Blog do Rodrigo Mattos

Relação entre Palmeiras e Crefisa evitará erros de parcerias do passado?
Comentários 19

rodrigomattos

Durante a última semana, os donos da Crefisa e o presidente do Palmeiras deram entrevistas admitindo que o patrocínio pago pela empresa está acima de mercado. Falaram o óbvio se analisarmos o futebol e a economia do país. Suas afirmações geram uma pergunta: o caso Crefisa é igual a outras parcerias que botaram dinheiro a fundo perdido em clubes e depois saíram deixando terra arrasada?

Para tentar responder a esta pergunta, vamos primeiro relembrar episódios em que isso aconteceu. O primeiro exemplo é o próprio Palmeiras com a Parmalat. Depois, temos o Corinthians com a Hicks Muse e posteriormente com a MSI. No meio disso, a ISL injetou milhões em Grêmio e Flamengo, além do Bank of American no Vasco. E a experiência mais longeva foi da Unimed no Fluminense que durou mais de dez anos.

De início, é importante ressaltar que a Crefisa tem seu dinheiro obtido legalmente no país. Há questionamentos, porém, sobre os negócios da empresa. Um processo judicial movido por uma ex-faxineira alega que o dono da empresa, José Roberto Lamachia, cometeu fraudes na fundação de sua faculdade, na década de 70, em caso revelado pela ''Isto é Dinheiro''. Mas ainda não há uma conclusão judicial sobre o assunto. E não há indícios de que o dinheiro da empresa é ilegal.

Em contraponto, a ISL, por exemplo, veio para o Brasil às vésperas de entrar em falência por meio de paraísos fiscais. Investigadores do caso apontam que o motivo foi tirar o dinheiro da Suíça para longe de credores. Tanto no Flamengo quanto no Grêmio acumularam-se informações de má gestão com os recursos.

A parceria Vasco e Bank of American também foi parar na CPI do Futebol com suspeitas de desvio de dinheiro. O mesmo tipo de sombra ocorreu com a MSI e seu dinheiro de origem obscura que levou à investigação da Polícia Federal no Corinthians.

Afastada dessa parceria, o investimento da Crefisa acima do mercado a aproxima dos casos da Parmalat e da Unimed. No caso da empresa médica, o dinheiro destinado ao Fluminense foi feito por um gestor, Celso Barros, que levou a empresa à beira da falência.

Um processo movido pela atual gestão da cooperativa médica contra ele indica que o recurso investido no clube não se justificava para a empresa e contribuiu para sua péssima situação atual. A Parmalat também acabou mal anos depois, embora sem tenha sido demonstrada relação direta com o Palmeiras.

No caso da Crefisa, há uma diferença: Leila Pereira e seu marido são donos da empresa. Estão colocando no Palmeiras o seu dinheiro, não o de cooperados que desconheciam a situação financeira da Unimed. Se ocorrer um prejuízo, será deles mesmos. A ver se isso pode ter impacto com clientes ou estudantes da faculdade, mas isso não se vislumbra atualmente.

Há, no entanto, um pecado comum entre a Crefisa e a Unimed, em parte também com a Parmalat. Trata-se da interferência externa de um patrocinador na gestão do clube. Celso Barros se achava no direito de pré-aprovar técnicos e jogadores, assim como a Parmalat tinha forte influência no futebol palmeirense.

Eleita conselheira e esbanjando milhões, Leila Pereira é cada vez mais influente na política do clube. E já deixou claro que entende que, por dar mais de R$ 100 milhões por ano, é a que mais contribui na história do clube. Ora, se o Palmeiras depende desse dinheiro para ter supertimes, estará nas mãos dela exclusivamente determinar qual o limite do seu poder, o que é um cenário bem complicado. A relação foge da profissional observada em outros patrocínios.

Entra aí outro aspecto que gera atenção para o alviverde. Uma característica em comum das grandes parcerias foi a complicação para o time se adaptar à realidade depois da saída do investidor. Todos tiveram quedas acentuadas de qualidade da equipe e também da gestão do clube, alguns casos resultando em rebaixamento.

