Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Arena Amazônia

Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Manaus se candidata a sediar Olimpíada sem saber quanto vai gastar
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O governo do Amazonas e o município de Manaus se candidataram a ser sede de jogos de futebol na Olimpíada do Rio-2016 sem saber quanto terão de gastar com a competição. Ambos assumiram o compromisso de bancar os custos para serem indicados pelo Comitê Organizador Rio-2016 para receber partidas.

Na Copa-2014, o Estado do Norte teve de bancar a maior despesa com instalações provisórias na Copa-2014 em um total de R$ 123,6 milhões, além da construção do estádio. Para a Olimpíada, há a necessidade de investimento em outras estruturas complementares. Inicialmente, o Comitê Organizador do Rio-2016 teria de pagar por itens provisórios, mas parte deles têm sido passados ao Estado após revisão do orçamento em 2014.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, admitiu que não sabe quanto será gasto para receber a Olimpíada: disse que ainda está sendo feito levantamento entre Estado e município. Ressaltou, no entanto, que entende que esse valor não será muito volumoso.

“De qualquer maneira, vai valer a pena porque na Copa houve um retorno de R$ 300 milhões com turismo bem mais do que gastamos”, analisou. “Temos que pagar pelo selo olímpico. Toda cidade que se credencia para receber Olimpíada, e no Japão todas estão interessadas, tem que fazer um investimento.”

Sob o ponto de vista da competição, aumentar uma sede para futebol na Olimpíada – eram cinco previstas anteriormente – também pode representar um crescimento de custo. Logo em um momento em que o COI (Comitê Olímpico Internacional) tem pregado que a competição seja mais enxuta com redução de gastos. O Comitê Rio-2016 também não diz qual será o custo extra.

“Toda a parte financeira será informada depois. Defendemos que a Olimpíada tem que ser uma integração para o país. A Olimpíada é do Brasil, não só do Rio”, contou o presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman. O diretor de comunicação do comitê, Mario Andrada, informou que, se houver aumento de custo, terá de haver redução em outro item como tem sido política do Rio-2016.

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, e o departamento de competições da entidade ficaram contrariados com a indicação de Manaus por considerar que há problemas de logísticas para levar o jogo para tão longe em uma competição curta. Virgílio aposta em uma relação próxima com Blatter para superar essa resistência e ser confirmado na Olímpida, o que só é possível com aval da federação internacional.

Com Vinícius Konshinski


Após a Copa, maioria dos estádios encolhe para jogos do Brasileiro
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Terminada a Copa-2014, o futebol brasileiro pode desfrutar pela primeira vez de todos os 12 estádios da competição. Mas não inteiramente: a maioria das arenas encolheu após o Mundial com o uso de um número bem menor de lugares. Um exemplo disso foi o Flamengo e Grêmio, no Maracanã, recorde de público no Brasileiro, mas longe do patamar da final do torneio da Fifa.

Neste sábado, o público total foi de 59.680 pessoas, considerados pagantes e não pagantes. Em comparação, a decisão entre Alemanha e Argentina teve 74.738. No caso do jogo rubro-negro, os ingressos se esgotaram, isto é, havia interesse de mais gente só que a carga foi limitada.

A questão é que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não permite a venda de todos os assentos por alegações de segurança. Deixa setores inteiros vazios para abrir um espaço entre visitantes e mandantes. O Flamengo queria vender 8 mil bilhetes a mais, mas foi vetado.

Medida similar ocorre no Itaquerão. O Corinthians informou que a capacidade máxima atual é de 38 mil lugares. Há limitações de segurança e de setores ainda por serem abertos. O maior público na Copa foi de 63.267, claro, com as arquibancadas provisórias que estão sendo retiradas agora. Só que os lugares temporários representam 19.800 assentos, isto é, daria para vender 43 mil.

A diretoria do Corinthians estima que, após as reformas que estão sendo tocadas pela Odebrecht para adaptar o estádio, a capacidade vai saltar para um número entre 48 mil e 50 mil. Isso só ocorrerá em 2015.

