Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Botafogo

Maioria de clubes deve ser suficiente para suspender descenso da Chape
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No dia da tragédia da Chapecoense, um grupo de clubes articulou um movimento para suspender por três anos o rebaixamento do time catarinense. O pedido será oficializado à CBF nos próximos dias. Mas uma maioria dos clubes do Brasileiro da Série A deve ser suficiente para aprovar a medida para 2017.

Isso porque o primeiro passo para suspender o rebaixamento é fazer uma mudança no regulamento do Brasileiro para o próximo ano. É o Conselho Técnico da Série A , compostos pelas próprias equipes, quem decide o formato e as regras do Nacional. Essa decisão se dá por maioria qualificada, ou seja, cada time tem voto de acordo com sua posição no campeonato de 2016.

Até terça-feira, entre aqueles da Primeira Divisão, já haviam se manifestado a favor da suspensão: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Coritiba, Cruzeiro, Vasco, Fluminense, Botafogo e Atlético-PR. Se a própria Chapecoense for incluída, haveria uma maioria. Resta saber se seriam vencedores no voto qualificado, o que depende da tabela, e se todos irão confirmar a proposta no conselho.

Pelo Estatuto da CBF, a entidade tinha o direito de aprovar ou não o que for votado pelos clubes. Mas, em 2015, o presidente da confederação Marco Polo Del Nero prometeu que daria autonomia para os times tomarem as decisões sobre o Nacional. Assim, essa prerrogativa foi retirada.

Nesta terça, fontes da CBF confirmaram que uma decisão dos clubes não seria contrariada pela sua cúpula. Mas a confederação não recebeu o pedido ainda e não quer falar sobre isso logo após a tragédia. Até porque os times ainda preparam o ofício com a proposta para ser entregue até sexta-feira.

Pela proposta, seriam mantidos quatro rebaixados em 2017, mas a Chapecoense estaria imune mesmo se ficasse entre os quatro últimos. A proposta foi articulada entre o grupo jurídico dos times de Série A e B que rapidamente conversou após o acidente, e levou aos seus presidentes para aprovação. A inspiração foi no que ocorreu na Itália com o Torino após acidente na década de 40.

Há outra potencial barreira: o estatuto do torcedor. Pela legislação, um regulamento tem que ser mantido por dois anos seguidos, o que já ocorreu. E tem de ser respeitado o critério técnico para descenso e acesso. Na opinião de dois advogados dos clubes ouvidos pelo blog, esse critério continuaria a ser atendido, e a concordância da maioria dos times mostraria que a exceção deve ser aceita.

Entre os advogados, admite-se a possibilidade de que a alteração do regulamento tenha que ser aprovada no CNE (Conselho Nacional do Esporte). Esse órgão é presidido pelo ministro do Esporte. Mas, dificilmente se houver consenso entre clubes e CBF, o governo vai se opor.

Outros clubes participam do grupo que discutiu o apoio à Chapecoense, mas ainda estudam as medidas de apoio para o clube ou entendem que não é o momento de falar nisso logo após a tragédia.


Em meio à crise, Caixa investe mais do que o previsto no futebol em 2016
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Apesar da crise econômica, a Caixa Econômica Federal investiu no futebol mais do que o previsto inicialmente para 2016. O patrocínio para clubes subiu 12% durante o ano, crescendo o número de camisas alcançadas. E há possibilidade de uma expansão maior com negociações com Fluminense e Botafogo.

Em janeiro, o superintendente nacional de Promoções e Eventos da Caixa, Gerson Bordignon, informou ao blog que havia autorização para R$ 115 milhões de investimento em patrocínio. Na época, dizia que só faltava fechar com o Corinthians, e descartou Vasco, Botafogo e Flu. Isso deixava o banco com 11 clubes.

Nesta semana, ao negociar a marca com o Botafogo, a Caixa informou que já atingiu um total de R$ 128,5 milhões de patrocínios em clubes no ano.  São 17 times. Entraram posteriormente Vasco, Atlético-GO, Bahia, Goiás, Paysandu e Avaí. Essas duas equipes foram incluídas agora em setembro.