Neste quesito, é preciso dizer que o Palmeiras tem uma base sólida de receitas além da Crefisa, incluindo estádio e sócios-torcedores. Teria como montar times competitivos, não no nível do atual, se houvesse um patrocinador pagando valor de mercado. O problema é que o clube inflou bastante seus gastos com futebol com base na empresa, o que pode gerar pendências em uma eventual saída.

Em contrapartida, a gestão de Maurício Galiotte se mostrou responsável ao usar entrada de dinheiro recente para reduzir a dívida com o ex-presidente Paulo Nobre. Ressalte-se que não há números detalhados do Palmeiras para 2016.

O futuro da parceria Palmeiras e Crefisa é impossível de prever. É possível, sim, ao clube evitar os erros cometidos no passado na relação de clubes de futebol com grandes investidores e com isso evitar problemas à frente.

 


Interessada no Maracanã, empresa francesa negocia parcerias com Vasco e Flu
Comentários 3

rodrigomattos

Uma das concorrentes à gestão do Maracanã, a francesa Lagardère negocia parcerias com Vasco e Fluminense, além das conversas que já tinha com o Botafogo. A empresa estuda parcerias para o estádio e para o departamento de marketing dos clubes, ou seja, para levantar recursos para os times. Na Europa, esta tem negócios similares com Borussia Dortmund e PSG.

Ao se aproximar dos outros três grandes, a Lagardère minimiza a recusa do Flamengo em negociar com a empresa. O clube rubro-negro deu preferência ao outro consórcio, GL Events, e diz não negociar com a Lagardère.

As converas da empresa francesa com os clubes, no entanto, estão em compasso de espera da resolução da disputa com o Maracanã. Mas já foram discutidos alguns pontos com os clubes.

No caso do Vasco, a proposta é de fato para uma parceria no departamento de marketing. A informação dentro da Lagardère é de que o presidente vascaíno, Eurico Miranda, teria cobrado luvas para o negócios. Por meio da assessoria, vice de marketing do Vasco, Marco Antonio Monteiro, confirmou as conversas, mas disse que não houve pedido de luvas.

No caso do Fluminense, a Laragadère apresentou um plano para a utilização do Maracanã pelo clube com mudanças no contratual atual do clube. Aumentaria a participação do clube na gestão e em receitas, mas em troca o time tricolor teria de contribuir com despesas operacionais. Há também uma proposta de parceria de marketing com o time das Laranjeiras. Consultada pelo blog, a diretoria tricolor não se manifestou.

A Lagardère já tinha negociações com o Botafogo ao falar sobre parcerias para a gestão do Engenhão. A administração no departamento de marketing do clube alvinegro seria outra opção.

 


Na Justiça, Botafogo alega prejuízos no Engenhão por culpa da prefeitura
Comentários 18

rodrigomattos

A diretoria do Botafogo entrou com um protesto judicial contra a prefeitura do Rio alegando prejuízos pelo fechamento do Engenhão (Estádio Nilton Santos) em 2013. Não é ainda uma ação judicial de cobrança: seu objetivo é garantir o direito de o clube processar o município no futuro sem possibilidade de prescrição. Um processo só deve ser movido a partir de 2018.

O protesto do Botafogo foi na Vara de Fazenda Pública em dezembro de 2016, juntamente com a Companhia Botafogo que é detentora da concessão do estádio. A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro disse desconhecer o procedimento alvinegro, mas defendem as reformas.

O Engenhão foi fechado em março de 2013 para reparos na cobertura por supostas falhas no projeto. Foi uma decisão do então prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes após um laudo que mostrava risco de queda na cobertura. Mas, em seguida, houve outro laudo que indicava que não havia necessidade de reformas. Há uma disputa entre o Consórcio Engenhão e o Consórcio RDR, que construíram o equipamento, para determinar se houve falha e quem é o responsável.

''Em que pese tal celeuma, é certo que o Botafogo e a Companhia Botafogo suportaram e ainda vêm suportando seríssimos prejuízos decorrentes da interdição do estádio cujo montante ainda não foi definitivamente calculado, como consectário da sua extensão e de suas múltiplas facetas'', afirmou o clube alvinegro no protesto.

O vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, explicou que o objetivo dessa medida é garantir que o clube tenha direito a processar a prefeitura até 2021, sem que exista prescrição pelo fato. Afirmou que acredita que acontecerá a ação, mas provavelmente não neste ano.

