Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Aécio Neves

Escândalo da JBS envolve seis conselheiros do Cruzeiro e afeta eleição
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O escâdanlo político surgido com a delação do dono da JBS -que atinge o senador Aécio Neves (PSDB-MG) – envolve seis conselheiros do Cruzeiro e afetou a eleição para presidente do clube. Há pelo menos dois dos membros do Conselho presos, e o principal favorito à presidência, o senador Zezé Perrella, é acusado de intermediar pagamento de propina ao colega senador. O estatuto do Cruzeiro prevê que condenados em segunda instância ou inelegíveis não podem se candidatar e podem ser expulsos do Conselho.

Para relembrar, o dono da JBS, Joesley Batista, gravou conversas com Aécio Neves e o presidente da República, Michel Temer. Em relação ao ex-candidato a presidente mineiro, há o pedido de pagamento de R$ 2 milhões, que foram de fato dados por meio de intermediários. A Polícia Federal filmou pagamentos e fez buscas e prisões nesta quinta-feira.

Entre os envolvidos, estão Aécio Neves, Euler Mendes, Mendherson Lima, Gustavo Perrella, Frederico Medeiros e Zezé Perrella, todos conselheiros natos do Cruzeiro. Todos foram alvos de buscas nesta quinta-feira, sendo que Lima e Medeiros foram detidos, acusados de intermediar o pagamento para Aécio.

Pelo estatuto do Cruzeiro, em seu artigo 1o, parágrafo 3, está previsto que não poderão ser eleitos no Cruzeiro aqueles que sejam condenados em trânsito em julgado ou que estejam inelegíveis em seu mandato. Ou seja, isso significa condenados em segunda instância.

A eleição para presidente é em outubro de 2017, sem data ainda para inscrição de chapa. Zezé Perrella é candidato declarado, opositor do atual presidente Gilvan Pinho Tavares. Dificilmente ele será condenado em segunda instância até lá, mas se perder o mandato de senador também está ameaçado de não poder disputar – hoje, ele só está afastado do Senado.

O estatuto cruzeirense ainda prevê que pode haver a perda de cargo de todos os conselheiros que forem condenados em segunda instância em crimes contra a administração pública, ou de lavagem de dinheiro. A assessoria do clube informou que, no momento, não há nenhum inquérito contra algum conselheiro no Cruzeiro porque não existe processo concluso na Justiça.

O blog procurou o presidente do Conselho do Cruzeiro, João Carlos Gontijo de Amorim, mas ele estava em viagem, segundo informou funcionário de seu escritório. Dentro do clube, portanto, não houve nenhum ato oficial para pedir explicações aos seis conselheiros suspeitos.

O presidente do clube, Gilvan Pinho Tavares, afirmou esperar que os conselheiros limpem seu nome, e ressaltou que nenhum deles é da sua diretoria. “Vimos que há envolvimento de pessoas que de alguma forma estão ligadas ao Cruzeiro. Mas eu não gostaria de falar sobre essas pessoas porque não conheço efetivamente o processo”, afirmou ao jornal o Tempo. Zezé Perrella se manifestou em nota, negando as acusações:


Dilma e Aécio omitem dados desfavoráveis ao usar Copa na campanha
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Na reta final da campanha presidencial, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) voltaram a usar a Copa-2014 em suas campanhas, a presidente de forma positiva, e o oposicionista, com enfoque negativo. Só que ambos omitem dados do eleitor para pintar o quadro que lhes é mais favorável.

De início, antes da sua realização, o Mundial aparecia com um papel relevante na eleição. A oposição fazia críticas aos atrasos de obras, e o governo federal defendia o legado do evento. Concluída a competição, com boa avaliação dos estrangeiros à operação, as menções passaram a ser tímidas. Até que o tema sumiu da pauta.

Mas, na reta final do segundo turno, o Mundial voltou a ser usado pelos candidatos, de forma direta e indireta. Quem levou a competição para o horário político foi o candidato do PSDB.

