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Caixa prioriza Libertadores e já investe R$ 100 mi em times em 2017
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A Caixa Econômica Federal priorizou clubes que estão na Libertadores e previu bônus consideráveis pela conquista do torneio e pelo Mundial. O investimento do banco em times já ultrapassa R$ 100 milhões em contratos fechados para este ano. E há negociações em andamento que podem elevar em até 50% esse montante, chegando a cerca de R$ 150 milhões.

Um levantamento do blog no Diário Oficial mostra que já foram feitos pelo menos 14 renovações ou novos contratos da Caixa no ano de 2017. A esses acordos, soma-se o patrocínio fechado com o Santos e ainda não oficializado.

No total, a previsão de investimento nos 14 contratos é de até R$ 116 milhões por conta das premiações. Excluídos os bônus, os valores fixos ficam em torno de R$ 90 milhões. Com o contrato do Santos, de R$ 16 milhões, isso se eleva a pouco mais de R$ 100 milhões.

Há ainda negociações em aberto com o Vasco (estimativa -R$ 10 milhões), Botafogo (R$ 10 milhões), Corinthians (R$ 30 milhões) e a Chapecoense (sem valor definido). O acordo com a diretoria vascaína está encaminhado após reunião na última sexta-feira, segundo o clube. Se fechar com todos esses times, a Caixa ultrapassará o valor previsto de R$ 132 milhões. O Vitória tinha anunciado renovação, mas o blog não encontrou seu contrato no Diário Oficial.

A  Caixa priorizou clubes que estavam na Libertadores, fora acordos de renovação. No ano passado, a Caixa tinha apenas dois times na competição. Agora, já conta com quatro (Atlético-MG, Atlético-PR, Santos e Flamengo). E pode chegar a seis no total.

Para esses clubes, o banco estabeleceu bônus e premiações maiores do que para os outros pela importância do torneio. A conquista do campeonato sul-americano dá R$ 1,5 milhão, e do Mundial R$ 2 milhões.

Assim, os contratos de Flamengo, Atlético-MG e Atlético-PR têm previsão de empenho de R$ 5 milhões a mais do que o valor fixo. Isso explica a discrepância de R$ 3,5 milhões entre os montantes dos contratos entre os dois grandes paranaenses, e os dois grandes mineiros.

Não houve reajuste para nenhum clube, apenas a inclusão de bônus. A provável expansão do valor total investido pela Caixa resultará em maior número de times caros no cartel.

O Botafogo, por exemplo, já exibe o logo do banco sem ter contrato. “Estamos em fase negocial. Na há pendência. Não posso te garantir que fomos beneficiados pela Libertadores porque não fechamos”, contou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Mas sua negociação é no patamar do Vasco que, normalmente, obtinha valores maiores por sua camisa.

O blog mandou perguntas para a assessoria da Caixa sobre os patrocínios aos times, mas não recebeu resposta. Além da Libertadores e Mundial, há prêmio de R$ 1 milhão para o Brasileiro, R$ 500 mil pela Copa do Brasil, e R$ 500 mil pela Série B, e R$ 300 mil pela Copa Nordeste. Há uma tabela padrão. Veja o valor fechado com cada clube já no diário oficial (com especificação de quanto é em premiação):

Flamengo – até R$ 30 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Atlético-MG – até R$ 16 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Cruzeiro – até R$ 12,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Atlético-PR – até R$ 11 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Bahia – até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)

Sport – até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)

Coritiba – até R$ 7,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Avaí – R$ 5,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Náutico – R$ 3,7 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Figueirense – R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Ceará – R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Paysandu – R$ 3,2 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

América – até R$ 3 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

CRB – até R$ 1,5 milhão (R$ 500 mil em premiação)

 


Libertadores ignora critério da Champions e prejudica brasileiros em cotas
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Ao mudar a Libertadores para aumentar seu valor de mercado, a Conmebol ignorou esse mesmo mercado na hora de distribuir cotas da competição. Não houve alteração na divisão igualitária e por classificação em política oposta a da Liga dos Campeões que valoriza os países que geram mais dinheiro. Os maiores prejudicados foram os clubes brasileiros, maiores fonte de receita da competição. A fase de grupos da nova Libertadores começa nesta terça-feira.