''Não acredito que consiga fazer até o final do ano porque estamos apagando muito incêndio. Para mover uma ação como esta, tem que pensar direito, contratar um bom escritório. Não estamos em condições agora de enfrentar a prefeitura. Mas a diretoria não poderia se omitir e perder a chance de ação para gestões futuras'', contou Fleury.

Outro aspecto é que o Botafogo pretende esperar a conclusão da outra ação que decide se era necessário ou não novas reformas na cobertura do estádio. Se não era preciso fazer a renovação, a ação do clube alvinegro ganha força. A atual diretoria ainda alega que não tem noção de quanto arrecada por ano com o Engenhão porque não teve o estádio aberto por um ano. Assim, não sabe quantificar os prejuízos.

''Ainda não temos um número. A gestão anterior de Maurício Assumpção tinha uma receita, mas não é confiável. Agora que vamos ver quanto o estádio gera porque ele foi devolvido em dezembro de 2016'', completou Fleury.

A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro informou:

''Em relação à necessidade de fechamento do estádio, a decisão foi tomada pela antiga gestão, que determinou a interdição após receber do Consórcio Engenhão – formado pelas empresas Odebrecht e OAS – um laudo técnico assinado pelos engenheiros detectando problemas estruturais.
De acordo com este laudo, os arcos superiores foram subdimensionados e, no momento da inauguração do estádio apresentaram inclinação 50 centímetros além do esperado no projeto. Diversos estudos foram feitos e durante um monitoramento de rotina foi constatado risco à segurança dos frequentadores com colapso da estrutura em determinadas condições como baixa temperatura e alta velocidade de vento, por exemplo. Para priorizar a segurança da população optou-se pelo fechamento do estádio. Os custos da reforma foram integralmente assumidos pelo Consórcio Engenhão, sem ônus aos cofres públicos.''


Flu tem direito a cobrar R$ 340 milhões se Odebrecht não abrir Maracanã
Comentários 19

rodrigomattos

Trecho do contrato do Flu que lhe dá direito à multa caso Odebrecht não lhe ceda Maracanã

O Fluminense tem direito a cobrar uma multa de cerca de R$ 340 milhões da Odebrecht caso a empresa se recuse a abrir o Maracanã sem despesas para seus jogos. É o que está previsto no contrato entre as duas partes que está em vigor ao qual o blog teve acesso.

No momento, o clube e empresa negociam termos para a utilização do estádio nos jogos tricolores. Já houve reuniões, mas sem uma conclusão definitiva. A tendência é do uso do Fluminense para algumas partidas.

Mas fato é que a diretoria do Fluminense tem condições contratuais favoráveis para pressionar a Odebrecht. E até agora apenas o Flamengo conseguiu jogar no estádio em sua estreia na Libertadores, diante do San Lorenzo, pagando um alto custo.

Pelo acordo entre Fluminense e Odebrecht, todas as despesas operacionais do estádio são da concessionária sem custo para o clube. Pela cláusula 4.3.2, a construtora só pode recusar realizar jogos por motivo de manutenção, com aviso de 30 dias de antecedência. E não pode fazer nenhum outro evento no período em que o tricolor estiver impedido de jogar.

O clube das Laranjeiras está sem jogar no Maracanã desde o meio de novembro, quando atuou diante do Atlético-PR pelo Brasileiro. Acabou o período de concessão olímpica, e a Odebrecht deixou o estádio abandonado e fechado sem uso alegando danos cometidos pelo Comitê do Rio-2016.

Pois bem, pelo contrato, se a Odebrecht recusar que o Fluminense jogue no estádio por um período de 60 dias, isso dá motivo para o clube pedir a rescisão do contrato com direito a multa. ''Nessa hipótese, a SPE deverá pagar ao Fluminense multa prevista na cláusula 18.7'', diz o contrato.

Pela cláusula, o clube teria direito a uma multa de dez vezes a receita líquida da concessionária (Odebrecht) no Maracanã. Desconta-se o período proporcional do contrato que já passou. Pelos balanços da Maracanã SA, a receita líquida média nos últimos três anos foi R$ 38,065 milhões. Com o desconto de três anos e meio do contrato, que soma 35 anos, isso significa uma multa de R$ 343 milhões em favor do Fluminense.

