Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Estadual do Rio

Após jogo do Fla, Maracanã poderá receber finais de Estadual e Libertadores
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A marcação da estreia do Flamengo na Libertadores para o Maracanã abriu brecha para realização de outras partidas no estádio enquanto não se define o seu novo gestor. A Odebrecht informou estar aberta a requisições para finais de Estaduais, e outras partidas dos grandes do Rio pela Libertadores neste período provisório enquanto define a quem repassar a arena.

A princípio, o novo dono do Maracanã seria conhecido rapidamente já que a construtura pretendia acelerar o processo. Mas o cenário atual é de que pode se prolongar mais do que o esperado a disputa entre a Lagardère e a GL Events, que chegou a desistir da concorrência e voltou atrás depois disso.

A Odebrecht prometeu informar para o governo estadual em 9 de março o andamento de negociações, mas não há garantias de que até lá estará concluído. Além disso, há um período de transição para analisar obras necessárias que somam pelo menos R$ 20 milhões. Ou seja, o estádio pode abrigar jogos, mas está longe de estar pronto 100%.

Com isso, a Odebrecht aceita negociar acordos pontuais com clubes que desejarem utilizar o estádio. Mas para isso teria de haver acordo como no caso do Flamengo que se comprometeu a tratar de vários itens do estádio. A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) deve requisitar o Maracanã para as finais do Estaduais. É possível que formalize o pedido na próxima semana.

Já o Flamengo não tem certeza sobre o que fará na sua segunda partida na Libertadores, no dia 12 de abril, contra o Atlético-PR. Até lá, a Arena da Ilha estará pronta com 20 mil lugares, segundo a diretoria. E o Maracanã pode ter sido cedido à Lagardère – o clube afirma que não joga no estádio com a empresa.

“O acordo por enquanto é só para este primeiro jogo. Depois vamos ver”, afirmou o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello. Em resumo, o Maracanã ainda vive um incógnita sobre seu futuro, mas pelo menos pode voltar a ter futebol com frequência.


Disputa entre Globo e Esporte Interativo já aumenta em 70% valor do Carioca
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A disputa entre Esporte Interativo e Globo pelo Estadual do Rio vai quase dobrar o valor dos seus direitos de transmissão. O canal da Turner ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões pela competição, como revelado pela “Folha de S. Paulo”. Agora, a Globo terá de igualar essa proposta. O contrato atual é de R$ 60 milhões, isto é, o aumento seria em torno de 70%.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da Ferj e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. O blog não conseguiu confirmar se há cláusula contratual neste sentido, ou seja, um mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a Ferj atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

 


Bicampeão, Vasco de 2016 é mais forte do que no ano passado
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Assim como no ano passado, o Vasco foi campeão do Estadual do Rio ao bater o Botafogo na final, após deixar pelo caminho o mais rico Flamengo. De novo, a força defensiva é sua principal armar. Mas a equipe vascaína que triunfou neste ano é superior a de 2015.

Foi um time amadurecido pela briga contra o rebaixamento no ano passado que chegou no Carioca. Assim como Doriva, Jorginho achou na consistência defensiva sua forma de jogar. A diferença é que há mais segurança atrás, e algumas armas novas à frente.

Além da zaga formada por Luan e Rodrigo, uma estabilidade, o Vasco tem uma formação com duas linhas de quatro na marcação que é difícil de penetrar. Não é à toa que está invicto há 25 jogos.

Ofensivamente, houve ganho com Nenê, que deu qualidade às bolas paradas e alguma inteligência ao ataque. Não é nenhum primor: o Vasco certamente terá dificuldade quando tiver que atacar o rival e não puder apostar só em contra-ataques. Deve ser o suficiente para a Série B, mas não seria para brigar em cima na elite do Brasileiro.

Para o Estadual, foi mais do que suficiente. O Vasco sobrou diante do Flamengo na semifinal, com um time arrumado diante de um rival bagunçado.

Diante de um Botafogo também apostando no futebol coletivo, teve menos posse de bola, mas foi mais seguro. No primeiro jogo da final, dominado, aproveitou-se dos erros do rival, como a saída em falso de Jefferson e a expulsão de Sassá.

