Blog do Rodrigo Mattos

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Libertadores ignora critério da Champions e prejudica brasileiros em cotas
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Ao mudar a Libertadores para aumentar seu valor de mercado, a Conmebol ignorou esse mesmo mercado na hora de distribuir cotas da competição. Não houve alteração na divisão igualitária e por classificação em política oposta a da Liga dos Campeões que valoriza os países que geram mais dinheiro. Os maiores prejudicados foram os clubes brasileiros, maiores fonte de receita da competição. A fase de grupos da nova Libertadores começa nesta terça-feira.

A Conmebol vende os direitos de marketing e televisão da Libertadores em um pacote único, o que deve mudar para edição de 2019. Só que a rede de televisão que compra, no caso a Fox, tem como principal objetivo obter receitas no Brasil e na Argentina.

O potencial econômico brasileiro é muito maior do que o do país vizinho tanto que a confederação sul-americana inflou para oito times nacionais nesta edição. Ao mesmo tempo, manteve a cota fixa na fase de grupos: US$ 1,8 milhão para cada time, e prêmios crescentes por cada fase que as equipes avançam. Um time campeão pode chegar a US$ 8 milhões independentemente de qual seu país de origem.

Na Liga dos Campeões, as cotas são divididas em 60% por valores fixos e premiações por desempenho, e outros 40% por mercado. Ou seja, os clubes do países que geram os maiores contratos de tv locais ficam com mais dinheiro. Para dividir esse montante de mercado entre os times de cada nação é usado um critério esportivo: metade por desempenho no campeonato nacional e metade dentro da própria Liga dos Campeões. No total, 507 milhões de euros serão divididos dessa forma na atual temporada.

Na última edição encerrada da liga, 2015/2016, o Manchester City foi o clube que mais arrecadou 83,9 milhões de euros, acima do campeão Real Madrid que ficou com 80,1 milhões de euros. Isso porque o mercado espanhol gera receita menor do que o inglês. Na Libertadores, de nada vale gerar mais dinheiro para a competição.

“Não tem nenhum mercado como o brasileiro (na América do Sul). A Libertadores se apropria, mas não traz nada para esse mercado”, analisou o coordenador de curso de gestão da FGV/Fifa, Pedro Trengrouse. “A solução para Conmebol aumentar suas receitas seria expandir a competição para o mercado americano e canadense.”

O consultor em marketing esportivo, Amir Somoggi, vai além e estima que metade do mercado da Libertadores é originário do Brasil. E dá um exemplo de que um jogo do Atlético-MG atinge uma cidade grande como Belo Horizonte, enquanto do outro lado muitas vezes estão times de locais com pouco potencial econômico.

“O critério da UEFA é de mercado, pelo marketing pool. A Itália, por exemplo, não tem muita renda de jogo, mas gera bastante de televisão”, contou. “Desde que fundou a nova Liga dos Campeões, a UEFA considerou a meritocracia.”

Ele atribuiu à falta de poder político dos clubes brasileiros o fato de a Conmebol não fazer o mesmo na América do Sul. “No caso do Brasil, a diretoria não fala o mesmo idioma, a sede fica em um país de língua espanhola. A Conmebol dá mais atenção aos países de língua espanhola.” Lembre-se ainda que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não pode ir a reuniões da Conmebol com medo de ser preso pelo “caso Fifa”.

Em resumo, na hora de arrecadar, a confederação sul-americana olha para o Brasil, mas, na hora de distribuir o dinheiro, pensa nos países vizinhos.


Chape tenta resolver entraves para multiplicar venda de camisas e sócios
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A Chapecoense ainda se estrutura para poder atender à demanda por seus produtos após a tragédia com a queda do avião do clube. Isso porque há entraves de tecnologia para adesão de mais sócios-torcedores e falta de camisas para compra nos mercados. Um novo site em março deve ajudar a resolver o problema do acesso a produtos da Chapecoense.

Para se ter ideia, o time catarinense vendeu 22 mil camisas em janeiro de 2017, um crescimento de 550% em relação ao padrão anterior que era 4 mil. Mas a camisa oficial da Chape se tornou uma raridade em certas lojas.

“Lamentavelmente, sentimos isso também. Inclusive dentro do clube sentimos essa dificuldade. Mais uns três meses vamos resolver. Fechamos um acordo com a Netshoes, que irá fornecer todos os produtos licenciados para Chapecó, e também irá nos posicionando de possibilidade de novas coisas para vender o Brasil”, contou o presidente da Chapecoense, Plínio David de Nês Filho.