Para isso, o clube tricolor só precisa exigir a reabertura do estádio em condições para jogo e a partir daí passar a contar o prazo da Odebrecht. O clube anunciou que tomaria medidas judiciais em março quando já estava há três meses longe do estádio. Depois se iniciaram conversas com a concessionária.

Mais, pelo contrato, o Fluminense ainda poderia exigir que todas as despesas de seus jogos realizados em outros lugares fossem cobertos pela Odebrecht enquanto não pudessem utilizar o Maracanã. Isso não conta para o período olímpico do estádio. Assim, o clube poderia cobrar pelas despesas com Édson Passos ou dos jogos no Engenhão.

O blog questionou a diretoria do Fluminense sobre seus direitos e as atitudes a tomar em relação ao contrato. A assessoria do clube informou que não poderia se pronunciar porque vai divulgar uma posição a todos os veículos de imprensa. Foram enviadas perguntas à Odebrecht sobre o contrato, mas não houve respostas.

Não é apenas com o Fluminense que a Odebrecht tem obrigações. A concessionária se comprometeu em contrato com o Estado do Rio de Janeiro a conservar as instalações do Maracanã e do Maracãnzinho, segundo as cláusula 9 do contrato de concessão, assinado em 2013. A demanda de reequilíbrio financeiro, feita pelo Odebrecht por alterações nas condições da licitação, não a exime dessa responsabilidade.

A Odebrecht tem colocado na conta do Comitê Rio-2016 os danos ao estádio, e de fato tem um contrato que lhe garante a entrega do equipamento nas mesmas condições anteriores.

Mais um ponto, a construtora tem liberdade para fixar preços de alugueis e outras receitas para os estádios. Mas, pela cláusula 19,2 da concessão, ''desde que observados preços não discriminatórios, razoáveis, e consistentes com o padrão de serviços prestados e com equipamentos esportivos e de entretenimento comparáveis''.

Não há nenhum estádio no Brasil que tenha cobrado R$ 1,350 milhão de clubes como aluguel como fez a Odebrecht com Vasco e Botafogo para o clássico no Carioca. Também não há nenhum estádio que cobre R$ 1,7 milhão, valor que o Flamengo pagou pelo estádio na Libertadores.

Após perceber que a operação era deficitária, a Odebrecht tenta sair do estádio desde o final de 2015 quando desmontou sua equipe de manutenção. Desde então, tenta reduzir ao máximo os custos para evitar os prejuízos ocorridos nos anos anteriores. A concessão prevê reequilíbrio financeiro de contrato, mas prejuízos econômicos da operação têm que ser arcados pela construtora.


Receita dá isenção fiscal a empresas por Olimpíada cinco meses após Jogos
Comentários 3

rodrigomattos

A Receita Federal deu isenções fiscais a empresas por causa da Olimpíada até cinco meses após a realização do Rio-2016. Um levantamento em Diários Oficiais apontou 27 atos de renúncia fiscal em janeiro de 2017 que favoreceram hotéis, empresas de alimentação, de transporte, construtoras, etc. Somam-se a uma enxurrada de benefícios anteriores aos Jogos.

O Comitê do Rio-2016 alega que as isenções fiscais são, na prática, para a própria organização já que são descontados dos pagamentos feitos aos fornecedores. ''Foram feitas em 2017 porque estamos pagando as empresas em 2017. Cada vez que será feito um pagamento é determinada a isenção'', contou o diretor de comunicação da Rio-2016, Mario Andrada.

Entre os favorecidos em 2017 está o condomínio Ilha Pura, de propriedade da Odebrecht e da Carvalho Hosken, que serviu de sede para a Vila dos Atletas. Essa empresa já tinha uma isenção fiscal concedida, assim como a própria Odebrecht, em atos anteriores. A isenção é relacionada às obras de retrofit do condomínio do modelo usado nos Jogos para o de venda de apartamentos.

As renúncias fiscais são de imposto de renda, importação, PIS, COFINS, entre outras taxas. Só podem valer para atividades relacionadas aos Jogos.

Os atos são legais já que a lei de isenção fiscal -assinada pela então presidente Dilma Rousseff em 2013 – estabeleceu que os benefícios poderiam ocorrer até dezembro de 2017. Para que uma empresa tenha direito à isenção, o Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Rio-2016 ou um organismo do governo tem que indica-lo como parceiro na realização dos Jogos.

