Blog do Rodrigo Mattos

Com renda recorde, CBF gasta mais com seleção e federações em 2016

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A CBF aumentou seus gastos com a seleção e repasses às federações em 2016, o que reduziu o seu superávit apesar de receita recorde. A informação é de dirigentes das entidades estaduais que aprovaram o balanço da confederação em assembleia nesta terça-feira. A diretoria da CBF ainda diz que o câmbio teve impacto no resultado final.

A receita total da CBF foi de R$ 647 milhões no ano passado, diante de R$ 519 milhões em 2015. Apesar disso, o superávit caiu de R$ 72 milhões para R$ 44 milhões. Como promotora do futebol nacional, a confederação deve ter mesmo o propósito de investir dinheiro no esporte, e não guarda-lo no cofre. A questão é se o gasto é eficiente.

No geral, o investimento com o item que a CBF chama de futebol saltou de R$ 226 milhões para R$ 288 milhões. São 27,4% a mais, bem superior à inflação. E o que está incluído nesses itens? seleções, campeonatos brasileiros das quatro divisões e dinheiro para federações.

O balanço com números detalhados ainda não foi divulgado, então, ainda é não possível saber quanto aumentou cada item do futebol. É importante ressaltar que o investimento em futebol ainda representa menos da metade da receita total.

''Achei que houve um aumento na realidade no faturamento com queda no superávit por maiores despesas com o futebol. Teve um maior investimento no futebol'', contou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos que esteve na assembleia de aprovação de contas. Ele lembrou a troca da comissão técnica da seleção.

De fato, houve um aumento no gasto com o time brasileiro com a contratação de Tite e seu staff, saindo Dunga e seus auxiliares no meio de 2016. Ainda não havia um detalhamento de qual o tamanho do crescimento desse item. Até 2015, o gasto só com a seleção principal era de R$ 61 milhões, bem similar ao do ano anterior.

Em outro ponto, houve um aumento em torno de 50% dos repasses para as federações estaduais, justamente a base de aliados da CBF. Até 2015, as entidades ganhavam R$ 50 mil por mês e passaram a R$ 75 mil no ano passado. O gasto era de R$ 19,5 milhões, e deve saltar para um valor entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, com cada federação recebendo pouco menos de R$ 1 milhão por ano.

''Se não fosse o repasse para as federações, não teria um desenvolvimento do futebol. Pernambuco não teria campeonatos de sub-15 e sub-17. O Sport está revelando muitos jogadores. Temos aqui o campeonato Central Única de Favelas'', defendeu o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outro item em que houve aumentou foi no investimento no Brasileiro da Série D. ''Houve um crescimento de 28 times na competição'', comentou Ednaldo Rodrigues. Saltou de 40 para 68 equipes.

O dirigente baiano ainda apontou que cursos de gestão e técnicos também incharam os custos da CBF pois eram pagos translados, hospedagens, etc, além de mecanismos de controle. De fato, a entidade organizou seminários e comitês de reformas para um processo que chamou de modernização. No final, só os votos das federações foi levado em conta para o novo estatuto.

Com o resultado financeiro, Carvalho mostrou entusiasmo com a gestão do presidente Marco Polo Del Nero à frente da CBF. ''Queria o Brasil ter um crescimento de receita como a CBF. A CBF é a economia que deu certo. Empresa que dá lição de gestão. É extraordinário'', analisou o dirigente pernambucano, afastando críticas ao mandatário da confederação.

Em meio aos investimentos da CBF no futebol, não tem sobrado dinheiro para os R$ 15 milhões necessários para a implantação do árbitro de vídeo para o Brasileiro da Série A. O valor representa 2,31% da receita total da entidade em 2016. A entidade diz que só vai implantar o item em 2018.

O secretário-geral da confederação Walter Feldman atribuiu a queda no superávit a questões cambiais e disse não estar preocupado.