A assessoria da Caixa informou que os investimentos estão dentro do valor orçado para o ano, apesar de acima da estimativa inicial. E disse que ainda há espaço para novos patrocínios, embora não informe qual o valor máximo. É um crescimento acima da inflação visto que em 2014 e 2015 o patamar de dinheiro para o futebol girava em torno de R$ 100 milhões.

A expansão basicamente ocorreu com clubes da Série B. Agora, há sete da segunda divisão incorporados ao patrocínio do banco estatal, enquanto são dez da primeira divisão. Isso significa que 43% das equipes das duas principais divisões têm apoio da Caixa.

Isso sem contar o Botafogo que já encaminhou o seu patrocínio, e a negociação do Flu. Entre os patrocínios já fechados, o maior é o do Corinthians, com R$ 30 milhões, e o menor é o do Avaí, com R$ 400 mil. Ainda não há um número e um plano fechado da Caixa para 2017.


Puxado pelo Fla, Rio cresce e já ameaça domínio de SP no Brasileiro
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Após três anos longe da disputa do título, os times do Rio de Janeiro renasceram no Brasileiro e já têm desempenho praticamente igual aos de que São Paulo. Para isso, o rendimento do Flamengo, vice-líder, é decisivo. O crescimento dos cariocas deixou o campeonato monopolizado pelo eixo Rio-SP com a rara exceção do Galo.

Todos os três times do Rio (Flamengo, Fluminense e Botafogo) venceram na 26a rodada. Assim, somam 128 pontos, uma média de 42,7 pontos. Esse número é levemente superior ao das cinco equipes paulistas (Palmeiras, Santos, Corinthians, Ponte Preta e São Paulo) que somaram 210 pontos, com média de 42 pontos.

Com isso, há três times do eixo Rio-SP na zona de Libertadores, sendo o único intruso o Atlético-MG , em terceiro lugar. Entre os dez primeiros colocados, são sete equipes dos dois Estados. Enquanto isso, o São Paulo é o único time da região na parte de baixo da tabela.

Contribuiu para esse cenário a queda de rendimento do Grêmio que se afastou do G4, e a péssima campanha de Internacional e Cruzeiro, ambos lutam para não serem rebaixados. Fora o Galo, só Chapecoense e Atlético-PR estão na parte de cima da tabela e não são do eixo.

A recuperação do Rio ocorre após dois anos de desempenho medíocre das equipes da região. Os cariocas ficaram fora da zona de Libertadores nessas temporadas, tendo conquistado a última vaga com o Botafogo, em 2013. O último time do Estado que, de fato, disputou o título foi o Fluminense campeão em 2012.

Rio e São Paulo são tradicionalmente os Estados mais fortes do país no Brasileiro. Acumulam 33 taças nacionais, 19 de paulistas e 14 de cariocas. Ou seja, têm praticamente três quartos dos 45 campeonatos. Só o Galo pode impedir que mais um troféu fique no eixo nesta temporada.

 


Globo já considera certa renovação do contrato do Carioca
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A Globo já dá como praticamente certa a renovação do contrato do Estadual do Rio-2017 após concorrência com o Esporte Interativo. Ao mesmo tempo, o canal da Turner entende que dificilmente mudará o quadro e deve ficar sem a competição. A tendência é que o novo valor supere R$ 100 milhões por temporada.

Uma demonstração da certeza da Globo de que renovará com Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) e clubes foi a inclusão do Carioca em seu pacote internacional a partir de 2017. Trata-se de um conjunto de jogos chamado “Brazilian Magic Football”. O principal produto é o Brasileiro, mas há a inclusão do Paulista e do Estadual do Rio.

“A Globo comercializa internacionalmente um pacote chamado “Brazilian Magic Football”, que compreende uma quantidade específica de transmissões de jogos de clubes brasileiros em competições nacionais, entre elas o Campeonato Brasileiro, o Paulista e o Carioca, com a possibilidade de haver substituição dos conteúdos”, informou a Globo, que não respondeu se o contrato do Estadual do Rio já estava assinado.

