Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Arena das Dunas

Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


OAS anuncia venda de estádios da Copa sem avisar Estados e sem autorizações
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Investigada pela operação Lava-Jato e em recuperação judicial, a OAS anunciou a venda de parte da Arena Fonte Nova e da Arena das Dunas sem avisar os governos da Bahia e do Rio Grande do Norte. Detalhe: as negociações dos estádios só podem ocorrer com as autorizações dos Estados, que são os donos e os responsáveis por pagar as construções deles. A construtora alega que não precisa avisar que tem a intenção de repassar as arenas.

A OAS ganhou o direito a levantar e fazer a gestão da Arena das Dunas e da Arena Fonte Nova, esta última dividida com a Odebrecht. Nesta terça-feira, a empresa anunciou que venderia 100% do estádio potiguar, e 50% do baiano. Ambos têm operado com prejuízo.

O contrato da Arena das Duas com a empreiteira estabelece que, pela cláusula 5, “a transferência, a qualquer título, da concessão administrativa somente poderá ser feita com prévia e expressa autorização do Estado”. Pelo documento, a OAS também é obrigada a comunicar qualquer situação que altere a construção do estádio ou a prestação de serviços neste. Bens na arena não podem ser alienados.

“Até o presente momento o Governo do Estado não recebeu a notificação oficial sobre a negociação de ativos da Arena Das Dunas. Tão logo seja comunicado, o documento será submetido ao setor jurídico para apreciação e posterior divulgação das providências a serem adotadas pelo Governo do Rio Grande do Norte”, informou o governo do RN.

O contrato da Fonte Nova determina que qualquer transferência de controle acionária do estádio tem que ter autorização do Estado. É obrigatória a notificação do governo sobre eventual substituição, assim como a demonstração de que a nova empresa tem condições de assumir a arena. Como no RN, a Secretaria de Trabalho, Emprego e Esporte da Bahia informou que só soube da venda do estádio pela imprensa, sem nenhum comunicado da OAS.

A OAS alega que não descumpriu nenhum acordo: “O contrato de Concessão não prevê qualquer anuência prévia para eventual intenção de negociar uma participação acionária da Fonte Nova. A autorização somente deve ser dada após a formalização de fato de um interessado no negócio”, afirmou a construtora.

O governo do RN paga cerca de R$ 10 milhões por mês à empreiteira pela gestão do estádio. Na Bahia, a Concesionária composta por OAS e Odebrecht recebe um valor não divulgado pelo mesmo motivo. Os governos ainda são responsáveis por pagar em parcelas por toda a construção, R$ 684 milhões na Arena Fonte Nova, e outros R$ 400 milhões na Arena das Dunas.

A empreiteira, no entanto, argumenta que foi ela que levantou os recursos para a realizar os estádio, sendo sua remuneração feita por pagamentos parcelados. “A contraprestação está dividida entre a parcela fixa e variável. A fixa remunera o investimento da concessionária na construção e a variável remunera a operação sempre atrelado ao desempenho”, contou a OAS.

A questão é que esses recursos levantados foram em maioria públicos. Afinal, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fez empréstimos de até R$ 400 milhões para os estádios da Copa com juros de TJLP, bem mais baixos do que o mercado.

 

 


Após a Copa, maioria dos estádios encolhe para jogos do Brasileiro
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Terminada a Copa-2014, o futebol brasileiro pode desfrutar pela primeira vez de todos os 12 estádios da competição. Mas não inteiramente: a maioria das arenas encolheu após o Mundial com o uso de um número bem menor de lugares. Um exemplo disso foi o Flamengo e Grêmio, no Maracanã, recorde de público no Brasileiro, mas longe do patamar da final do torneio da Fifa.

Neste sábado, o público total foi de 59.680 pessoas, considerados pagantes e não pagantes. Em comparação, a decisão entre Alemanha e Argentina teve 74.738. No caso do jogo rubro-negro, os ingressos se esgotaram, isto é, havia interesse de mais gente só que a carga foi limitada.

A questão é que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não permite a venda de todos os assentos por alegações de segurança. Deixa setores inteiros vazios para abrir um espaço entre visitantes e mandantes. O Flamengo queria vender 8 mil bilhetes a mais, mas foi vetado.

