Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Botafogo

É inaceitável que Odebrecht possa vender Maracanã após delações
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Tornadas públicas nestas semana, as delações de ex-executivos da Odebrecht admitiram uma série de atos de corrupção em relação ao Maracanã: fraude na licitação, pagamento de propina pela obra, suborno pela concessão. Diante dessas revelações, não dá para considerar aceitável que a empresa tenha direito de vender sua concessão e ainda sair com R$ 20 milhões do estádio. Nem dá para admitir que o modelo viciado de PPP seja mantido com poucos ajustes com outra empresa.

Vamos aos fatos. Foram cinco delações de ex-executivos da Odebrecht envolvendo o Maracanã. Um dos ex-executivos aponta que o edital de obra já foi armado para a empresa vencer. Depois, outros membros da construtora indicam pagamentos de propina ao ex-governador Sergio Cabral durante a obra.

O valor da obra saltou de R$ 400 milhões previstos incialmente para R$ 1,2 bilhão. Uma parte deve-se a exigências esdrúxulas da Fifa, mas há indícios de superfaturamento apontados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Tribunal, por sinal, que perdeu a credibilidade ao ter seis membros presos.

Em sua delação, o ex-executivo da Odebrecht João Borba Filho afirmou que teria de ser pago propina um conselheiro do TCE para liberar o edital de concessão do estádio. O edital foi moldado de acordo com instruções de empresa de Eike Baptista, outro preso por relacionamento impróprio com o ex-governador Sergio Cabral. Borba Filho tornou-se o presidente da empresa gestora do Maracanã.

Essas delações geram um inquérito e uma apuração para conferir se é tudo verdade. Mas não dá para o governo do Rio aprovar uma venda de uma concessão com todos os indícios de ter havido fraudes do início ao fim do processo. Se a própria Odebrecht admite ter pago propinas, é muita cara de pau da empresa ainda se achar no direito de lucrar com a venda.

A Odebrecht já tem um acordo de venda para a empresa Lagardère. Agora, depende de um aval do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para concretizar o negócio. Ora, o próprio Pezão é acusado por ex-executivos da construtora de receber dinheiro ilegal – ele nega. Sob grave suspeita, como pode conceder o estádio por mais 30 anos e beneficiar a Odebrecht?

Não está aqui se questionando o direito de a Largadère almejar ter o estádio. A empresa tem lá os seus problemas, mas a outra concorrente GL Events também tinha. Nada que as impedisse de assumir a gestão já que é uma empresa francesa grande com o capital, e know-how na área de gestão de estádio. E não há acusação de corrupção grave sobre ela.

Mas um acordo confidencial com a empresa que corrompeu todo o processo do Maracanã não é a forma ideal. A própria Lagardère sabe os males de concorrência desonesta já que foi prejudicada e ficou em segundo na disputa para o Maracanã perdendo para Odebrecht.

E as regras de concessão que valeriam para a Lagardère são exatamente as mesmas do edital de licitação viciado por pagamento de propinas pela Odebrecht. Essas normas têm que ser todas revistas porque não foram feitas pensando no bem público, mas em favorecer a empreiteira que comprou quase todos os políticos do país.

Uma prova de que esse modelo fracassou é que nem a Odebrecht, com sua rede de propinas, conseguiu ganhar dinheiro no estádio. É hora de sentar com os grandes clubes do Rio, realizar audiências públicas, discutir com empresários e estabelecer um modelo transparente para uma nova concorrência para o Maracanã.

“Ah, vai demorar e o estádio vai se deteriorar porque o governo não tem dinheiro”. A verdade é que o Estado teve muito tempo para fazer uma licitação já que esse imbróglio se arrasta há mais de um ano. Contratou consultoria da FGV com esse fim, e nada fez. É hora de sair da letargia e fazer um processo sério e transparente para a população.

Enquanto isto não se concluir, o governo pode estabelecer um modelo de emergência para gestão e manutenção do estádio que envolva os clubes, seus principais usuários. Que tal sentar com Fluminense, Flamengo e Vasco e discutir a viabilidade de uma solução provisória (o Botafogo tem o Engenhão)? Uma parte da renda dos jogos e shows poderia ser usada para manutenção.

Essa é só uma ideia, deve haver outras melhores. O mais importante é que, após tudo que se ouviu das delações, o primeiro passo do governo tem que ser buscar a expulsão da Odebrecht do estádio na Justiça sem direito a receber nada. E depois se construir um novo futuro para o Maracanã. Não dá para quem corrompeu quase todo o país ainda ter direito a participar da decisão sobre quem fica com um patrimônio público de R$ 1,2 bilhão tão importante para o povo carioca.


