nicolas Leóz em vários momentos solicitou propina e suborno à Traffic em troca de seu apoio.'' Sua argumentação era de que sabia que a empresa ganharia muito dinheiro e não seria justo ele ficar sem nada pela competição de clubes.

A investigação mostra que, em 2006, foram pagos US$ 2 milhões na conta pessoal de Léoz. Depois, foi estabelecido um pagamento anual de US$ 400 mil por torneio entre 2008 e 2012. Segunda a descrição da investigação, o dinheiro ia direto para conta do paraguaio, ou ele desviava fundos da Conmebol.

Pelo menos um patrocinador ouvido pelo blog afirmou que não dá para fechar contrato com a Conmebol relacionado à Libertadores sem pagar comissão a dirigentes. Como mostrado na investigação, o mesmo vale para a Copa América.

Se for feita uma comparação, um clube ganha como cota em jogos iniciais da Libertadores apenas US$ 250 mil por partidas em casa na primeira fase. Ou seja, um time, com todas as suas despesas, arrecada menos do que a mesada do então presidente da Conmebol. A cota do campeão é de US$ 2,3 milhões, apenas um pouco maior do que a propina recebida por Léoz em 2006.

Colaborou Guilherme Costa


Só contrato da Nike gerou R$ 47 mi para Teixeira, indica polícia dos EUA
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Os documentos da investigação de órgãos dos EUA sobre contratos da CBF mostram que só o acordo da Nike gerou R$ 47 milhões em propinas para o ex-presidente Ricardo Teixeira. Pelo menos é o que diz José Hawilla, dono da Traffic, intermediadora da negociação à Justiça norte-americana. O executivo confessou crimes e devolverá dinheiro ao governo norte-americano.

Nesta quarta-feira, são 14 dirigentes ligados à Fifa acusados de crimes entre eles o vice-presidente da CBF, José Maria Marin, que está detido na Suíça. As ordens para prendê-lo vieram de processo nos EUA que investigam crimes no país com grampos e documentos fiscais.

Segundo a Justiça americana, há documentos nos diversos processos que mostram um acordo secreto para uma empresa de material esportivo norte-americana pagar um total de US$ 40 milhões para a Traffic em conta na Suíça. É uma comissão por acordo assinado entre a empresa e a CBF em 1996, por dez anos, por US$ 160 milhões. Ou seja, a empresa é a Nike.

Do total do pagamento por fora previsto, efetivamente foram transferidos US$ 30 milhões entre 1996 e 1999, o que representa R$ 94 milhões. Esses pagamentos estão provados por documentos.

“Hawilla concordou em pagar e pagou ao conspirador número 13 (Teixeira) metade do dinheiro que ele fez com o negócio, totalizando milhões, como uma propina e um suborno'', afirma o documento da Justiça Americana.

O conspirador número 13 foi quem fechou o contrato pela CBF. É descrito como um alto dirigente da Conmebol, da Fifa e da CBF, e responsável por negociar acordos da entidade. Apenas o então presidente da confederação Ricardo Teixeira se encaixava neste perfil à época. Ou seja, segundo Hawilla, Teixeira ficou com R$ 47 milhões do acordo.

O dirigente não é citado porque não foi indiciado pelo Departamento de Justiça americano. Mas as autoridades dos EUA já informaram que a investigação está apenas começando.

O ex-cartola da confederação ainda não foi encontrado apesar do contato com pessoas próximas. A Nike se manifestou por meio de nota. Veja abaixo:

“Como todos os nossos fãs ao redor do mundo, nós somos apaixonados pelo jogo e estamos preocupados com essas acusações muito sérias. A Nike acredita fortemente em ética e fair play tanto nos negócios como no esporte, e repudia fortemente toda e qualquer forma de manipulação ou propina. Nós já estamos cooperando, e seguiremos cooperando, com as autoridades.''

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Diretoria da CBF tenta se dissociar de gestão Marin
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Em reação à prisão de José Maria Marin, a diretoria da CBF começa a tentar dissociar o atual presidente, Marco Polo Del Nero, do seu vice-presidente e antecessor. É esse o discurso do secretário-geral da confederação Walter Feldman em relação às denúncias de corrupção no contrato da Copa do Brasil e com a Nike.

