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Arquivo : Arena Corinthians

Planilhas apontam R$ 4,1 mi ilegais da Odebrecht por Arena Corinthians
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Planilhas da Odebrecht que constam em inquéritos da Lava-Jato

Incluídas em inquéritos da Lava-Jato, planilhas da Odebrecht apontam R$ 4,1 milhões em pagamentos ilegais por conta da Arena Corinthians. Esses documentos são do departamento de operações estruturadas e não têm indicação de destinatário. As planilhas foram mapeadas pelo blog em inquéritos da operação tornados públicos na semana passada.

Há um inquérito relacionado à Arena Corinthians no STF (Supremo Tribunal Federal) mantido em sigilo pelo ministro Edson Fachin. Um dos pontos investigados é o suposto pagamento de Caixa 2 para o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez.

Como já mostrado pela “Folha de S. Paulo”, há uma planilha que indica o pagamento de R$ 3 milhões para o ex-deputado em contribuições ilegais de campanha. Ele negou que tenha recebido. Ao explicar o propósito do pagamento, a planilha tem escrito na linha do nome de Andres: “importante interlocutor para a gestão do contrato para as obras/operação da Arena Corinthians”.

Mas há outras planilhas do departamento de operações estruturadas em que não constam nomes, mas apenas codinomes. Dentro desse setor da Odebrecht, só constavam pagamentos por fora, não contabilizados oficialmente. Em delações, ex-executivos da construtora indicaram que a maior parte era propina ou Caixa 2, embora não todos.

Pois bem, o blog identificou dez pagamentos feitos por esse departamento da Odebrecht em que constam como explicação “Arena Corinthians”. São em datas diferentes, o que indica que não são registros repetidos. Nesses, o codinome em geral é Timão. E há outros com codinomes como Azeitona, Papai Noel, Trenó, Rena.

Os pagamentos começam em fevereiro de 2014. Naquele mês, há dois em menores valores, em total de R$ 15 mil, e há um de R$ 500 mil no dia 25. No mesmo período, é datada de 17 de fevereiro a ata assinada por executivos da Odebrecht e do Corinthians que estabeleceu o aumento do preço da obra do estádio de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. O documento foi assinado de fato alguns dias depois e teve data retroativa, segundo apurou o blog.

Pela Odebrecht, assinaram Antonio Gavioli, cujo nome consta nas planilhas como responsável pelos pagamentos por fora pela arena, e Luis Bueno, que fez delação sobre o estádio mantida em sigilo. Pelo Corinthians, assinou Andrés Sanchez.

Os outros pagamentos que constam das planilhas são no período entre agosto e outubro de 2014. Esse é o período da eleição em que a outra planilha da Odebrecht indica pagamento a Andres. Segundo apurou o blog, pode haver coincidências de registros entre esses dois documentos. Por isso, não foram somados os pagamentos teoricamente destinados ao deputado no total.

Em 13 de agosto, a planilha registra um total de R$ 1,3 milhão em dois pagamentos da Odebrecht referente ao estádio, com os codinomes Azeitona e Timão. Em 2 de setembro, a Odebrecht enviou o Boletim de avanço de obra para o Corinthians, informando que o total de R$ 985 milhões da obra tinha sido todo gasto.

Até outubro há um total de R$ 3,6 milhões referentes à arena neste período eleitoral. Com os pagamentos de fevereiro, todos os valores referentes ao estádio chega a R$ 4,1 milhões.

O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez nega ter havido pagamentos referentes à arena pela empreiteira: “Não houve pagamento na Arena Corinthians. Não tem nada. Não sei, a planilha não é minha. Se houve algum rolo na Arena, o Corinthians é vítima. É vítima. Não fiquei sabendo de nada. Se houve alguma coisa, o Corinthians é vítima”, disse ele.

Procurada, a Odebrecht não respondeu as perguntas e emitiu uma nota: “A Odebrecht S.A entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos. A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.”

O Corinthans já emitiu nota oficial em que afirma que vai apurar possíveis irregularidades relacionadas às delações no estádio. Em delação, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht afirmou que não pagou propina na Arena Corinthians: disse que o que poderia ter havido foi Caixa 2 para Andres.