Na decisão, de novo, teve menos a bola nos pés, mas foi pouco ameaçado. Se tem domínio do jogo, o Botafogo não tem recursos para ameaçar de fato um rival bem armado defensivamente. Foram raras as chances de gol.

Foi preciso que Diego acertasse um cruzamento precioso para Leandrinho fazer o gol. Isso tirava o Vasco da zona de conforto, de se defender e contra-atacar. Mas essa formação vascaína é capaz de ser eficiente quando necessário: empatou com Rafael Vaz de cabeçada.

O título é uma forma de recuperação parcial para o rebaixamento de 2015. É preciso voltar para a Primeira Divisão no restante do ano para que o Vasco comece a se reencontrar com seu caminho. É bom que saiba que tem mais força do que em 2015, mas que não pode se iludir com o Estadual e terá de fazer ainda mais no restante do ano.

 


Futebol solidário de Bota e Vasco derrota salários milionários de Fla-Flu
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Repete-se o enredo de 2015 no futebol carioca. De novo, Flamengo e Fluminense se apresentam como os times com mais recursos, conseguem contratações caras, se tornam mais badalados. Mais uma vez, fracassam diante de elencos modestos e de um futebol solidário de Botafogo e Vasco que chegam à final do Estadual do Rio deste ano.

Pense no tricolor Fred e no rubro-negro Guerrero. São, possivelmente, os dois maiores salários do futebol brasileiro, ambos acima de R$ 500 mil. O que fizeram os dois neste Estadual? Pouco. E na Primeira Liga? Guerrero teve uma ou outra boa atuação, enquanto Fred esteve fora da maior parte da vitoriosa campanha do Fluminense, preocupado se era escalado ou não, se tinha aumento ou não.

Enquanto isso, com parcos recursos por conta de erros de seus dirigentes passados (e no caso vascaíno também do atual), Botafogo e Vasco apostaram em um elenco recheado de garotos ou na manutenção da base de 2015. Entre os dois grupos, Nenê é o maior salário cruzmaltino, e Jefferson, o botafoguense, ambos bem abaixo de Fred e Guerrero. No restante dos dois elencos, a disparidade é ainda maior.

Pois bem, o técnico Jorginho montou um time assumidamente defensivo diante de rivais grandes. Arma sua equipe com duas linhas de marcação difíceis de serem penetradas. E faz do contra-ataque, principalmente pela direita, sua arma. Sem brilhantismo, o time é consistente, uma nota seis ou sete. Mas sempre vence uma equipe nota quatro ou cinco.

E o Flamengo de Muricy Ramalho é um time de altos e baixos que tende mais para a reprovação do que para a média para passar. Apesar de vários bons jogadores, não encontrou ainda uma forma de jogar. Uma prova disso foi a mudança do esquema na semifinal, preferindo os três atacantes aos quatro jogadores no meio de campo que vinham funcionando.

Não deu certo. O Flamengo não tinha aproximação, e insistia nas bolas longas. Não ameaçava de fato o Vasco – ainda mais porque seu centroavante e estrela Guerrero tinha atuação lamentável. A volta ao sistema anterior, com quatro no meio, de pouco adiantou. O time rubro-negro era inseguro, e o Vasco sabia o que queria e levou a vaga.

Há similaridades com a semifinal de arquibancada esvaziada entre Fluminense e Botafogo. O time de Ricardo Gomes tinha um propósito desde o início do jogo. Pressionar o rival, ter posse de bola, não dar espaços na retomada tricolor.

Do lado da equipe de Levir Culpi, a velocidade vista na Primeira Liga se perdeu em uma saída de bola deficiente com excesso de erros. Não havia troca de passes no meio de campo, nem no ataque. Fred estava lá na frente, milionário e pouco participativo.

Após o segundo tempo, houve disposição tricolor, mas não o suficiente para mudar a superioridade tática botafoguense. A lição do dia é que não há salários altos que batam um time melhor organizado. O talento faz diferença se houver uma organização que o ressalte.

