Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa 2014

Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Rio dá calote em dívida do Maracanã e tem socorro da União
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Quebrado financeiramente, o Estado do Rio de Janeiro já atrasou nove parcelas do empréstimo tomado ao BNDES para a reconstrução do Maracanã para a Copa-2014. Desde maio de 2016, o governo estadual não paga e a dívida é quitada com atraso pelo governo federal, como garantidora da dívida. O total da inadimplência já soma R$ 14,5 milhões.

O blog obteve os fluxos de pagamentos dos empréstimos do BNDES para a Copa por meio da Lei de Acesso à Informação. Dos sete Estados que tomaram dinheiro, só o Rio de Janeiro está atrasado.

O problema começou em maio: a parcela que vencia no dia 16 – de R$ 2,284 milhões – só foi quitada no mês seguinte pela União. A partir daí, todos os pagamentos foram realizados com atrasos pelo governo federal. Em média, o Rio tem que pagar em torno de R$ 5,5 milhões ao BNDES por mês, entre amortização do principal e juros. O total do empréstimo foi de R$ 400 milhões, apenas uma parte do gasto de R$ 1,2 bilhão para reconstruir o estádio para a Copa-2014.

Questionado, o governo do Rio confirmou a inadimplência e justificou-se com a sua crise de finanças que levou o a decretar Estado de Calamidade Pública. Segundo a Secretaria de Fazenda, do déficit estadual de R$ 19 bilhões previsto para 2016, R$ 12 bilhões são de despesas com inativos e pensionistas.

“Depois do pagamento de todos os servidores, pouco tem sobrado para fazer frente a outras obrigações, dentre elas o pagamento de parcelas da dívida, que, destaque-se, em relação aos empréstimos, são em sua maioria quase absoluta garantidas pela União”, explicou a secretaria.

Sem quitar as parcelas na data, por contrato, o Estado tem que pagar multa de 3% sobre o total da inadimplência quando o pagamento ocorre depois de quatro dias. “Especificamente no que se refere ao PRO-COPA, houve atraso e consequente pagamento pela garantidora, União, de prestações vencidas”, explicou a Secretaria de Fazenda.

O BNDES confirmou que a União é a responsável por cobrir o Rio como fiduciária. “Portanto, quando se constata o descumprimento de obrigações financeiras, a União é acionada para que os pagamentos sejam efetuados. É o que ocorre no caso do Rio de Janeiro, quando tais pagamentos por parte da União, na condição de garantidora da operação, já incluem juros e mora pelo atraso”, contou o banco.

Nem há perspectiva de resolução do problema que sequer foi tratado entre as partes. “Ainda não houve negociação com o BNDES para tratar desses atrasos e todo esforço tem sido envidado para voltarmos a regularizar a adimplência do Estado do Rio e fazer frente a todas as suas obrigações. Mas é importante ressaltar que a situação é muito delicada e a prioridade é assegurar o pagamento de servidores”, completou a secretaria de Fazenda.

A reforma do Maracanã praticamente triplicou de preço porque o então governador Sergio Cabral (PMDB) aceitou todas as exigências da Fifa como a derrubada de parte da arquibancada e substituição da cobertura. Cabral é suspeito de levar 5% de propina nesta obra, segundo deleção feita por executivos da empreiteira Andrade Gutierrez.

Parceira da Andrade Gutierrez na obra, a Odebrecht ficou com a gestão do estádio, mas vai devolvê-lo porque não conseguiu torná-lo viável financeiramente. Sem pagar sequer as parcelas da dívida, o Estado do Rio agora tem que achar uma solução para não aumentar seus gastos com o Maracanã.


Repressão a protestos em sedes olímpicas é mais severa do que na Copa
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A Fifa e o COI (Comitê Olímpico Internacional) têm regras bem parecidas quando se trata de protestos políticos: não são tolerados em suas competições, seja na arquibancada, seja no campo. Mas a repressão a manifestações dentro das sedes tem sido muito mais severa nos Jogos do que na Copa. E isso ocorre justamente quando o país está dividido politicamente na disputa pela presidência entre Michel Temer e  Dilma Rousseff.

Primeiro, ressalte-se que a proibição a cartazes é legal. Foi determinada em maio de 2016 pela lei olímpica, que prevê que torcedores não podem usar bandeiras que não seja para fins amigáveis. Não trata de gritos de ordem, por exemplo, e ressalva o direito de livre manifestação. São as regras olímpicas que proíbem qualquer protesto político, o que inclui os gritos. A Justiça já considerou essa regra legal.

O cenário era similar com a Fifa, que também orientou que não deveria haver protestos, e colocou essa instrução em ingressos. Mas nem sempre isso foi seguido à risca.

Dou aqui um exemplo que ocorreu no Maracanã. Uma faixa grande foi exibida como protesto contra a própria Copa-2014 em jogo do Mundial. Houve repressão e pedido para que a faixa fosse abaixada, mas ela não foi recolhida e ninguém foi expulso da arena. No final, os manifestantes continuaram a mostrar a faixa e ninguém fez nada.

Outros cartazes, naquela época, também foram retirados dos manifestantes. Em geral, o policial ou voluntário chegava, pedia para abaixar ou retirava e ia embora. Mas houve quem exibisse tranquilamente camisas contra a Copa ou até a Fifa sem ser incomodado.

No caso olímpico, cartazes de tamanho pequeno com “Fora Temer” têm sido alvo dos policiais. No Sambódromo, um torcedor foi retirado com truculência pela Força Nacional. Na Arena Olímpica, na competição de ginástica, torcedores também acusaram os policias de serem duros na repressão e de ameaçarem retirá-los. Eles não foram expulsos, e os policiais alegam terem sido educados.