Lista de pagamentos feito pela Odebrecht referente à Arena Corinthians:

25/2/2014 – Papai Noel – R$ 500 mil

25/2/2014 – Rena – R$ 5 mil

27/2/2014 – Trenó – R$ 10 mil

13/8/2014 – Azeitona – R$ 300 mil

13/8/2014 – Timão – R$ 1 milhão

19/8/2014 – Timão – R$ 300 mil

11/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

18/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

25/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

16/10/2014 – Timão – R$ 500 mil

Colaborou Diego Salgado


Odebrecht diz que Mantega pediu ingresso da Copa quando negociava arena
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As delações e provas produzidas por executivos da Odebrecht apontam interferência da cúpula do governo federal para liberar financiamentos para a Arena Corinthians. O ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht indicou que tinha como interlocutor frequente nessas negociações o ex-mininstro da Fazenda Guido Mantega. E, nos encontros, o político chegou a pedir ao executivo ingressos para a Copa do Mundo, segundo documento fornecido pela construtora. Essa reivindicação não tinha relação com os outros pleitos aparentemente.

Mantega é investigado em um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) que envolve pagamentos da Odebrecht por investimento da Previ em um empreendimento da construtora: o Parque da Cidade. No inquérito, consta uma agenda de reuniões entre o ex-ministro e Marcelo Odebrecht. As conversas envolviam diversos temas entre eles o financiamento da Arena Corinthians, tanto em relação à participação de bancos estatais quanto aos CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). Isso ocorreu entre 2012 e 2013 – só no ano da Copa saiu a verba do BNDES.

No documento, Odebrecht relata quais eram seus pleitos com Mantega e depois explica se foi atendido. Em um item, ele especifica: “Pedido pessoal de Guido Mantega a mim para obter ingressos para a abertura da Copa do Mundo e para mais algum jogo na Arena Itaquera (não me recordo especificamente qual jogo)”. Na anotação ao lado, o ex-presidente da construtora diz que não sabia se o pleito fora atendido.

No mesmo documento, ele detalha que eram tratados de financiamentos na Caixa, Banco do Brasil e BNDES, todos envolvidos para liberar verba para a arena. Cita ainda as CIDs (Certificados de Incentivo de Desenvolvimento) do estádio como outro item da agenda. Seu pleito neste caso não foi atendido, segundo o documento.

Em seu depoimento sobre a Arena Corinthians, Marcelo Odebrecht disse que recorreu a inteferências de Mantega e até da então presidente Dilma Rousseff para liberar o financiamento para o estádio. No relato do ex-executivo da construtora, a Caixa Econômica inicialmente iria ser a repassadora do empréstimo para o Corinthians, mas a ex-presidente vetou e passou para o Banco do Brasil.

“(Dilma) Acha que a Caixa ia flexibilizar mais nas garantias. Imagine um banco que recebe isso. Os problemas que não tinham com a Caixa iam para o Banco do Brasil. Banco do Brasil encrencou. Vc fica o ministro da Fazenda, presidente do Banco do Brasil, quase 30 horas de reunião”, contou Marcelo Odebrecht aos procuradores federais. Há reunião registrada entre ele, Mantega e Aldemir Bendine, então presidente do BB. Mas o banco, de fato, impediu a concessão do empréstimo por falta de garantias da construtora e do clube.

Depois, o ex-presidente da Odebrecht oferece para Mantega usar um crédito que teria a receber na Eletrobras para garantir o empréstimo da arena. Não dá certo. Assim, fracassa a negociação com o Banco do Brasil apesar da intermediação do ministro da Fazenda. Por isso, Marcelo Odebrecht diz ter pedido diretamente a Dilma Rousseff para resolver o problema no último trimestre de 2013.

“Aproveitei uma visita dela à Arena Fonte Nova, faltando um ano antes da Copa, não tinha saído o empréstimo. Presidenta, encontro rápido, pedia sala reservada, ‘Só vai sair se a senhora der uma orientação de voltar para a Caixa resolver’. Acabou concordando. Mandou orientação para Guido (Mantega), e começou a construir com a Caixa Econômica. Caixa já não era a mesma Caixa. Já estava recebendo um pepino de volta. Demos garantia adicional de três ou quatro primeiros anos. Caixa aceitou a modelagem”, concluiu ele no depoimento. Ele afirma em seguida que a Caixa é suscetível à pressão de cima. Em 2014, enfim, a Odebrecht recebeu o dinheiro do BNDES.