A MP & SIlva, empresa que comprou os direitos para a América Latina da emissora, informou que “a Globo garantiu contratualmente o Carioca”.  Dentro da Ferj, também é dado como certo que a Globo se manterá como a emissora da sua principal competição, restando estabelecer as condições finais.

 


Primeira Liga propõe à CBF reduzir Estaduais a 12 datas. CBF vai analisar
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A Primeira Liga propôs à CBF a redução da participação dos times grandes nos Estaduais a 12 datas, com sete disponíveis para a Primeira Liga. A diretoria da confederação ficou de estudar o Estatuto do Torcedor e consultar federações para ver a viabilidade. A discussão ocorreu em reunião entre o presidente da liga, Gilvan Pinho Tavares, e o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

Pela proposta, a Primeira Liga começaria em janeiro, durante o período de pré-temporada, e terminaria no máximo no início de março. Assim, não atrapalharia as finais de Estaduais. Somados, os dois teriam 19 datas, o mesmo número dos Estaduais. O Paulista teria 18 datas.

“A CBF recebeu muito bem. Estão vendo a viabilidade pela legislação. A pré-temporada não é um empecilho. Seriam poucos jogos e os técnicos gostam de ter uma partida ou outra”, analisou Gilvan.

A problema é que o Estatuto do Torcedor impede a mudança de fórmula de campeonato em todas as temporadas: têm que ser mantido por dois anos. O Estadual do Rio, por exemplo, não poderia mudar de fórmula e ocupa 19 datas atualmente. A ideia seria que Flamengo e Fluminense só participassem de 12 datas.

É a partir desse estudo que a CBF incluirá ou não a Primeira Liga no calendário. “Achamos que só de incluir vai valorizar”, concluiu Gilvan. Com sete datas, seriam quatro grupos de quatro, com cada um classificando dois para as quartas-de-final. Assim, seriam dois jogos na final.

A entrada de mais um time carioca para 2017, que foi discutida na Liga, deve ser adiada. Isso porque Botafogo e Vasco não mostraram interesse no momento.  O presidente vascaíno, Eurico Miranda, que estava na CBF, afirmou: “Não conheço a Primeira Liga.”

Gilvan, no entanto, disse ter conversado com Eurico e que ele entendeu a sua ideia para a liga, e pode rever sua posição no futuro.

“Ele acabou entendo. O que ele não queria é que o Vasco fosse desconsiderado. É uma questão de ranço com clube, com o rival local. O que o Eurico diz é que jogadores não devem atuar mais do que hoje”, completou Gilvan. Sem o Vasco e Botafogo, o Juventude deve completar a Primeira Liga. A CBF ainda não se posicionou sobre o assunto.


Disputa entre Globo e Esporte Interativo já aumenta em 70% valor do Carioca
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A disputa entre Esporte Interativo e Globo pelo Estadual do Rio vai quase dobrar o valor dos seus direitos de transmissão. O canal da Turner ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões pela competição, como revelado pela “Folha de S. Paulo”. Agora, a Globo terá de igualar essa proposta. O contrato atual é de R$ 60 milhões, isto é, o aumento seria em torno de 70%.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da Ferj e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. O blog não conseguiu confirmar se há cláusula contratual neste sentido, ou seja, um mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a Ferj atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

 


Sete fatos que explicam por que não há favorito no Brasileiro-2016
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É um clichê dizer que o Brasileiro é um campeonato imprevisível em que qualquer um pode conquista-lo. É uma meia verdade, mas é fato que a competição é bem mais equilibrada que as ligas europeias. E, na edição de 2016, acentuou-se ainda mais esse nivelamento neste início, deixando a sem favorito.

Como mostrado pelo blog do PVC, há 13 anos o campeonato não terminada a segunda rodada sem  nenhum time com seis pontos. Claro que esse é um quadro inicial e podem haver modificações durante o percurso: um elenco/time pode encaixar e se distanciar. Mas, no momento, isso não parece ser a maior probabilidade. E há alguns fatores que explicam por que não há um favorito no Brasileiro.