Uma torcedora me relatou que um voluntário a perseguiu até o banheiro porque tinha exibido uma faixa “Fora Temer”.  E fez ameaças de que seu amigo tinha sido preso.

A regra do COI não é nova e já causou polêmicas, como a punição dos velocistas no México-1968, que perderam suas medalhas por um protesto no estilo “Panteras Negras”. O processo é discutível por sua interferência no direito democrático da liberdade de expressão. Do lado do COI, é um jeito de se proteger para não envolver os Jogos em discussões que não são suas, como se a entidade fosse isolada do mundo (claro que não é).

Claro que grandes manifestações poderiam interferir nas competições, mas não me parece que pequenos cartazes estejam causando distúrbio nos ambientes. Que se peça para retirá-los, vá la. Mas não dá para achar normal uma atitude intimidadora da Força Nacional ou ameaças de expulsão.

Isso gera, inclusive, uma desconfiança sobre quem dá orientações aos policiais para agir assim, visto que a Força Nacional é vinculada ao Ministério da Justiça, comandado por Alexandre Moraes, aliado de Temer e responsável por comandar a repressora polícia paulista. Que os policiais possam ter mais bom senso na aplicação da lei, porque não estão lidando com criminosos, apenas com pessoas que discordam do governo atual.

 


Ronaldo, não se faz uma reputação com comissão
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É seguro dizer que até o final de 2011 o ex-jogador Ronaldo era uma figura querida do público brasileiro. Mesmo episódios polêmicos (envolvimento com travestis) ou tristes (contusões) eram superados por redenções que aumentavam sua imagem de herói, de vencedor. Até que ele decidiu se envolver com política e negócios do esporte, tudo-junto-ao-mesmo-tempo-agora.

Naquele final de 2011, Ronaldo aceitou assumir um cargo no COL (Comitê Organizador Local) da Copa-2014 talvez achando que se tornaria um novo Platini (ocupou posição similar na França-1998). As circunstâncias iniciais, no entanto, não eram lá muito favoráveis visto que teve de se aliar a um enfraquecido Ricardo Teixeira, presidente da CBF envolvido em diversas denúncias.

E dali em diante só piorou. Depois que Teixeira caiu, Ronaldo teve de servir de escudo para José Maria Marin. Tentou descolar sua imagem dele com alfinetadas no cartola pela imprensa.

Só que, embora sagaz nos negócios, se mostrou inábil com as palavras. Basta lembrar da famosa frase: “Não se fazem Copas com hospitais”. Na época, tentava justificar o dinheiro público em estádios. Acabou como resumo do que a Copa-2014 se tornou: uma festa sem nenhum benefício visível para a maioria da população.

A questão é que houve, sim, quem tenha se beneficiado, pessoas como Ronaldo. Ele abriu mão de salário no COL em favor de seus ganhos com sua 9ine. Garantia que não haveria conflito de interesses entre seus negócios e a função pública.

Logo depois, em 2012, uma empresa chamada Marinete – que tinha contratado a 9ine como agência publicitária – levou um contrato de fornecimento de assentos na Arena Fonte Nova. Coisa de R$ 8 milhões. O UOL Esporte noticiou e Ronaldo, por meio da 9ine, tratou de desmentir participação no negócio ou qualquer ganho. Alegou que sua empresa era apenas a agência de publicidade da Marfinite.

Agora, quatro anos depois, o repórter Pedro Lopes, do UOL, mostra que essa versão não era verdadeira. Havia um contrato da Marfinite com a 9ine que previa pagamento de comissão de 10%, isto é, em torno de R$ 800 mil pelo negócio. Há até e.mail que comprova que Ronaldo atua na cobrança dos valores da Marfinite.

Confrontado com a contradição, com os documentos como prova, o ex-jogador tenta sair pela tangente dizendo que nunca participou de decisões sobre contratos relacionados a Copa porque eram responsabilidades de comitês estaduais. Ora, esses comitês estavam submetidos a exigências técnicas justamente do comitê organizador, onde Ronaldo ocupava alto cargo. Em alguns casos, o COL mudou todo um projeto de estádio.

Como poderemos acreditar que o ex-jogador não usou sua influência para obter contratos para parceiros se a primeira versão do que disse se mostrou falsa? Aliás, como poderemos acreditar a partir de agora em qualquer coisa do que ele diga como comentarista, garoto-propaganda ou homem-público? Ronaldo tinha uma reputação, mas preferiu a comissão.

PS: Esse nem foi o único negócio de parceira de Ronaldo com a Copa como podem ver aqui.

 


Após dois anos da Copa, estádios vivem crises financeiras e denúncias
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O Brasil gastou R$ 8,3 bilhões em construções e reformas de 12 estádios para a Copa-2014. A alegação era de que, posteriormente, serviriam para gerar renda para o futebol nacional e para outros eventos. Mas, após dois anos da abertura do Mundial, 12 de junho, a maioria das arenas passa por crises financeiras e não justifica o investimento. Ainda há denúncias de corrupção em pelo menos cinco delas.

Lembre-se que a promessa inicial do governo federal e da CBF era de que todos os estádios teriam investimento privado, o que seria feito por empresas interessadas em geri-los. Ao final, apenas três arenas tiveram dinheiro privado, e todas tiveram financiamento com recursos públicos. O gasto previsto inicialmente triplicou.

A crise enfrentada pelos estádios é diferente em cada Estado. Há em comum nelas a dificuldade de encontrar um modelo de gestão rentável e os altos custos de manutenção e de construção. Vamos detalhar caso a caso:

Maracanã

– A concessão do estádio à Odebrecht revelou-se um fracasso tanto que a empresa discute como devolver o equipamento. A construtora acumulou prejuízo de R$ 173 milhões em dois anos de gestão. Isso pode ser explicado pelo alto custo de manutenção, e porque a empresa nunca conseguiu vender todas as propriedades pelos valores esperados inicialmente. Ressalte-se ainda que o governo do Estado mudou o modelo de negócios da arena ao impedir construção de espaços comerciais em volta. Flamengo, Vasco e Botafogo reclamaram das taxas que pagavam para usar o estádio.