A discussão dos CIDs também era federal porque o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab teria recebido uma promessa de compensação da União, segundo Odebrecht. Os títulos se concretizaram apenas em parte apesar de gestões junto à prefeitura de São Paulo para tentar validá-los de qualquer maneira. Não houve compensação federal.

Odebrecht não tinha delatado inicialmente possíveis crimes na construção da Arena Corinthians. Mas, ao citar algumas dessas relações com a cúpula do governo, procuradores lhe apontaram que poderia haver crimes. Por isso, ele anexou novos depoimentos.  “A quantidade de interface e de interralação… Em algum momento, você comete algo, pode ter alguma conduta. Teve exigências da Caixa. Estou contando como foi esse processo. Onde teve a conduta ilícita tem que ser apurado.”

Há um inquérito sob sigilo no STF para apurar as condutas relacionadas à Arena Corinthians. Seu principal depoimento é do ex-executivo da Odebrecht Luis Bueno que relatou pagamentos de caixa 2 ao deputado federal Andres Sanchez.

O blog não conseguiu ouvir a defesa do ex-ministro Guido Mantega sobre a questão dos ingressos, nem sobre sua participação na modelagem do financiamento.


Rodrigo Caio mostra caráter raro nos campos brasileiros
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Era primeiro tempo de São Paulo e Corinthians quando Jô foi pressionar a saída do goleiro Rena Ribeiro, protegido por Rodrigo Caio. O atacante corintiano não cometeu falta, mas o são-paulino foi atingido e caiu. De forma equivocada, o árbitro Luis Flávio Oliveira deu cartão amarelo a Jô.

Foi a vez de Rodrigo Caio se dirigir ao juiz e avisar que ele atingira seu próprio goleiro. Avisado, o árbitro anulou o amarelo que tiraria Jô da segunda partida da semifinal entre os times. O são-paulino abriu mão de uma vantagem em prol da falar a verdade.

Não é comum no futebol brasileiro, reflexo de uma sociedade em que levar vantagem é um hábito arraigado entre nós. Só em 2017 podemos lembrar de Keno apontando Gabriel de forma equivocada para que ele levasse um cartão injusto no Corinthians e Palmeiras. Ou recordar de Nenê pedindo pênalti em bola que bateu na barriga de Renê, no Flamengo e Vasco.

Estão longe de ser exceções em um ambiente em que os jogadores brasileiros constantemente simulam faltas inexistentes, gritam com o juiz para pressionar por marcações e até exageram agressões para pedir a expulsão de rivais. Parece que isso se aprendem na escolhinhas de futebol nacional. Na verdade, é ensinado por um meio social de moral distorcido, esse aí que vimos exposto nesta última semana na política.

Esse tipo de comportamento dos jogadores é nocivo em vários aspectos: dá a ideia ao cidadão de que vale tudo para seu time vencer, induz o árbitro a diversos erros que podem ser decisivos e cria um cenário no jogo em que a bola tem menos importância do que o mimimi.

Existe atitude similar em campeonatos europeus? Sim, há simulações e alguma pressão ao juiz. Mas em um nível bem menor do que o que ocorreu no Brasil. Isso se estende a fora do campo onde qualquer erro de árbitro – e são muitos no país admitamos – leva a questionamentos destemperados de dirigentes.

Ao final do jogo, questionado sobre sua atitude, Rodrigo Caio foi sucinto: “Fiz nada, fiz só o que tinha que fazer”. O país seria bem melhor se as pessoas simplesmente fizessem o que têm que fazer. Que o seu exemplo sirva ao menos para o futebol.


Delator diz que discutiu CIDs da Arena Corinthians com deputado e lhe pagou
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Em delação na operação Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Alencar Alexandrino afirmou ter discutido os CIDs (títulos de incentivo da prefeitura) para a Arena Corinthians com o deputado Vicente Cândido (PT-SP), que é diretor da CBF. Após essa aproximação, ele afirmou que contribuiu com dinheiro de R$ 50 mil de Caixa 2 para campanha eleitoral do deputado de 2010.

