Blog do Rodrigo Mattos

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Líderes, Flu e Grêmio têm chances de disputar o título Brasileiro?
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Duas vitórias de Fluminense e Grêmio nas duas primeiras rodadas colocam ambos no topo no Brasileiro. Não eram considerados favoritos antes do Nacional, nem zebras. Estavam ali em um grupo de times que exibiram bom futebol em 2017 e que têm chances de brigar em cima, mas não têm elencos encorpados que os eleve ao primeiro andar.

Não é de se desprezar a arrancada dos dois tricolores. O Fluminense bateu dois adversários fortes, Santos e Atlético-MG, sendo o segundo fora de casa no Independência. E o Grêmio dominou o Botafogo e se mostrou superior ao Atlético-PR, ambos na Libertadores e classificados à próxima fase.

Ofuscaram os favoritos Galo, Flamengo e Palmeiras neste início. E por que favoritos? Porque esses três clubes contam com elencos mais cheios, embora cheios de imperfeições como é regra no futebol. E também alguns jogadores decisivos como Fred, Robinho, Diego, Guerrero, Borja, Dudu.

Grêmio e Fluminense têm times que são capazes de enfrentar qualquer um desses três. O problema é quando há a contusão, o cartão, a má fase. Falta ali a reposição como se demonstra pela falta de Scarpa nas finais do Estadual do Rio. Se perder seus dois ponteiros, Richarlison e Wellington Silva, o time carioca terá problemas.

O futuro dos dois tricolores no Brasileiro, portanto, terá muito a ver com contar com seus principais jogadores inteiros. A janela de transferência é uma ameaça visto que o Fluminense tem necessidade de cobrir buracos financeiros, e lhe sobram jogadores jovens para despertar interesse. No Grêmio, a permanência de Luan ou não tem potencial para determinar a temporada.

Independentemente do futuro, não se pode negar os méritos dos técnicos Abel Braga e Renato Gaúcho nas armações de seus times. Não foram só essas duas rodadas: eles mostraram em três meses e meio de temporada que seus times podem atingir bom nível de bola.

O Grêmio se complicou no Estadual, mas exibiu momentos de um futebol instigante em certos jogos da Libertadores. Foi assim no primeiro tempo contra o Iquique, como diante do Botafogo no Brasileiro. As triangulações rápidas com Luan como centroavante que recua para abrir espaços desconcertam os rivais.

E Abel achou sua solução na velocidade de seus ponteiros alimentados por um estilo de jogo vertical, de poucos passes até chegar no gol rival. Não se espere do Fluminense cadência. Seja na bola longa do goleiro ou na troca de passes rápida em contra-taque, o objetivo é pegar o rival desarmado rápido. Resta saber como lidará com sistemas que bloqueiem sua força como os do Flamengo nas finais do Estaduais.

Enfim, não faltam armas aos dois times. A questão é se serão armas suficientes para enfrentar um Brasileiro extenuante, ainda mais com atenções dividas com outras competições.

 


Brasileiro é a única liga de elite do futebol sem patrocinador principal
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O Brasileiro tornou-se a única liga de elite no futebol mundial sem um patrocinador principal. Isso ocorreu após a CBF e a Chevrolet não assinarem a renovação do contrato de naming rights do Brasileiro para 2017, como revelou o blog do Ohata. A explicação é o modelo de gestão da competição diferente do restante do mundo.

A confederação é responsável pela promoção e contratos de marketing da competição como o de naming rights. Enquanto isso, a Globo, detentora dos direitos de TV, vende placas de publicidade em volta do campo, após comprar esses direitos dos clubes. Neste edição de 2017, a comercialização está capenga como revelam os nomes de produtos da emissora nas placas, o que ocorre quando não vendem. A partir de 2019, serão os clubes os responsáveis por essa venda após acordo com a emissora.

Em comparação, o blog pesquisou e constatou que Premier League (Inglaterra), Bundesliga (Alemanha), La Liga (Espanha), Série A (Itália), Ligue 1 (França), Primeira Liga (Portugal) e MLS (EUA) contam com patrocinadoras principais. Ou são empresas que dão nome à competição – como Barclays e Tim – ou parceiros principais como a Hermes, na Alemanha.