– Delações de executivos da Andrade Gutierrez apontaram que foi paga propina para o ex-governador Sergio Cabral na obra. Ele nega.

Arena Corinthians

– O estádio é o maior sucesso de público entre os 12, mas um péssimo negócio até agora. A receita anual de 2015 foi de R$ 73 milhões brutos, muito inferior aos R$ 112 milhões líquidos previstos em contrato. A venda de camarotes não engatou e os naming rights estão emperrados há pelo menos quatro anos. Sem isso, o dinheiro arrecadado tem sido insuficiente para pagar os financiamentos do estádio: o Corinthians está atrasado com parcelas com o BNDES. No total, há uma dívida acumulada de R$ 800 milhões.

– Investigação da operação Lava-Jato encontrou planilha da Odebrecht que indica pagamento de R$ 500 mil ao vice do Corinthians, André Negão. Ele nega.

Mané Garrincha

– O governo do Distrito Federal prometeu que havia diversas empresas interessadas na concessão do estádio, mas nenhuma apareceu. Com o custo total de R$ 1,5 bilhão, a arena chegou a ser usada para estacionamento de ônibus e repartição pública. Tem recebido alguns jogos da Série A do Brasileiro, marcados pela violência e pela arrecadação pequena para o governo. O prejuízo estimado em 2015 foi de R$ 6,2 milhões.

– Delações de executivos da Andrade Gutierrez apontaram que o ex-governador Agnelo Queiroz recebeu propina pela obra do estádio. Ele rechaçou a acusação.

Mineirão

– O modelo de PPP (Parceria Público-Privada) feito pelo governo do Estado com a empresa Minas Arena não se mostrou rentável. O governo do Estado tinha que bancar a falta de arrecadação da empresa por meio de incremento nas parcelas até que decidiu cortar parte da verba neste ano alegando problemas de gestão. O Cruzeiro, principal usuário, brigou com a Minas Arena por causa de taxas para utilização do estádio. Há uma disputa judicial entre as partes para estabelecer quem deve a quem.

Arena Pernambuco

– Outro estádio em que surgiu disputa entre a Concessionária, controlada pela Odebrecht, e o governo do Estado. Após estudos do tribunal de contas e da FGV, o governo de Pernambuco rescindiu o contrato da PPP alegando que houve gastos indevidos na construção e subutilização do equipamento. Agora, aceitou pagar R$ 250 milhões à empreiteira para encerrar o contrato. Sport e Santa Cruz têm preferido jogar em seus estádios na Série A do que na Arena Pernambuco, o que torna a arena ainda menos utilizada.

– A Polícia Federal investiga acusação de superfaturamento na obra.

Arena Fonte Nova

Nos dois primeiros anos de operação, a Arena Fonte Nova acumulou R$ 41 milhões em prejuízo. Isso levou a Odebrecht, que firmou uma PPP com o governo local, a estudar pedir a divisão desse rombo com o governo. Ao mesmo tempo, houve discussão entre a Arena Fonte Nova e o Bahia após o clube reclamar das condições impostas no contrato. As partes chegaram a um acordo.

Arena Amazônia

– Sofreu prejuízo de R$ 7,5 milhões no ano de 2015, e retornou para as mãos do Estado do Amazonas. A receita em um ano do estádio, que custou cerca de R$ 600 milhões, foi R$ 600 mil. Em 2016, a renda melhorou e chega perto de R$ 6 milhões, bem longe, no entanto, do que foi investido. O estádio abre, basicamente, quando há jogos de times de fora do Estado.

– Delações da construtora Andrade Gutierrez apontam o pagamento de propina para os ex-governadores Eduardo Braga e Omar Aziz. O primeiro nega e o segundo não comentou o caso.

Arena Pantanal

Estádio tem um custo de manutenção de R$ 600 mil por mês, e as receitas cada vez mais raras. Os jogos da Série A que eram realizados no local sumiram por causa da falta de condições do estádio, que passou a apresentar goteiras em vestiários, e problemas de infraestrutura.

Arena Castelão

O estádio tem um custo de manutenção em torno de R$ 14 milhões. Seus números de receitas não foram divulgados, o que torna difícil saber se é superavitário ou deficitário.

Beira-Rio

A Brio, empresa da Andrade Gutierrez para gerir o estádio, levou um prejuízo de R$ 48 milhões desde a abertura, considerada a receita com camarotes e setores Vips, menos os custos financeiros e operacionais do Beira-Rio. O Internacional, como não tem que pagar despesas, fica com sua bilheteria limpa, fora as despesas de jogo.

Arena da Baixada

A CAP SA, empresa criada pelo Atlético-PR para construir e gerir o estádio, teve déficit de R$ 2,6 milhões em 2015. Sua receita foi de apenas R$ 5 milhões. Em seu balanço, o clube registrou receitas de R$ 5,5 milhões com sua arena. Ainda não foram quitados os financiamentos com o Estado para a construção do estádio.

Arena das Dunas

Registra um lucro de R$ 20 milhões em sua operação de 2014, último número conhecido. Mas isso tem relação com a forma de concessão do estádio que prevê remuneração do governo do Rio Grande do Norte, e com outros eventos como o Carnatal. Dona da concessão da arena, a OAS, em recuperação judicial por causa da Lava-Jato, tenta revender o estádio.