Medida similar ocorre no Itaquerão. O Corinthians informou que a capacidade máxima atual é de 38 mil lugares. Há limitações de segurança e de setores ainda por serem abertos. O maior público na Copa foi de 63.267, claro, com as arquibancadas provisórias que estão sendo retiradas agora. Só que os lugares temporários representam 19.800 assentos, isto é, daria para vender 43 mil.

A diretoria do Corinthians estima que, após as reformas que estão sendo tocadas pela Odebrecht para adaptar o estádio, a capacidade vai saltar para um número entre 48 mil e 50 mil. Isso só ocorrerá em 2015.

O Mineirão é outro grande estádio que não repete nos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro os públicos da Copa. Após o Mundial, não houve mais de 50 mil no local, mas, quando os times bateram recordes, o máximo foi entre 56 mil e 57 mil. Na competição da Fifa, foram 58.141 pessoas na semifinal entre Brasil e Alemanha.

Outros estádios perderam lugares provisórios como a Fonte Nova e a Arena das Dunas. Mas, na Arena Pantanal, a federação matogrossense ainda não teve segurança para vender mais de 30 mil ingressos para Flamengo e Goiás. No máximo, atingirá 39 mil. Na Copa, foram 40.340 para Japão e Colômbia.

Há dois estádios com aumento de capacidade em jogos nacionais: Castelão e Beira-Rio. O estádio do Internacional pode receber 50 mil pessoas, contra 43 mil do Mundial. E a arena cearense já teve um público de 63 mil pessoas, em jogo antes da Copa.

A Arena Amazônia promete vender 40 mil bilhetes para jogo entre Vasco e Oeste. Se isso ocorrer, praticamente iguala a Copa com 39.800 bilhetes para Itália e Inglaterra. Mas até agora recebeu 35 mil com o Corinthians. Na Arena Permambuco e na Arena da Baixada, é impossível saber porque ainda não houve jogos de grande porte.

No total, sete estádios encolheram depois da Copa, outros dois aumentaram, e três deles ainda não é possível determinar se terão capacidade maior ou menor em jogos de campeonatos nacionais.

Essa redução dos estádios chama a atenção porque a Fifa já faz questão de não usar todos os lugares por conta de instalações de imprensa e para preservar a visão dos torcedores. Só que as medidas de segurança nos jogos de campeonatos nacionais determinam uma queda ainda maior na capacidade das praças.


Fifa discorda de Dilma sobre estádios prontos. Testes serão na Copa
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Nesta segunda-feira, a presidente da República, Dilma Rousseff, e o presidente da Fifa, Joseph Blatter, trocaram afagos à frente das câmeras. Mas, longe dos holofotes, a cúpula da federação internacional discorda dela de que “os estádios estão prontos” para a Copa.  Após a vistoria final nas arenas, os cartolas da entidade não têm certeza de que tudo funcionará corretamente e esperam problemas nos serviços ao público.

Durante o evento, Dilma afirmou: “Nós sabemos que estamos prontos, os estádios estão prontos, muitos deles já foram usados nos campeonatos estaduais e no campeonato brasileiro. O público sabe que são seguros.”

A federação internacional ficou especialmente preocupada com o que viu em volta das arenas, ou seja, obras no entorno e as instalações provisórias. Na Arena das Dunas, sequer havia estacionamento ou instalações para os Vips e imprensa, fora os problemas nas estruturas complementares mostrados pela ESPN.

Quanto ao Itaquerão, a federação internacional está resignada em aceitar a avaliação do COL (Comitê Organizador Local) que considerou positivo o último evento-teste no jogo entre o Corinthians e o Botafogo. O próprio comitê fez ressalvas de que ainda há muito o que fazer no estádio, como instalar as catracas, acabar instalações de imprensa, cabeamentos, mobiliário para Vips, etc. A cúpula da Fifa não foi ao teste, apenas um de seus diretores técnicos.

A expectativa dentro da Fifa é que de haverá reclamações do público sobre banheiros ou outro tipo de serviço. Em meio à preocupação, o consolo da entidade foi a inauguração do IBC (International Broadcast Center), que centraliza as transmissões dos jogos. Com a instalação, a federação internacional garante que serão mandadas com qualidade todas as imagens dos jogos para o mundo, e os seus principais parceiros, as redes de televisão, ficarão satisfeitos.