Há ainda patrocinadores secundários: são 15 na Espanha, e 20 nos EUA. Competições continentais como Liga dos Campeões e Libertadores também têm patrocinadores, seja no nome ou em modelo similar.

A CBF não tem sequer um site especial para promover o Brasileiro. O que aparece na página da tabela do Nacional são os patrocinadores da própria confederação, como era o caso da Chevrolet. Em seu balanço, a entidade informou que 96% de seus patrocínios em 2016 é da seleção. Ou seja, foi arrecadado R$ 16 milhões de sobra com o restante que inclui o campeonato.

Outro empecilho para o naming rights do Brasileiro é que, ao contrário de todas as outras ligas, a Globo não fala o nome da competição. É política da empresa não mencionar nenhuma empresa que não seja sua anunciante, ou com quem tenha acordo comercial. Isso afeta bastante o valor desses direitos. Em outros lugares, o contrato de direitos de televisão envolve falar o nome dos campeonatos.

“Sim, afeta (não falar o nome da empresa), mas não é só esse o ponto. É mais amplo: tem toda uma ativação do patrocínio que tem que ser feita pelo organizador do campeonato”, contou o consultor Pedro Daniel, da consultoria BDO. “Na Premier League, já estão mais avançados e devem até abrir mão do naming rights para dar força à marca da liga.”

Antes da Chevrolet, a Petrobras já tinha dado o nome ao Brasileiro. Mas a empresa estatal, cujos ex-executivos se envolveram em um escândalo de corrupção, decidiu se desvincular de negócios com a CBF justamente por conta das acusações enfrentadas pelos dirigentes da entidade. Lembre-se que os diretores investigados da Petrobras estão fora, e o suspeito Marco Polo Del Nero continua na confederação.

A importância do aumento de patrocínios é que, no final das contas, esse dinheiro poderia ser revertido para os clubes participantes do campeonato. Em outros países, há uma liga para organizar e comercializar as competições, enquanto o Brasileiro depende da iniciativa da CBF (naming rights) e da Globo (placas). Procurada, a CBF informou que não responderia questões sobre o tema, limitando-se a nota que comunicou o fim do contrato com a Chevrolet.

 


Protesto de jogadores no Brasileiro tem disputa com clubes
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O protesto de jogadores no final de semana no Brasileiro tem uma disputa com os clubes de futebol. O projeto de alterar a Lei Pelé aumenta a força dos times na relação com os atletas, dando a eles prerrogativa de encostá-los de férias e reduzir o pagamento por dispensa. Por isso, o sindicato de jogadores deve intensificar manifestações para evitar uma mudança na legislação.

O texto do projeto já está pronto em redação do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) e agora vai a votação na Comissão de Esporte da Câmara dos Deputados. A tese de Marinho é de que a profissão de jogador tem detalhes específicos, e portanto necessita de uma adaptação em relação à legislação trabalhista padrão. Ressalte-se que a proposta não tem relação com a reforma trabalhista em discussão no Congresso.

Diante disso, o presidente da Fenapaf, Felipe Leite, mobilizou o grupo de capitães que reúne os representantes de cada time nos Brasileiros das Séries A e B. Por “WhatsApp”, eles combinaram o protesto com faixas de luto, que envolveu inclusive uma em cor azul no caso do Palmeiras para evitar o preto do rival Corinthians.

Um dos principais questionamentos é em relação à mudança nas regras para multa rescisória de contratos. Atualmente, um clube tem que pagar 100% do contrato restante em caso de dispensa do atleta. Com a nova lei, isso cai para 50% em caso de salários até R$ 1 mil, e chega a 10% no caso de salários acima de R$ 30 mil. O clube poderá continuar a ter multa de 2 mil vezes seu salário, e ilimitada para o exterior.

“Não abrimos mão disso. Clubes já podem impor multa de 2 mil vezes o salário e agora ainda poderão pagar menos para romper o contrato. É um dos grandes motivos para o protesto”, contou o dirigente da Fenapaf Felipe Leite.