Governo gasta R$ 11 milhões em ‘CTs padrão Fifa’ após a Copa
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A Copa-2014 acabou há quase um ano, mas os gastos do governo federal com a competição continuam. Levantamento do blog mostra que foram investidos R$ 11 milhões em estádios para transformá-los em “CTs padrão Fifa” após o final do Mundial.

No total, após o evento, o Ministério do Esporte destinou dinheiro para a reforma de 10 arenas de pequeno e médio portes em municípios de São Paulo, Bahia, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Essas despesas fazem parte do programa “Apoio a Copa-2014”. Nos projetos, constam especificações de que os estádios devem ter o “padrão Fifa” em suas instalações.

No ano passado, a expectativa do Ministério do Esporte era de mais de R$ 100 milhões em infraestrutura desse tipo, mas o órgão não informou se este valor está mantido. A posição da pasta é que isso será um legado esportivo espalhado pelo país do Mundial.

Só em 2015 houve liberação de R$ 5,348 milhões para quatro estádios, e o restante foi aplicado no segundo semestre do ano passado.

Neste ano, R$ 2,5 milhões foram para o Estádio Antônio Fernandes, no Guarujá. Ao final do projeto, a instalação esportiva já receberá R$ 4,3 milhões do governo federal, e R$ 12 milhões do governo do Estado de São Paulo. A reforma incluiu todos os equipamentos e arquibancada, e foi inaugurada parcialmente para o Mundial.

Durante a Copa, o local recebeu a Bósnia Herzegovina. Agora, é sede do Guaraujá, time da Segunda divisão de São Paulo. Há a perspectiva de servir de centro de treinamento para a Rio-2016.

Em 2015, também houve liberação para o Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, no valor de R$ 1,6 milhão. No total, a arena recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal – faltam R$ 400 mil. Na Copa, só foi usado pelo Santos, que cedeu a Vila Belmiro para seleções. Atualmente, abriga o São José esporte Clube, e partidas de rugby.

Exemplos iguais se espalham pelo país, embora algumas obras tenham sido paralisadas por conta do ajuste fiscal. Questionado sobre a utilidade do investimento em CTs após a Copa do Mundo, o Ministério do Esporte não respondeu às perguntas do blog após dois dias.


Após surra, Brasil procura ajuda de empresa que melhorou futebol alemão
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Depois de oito meses do baile sofrido para a Alemanha na Copa-2014, a CBF começa a procurar no desenvolvimento do próprio futebol alemão caminhos para um reforma ampla da formação de jogadores no Brasil. Há um plano de reestruturar as divisões de base nacionais junto com os clubes, e uma empresa que trabalha com a federação alemã já foi consultada por cartolas brasileiros.

A goleada de 7 a 1 imposta pela Alemanha sobre a seleção gerou uma série de críticas à confederação, e reivindicações de mudanças na condução do futebol nacional. Até agora o presidente e vice da confederação, José Maria Marin e Marco Polo Del Nero, trocaram apenas nomes de técnicos, e não indicaram alterações estruturais no futebol brasileiro.

O novo staff da CBF que assumirá com o novo presidente Del Nero, no próximo dia 16, iniciou uma pesquisa para entender o que tem sido feito na Europa, assim como bons exemplos de clubes em território nacional. Um dos passos foi procurar a empresa belga Double Pass para conversas iniciais.

Criada na Universidade de Bruxelas, a consultoria esportiva presta serviços para a Federação Alemã de Futebol, para Premier League, para Federação Belga de Futebol e para os EUA, além de um total de 500 clubes.

Na Federação Alemã, a função da Double Passe é verificar o funcionamento das divisões de base de todos os times da Série A e Série B da Alemanha. Iniciada na última década, a reestruturação das categorias interiores dos clubes alemães foi a base da revolução do futebol campeão do mundo em 2014, ao lado da construção de campos para crianças pelo país.

Após verificar cada estrutura da base dos clubes, por meio de critérios determinados, a Double Pass dá notas para os clubes que podem chegar a até três estrelas. À Federação Alemã, apresenta um relatório com pontos onde pode haver melhorias. As avaliações são anuais e os clubes tentam incrementar seu ranking para o próximo ano.

Funciona como um processo de certificação igual a outros setores, e foi implantado a partir de 2007. Relatório da Federação Alemã aponta que as divisão de base dos clubes melhoraram sensivelmente após a introdução do método da empresa belga, que posteriormente foi contratada pela Premier League.

A CBF não conversou apenas com essa empresa. Foi verificar também modelos de outros países. Clubes como o Atlético-MG, Santos e São Paulo são citados ainda como exemplos brasileiros de bom funcionamento da base, e que devem ser seguidos. A intenção da confederação é instalar um modelo tropicalizado que tenha influência dos métodos europeus, e do que deu certo no Brasil.

O plano ainda não está traçado. Mas, a princípio, a CBF não acenou com a injeção de dinheiro próprio na melhoria dos CTs dos clubes. Há o objetivo de estabelecer parcerias com os clubes. E há a possibilidade de recursos de patrocinadores da entidade, que já se mostraram dispostos a atuar, para projetos para expansão da infraestrutura de futebol pelo país.

Essa é uma das ideias para o mandato de Marco Polo Del Nero à frente da CBF, que começa na próxima semana. Agora, se isso vai se concretizar e a forma que vai acontecer, é uma questão em aberto visto que o dirigente já estava na confederação e não executou nada até agora.


Alteração de contrato a favor da Odebrecht faz Itaquerão custar R$ 1,2 bi
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O preço do Itaquerão foi inflado até R$ 985 milhões graças a alterações no contrato de construção que permitiram à Odebrecht cobrar e lucrar mais mesmo quando há dúvidas se houve mudança significativa no projeto inicial. A diretoria do Corinthians concordou com tudo, o que elevou a sua dívida. Os dados constam do acordo entre o clube e a empreiteira e seus aditivos obtidos pelo blog, e revelados pela primeira vez agora pois nem conselheiros têm acesso a eles.