Ele explicou que a Umbro, produtora oficial das camisas da Chape, teve dificuldade para atender a demanda, mas está tentando resolver a questão. Uma das explicações é que faltou tecido verde para fazer uniformes, o que levou a empresa a ter de importar da China. O site da Netshoes será lançado em março para venda de produtos do time catarinense.

Em relação aos sócios, o site do clube teve um limite para novas adesões por conta de questões de tecnologia. O presidente da Chape conta que, no momento, são 40 mil sócios, sendo 28 mil contribuintes de fora do Estado, a grande maioria tendo se associado após a queda do avião em solidariedade.

“A Chapecoense tem um número aproximadamente de 40 mil torcedores. Desses, 28 mil de contribuintes. Nós só não temos mais em razão do nosso sistema de TI não estar adequado para essa situação nova. Porque nós trabalhávamos em sistema mais lento”, contou David de Nês.

Em relação aos patrocinadores, a Chapecoense fechou o seu master com a Aurora, empresa que sempre foi apoiadora do clube. Há uma negociação com a Caixa Econômica para ocupar outro espaço da camisa, mas ainda não houve acordo.

“Sempre demos preferência aos que já estavam na nossa camisa. Entendemos nossa origem. No master, por uma questão negocial, ficou com a Aurora. Queremos que a Caixa fique conosco. Não concluímos por questões negociais”, concluiu o mandatário da Chape.


Após tragédia, Libertadores muda regra para aeroporto, mas efeito é incerto
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Após a queda do voo da Chapecoense, a Conmebol fez uma modificação no regulamento da Libertadores para tornar mais rígida a regra para aeroportos que recebam voos de equipes visitantes na competição. Mas o texto é tão cheio de ressalvas que só terá efeito prático se houver fiscalização de fato da confederação sul-americana.

O avião com jogadores da Chapecoense caiu em novembro na semana da final da Sul-Americana, o que causou 71 mortes incluindo a maior parte do elenco. Desde então, clubes brasileiros reclamaram do difícil acesso a alguns lugares da América do Sul com deficiência na estrutura de aeroporto. Ressalte-se que esse não era o caso de Medellín, onde caiu o avião.

Dirigentes da Conmebol, no entanto, rechaçaram excluir cidades com condições precárias de transporte porque consideram que seria um preconceito impedir que alguns clubes jogassem em casa. Assim, no regulamento divulgado, houve apenas um ajuste na regra para aeroporto próximo a sede do jogo.

Antes, os clubes já tinham que escolher como sede um local que estivesse a 150km de um aeroporto internacional ou comercial. Só que a regra abria uma brecha: se isso não ocorresse, os times poderiam fazer gestões junto a autoridades para garantir autorização para que o aeroporto local recebesse voos charters ou internacionais. Na prática, sem fiscalização, tornava flexível para qualquer tipo de aeroporto.

Para 2017, a Conmebol manteve essas duas condições, mas acrescentou uma ressalva. Não pode ser usado aeroporto que “por sua estrutura técnica e humana não se encontre habilitado pelos organismos estatais competentes do lugar no caso em que a obrigação, inevitável e exclusiva, do respectivo clube é determinar outro aeroporto adequado para se ajustar ao estabelecido no presente numeral.”

Ou seja, teoricamente, não dá para fazer um puxadinho e só podem ser usados aeroportos em boas condições com aprovação do governo. Mas não há uma obrigações expressa de só se utilizar aeroportos internacionais ou comerciais, nem regras explícitas das condições deles. Além disso, não fica claro se a Conmebol rejeitará o local do jogo por causa disso. O resultado da nova regra, portanto, dependerá da fiscalização da confederação.


Como a Chape montou elenco após a tragédia e pensa grande
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Após 48 dias do acidente de avião que matou a maior parte de seu time, a Chapecoense tem um elenco praticamente pronto para a temporada 2017. Houve cessão gratuita de jogadores, houve contratações com investimento em dinheiro, houve incorporação da base e um orçamento como diretriz. Até que se chegou a um grupo de cerca de 30 atletas. É o que conta o diretor de futebol, Rui Costa.

“Teremos um elenco já fechado para o amistoso com o Palmeiras. Era esse nosso objetivo. Depende agora da avaliação do Mancini (técnico) na pre-temporada de atletas da base para saber se haverá outros jogadores contratados. E o grupo que pode ser enxugado”, disse o dirigente. Ou seja, pode ser que chegue mais uns poucos reforços, e que atletas jovens voltem à base.