Não se justifica usar Maracanã para maioria dos clássicos do Estadual
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O regulamento do Estadual do Rio prevê que todos os clássicos, semifinais e finais sejam disputados no Maracanã. É um tentativa de dar uma grandiosidade e relevância ao campeonato que este não tem mais. Basta verificar os públicos durante a competição. Só se justificaria jogar as finais ali, e uma ou outra partida.

Não é à toa que Botafogo e Vasco já cogitam jogar no Engenhão a final da Taça Rio, esse jogo inútil sob qualquer ponto de vista para o campeonato. E deveria se procurar alternativas para quase todos.

Nas semifinais, o time da Estrela Solitária e o Fluminense levaram apenas 7.309 pessoas ao Engenhão, no domingo, enquanto rubro-negros e vascaínos tiveram 21.895 pagantes no seu jogo. Em média, as duas partidas não atingiram nem 15 mil.

O Maracanã é um estádio caro. Em condições normais, só se justifica abri-lo pelo seu custo com públicos entre 30 mil e 40 mil pelo menos. Ou seja, valeria a pena para os jogos de Botafogo e Flamengo na Libertadores, ou do Fluminense na Sul-Americana, que têm apresentado público acima deste patamar porque são competições importantes.

Nenhum clássico do Estadual até agora ultrapassou a marca de 30 mil, sendo o melhor deles o Fla-Flu da final da Taça Guanabara, com 29.905, no Engenhão. É provável que no Maracanã o público fosse um pouco melhor.

Se em condições normais o Maracanã já é muito caro, os preços cobrados pela Odebrecht neste período de transição do estádio tornam ainda mais inviável utiliza-lo. Foram aluguéis nos patamares de 400 mil a R$ 500 mil, fora os custos. Ainda não está disponível o borderô de Vasco e Flamengo, mas, se houver lucro, será bem pequeno.

Sob esse ponto de vista, só as finais do Estadual do Rio justificariam de fato a abertura do estádio. É possível que uma semifinal atinja este público, mas não há certeza.

Ao impor o Maracanã, a Ferj tenta, mais uma vez, maquiar a realidade como faz com os borderôs dos jogos em que coloca a cota de televisão para disfarçar prejuízos seguidos em bilheterias dos jogos. É possível fazer isso em um papel no regulamento, mas a arquibancada não mente.

PS: Não comentarei aqui a classificação de Botafogo e Vasco à final da Taça pela inutilidade deste turno. A única observação é que a arbitragem do Estadual cometeu mais um erro bizarro com a validação do gol do botafoguense Dudu em um impedimento tão acintoso que até uma criança seria capaz de marcar.


Lagardère quer apressar entrada no Maracanã e levar Bota, Flu e Vasco
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Após fechar acordo com a Odebrecht, a empresa francesa Lagardère deve entrar já na próxima semana no Maracanã para vistoria para determinar quais as obras mais emergenciais. Ao mesmo tempo, a empresa aposta no sucesso em conversas com Fluminense, Botafogo e Vasco para ter jogos no estádio, já que o Flamengo é desafeto da empresa. Ressalte-se que a confirmação do transferência do estádio ainda depende do aval do governo do Rio de Janeiro.

Nesta quinta-feira, Lagadère e Odebrecht chegaram a um acordo nos termos da venda no valor para assinarem um memorando de entendimento para a venda, o que deve ocorrer até sexta-feira. Isso significa que inicia-se um período de transição em que as duas partes verificam as condições do negócio, isto é, do estádio, das dívidas, etc.  A empresa francesa e a construtora entendem ter uma sinalização do governador Luiz Fernando Pezão de que vai dar aval ao negócio.

A intenção da empresa francesa é já entrar com equipes para vistoria na próxima semana. Há uma questão porque estão marcados dois jogos, Flamengo x Atlético-PR, e a final da Taça Rio. A previsão da Odebrecht é de 20 dias para verificações antes da assinatura do acordo definitivo, enquanto a Lagadère entende que isso pode ser feito rapidamente. A transferência total deve durar até dois meses.

A maior preocupação da empresa francesa é em relação à cobertura do estádio. Isso porque é necessária manutenção constante da lona tensionada para que não se deteriore. A previsão é de um gasto entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões para obras emergenciais no Maracanã para recupera-lo.