E por que o meia verdade escrito lá em cima? Embora não exista um favorito, dificilmente o título deixará de ficar nas mãos dos 11 maiores clubes do país, talvez o Botafogo possa ser excluído desse grupo. Desde 2003, nos pontos corridos, foi sempre um dos grandes que ganhou o Nacional.

Bem, então, vamos elencar algumas explicações para a falta de favorito do Brasileiro:

1. Desmonte de equipe por falta de recursos: Foi o que ocorreu com o Corinthians, campeão do ano passado. Isso obrigou o técnico Tite a remontar a equipe, o que está claro que demandará mais tempo do que esperavam os corintianos.

2. Troca de técnicos constantes já no início de temporada: Até agora, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Cruzeiro já trocaram de técnicos pelos maus resultados no início da temporada. É possível que ocorra também com o Flamengo. Isso significa que o estilo do novo treinador será imposto com o Brasileiro em curso, o dificulta saber até onde podem ir esses times.

3. Danos provocados pela seleção e pela janela de transferência: Campeão Paulista, o Santos foi destroçado pelas convocações da CBF e pode perder jogadores para o exterior. Outros clubes como o Corinthians e Atlético-MG também têm jogadores visados.

5. Foco na Libertadores: O São Paulo é um time que cresceu na temporada, embora esteja longe de ser regular para um campeonato de grande fôlego. Apesar da parada da Libertadores, está claro que sua prioridade é o torneio continental, o que afetará sua campanha.

6. Não há dinheiro de sobra: Houve clubes que investiram bem na temporada como Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG e Fluminense. Ainda assim, os seus gastos giram no máximo no patamar de R$ 30 milhões cada, muito inferiores aos estrangeiros e europeus. Dá para montar bons times se bem gasto, mas nunca para sobrar na temporada.

7. Calendário apertado: Como já mostrado pelo blog, os times jogam com intervalos mínimos, o que os impede desempenhos 100% em toda temporada. Isso é outro fator para nivelar o campeonato.


Bicampeão, Vasco de 2016 é mais forte do que no ano passado
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Assim como no ano passado, o Vasco foi campeão do Estadual do Rio ao bater o Botafogo na final, após deixar pelo caminho o mais rico Flamengo. De novo, a força defensiva é sua principal armar. Mas a equipe vascaína que triunfou neste ano é superior a de 2015.

Foi um time amadurecido pela briga contra o rebaixamento no ano passado que chegou no Carioca. Assim como Doriva, Jorginho achou na consistência defensiva sua forma de jogar. A diferença é que há mais segurança atrás, e algumas armas novas à frente.

Além da zaga formada por Luan e Rodrigo, uma estabilidade, o Vasco tem uma formação com duas linhas de quatro na marcação que é difícil de penetrar. Não é à toa que está invicto há 25 jogos.

Ofensivamente, houve ganho com Nenê, que deu qualidade às bolas paradas e alguma inteligência ao ataque. Não é nenhum primor: o Vasco certamente terá dificuldade quando tiver que atacar o rival e não puder apostar só em contra-ataques. Deve ser o suficiente para a Série B, mas não seria para brigar em cima na elite do Brasileiro.

Para o Estadual, foi mais do que suficiente. O Vasco sobrou diante do Flamengo na semifinal, com um time arrumado diante de um rival bagunçado.

Diante de um Botafogo também apostando no futebol coletivo, teve menos posse de bola, mas foi mais seguro. No primeiro jogo da final, dominado, aproveitou-se dos erros do rival, como a saída em falso de Jefferson e a expulsão de Sassá.

Na decisão, de novo, teve menos a bola nos pés, mas foi pouco ameaçado. Se tem domínio do jogo, o Botafogo não tem recursos para ameaçar de fato um rival bem armado defensivamente. Foram raras as chances de gol.

Foi preciso que Diego acertasse um cruzamento precioso para Leandrinho fazer o gol. Isso tirava o Vasco da zona de conforto, de se defender e contra-atacar. Mas essa formação vascaína é capaz de ser eficiente quando necessário: empatou com Rafael Vaz de cabeçada.