O Mineirão é outro grande estádio que não repete nos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro os públicos da Copa. Após o Mundial, não houve mais de 50 mil no local, mas, quando os times bateram recordes, o máximo foi entre 56 mil e 57 mil. Na competição da Fifa, foram 58.141 pessoas na semifinal entre Brasil e Alemanha.

Outros estádios perderam lugares provisórios como a Fonte Nova e a Arena das Dunas. Mas, na Arena Pantanal, a federação matogrossense ainda não teve segurança para vender mais de 30 mil ingressos para Flamengo e Goiás. No máximo, atingirá 39 mil. Na Copa, foram 40.340 para Japão e Colômbia.

Há dois estádios com aumento de capacidade em jogos nacionais: Castelão e Beira-Rio. O estádio do Internacional pode receber 50 mil pessoas, contra 43 mil do Mundial. E a arena cearense já teve um público de 63 mil pessoas, em jogo antes da Copa.

A Arena Amazônia promete vender 40 mil bilhetes para jogo entre Vasco e Oeste. Se isso ocorrer, praticamente iguala a Copa com 39.800 bilhetes para Itália e Inglaterra. Mas até agora recebeu 35 mil com o Corinthians. Na Arena Permambuco e na Arena da Baixada, é impossível saber porque ainda não houve jogos de grande porte.

No total, sete estádios encolheram depois da Copa, outros dois aumentaram, e três deles ainda não é possível determinar se terão capacidade maior ou menor em jogos de campeonatos nacionais.

Essa redução dos estádios chama a atenção porque a Fifa já faz questão de não usar todos os lugares por conta de instalações de imprensa e para preservar a visão dos torcedores. Só que as medidas de segurança nos jogos de campeonatos nacionais determinam uma queda ainda maior na capacidade das praças.


Itaquerão e Beira-Rio têm menor custo por jogo de estádios da Copa
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Privados, o Itaquerão e o Beira-Rio têm as menores despesas percentuais por jogo entre os estádios da Copa-2014. Isso significa que o Corinthians e o Internacional ficam com uma fatia bem maior das receitas das partidas.

A constatação foi resultado de levantamento do blog em borderôs de jogos das dez arenas. Como critério, foram consideradas todas as despesas, desde custos operacionais a descontos de federações estaduais.

Foram usadas de três a cinco partidas por sede, com exceção do Itaquerão. A Arena das Dunas foi desconsiderada porque a maioria dos seus jogos dá prejuízo, o que causaria uma distorção. E a Arena da Baixada ainda não tem relatórios financeiros disponíveis.

Se as sedes privadas aparecem com o menor custo, os estádios geridos por empreiteiras ou por governos têm os maiores custos. Nas mãos de um consórcio formado pela Odebrecht e pela OAS, a Fonte Nova é o caso mais absurdo com despesas que mordem 69% das receitas em jogos do Bahia e Vitória.

Em seguida, estão estádios como Maracanã (47%), Castelão (57%) e Mané Garrincha (53%). Os dois primeiros também são administrados por concessionárias com liderança de empreiteiras – a Odebrecht, no caso da praça carioca. Já a arena brasiliense é responsabilidade do governo do Distrito Federal.

Esses números chamam atenção quando confrontados com os percentuais pagos por Corinthians e Internacional. A estreia do Itaquerão teve um custo de 21,4% da renda total – R$ 650 mil de uma renda de R$ 3 milhões. No caso do Beira-Rio, o Internacional gasta em média 23,6% de suas rendas com despesas operacionais desde a reabertura.

Claro que no caso corintiano houve alguma economia por o jogo inaugural ser evento teste da Fifa e por itens que faltam na arena, como monitoramento. O COL (Comitê Organizador Local) pagou, por exemplo, por 700 seguranças. Mas o clube colorado já fez um jogo com ajuda do comitê e a queda de despesa não foi tão significativa.

Há ainda de se levar em conta o fato de o Corinthians ter cobrado um alto ingresso médio (R$ 83), o que ajuda a minimizar o impacto das despesas. Mas o que fica claro é que, ao gerir seus próprios estádios, os clubes conseguem reduzir consideravelmente as despesas da partida.