Mas a irritação com o governo é grande por não ter garantido que os equipamentos fossem entregues a tempo de serem testados corretamente, durante os seis meses previstos. Apesar da contrariedade, a Fifa preferiu não atacar o governo. Nem a declaração de Dilma sobre Blatter e Jérôme Valcke – “tirem eles da minhas costas” – provoca grandes reação. O que a entidade queria eram os estádios, de fato, prontos.


Dez estádios da Copa tiveram obras mais lentas que padrão. Veja quais
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Com o primeiro jogo oficial no Itaquerão, neste domingo, os 12 estádios da Copa-2014 terão recebido partidas oficiais de futebol. Ou seja, todos estão funcionais, o que marca praticamente o final das obras – ainda há o fazer em alguns projetos que estão inacabados. Um levantamento do blog mostra que dez das arenas tiveram construções ou reformas mais lentas do que o padrão internacional.

Um dos vice-presidentes do Sinaenco, Leon Myssior, que projetou a Arena Independência, explicou que um estádio com planejamento bem feito pode ser erguido em um prazo entre 24 meses e 30 meses. Isso desde que não existam condições que dificultem a obra, como terrenos não-planos ou necessidade de demolições.

“Para isso, contando um estádio com cerca de 100 mil metros quadradros, se o projeto executivo estiver pronto, e com a utilização de pré moldados dá para fazer neste prazo. É o prazo certo, que dá para cumprir bem sem necessidade de terceiro turno. Em um processo acelerado, poderia ser feito em 20 meses”, explicou Myssior.

Do que foi feito para a Copa-2014, apenas os estádios do Mineirão e do Castelão foram feitos dentro deste prazo – ambos foram concluídos em 26 meses. A Arena das Dunas até teve as obras concluídas em 30 meses para realização da primeira partida. Mas ainda há arquibancadas provisórias sendo colocadas para atender a capacidade exigida para o Mundial.

De resto, os outros nove estouraram o prazo padrão. A obra mais demorada foi a Arena Pantanal, cuja construção demorou 47 meses, entre maio de 2010 e abril de 2014, quando foi realizado o primeiro jogo. A Arena Amazônia e o Beira-Rio também ultrapassaram os 40 meses para serem concluídos.

Claro que cada um teve um problema diferente – a Arena da Baixada e o Beira-Rio, por exemplo, tiveram falta de recursos para os projetos em determinado momento. Mas, em comum entre os erros, Myssior vê a falta de um projeto executivo bem elaborado antes do início das obras, e o uso de materiais estrangeiros de difícil aquisição.

Lembre-se que foi o governo federal que criou uma lei diferenciada para as contratações da Copa (RDC), que permitia licitações apenas com projeto básico. Lembre-se que a Fifa exigiu determinados padrões nos estádios que levaram a instalações de coberturas e especificações que muitas vezes só eram atendidas no exterior.

“A falta de projeto básico transforma as estimatidas de prazo e de custo em meras estimativas sem nenhuma base na realidade. Somos todos bobos em acreditar nisso. Os primeiros números divulgados foram simplesmente jogados para a platéia”, afirmou Myssior.

“E essas membranas de TPFE que foram instaladas na cobertura, só podem ser feitas em poucos países. Isso cria um problema logístico. Aquelas sedes que terminaram mais rápido, Castelão e Mineirão, foram justamente por substituíram muitos desses materiais”

Veja abaixo o prazo que cada estádio demorou para ficar pronto:

Belo Horizonte

Mineirão: 26 meses

Início de obra: Dezembro/2010

Primeiro jogo: Janeiro/2013

Brasília

Mané Garrincha: 35 meses

Início de obra: julho/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Cuiabá

Arena Pantanal: 47 meses

Início da obra: maio/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Curitiba

Arena da Baixada: 32 meses

Início da obra: outubro/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Fortaleza

Castelão: 26 meses

Início da obra: dezembro/2010

Primeiro jogo: janeiro/2010

Manaus

Arena Amazônia: 44 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: março/2014