Os documentos mostram que, às vésperas da Copa-2014 e da abertura do estádio, o acerto inicial foi substancialmente mudado para: aumentar o preço; abrir brecha para novos incrementos de valores; majorar para R$ 79 milhões lucro e taxas para a construtora e ainda possibilitar que a obra tenha troca de determinados itens, o que pode levar a qualidade inferior. Somados juros e instalações da Fifa, o custo do estádio já gira entre R$ 1,150 bilhão e R$ 1,2 bilhão. Vamos aos fatos.

O enredo do inchaço do preço do Itaquerão começou em setembro de 2011 quando foi assinado o primeiro contrato de construção do estádio. O então presidente corintiano Andrés Sanchez repetia diversas vezes à época que o valor era de R$ 820 milhões, e não poderia sofrer nenhum reajuste. Era verdade naquele momento. Só que o próprio Andrés conduziu negociações posteriores que derrubaram essa realidade.

No primeiro contrato, o texto da cláusula 14 é claro: “O preço fixo global é fixo e não prevê reajustamento, salvo conforme previsto neste contrato. O contratante (Corinthians) não terá qualquer responsabilidade por aumentos ordinários de qualquer natureza no custo do escopo contratado para execução do contrato, salvo quando estipulado de forma diversa.”

Contrato original que prevê que todos os itens da obra estão incluídos no preço global fixo de R$ 820 mi

Contrato original que prevê que todos os itens da obra estão incluídos no preço global fixo de R$ 820 mi

Estavam incluídos custo de obras, equipamentos, máquinas, utensílios; mão de obra, direita ou indireta; subcontratados; despesas e encargos financeiros; riscos ordinários e contingência relativa à inflação. E está lá o lucro da Odebrecht só que sem percentual fixo – a construtora diz que já estavam previstos 4%. Na versão de Luis Paulo Rosenberg, então negociador pelo Corinthians, seria o que sobrasse.

Havia exceções que permitiriam a revisão do contrato, entre elas, variações de escopo de obra, aumento de custos com exigências da Fifa, suspensão de obras sem culpa da contratada (Odebrecht), aceleração da construção. Houve, de fato, uma paralisação da construção pelo acidente com a queda do guindaste, mas o período não foi longo. E nem foi por isso a explosão do custo do estádio.

Dois meses depois, em novembro de 2011, o Corinthians pediu a primeira alteração contratual. Seu objetivo era economizar. Neste novo acordo, é inserida cláusula pela qual as partes concordam que “verbas orçamentárias”, parte relevante do custo, não têm mais a regra de preço fixo e “poderão variar para mais ou para menos”.

Primeiro aditivo do contrato que permite variação de preço em parte do orçamento composto por "verbas orçamentárias"

Primeiro aditivo do contrato que permite variação de preço em parte do orçamento composto por “verbas orçamentárias”

Questionada, a Odebrecht afirmou que essa alteração foi um pedido do Corinthians para participar de algumas negociações técnico-comerciais. O clube não respondeu oficialmente o blog.

Mas Luis Paulo Rosenberg, então responsável corintiano na arena, explicou: “O valor era de R$ 820 milhões. Com essas verbas, conseguimos descontos com negociações. Mas o limite de preço ficava. Agora, o imbróglio que foi feito depois disso no contrato, eu não sei”, contou. O dinheiro de sobra (estima-se em R$ 60 milhões) seria usado em outros partes da obra, sem redução do preço. Ou seja, sobraria dinheiro para contingência e evitaria-se inchaço no preço, o que não aconteceu.

Surgiu o primeiro aumento na obra ao se incluir a instalação dos dutos da Transpetro: R$ 10,9 milhões. Mas esse item, de fato, não estava no escopo original da obra. O cenário até aí era favorável a se manter o preço próximo do inicial.

Depois disso, todas as alterações contratuais foram em favor da Odebrecht. No segundo aditivo, o clube cede todos os seus direitos ao fundo Arena, mas mantém suas responsabilidades financeiras.

No terceiro aditivo, a Odebrecht ganha direito a receber um adiantamento maior do dinheiro do BNDES – ressalve-se que a construtora vinha bancando a obra com seu caixa e empréstimos até então. A quarta alteração é para jogar a data da obra para abril de 2014 – antes era dezembro de 2013.

Mas é às vésperas da Copa que há uma mudança contratual que explode o preço do estádio. Em 15 de maio de 2014, um dia após a paralisação das obras para a Copa e poucos dias antes do primeiro jogo do estádio, é assinado pelo ex-presidente Mário Gobbi e pela construtora o quinto aditivo contratual. Ele só assinou, pois quem conduziu a negociação foi Andres.

Primeiro, o texto explica que esse documento ajusta o escopo da obra e substitui uma parte da proposta técnica, que detalhava tudo que estava incluído dentro da construção e que jamais fora assinado. No novo modelo, o preço já salta para R$ 985 milhões. A reivindicação da construtora era ainda maior: R$ 1,2 bilhão. O número final foi fechado em reunião entre as partes.

Só que esse valor era superior ao necessário para fazer a obra de fato. O anexo ao contrato mostra que a composição do valor inclui 4% para a construtora (em torno de R$ 39 milhões). Outros 4% são TAC (Taxa de Administração Central) (R$ 39 milhões) destinados também à empreiteira. O total de R$ 79 milhões vai para a Odebrecht. Mesmo que existisse o percentual previsto, o valor absoluto cresceu R$ 15 milhões só para a construtora.