Entre os beneficiados, estão Royalty Copacabana Hotel LTDA, e Hotel Copacabana Casablanca LTDA. Havia um programa de isenção fiscal para reconstrução e renovação de hotéis para a Olimpíada. Mas o pressuposto era que eles estivessem prontos para os Jogos.

O blog questionou a Receita Federal sobre as isenções, mas o organismo se recusou a comentar. ''A Receita Federal não se manifesta sobre o mérito das isenções, uma vez que estas e seus respectivos prazos de vigência foram estabelecidos pela Lei'', informou. Limitou-se a apontar as leis que davam direito à isenção.

O condomínio Ilha Pura afirmou que os benefícios fiscais são com base na lei olímpica que atende todos os que prestaram serviços para o Rio-2016. ''O mesmo (benefício) se estende em 2017 devido ao entendimento de que a desmobilização dos equipamentos olímpicos pela Rio2016 em Ilha Pura acontecerão até este ano vigente'', contou a assessoria do Ilha Pura.

Questionado, o Comitê Rio-2016 justificou as isenções pela movimentação econômica gerada pela Olimpíada, e pela economia para a União. ''Se nós quebrarmos, quem teria que bancar é a União, o Estado. Se temos pagamos menos e não quebramos, eles economizam'', afirmou Mario Andrada.


Regulamento do Nacional ratifica até nove brasileiros na Libertadores
Comentários 6

rodrigomattos

O regulamento do Brasileiro da Série A oficializa a possibilidade de haver até nove times brasileiros na Libertadores. Isso estava previsto na mudança de regras da competição em outubro que inchou o formato com equipes nacionais. Com isso, a Primeira Divisão pode classificar até 15 equipes a campeonatos sul-americanos.

A Conmebol decidiu em outubro por mudar a Libertadores e determinou duas vagas a mais para o Brasil. O Nacional estava no meio e por isso foram criadas regras de emergência para a classificação para a Libertadores de 2017.

Então, a Conmebol já decidiu que o campeão da Sul-Americana já não teria descontada uma das vagas do seu país. Esse desconto não ocorreu, portanto, no último campeonato quando a Chapecoense foi campeã. Assim, o país teve oito participantes na edição de 2017.

Divulgadas nesta segunda-feira, as regras do campeonato nacional confirmam essa prática para 2018. Com isso, na verdade, o Brasileiro ganhou duas vagas e meia. Explica-se: o regulamento previa até 2015 que a vaga de campeão da Sul-Americana fosse descontada, excluindo-se o quarto do Nacional.

Assim, são sete vagas fixas para o país, sendo o 1o a sexto do Brasileiro, mais o campeão da Copa do Brasil. Além disso, podem-se se somar mais dois times com títulos da Sul-Americana e da Libertadores. O regulamento fala então em Brasil 1 a Brasil 9 caso o país ganhe ambas as competições. E seriam sete times já garantidos na fase de grupos, e dois na fase preliminar.

O Brasileiro ainda prevê seis vagas para a Sul-Americana. Agora, não existe mais contradição com a Copa do Brasil, pois as competições não são disputadas simultaneamente. Desta forma, poderão ser até 15 times do Nacional classificados para competições continentais. Só ficariam de fora os quatro rebaixados e o 16o colocado.

Fora isso, o regulamento do Brasil previu as modificações aprovadas no Conselho Técnico, isto é, proibição de um time jogar fora de seu Estado, veto à grama sintética a partir de 2018 e capacidade mínima de 12 mil pessoas para estádios, em vez de 15 mil.

 


Decisão judicial gera pressão sobre investigados do caso Fifa no Brasil
Comentários 2

rodrigomattos

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) validou a troca de informações entre o Ministério Público Federal do país e o Departamento de Justiça dos EUA no chamado caso Fifa, derrubando medida que travava a interação. Isso coloca nova pressão sobre cartolas brasileiros acusados de corrupção no processo como o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Afinal, abre brecha para que autoridades brasileiras recebam informações do processo norte-americano, e vice-versa, além de possíveis bloqueios de bens.