A Conmebol vende os direitos de marketing e televisão da Libertadores em um pacote único, o que deve mudar para edição de 2019. Só que a rede de televisão que compra, no caso a Fox, tem como principal objetivo obter receitas no Brasil e na Argentina.

O potencial econômico brasileiro é muito maior do que o do país vizinho tanto que a confederação sul-americana inflou para oito times nacionais nesta edição. Ao mesmo tempo, manteve a cota fixa na fase de grupos: US$ 1,8 milhão para cada time, e prêmios crescentes por cada fase que as equipes avançam. Um time campeão pode chegar a US$ 8 milhões independentemente de qual seu país de origem.

Na Liga dos Campeões, as cotas são divididas em 60% por valores fixos e premiações por desempenho, e outros 40% por mercado. Ou seja, os clubes do países que geram os maiores contratos de tv locais ficam com mais dinheiro. Para dividir esse montante de mercado entre os times de cada nação é usado um critério esportivo: metade por desempenho no campeonato nacional e metade dentro da própria Liga dos Campeões. No total, 507 milhões de euros serão divididos dessa forma na atual temporada.

Na última edição encerrada da liga, 2015/2016, o Manchester City foi o clube que mais arrecadou 83,9 milhões de euros, acima do campeão Real Madrid que ficou com 80,1 milhões de euros. Isso porque o mercado espanhol gera receita menor do que o inglês. Na Libertadores, de nada vale gerar mais dinheiro para a competição.

“Não tem nenhum mercado como o brasileiro (na América do Sul). A Libertadores se apropria, mas não traz nada para esse mercado”, analisou o coordenador de curso de gestão da FGV/Fifa, Pedro Trengrouse. “A solução para Conmebol aumentar suas receitas seria expandir a competição para o mercado americano e canadense.”

O consultor em marketing esportivo, Amir Somoggi, vai além e estima que metade do mercado da Libertadores é originário do Brasil. E dá um exemplo de que um jogo do Atlético-MG atinge uma cidade grande como Belo Horizonte, enquanto do outro lado muitas vezes estão times de locais com pouco potencial econômico.

“O critério da UEFA é de mercado, pelo marketing pool. A Itália, por exemplo, não tem muita renda de jogo, mas gera bastante de televisão”, contou. “Desde que fundou a nova Liga dos Campeões, a UEFA considerou a meritocracia.”

Ele atribuiu à falta de poder político dos clubes brasileiros o fato de a Conmebol não fazer o mesmo na América do Sul. “No caso do Brasil, a diretoria não fala o mesmo idioma, a sede fica em um país de língua espanhola. A Conmebol dá mais atenção aos países de língua espanhola.” Lembre-se ainda que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não pode ir a reuniões da Conmebol com medo de ser preso pelo “caso Fifa”.

Em resumo, na hora de arrecadar, a confederação sul-americana olha para o Brasil, mas, na hora de distribuir o dinheiro, pensa nos países vizinhos.


Como Atlético-PR e Coritiba podem ganhar dinheiro com jogo na internet
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A transmissão do clássico entre Atlético-PR e Coritiba na internet atingiu uma audiência de 3,2 milhões e demonstrou potencial de arrecadação para os clubes. A questão é: como os times podem ganhar dinheiro explorando diretamente seus direitos online? Ainda não há uma resposta para isso, mas diversos caminhos possíveis. Os dois times deram um passo ao recusar oferta da Globo pelo Paranaense e assumirem sua transmissão.

Entre as opções, estão criar canais pagos dos times para os torcedores, explorar a possibilidade de patrocínios, realizar acordos com o Facebook e com o YouTube. São ideias que levam em conta modelos do exterior.

“Foi uma primeira experiência para ter um sentimento do mercado. Muito prematuro (para dizer como ganhar dinheiro). Contratamos empresas especializadas em internet para fazer essa avaliação”, afirmou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia.

O dirigente atleticano disse que esperava uma audiência ainda maior, e que gostaria de ter comparado com o jogo do domingo na televisão aberta do Campeonato Paranaense. Já o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, se mostrou surpreso positivamente com a audiência alcançada pela transmissão online. Ele enxerga possibilidade de remuneração dos clubes.

“Fizemos essa primeira para torcida. Não podíamos deixar a torcida sem. Não pensamos em ganhar nada desta vez”, contou Barcelar. “Mas poderíamos ganhar com um canal com senha para o sórcio-torcedor”, disse, ao dar um exemplo.