O título é uma forma de recuperação parcial para o rebaixamento de 2015. É preciso voltar para a Primeira Divisão no restante do ano para que o Vasco comece a se reencontrar com seu caminho. É bom que saiba que tem mais força do que em 2015, mas que não pode se iludir com o Estadual e terá de fazer ainda mais no restante do ano.

 


Fla exige pagamento sem Ferj, e Globo avança para renovar com Carioca
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Paralisadas durante o início do ano, as negociações para renovação do contrato de tv do Estadual do Rio de Janeiro de 2017 com a Globo avançaram no último mês, segundo dirigentes envolvidos. Mas elas devem ocorrer em um modelo diferente. Isso porque o Flamengo exige receber diretamente da emissora sem intermediação da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

O Estadual do Rio de 2016 está próximo da sua final sem que tenha havido uma renovação do contrato de tv por causa da disputa que tem Ferj de um lado, Flamengo e Fluminense do outro. Isso porque a dupla quis disputar a Primeira Liga, e a federação tentou impedir.

Como represália, a diretoria rubro-negra congelou as negociações para renovação do Carioca. Isso sufocava financeiramente a Ferj já que esta é a principal receita ligada do campeonato. A entidade ganhou R$ 5,4 milhões com televisão em 2016, e outros R$ 8,4 milhões com contrato de patrocínio/publicidade só possíveis pela exibição na televisão.

Recentemente, houve um apaziguamento da briga entre as partes para que sentassem com a Globo para discutir o contrato de 2017. Os quatro clubes e a Ferj já discutem valores e prazos. “Não posso falar pela confidencialidade. Mas está próximo de uma conclusão”, afirmou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Já a Ferj afirmou por nota: “Estamos bem encaminhados e realizando pequenos ajustes para sacramentar a renovação do contrato”.

No Flamengo, a informação é de que houve avanços, e que seria aceita a exigência do clube de que a Ferj não receba o dinheiro do clube. Sem isso, não aceitaria renovar e travaria o negócio. Anteriormente, o clube rubro-negro recebia diretamente. Na época de Patrícia Amorim, isso mudou e os recursos passaram a primeiro ir para Ferj que depois os repassava.

A diretoria rubro-negra não concorda com esse modelo porque entende que, desta forma, a federação pode fazer represálias como cortar cotas. Foi o que a Ferj fez quando o time decidiu disputar a Primeira Liga: baixou um regulamento de que atuar com reservas no Estaduais geraria bloqueio de cotas.

Apesar dos avanços, as condições para renovação do contrato do Carioca ainda não chegou no Conselho Diretor do Flamengo. E será necessário que o grupo aprove o novo acordo.

Há ainda uma discussão por cotas. Antes, Fla e Vasco ganhavam mais do que os outros. Agora, têm os mesmos valores de Fluminense e Botafogo, sendo a sobra destinada à premiação.

O contrato do Estadual representa grande vantagem dos times paulistas em relação aos cariocas no momento. Afinal, a Federação Paulista de Futebol fechou por mais de R$ 100 milhões por ano.


Governo perdoa R$ 579 milhões em dívidas de clubes grandes. Veja lista
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O governo federal perdoou pelo menos R$ 579 milhões em dívidas fiscais para os grandes clubes brasileiros no programa Profut. Esse valor foi obtido em levantamento do blog nos balanços de 14 dos maiores times nacionais. Mas o número é superior a isso já que algumas agremiações não declararam qual foi o desconto obtido ao aderir ao projeto.

Diante dos valores, a renúncia fiscal do governo federal será maior do que o estimado por especialistas. No blog, tributaristas calculavam um desconto total de R$ 800 milhões, e de cerca de R$ 300 milhões para os maiores clubes. Diziam que os débitos cairiam 20% e, em geral, os percentuais foram maiores.

(Crédito: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

(Crédito: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Apesar do perdão de multas e encargos, os débitos fiscais das agremiações caíram bem menos do que o valor do perdão. As dívidas desses 14 times somam R$ 2,109 bilhões, cerca de R$ 50 milhões a menos do que no ano passado. Isso se deve aos juros aplicados aos débitos, mas há indicativo de que vários times deixaram de pagar impostos já à espera do Profut.