A Odebrecht, no entanto, contesta a comparação afirmando que “o critério adotado pela reportagem desconsidera pontos cruciais na operação dos estádios.” Primeiro, cita os eventos-teste da Fifa como fator para baratear o jogo do Itaquerão e depois fala dos custos de manutenção.

“(Nos estádios da Odebrecht) Há casos que incluem os custos de operação e manutenção, e há caso em que os custos não são contemplados nos borderôs. No caso do Maracanã, por exemplo, a segurança patrimonial é feita além do estádio, abrangendo as estações de metrô e trem. Desta maneira, cada arena tem serviços específicos, que impossibilitam a comparação real dos custos”, disse a Odebrecht.

Mas fato é que os clubes não têm que pagar aluguel, não têm despesas operacionais em montantes acima de R$ 300 mil. Para se ter uma ideia, na final da Copa do Brasil, o Flamengo perdeu R$ 4 milhões em custos da concessionária do Maracanã e para outros itens.

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro, por exemplo, exige 10% da receita total. O levantamento usou jogos do Botafogo, Flamengo e Fluminense, que têm modelos diferentes, para não haver distorções.

Da regra de altos custos impostos por empreiteiras, só escapa a Arena Pernambuco, que teve descontos em torno de um quarto das rendas dos jogos do Náutico. O estádio também é gerido pela Odebrecht.

Veja abaixo quanto gasta percentualmente cada estádio da Copa-2014 com despesas em geral:

Arena Amazônia: 43%

Arena Pantanal: 38%

Arena Pernambuco: 26,8%

Beira-Rio: 23,6%

Castelão: 57%

Fonte Nova: 69,2%

Itaquerão: 21,44%

Mané Garrincha: 53,2%

Maracanã: 46,8%

Mineirão: 26,8%


Dez estádios da Copa tiveram obras mais lentas que padrão. Veja quais
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Com o primeiro jogo oficial no Itaquerão, neste domingo, os 12 estádios da Copa-2014 terão recebido partidas oficiais de futebol. Ou seja, todos estão funcionais, o que marca praticamente o final das obras – ainda há o fazer em alguns projetos que estão inacabados. Um levantamento do blog mostra que dez das arenas tiveram construções ou reformas mais lentas do que o padrão internacional.

Um dos vice-presidentes do Sinaenco, Leon Myssior, que projetou a Arena Independência, explicou que um estádio com planejamento bem feito pode ser erguido em um prazo entre 24 meses e 30 meses. Isso desde que não existam condições que dificultem a obra, como terrenos não-planos ou necessidade de demolições.

“Para isso, contando um estádio com cerca de 100 mil metros quadradros, se o projeto executivo estiver pronto, e com a utilização de pré moldados dá para fazer neste prazo. É o prazo certo, que dá para cumprir bem sem necessidade de terceiro turno. Em um processo acelerado, poderia ser feito em 20 meses”, explicou Myssior.

Do que foi feito para a Copa-2014, apenas os estádios do Mineirão e do Castelão foram feitos dentro deste prazo – ambos foram concluídos em 26 meses. A Arena das Dunas até teve as obras concluídas em 30 meses para realização da primeira partida. Mas ainda há arquibancadas provisórias sendo colocadas para atender a capacidade exigida para o Mundial.

De resto, os outros nove estouraram o prazo padrão. A obra mais demorada foi a Arena Pantanal, cuja construção demorou 47 meses, entre maio de 2010 e abril de 2014, quando foi realizado o primeiro jogo. A Arena Amazônia e o Beira-Rio também ultrapassaram os 40 meses para serem concluídos.

Claro que cada um teve um problema diferente – a Arena da Baixada e o Beira-Rio, por exemplo, tiveram falta de recursos para os projetos em determinado momento. Mas, em comum entre os erros, Myssior vê a falta de um projeto executivo bem elaborado antes do início das obras, e o uso de materiais estrangeiros de difícil aquisição.