Para esta partida, foram feitas parcerias para não ter custos com a produção da transmissão. Uma das parceiras foi a Copel, além de outras empresas que foram apoiadoras. A intenção é repetir a transmissão se os clubes chegarem a uma final do Paranaense.

Analisando o mercado de fora, a NBA tem um canal de streaming para cobrança no mundo, o Campeonato Mexicano será transmitido pelo Facebook. Tanto o YouTube quanto o Facebook costumam se definir apenas como plataformas, e não geradores de conteúdo. Mas é possível montar canais neles.

O uso de canais específicos nestas plataformas pelos clubes pode gerar um contato direto com o torcedor, aumentando a possibilidade de interação e de comercialização de produtos. O consultor Pedro Daniel, da BDO, especialista em gestão esportiva, vê possibilidades de os clubes terem ganhos maiores do que com cotas de televisão com a exploração da internet no futuro.

“Acho que pode ser maior do que cotas. A abrangência é muito maior. Podem fazer produções independentes e parcerias”, explicou Pedro Daniel. “O clube está falando diretamente com torcedor, e não se limita apenas ao tempo da televisão. Pode passar as entrevistas coletivas, e tudo que interessar ao clube.”

 


Atletiba somou 3,2 milhões de audiência na internet, dizem dados dos clubes
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O Atlético-PR e o Coritiba contabilizaram uma audiência de 3,157 milhões na transmissão do clássico na internet, segundo números dos clubes. Esses dados são das somas de visualizadores únicos dos canais de youtube e facebook dos dois times. Os dois clubes contabilizam 2,5 milhões porque consideram apenas os números do facebook. A partida só pode passar na web após os clubes baterem de frente com a Federação Parananese e insistirem no seu direito de mostrar o evento aos torcedores.

No total, o time rubro-negro paranaense teve um total de 1,749 milhão de audiência em seu canal no facebook, e outroas 385 mil reproduções no youtube. Enquanto isso, a equipe coxa branca teve 736 mil de pessoas que assistiram na rede social, e outras 286 mil reproduções no youtube.

Na contabilização dos times, chegou-se a uma alcance de 11 milhões de pessoas. Isso significa que essa é a quantidade de internautas expostos à transmissão, seja por compartilhamento ou pelos canais, mas não que todos assistiram ao jogo.

Considerado o pico máximo em cada um dos quatro canais, o máximo simultâneo de espectadoers foi de 190.103 pessoas. Foram ainda contabilizadas 780.840 interações em todos esses canais.


Globo negocia Brasileiro com times da Turner, mas pay-per-view é entrave
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Um grupo de clubes que tem contrato com o Esporte Interativo (Turner) para o Brasileiro-2019 já negocia com a TV Globo um acordo para a TV Aberta e pay-per-view. O maior empecilho para um acordo, no entanto, é a divisão de cotas pelos jogos pagos. Isso porque os times consideram a distribuição do dinheiro pouco igualitária.

Após fechar com a Turner para a TV Fechada, Atlético-PR, Coritiba, Santos e Bahia decidiram se unir para negociar em conjunto as outras mídias com a Globo. Ambos os lados confirmam que já existe negociação em andamento. O Palmeiras, que acertou com o EI posteriormente, será convidado ao grupo, mas ainda não sentou à mesa.

Nas primeiras conversas, os clubes mostraram insatisfação com o critério de divisão de pay-per-view que é por tamanho de torcida entre assinantes. Há questionamentos sobre a forma de medição e o peso para cada clube. O objetivo é conseguir uma distribuição mais parecida com a da TV Aberta, onde a Globo colocou 40% igual, 30% por posição e 30% por audiência.

O Flamengo, por exemplo, tem a garantia de 18% do total do ppv mesmo se sua torcida não atingir o patamar. Clubes do grupo dizem desconhecer essa garantia, mas querem evitar que um time ganhe muito mais neste item. Outra questão é que a Globo retém um volume bem alto do total gerado pelo ppv.