“O vice-presidente não tem expectativa de ter função administrativa. A gestão Marin era uma transição de um regime fechado para democracia. A gestão atual tem 40 dias'', afirmou Feldman. “Quem decidia era o Marin. Não há preocupação de Del Nero.''

Esse tom já foi adotado em nota oficial da CBF em que sequer o nome de Marin é citado, e ressalta-se início de uma nova gestão. Feldman afirmou que o atual presidente já mandara verificar os contratos antigos, entre eles Nike e da Copa do Brasil, firmados na gestão Teixeira. Mas não soube dizer se houve alguma revisão.

A confederação sequer assumirá a defesa de Marin como acontecia com o ex-presidente Ricardo Teixeira. Recebeu a informação de que a Conmebol iria providenciar advogados para defendê-lo na Suíça. Del Nero não pôde visitar o vice da CBF porque ele está em local isolado.

Questionado se o caso de corrupção pode gerar uma intervenção na CBF, Feldman tentou descartar a hipótese: “Não existe sistema de intervenção na CBF. Estamos em discussão de uma lei, e não achamos que haverá interferência.''

 


Por dívida, Nobre tem poder sobre acordo Palmeiras e Globo após seu mandato
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Com o acordo para pagamento de seus empréstimos, o presidente alviverde, Paulo Nobre, passou a ter poder sobre o contrato do Palmeiras com a Globo para bem além do seu mandado. É o que está descrito no regulamento do fundo criado pelo dirigente, obtido pelo blog. As regras ainda preveem possibilidade de revisão na forma de quitação do débito em caso de rebaixamento do time.

Ao final do ano passado, o Palmeiras tinha dívida de R$ 180 milhões com seu presidente, em empréstimos e encargos. Uma parte ficou em direitos de jogador, e outra em contratos de mútuo. O maior montante (R$ 104 milhões) foi incluído para pagamento pelo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Academia Esportiva.

O pagamento deve ser feito em 15 anos, ou até 2030, período em que serão descontados 10% das receitas do clube. Já existem R$ 93 milhões em ativos no fundo criado por Nobre.

O Fidc é um mecanismo pelo qual uma empresa cede seus ganhos futuros em contratos em troca de receber o dinheiro agora. É uma prática de clubes brasileiros, em geral feita com bancos que costumam ter garantias similares sobre os contratos.

Trecho do regulamento do fundo de Nobre que trata do risco de rebaixamento do Palmeiras

Trecho do regulamento do fundo de Nobre que trata do risco de rebaixamento do Palmeiras

Pois bem, no caso palmeirense, o fundo tem como único cotista Paulo Nobre. Sua remuneração será feita pelo CDI, que gira entre 11% e 12% nos últimos anos. Do outro lado, quem cede seus direitos é o devedor: o Palmeiras.

“A remuneração dentro do CDI está dentro dos padrões de mercado. Alguns usam índice de inflação, outros o CDI'', explicou o advogado Carlos Lobo, do escritório Veirano Advogados, que atua na área. O CDI é um índice mais baixo do que o captado por clubes em bancos, isto é, foi uma ajuda do dirigente ao Palmeiras. A questão é o poder cedido a Nobre por isso.

Primeiro, os contratos do Palmeiras com a Globo e a Horizonte, empresa do grupo da emissora, serão alienados fiduciariamente para o fundo. Ou seja, caso exista qualquer problema de pagamento, o fundo de Nobre pode ficar com eles: tem que cobrir todo o valor.

Mesmo se os pagamentos forem feitos regularmente, o dirigente mantém controle sobre os acordos: todos os contratos e seus aditivos têm que ser entregues ao fundo do dirigente, há o direito de exigir esclarecimento em cinco dias sobre quaisquer pontos, e o Palmeiras se obriga a assinar qualquer documento para garantir que o fundo receba os pagamentos.

Essas regras valem até 2030, prazo para encerramento do fundo e para quitação das dívidas com Nobre. Desta forma, o dirigente mantém o poder sobre esses acordos além de seu mandato que acaba em 2017. E isso valerá para futuros contratos do clube com a Globo que venham a ser assinados após 2018 já que é deles que sairão os créditos para pagá-lo.