Lembre-se que foi o governo federal que criou uma lei diferenciada para as contratações da Copa (RDC), que permitia licitações apenas com projeto básico. Lembre-se que a Fifa exigiu determinados padrões nos estádios que levaram a instalações de coberturas e especificações que muitas vezes só eram atendidas no exterior.

“A falta de projeto básico transforma as estimatidas de prazo e de custo em meras estimativas sem nenhuma base na realidade. Somos todos bobos em acreditar nisso. Os primeiros números divulgados foram simplesmente jogados para a platéia”, afirmou Myssior.

“E essas membranas de TPFE que foram instaladas na cobertura, só podem ser feitas em poucos países. Isso cria um problema logístico. Aquelas sedes que terminaram mais rápido, Castelão e Mineirão, foram justamente por substituíram muitos desses materiais”

Veja abaixo o prazo que cada estádio demorou para ficar pronto:

Belo Horizonte

Mineirão: 26 meses

Início de obra: Dezembro/2010

Primeiro jogo: Janeiro/2013

Brasília

Mané Garrincha: 35 meses

Início de obra: julho/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Cuiabá

Arena Pantanal: 47 meses

Início da obra: maio/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Curitiba

Arena da Baixada: 32 meses

Início da obra: outubro/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Fortaleza

Castelão: 26 meses

Início da obra: dezembro/2010

Primeiro jogo: janeiro/2010

Manaus

Arena Amazônia: 44 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: março/2014

Natal

Arena das Dunas: 30 meses

Início da obra: Agosto/2011

Primeiro jogo: janeiro/2014

Porto Alegre

Beira-Rio: 46 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Recife

Arena Pernambuco: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Salvador

Fonte Nova: 34 meses

Início da obra: junho/2010

Primeiro jogo: abril/2013

Rio de Janeiro

Maracanã: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: junho/2013

São Paulo

Itaquerão: 36 meses

Início da obra: maio/2011

Primeiro jogo: maio/2014


Instalações provisórias só ficarão prontas a poucos dias da Copa
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As instalações provisórias nos estádios da Copa ficarão prontas poucos dias antes dos jogos, entre o final de maio e o início de junho. É o fica claro em levantamento do blog sobre o andamento das contratações para essas estruturas complementares nas cidades-sede.

Essas instalações -que inclui geradores, locais e equipamentos para jornalistas, cercas, entre outros itens – são levantadas com rapidez e em geral são feitas mais perto dos eventos. Mas a Fifa tinha um cronograma para que estivessem realizadas antes para poder testá-las. Isso não será possível na maior parte das sedes.

Nos três maiores estádios, Mineirão, Maracanã e Itaquerão, não houve ainda início das contratações dessas instalações. Detalhe: são nesses locais onde haverá as maiores estruturas. Os governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro se preparam para começar o processo em breve, e o Corinthians trabalha para viabilizar o dinheiro se é que o COL (Comitê Organizador Local) não pagará por isso.

No Beira-Rio, o governo do Estado também financia as contratações por meio de captação de recursos com renúncia fiscal, o que está em andamento após aprovação de lei. Outro que ainda trabalha para iniciar o processo de compra de serviços e bens é o Distrito Federal.

Na Arena Amazônia, a Secretaria de Copa do Estado informou que, com a licitação concluída, a intenção é acabar tudo em junho. No Castelão, a data-limite do governo do Ceará também é 6 de junho, como informado pela secretaria de Copa.

O governo do Estado do Rio Grande do Norte prevê para final de maio a realização das estruturas, que passarão a ser instaladas em 20 de abril. Só que a licitação para contratação ainda está em andamento.

A Arena da Baixada e a Arena Pernambuco estão mais avançados neste item: já houve início das instalações. Mato Grosso também já concluiu a contratação de empresa responsável pelas complementares da Arena Pantanal.

A Fifa queria que tudo começasse a ser posto em volta dos estádios a partir de março. Ninguém cumpriu o prazo.

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Governo usa dinheiro dos trabalhadores em estádios da Copa
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O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) usou dinheiro dos trabalhadores para bancar a construção e reforma de 11 estádios da Copa-2014. É o que está descrito nos contratos de empréstimos dessas arenas com a instituição financeira. No total, há um investimento de R$ 3,876 bilhões do banco nas arenas.