O processo no STJ relaciona-se à empresa Klefer e ao seu dono Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo e parceiro da CBF. A pedido da Justiça dos EUA, em interação com organismos brasileiros, houve busca e apreensões na empresa e bloqueio nos bens pela suspeita de que pagavam propina. Até que seus advogados conseguiram barrar a cooperação judicialmente alegando que esta só era permitida com aval de cortes superiores.

Mas, em decisão publicada no início de março, a ministra do STJ, Laurita Vaz, determinou que a troca de informações pode ocorrer entre procuradores brasileiros e americanos, desde que aprovada pela Justiça Federal. ''Não há decisão judicial norte-americana a ser submetido ao juízo delibatório do Superior Tribunal de Justiça. O caso foi de pedido de assistência direta (entre os procuradores)'', afirmou a ministra, completando que a 9a Vara da Justiça Federal poderia tratar do caso.

Com isso, de cara, a Justiça do Brasil pode determinar o bloqueio novamente das contas e bens de Kleber Leite e da Klefer, o que já traria consequências à CBF. A empresa tem contratos com a confederação relacionados à Copa do Brasil. A Klefer não é citada no processo porque ele corre em segredo de Justiça. Nem a empresa, nem o cartola constam como réus nos EUA, mas eram investigados como parte da ação.

''Volta para a 9a Vara. Agora que a Justiça provoque o Departamento de Justiça do EUA para saber se depois de um ano e meio essas medidas ainda são necessárias. A ação norte-americana correu neste período e tem que ver se ainda há interesse do governo americano'', afirmou o advogado da Klefer, Michel Asseff Filho.

Ele informou que vai recorrer da decisão da ministra Laurita Vaz para que a turma do STJ se pronuncie sobre o caso. Até porque entende que há outra decisão no STJ que é contraditória com esta da ministra Laurita Vaz. Ou seja, tentará travar de novo a cooperação.

Na avaliação de outros advogados envolvidos no caso, outros acusados no caso Fifa podem sofrer consequências a longo prazo. Até hoje era o veto à cooperação que impedia que as informações dos EUA chegassem ao Brasil. Del Nero, Ricardo Teixeira e José Maria Marin são os brasileiros réus no processo americano, acusados de receber propinas por contratos da Copa do Brasil, Libertadores e Copa América.

Agora, o Ministério Público Federal poderá abrir novos processos para requisitar informações da investigação norte-americana sobre eles para descobrir se cometeram crime puníveis no Brasil. Bastará uma decisão favorável da primeira instância para pedir os documentos. Já existe uma investigação na Polícia Federal relacionada ao caso Fifa, que portanto envolve Del Nero, e que receberia informações da investigação da CPI do Futebol. Há ainda inquérito na Polícia Federal sobre o ex-presidente Ricardo Teixeira porque foi constatada movimentação de mais de R$ 400 milhões em suas contas.

O blog tentou contato com o advogado de Del Nero, mas não obteve resposta. Os julgamentos dos acusados no caso Fifa está previsto para novembro de 2017, mas Del Nero e Teixeira não serão levados ao tribunal porque nunca se apresentaram ao juízo americano.

Tags : caso Fifa


Entenda como projeto de lei pode mudar negociações de TV no futebol
Comentários 6

rodrigomattos

Em tramitação no Senado, o projeto da Lei Geral de Esporte pode modificar algumas regras das negociações de direitos de televisão. No texto atual, há um dispositivo que abre brecha para negociações coletivas de direitos, embora apenas se os clubes toparem. E outras discussões como transparência e transmissão por internet estão em pauta.

O projeto da Lei Geral do Esporte foi redigido por juristas especialistas em direito esportivo a pedido do Senado, e concluído no final do ano passado. Ficou parado desde então até que nesta semana o presidente do Senado, Eunício Olivera, o enviou para as comissões da casa para ser analisado.

No texto atual, os direitos de transmissão continuam a pertencer aos dois clubes que disputam a partida como na atual legislação. Mas há um dispositivo no artigo 204 que permite que os times cedam seus direitos a uma entidade organizadora da competição.

Neste caso, poderia tanto ser beneficiado um projeto de liga ou a própria CBF. Atualmente, a confederação já recolhe autorizações em nome de todos os clubes para negociar os direitos da Copa do Brasil. Isso também acontece nas federações onde clubes assinam autorizações para que elas negociem os Estaduais.