Outra questão levantada é relacionada às férias e horas semanais de folga. O texto de Marinho fala em dividir as horas de descanso em dois períodos de 12 horas, e separar as férias, permitindo períodos de dez dias e depois 20 dias.

“O clube poderá botar o jogador para tirar férias quando quiser afasta-lo do grupo, como faz com treino em separado”, criticou Felipe Leite. “Não querem dar nem as 24 horas de descanso aos atletas.”

Em sua justificativa, Marinho disse que há condições especiais no futebol: “Assim, a prática do futebol possui algumas particularidades que dificultam, e às vezes até mesmo impedem, o emprego da CLT. Por isso, estamos propondo alguns ajustes para viabilizar a aplicação da legislação trabalhista, tais como, ampliação do prazo de concentração sem pagamentos de adicionais; parcelamento do repouso semanal remunerado em dois períodos de doze horas ou a conversão de um terço das férias em pecúnia.”

O deputado federal reconheceu que 98% dos jogadores têm salários abaixo dos R$ 40 mil, sendo 80% deles com vencimentos mínimos. Por isso, o parlamentar defende a aplicação de determinadas medidas como redução do FGTS e INSS para os jogadores que ganhem acima desse patamar.

Certo é que a disputa no Congresso deve ter impacto no campo. Entre os deputados na comissão de esporte, estão Andres Sanchez (PT-SP), ex-presidente do Corinthians, Roberto Goes (PDT-AP), presidente da Federação do Amapá do Futebol, e Evandro Roman e Delei (PTB-RJ), ex-árbitro e ex-jogador, respectivamente. Caso o processo continue a avançar na Câmara, a escalada dos protestos deve aumentar.


Com goleadas, Brasileiro tem melhor média de gols na abertura em dez anos
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As três goleadas no domingo levaram o Brasileiro a ter a melhor média de gols na rodada de abertura em dez anos na competição. Mesmo faltando uma partida – Coritiba e Atlético-GO -, as nove partidas foram suficientes para igualar os 28 gols de 2015, que detinha o maior número de tentos em uma década. Nesta segunda-feira, esse total pode ser superado ou ficará igual.

A última vez em que a abertura do Nacional teve uma média de gols maior foi em 2007 quando foram marcados 39 gols em dez jogos, média de 3,9 por jogo. Até domingo, a estreia do campeonato tinha média de 3,1 gols. Em caso de partida sem gols nesta segunda-feira, a média será igual a de 2015.

Comparado com 2016, dobrou o total de tentos na rodada, já que naquele campeonato foi a pior estreia do Brasileiro nesses últimos dez anos, com 1,4 gol por jogo.

Para chegar a esse número positivo em 2017, foram determinantes as goleadas de Bahia, Palmeiras e Ponte Preta. No total, nesses jogos, foram 16 gols, mais da metade dos marcados na rodada. Todos os resultados foram em favor dos times mandantes.

Não houve nenhuma vitória de equipe visitante nesta abertura do Brasileiro. Três deles, Atlético-MG, Chapecoense e Vitória, conseguiram empatar, mas todos os outros seis perderam.

Se a média de gols foi positiva, os erros de arbitragem voltaram a ocorrer já na rodada inicial. O Grêmio marcou um gol em que Luan desviou a bola com a mão contra o Botafogo, o que foi ignorado pelo árbitro Bráulio da Silva Machado. No jogo entre Avaí e Vitória, o juiz Felipe da Silva não marcou pênalti quando Júnior Dutra, do time catarinente, sofreu uma tesoura dentro da área.

Esses foram os erros claros. Houve ainda dois pênaltis discutíveis marcados para Palmeiras e Fluminense em cima de Dudu (o 1o) e Henrique Dourado. A arbitragem de vídeo poderia ajudar em todos esses lances, mas a CBF resiste a agilizar sua implantação por enquanto.

PS Lamenta-se que o gremista Luan não tenha admitido que o segundo gol gremista foi resultado de um toque tão em sua mão. Omitir-se neste caso é se aproveitar do erro alheio em proveito próprio, como deixar de devolver um troco errado no táxi.