“Não tenho influência nenhuma nas próximas gestões'', disse Nobre sobre o fundo em entrevista ao Sportv. “Esse fundo não tem influência nenhuma, nenhuma, nenhuma na política do clube. O Paulo Nobre deixando de ser presidente não tem influência nenhuma pelo fato de ter emprestado dinheiro no passado.''

Por conta da natureza do contrato com a emissora, o fundo tem ressalvas quanto ao desempenho desportivo do devedor, isto é, o Palmeiras. Explica-se: o acordo com a Globo prevê queda de receita em caso de dois anos na Série B.

Fundo prevê que pode ser liquidado com resgate das cotas caso Palmeiras fique na Série B

Fundo prevê que pode ser liquidado com resgate das cotas caso Palmeiras fique na Série B

Assim, o fundo prevê, entre os eventos que podem causar a sua liquidação, o rebaixamento do Palmeiras à Segundona e a permanência por lá por duas temporadas, seja no caso do Brasileiro ou do Paulista. Isso está expresso na cláusula 17 do regulamento. Nesta hipótese, os administradores decidem se liquidam ou não o fundo. Na prática, Nobre é quem decidirá.

E como isso afeta o clube? Caso o fundo seja liquidado, o cotista tem direito a resgatar todo as cotas (dinheiro). Caso não exista caixa disponível, ele fica com os direitos creditórios (pagamentos de cotas de tv), e passam a valer contratos e garantias anteriormente assinados. Assim, todo o acordo de parcelamento pelo Fidic cai.

Há tanta preocupação do fundo de Nobre com a questão do desempenho esportivo que o regulamento tem cláusulas sobre isso. “Caso o Devedor (Palmeiras) não passe mais a disputar o Brasileiro ou Paulista, conforme o caso, na Série A, mantendo-se em série inferior por mais de uma temporada, determinados contratos celebrados pelo devedor poderão ter sua remuneração diminuída.''

O blog enviou questionamentos sobre o funcionamento do fundo à assessoria do Palmeiras. Por meio da assessoria, o clube enviou uma nota (publicada abaixo). Não respondeu sobre os poderes de Nobre sobre o contrato da Globo, nem sobre a possibilidade de mudança no acordo em caso de rebaixamento do time. Explicou a operação.

Nota do Palmeiras: 

O Conselho Deliberativo do Palmeiras aprovou o plano de refinanciamento de dívida que resultará em uma economia estimada de R$ 320 milhões aos cofres alviverdes.

Com mais de 90% de votos favoráveis, o CD definiu como se dará a devolução do aporte efetuado pelo presidente Paulo Nobre ao clube. A operação deve ser concluída em aproximadamente 15 anos, com correção feita apenas pelo CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Esse tempo poderá ser maior ou menor dependendo de duas variáveis: receitas auferidas pela S.E.P. e taxa Selic.

Em gestões anteriores, empréstimos realizados em bancos chegavam a patamares compreendidos entre 200% e 300% do CDI e os prazos eram muito mais curtos. No modelo aprovado, o custo da dívida será apenas o da correção do capital, com um período longo e elástico para a quitação.

O objetivo principal foi possibilitar a continuidade das atividades no clube, visto que só havia 25% do orçamento disponível para utilização em 2013.

No intuito de evitar a repetição da prática de utilizar verbas futuras, a diretoria buscou uma forma de garantir que as próximas gestões tivessem condições financeiras de fazer o Palmeiras crescer. Com o modelo adotado, não houve adiantamento de nenhuma cota e a preservação de 90% dos recursos previstos para 2015.

O plano inicial para aporte ao caixa alviverde era a constituição de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios) com captação de recursos no mercado, e que teria como garantia todos os contratos de direitos de televisão.

Com ações judiciais que impediram a utilização dessa estrutura, a única solução que não imputaria ao Palmeiras uma dívida impagável foi a obtenção de recursos junto ao mandatário alviverde.