Claro, isso não significa que Flamengo e Fluminense irão pior do que os rivais no Brasileiro, campeonato mais importante. O Estadual não é parâmetro para o Nacional. Aliás, a dupla acabou à frente dos outros dois em 2015 (o Botafogo estava na Série B), embora longe do topo.

Fato é que, após quatro meses do ano, independentemente da importância do Carioca, é certo que o dinheiro da dupla Fla-Flu não foi suficiente para exibir um futebol convincente. Enquanto isso, Vasco e Botafogo, de poucos recursos, já tem um caminho do que pretendem na temporada.


Palmeiras e Flu têm piores inícios de temporada entre os grandes
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Impossível fazer julgamentos definitivos sobre o que será a temporada 2016 pelos desempenhos no início de Estaduais, além de poucos jogos da Primeira Liga e da Libertadores. É possível, sim, ter uma ideia de quem está mais avançado na montagem do time, e quem capenga para encontrar uma ideia de jogo. Neste último caso estão Palmeiras e Fluminense: os piores entre os grandes até agora.

Em um levantamento sobre os 12 times mais tradicionais do Brasil, dez deles têm um aproveitamento acima de 50%. As únicas exceções foram o tricolor carioca e o alviverde paulista que conseguiram 41,6% dos pontos. Cada um ganhou 10 pontos em oito jogos, percentual que os deixaria disputando para não cair no Brasileiro.

Isso se deve às péssimas campanhas no Paulista e no Carioca de ambos. No caso palmeirense, após a derrota para Ferroviária no domingo, o time está no segundo lugar de seu grupo e tem apenas o 10o melhor desempenho no campeonato. O Fluminense é quarto em seu grupo, com apenas 38% dos pontos.

Pela facilidade dos Estaduais, as duas equipes têm boas chances de se classificar às próximas fases. A questão é a dificuldade enfrentada contra adversários, em geral, mais fracos do que no Brasileiro. A diretoria do Fluminense demitiu o técnico Eduardo Baptista, embora não desse importância ao Estadual no discurso.

Ao se analisar a outra ponta, os melhores times até agora, é cedo para se empolgar. Recém-promovido da Série B, o Botafogo tem o melhor aproveitamento com 90,5%, mas só jogou Estadual até agora. O futebol alvinegro está longe de ser vistoso, e o elenco modesto gera temores sobre o futuro na Série A.

Vasco, Corinthians e Flamengo vêm a seguir com desempenhos acima de 80%. Mas também terão de provar que se firmarão na temporada por diferentes razões: o primeiro porque tenta se recuperar de um rebaixamento e os outros dois porque estão em remontagem com vários jogadores novos. No caso vascaíno, o time só disputa o Estadual, e teve apenas dois jogos contra grandes.

Repita-se: é cedo para chegar a conclusões quando os times disputaram pouco mais de 10% dos jogos da temporada. Estaduais, muitas vezes, são enganosos no início, servindo mais como preparação para outras competições. Mas o desempenho bem abaixo das médias dos outros justifica uma preocupação entre palmeirenses e tricolores.


Dupla Fla-Flu joga Estadual com titulares sem saber se terá cota da Globo
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Após ameaças de usar reservas, o Flamengo recuou na briga com a Ferj (Federação do Rio) e jogará com titulares o Estadual do Rio após pressão da Globo. Pouco antes, o Fluminense também tinha decido ter seu time principal na competição regional. Apesar de respeitarem o contrato de transmissão, os dois times não têm garantia de receber cotas de televisão por sua participação.

A briga entre a dupla Fla-Flu iniciou-se no Estadual de 2015. Depois, os dois se juntaram à Primeira Liga para a disputa de campeonato com times de outros Estados, que iriam priorizar em relação ao Carioca. A diretoria rubro-negra disse que teria reservas no Estadual, e os tricolores estudavam fazer o mesmo.

Em dezembro, um arbitral da Ferj com todos os clubes estabeleceu uma multa da cota integral de TV do Estadual para quem jogasse competições que não estivessem no calendário da CBF, como a Primeira Liga. A medida está válida e não foi revogada: Fla e Flu perderiam R$ 7 milhões cada.