 


CBF e Globo discutem mudar a cara do Brasileiro na televisão
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A CBF e a Globo discutem a criação de um padrão único nas transmissões televisivas do Campeonato Brasileiro, repetindo o modelo bem-sucedido da Premier League, Liga dos Campeões e Copa do Mundo. Isso se daria por meio de uma fonte só de imagens com gráficos padrão para cada competição. Assim, o Nacional teria uma cara na televisão.

O diretor de competições da CBF, Manoel Flores, revelou a ideia de criar um feed único para o Brasileiro durante palestra em seminário da entidade nesta semana. A Globo, que vê com simpatia o projeto, confirmou que essa ideia está em debate e provavelmente será implementada no futuro, sem data ainda.

No momento, a confederação e a Globo já chegaram a um consenso sobre padronizar as imagens da Copa do Brasil e da Série B do Brasileiro. Isso porque houve renovações dos dois contratos recentemente e o tema entrou em pauta. Daí, surgiu a conversa sobre a Série A

O modelo discutido não é igual ao da Copa do Mundo. Na competição da Fifa, a HBS faz todas as filmagens e já coloca gráficos, placar, escalação e logos nas imagens. Depois, manda para as emissoras detentoras de direitos. No caso do Brasil, a Globo continuaria a ser responsável pelas filmagens, por meio de suas produtoras, já que tem esse direito por contratos assinados.

A questão é o tratamento das imagens recebidas. A ideia é criar padrões pelos quais o telespectador imediatamente reconheça que aquele é um jogo do Brasileiro. Por exemplo, o logo da competição entra logo de cara na transmissão. Isso é importante para fixar a marca do campeonato.

Para aplicar a ideia, há duas discussões: custos de produção e propriedade intelectual. As criações de logos e grafismos exclusivos para cada competições envolvem dinheiro e por isso é preciso definir quem pagará. E marcas implicam em pagamentos por direitos de uso, e saber quem será o seu dono.


Atrasada, CBF trabalha por mais público no Brasileiro, mas investe pouco
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Ao organizar um seminário para evolução do futebol do país, a CBF trouxe conhecimento para o país e expôs o atraso do país em relação aos europeus na organização do Brasileiro, seja da confederação seja dos clubes. Há um projeto em curso para melhoria do campeonato, mas este conta com investimento baixo para o tamanho da competição. A confederação, no entanto, espera uma retomada do crescimento do público do Nacional em 2017 – houve queda em 2016.

Durante os seminários, os diretores da UEFA Catalina Navarro e do Middlesbrough, Mark Ellis, expuseram como se deu a organização do futebol europeu nos últimos 25 anos. Estádios mais modernos e com serviços ao espectador, operações de jogo planejadas com metodologia e antecedência e erradicação da violência foram medidas adotadas na Liga dos Campeões e Premier League.

Além do sucesso comercial, as duas competições atingiram médias de público acima de 40 mil. O Brasileiro da Série A ficou em torno de 15 mil em 2016. Levantamento da UEFA aponta a liga brasileira como o 36o campeonato em média de público entre todos os esportivos o mundo, atrás de toda elite europeia e até da Segunda Divisão na Inglaterra.

Diretor de competições da CBF, Manoel Flores reconhece o atraso na organização, mas pede tempo para avançar.  “Eles (europeus) começaram em 1992. Começamos em 2014. Temos pressa e vamos chegar lá”. Ele conta com seu projeto de criar procedimentos padrões no Brasileiro, dentro e fora de campo.

Mas, em 2016, a CBF registrou um investimento de R$ 3,8 milhões no Brasileiro da Série A, um campeonato que gera mais de R$ 1 bilhão em receita de televisão. “Indiretamente é muito mais (o investimento). Temos a operação completa da Série A. Não é complexa como a deles”, defendeu-se Flores.

Ele afirmou que, se for questão de investimento a CBF, põe dinheiro. Mas até agora a entidade resiste a implantação do árbitro de vídeo por causa dos custos envolvidos. A UEFA tem equipes permanentes em estádios de clubes para planejar os dias de jogos, a da CBF é reduzida e hoje só trata de questões do campo.