Pelo texto, essas entidades terão autonomia completa sobre os direitos da competição caso recebam a cessão dos clubes. ''Passa a haver a chance de uma negociação coletiva o que dá segurança jurídica para um caso de liga'', contou o advogado Pedro Trengrouse, participante do grupo de juristas e coordenador do curso da Fifa/FGV de gestão esportiva.

Outra discussão foi sobre as transmissões por internet, tidas como o futuro dos eventos esportivos. Inicialmente, chegou a ser incluído no texto que todos os grandes eventos teriam de ter uma transmissão em TV Aberta ou grande meio de difusão, não podendo ser a única plataforma a internet. Isso inviabilizaria a compra de direitos por empresas de internet. Mas o mecanismo foi retirado.

O que sobrou no texto é que os direitos de internet têm que respeitar as outras regras de direitos para televisão. Em audiência, representantes de televisões manifestaram preocupação com a internet. O membro da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV), Cristiano Flores, disse que ''a chegada das novas mídias não sofre a regulação daqueles setores já instalados''. Ou seja, durante a discussão da lei, podem haver novas mudanças e pressões por restrições à internet.

No projeto atual, foram elencados princípios sobre as negociações de televisão que têm de respeitar a ''livre concorrência e a prevenção às práticas de mercado anticompetitivas''. Outro princípio é de ''a proteção da empresa nacional e da produção de conteúdo próprio local.''

Teoricamente, esse segundo dispositivo favoreceria emissoras como a Globo contra concorrentes internacionais como Facebook e Youtube, que poderiam, caso tenham interesse, entrarem neste mercado de direitos esportivos. As duas empresas, por sinal, não mandaram representantes para as audiências sobre direitos de televisão apesar de convidados. Mas, como são só princípios, podem não ter efeito prático nas negociações.

''Explicitamente, o texto atual não tem alterações nas regras. Mas essa base de princípios de transparência e livre competição abre espaço para melhorar as negociações'', contou o relator do projeto, Wladimir Camargos. Ele defendia que os direitos de transmissão ficassem com os mandantes dos jogos, como ocorre em alguns países. Mas, por decisão da maioria, foi mantido o direito com ambos os times.

Foi mantido no texto a obrigatoriedade de os jogos da seleção serem transmitidos em TV Aberta, o que já está previsto na Lei Pelé.

 

 


Pedido de Tite, jogo com Alemanha muda preparação de seleção para Copa
Comentários 33

rodrigomattos

Ao pedir um amistoso contra a Alemanha em 2018, o técnico Tite e sua equipe fizeram uma mudança radical na estratégia da seleção para Copa da Rússia em relação a edições anteriores. O Brasil não opta por enfrentar campeões mundiais pouco antes do torneio desde a Copa-1998, na França. Depois disso, a preferência foi sempre por adversários fracos antes do Mundial.

O amistoso contra a Alemanha, primeiro confronto depois da goleada de 7 a 1 na semifinal da Copa-2014, será no final de março de 2018 a apenas dois meses e meio do início da competição na Rússia. O jogo foi um pedido da comissão técnica para a diretoria da CBF, e a intenção é pegar outras grandes seleções.

''Foi o que a gente vem falando. Sem dúvida nenhuma nós passamos para a presidência e para a vice-presidência a ideia que nós tínhamos de jogar com grandes seleções. A gente quer um nível de enfrentamento muito alto. Porque a gente entende que desta forma vai estar melhor preparado'', contou o diretor de seleções, Edu Gaspar, ao blog.

Levantamento nos amistosos na seleção no período de um ano antes de Mundiais mostra que apenas uma vez o Brasil pegou um campeão desde 1998. Foi em novembro de 2009, antes da Copa da África do Sul, quando o time nacional enfrentou a Inglaterra. Mas lembre-se que o time inglês não é campeão mundial desde 1966 e ainda faltavam sete meses para a Copa.

No período de um ano antes do Mundial-2014, o time de Luiz Felipe Scolari teve dez amistosos, sendo os dois times mais fortes Chile e Portugal. No ano do Mundial, seus rivais foram Africa do Sul, Panamá e Sérvia.