O clube começou a pagar neste mês de maio o montante de R$ 103,4 milhões. Essa carência de quatro meses existiu por conta de antecipações de receitas, feitas em 2010, de cinco edições do Campeonato Paulista.

De acordo com o modelo aprovado no Conselho, somente 10% das receitas anuais do Palmeiras (fluxo de caixa) serão utilizadas para amortização da dívida.

 


‘Luxemburgo foi demitido por avaliação do trabalho’, diz presidente do Fla
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Ao contrário do que afirma o técnico Vanderlei Luxemburgo, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, diz que ele foi demitido por causa da avaliação do seu trabalho e porque o time não vinha rendendo em campo. O treinador contou ter saído por conta de sua personalidade ao tentar participar de decisões do clube.

“Foi a avaliação do trabalho dele feita pelo departamento de futebol'', disse o presidente do Fla ao blog. Segundo ele, o diretor Rodrigo Caetano e o departamento de futebol deram informações que levaram à conclusão de que Luxemburgo deveria cair. “Não houve fator externo. O time não está jogando o que poderia por uma série de fatores. Tenho 50 anos de arquibancada e sei como funcionam essas coisas.''

Suas declarações foram dadas antes da entrevista de Luxemburgo. Questionado sobre as críticas do técnico, ele afirmou que comentaria mais tarde porque estava em reunião justamente para decidir o substituto.

De fato, o rendimento do time foi o principal fator para a queda de Luxemburgo, segundo cartolas do clube. Mas havia uma série de dirigentes que estavam irritados com as entrevistas recentes de treinador em que opinava sobre tudo na gestão do clube. E isso teve peso.

Até porque chegou a criticar a Lei de Responsabilidade Fiscal rubro-negra, projeto aprovado no Conselho Deliberativo para que não se gaste mais do que arrecade. Antes da entrevista do técnico, Bandeira evitou críticas a Luxemburgo, e disse que foi correto.

Só rechaçou que tenha sido demitido por telefone em sinal de desrespeito:  “Foi chamado para a reunião, e não quis participar. Por isso, foi feito por telefone'', explicou Bandeira.

A diretoria do Flamengo já trabalha na definição do novo técnico. Segundo Bandeira, pode ser fechado em 15 minutos ou em 15 dias. Mas a intenção é agilizar. Ele não fala sobre os candidatos, mas Cristovão Borges é o candidato no clube. E Oswaldo Oliveira poderia ser uma opção caso saia do Palmeiras. Sem isso, que não parece ter avançado, o primeiro é o favorito.

Fato é que o Flamengo vai para o 7o técnico de sua gestão. “É verdade, certamente, não é o ideal. O ideal seria a longevidade como um Alex Fergunson. Mas estamos nos deparamos com uma série de fatores que levou a isso'', concluiu Bandeira.


‘Só pode reclamar com juízes por 10 segundos’, diz diretor da CBF
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A nova orientação da CBF de punir reclamações agressivas de jogadores com cartão amarelo e expulsar treinadores tem como objetivo acabar com o “caos e desrespeito'' no Brasileiro. Quem explica é o presidente da comissão de arbitragem da CBF, Sério Corrêa. Para dar um exemplo, ele diz que não serão aceitos protestos de mais de 10 segundos contra o árbitro.

Levantamento da ESPN mostrou que, nas três primeiras rodadas do Nacional, foram 37 cartões amarelos, e um vermelho por reclamação. No ano anterior, foram seis amarelos. E Corrêa achou que foi pouco e puniu quatro juízes por não dar cartões.

“Vínhamos observando no Brasileiro do ano passado reclamações por lateral, pênaltis, impedimentos, treinadores regendo a torcida. Não é possível. Não há ser humano que trabalhe nestas condições'', defende Corrêa. “Toda reclamação ostensiva será punida com amarelo como manda a regra do jogo.''

A questão é como se determina o que é um protesto ofensivo, e outro aceito pelo juiz. Corrêa reconheceu que o julgamento é subjetivo e do árbitro, mas dá algumas dicas do que não será tolerado.