Em relação à TV Aberta, o acordo parece menos complicado já que a Globo estabeleceu uma divisão parecida com a da Turner, com pequena diferença de percentuais. A emissora já fechou a TV Aberta e ppv com um dos times da Turner: a Ponte Preta. Já o Internacional fechou com a Globo para os Brasileiros de 2020 a 2024, mas suas mídias de ppv e para os dois anos anteriores ainda estão em aberto.


Após confusão, Coritiba prevê transmissão online de final ou venda do jogo
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Após a confusão que resultou no cancelamento do Atletiba, a diretoria do Coritiba informou que há a intenção de transmitir online uma possível final do Estadual entre os times. Outra possibilidade seria a venda para outra emissora que não a Globo. Mas o blog apurou que uma cláusula de preferência pode complicar essa revenda.

O imbróglio teve como origem o fato de Atlético-PR e Coritiba não terem aceito a proposta da Globo para contrato do Estadual. A emissora fechou com os outros dez times e a federação paranaense. Os dois grandes do Paraná tentaram transmitir o jogo online, e a federação impediu com uma alegação de que havia pessoas não credenciadas no campo.

“Vamos repetir como respeito ao torcedor (transmissão na final). Maior patrimônio é a torcida. E essa torcida temos que tratar com carinho”, afirmou o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, que não descartou acordo com outra emissora. “Podemos fazer o acordo. Não tem problema nenhum”

Mas o blog apurou que uma cláusula de preferência no contrato do Estadual de 2016 é um complicador para a venda pontual do jogo. Isso porque, se qualquer emissora fizer uma proposta pelo Atletiba, os clubes teriam de apresentar a Globo que tem direito de cobrir. Assim, possíveis concorrentes ficam intimidadas.

Diretores da Globo, no entanto, falaram com Barcelar e informaram não ter relação com a atitude da federação. E acrescentaram que não viam motivo para impedir a transmissão online.

“Estive conversando com o diretor da emissora que tinha contrato e ele me disse que seria um absurdo que podemos contratar qualquer emissora. Fomos procurados por outras duas emissora, mas resolvemos fazer pela internet por youtube”, completou Barcelar.

O presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, também tinha informado que negociara com a Record e com o Esporte Interativo antes do Estadual. O acerto da Globo com outros dez times e a cláusula de preferência foram complicadores para um acerto.

A tendência é portanto de uma nova transmissão online em clássico e em uma possível final do Estadual. Com isso, Barcelar quer testar se a federação paranaense vai oferecer resistência. “Vamos ver se era esse o problema”, disse sobre a falta de credenciamento de repórteres.

 


Veto à grama sintética no Nacional afeta plano do Palmeiras para sua arena
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Aprovada pelo Conselho técnico dos clubes, a proibição do gramado artificial para o Brasileiro-2018 afetou os planos do Palmeiras para o Allianz Parque. Havia um estudo dentro da agremiação alviverde para colocar partes de grama artificial para melhorar o campo em seu estádio. Por isso, a diretoria votou contra a medida.

Mais, ainda não está claro se clubes que têm um percentual menor de grama sintética em seus estádios como Corinthians e Grêmio poderão mantê-las com a fórmula atual. A CBF vai estabelecer regras mais detalhadas no futuro, embora a tendência é seja de que continue a ser permitido.

“Pessoal acha que gramado sintético prejudica algumas equipes. Nós não concordamos porque jogamos lá (no campo do Atlétio-PR) e vimos que não era uma sintética comum”, contou o vice-presidente alviverde, Genaro Marino.

Ele informou que o Palmeiras estava estudando o uso da grama sintética no Allianz Parque justamente porque melhoraria a qualidade do campo, e tornaria mais fácil a manutenção. O time sofreu com problemas no campo em 2016. Isso por conta de dois empecilhos: a realização de shows no Allianz e o fato de partes do gramado que não pegam sol.

Há inclusive uma questão técnica sobre o veto à grama artificial que terá de ser esclarecida pela CBF no futuro. A princípio, proibiu-se só os gramados totalmente artificiais. Mas há vários híbridos como o da Arena Corinthians e da Arena Grêmio, que têm grama artificial trançada na natural que fica por cima. Isso fortalece a grama e a sua qualidade.

O diretor de competições da CBF, Manoel Flores, ainda não soube dizer se esse tipo de combinação estará vetada. “Isso tudo depende de uma análise mais aprofundada. A análise que estamos fazendo no projeto gramado vai definir como estão as questões do gramado hoje”, contou ele “A partir daí, a gente vai entender como a gente estabelece isso.”