O BNDES tem como fontes de receita o tesouro nacional, monetização de seus ativos, o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e juros de empréstimos, feitos justamente com esses recursos. Cada projeto recebe verba de um desses lugares.

Em todos os 11 contratos de estádios, lidos pelo blog, está dito que o dinheiro virá com “recursos ordinádios do BNDES, que são compostos, dentre outras fontes, pelos recursos originários do FAT – Depósito Especiais e do Fundo de Participação PIS/Pasep”. A única exceção é o Mané Garrincha que não tem verba do banco estatal.

Com isso, os contratos preveem que, se houver mudança na remuneração do FAT ou do PIS e Pasep, pode haver modificações nos acordos.

O FAT é um fundo para o pagamento do seguro desemprego, do abono salarial e de programas de desenvolvimento. O PIS e o Pasep são programas em que as empresas depositam dinheiro em favor dos trabalhadores privados ou funcionários públicos. Eles podem retirar a verba, por exemplo, em casos de aposentadoria por invalidez ou por atingirem 70 anos.

Enquanto está armazenado, esse dinheiro tem 40% do total destinado ao BNDES. Segundo o banco, o FAT compõe 2,8% dos recursos de seu caixa. Mas com essa verba e do tesouro nacional que a instituição ganha dinheiro com juros.

“A maior fonte de recursos é o retorno das operações – o Banco reempresta os recursos que recebe de volta de seus clientes e que foram originalmente captados em distintas fontes. Entre essas fontes, a maior predominância é do retorno das operações do FAT e do Tesouro”, explicou a assessoria do banco.

Funciona assim: o governo repassa os depósitos feitos em favor dos trabalhadores para o banco. Este empresta para terceiros, ganha com juros e reinveste. Teoricamente, busca projetos que desenvolvam o país.

O PIS e o Pasep só valorizam 3% ao ano para o trabalhador, mais receita líquida, isto é, abaixo da inflação. Enquanto isso, o banco cobra juros baseados na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e taxas, que somam 6,4% ao ano no caso dos estádios da Copa.

Os beneficiados são os que recebem empréstimos bem abaixo dos juros do mercado. No caso da Copa, são três clubes de futebol, Corinthians, Internacional e Atlético-PR, cujos estádios recebe dinheiro indiretamente. Há ainda as construtoras, OAS (Natal), Andrade Gutierrez (Beira-Rio), Construcap, Egesa e Hap (Mineirão). Com a intermediação de terceiros, as taxas e juros giram entre 7,3% e 9,84%.

Para se ter ideia do benefício, a taxa selic (referência no país) tem juros de 10,9%. Bancos privados aplicam sobretaxas sobre esse percentual para garantir seus lucros. Ou seja, empréstimos privados saem bem mais caros.

No caso do dinheiro para estádios da Copa, os maiores juros são pagos pela OAS na Arena das Dunas, com 9,84%, com a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) no patamar atual de 5%. Em segundo, vem a Arena Itaquera, do Corinthians, que pagará 9,8% de juros e taxas, por conta da intermediação da Caixa Econômica Federal. Governos que pediram empréstimos, como o do Estado do Rio de Janeiro para o Maracanã, pagam 7,3%.

O dinheiro dos trabalhadores não pode ser usado em qualquer projeto do BNDES. Mas os estádios geram emprego e por isso se enquadram entre os que podem ser beneficiados pela verba.

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Maioria das mortes da Copa ocorre em estádios com obras apressadas
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A morte do operário Fabio Hamilton da Cruz, enquanto montava estruturas provisórias do Itaquerão, é mais uma em acidentes em estádios da Copa-2014 com obras aceleradas por conta de atrasos. Dos oito óbitos, seis aconteceram em momentos de pressa dos construtores para cumprir prazos da Fifa.