“Não pode chegar de maneira ofensiva, de dedo em riste, todo mundo ir para cima e fazer uma rodinha, para o jogo por cinco minutos. O árbitro não vai ensinar o jogador a jogar, nem ele vai ensinar o juiz a apitar'', contou ele. Questionado se não seria tolerado nenhum questionamento, ele foi sucinto: “Pode reclamar desde que demore 10 segundos. Não ultrapasse disso.''

Já os treinadores não terão tolerância nenhuma. Caso tentem fazer uma reclamação, será advertidos. Se insistirem, serão expulsos. Caso invadam o gramado para tentar criticar o juiz, também serão excluídos do campo.

“Não deve se dirigir ao árbitro. Não é função dele discutir a regra do futebol'', analisou Corrêa. “Tem uns que ficam regendo a torcida.''

Segundo o dirigente, a nova orientação foi distribuída por meio de circulares para todos os times do Nacional, e avisada pelos juízes antes dos jogos. E também foi adotada medida similar na UEFA, de acordo com Corrêa. O presidente da comissão rechaça as críticas que apontam uma ditadura da CBF ao vetar reclamações. “Maior democracia do mundo é respeito. Quebradeira não é democracia.''


Bem-sucedido nas finanças, Fla tem gestão ineficiente no futebol
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Não há dúvidas sobre os méritos da diretoria do Flamengo em relação à redução da dívida, ao aumento de receitas, à parte administrativa em geral. Mas os números mostram que essa gestão tem sido ineficiente no futebol. Aqui não há uma defesa de que se aumente gastos: o controle das contas é corretíssimo. A questão é que os resultados estão abaixo do investimento realizado.

Ao final desta terceira rodada do Brasileiro, o time acabou no 17o lugar, na zona do rebaixamento. Uma equipe que, segundo o vice-presidente de futebol, Alexandre Wrobel, tem a 7a ou 8a folha salarial do país. Ok, temos apenas três rodadas.

Então, vamos estender a análise a outros Nacionais.  Claro, tem que se ressaltar que essa diretoria ganhou uma Copa do Brasil, em 2013, e o Estadual, em 2014. Mas é nos pontos corridos que se mede a eficiência dos gastos em um time – esse tipo de comparação entre invetimentos e resultados é comum nas ligas europeias.

Pois bem, estudo de Amir Somoggi mostra que o departamento de futebol do Flamengo custava R$ 180 milhões em 2013, o quarto mais caro. Esse número não pode ser tomado como absoluto: uma parte do dinheiro era gasto com dívida de gestões anteriores com ex-jogadores.

Então, certamente, o clube não tinha a quarta folha do país, mas deveria estar entre as dez primeiras com atletas como Elias, Carlos Eduardo, Chicão, etc. O time ficou em 11o no Brasileiro com 49 pontos – não se considerar aqui a perda de pontos com o caso Andrés Santos. Esteve ameaçado pela degola em algumas rodadas.

No ano seguinte, o Flamengo manteve a posição: foi o 11o colocado. Seu custo de futebol era o 7o do país, segundo o mesmo Somoggi. Ainda havia passivos do futebol, mas em menor proporção. O clube continua a estar entre as 10 maiores folhas salariais, mas sem estar na primeira parte da tabela.

Feitas as contas dos três anos de gestão, o Flamengo fez 102 pontos em 79 jogos: 43% da pontuação possível. Com esse tipo de desempenho, acabaria o Brasileiro entre a 12a e a 10a posição. Comparado com os números financeiros, fica claro que o time rende no Nacional abaixo do seu custo. O Atlético-PR, por exemplo, tem orçamento menor e sempre esteve à frente dos cariocas.

Não se discute aqui quais são os erros da gestão no futebol rubro-negros. Atualmente, há críticas dentro da própria diretoria do Flamengo que apontam desde a falta de cobrança a Vanderlei Luxemburgo a contratações equivocadas. Fato é que a leitura fria dos números mostra uma gestão esportiva ineficiente no clube.


Será que Guerrero vale os milhões que pede?
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Não há dúvidas de que Paolo Guerrero é um jogador de nível técnico acima da média do atual futebol brasileiro, e um ídolo da torcida do Corinthians. Mas será que, independentemente da crise financeira do clube, ele vale os US$ 7 milhões (ou US$ 5 milhões) de luvas que pediu para atuar no time paulista, ou em outras equipes?