Anexo ao quinto aditivo que prevê lucro bruto e taxa da Odebrecht com percentual que não existia antes

Anexo ao quinto aditivo que prevê lucro bruto e taxa da Odebrecht com percentual que não existia antes

Datada de fevereiro, a ata de reunião para negociação dessa revisão fala que a construtora abriria mão do lucro: “Os custos incorridos e projetados serão informados ao SCCP sempre que solicitados, respeitando o compromisso da CNO, da obra quando finalizada, não ter resultado, ou seja, lucro líquido abaixo do previsto suportando eventuais variações”.

Por esse texto, o dinheiro do lucro deverá ser usado para novos aumentos na obra, como contingência. Mas isso não está no contrato que não prevê nenhuma contingência. A Odebrecht argumenta que cumprirá com a promessa de usar o dinheiro para variações do preço da obra.

“A margem de 4% está prevista desde o contrato principal. O conteúdo da ata citada é auto explicativo”, disse a assessoria da construtora. “(O lucro) Justamente para suportar eventuais variações que ficaram exclusas do valor do fechamento do Aditivo.”

Na ata da reunião, o valor do lucro bruto é menor: R$ 32 milhões. Ou seja, sofreu um reajuste antes de entrar no contrato ao passar para 4% do total. A construtora nega que tenha havido mudança. “Seria de gargalhar a empreiteira não ter lucro. Mas, inicialmente, não dava para saber quanto seria. Dependeria da sobra da obra. Se ficasse mais baixo o valor da obra, teria mais”, contou Rosenberg, que desconhece o aditivo ao contrato.

Página de ata de reunião entre Odebrecht e Corinthians em que o lucro da empreiteira fica em R$ 32 milhões

Página de ata de reunião entre Odebrecht e Corinthians em que o lucro bruto da empreiteira fica em R$ 32 milhões

Em relação ao TAC, a construtora explicou que “refere-se à Taxa da Administração Central, comum nos contratos de construção para suportar o todo tipo de apoio da Empresa nos Empreendimentos.” Só que a mão-de-obra da obra já está prevista em outros itens.

O orçamento divulgado pela construtora e pelo clube não explicita esse lucro e o TAC da empreiteira. Inclui um item chamado BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) que é usado em obras para colocar o lucro e esse tipo de custo, entre outras despesas. Mas a maioria do público não conhece o termo.

Em relação aos aumentos de custo da obra, a justificativa da Odebrecht é uma mudança do escopo original com acréscimos: “Alguns itens foram incorporados ao projeto com a intenção de maximizar receitas de operação (Ex: Painel de Led da fachada Leste, vidros curvos das fachadas, dentre outros) e/ou pela ocorrência de fatos não previstos e exclusos do contrato (Impostos, LEED, Remanejamento dos Dutos Transpetro, dentre outros )”, disse a assessoria da construtora.

O clube não comentou a questão. Mas o arquiteto da obra, Aníbal Coutinho, afirmou que as variações de escopo não foram tão grandes. “Fizemos solicitações depois de 2011 que geram impacto de R$ 23 milhões e foram em parte devido à variação cambial (…), e também a situações da obra que modificamos para aumentar o faturamento da obra, clubes vips, etc”, afirmou ele. “As mudanças de contrato foram ínfimas. Elas não ultrapassam R$ 23 milhões de custo direto. O equivalente de menos de 3% da obra.” A empreiteira argumenta que todos os custos estão no orçamento.

O arquiteto afirmou não ter conhecimento da parte financeira da obra, nem do teor inteiro do contrato. Mas está claro que há uma discordância sobre o tamanho nas modificações do escopo do projeto. Dos itens que tiveram aumentos certos, estão transpetro (R$ 10,9 mi), impostos (R$ 36 mi) e variações do escopo (R$ 23 mi). Isso está longe dos R$ 175 milhões de acréscimos. A empreiteira argumenta que todos os custos estão no orçamento divulgado pelo clube.

Os impostos subiram porque não foram incluídos todos no Recopa (programa de incentivos fiscais do governo). Assim, a construtora passou a cobrar R$ 24 milhões até aquele alteração contratual, e outros R$ 12 milhões para obras futuras. Só que o que exceder isso será pago pelo clube. Será de “responsabilidade integral da contratante o recolhimento e pagamento de tributos que excedam tal limite”, diz o contrato.

Quinto aditivo do contrato que prevê que impostos que excederem R$ 12 milhões serão pagos pelo Corinthians

Quinto aditivo do contrato que prevê que impostos que excederem R$ 12 milhões serão pagos pelo Corinthians

Não é o único item que pode ultrapassar R$ 985 milhões. Pela cláusula 14.2.2 imposta pelo aditivo, “na hipótese de apresentação de pleitos, demandas ou contingências de qualquer subcontratado da contratada que impliquem em ônus adicional, caberá a contratante (Corinthians) promover ajustes ou modificações na especificação dos itens das obras de modo a reduzir valores, com vistas a assegurar que o preço fixo global não seja alterado”.

Na ata, fica ainda mais claro que demandas de fornecedores não estão incluídos no valor. Ou seja, o preço fixo de R$ 985 milhões, na prática, pode ser alterado. A Odebrecht confirma que já existem reivindicações de fornecedores exigindo mais dinheiro pela obra. Isso inclui itens como ar-condicionado e instalações elétricas. Há diversos itens inacabados no Itaquerão.

Quinto aditivo estabelece que o Corinthians tem que negociar possíveis reivindicações de fornecedores, e que isso não está no preço final

Quinto aditivo estabelece que o Corinthians tem que negociar pedidos de fornecedores fora do preço final

A construtora afirmou, no entanto, que qualquer variação nos preços será custeado pelo seu lucro. E afirmou que o preço não vai aumentar.

Outra questão: no novo contrato, se a Odebrecht identificar que um quesito vai superar o teto, irá comunicar o Corinthians para substituir por outro de especificação diferente para manter o preço. O aditivo ainda revoga cláusulas do primeiro aditivo pedido pelo clube para economizar.