Em paralelo, a Lagardère tem mantido conversas frequentes com as diretorias de Fluminense, Vasco e Botafogo. Aos tricolores, já foi feita até uma proposta de modelo de uso do estádio com alterações no seu contrato atual com a Odebrecht que será herdado.

Não há diálogo com a diretoria do Flamengo, que teve um rompimento com a Lagardère. Assim, o clube tem a posição de que não jogará no estádio. Há dirigentes do Flamengo, no entanto, que ainda apostam em uma reviravolta e uma negativa do governador, estabelecendo nova licitação, desejo dos rubro-negros.

Há questionamentos jurídicos à transferência da licitação por conta das suspeitas de irregularidades. O ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Jonas Lopes recebeu propina para aprovar o edital de concessão, segundo delações feitas à Polícia Federal.

Mas até agora só existe uma recomendação do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para que a concessão seja desfeita, sendo que logo depois a maioria dos conselheiros foi preso acusada de corrupção. O Ministério Público Estadual não se pronunciou até o momento.


Estadual do Rio terá recorde de 15 clássicos, mas público é baixo
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Com as definições dos classificados no 2o turno e às semifinais, o Estadual do Rio de Janeiro terá um total de 15 clássicos, um recorde entre competições similares no Brasil. Isso é causado pela fórmula bizarra do campeonato que gera uma série de jogos – alguns deles irrelevantes – entre os grandes times, Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco. A média de público tem sido baixa nessas partidas.

Pela fase classificatória, o Carioca teve seis clássicos assim como o Paulista. A questão é que a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) decidiu realizar semifinais e final em cada turno, além de semifinais e finais do campeonato.

Assim, já houve dois clássicos extras na Taça Guanabara, e ocorrerão mais três obrigatoriamente no segundo turno. Nas semifinais da Taça Rio, serão Flamengo x Vasco (o terceiro no ano), e Fluminense x Botafogo. Esses jogos não terão nenhum valor para o campeonato pois os quatro times já estão classificados par fases finais do Estadual. Ou seja, é provável que sejam partidas esvaziadas.

Ne fase decisiva do Estadual propriamente dita, serão clássicos em semifinais entre Flamengo x Botafogo, e Fluminense x Vasco. Somadas às decisões do turno e campeonato, chegamos a 15 clássicos. Alguns confrontos podem se repetir quatro vezes no mesmo campeonato.

Em comparação, o Paulista terá um máximo de 12 clássicos se os quatro grandes se classificarem para as semifinais. Neste caso, serão jogos entre times grandes na fase classificatória, pelas semifinais e finais.

Em Minas, haverá um máximo de três clássicos entre Atlético-MG e Cruzeiro, o mesmo número do Gaúchão caso os dois grandes se cruzem em fases mais avançadas. Isso se repete no Paranaense. No Estadual de Pernambuco, haverá um máximo de sete clássicos entre Náutico, Sport e Santa Cruz. Outros Estados como Santa Catarina e Bahia também têm número inferior de jogos entre os grandes locais.

O excesso de clássicos no Rio vulgariza partidas que deveriam ser nobres e reduz seu público. Há jogos sem valor para o campeonato, há jogos em estádios pequenos (Volta Redonda, Cariacica) e há até jogo marcado no horário de compromisso da seleção brasileira (Fluminense x Botafogo).

Como consequência, o maior público foi o Fla-Flu da Taça Guanabara, com 29 mil pessoas. E o segundo jogo que mais atraiu torcedores foi o Flamengo x Vasco, em Brasília, com 28 mil pagantes. Ressalte-se que a falta do Maracanã também tem afetado esses números.

 


Caixa prioriza Libertadores e já investe R$ 100 mi em times em 2017
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A Caixa Econômica Federal priorizou clubes que estão na Libertadores e previu bônus consideráveis pela conquista do torneio e pelo Mundial. O investimento do banco em times já ultrapassa R$ 100 milhões em contratos fechados para este ano. E há negociações em andamento que podem elevar em até 50% esse montante, chegando a cerca de R$ 150 milhões.

Um levantamento do blog no Diário Oficial mostra que já foram feitos pelo menos 14 renovações ou novos contratos da Caixa no ano de 2017. A esses acordos, soma-se o patrocínio fechado com o Santos e ainda não oficializado.