No total, a Chapecoense contratou 21 ou 22 jogadores nas contas de Rui Costa. E não foram todas chegadas fruto de benemerência de times grandes. O time catarinense escolheu quem queria e investiu dinheiro para comprar direitos de alguns.

“Fizemos alguns investimentos na aquisição de direitos em jogadores que tiveram o perfil de que podem ser revendidos. Outros vieram emprestados com opção de compra. Nosso objetivo é transformar a Chapecoense em um time comprador no futuro. Agora, há jogadores que vieram só pelo aspecto técnico, emprestados, porque não teríamos como comprar”, justificou.

Entre as cessões, o Palmeiras foi quem mais ajudou com três jogadores. Houve ainda dois atletas do Cruzeiro. Na maioria dos clubes que se dispuseram a contribuir, chegou um jogador. Sempre quando houvesse cessão de atletas foi dos que interessavam a Chapecoense: não vinha qualquer um indicado.

Além disso, foram incorporados entre oito e onze atletas da divisão de base, sendo utilizados os que eram considerados mais prontos para o profissional. O time que faz boa campanha na Copa São Paulo, portanto, é um bem novo e não deve ser aproveitado. Rui Costa explicou que é perceptível a diferença física deles para as outras equipes.

Em toda a construção do time, houve um respeito ao orçamento implantado pela Chapecoense. O valor destinado ao futebol foi maior pela necessidade de remontagem, inclusive de todo o departamento de futebol como profissionais de comissão técnica.

“Houve uma diretriz muito clara do orçamento. Mas não podemos trazer tantos jogadores e não ter um gasto maior. É um orçamento com essa particularidade”, disse o dirigente da Chape. E completou: “Estou acabando uma planilha, mas devemos ficar próximo da meta.”

A necessidade de montar um grupo mais robusto de 30 atletas tem relação com o alto número de jogos que enfrentará a Chapecoense na temporada. O time deve entrar em campo 70 vezes por estar classificado à Libertadores, e isso pode aumentar a 80 se houve avanço às finais. Essa trajetória começa no amistoso diante do Palmeiras.


Partida da Chape impulsiona audiência da TV da FPF na Copinha
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A FPF (Federação Paulista de Futebol) tem feito transmissões em um canal próprio na internet dos jogos da Copa São Paulo que não interessam à Globo. Dados da federação mostram a nova popularidade da Chapecoense após a tragédia com seu avião. A partida do time da base de Santa Catarina teve a maior audiência e representou quase 10% do tráfego da competição.

Desde 2016, a federação instituiu uma parceria com a plataforma mycujo que transmite jogos de futebol que não passam nas tvs. Não há pagamento financeiro pelos direitos. Há uma parceria comercial no caso de venda de propaganda, o que não ocorreu.

No caso da Copinha, a FPF conseguiu da Globo a liberação para passar no canal os jogos que não fossem para a emissora. No pacote de 32 partidas, conseguiu 1 milhão de espectadores.

E a partida de maior audiência foi a da Chapecoense diante do Desportivo Brasil, no jogo em que o time se classificou para o mata-mata da Copinha. Era a primeira competição do time desde o final do ano passado. Foram 95 mil pessoas assistindo ao jogo em algum momento. Superou jogos de times tradicionais como o Internacional e Grêmio, que ficaram na casa de 80 mil

Na terça-feira, a Chape bateu o São Paulo nos pênaltis e passou a próxima fase da Copa São Paulo, após um empate em zero a zero. Esse jogo foi transmitido pela TV Fechada.

A audiência da Chape é resultado do novo interesse do público pelo time catarinense, o que deve se refletir em suas partidas no profissional na Libertadores e Brasileiro. No ano passado, já foram vistos crescimentos no número de sócios-torcedores da Chape, assim como na venda de camisas que chegaram a esgotar nos site do time.

Até agora, o canal da FPF atingiu 4 milhões de espectadores considerando outras competições como Copa São Paulo. Pode se tornar um exemplo para que clubes de futebol façam o mesmo com jogos seus que não tenham sido vendidos.


Além do Barça, Chape recebe promessa de ajuda de outros times do exterior
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Além da ajuda de alguns clubes brasileiros, em níveis diferentes, a Chapecoense tem recebido apoio de times do exterior em maior número do que se divulga. É o que contou o presidente da Chapecoense, Plínio David de Nês Filho, o Maninho, que evita dar o nome dos doadores. Essa ajuda vem por meio da marcação de amistosos, do oferecimento de jogadores ou de know-how no futebol.