Questionado pelo blog sobre as cotas, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou que não sabe “nada sobre a Ferj”, mantendo a rejeição à entidade. Perguntado se jogaria sem receber, completou: “Vamos nos preparar para todas as hipóteses.” Ou seja, o clube recuou a pedido da Globo, mas pode ficar sem dinheiro da tv. Mas Bandeira não vê como um enfraquecimento das críticas do clube.

A diretoria do Fluminense também desconhece se terá direito à cota de televisão no Estadual. Seu presidente Peter Siemsen está no exterior. No clube, a posição era de que nunca se afirmou que seriam usados reservas: estudava-se a questão e, no início do ano, decidiu-se pelos titulares. Haverá um revezamento entre formações com a Primeira Liga. A diretoria tricolor diz manter posição crítica em relação à federação do Rio.

A Ferj marcou um novo arbitral sobre o Estadual para sexta-feira. Na reunião, oficialmente, serão discutidos os estádios onde serão realizadas as partidas, e os preços dos ingressos das partidas. A questão da multa das cotas não está na pauta, mas pode ser debatida se algum clube reivindicar mudanças. Fla e Flu não têm ido aos arbitrais.

No momento, a tendência é que não exista recuo da federação na questão das cotas. O Fluminense é visto na Ferj como um clube que pode abrir o diálogo, tanto que a federação já sabia que utilizaria titulares desde o ano passado. Já o Flamengo está bem mais distante. De qualquer maneira, a Ferj tem um ponto fraco que é a negociação do contrato de televisão do Estadual para 2017. Sem Fla-Flu na mesa, dificilmente conseguirá uma renovação.

 


Com nova regra no Estadual, Vasco terá cinco jogos em casa, e Fla, só três
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Uma novidade incluída no regulamento do Estadual do Rio de Janeiro de 2016 criou um desequilíbrio nos mandos de campo, favorecendo o Vasco e prejudicando o Flamengo. Foi incluído um item em que o campeão e o vice (Vasco e Botafogo) serão os mandantes nos clássicos na primeira fase. Com isso, o time vascaíno jogará cinco vezes em casa, e a equipe rubro-negra, três.

Desde o ano passado, Flamengo e Fluminense estão em pé de guerra com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), alegando que a entidade executa medidas prejudiciais a eles. Por isso, ambos entraram na Liga Sul-Minas que ganhou chancela da CBF. A Ferj luta contra esse torneio e quer enquadrar os dois grandes.

Em meio à disputa, a informação de que Vasco e Botafogo terão vantagem nos mandos de campo nos clássicos acirrou os ânimos e gerou novos protestos da dupla Fla-Flu. A Ferj, no entanto, alega que esse item do regulamento foi incluído em agosto, em arbitral dos clubes, e não houve mudanças nas regras. Os dois times não foram às reuniões por causa da briga.

O problema é que o regulamento criou um desequilíbrio nos mandos do Estadual entre Vasco e Flamengo. É incomum em campeonatos haver desigualdade de mandos quando há número par de jogos, isto é, oito. Fluminense e Botafogo têm cada um quatro partidas em casa.

Para se ter ideia da aberração, o time rubro-negro estreia em casa contra o Boavista. Depois, passa cinco partidas atuando fora. E encerra a primeira fase com dois jogos em seu campo.

Ao blog, a Ferj explicou que, quando escolhida a fórmula do campeonato, foi definida a tabela, e cada clube teve seu lugar sorteado. Teoricamente, cada um ficaria com quatro mandos. Mas, com o novo regulamento, o mando de Vasco e Flamengo foi invertido, provocando a vantagem alvinegra.

Na visão da federação, isso não causa desequilíbrio técnico porque o time rubro-negro jogaria duas vezes no Maracanã, com torcida e renda dividida com os outros. E, nas outras partidas, há três fora, e três em casa. O mesmo valeria para o Vasco em situação invertida.

Só que o mandante passa a determinar preços de ingressos, e lugar de sua torcida no Maracanã, prerrogativas que serão do Vasco nos clássicos contra Flamengo e Botafogo. Além disso, há a possibilidade real de o Maracanã estar fechado por causa da Olimpíada. Neste caso, o clube vascaíno levaria a partida para onde quiser: São Januário, por exemplo. Neste caso, haveria desequilíbrio técnico.