Os termos definitivos do contrato são importante em um cenário de disputa entre o Corinthians e a Odebrecht por itens não concluídos da obra. O clube notificou que 180 deles não tinham sido entregues, apesar de terem sido incluídos em lista como prontos. Também há questionamentos no canteiro de obras sobre a qualidade que a empreiteira tem realizado a obra.

A empreiteira garante que isso não vai acontecer: “A qualidade dos materiais empregados serão mantidas ou melhoradas”, disse. O clube não se pronunciou. O arquiteto Aníbal Coutinho também espera a conclusão da obra dentro do combinado: “Acredito que sim. Se a Odebrecht cumprir o contrato, a gente vai ter a obra integralmente pronta.”

Em toda a negociação, não se pode esquecer que o Corinthians estava em uma posição frágil porque quem levantou o dinheiro para a construção foi a Odebrecht por meio de empréstimos bancários. Esses mútos são de responsabilidade do clube pagar.

Pelo contrato inicial, não alterado neste trecho, os pagamentos pela obra tinham que ser mensais. O Corinthians enfrenta problemas com a falta de viabilidade dos CIDs (Certificados de Incentivos de Desenvolvimento) e com as baixas receitas geradas pelo estádio até agora. A empreiteira recebeu do BNDES e dos empréstimos bancários.

No momento, a dívida do clube com a empreiteira é de cerca de R$ 400 milhões. O débito total do estádio, com isso, já está em torno de R$ 1,150 bilhão e R$ 1,2 bilhão. São os R$ 985 milhões do contrato, mais as instalações provisórias da Fifa (R$ 90 milhões) e mais de juros de mais de R$ 100 milhões. Esses itens são por fora do acordo.

Um valor fruto de série de erros no financiamento, e, agora se sabe, pelo inchaço no preço da obra. Aceito pelo Corinthians.

O advogado Ivandro Sanchez, que é o responsável jurídico do Corinthians no contrato, respondeu por meio de sua assessoria: “O Machado, Meyer Advogados esclarece que não participou das negociações comerciais entre as partes contratantes”, disse ele.”As suas questões são de cunho estritamente comercial e/ou técnico e foram discutidas e negociadas pelos empresários representantes de cada uma das partes.”

Repita-se: o clube foi procurado com uma série de perguntas sobre o contrato e suas alterações e teve uma semana para responder. Não deu retorno.

Sondado por Andrés para retornar à gestão do Itaquerão, e depois descartado, Rosenberg demonstra sua decepção do quadro atual: “Me dá enjoo cada vez que vou ao estádio.”

No dia posterior a publicação deste post, o Corinthians publicou a seguinte nota em seu site depois de não ter respondido às perguntas feitas:

O que está por trás das críticas à Arena Corinthians

Nas últimas semanas a Arena Corinthians vem sendo alvo de notícias desqualificadas e de interesse duvidoso, veiculadas principalmente em blogs de pouca expressão, com claro objetivo denegrir o êxito alcançado pelo Sport Club Corinthians Paulista na construção de seu moderno estádio no bairro de Itaquera, que sediou a abertura da Copa do Mundo de 2014 e mais cinco jogos, com absoluto sucesso.

São matérias relacionadas à viabilidade e construção da nossa Arena, nas quais os autores raríssimas vezes se dão o trabalho de checar as “denúncias”. E quando recebem os esclarecimentos de nossa parte e/ou da construtora responsável pelas obras acabam não lhes dando o devido destaque e, mais que isso, questionam as respostas apresentadas.

Esses jornalistas, “supostamente” mal informados, questionam também a atuação da Construtora Norberto Odebrecht no projeto. Ou lhes faltam informações ou não querem mesmo entender os fatos de como se estabeleceu a parceria, os contratos, os aditivos e as operações financeiras, certamente com o intuito de confundir os leitores.

Não citam em momento nenhum as garantias apresentadas pela Construtora para a viabilidade do empreendimento e sequer dão importância ao fato de que ainda não saiu o dinheiro dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), no valor de R$ 420 milhões, porque a Prefeitura de São Paulo recusa-se realizar uma operação simples que daria garantia a esses títulos. Isso sim é significativo para o fechamento da equação financeira da Arena, e enquanto isso não ocorre os juros só aumentam.

Com total transparência, o Clube recentemente divulgou no site o extrato detalhado dos R$ 985 milhões de custos envolvidos na construção da Arena, cujas obras estão em fase final. E todas elas foram apresentadas e aprovadas no CORI e Conselho Deliberativo.

O moderno Estádio, apesar de todo requinte no acabamento, está entre os de menor valor por m2 de construção entre todas as Arenas recentemente erguidas para a Copa. A diretoria de Marketing, em conjunto com a equipe gestora da Arena, prepara-se para lançar oficialmente para venda os produtos e propriedades.

O Corinthians, em parceria com a Construtora, mantém o compromisso, principalmente com a Fiel Torcida, de prestar todos os esclarecimentos e ser sempre transparente no demonstrativo dos gastos realizados para a concretização do sonho, já realizado, de erguer a nossa Arena.


Instalações da Fifa custam R$ 108 mi no Itaquerão, 10% do total da obra
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rodrigomattos

As instalações provisórias da Fifa no Itaquerão para a Copa-2014 tiveram um custo total de R$ 108 milhões, o que é igual a 10% do do total da obra do estádio. Desse gasto, o Corinthians arcou com R$ 90 milhões, segundo a Odebrecht, responsável pela operação. A estrutura corintiana complementar corintiana foi a segunda mais cara, atrás da de Manaus.