Natal

Arena das Dunas: 30 meses

Início da obra: Agosto/2011

Primeiro jogo: janeiro/2014

Porto Alegre

Beira-Rio: 46 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Recife

Arena Pernambuco: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Salvador

Fonte Nova: 34 meses

Início da obra: junho/2010

Primeiro jogo: abril/2013

Rio de Janeiro

Maracanã: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: junho/2013

São Paulo

Itaquerão: 36 meses

Início da obra: maio/2011

Primeiro jogo: maio/2014


Com público baixo, Arena das Dunas precisa de 3 mil jogos para se pagar
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Construída para receber a Copa-2014, a Arena das Dunas tem exibido baixa média de público no seu primeiro semestre de funcionamento: foram apenas 6.450 pessoas por jogo. Com essa presença de torcedores, e as rendas atuais, seria necessário realizar 3.026 partidas para pagar os custos de construção do estádio.

Com capacidade para 42 mil pessoas, o estádio custou aos cofres públicos R$ 417 milhões e foi concluído no início deste ano. Atuam em seu campo os maiores times do Rio Grande do Norte, América-RN e ABC. Ambos têm contrato com a gestora da arena: a construtora OAS.

Até agora, as equipes atuaram 14 vezes no estádio, em um total de 15 jogos. A inauguração foi uma rodada dupla dos dois times que teve o maior público com 19.244 pessoas, e uma renda de R$ 469.230,00. Considerados todos os jogos, a média é bem mais baixa: R$ 137.768.

O estádio foi bastante utilizado neste primeiro semestre. Com um pouco mais de jogos, já que não precisará ser cedido para Copa todo ano, pode atingir 40 partidas por temporada. Dessa forma, seriam necessários 75 anos de rendas de jogos para pagar o custo total de construção.

A conta do blog é generosa com a arena visto que não considera as despesas de cada partida, nem os pagamentos feitos pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte à OAS para garantir a lucratividade da gestão do estádio. O total do dinheiro que deve ser destinado à construtora soma R$ 1,2 bilhão pela construção e concessão.

Em compensação, para América-RN e ABC, o estádio também não tem sido muito lucrativo. Boa parte das partidas é deficitária por conta do baixo público e o alto custo de uma arena de Copa.

“Em contrato, a OAS garantiu um total de R$ 100 mil para ABC e América para cobrir eventuais prejuízos pelos jogos”, afirmou o presidente da Federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo.

No total, arrecadou-se R$ 2 milhões de renda bruta no estádio. Além dos jogos, houve um show na Arena das Dunas no início de abril que reuniu entre outras estrelas Ivete Sangalo. A receita fica com a OAS, e serve ao menos para amenizar os pagamentos do Estado do Rio Grande do Norte para a construtora.

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Governo usa dinheiro dos trabalhadores em estádios da Copa
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O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) usou dinheiro dos trabalhadores para bancar a construção e reforma de 11 estádios da Copa-2014. É o que está descrito nos contratos de empréstimos dessas arenas com a instituição financeira. No total, há um investimento de R$ 3,876 bilhões do banco nas arenas.

O BNDES tem como fontes de receita o tesouro nacional, monetização de seus ativos, o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e juros de empréstimos, feitos justamente com esses recursos. Cada projeto recebe verba de um desses lugares.

Em todos os 11 contratos de estádios, lidos pelo blog, está dito que o dinheiro virá com “recursos ordinádios do BNDES, que são compostos, dentre outras fontes, pelos recursos originários do FAT – Depósito Especiais e do Fundo de Participação PIS/Pasep”. A única exceção é o Mané Garrincha que não tem verba do banco estatal.

Com isso, os contratos preveem que, se houver mudança na remuneração do FAT ou do PIS e Pasep, pode haver modificações nos acordos.

O FAT é um fundo para o pagamento do seguro desemprego, do abono salarial e de programas de desenvolvimento. O PIS e o Pasep são programas em que as empresas depositam dinheiro em favor dos trabalhadores privados ou funcionários públicos. Eles podem retirar a verba, por exemplo, em casos de aposentadoria por invalidez ou por atingirem 70 anos.

Enquanto está armazenado, esse dinheiro tem 40% do total destinado ao BNDES. Segundo o banco, o FAT compõe 2,8% dos recursos de seu caixa. Mas com essa verba e do tesouro nacional que a instituição ganha dinheiro com juros.