Em seu projeto, a CBF prioriza primeiro a melhoria do campo de jogo. Primeiro, tirou pessoas do campo para limpa-los e criou um visual do Brasileiro. Agora, trabalha na qualidade do gramado.  “Eles (europeus) estão em um nível muito avançado. Estamos focados no campo de jogo que é gramado perfeito. Como chega? No máximo até o ano que vem. A gente vai ser muito mais incisivo no ano que vem”, contou Flores.

A parte de estrutura -estádios, finanças e parte esportiva do clube – será analisada pelo sistema de licenciamento da CBF. Sua base já foi divulgada, mas ainda faltam regras específicas para cada item. “Critérios de infraestrutra vão ser detalhados. A princípio, vai valer para 2018.” Teoricamente, poderia rebaixar times, mas dependerá do rigor da CBF.

Essas medidas devem impactar na média de público do Brasileiro aos poucos, segundo Flores. De acordo com ele, a média vem crescendo ano a ano. Na verdade, ela caiu em 2016 com a ausência do Maracanã e ficou em torno de 15 mil contra 17 mil de 2015. De fato, os clubes do Rio não puderam usar seu principal estádio.

“De 2010 a 2015, não falo do ano passado por que não teve Maracanã, de 2010 a 2015 o gráfico é crescente. Estava em 10, 11 mil e saltou para 17 mil. Era uma consequência do trabalho sendo feito pelos clubes também de tratar bem”, analisou Flores.

Seu recorte a partir de 2010 ignora que, em 2009, o Brasileiro teve média acima de 17 mil e melhor do que a de 2015. Isso deve-se também ao título do Flamengo.

“Vamos ver como se porta esse ano (o público). Pela pesquisa que fizemos, a questão de segurança sim, o nível de serviço, a atratividade do jogo. A CBF está fazendo isso. E está fazendo o que pode ser feito. Demora um tempo mais largo. Tudo isso é identificado. A média de público é a medida correta do sucesso”, contou. E exaltou os horários diferentes de jogos que, de fato, tiveram boa aceitação do público principalmente o de 11 horas da manhã de domingo.

O diretor da CBF diz ter pressa para evolução do Brasileiro, e promete que não vai se esperar 25 anos como ocorreu na Liga dos Campeões para chegar ao nível de excelência. Resta saber quanto a confederação está disposta a usar de seus cofres visto que investe menos de 1% de sua renda total no Nacional, e não resiste em liberar para que os clubes se organizem em liga. Há de se fazer uma ressalva de que esse investimento também tem que vir dos clubes que podem melhorar serviços ao público, times e segurança.


Grupo de clubes quer liberar jogos fora do Estado no Brasileiro
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Um movimento de alguns clubes tenta derrubar o veto a jogos fora do Estado (cujo objetivo é coibir vendas de mando) e em grama sintética no Brasileiro. A CBF já tem ciência dessa reivindicação de alguns, mas diz que não é nada oficial. Dependeria de os próprios times mudarem sua votação anterior. A informação foi publicada primeiro pelo Globo.com, e confirmada pelo blog.

No Conselho Técnico da CBF, clubes da Série A do Brasileiro votaram pela proibição de que times jogassem fora do Estado para coibir vendas de mandos. Ainda proibiram o gramado sintético para 2018 porque traria prejuízos técnicos.

Os maiores prejudicados foram o Flamengo, no primeiro caso, e o Atlético-PR, no segundo caso. Agora um grupo de clubes que inclui tenta derrubar essas proibições, mas para isso tentam convencer os outros a voltar atrás da medida. No caso dos jogos fora do Estado, ficariam proibidas só situações que configurassem venda de mando.

“Temos ciência de um movimento de alguns clubes neste sentido. Nada ainda aprofundado ou oficial. Caso avance esse movimento, o jurídico poderá nos orientar o que precisa ser feito. Mas reitero que não há nada oficial”, afirmou o diretor de competições da CBF, Manoel Flores.

Na prática, primeiro, a maioria dos clubes precisará concordar em mudar a decisão inicial. Segundo, a CBF terá de analisar se é juridicamente viável uma modificação no regulamento.