“Há clubes do exterior que têm nos ajudado, seja oferecendo empréstimo de jogador, seja com know-how de departamento de futebol. Não dá para revelar quais”, contou Maninho.

Um apoio, no entanto, é público. O Barcelona se dispôs a marcar um amistoso em agosto de 2017 -o torneio Joan Gamper – com renda revertida para a Chapecoense. A diretoria do time catarinense já definiu como usará o dinheiro. “Terá renda dividida em 50% e 50% entre as famílias e o clube. A tendência é que seja assim na maioria dos eventos.”

Outro apoio foi acertado na visita do xeque Hamad Bin Khalifa Bin Ahmad Al Thani, do Catar, a Chapecó. Ele é presidente da Federação do Catar e sua família tem associação com o Paris Saint Germain. A Qatar Sports é a dona do clube francês, mas a família Al Thani, mais poderosa do país, exerce influência sobre o time.

A convite do xeque, a Chapecoense vai disputar um campeonato sub-17 no Catar com times como o próprio PSG, Bayern Leverkussen, Milan, entre outros. Até agora, não há nenhuma promessa de dinheiro do xeque, nem o time catarinense conta com isso.

Em relação ao amistoso da seleção, em janeiro no Estádio Nilton Santos (Engenhão), ainda não há uma fórmula definida sobre a distribuição da renda. Isso será conversado com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero.

Tags : Chapecoense


O que irritou a Chape na “ajuda” de rivais na negociação por reforços
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Nem todas as promessas de ajuda dos grandes times brasileiros à Chapecoense se transformaram em auxílio real para o time catarinense como já explicitado pelo técnico Vagner Mancini. No geral, a reclamação de cartolas do time catarinense é que em boa parte das vezes dirigentes rivais os trataram como qualquer um no mercado, e não como um time afetado por uma tragédia. Na expressão de um envolvido nas conversas, querem fazer negócio, não ajudar.

Não é que dirigentes da Chapecoense têm pedido jogadores titulares ou craques de seus times. A maioria dos atletas reivindicados são reservas nos seus times. Mas, mesmo assim, enfrentam-se dificuldades.

Em contrapartida, os times oferecem jogadores caros que estão no seu elenco sem serem utilizados para tentar aliviar a folha salarial. Por exemplo, um atleta com salário de R$ 330 mil foi ofertado ao time catarinense. Nenhuma proposta de complemento salarial. O valor ficava muito acima do teto de R$ 100 mil válido até 2016 e por isso não se avançou na transação.

Outro problema foi a de oferta só de jogadores pouco interessantes. Foi o que ocorreu  no Grêmio. A Chapecoense demonstrou interesse em três atletas do time gaúcho, Bruno Grassi, Rafael Thyere e Jaílson. Todos eram reservas e foram três recusas. Em contrapartida, o tricolor enviou uma lista de atletas encostados no clube. Acabaram ficando com o volante Moisés.

Na quarta-feira, em Assunção, Romildo Bolzan Jr, do Grêmio, e Rui Costa, da Chape, conversaram para acertar os ponteiros após rusgas nesta negociação.

A diretoria do time catarinense fica contrariada porque alguns desses clubes que têm agido assim anunciaram com pompa que apoiariam a Chapecoense durante a comoção logo após a queda do avião. Depois, têm sido mais frios.

Há exceções: Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Palmeiras, São Paulo e Fluminense são clubes que têm ajudado a Chapecoense. Em menor escala, isso ocorre com o Flamengo, embora não tenha sido possível viabilizar nenhum jogador do time.

Apesar da contrariedade com outros, os membros da Chapecoense passaram a evitar críticas mais duras após a entrevista de Mancini. Mas não descartam expôr quem de fato ajudou na remontagem do time após a conclusão desse processo.


‘Alguns atletas abriram mão de dinheiro para jogar na Chape’, diz Mancini
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A Chapecoense tem que montar um elenco em um mês após perder quase seu grupo inteiro na queda do avião que levava o time para a final da Sul-Americana. Neste cenário excepcional, o clube tem encontrado reações distintas no mundo do futebol: rivais que ajudam, outros que esquecem a promessa de auxílio e jogadores que abrem mão de dinheiro para participar do projeto. É o que contou o técnico do time catarinense, Vágner Mancini, em entrevista ao blog em Assunção, local do sorteio da Libertadores.