O regulamento do Brasileiro-2017 terá um dispositivo transitório em que afirma que a grama artificial é proibida para 2018, com um período de transição neste ano. A sugestão do veto foi do presidente do Vasco, Eurico Miranda, mas o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, pediu uma carência para o Atlético-PR. Por isso em 2017, os outros times terão direito a treinar um dia na Arena da Baixada.


Globo ofereceu a Atlético-PR e Coritiba um quarto da cota do Madureira
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A origem da confusão que gerou o cancelamento do clássico Atletiba foi o fato de os dois grandes do Paraná terem se recusado a assinar um contrato com a Globo pelo Estadual. Isso ocorreu porque a oferta da emissora foi de R$ 1 milhão de cota para cada um de Atlético-PR e Coritiba. Entre outros times de menor expressão, o Madureira ganha R$ 4 milhões líquidos pelo Estadual do Rio.

A negociação do contrato ocorreu em janeiro de 2017. A Globo ofereceu um total de R$ 6 milhões pelo contrato do Paranaense, sendo um terço para os dois grandes clubes. Quando Coritiba e Atlético-PR recusaram, a Globo fechou o restante do Paranaense com os outros dez times por R$ 4 milhões.

“Sei que o Carioca é um campeonato que vale mais do que o Paranaense. Mas se você for ver é 1/20 em relação ao valor do Carioca”, comentou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, ao ser informado que o contrato do Estadual do Rio de Janeiro vale R$ 120 milhões.

Por meio de arbitral, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) é quem decide a distribuição das cotas do Rio de Janeiro. Esta destinou cotas de R$ 4,5 milhões brutos (R$ 4 milhões líquidos) para os quatro clubes mais bem posicionados depois dos grandes no Estadual de 2016, Boavista, Bangu, Madureira e Volta Redonda. Cada um levará esse valor como cota, e todos são aliados da Ferj.

Depois de recusar a oferta da Globo, Atlético-PR e Coritiba procuraram alternativas para arrecadar mais com o Paranaense. “Tentamos fazer um sistema de pay-per-view para os nossos sócios. Pensamos em fazer uma concorrência para a TV Fechada que tivesse Sportv, Esporte Interativo. Foi negociado um acordo com a Record para a TV Aberta”, explicou Petraglia.

Mas, ao mesmo tempo que os clubes traçavam a estratégia, a Globo fechou um acordo com a federação paranaense para os outros dez times. Na prática, isso inviabilizava qualquer projeto dos dois grandes visto que eles só teriam direito a um jogo, Atlético-PR e Coritiba.  “Ficamos impedidos de vender a maioria dos jogos do Estadual.”

Pela legislação brasileira, os clubes têm a prerrogativa de negociar seus direitos de imagens. Só é possível transmitir uma partida se houver contrato ou autorização dos dois times. Restava assim o Atletiba, jogo de maior valor do Estadual, que seria transmitido via internet.

A versão da Globo é de que ela tentou viabilizar a transmissão de um campeonato paranaense sem os dois grandes. Tanto que tem transmitido em TV Aberta os jogos. A argumentação da emissora é de ser normal uma das partes não aceitar um acordo, e tentar vender de outra forma seus direitos.

Petraglia, no entanto, reclama do modelo. “Não temos que negociar pela federação. Estamos querendo fazer a negociação diretamente pelos clubes. Por que eu teria de negociar para pagar comissão para a federação?”, argumentou o dirigente atleticano. Pela legislação brasileira, a federação paranaense não tem nenhum direito sobre o direito de televisionamento dos clubes.

O dirigente do Atlético-PR não sabe qual o desenrolar do imbróglio jurídico iniciado com a não realização do clássico. A dupla Atletiba pretende levar o caso ao tribunal de justiça desportiva do Paraná, e depois recorrer ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) se perderem. Em reunião na CBF, nesta segunda, o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, deve levar a questão à confederação.

Ao lembrar da proibição de realizar a transmissão, Petraglia dá uma definição sobre a justificativa da federação paranaense de que os profissionais da transmissão não estavam credenciados: “É ridículo.”