“A maior fonte de recursos é o retorno das operações – o Banco reempresta os recursos que recebe de volta de seus clientes e que foram originalmente captados em distintas fontes. Entre essas fontes, a maior predominância é do retorno das operações do FAT e do Tesouro”, explicou a assessoria do banco.

Funciona assim: o governo repassa os depósitos feitos em favor dos trabalhadores para o banco. Este empresta para terceiros, ganha com juros e reinveste. Teoricamente, busca projetos que desenvolvam o país.

O PIS e o Pasep só valorizam 3% ao ano para o trabalhador, mais receita líquida, isto é, abaixo da inflação. Enquanto isso, o banco cobra juros baseados na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e taxas, que somam 6,4% ao ano no caso dos estádios da Copa.

Os beneficiados são os que recebem empréstimos bem abaixo dos juros do mercado. No caso da Copa, são três clubes de futebol, Corinthians, Internacional e Atlético-PR, cujos estádios recebe dinheiro indiretamente. Há ainda as construtoras, OAS (Natal), Andrade Gutierrez (Beira-Rio), Construcap, Egesa e Hap (Mineirão). Com a intermediação de terceiros, as taxas e juros giram entre 7,3% e 9,84%.

Para se ter ideia do benefício, a taxa selic (referência no país) tem juros de 10,9%. Bancos privados aplicam sobretaxas sobre esse percentual para garantir seus lucros. Ou seja, empréstimos privados saem bem mais caros.

No caso do dinheiro para estádios da Copa, os maiores juros são pagos pela OAS na Arena das Dunas, com 9,84%, com a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) no patamar atual de 5%. Em segundo, vem a Arena Itaquera, do Corinthians, que pagará 9,8% de juros e taxas, por conta da intermediação da Caixa Econômica Federal. Governos que pediram empréstimos, como o do Estado do Rio de Janeiro para o Maracanã, pagam 7,3%.

O dinheiro dos trabalhadores não pode ser usado em qualquer projeto do BNDES. Mas os estádios geram emprego e por isso se enquadram entre os que podem ser beneficiados pela verba.

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Aluguel de banheiro da Fifa custa R$ 25 mil. Veja gastos públicos na Copa
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Com dinheiro público, as cidades-sede da Copa-2014 terão de pagar por aluguéis de banheiros com custo estimado de R$ 25 mil, cinzeiros estilizados a R$ 649,00 e cabideiros por R$ 704,9. Sim, esses são valores por alugueis – não compras – de itens exigidos pela Fifa para incrementar os estádios durante o período do Mundial. São as chamadas estruturas complementares às arenas.

Os preços constam de documentos da licitação feita pelo Estado de Pernambuco para a arena local na competição, consultados pelo blog. Quem fez a estimativa de boa parte dos itens foi o COL (Comitê Organizador Local), braço da Fifa no Brasil.

O levantamento desses valores foi entregue a todas as cidades-sedes, e não é definitivo porque depende do resultado da concorrência que pode reduzi-los. No caso de Pernambuco, o valor final previsto é de R$ 43,4 milhões, e as propostas seriam abertas nesta última terça-feira. Outras três sedes já fizeram as concorrências.

“Esse custo é médio. Têm cidades que podem ter custo maior como São Paulo e Rio de Janeiro por serem abertura e final. Mas R$ 43 milhões é a previsão. Na Copa das Confederações, era previsto R$ 38 milhões e ficou por R$ 35 milhões. Tem que ver que agora é por mais tempo e as instalações têm o dobro do tamanho”, afirmou o secretário extraordinário da Copa-2014 de Pernambuco, Ricardo Leitão.

No total, as instalações se estendem por 40 mil metros quadrados. Leitão explicou que 90% dos itens são para aluguel, e não compra. Há também vários itens de serviços, como instalações de televisões e cabos elétricos. As estruturas de telecomunicações e energia são as mais caras, mas outras chamam bastante atenção.