Para seduzir os atletas, ele e o diretor de futebol da Chapecoense, Rui Costa, têm usado o fato de o time catarinense estar na Libertadores e ter ganhado uma repercussão mundial não vista anteriormente. Há hoje 10 jogadores com contratações encaminhadas, mas isso não significa certeza no mundo do futebol. Ou seja, Mancini trabalha para ter um elenco só em janeiro.

Blog: Quais as dificuldades que vocês têm com outros clubes nesta relação após a prometida ajuda? Que você possa falar de forma genérica…

Vágner Mancini: Não sou eu que faço esses contatos, então, é difícil falar sobre isso. Mas pelo que eu sei, há uma certa dificuldade porque a gente entende que do outro lado há uma pessoa remunerada que tem que cuidar dos interesses dos clubes. Então, não é simplesmente achar que todo mundo vai ajudar. Mas quem estiver efetivamente disposto a ajudar que ajude. E não que nos trate como mais um clube no mercado.

Blog: E nas conversas com os jogadores? É mais fácil atrair jogadores para a Chapecoense hoje?

Mancini: É até estranho falar sobre isso. Mas a gente sente quando falar com os atletas uma disposição, uma vontade de fazer parte de um time que vai ser reconstruindo. Quando você toca alguns seres-humanos pela parte humana, pela parte motivacional, alguns se diferem de outros que pensam só na parte futebolística. Alguns atletas têm se manifestado, sim. Abriram mão de algumas coisas para jogar na Chapecoense. Atletas que vão chegar para reconstruir o clube.

Blog: Quando você diz abriram mão, você quer dizer abriram mão de dinheiro?

Mancini: Sim, às vezes de parte financeira.

Blog: Vocês jogam com essa motivação de jogar na Chapecoense neste momento?

Mancini: Lógico que quando você tenta convencer um atleta você tenta seduzi-lo. É a Libertadores, é a Recopa, é a Sul-Americana. É o fato de a Chapecoense ser um time que paga rigorosamente em dia. O fato de um time que vem melhorando a cada ano que passo. Isso tudo acaba atraindo. O jogador não quer ir para um time onde não vai receber, onde a estrutura não é boa. Talvez em uma dimensão menor do que os outros clubes,

Blog: Mas vocês falam também sobre o fato de que vão jogar com o Barcelona, que vão ter exposição maior?

Mancini: Sim, a gente fala sobre isso. Um torneio diante do Barcelona, viagens internacionais, um torneio no Japão. Jogar a Libertadores faz com que o jogador veja a Chapecoense de uma forma diferente.

Blog: Você falou que tem encaminhado 10 jogadores, mas é cedo. Quando que você acha que terá um elenco?

Mancini: Um elenco vamos ter ao logo do mês de janeiro. Hoje nós já temos alguns atletas apalavrados. É difícil falar em números porque números mudam a cada dia. O que estava muito encaminhado ontem hoje já não tem mais chance porque outros clubes se manifestam no mercado. Espero que no início do ano já tenha uma equipe para botar em campo. Lembrando que a Chapecoense tem 17 atletas do sub-20 que estarão prontos para nos ajudar.

Blog: Como você vai fazer para montar um time? Por que falamos de um elenco, mas e o time imediato?

Mancini: Exatamente. Será uma dificuldade porque você não terá tempo para isso. Ao mesmo tempo, você vai ter atletas que vieram exatamente para isso. Esses atletas tendo lastro dentro do futebol vão fazer o possível para que rapidamente estejam em condições.

 


Dono do PSG vai visitar Chapecoense com intermediação da CBF
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O xeque do Qatar Al Thani um dos donos do Paris Saint Germain, visitará a Chapecoense nesta sábado com intermediação da CBF. É ele o xeque que ligou oferecendo ajuda para o time catarinense, como noticiou o blog da Gabriela Moreira, da ESPN.

O xeque Hamad Bin Khalifa Al Thani é presidente da Federação do Qatar de Futebol. Em 2011, a Qatar Sports comprou 70% das ações do PSG que, desde então, tem feito contratações milionárias no futebol. Al Thani, juntamente com sua família, são acionistas da Qatar Sports, um fundo criado pelo Estado para fazer investimentos fora do país. Mas Tamim Bin Hamad Al Thani, e atual emir do Qatar, é o mais atuante na gestão do PSG.