Em seus programas, ele atacou o governo por realizar a Copa mais cara da história. Em outra peça de propaganda, o texto menciona os altos preços das arenas: “Você sabia que só com o dinheiro desviado da Petrobras para o PT daria para fazer mais 12 estádios da Copa? E porque aqueles preços, hein?”

De fato, os estádios saíram por um total de R$ 8 bilhões. Só que, quando era governador de Minas Gerais, Aécio Neves foi o idealizador do projeto para incluir Belo Horizonte na Copa, com participação ativa em eventos da Fifa com o amigo e então presidente da CBF Ricardo Teixeira. Aquele cartola que prometeu um Mundial apenas em estádios pagos com dinheiro privado.

Isso não impediu o governo de Aécio de elaborar um modelo para reforma do Mineirão com uma PPP (Parceria Público Privada) cheia de recursos públicos. O total do custo previsto para o Estado durante os anos é de R$ 695 milhões, o que o tornou o quarto estádio mais caro do Mundial. O projeto, de fato, foi tocado pelo seu sucessor e aliado Antônio Anastasia.

E o preço ainda pode subir bastante em relação ao que foi divulgado. A PPP prevê que o governo estadual tem que ressarcir a administradora do Mineirão caso esta não atinja determinado nível de renda. A empresa tem perdido recursos porque o Cruzeiro, principal utilizador do estádio, não paga suas despesas.

A história que Dilma Rousseff conta da Copa-2014 também não é completa. Primeiro, virou um mantra para a presidente repetir que “está investindo R$ 143 bilhões em projetos de mobilidade urbana”. A “Agência Pública” mostrou que, para atingir esse total, o Ministério das Cidades incluiu os programas do Mundial.

Só que boa parte dos projetos de mobilidade foi excluída da matriz de responsabilidades do Mundial porque não ficaria pronta para a competição. No total, eram R$ 11 bilhões para o setor, número que caiu para R$ 7 bilhões. Como o documento de acompanhamento de obras do governo federal não foi atualizado, não dá para saber sequer se esse segundo número foi concluído. Certo é que cidades como São Paulo, Brasília, Salvador e Manaus ficaram sem os projetos de transporte prometidos.

O programa de governo de Dilma diz que o Mundial “no Brasil é a vitória política de um país que tem vencido a crise econômica internacional com a geração de empregos e distribuição de renda, é a vitória de um país que hoje é respeitado internacional, é a vitória da confiança na capacidade do povo brasileiro e a derrota do pessimismo.”

O impacto econômico positivo do Mundial para o Brasil, no entanto, não é um consenso nem no governo federal. Em balanço final,  Dilma e aliados afirmaram que houve R$ 30 bilhões em receitas geradas por turismo. Mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a própria presidente culparam a Copa pela recessão vivida pelo Brasil no primeiro semestre. Ambos afirmaram que o grande número de feriados ocorridos por conta da competição afetou a atividade econômica.

Pior, o governo federal até agora ainda não apresentou a conta final da Copa, isto é, a matriz de responsabilidades definitiva sobre o assunto. Isso estava prometido para após o Mundial, depois ficou para outubro, e ainda não saiu. A população só vai saber de fato quanto foi gasto na competição depois da eleição, então, é impossível ter noção se valeu a pena.

Outra menção de Dilma, em debates, é à eficiência da operação de segurança da Copa-2014. O Maracanã foi invadido por cerca de 100 chilenos, e outros estádios apresentaram falhas similares com a entrada até de armas não autorizadas. A “Folha de S. Paulo” relatou um episódio em que a presidente esteve ameaçada por um policial não identificado no Itaquerão.

Essa proteção interna era, em sua maior parte, responsabilidade da Fifa. Mas era assim porque o governo federal aceitou essa imposição da federação internacional no plano geral de segurança apesar de inúmeros erros privados em Copas e Olimpíadas anteriores. Casa arrombada, o Ministério da Justiça aumentou o número de agentes públicos.


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