No total, a previsão de investimento nos 14 contratos é de até R$ 116 milhões por conta das premiações. Excluídos os bônus, os valores fixos ficam em torno de R$ 90 milhões. Com o contrato do Santos, de R$ 16 milhões, isso se eleva a pouco mais de R$ 100 milhões.

Há ainda negociações em aberto com o Vasco (estimativa -R$ 10 milhões), Botafogo (R$ 10 milhões), Corinthians (R$ 30 milhões) e a Chapecoense (sem valor definido). O acordo com a diretoria vascaína está encaminhado após reunião na última sexta-feira, segundo o clube. Se fechar com todos esses times, a Caixa ultrapassará o valor previsto de R$ 132 milhões. O Vitória tinha anunciado renovação, mas o blog não encontrou seu contrato no Diário Oficial.

A  Caixa priorizou clubes que estavam na Libertadores, fora acordos de renovação. No ano passado, a Caixa tinha apenas dois times na competição. Agora, já conta com quatro (Atlético-MG, Atlético-PR, Santos e Flamengo). E pode chegar a seis no total.

Para esses clubes, o banco estabeleceu bônus e premiações maiores do que para os outros pela importância do torneio. A conquista do campeonato sul-americano dá R$ 1,5 milhão, e do Mundial R$ 2 milhões.

Assim, os contratos de Flamengo, Atlético-MG e Atlético-PR têm previsão de empenho de R$ 5 milhões a mais do que o valor fixo. Isso explica a discrepância de R$ 3,5 milhões entre os montantes dos contratos entre os dois grandes paranaenses, e os dois grandes mineiros.

Não houve reajuste para nenhum clube, apenas a inclusão de bônus. A provável expansão do valor total investido pela Caixa resultará em maior número de times caros no cartel.

O Botafogo, por exemplo, já exibe o logo do banco sem ter contrato. “Estamos em fase negocial. Na há pendência. Não posso te garantir que fomos beneficiados pela Libertadores porque não fechamos”, contou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Mas sua negociação é no patamar do Vasco que, normalmente, obtinha valores maiores por sua camisa.

O blog mandou perguntas para a assessoria da Caixa sobre os patrocínios aos times, mas não recebeu resposta. Além da Libertadores e Mundial, há prêmio de R$ 1 milhão para o Brasileiro, R$ 500 mil pela Copa do Brasil, e R$ 500 mil pela Série B, e R$ 300 mil pela Copa Nordeste. Há uma tabela padrão. Veja o valor fechado com cada clube já no diário oficial (com especificação de quanto é em premiação):

Flamengo – até R$ 30 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Atlético-MG – até R$ 16 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Cruzeiro – até R$ 12,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Atlético-PR – até R$ 11 milhões (R$ 5 milhões em premiações)

Bahia – até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)

Sport – até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)

Coritiba – até R$ 7,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Avaí – R$ 5,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)

Náutico – R$ 3,7 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Figueirense – R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Ceará – R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

Paysandu – R$ 3,2 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

América – até R$ 3 milhões (R$ 1 milhão em premiação)

CRB – até R$ 1,5 milhão (R$ 500 mil em premiação)

 


Interessada no Maracanã, empresa francesa negocia parcerias com Vasco e Flu
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Uma das concorrentes à gestão do Maracanã, a francesa Lagardère negocia parcerias com Vasco e Fluminense, além das conversas que já tinha com o Botafogo. A empresa estuda parcerias para o estádio e para o departamento de marketing dos clubes, ou seja, para levantar recursos para os times. Na Europa, esta tem negócios similares com Borussia Dortmund e PSG.

Ao se aproximar dos outros três grandes, a Lagardère minimiza a recusa do Flamengo em negociar com a empresa. O clube rubro-negro deu preferência ao outro consórcio, GL Events, e diz não negociar com a Lagardère.

As converas da empresa francesa com os clubes, no entanto, estão em compasso de espera da resolução da disputa com o Maracanã. Mas já foram discutidos alguns pontos com os clubes.

No caso do Vasco, a proposta é de fato para uma parceria no departamento de marketing. A informação dentro da Lagardère é de que o presidente vascaíno, Eurico Miranda, teria cobrado luvas para o negócios. Por meio da assessoria, vice de marketing do Vasco, Marco Antonio Monteiro, confirmou as conversas, mas disse que não houve pedido de luvas.

No caso do Fluminense, a Laragadère apresentou um plano para a utilização do Maracanã pelo clube com mudanças no contratual atual do clube. Aumentaria a participação do clube na gestão e em receitas, mas em troca o time tricolor teria de contribuir com despesas operacionais. Há também uma proposta de parceria de marketing com o time das Laranjeiras. Consultada pelo blog, a diretoria tricolor não se manifestou.