Para a segunda fase do Estadual, o critério técnico definirá os mandos dos jogos. Como serão sete jogos, alguns times jogarão três em casa, e outros quatro.

Certo é que, com essa medida, a Ferj dá mais razão a dupla Fla-Flu quando falam que são prejudicados por suas atitudes. A questão é que os dois clubes ganharam uma queda de braço com a federação com o aval da CBF à Liga. Já o presidente da Ferj, Rubens Lopes, recebeu uma carta evasiva da confederação em resposta a sua tentativa, e de Vasco e Botafogo, de barrar o campeonato.

Neste cenário, parece claro que Flamengo e Fluminense encontraram uma forma de sobreviver sem o Estadual, e suas regras sem equilíbrio. Resta saber se a tradicional competição conseguirá se manter sem dois de seus protagonistas.

 


CBF e federações preveem caos em Estaduais por conta de Lei Profut
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A CBF e federações projetam um caos para os Estaduais de 2016 por conta da nova Lei Prout. Explica-se: as entidades estimam que boa parte dos clubes não tem como cumprir as obrigações de ter certidões negativas de débitos fiscais e de quitação de FGTS e por isso estariam impedidos de jogar. Ou seja, os campeonatos teriam vários desfalques entre os times previstos.

Houve uma reunião na última quarta-feira em que a confederação e as entidades estaduais discutiram o problema. Uma das ideias avaliadas é pedir para o governo federal uma mudança na regulamentação da lei para aumentar o prazo de adaptação.

“A reunião foi muito preocupante. Trabalhamos para explicar os deputados e o governo das dificuldades que teríamos com a CND (Certidão Negativa de Débito), para tentar flexibilizar. Deputados entenderam, mas a Dilma vetou. As federações explicaram que está muito difícil para os clubes obterem as certidões”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.

A confederação pediu que todas as federações façam levantamentos junto aos clubes para saber qual o total deles que não tem as certidões. A partir daí, mostrará a lista para o governo federal.

“No meu Estadual, dos 12 clubes, só quatro têm as certidões. Há os que vão aderir ao refinanciamento e o problema estaria resolvido. Mas há os outros. Deveria haver um ano de adaptação”, explicou o presidente da Federação Pernambucana, Evandro de Carvalho. “Como vai fazer na Série B que a maioria não tem? Não vai ter campeonato?”

“Nossa federação já teve um arbitral (reunião para decidir fórmula). Teremos que verificar os times. Há uma dificuldade no futebol brasileiro como um todo. Os clubes pequenos não têm a mesma estrutura dos grandes e só agora estão sabendo da lei”, analisou Hélio Cury, da Federação Paranaense.

“As federações vão ter que se adaptar e passar a exigir as certidões. Será obrigatório pela lei. Faremos isso aqui”, afirmou Ednaldo Rodrigues, da Federação Bahiana de Futebol.

Na FPF (Federação Paulista de Futebol), o secretário de futebol, Rogério Hamman, vai fazer uma palestra para os clubes para mostrar as exigências da Lei Profut.

Resta saber se o governo federal vai aceitar rediscutir a lei após longo embate que teve no Congresso em relação ao seu teor. Ainda mais porque esta medida de exigir as CNDs para disputas dos campeonatos foi uma exigência da Receita Federal.


Fla enfrenta barreira jurídica para deixar Estadual do Rio
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O Flamengo enfrenta um verdadeiro labirinto jurídico na sua tentativa de deixar de disputar o Estadual do Rio. A iniciativa é fruto da briga declarada com a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) de quem o clube quer se desvincular. Há barreiras no estatuto da CBF, em legislações, e portas fechadas em possíveis competições alternativas.

Internamente, a própria diretoria reconhece que está muito difícil encontrar um caminho nesta briga. Oficialmente, o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou que está “estudando alternativas”.

O problema é que o estatuto da CBF estabelece que os times têm que disputar os Estaduais ou estão fora das competições nacionais como o Brasileiro. A Ferj ainda poderia desvincular o clube, o que o deixaria sem ligação com a confederação.