O vídeo do depoimento de Alencar Alexandrino, um dos articuladores do estádio corintiano na Odebrecht, está no site de “O Estado de São Paulo.” Por conta dessa delação, o ministro do STF, Edson Fachin, determinou a abertura de inquérito contra o deputado.

Alexnadrino explicou que decidiu se aproximar de Cândido por conta da Arena Corinthians e a realização da abertura da Copa-2014. Citou o fato de o parlamentar ter envolvimento com futebol e ser próximo ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Mais, Cândido é diretor de assuntos internacionais da confederação. Veja no trecho abaixo:

“Mas daí em 2010, com o advento da Arena Corinthians, me aproximei dele porque Vicente Cándido sempre foi muito ligado a questões do futebol (…) Se não me equivoco, sei que é advogado, tem uma proximidade do presidente da CBF Marco Del Nero, Marco Polo Del Nero. Fui me aproximando dele na construção e no financiamento da Arena Corinthians. Tanto é que no financiamento da arena temos uma parte expressiva ligada à prefeitura. Começamos a ver como poderíamos elaborar isso de forma consequente, nas próprias CID. Foi uma aproximação com ele.”

Em seguida, Alexandrino conta que Cândido o procurou para pedir uma doação eleitoral para a campanha: “Em 2010, por volta de setembro, ele me procurou e me solicitou, em encontro em SP, para que pudesse contribuir na campanha dele fazendo doações. Eu evoluiu isso internamente dentro do contexto das delações. Falei com o meu líder Benedicto Junior. Decidimos ajudá-lo dentro da nossa faixa para deputado federal.”

Em seguida, completou como ocorreu a negociação na sede da Odebrecht, onde há registro da entrada do deputado, segundo o delator: “Como essa época nós ainda limitávamos o teto para doações legais, optamos por doações via Caixa 2. Ele concordou. Que me recordo que demos a quantidade de R$ 50 mil por Caixa 2.”

Alexnadrino afirmou que não fez um pedido específico a Vicente Cândido pela doação ilegal. “Houve uma aproximação mútua por ele ser uma pessoa ligada a futebol, e pela arena Corinthians, questão da abertura da Copa do Mundo em São Paulo, todos esses desenvolvimentos.”

O deputado Vicente Cândido não foi encontrado para comentar a delação. A CBF ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 


Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Com queda de renda, Corinthians não recebe recurso para manter arena
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O Corinthians não recebeu nenhum dos pagamentos mensais previstos para operar a sua arena em 2016 porque houve queda de arrecadação brusca do estádio. A informação consta em documentos do fundo do equipamento. Com a falta de repasses, o clube teve de bancar com os próprios recursos um total que pode chegar a R$ 15 milhões.

Pelo contrato entre Corinthians e fundo, o clube deveria receber um contraprestação de R$ 30 milhões para a operação da arena por ano de 2014 a 2016. Para se chegar a esse valor, é preciso calcular 20% da receita estimada para esses anos que era R$ 150 milhões em 2016. Desse total, seriam deduzidos os valores para pagar despesas como água, luz, gás, esgoto.

Fontes envolvidas com o negócio dizem que sobraria em torno de metade, isto é, R$ 15 milhões por ano. Isso inclui despesas como a equipe de funcionários da arena, manutenção do gramado e elevadores, entre outros itens. É isso que o Corinthians tem que bancar com recurso próprio.

Essa situação ocorreu porque as receitas do estádio em 2016 caíram em relação a 2015. No ano do título brasileiro, a bilheteria foi de R$ 73,8 milhões. No ano passado – embora não exista uma conta fechada-, a estimativa é de que o montante fique entre R$ 55 milhões e R$ 57 milhões. Com isso, não houve recursos para pagar o clube.

No contrato, há uma previsão de que pelo menos fosse paga um contraprestação mínima ao clube de R$ 500 mil mensais para quitar suas despesas. Dados de dentro do clube dizem que nem isso foi repassado ao Corinthians. O dinheiro foi apenas suficiente para pagar o financiamento do BNDES (ou melhor os juros dele) e as outras despesas que seriam descontadas.

Pior, para 2017, a regra contratual tem condições mais desfavoráveis. Até 2016 o cálculo era feito por meio da receita estimada. Agora, o clube terá direito a 20% da receita média dos anos de 2015 e 2016. Ou seja, isso vai girar em torno de R$ 13 milhões por ano, menos da metade da contraprestação atual.

