Blog do Rodrigo Mattos

Quem faz melhor negócio no estádio: Corinthians, Inter ou Palmeiras?

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A proximidade das inaugurações de três novas arenas privadas de grandes clubes brasileiros, Corinthians, Internacional e Palmeiras, gera uma discussão sobre qual foi o melhor negócio feito pelos clubes. Por isso, o blog foi procurar informações sobre os modelos para expô-los para uma comparação.

Nos últimos dias, foram mostrados os detalhes das condições do contrato do Corinthians com a Caixa Econômica para bancar o Itaquerão. O blog também levantou os acordos do Internacional para financiar sua arena. E ainda obteve informações sobre a parceria privada entre WTorre e Palmeiras.

Abaixo, serão elencados cinco itens para mostrar como funcionam as parcerias. Não estão postos alguns detalhes laterais dos modelos de negócios, nem as projeções de receitas porque ainda é difícil saber se vão se cumprir. Também não há juízo de valor, fica a critério do internauta analisar qual o melhor negócio.

Preço e financiamento

Corinthians

R$ 1,150 bilhão – Dinheiro veio de várias fontes. Empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com juros subsidiados, títulos de incentivos fiscal da prefeitura, empréstimos bancários e feitos pela construtora Odebrecht. O clube terá de pagar os empréstimos, mas tem o desconto da renúncia fiscal municipal. A conta final para o Corinthians deve ser acima de R$ 700 milhões.

Internacional

R$ 382 milhões – Custo foi bancado por meio empréstimos do BNDES subsidiados, que foram tomados por parceiros. O clube não pagará nada.

Palmeiras

R$ 500 milhões – A obra está sendo bancada pela construtora WTorre, parceira do clube. O Palmeiras não pagará nada.

Autonomia na gestão

Corinthians

O clube tem a gestão do estádio. Mas está submetido a forte controle da Caixa Econômica Federal enquanto não pagar todo o empréstimo do BNDES. Pelo contrato, pode até ser excluído da administração do estádio. Mas, se conseguir quitar todos os débitos, terá autonomia total na arena.

Internacional

O clube tem a gestão da maior parte estádio, mas só comercializa os ingressos de 47 mil lugares, 85% do total. Os 5 mil lugares Vips, camarotes e Sky Boxes pertencem à SPE Beira Rio (Brio), cujos donos são a Andrade Gutierrez e o Banco Pactual, que vão negociar essas propriedades.

Palmeiras

Há uma discussão sobre a gestão de 35 mil lugares. O Palmeiras entende que tem direito a comandar a venda desses bilhetes, assim como de receber a receita total. A WTorre diz que essas cadeiras pertencem a ela. Fato é que outras 10 mil cadeiras, camarotes e lugares Vips são da construtora, que pode negocia-los da forma que preferir.

Receitas

Corinthians

O clube terá uma receita reduzida no estádio por um período próximo de oito anos. As rendas serão usadas prioritariamente para pagar a dívida com o BNDES. Em segundo lugar, serão utilizadas para quitar débitos com a Odebrecht. Da sobra, metade ficará com o Corintihans e outra metade irá para uma conta reserva. Mas, se quitar todas as dívidas, clube passa a ficar com tudo.

Internacional

Pelo tempo de parceria, receitas de camarotes, Sky Boxes, publicidade estática fora do campo, naming rights, lanchonetes, um edifício garagem e 5 mil lugares Vips pertencem à empresa Brio, criada pela Andrade Gutierrez. O clube fica com a receita de bilheteria de 47 mil lugares, outro estacionamento e a exploração de área anexa ao estádio.

Palmeiras

Como explicado acima, a WTorre tem direito a todos os lugares Vips. Há uma discussão em relação a 35 mil lugares do estádio. O Palmeiras estima que essa questão represente R$ 700 milhões para o clube.

Modelo de negócios

Corinthians

Foi constituída uma rede de empresas para gerir o Itaquerão. Há o Fundo Imobiliário Arena II, que é de fato o gestor e o detentor de propriedades da arena. São sócios dele a empresa Arena Itaquera (criada pela Odebrecht), a Odebrecht e o Corinthians.

Internacional

Foi constituída uma empresa SPE Beira-Rio que toca a reforma e parte dos negócios do estádio. Seus donos são a Andrade Gutierrez e o Banco Pactual. O Internacional mantém um contrato com essa SPE que estabelece as condições e direitos no estádio de cada um.

Palmeiras

O clube tem um contrato direto com a WTorre que estabelece os direitos e deveres de cada parte. A construtora fechou parceria com a AEG para administrar a Arena Palestra.

Tempo de parceria

Corinthians

Está previsto que demore 161 meses para quitar a dívida. Caso isso se cumpra, o clube ficará atrelado aos parceiros Odebrecht e Econômica Federal por 15 anos.

Internacional

A parceria com a SPE Brio tem previsão de durar 20 anos.

Palmeiras

O contrato com a WTorre é por 30 anos.

( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)