Como o Atlético-PR se tornou o maior obstáculo nos planos da Globo
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Após fechar contratos com mais de vinte clubes para o Brasileiro-2019, a Globo tem como desafio acertar acordos de TV Aberta e de pay-per-view com os times que estão com o Esporte Interativo. E, nesta negociação, o Atlético-PR tornou-se o maior obstáculo para a emissora, pois articulou para que os times atuem em grupo e tem questionado o sistema de pay-per-view. Se o grupo não assinar o ppv, pode tornar o pacote pouco atrativo para a Globo e seus assinantes.

No ano passado, a emissora global acertou contrato com mais de vinte clubes para a TV fechada do Brasileiro da Série A, além da TV aberta e ppv. Já  o Esporte Interativo assinou com outras 15 agremiações só para o canal a cabo – eles poderiam negociar as outras plataformas com a Globo.

Na TV aberta, Atlético-PR, Coritiba, Santos, Bahia e provavelmente o Palmeiras (o alviverde ainda não confirmou), que formam o novo grupo, devem ter uma negociação mais fácil, já que as cotas são divididas com critérios iguais para todos. A questão é o ppv, onde há discordância forte.

A Globo determinou que a divisão é pelo número de assinantes que declaram torcer para cada clube em um critério de pesquisa. Mas garantiu um mínimo para o Flamengo de 18,5% do total a ser distribuído, e cota similar para o Corinthians, mesmo que eles não atinjam esse percentual (há outra versão de que a garantia é em número absoluto de dinheiro correspondente a esse percentual, mas é fato que ela existe). Os dirigentes do Atlético-PR fizeram a conta e viram que o clube carioca ganharia R$ 6,4 milhões, contra R$ 300 mil do Furacão por jogo, e consideram a vantagem exagerada.

A posição radical dos paranaenses é de que, com esse modelo, não assina até porque sua perda financeira não será grande e pode criar um canal de streaming. O Atlético-PR entende que a Globo tem que usar o percentual que ela tem direito para melhorar a oferta para os clubes do Esporte Interativo. Isso porque a emissora fica com 62% do total arrecadado com o ppv, e os clubes ficam com 38%. Os times têm um mínimo garantido que será de R$ 700 milhões em 2019, ano do início do novo contrato.

A Globo argumenta que já mudou a distribuição das outras cotas para tornar tudo mais igual. E que o critério do ppv tem que ser mantido porque é justo por ser medido de acordo com a participação de cada torcida. Além disso, alega que não dá para ter um salto radical do modelo antigo para o modelo inglês que é com critério igual para todos. Além disso, por lá não há ppv.

Outro argumento do Atlético-PR é de que o custo da Globo para operar o ppv é bem baixo, isto é, não se justifica ela ficar com pouco menos de dois terços da renda do ppv, o que chegará a R$ 1,1 bilhão só com o canal pago. A emissora, em contrapartida, alega que a despesa operacional é alta, sim, com pagamento a operadoras, em material jornalístico para o canal e na produção das transmissões.

O grupo de clubes tem a intenção de contratar uma empresa ou um executivo somente para discutir os contratos com a Globo. A emissora estava um pouco confusa porque esses times, inicialmente, estavam conversando em separado e juntos ao mesmo tempo. E, por exemplo, clubes como o Bahia teriam bem maior perda financeira sem o ppv já que tem maior participação de torcedores. Agora, o clubes unificaram o grupo e devem falar em uma voz.

Já é a segunda vez que o Atlético-PR adota posição forte e atrapalha os planos da Globo. A emissora ofereceu uma cota de R$ 1 milhão para o clube e para o Coritiba pelo Estadual, o que foi recusado. Deste episódio resultou na tramissão online do clássico que gerou uma adiamento de jogo e uma grande discussão sobre o assunto. Apesar das divergências, as duas partes continuam conversando para tentar chegar um acordo.


Regulamento do Nacional ratifica até nove brasileiros na Libertadores
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O regulamento do Brasileiro da Série A oficializa a possibilidade de haver até nove times brasileiros na Libertadores. Isso estava previsto na mudança de regras da competição em outubro que inchou o formato com equipes nacionais. Com isso, a Primeira Divisão pode classificar até 15 equipes a campeonatos sul-americanos.