Esses termos devem ser renegociados durante a reforma do acordo de financiamento com a Caixa Econômica Federal, que intermedeia o empréstimo do BNDES. Mas, por enquanto, ainda estão válidos esses pontos. Isso significa que o Corinthians está há 14 meses sem receber o dinheiro para operar o estádio.

Em resumo, essa penúria deve-se ao acordo comercial assinado pelo clube que previa receitas líquida com o estádio de até R$ 112 milhões até 2017. A renda bruta da arena não deve chegar à metade disso. O blog tentou contato com o vice-presidente de finanças do Corinthians, Emerson Piovezan, e o reponsável pela operação da arena, Lucio Blanco, mas ambos não responderam aos contatos.


Corinthians já deve R$ 1,4 bilhão pela arena, mas pode questionar valor
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A dívida do Corinthians pela construção da arena está em R$ 1,4 bilhão em valor presente (o atual sem considerar os juros futuros). O montante foi confirmado pelo blog com duas fontes envolvidas no negócio do estádio. Há, no entanto, uma corrente dentro da agremiação corintiana que defende um questionamento a esse total e ao seu pagamento integral.

O Corinthians ainda pode apelar para os CIDs (Certificados de Incentivo de Desenvolvimento), avaliados em R$ 450 milhões após os juros, para abatimento. Considerado esse valor como um ativo a ser realizado, a dívida líquida do clube ficaria em R$ 935 milhões. A Odebrecht e o clube ainda têm tido alguma dificuldade para negociar os títulos, mas, após uma primeira vitória na Justiça, acreditam que poderão vender todos.

A conta corintiana é dividida em quatro: empréstimo com o BNDES (R$ 450 milhões), debêntures emitidas pela Caixa Econômica em favor da Odebrecht (R$ 500 milhões), debêntures da própria empreiteira dadas como garantia (R$ 70 milhões) e o débito direto com a construtora (R$ 365 milhões). No total, o valor é de R$ 1,385 bilhão. Um outra fonte envolvida no negócio calculou em R$ 1,360 bilhão.

Até o momento o clube já pagou R$ 100 milhões do débito com dinheiro de bilheteria e do caixa próprio. Por isso, está sem receita de seus jogos.

Esse total da dívida é menor do que o calculado pela “Folha de S. Paulo” em julho de 2016 (R$ 1,64 bilhão) porque considera o valor presente, e não o que pode aumentar por conta dos juros futuros.  Isso porque, no momento, é difícil saber exatamente o impacto dos juros já que há uma renegociação em curso do débito do BNDES, e há taxas diversas para outras partes da dívida.

Outro motivo de controvérsia é o questionamento se a construtora realizou todo o previsto em contrato. Por isso, há uma auditoria contratada pelo Corinthians em curso, assim como uma comissão no Conselho Deliberativo para estudar o caso.

A expectativa de corintianos dos corintianos é de chegar a um valor justo pela obra, que no total custou R$ 985 milhões – depois, juros inflaram o total. A previsão é de que em breve o Corinthians tenha um relatório da auditoria especificando se houve irregularidades e cobranças excessivas nos contratos com a construtora. A Odebrecht nega essa prática.

Por isso, alguns dirigentes corintiano defendem que o BNDES deve ser pago, mas que a construtora não merece receber todos valores devidos. Isso reduziria drasticamente o total que poderia cair para algo em torno de R$ 900 milhões, ainda com o desconto dos CIDs.

O problema é que todos esses montantes descritos são amarrados por contratos dentro do fundo e da empresa Arena Itaquera. Caso não sejam quitados, é bem possível que a disputa acabe na Justiça, a não ser que as partes cheguem a um acordo.

 


Auditoria investiga quanto saiu dos cofres do Corinthians para bancar arena
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Contratada pela diretoria alvinegra, a auditoria nas contas da Arena Corinthians investiga quanto de dinheiro do clube serviu para bancar o estádio em 2016. Nesta segunda-feira, o ex-presidente Andrés Sanchez afirmou que houve recursos da agremiação para pagar pelo equipamento. Desde dezembro, o grupo contratado para apurar problemas na arena tenta descobrir o valor investido pelo clube.