A Lagardère já tinha negociações com o Botafogo ao falar sobre parcerias para a gestão do Engenhão. A administração no departamento de marketing do clube alvinegro seria outra opção.

 


Na Justiça, Botafogo alega prejuízos no Engenhão por culpa da prefeitura
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A diretoria do Botafogo entrou com um protesto judicial contra a prefeitura do Rio alegando prejuízos pelo fechamento do Engenhão (Estádio Nilton Santos) em 2013. Não é ainda uma ação judicial de cobrança: seu objetivo é garantir o direito de o clube processar o município no futuro sem possibilidade de prescrição. Um processo só deve ser movido a partir de 2018.

O protesto do Botafogo foi na Vara de Fazenda Pública em dezembro de 2016, juntamente com a Companhia Botafogo que é detentora da concessão do estádio. A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro disse desconhecer o procedimento alvinegro, mas defendem as reformas.

O Engenhão foi fechado em março de 2013 para reparos na cobertura por supostas falhas no projeto. Foi uma decisão do então prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes após um laudo que mostrava risco de queda na cobertura. Mas, em seguida, houve outro laudo que indicava que não havia necessidade de reformas. Há uma disputa entre o Consórcio Engenhão e o Consórcio RDR, que construíram o equipamento, para determinar se houve falha e quem é o responsável.

“Em que pese tal celeuma, é certo que o Botafogo e a Companhia Botafogo suportaram e ainda vêm suportando seríssimos prejuízos decorrentes da interdição do estádio cujo montante ainda não foi definitivamente calculado, como consectário da sua extensão e de suas múltiplas facetas”, afirmou o clube alvinegro no protesto.

O vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, explicou que o objetivo dessa medida é garantir que o clube tenha direito a processar a prefeitura até 2021, sem que exista prescrição pelo fato. Afirmou que acredita que acontecerá a ação, mas provavelmente não neste ano.

“Não acredito que consiga fazer até o final do ano porque estamos apagando muito incêndio. Para mover uma ação como esta, tem que pensar direito, contratar um bom escritório. Não estamos em condições agora de enfrentar a prefeitura. Mas a diretoria não poderia se omitir e perder a chance de ação para gestões futuras”, contou Fleury.

Outro aspecto é que o Botafogo pretende esperar a conclusão da outra ação que decide se era necessário ou não novas reformas na cobertura do estádio. Se não era preciso fazer a renovação, a ação do clube alvinegro ganha força. A atual diretoria ainda alega que não tem noção de quanto arrecada por ano com o Engenhão porque não teve o estádio aberto por um ano. Assim, não sabe quantificar os prejuízos.

“Ainda não temos um número. A gestão anterior de Maurício Assumpção tinha uma receita, mas não é confiável. Agora que vamos ver quanto o estádio gera porque ele foi devolvido em dezembro de 2016”, completou Fleury.

A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro informou:

“Em relação à necessidade de fechamento do estádio, a decisão foi tomada pela antiga gestão, que determinou a interdição após receber do Consórcio Engenhão – formado pelas empresas Odebrecht e OAS – um laudo técnico assinado pelos engenheiros detectando problemas estruturais.
De acordo com este laudo, os arcos superiores foram subdimensionados e, no momento da inauguração do estádio apresentaram inclinação 50 centímetros além do esperado no projeto. Diversos estudos foram feitos e durante um monitoramento de rotina foi constatado risco à segurança dos frequentadores com colapso da estrutura em determinadas condições como baixa temperatura e alta velocidade de vento, por exemplo. Para priorizar a segurança da população optou-se pelo fechamento do estádio. Os custos da reforma foram integralmente assumidos pelo Consórcio Engenhão, sem ônus aos cofres públicos.”


Libertadores ignora critério da Champions e prejudica brasileiros em cotas
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Ao mudar a Libertadores para aumentar seu valor de mercado, a Conmebol ignorou esse mesmo mercado na hora de distribuir cotas da competição. Não houve alteração na divisão igualitária e por classificação em política oposta a da Liga dos Campeões que valoriza os países que geram mais dinheiro. Os maiores prejudicados foram os clubes brasileiros, maiores fonte de receita da competição. A fase de grupos da nova Libertadores começa nesta terça-feira.