Por isso, dirigentes do clube sabem que não podem deixar de disputar o Estadual. Até porque a alternativa de jogar em outros Estados é inviável. O clube teria de mudar de sede e iniciar o processo do zero, ou seja, em divisões mais baixas, segundo advogados consultados pelo blog. O Estatuto do Torcedor veta convites inclusive para ligas como a nordestina.

“Não teve nenhum convite ao Flamengo. E existe um critério para entrar na Liga do Nordeste. Esse critério é se classificar pelos Estaduais do Nordeste. Não existe isso”, afirmou o presidente da Liga do Nordeste, Alexi Portela, desmentindo boatos de que o clube entraria no campeonato.

O mesmo vale para São Paulo, onde a possibilidade de transferência do clube foi tratada como brincadeira pela Federação Paulista de Futebol. A diretoria rubro-negra nunca pediu para disputar o Paulista por saber dessas limitações. Enquanto se concentra no Brasileiro em campo, clube terá de desdobrar fora dele se quiser levar adiante sua briga com a federação.

 


Diante do Botafogo, Vasco tenta retomar papel de protagonista no Rio
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Ao se observar a história do futebol carioca, é fácil constatar que o Vasco teve superioridade sobre o Botafogo por mais de 30 anos, dos anos 70 ao início da década passada. Só que isso se inverteu nos últimos dez anos: o time de General Severiano tem tido desempenho melhor do que o rival em campo. A final do Estadual pode representar uma inversão desses papéis.

Vamos aos dados. O Vasco não ganhou nenhum título Estadual nos últimos 11 anos. Na verdade, só conseguiu chegar a uma final em uma década. Sim, a equipe vascaína obteve uma taça da Copa do Brasil no período. Mas sofreu com dois rebaixamentos no Brasileiro.

O Botafogo ganhou três Estaduais,  e ainda disputou outras quatro decisões. Assim, era o principal rival no Estado do Flamengo, que ganhou cinco taças no período. No Brasileiro, manteve-se na Série A até 2014 e obteve uma classificação à Libertadores, com o direito a Seedorf em campo. Foi no ano passado, com o rebaixamento, que essa fase positiva se encerrou.

Se observamos os 35 anos anteriores a 2005, no entanto, era uma realidade bem diferente. O Vasco ganhou mais Estaduais do que o Botafogo em todas as décadas, e acumulou quatro Brasileiros contra um do rival, além de uma Libertadores. Era o time cruzmaltino que disputava o topo do Rio com o Flamengo.

Está claro agora que esse crescimento esportivo do Botafogo foi baseado em uma gastança que não se sustentava. Tanto que a nova diretoria botafoguense revelou em seu balanço uma dívida de R$ 848 milhões, a maior entre todos os grandes clubes brasileiros. O ex-presidente Maurício Assumpção montou times acima das possibilidades alvinegras.

Um cenário similar, aliás, ao que o Vasco enfrentou quando acabou o dinheiro ainda no primeiro período com Eurico Miranda como presidente. Após o título do Brasileiro de 2000, com o time milionário de Romário, Juninho Pernambucano e Juninho Paulista, a CPI do Futebol revelou a gastança indevida do dirigente. Sem recursos, sobraram as dívidas – até hoje paga a Romário.

Neste cenário, o clube teve que enfrentar uma penúria que o deixou atrás de todos os três rivais neste período de mais de dez anos. Atualmente, a situação financeira vascaína não é muito melhor do que a botaguense, com um débito de R$ 597 milhões, fora a falta de confiabilidade dos dados do relatório do clube. Sua receita de R$ 129 milhões em 2014 é ainda menor do que a do Botafogo.

Com esses problemas, dificilmente um dos dois clubes voltará a ser protagonista no cenário nacional em um futuro próximo. O Botafogo está na Série B, e o Vasco tem um time valente e bem armado, mas insuficiente tecnicamente para brigar por título na Série A. A animação de sua torcida que lotará o Maracanã pode levá-lo a retomar seu papel perdido dentro do Rio. É um primeiro passo.