O acidente de sábado ocorreu na instalação dos 21 mil lugares provisórios para o Itaquerão receber a abertura. Na sexta-feira, o blog mostrara que a previsão para a entrega dessas estruturas era 30 de abril, além do prazo inicial que o clube prometera o estádio para a Fifa. Essas obras são de responsabilidade da Ambev e do governo do Estado.

O outro acidente no Itaquerão aconteceu em novembro de 2013 quando caiu um guindaste e matou dois operários: Ronaldo Oliveira dos Santos e Fábio Luiz Pereira.

A investigação do Ministério do Trabalho mostrou que o operador do guindaste estava há 18 dias sem folga. Também foi constatado que a Odebrecht impunha número excessivo de horas extras aos trabalhadores, o que teve de ser reduzido. Havia uma pressão da Fifa para receber a arena em 5 de janeiro.

Já a Arena Amazônia foi o estádio mais letal com quatro mortes. Pois, o Estado do Amazonas decidiu apressar a construção da arena no meio do ano passado: passou a estender a operação de instalação da cobertura até a noite. O objetivo era terminar tudo em 2013.

Desde então, morreram três operários no estádio. Foram dois em um mesmo dia, no dia 14 de dezembro. Um deles, Marcleudo de Melo Ferreira, estava justamente instalando refletores durante a madrugada, o que foi proibido posteriormente. O outro, José Antônio da Silva Nascimento, morreu de infarto enquanto fazia terraplanagem e limpeza de terreno anexo.

A obra não acabou em 2013 e mais um trabalhador faleceu no local em fevereiro deste ano quando havia uma corrida para encerra-la. Antônio José Pita Martins sofreu um acidente quando atuava na desmontagem de um guindaste.

As outras duas mortes foram em Brasília, no meio de 2012, e em Manaus, no início de 2013, quando não havia aceleração das obras.

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Valcke esculhamba Brasil até em site oficial da Copa
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Os atrasos da Copa-2014 chegaram a tal nível que até uma entrevista do secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, ao site oficial é recheada de críticas aos organizadores do evento. É o que se vê e ouve em vídeo divulgado pela federação internacional nesta quinta-feira por conta da inauguração da Arena Amazônia.

Normalmente, textos e vídeos institucionais servem para exaltar aspectos positivos de eventos. Valcke já fez algumas críticas neste tipo de espaço anteriormente. Sua posição desta vez pode ser conferida neste link da Fifa.

Primeiro, Valcke é questionado sobre a importância da boa notícia da inauguração do estádio do Norte. Sua resposta não é animadora:

“A boa notícia, para ser muito honesto, seria ter estádios em dezembro de 2013, não em março de 2014”, afirmou o dirigente. E emendou: “É uma boa noticía porque força os outros estádios (a acelerar). Isso porque os outros três restantes (Itaquerão, Arena da Baixada e Arena Pantanal) realmente têm que ficar prontos.”

Depois, Valcke explicou, novamente, que seria bom ter as arenas com antecedência para poder construir as estruturas complementares das arenas, necessárias para o Mundial. E dá nova alfinetada, desta vez, em Porto Alegre. As obras do entorno do Beira-Rio têm problemas e podem não ficar prontas a tempo para o Mundial.

“Fora do estádio de Porto Alegre, não há pavimento/calçada. Não podemos botar um TV Compound (estrutura para transmissão televisiva) e toda a estrutura de hospitalidade sem pavimento”, contou. “Não é como um pavimento de casa. Tem 140 mil metros quadrados. E demora dois ou três meses para ficar pronto. Estamos a três meses da Copa do Mundo.”

Em seguida, finalizou: “Não é só uma corrida da Fifa, é do COL, do governo e das cidades-sede, que têm que correr para que seus estádios fiquem prontos para a Copa.”

Normalmente, vídeos institucionais servem para exaltar aspectos positivos de eventos. Este da Fifa tem o seguinte título: “Nós vamos entregar esse diamante para o mundo”. É uma referência à Arena Amazônia.

Ao final do vídeo, Valcke afirmou que seu objetivo é que de, de forma conjunta, o Brasil, o COL e a Fifa entregue “esse diamante (Copa-2014)” para o mundo.