A Conmebol vende os direitos de marketing e televisão da Libertadores em um pacote único, o que deve mudar para edição de 2019. Só que a rede de televisão que compra, no caso a Fox, tem como principal objetivo obter receitas no Brasil e na Argentina.

O potencial econômico brasileiro é muito maior do que o do país vizinho tanto que a confederação sul-americana inflou para oito times nacionais nesta edição. Ao mesmo tempo, manteve a cota fixa na fase de grupos: US$ 1,8 milhão para cada time, e prêmios crescentes por cada fase que as equipes avançam. Um time campeão pode chegar a US$ 8 milhões independentemente de qual seu país de origem.

Na Liga dos Campeões, as cotas são divididas em 60% por valores fixos e premiações por desempenho, e outros 40% por mercado. Ou seja, os clubes do países que geram os maiores contratos de tv locais ficam com mais dinheiro. Para dividir esse montante de mercado entre os times de cada nação é usado um critério esportivo: metade por desempenho no campeonato nacional e metade dentro da própria Liga dos Campeões. No total, 507 milhões de euros serão divididos dessa forma na atual temporada.

Na última edição encerrada da liga, 2015/2016, o Manchester City foi o clube que mais arrecadou 83,9 milhões de euros, acima do campeão Real Madrid que ficou com 80,1 milhões de euros. Isso porque o mercado espanhol gera receita menor do que o inglês. Na Libertadores, de nada vale gerar mais dinheiro para a competição.

“Não tem nenhum mercado como o brasileiro (na América do Sul). A Libertadores se apropria, mas não traz nada para esse mercado”, analisou o coordenador de curso de gestão da FGV/Fifa, Pedro Trengrouse. “A solução para Conmebol aumentar suas receitas seria expandir a competição para o mercado americano e canadense.”

O consultor em marketing esportivo, Amir Somoggi, vai além e estima que metade do mercado da Libertadores é originário do Brasil. E dá um exemplo de que um jogo do Atlético-MG atinge uma cidade grande como Belo Horizonte, enquanto do outro lado muitas vezes estão times de locais com pouco potencial econômico.

“O critério da UEFA é de mercado, pelo marketing pool. A Itália, por exemplo, não tem muita renda de jogo, mas gera bastante de televisão”, contou. “Desde que fundou a nova Liga dos Campeões, a UEFA considerou a meritocracia.”

Ele atribuiu à falta de poder político dos clubes brasileiros o fato de a Conmebol não fazer o mesmo na América do Sul. “No caso do Brasil, a diretoria não fala o mesmo idioma, a sede fica em um país de língua espanhola. A Conmebol dá mais atenção aos países de língua espanhola.” Lembre-se ainda que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não pode ir a reuniões da Conmebol com medo de ser preso pelo “caso Fifa”.

Em resumo, na hora de arrecadar, a confederação sul-americana olha para o Brasil, mas, na hora de distribuir o dinheiro, pensa nos países vizinhos.


Bota discute vetar Engenhão ao Fla, mas regulamento da Ferj impede
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Com Pedro Ivo de Almeida

A diretoria do Botafogo discute vetar o Engenhão para jogos do Flamengo após as confusões ocorridas no clássico que terminou com um torcedor morto. Essa proibição, no entanto, depende da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) pelo regulamento do campeonato. A tendência é a federação não aceitar o veto.

Questionado pelo blog, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, afirmou que ainda não iria se pronunciar sobre possível veto ao Flamengo – o clube rubro-negro já não pode atuar em outras partidas na arena. Ele informou que só vai tomar uma decisão após inspeção de danos ao estádio. Mas indicou que é uma medida analisada por supostos danos de torcedores rubro-negros à arena.

“Foram muitas cadeiras e banheiros quebrados”, afirmou o dirigente. Pereira reconheceu que é a Ferj quem decide sobre o uso do Engenhão em clássicos. “Perfeito. Mas existe um bom senso para tudo depois do que aconteceu no domingo.”

Em entrevista à ESPN Brasil, Pereira atacou a postura do Flamengo e relembrou até a polêmica contratação do volante Willian Arão, que trocou o clube alvinegro pelo rubro-negro no fim de 2015.

“O Flamengo quer tomar decisões pensando só nele. Não é a forma como o Botafogo vê o futebol, por isso não temos qualquer tipo de diálogo. Sem falar, óbvio, na falta de ética que foi a questão do Willian Arão”, declarou.