Globo nega interferência e diz que times têm direito de transmitir Atletiba
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Criticada por dirigentes, a Globo afirmou não ter tido nenhuma interferência na confusão relacionada ao cancelamento do Atletiba por conta da transmissão online. A emissora informou reconhecer o direito deles de passar o jogo. Nos bastidores, executivos da emissora ligaram para dirigentes dos times e da federação para tentar entender o problema.

A Globo fez uma oferta para o Campeonato Paranaense por meio da federação estadual. Atlético-PR e Coritiba não aceitaram pelo valor ser baixo. A emissora não negociou diretamente com esses clubes, e fechou contrato apenas com os outros e a federação.

“O Grupo Globo não tem contrato vigente com Atlético-PR e com o Coritiba nesta edição do campeonato paranaense. Portanto não temos interferência na decisão dos clubes e da Federação de não realizar a partida. Entendemos que cabe aos clubes dispor livremente dos direitos nos jogos em que se enfrentam, e estávamos cientes inclusive da transmissão via Internet”, afirmou a emissora por nota.

A Globo já tinha sido informada pelos dirigentes dos dois clubes que haveria a transmissão do jogo online bem antes do anúncio oficial. E não tentou atrapalhar, segundo a versão interna.

A emissora sempre tem dificuldades na negociação do Paranaense por conta da relação conflituosa entre Atlético-PR e federação. Os dois últimos contratos foram fechados em janeiro pouco antes do campeonato. Os dois clubes também preferiram fechar os contratos do Brasileiro com o Esporte Interativo.

À emissora, o presidente da federação, Hélio Cury, justificou o cancelamento do jogo porque os jornalistas em campo não foram credenciados dentro do prazo. Essa é a justificativa oficial.


Atlético-PR e Coritiba defendem seus direitos e dão exemplo ao Brasil
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Atlético-PR e Coritiba não aceitaram jogar o clássico porque a Federação Paranaense de Futebol tentava atrapalhar sua transmissão online, e a partida foi cancelada. Nada mais fizeram do que defender seus direitos previstos em lei e deram um exemplo para outros clubes brasileiros. O sistema autoritário de confederação e federações só prejudica os times.

A disputa começou quando os dois grandes do Paraná decidiram não assinar o contrato com a Globo para transmissão do Estadual. A emissora fechou com federação para ter o campeonato com os outros times.

Até aí é do jogo. Pela lei Pelé, em seu artigo 42, é de prerrogativa exclusiva das entidades de prática esportiva (isto é, os clubes) a negociação de seus direitos de transmissão, assim como todos os direitos de arena. Só Atlético-PR e Coritiba, portanto, podem autorizar transmissão de seus jogos. Teoricamente, federações e CBF nem deveriam participar disso.

Sem contrato com a Globo, os dois times decidiram fazer uma transmissão online do jogo em seus canais próprios e no youtube. Contrataram uma produtora, narradores e repórteres para atender suas torcidas.

Pouco antes do jogo, o árbitro informou que não poderia ser realizado o jogo com a transmissão. A Federação Paranaense de Futebol informou, por meio de um advogado, que a justificativa era a falta de credenciamento de repórteres em campo. Difícil acreditar nisso. O que quiseram foi atrapalhar a iniciativa da transmissão que fragilizava a FPF.

O presidente do Atlético-PR, Luiz Emed, reafirmou que seu time não aceitaria a decisão que classificou de arbitrária da federação. “Aprendam com Atlético-PR e Coritiba e digam não. Chega, não”, afirmou ele, em recado a outros clubes brasileiros.

Sim, já passou da hora de os clubes brasileiros lutarem por seus direitos e tomarem em suas mãos seus destinos. Pela lei, têm direitos de transmissão sobre todos seus campeonatos, assim como a chance de organizar suas próprias competições por meio de ligas como se faz no mundo inteiro.

Isso só foi possível em países como Espanha e Itália quando os clubes enfrentarem o sistema de suas federações nacionais. Atlético-PR e Coritiba fizeram isso no Paraná, assim como a Primeira Liga fez em 2016 com a CBF, embora tenha deixado o movimento enfraquecer em 2017. Esse é o único caminho se os clubes quiserem mudar o futebol nacional.

PS Nota tristíssima de que morreu um torcedor do Coritiba antes da partida, além de confusão geral entre as torcidas. É a segunda morte em menos de um mês de futebol no país em 2017.