Há basicamente duas despesas com a arena alvinegra. Uma é o pagamento de juros da dívida com o BNDES já que foi suspensa a quitação do valor principal em acordo com a Caixa. Esse montante é de R$ 2 milhões mensais. A outra é o custo operacional que é de cerca de R$ 2,5 milhões também por mês. Isso inclui pagamentos de funcionários, em um total de R$ 30 milhões por ano, mas não contabiliza a manutenção.

A renda do estádio com bilheteria foi insuficiente para quitar todos os compromissos em 2016. No primeiro semestre, foram R$ 45 milhões em receita bruta, sendo o que sobrou líquido foram R$ 20 milhões. Mas, depois disso, ainda tem que ser pagas as parcelas da dívida com BNDES.

A auditoria já obteve a informação de que houve dinheiro do clube desembolsado para o estádio, assim como disse Andrés. No balancete de setembro de 2016, o Corinthians registrou um efeito negativo de R$ 18 milhões nas contas do clube. Mas não é certo qual o valor total de gasto do clube no estádio. Se tiver pago três prestações de juros, como disse Andres, seriam pelo menos R$ 6 milhões.

Por isso mesmo a auditoria faz a apuração para descobrir exatamente qual o volume de recursos alvinegros foram para estádio e se isso ocorreu de forma regular. Pelo acordo inicial, não deveria haver dinheiro do Corinthians no estádio, sendo usado apenas os recursos gerados pela própria arena. Se houvesse recurso do clube, no máximo, seria para pagar dívida, mas o custo operacional deveria ser só do fundo.

O Corinthians atravessa uma crise financeira e no seu futebol. O blog tentou esclarecimentos com o diretor financeiro, Emerson Piovezan, mas ele não retornou as ligações.

 


Estádio dá ao Palmeiras vantagem de R$ 150 mi sobre Corinthians em 2 anos
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Quando decidiram fazer seus estádios, Palmeiras e Corinthians adotaram modelos de negócios completamente diferente. Houve uma longa discussão sobre quem teria a melhor fórmula. Passados dois anos das arenas em funcionamento, o clube alviverde teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em renda sobre o rival, de acordo com levantamento do blog.

No modelo escolhido, o Corinthians decidiu criar uma estrutura de empresas para financiar a construção de seu estádio com empréstimo do BNDES e incentivo fiscal. Depois, ainda usou dinheiro da Odebrecht. As rendas da arena seriam todas destinadas ao pagamento desta conta, o que tirava a renda do clube com bilheteria. Hoje, a perspectiva é de que se alongue o pagamento da dívida por pelo menos 20 anos.

Já o Palmeiras fechou uma parceria com a W/Torre pela qual cedida o estádio e o terreno por 30 anos. A construtora realizava toda arena e cedia as rendas de bilheteria para o clube, ficando com o direito de exploração para shows e outros eventos.

Levantamento nas contas do fundo Arena Imobiliário e nas bilheterias do clube mostra que o estádio corintiano teve uma arrecadação em torno de pelo menos R$ 147,5 milhões em dois anos e meio de funcionamento. Pelas contas do fundo, foram R$ 119,3 milhões até o meio de 2016. As bilheterias corintianas somadas no segundo semestre foram de R$ 28,2 milhões.

No mesmo período, o Palmeiras deve registrar receita um pouco superior com o Allianz Parque. Em 2015, descreveu R$ 87,2 milhões em arrecadação com jogos em seu balanço.

Não há um número total fechado para 2016 já que o balanço não se encerrou. Mas as receitas de bilheteria do ano foram de R$ 59,6 milhões. Ou seja, o total chega a pelo menos R$ 146,8 milhões. Esse número certamente será maior já que o Palmeiras tem direito a um percentual pequeno da renda de eventos e de naming rights.

Feitas as contas, em dois anos com os estádios novos, o Palmeiras teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em seus cofres sobre o rival o que se reflete na situação financeira dos dois clubes. E pelo cenário atual isso deve perdurar.