Também à ESPN Brasil, o presidente do Fla, Eduardo Bandeira de Mello, lamentou a decisão do Botafogo de propor o veto. “Em um momento como esse, tomar atitudes que só servem para acirrar mais os ânimos… É uma grande besteira fazer isso no momento. A gente respeita a posição de outros clubes e pede que respeitem a nossa também. Tem que trabalhar para acabar de vez com violência nos estádios”, disse Bandeira.

Pelo regulamento, em seu artigo 44, os clássicos têm que ser disputados no Maracanã. O mando de campo é da Ferj. Depois, pelo artigo 62, fica estabelecido que, se o Maracanã não estiver disponível o local, será o Estádio Nilton Santos (Engenhão).

Nos bastidores, a Ferj entende que tem a prerrogativa de continuar a marcar clássicos do Flamengo no estádio pelas regras. Ainda não recebeu uma demanda do Botafogo para veto, e só discutirá isso se acontecer. Mas, internamente, a federação não pretende aceitar a posição do clube alvinegro.

Durante o arbitral do Estadual, o Flamengo pediu que o Maracanã fosse incluído como local para semifinais e finais. Em seguida, os clubes decidiram que, se não houvesse o Maracanã disponível, seria o Engenhão. O Botafogo não se manifestou em nenhum momento contra essa decisão.


Candidatas ao Maracanã somam bilhões e problemas em concessões no Brasil
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Concorrentes pelo controle o Maracanã, e com receitas bilionárias pelo mundo, as francesas GL Events e Lagardère enfrentam questionamentos nas concessões públicas que já administram no Brasil. Uma das duas será escolhida pela Odebrecht nos próximos dias para substituí-la no estádio após o governo do Rio de Janeiro dar aval às documentações de ambas. A GL tem todo o capital do consórcio, mas concorre associada a outras duas empresas CSM e Amsterdam Arena, além de ter acordo com o Flamengo.

A transferência do controle do Maracanã se dará por meio de uma venda da concessão que custará em torno de R$ 60 milhões. Para isso, os dois grupos concorrentes têm que cumprir todos os requisitos da licitação vencida pela Odebrecht. Depois da construtora escolher um vencedor, o governo do Rio tem que dar aval. Em seguida, haverá um avaliação do custo de reparos no estádio que pode influenciar os valores dos negócios.

Como histórico, ambas as empresas já enfrentam questionamentos nas concessões que têm no Brasil. A GL Events gere a Rio Arena e o Riocentro. A Lagardère administra a Arena Castelão e a Arena Independência.

No caso da GL, a concessão do Riocentro é alvo de ação do Ministério Público Estadual por suspeita de ato de improbidade e direcionamento da licitação. São acusados a empresa, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia e seu então secretário Ruy Cezar Miranda.

Em 2006, a concessão do Riocentro inicialmente seria feita com o pagamento de R$ 70 milhões em dinheiro à prefeitura. Posteriormente, as condições mudaram e só foi pago R$ 1 milhão, e foram dados outros R$ 69 milhões em equipamentos.

Neste meio tempo, o Ministério Público aponta que houve conversas entre a empresa com o secretário Ruy Cezar Miranda para a nova licitação. Outra informação é de que houve um convite a um procurador do município, que trataria da licitação, para viajar à França com despesas pagas pela empresa. Ou seja,o MP apresenta indícios de um lobby para mudar a licitação. A GL e as então autoridades municipais negam que tenha havido o contato ou o direcionamento no negócio. O processo está em fase de sentença.

“Não houve qualquer irregularidade e isso já foi comprovado na Justiça, que, em 2015, declarou improcedente uma ação que fazia os mesmos questionamentos dessa outra ação à qual o UOL se refere. Mais uma vez, ficará provado que tudo se deu dentro dos parâmetros legais”, afirmou a assessoria da GL Events.

Outra concessão controversa da GL Events é na Rio Arena. Como revelou a “Folha de S. Paulo”, a prefeitura do Rio, já na gestão de Eduardo Paes, estendeu a concessão da arena em 30 anos a mais do que a licitação inicial. Em troca, a GL Events aceitou realizar uma obra de R$ 72 milhões no Riocentro para sediar as competições de boxe na Olimpíada do Rio-2016. Esse valor é inferior ao que a empresa pagaria parceladamente pela concessão da Rio-Arena.