Há, por exemplo, um gasto total de R$ 1,6 milhão só com banheiros provisórios. Dois deles são sanitários de luxo para portadores de necessidade especiais que saem por R$ 25.227,00 cada um. Para se ter uma comparação, há um modelo também para portadores de necessidade que não é de luxo, com espaço menos, que sairá por metade do preço: R$ 12.460,00. Outro banheiro com módulo sanitário feminino e masculino tem custo de R$ 30.142,00.

“Todas as instalações complementares destinadas à Imprensa e à TV dependem de sanitários complementares, e entendeu-se que o uso de módulos seria mais adequado do que banheiros químicos. Sempre (…) tratamos do investimento necessário para oferecer um alto nível de serviço à imprensa”, explicou o COL (Comitê Organizador Local).

Outros itens de mobiliário incluem o aluguel de um sofá de 3 lugares por R$ 2.383. Pelo mesmo valor, seria possível comprar uma peça em lojas de varejo. Há um coletor de bitucas de cigarros a ser alugado por R$ 649,00. Na internet, é possível comprar esses itens por preços que variam entre R$ 300,00 e R$ 500,00.

Em outro caso, há cabideiros com rodinhas a serem alugados por R$ 704,00. É possível encontrar modelos deste tipo entre R$ 100,00 e R$ 300,00 em lojas. Os quadros táticos e os mini-compressores de bolas também têm preços de alugueis superiores ao que se encontra à venda nas lojas.

“Quanto às perguntas sobre custo, há um equívoco conceitual. Os preços são valores de referência obtidos em diferentes cotações no mercado realizadas por prestadora de serviço do COL e repassados exclusivamente a título de colaboração atendendo a pedido das sedes”, disse a assessoria do COL, que ainda observa que as estimativas incluem aluguel, montagem e desmontagem durante o período da Copa.

“Não houve qualquer negociação de preços.  Os valores a serem efetivamente praticados dependem evidentemente do resultado da licitação e do respectivo processo competitivo. Por isso, obviamente é incorreto indicar que o custo de um item será este ou aquele. Somente o resultado da licitação poderá indicar efetivamente qual será o valor a ser investido”, completou o comitê.

Entre os maiores gastos, estão módulos isolados acusticamente para serem usados pela HBS, emissora de televisão responsável por filmar os jogos do Mundial. A estimativa é de R$ 1,4 milhão por essas instalações. Para garantir os geradores dos estádios, estão previstos outros R$ 3 milhões.

“A Fifa já está contribuindo com parte dos geradores. É responsabilidade do Estado essas outras estruturas. Sabemos exatamente o que tem que ser feito pelo Estado pelo termo de referência”, observou Leitão.

Chama a atenção também o valor pago para se instalar e fornecer suporte para apenas um aparelho de televisão nos estádios: R$ 1.224,56. Isso não inclui o equipamento que será dado pela Sony. Assim, se gastará R$ 1,1 milhão só para botar esses aparelhos de áudio e vídeo nas arenas, além de conecta-los a um sistema interno.

Além das informações do COL, o secretário de Copa afirmou que os preços foram obtidos com referências da empresa municipal de obras públicas de Recife e do sindicato de engenharia. Também há a experiência da Copa das Confederações.

Veja a tabela com preços estimados para as estruturas complementares da Copa:

Aluguel pelo período da Copa
Banheiro de luxo para portador de necessidades especiais – R$ 25,2 mil
Ar-condicionado tipo Split 9 mil BTUS – R$ 2,5 mil
Coletor de bituca de cigarro – R$ 649
Mini-compressor de bolas – R$ 315
Quadro tático magnético – R$ 460
Cadeira de fotógrafo dobrável – R$ 205
Poltrona individual – R$ 1.325
Sofá  de 3 lugares – R$ 2.385
Conjunto de 69 módulos habitacionais para TV – R$ 1,4 milhão
(com isolamento acústico)
Guarda-sol com mesa – R$ 357
Cabideiro com rodinhas – R$ 704
Claviculário (guarda-chaves) – R$ 530,00
Sistema de projetor – R$ 2.737
Sistema de raio-x – R$ 33.683
Tenda de 15m x 45m – R$ 147.300,00
Serviços
Fornecer ponto de telecomunicações – R$ 473
Instalar uma televisão – R$ 1.224
Sistema de cabeamento da área de imprensa – R$ 65.340
Sistema de cabeamento para sala de entrevistas – R$ 13.900

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