Os números constam da matriz de responsabilidades do Ministério do Esporte, fechada no final do ano passado. Nela, está um gasto total de R$ 580 milhões com as instalações da Fifa nos 12 estádios. São estruturas montadas e depois destruídas, sem utilização posterior.

Na conta de todos as arenas, apenas a parte do Corinthians foi bancada por iniciativa privada. Nem Ministério do Esporte, nem Odebrecht souberam explicar a discrepância entre a conta de cada um. Fato é que o montante foi incluído no fundo que acumula a dívida para construção do estádio, e é bem maior do que a previsão inicial de R$ 60 milhões.

“O valor estimado para as obras temporárias era de no máximo R$ 100 milhões na época em que se efetivou o financiamento para elas. Ou seja, no final ficou R$ 10 milhões abaixo do previsto. Quanto às exigências da Fifa, deve-se levar em consideração que elas foram crescendo na medida em ocorriam as Inspections (reuniões trimestrais com técnicos da Fifa). A previsão inicial de R$ 60 milhões, no final do ano de 2013, baseava-se num levantamento preliminar realizado pela própria Fifa e a Prefeitura, justamente quando se discutia a questão dos custos e das responsabilidades sobre as obras temporárias”, explicou a Odebrecht.

Como o Ministério do Esporte não explicou sua conta, não ficou claro se incluiu como nos R$ 107,9 milhões as arquibancadas provisórias, bancadas pela Ambev em acordo com o governo do Estado. A questão é que essa instalação teve custo de R$ 38 milhões, visto é, somada ao que foi bancado pelo Corinthians, daria um total bem mais alto: R$ 128 milhões.

Governo e a construtora também discordam sobre o preço final das obras do Itaquerão. Segundo a construtora, o valor é de R$ 985 milhões. Já o Ministério do Esporte registrou um montante de R$ 1,080 bilhão.

Não é apenas no estádio corintiano em que há dúvidas. A matriz de responsabilidades registra que a Arena Amazonas teve um gasto de R$ 123 milhões com instalações da Fifa para receber a Copa, um valor muito acima de outra arenas para 40 mil pessoas. O blog enviou perguntas ao governo do Estado para saber sobre esse número, mas não obteve resposta após uma semana. O montante representa quase um quinto da obra da praça esportiva de Manaus.

Considerada a Copa-2014 e a Copa das Confederações, o Brasil gastou R$ 778 milhões com instalações provisórias, o equivalente a 9% do custo total dos estádios. O Ministério do Esporte considerou um bom investimento.

“Apenas com a exposição da imagem do Brasil, que realizou uma Copa do Mundo bem organizada e exitosa, além da receita gerada com turismo, o megaevento já se pagou, deixando importante legado, esportivo e de infraestrutura urbana, nas cidades-sede. As instalações complementares formaram parte da estrutura necessária para o pleno funcionamento de uma operação complexa do tamanho de uma Copa do Mundo, exigindo espaços de trabalho adequados para jornalistas de todo o mundo, voluntários, e profissionais de tecnologia, dentre outros”, justificou a pasta.

 


Com justiça, C. Ronaldo é o 1o eleito melhor da Fifa após Copa ruim
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rodrigomattos

A escolha de Cristiano Ronaldo como melhor do mundo da Fifa é simbólica porque pela primeira vez o desempenho na Copa do Mundo é ignorado na eleição. Desde o início da votação da federação internacional, o vencedor, em geral, é o de maior destaque na competição mais importante. Uma exceção foi Messi, em 2010, mas ele teve um desempenho bom no Mundial.

Neste ano, Cristiano Ronaldo, afetado por lesões, teve uma Copa completamente apagada por Portugual. Disputou apenas três partidas, fez um gol, e deu uma assistência. Sua participação não se prolongou porque o time foi eliminado na primeira fase.

Um rendimento bem inferior ao dos seus concorrentes Messi e Neuer. Ambos chegaram à decisão da Copa com seus times, sendo que o argentino chegou a ser escolhido (de forma polêmica, diga-se), o melhor do torneio. O goleiro foi destaque da Alemanha, campeã mundial.

A questão é que Cristiano Ronaldo brilhou bem mais em suas atuações pelo Real Madrid. O título do time espanhol na Liga dos Campeões veio com 17 gols dele, em 11 jogos, fora cinco assistências e 47 chutes na meta. Seu rendimento no Espanhol e nas eliminatórias do Mundial também foram do mesmo patamar, tanto no primeiro quanto no segundo semestre.

Desde 1991, quando foi criado, o prêmio da Fifa em ano de Copa foi para Romário (1994), Zidane (1998), Ronaldo (2002), e Cannavaro (2006) e Messi (2010). Desses, o único argentino foi o único não campeão. Antes, havia apenas a Bola de Ouro, da France Football, que se unificou ao prêmio da entidade.

Apesar da falta de gols na Africa do Sul, Messi foi o condutor da Argentina na primeira fase e na vitória das oitavas-de -final diante do México – fez jogadas brilhantes em um time desarrumado por Maradona. Foi derrotado por uma Alemanha bem superior coletivamente.

Não se questiona neste texto a justiça da escolha de Cristiano Ronaldo, que foi, sim, o melhor considerado todo o ano. O que se analisa é que capitães e técnicos das seleções, que votaram no português, reduziram a importância da Copa na avaliação final de um jogador.

A Liga dos Campeões passou a ter peso, no mínimo, similar. Esse é um cenário bem diferente do passado em que a Fifa só olhava para seu principal torneio.

PS Constrangedor foi a inclusão de Thiago Silva e David Luiz na seleção da Fifa como melhores zagueiros do mundo. O último participou da goleada sofrida por 7 a 1 para Alemanha. E Thiago, por mais que tenha tido boa atuação até as quartas-de-final, não pode ser colocado no grupo depois do que ocorreu com o Brasil.