Na edição anterior, a equipe de Dunga pegou Zimbabwe e Tanzânia como últimos rivais no ano de 2010. Em 2006, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, Lucerna e Nova Zelândia foram os últimos adversários, sendo a Rússia a única seleção mais forte enfrentada no ano do Mundial.

O último campeonato conquistado pela seleção em 2002 também foi precedido por partidas com adversários fracos ou médios, sendo o mais representativo Portugal, em abril. Aquela equipe chegou a pegar Andorra nas vésperas do Mundial. Em 1998, tinha sido diferente já que o time brasileiro pegara Alemanha e Argentina na reta final para a Copa da França.

Essa falta de adversários fortes ocorria nem sempre pela vontade dos técnicos, mas por conveniência política e financeira do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Ele queria fazer o time faturar com amistosos onde interessasse aos parceiros da confederação. O mesmo se repetiu na gestão de José Maria Marin, com Marco Polo Del Nero como vice, para o Mundial de 2014.

Mas Tite e Edu Gaspar demonstram uma força dentro da CBF que não tinham seus antecessores. Foram conversar com a diretoria e os convenceram sobre amistosos com times fortes, incluindo a Alemanha.

''É muito bacana porque se mostra bem integrado entre nós e os demais membros da presidência e da diretoria. Conversamos bem, falamos nossas ideias, e está sendo bem atendido'', contou Edu Gaspar.

Agora resta saber se a CBF conseguirá datas para marcar outros amistosos com times campeões mundiais antes da Copa-2018.


Copa América no Brasil tem direito de tv preso à empresa acusada de propina
Comentários 2

rodrigomattos

Os direitos de televisão da Copa América do Brasil, em 2019, continuam presos a uma empresa acusada de pagar propina para ex-dirigentes da Conmebol, a Datisa. Isso gera um dificuldade para a comercialização da competição. Tanto que começou a ser discutida uma solução para esta questão em reunião da confederação sul-americana nesta semana.

A investigação do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA apontou que a Datisa e seus donos (Traffic, Torneos e Full Play) se comprometeram a pagar US$ 110 milhões em propina para dirigentes da Conmebol, entre presidentes da entidade e das federações nacionais. Em troca, levaram o contrato da Copa América até 2023. Três ex-presidentes da confederação sul-americana estão presos e outros dirigentes como José Maria Marin.

Pois bem, a Conmebol anunciou que tinha rompido o contrato com a Datisa para a Copa América Centenario, em 2016. Mas a empresa recebeu dinheiro pelos direitos em acordo revelado pelo jornal paraguaio ''ABC Color'' em julho do ano passado. O periódico mostrou que a Datisa e seus associados ganhariam US$ 40 milhões com a competição.

No processo norte-americano sobre corrupção, um ex-advogado da Conmebol afirmou que levantou US$ 25 milhões em dinheiro com contratos de televisão liberados pela Datisa para poder pagar as seleções. Afinal, a empresa estava com as contas bloqueadas pela Justiça. Esse dinheiro foi obtido com a venda dos direitos, e boa parte repassado à própria Datisa.

O acordo valeu para a Copa América Centenario, mas o problema ressurge para as próximas edições da competição para as quais o contrato continua válido. Para o torneio no Brasil, os cartolas da Conmebol começaram a discutir como resolver o contrato com a Datisa. Afinal, a empresa que deveria revender os direitos de televisão, mas não goza de credibilidade após o escândalo. Fato é que, passado o momento inicial da denúncia, a Datisa e seus donos se fortaleceram e o rompimento do contrato fica mais difícil.

Sem saber quanto vai arrecadar com direitos de televisão, a Conmebol tem dificuldade para planejar todo o restante da Copa América. É o dinheiro da comercialização que banca a organização e garante a renda para as seleções. A questão será discutida mais a fundo no encontro do executivo da Conmebol em abril, no Paraguai. O formato da Copa América e a escolha de sedes do torneio dependem de saber quanto de dinheiro tem disponível.

A Conmebol se posiciona como vítima no processo norte-americano em que seus ex-dirigentes são acusados de corrupção. Segundo seus advogados, a entidade tem sido totalmente transparente com o governo dos EUA em relação a informações sobre o caso desde que o presidente da entidade, Alejandro Dominguez assumiu no início de 2016.