Como deve prolongar a dívida com o BNDES por 20 anos, e tem outros débitos com a Odebrecht, o Corinthians pode ficar duas décadas sem bilheteria. A situação se agrava porque há a dívida privada, pela falta de venda de naming rights e de negociação da maior parte dos CIDs. Assim, é difícil dizer quando de fato o clube conseguirá cobrir o R$ 1,1 bilhão do custo do estádio.

No cenário mais otimista, de pagamento do débito corintiano em 20 anos,  a escolha do modelo de negócios de estádios representará uma diferença de R$ 1,5 bilhão em favor do Palmeiras sobre o rival em neste período. E, em 10 anos mais, o próprio Palmeiras terá seu estádio integralmente. Ou seja, não há dúvida hoje de quem fez o melhor negócio.


Auditoria corintiana vê lucro indevido da Odebrecht em conta da arena
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A auditoria contratada pelo Corinthians analisa supostas cobranças indevidas feitas pela Odebrecht na conta de R$ 1,2 bilhão da sua arena. Entre os pontos, há um questionamento de inclusão de R$ 27 milhões de lucro da construtora na conta final que, por compromisso, não deveria existir. Extraoficialmente, a construtora alega que não teve lucro nenhum porque o dinheiro foi usado para cobrir aumento de despesas com custos extras.

As supostas cobranças indevidas foram verificadas pela auditoria Claudio Cunha e por advogados contratados pelo clube que analisam as despesas do estádio. Contratos com fornecedores da arena também estão sendo alvo de escrutínio desse grupo. Ao final, o Corinthians decidirá se requisita o desconto da dívida do clube.

Como mostrado pelo blog, mudanças contratuais fizeram saltar o valor inicial de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. Contratações de overlays para a Copa-2014 e juros elevaram a conta para R$ 1,2 bilhão. O Corinthians só pagou uma pequena parte desse valor, tendo dívida de R$ 350 milhões só com a construtora.

Bem, neste valor de R$ 985 milhões, foram incluídos 4% de lucro bruto para a Odebrecht, além de outros 4% de taxa de administração da obra. Ou seja, de lucro, estavam previstos R$ 39 milhões para a construtora. Posteriormente, um aditivo estabeleceu que esse valor ficaria em R$ 27 milhões.

A empreiteira prometeu em diversas ocasiões que não teria lucro. Foi feita uma ata assinada pelas partes confirmando que não haveria esse ganho extra da Odebrecht. No entanto, ao final da obra, a construtora cobrou o preço integral e deu a obra como concluída sem que ela estivesse integralmente pronta.

É nisso que a auditoria se baseia para exigir que o lucro seja excluído, além de outros itens. A auditoria está reunindo documentos de dois levantamentos sobre as obras do estádio, feito agora pela Claudio Cunha Engenharia e pela Tessler. Será feito um documento final em que se apontarão os supostos prejuízos do clube.

Em contrapartida, na versão extraoficial, a Odebrecht argumenta que o seu lucro foi usado como contingência para cobrir itens da obra que extrapolaram os valores previstos inicialmente.  Entre os itens citados, estão uma instalação para liberar fumaça, novos locais para imprensa e vidros da cobertura. Alguns itens já estavam na estimativa inicial e custaram mais do que o previsto, outros tiveram de ser incluídos. Essa é a versão da  construtora.

Segundo a Odebrecht, todos esses valores estão detalhados na conta final da obra que está disponível no fundo que controla o estádio desde o final de 2015. A construtora alega que basta a auditoria consultar os documentos para ver que não sobrou lucro.

A tese é rebatida na auditoria onde se afirma que já foram feitas diversas reivindicações de documentos à construtora e nenhum deles foi recebido. A argumentação é de que empreiteira tem constantemente sonegado essa documentação para evitar a realização da auditoria.

Por fim, a versão da Odebrecht é de que só levou prejuízo na obra pois teve que financia-la com empréstimos e capital próprio. Foram feitos empréstimos com bancos privados e com o BNDES. Só diretamente à construtora o clube deve R$ 350 milhões. Em contrapartida, representantes corintianos dizem que a empreiteira já recebeu por meio dinheiro por meio desses mútuos.

Quando encerrada a auditoria, ficará a questão se a diretoria corintiana cobrará que a empreiteira desconte os supostos itens indevidos. Ao mesmo tempo, em meio à disputa, a Odebrecht poderá endurecer na cobrança da dívida do clube pelo estádio.