Foram analisados os balanços de Botafogo, Vasco, Flamengo, Fluminense, São Paulo, Santos, Palmeiras, Corinthians, Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Coritiba e Bahia – o único que não aderiu ao programa foi o time alviverde paulista. Outros times do mesmo tamanho não foram incluídos porque têm dívidas fiscais menores, ou não entraram no Profut.

Pelas condições do programa, houve redução de 70% das multas, 40% dos juros e 100% dos encargos legais. Mais do que isso, as parcelas a serem pagas pelos clubes caíram consideravelmente. Nenhum dos times terá de bancar sequer R$ 1 milhão por mês, apesar das altas dívidas. Em troca, terão de seguir normas de austeridade que, até agora, poucos cumprem.

(Crédito: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

(Crédito: Paulo Fernandes/Vasco.com.br)

O maior desconto foi dado para o Botafogo em um total de R$ 146 milhões. Foi seguido pelo Vasco com R$ 113,5 milhões, e pelo Flamengo com R$ 91 milhões. Todos esses valores proporcionaram superávits aos clubes. O Atlético-MG teve um  perdão de R$ 26 milhões, mas já tinha obtido um desconto anterior de R$ 76 milhões em outro programa. São desses quatro as maiores dívidas fiscais.

Outras agremiações tiveram aumentos de débitos com o governo apesar da adesão ao Profut. Foi o caso do Corinthians cuja dívida saltou para R$ 182 milhões, um crescimento de quase R$ 39 milhões. O clube não informou o desconto obtido junto ao governo.

E dois times que costumavam pagar seus impostos também tiveram saltos no valor devido. O São Paulo, cuja diretoria admitiu ter deixado de pagar tributos em 2015, teve aumento para R$ 82,4 milhões, R$ 21 milhões a mais do que em 2014. O mesmo ocorreu com o Cruzeiro cujo rombo fiscal chegou a R$ 166,5 milhões, R$ 40 milhões a mais do que no ano anterior. Nenhum deles declarou qual o perdão obtido do governo.

(Crédito: Danilo Verpa/Folhapress)

(Crédito: Danilo Verpa/Folhapress)

A partir de agora, se algum clube deixar de pagar impostos ou a parcela do Profut, está sujeito a ser excluído do programa e a punições da CBF quando o licenciamento para times entrar em vigor. Poderia até ser rebaixado ou impedido de jogar o campeonato. Isso, claro, se a confederação levar a sério mesmo a norma que está em estudo na entidade.

Veja a lista dos descontos e a dívida tributária (não é o débito total):

Botafogo – R$ 146 milhões – desconto / R$ 266 milhões – dívida fiscal

Vasco – R$ 113,5 milhões – desconto /  R$ 191 milhões – dívida fiscal

Flamengo – R$ 91 milhões – desconto / R$ 265 milhões – dívida fiscal

Fluminense – R$ 59 milhões – desconto/ R$ 163  milhões – dívida fiscal

Internacional – R$ 47 milhões – desconto / R$ 85 milhões – dívida fiscal

Grêmio – R$ 40,5 milhões – desconto / R$ 82 milhões – dívida fiscal

(Crédito: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

(Crédito: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Bahia – R$ 34 milhões – desconto / R$ 87 milhões – dívida fiscal

Atlético-MG * – R$ 27 milhões – desconto / R$ 258 milhões – dívida fiscal

Coritiba – R$ 21 milhões – desconto / R$ 88 milhões – dívida fiscal

Corinthians – Não informou desconto / R$ 182 milhões – dívida fiscal

Cruzeiro – Não informou desconto / R$ 166 milhões – dívida fiscal

Santos – Não informou desconto / R$ 128 milhões – dívida fiscal

São Paulo – Não informou desconto / R$ 82 milhões – dívida fiscal

Palmeiras – Não aderiu ao Profut / R$ 68 milhões – dívida fiscal

* O Atlético-MG tinha obtido um desconto anterior de R$ 78 milhões por adesão a programa fiscal anterior.