O prefeito Eduardo Paes justificou dizendo que foi benéfico para o município por realizar o projeto olímpico mais rápido. “Não se pode comparar dinheiro agora e antes”, disse, após revelado o caso. Por sua assessoria, a GL alega que o negócio não foi positivo para ela: “A GL events Brasil antecipou o valor do aluguel de 30 anos para atender a uma solicitação da Prefeitura do Rio de Janeiro para que realizasse obras na Arena”

A Lagardère igualmente enfrenta questionamento na concessão da Arena Independência, estádio onde jogam Atlético-MG e América-MG. Extraoficialmente, há a informação em órgãos do governo e no América-MG de que a empresa não paga o valor mensal pela concessão de R$ 250 mil há 14 meses.

“Existe de fato um débito com o governo”, confirmou o deputado estadual Carlos Henrique (PRB), que foi secretário de esportes e administrou o contrato. “Só faço elogios ao cuidados da Lagardère no equipamento. Manutenções de gramado e espaço são muito bons”, afirmou Alencar da Silva, do Conselho gestor do América-MG. “Sobre a questão administrativa, não quero comentar.”

Nos bastidores o clube está bastante insatisfeito com a empresa, embora evite confronto público. Há uma pressão entre políticos mineiros para romper a concessão. A Lagardère descarta o rompimento do contrato e nega descumprimentos, embora admita uma renegociação.

“Estamos em dia com os pagamentos com o América-MG e o governo. Tem uma questão de interpretação do contrato de concessão. É uma questão de equilíbrio financeiro”, afirmou o CEO da Largardère, Aymeric Magne.

No Castelão e no Independência, a empresa tem sociedade com a BWA, polêmica pelo envolvimento com problemas com ingressos em jogos de futebol. A empresa francesa, no entanto, garante que seu modelo prevalece na gestão. Para o Maracanã, a BWA não faz parte do consórcio que fez proposta à Odebrecht.

Não há relatos de problemas na gestão da Arena Castelão. A Lagardère informa que a operação do estádio é superavitária, e que tem acordos com o Ceará e o Fortaleza para jogos no local.

Em 2013, a Lagardère fundou uma empresa com capital de R$ 26 milhões em São Paulo para gerir seus negócios no Brasil. Para o Maracanã, a empresa matriz na França entrou na proposta pela dimensão do negócio.

O grupo francês tem um faturamento total de € 7,2 bilhões (R$ 24,1 bilhões) em 2015, segundo seu relatório financeiro. Desse montante, € 515 milhões (R$ 1,7 bilhão) são de negócios com esportes, incluindo a administração de várias arenas. Estão na lista: a Arena do Borussia Dortmund, consultoria para estádios da Euro, outras praças na Itália, Suécia e Brasil.

“Nosso core bussiness (negócio principal) é gestão de arenas de futebol. Nós temos 58 arenas pelo mundo. E as do Brasil são bem-sucedidas”, explicou Magne.

No caso da GL Events, as receitas anuais de 2015 somam € 942 milhões (R$ 3,1 bilhões), de acordo com seu relatório financeiro. Sua presença no Brasil ocorre desde 1995 por meio da filial GL Events Brasil Participações.

Seu portfólio não inclui a gestão de grandes estádios. A especialização é a realização de eventos e feiras, e ginásios que tem porte médio. Foi a principal empresa na construção de instalações temporárias para arenas na Copa-2014.

A empresa informou que 100% do capital aportado no negócio do Maracanã é seu, e que o objetivo é adquirir todas as ações da Odebrecht. “Se a proposta da GL events Brasil for a escolhida, ela assumirá a responsabilidade pela gestão do Maracanã”, informou a assessoria da empresa.

Pela falta de experiência em estádios, associou-se com a Amsterdam Arena e com a CSM, que atuou na Olimpíada e em camarotes do Maracanã. Ambas têm menor porte no Brasil. Pelo edital, é necessário ter experiência em gestão de arenas. A ideia é que a GL Events mantenha o estádio, a CSM faça a parte de hospitalidade e camarotes, e o Flamengo controle seus jogos.

Em relação aos clubes, a diretoria do Flamengo se posicionou contra jogar no Maracanã caso a Lagaardère ganhe a concessão porque houve um desentendimento entre as partes. A empresa francesa pretende atrair o clube rubro-negro, mas entende que a gestão é viável sem ele.

O Fluminense aceitará manter o seu contrato atual igual ao com a Odebrecht com qualquer uma das duas empresas. Ambas indicaram concordar com esses termos. O Botafogo, que já tem o Engenhão, se aproximou da Largadère. A diretoria do Vasco quer condições iguais nos clássicos, mas não se manifestou sobre a concessão.