O presidente da federação do Qatar foi bastante atuante na campanha vitoriosa do país a se tornar sede da Copa-2022. Ele estará na CBF nesta sexta-feira, juntamente com o embaixador do Qatar. Depois, acompanhado por dirigentes da confederação, irá para Chapecó.

Segundo a ESPN, foi oferecida ajuda para o time catarinense. Não há confirmação desta informação na CBF. Houve uma notícia de que o PSG ofereceu ajuda à Chapecoense, mas isso foi desmentido pelo clube.


Procuradoria do Brasil quer investigar papel da Lamia em tragédia da Chape
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A Procuradoria-Geral da República do Brasil atuará junto a órgãos fiscalizadores da Bolívia e Colômbia para tentar evitar que na tragédia da Chapecoense se repita a impunidade do acidente da Gol. Para isso, faz reunião hoje com órgãos de fiscalização da Bolívia e da Colômbia para investigação conjunta. E um dos focos para a procuradoria é a atuação dos controladores da Lamia no acidente.

De origem boliviana, o avião da Chapecoense caiu na Colômbia próximo do aeroporto de Medelín e a principal suspeita é de houve pane seca. Morreram 71 pessoas, sendo a maioria de brasileiros.

No encontro de hoje, o primeiro passo será tentar se estabelecer as bases da investigação conjunta dos órgãos de Bolívia, Colômbia e Brasil para dar mais velocidade ao caso. Se não houver acordo, podem ocorrer apurações em separado. Encerrada a investigação conjunta, aí haveria uma definição da jurisdição de em qual país seria executado o processo.

“Uma força-tarefa fará a cooperação ter muito mais velocidade. Foi o que aconteceu no acidente do avião da Malásia na Ucrânia”, contou o procurador regional da república, Vladimir Aras. “Depois se escolheria a jurisdição que fosse mais fácil administrar a justiça.” Ele entende ser mais provável que seja a Bolívia ou a Colômbia.

A reunião entre os órgãos de fiscalização dos três países ocorrerá em Santa Cruz de La Sierra. Só a partir daí que os procuradores brasileiros terão acesso à investigação já feita nos outros países, que está mais avançada na Colômbia, local do acidente.

O procurador, no entanto, já aponta caminhos prováveis para a investigação das causas dos acidentes e dos possíveis envolvidos. Segundo ele, é preciso se determinar quem teve atuação que levou a causa do acidente.

“É uma cadeia de responsabilidades que tem de ser apurada. O pessoal em terra que tomou decisões, não só os pilotos (que morreram). Donos da empresa que viabilizaram o voo. Porque se os donos tomaram decisões que concorreram para o resultado (acidente do avião) podem ser responsabilizados”, analisou.

“Em uma hipótese, se os donos da companhia tinham dado ordem para economizar e voar sempre no limite, têm responsabilidade evidente.”

Os donos da Lamia eram o piloto Miguel Quiroga, que morreu, e o diretor-geral é Gustavo Vargas, agora detido na Bolívia. Há ainda uma ligação com empresário Ricardo Albacete, venezuelano, que alugava os aviões, mas nega ter relação com a empresa boliviana.

Outro foco são os funcionários da agência boliviana de aviação que liberaram o voo. Isso inclui a funcionária Celia Castelo Monasterio, que atuou na fiscalização do plano de voo e pediu refúgio no Brasil por se considerar ameaçada, e está em Corumbá.

“Ela hoje está com o pedido de refúgio que será analisado pelo Ministério da Justiça. Mas pode se transformar em fugitiva”, disse Aras.

O procurador explicou que, pela legislação brasileira, seriam investigados crimes que iriam de botar uma aeronave em perigo (artigo 261 do código penal) a até homicídio doloso eventual. “Porque a pessoa assume o risco de um resultado com seu ato. É como se uma pessoa dirigisse embriagada, de olhos fechados, em alta velocidade. Ou atira em uma sala cheia de gente”, comparou.

O resultado do processo criminal também pode servir de fundamento para ações cíveis com pedidos de indenização por parte dos familiares das vítimas. A grande preocupação da procuradoria é evitar a impunidade do “caso GOL”.

O acidente ocorreu em 2006 em um choque de um jato com o o avião da Gol na selva Amazônica. Pilotos norte-americanos que pilotavam o jato foram condenados pela Justiça do Brasil, mas estão fora de alcance nos EUA pois foram liberados durante o processo. “É um mau exemplo que não gostaria que se repetisse”, completou Arias.