Seria fácil dizer que não se a análise fosse apenas em cima do jogo corintiano diante do Fluminense. O peruano perdeu um gol livre, sem que Diego Cavalieri estivesse debaixado das traves: chutou para fora. Na saída de campo, justificou que o gramado estava ruim e por isso a bola pegou em sua caneleira. Ainda que seja verdade, um craque teria corrigido o problema tal sua liberdade.

É injusto, porém, tirar uma conclusão por apenas uma tarde infeliz até porque foi a única bola que recebeu no jogo. Ao se estender a análise a toda a carreira dele no clube, fica claro que Guerrero não é um atacante de muito gols: a média é de 0,41 por jogo. Está muito abaixo de atacantes de primeiro nível como Romário e Ronaldo, que eram os mais bem pagos no país em outras épocas.

Os gols não são sua única contribuição. Sabe fazer um bom trabalho de pivô, e sair da área para jogar, o que ajuda muito o andamento das jogadas para seu time.

Não parece ser o suficiente, no entanto, para justificar os milhões pedidos e a disputa acirrada por sua contratações que se desenrola depois que o Corintihans ficou sem dinheiro para bancá-lo. A supervalorização de Guerrero tem uma relação direta com a penúria técnica que vive o futebol nacional: basta ver a qualidade técnica do jogo do Maracanã, quase sem chances de gol.

Estava em campo o vice líder do Brasileiro, que fez dois gols no campeonato até agora. Na tribuna do estádio, Rivellino bocejava após ser homenageado. Quanto valeria Rivellino no atual futebol brasileiro?


Governo e prefeitura batem cabeça e atrasam legado do Parque Olímpico
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Rodrigo Mattos/UOL

Obras em uma das arenas do Parque Olímpico que vai virar centro de treinamento

Obras em uma das arenas do Parque Olímpico que vão virar centro de treinamento

Com Vinicius Konchinski

O destino do Parque Olímpico após o Rio-2016 tornou-se um imbróglio difícil de ser resolvido entre o Ministério do Esporte, a prefeitura do Rio e o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). O governo federal adiou para o segundo semestre a definição de um plano para o local ao mesmo tempo em que é cobrado pelo prefeito carioca, Eduardo Paes, e pelo Tribunal de Contas da União.

O novelo tem como origem o fato de o local ser de propriedade do município do Rio, mas contar com verbas federais. Então, há uma dúvida sobre quem o administraria após os Jogos. Teoricamente, é o Ministério do Esporte quem deve tomar à frente do processo.

Nesta semana, após reunião com o COI, o ministro do Esporte, George Hilton, reafirmou que cuidará da questão. No Ministério, a informação é de que o legado do Parque está em discussão com o COB e com confederações. Só que o plano tem previsão de ser fechado em agosto.

O prefeito Eduardo Paes cobrou uma solução mais rápida: afirmou que o projeto para o Parque e para o Complexo de Deodoro tem que sair ainda neste semestre. Caso contrário, ele admite traçar o seu próprio plano de legado. Mais do que isso, afirmou que, se quiser ficar com as arenas, o governo federal terá de pagar.

A questão é que a própria prefeitura já recebeu membros do COB, em fevereiro, que apresentaram ideias para uso posterior do parque. A informação foi dada pelo superintendente do comitê, Marcus Vinícius Freire. Quando questionada sobre esse encontro, a Empresa Olímpica informou que a prefeitura não tinha nada a ver com a administração posterior do local, que seria do Ministério.

Fica claro que esse desencontro de informações tem causado atraso no planejamento. O TCU tinha pedido a instalação de um grupo para definir o legado olímpico desde o final de 2013. Em outubro de 2014, constatou atrasos e cobrou um projeto para o Parque Olímpico até fevereiro de 2015.

Nada aconteceu, e o tribunal estendeu o prazo para o governo federal. Agora, a expectativa é de que apenas a um anos dos Jogos que se tenha uma luz sobre o que será do futuro do Parque Olímpico.