A Conmebol decidiu em outubro por mudar a Libertadores e determinou duas vagas a mais para o Brasil. O Nacional estava no meio e por isso foram criadas regras de emergência para a classificação para a Libertadores de 2017.

Então, a Conmebol já decidiu que o campeão da Sul-Americana já não teria descontada uma das vagas do seu país. Esse desconto não ocorreu, portanto, no último campeonato quando a Chapecoense foi campeã. Assim, o país teve oito participantes na edição de 2017.

Divulgadas nesta segunda-feira, as regras do campeonato nacional confirmam essa prática para 2018. Com isso, na verdade, o Brasileiro ganhou duas vagas e meia. Explica-se: o regulamento previa até 2015 que a vaga de campeão da Sul-Americana fosse descontada, excluindo-se o quarto do Nacional.

Assim, são sete vagas fixas para o país, sendo o 1o a sexto do Brasileiro, mais o campeão da Copa do Brasil. Além disso, podem-se se somar mais dois times com títulos da Sul-Americana e da Libertadores. O regulamento fala então em Brasil 1 a Brasil 9 caso o país ganhe ambas as competições. E seriam sete times já garantidos na fase de grupos, e dois na fase preliminar.

O Brasileiro ainda prevê seis vagas para a Sul-Americana. Agora, não existe mais contradição com a Copa do Brasil, pois as competições não são disputadas simultaneamente. Desta forma, poderão ser até 15 times do Nacional classificados para competições continentais. Só ficariam de fora os quatro rebaixados e o 16o colocado.

Fora isso, o regulamento do Brasil previu as modificações aprovadas no Conselho Técnico, isto é, proibição de um time jogar fora de seu Estado, veto à grama sintética a partir de 2018 e capacidade mínima de 12 mil pessoas para estádios, em vez de 15 mil.

 


Clubes da Turner e Globo terão regras diferentes para usar jogo na internet
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A partir de 2019, os clubes que assinaram com o Esporte Interativo terão direito ao replay de seus jogos no Brasileiro para uso na internet e outras plataformas. Já aqueles que fecharam com a Globo cederam seus direitos online, e terão de negociar parcerias para utilizar o conteúdo.

A discussão ocorre porque a mídia online se mostra como próxima fronteira para exploração de receitas pelos times. Atlético-PR e Coritiba obtiveram audiência de 3,2 milhões no primeiro clássico transmitido exclusivamente na internet, e mostram o potencial das plataformas digitais.

Os dois times parananeses, o Santos, Bahia e Palmeiras são alguns dos 15 clubes que assinaram com o Esporte Interativo para o Brasileiro de 2019 a 2024 na TV Fechada. Pelo contrato, a Turner cederá imagens dos seus jogos para esses times com delay após a exibição ao vivo.

Isso significa que terão os direitos sobre o jogo depois de um tempo de seu encerramento. Poderão exibir o replay na íntegra em seus canais, ou até revender para outras televisões de fora e do Brasil para obter receita. Canais privados de clubes poderão ter esses jogos disponíveis para sócios-torcedores assistirem quando quiserem. Isso vale a partir do Brasileiro de 2019 para os jogos entre os times da Turner.

No caso da Globo, o blog apurou que foram mantidos os termos dos contratos anteriores, isto é, os clubes cedem os direitos de internet que são exclusivamente da emissora. Isso porque, na visão da Globo, os direitos de internet afetariam os de televisão, seja em pay-per-view ou em TV Aberta.

Mas a emissora carioca acena com parcerias com os clubes para potencializar os ganhos com esse material. A visão da Globo é de que os clubes poderiam ter plataformas para exibição de material, inclusive replays, e entrevistas pré e pós-jogos. Mas, para isso, teria de haver um acordo comercial para ganho dos dois lados, isto é, se buscar novos negócios em parceria.

No exterior, boa parte dos clubes já têm os direitos sobre seus jogos com delay depois da exibição ao vivo. É comum redes de televisão brasileira, por exemplo, comprarem dos próprios times os direitos para retransmissão. É uma nova receita. Além disso, fortalece o próprio canal da equipe, dando valor ao sócio-torcedor ou assinante da tv da equipe.