Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Estadual do Rio

Após 22 anos, um Fla-Flu para reerguer o Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Após o final de semana, o Estadual do Rio ganhou em atração ao ter um Fla-Flu decidindo título após 22 anos do gol de barriga de Renato Gaúcho que deu o título emblemático ao tricolor. O confronto de 1995 foi, porém, parte de um octogonal final. A última final entre as duas equipes foi em 1991.

O clássico é um sopro de esperança para um campeonato desgastado por uma fórmula esdrúxula feita pela Ferj e pelo excesso de jogos da competição. É também uma chance de os clubes se entenderam sobre um futuro para o Maracanã.

Não dá para dizer que o Estadual de 2017 foi empolgante. A fórmula escolhida criou jogos inúteis como as semifinais e finais dos dois turnos, houve longas 18 datas enquanto os times se preocupavam mais com outras competições e para completar houve pouco público e violência.

As duas semifinais reuniram menos de 50 mil pessoas. O público, o mesmo que tem lotado partidas de Libertadores e de Sul-Americana, não é bobo e tem dado seguidas demonstrações de reprovação ao modelo atual do Estadual, longo e sem sentido.

Em campo, os resultados foram os óbvios. No sábado, o Fluminense de Abel Braga usou sua velocidade e garotos para vencer com sobras um perdido Vasco, mostrando como é grande a diferença entre os dois times. E o Flamengo com seu time encorpado teve domínio sobre o Botafogo em que sobra garra e disciplina tática, mas falta elenco para brigar em duas frentes – melhor priorizar a Libertadores.

A repetição da final depois de duas décadas ocorre em um momento emblemático em que se discute o futuro do Maracanã para muito tempo. E a dupla Flamengo e Fluminense, principais interessados no estádio, demonstrou discursos opostos e sinais de colisão sobre a rota desse patrimônio carioca.

A diretoria rubro-negra briga por uma nova licitação. É um pleito justo diante dos sérios indícios de fraudes na concessão dada à Odebrecht. Não pode, no entanto, o Flamengo esperar uma concorrência que dê o estádio só para si. No discurso, o presidente Eduardo Bandeira de Mello afirma que quer o Fluminense como sócio e prevê abrir o Maracanã a todos.

Mas há o temor expresso pelo presidente tricolor, Pedro Abad, em entrevista no sábado. Como expresso ali, é seu direito pedir acesso igual ao estádio já que seria injusto privilegiar o Flamengo. Discordo dele quando insiste na atual concessão e na venda do estádio à Lagardère pelos problemas já expressos na licitação, não por conta da empresa. Mas seu discurso é de defesa dos interesses do clube.

Flamengo e Fluminense deveriam aproveitar a final para sentar juntos e pensar em um modelo para o Maracanã. A diretoria rubro-negra terá de ceder pois não vai cuidar de tudo sozinha. E a diretoria tricolor terá de ceder porque seu contrato feito com a Odebrecht é impraticável no novo cenário em que todos têm que pagar contas. Nem com a Lagardère o clube ficará imune de pagar despesas.

Para jogar no Maracanã, cada clube terá direitos e ônus, não há outro jeito pois não se deve tirar dinheiro público para isso. Um caminho do meio é bem possível se conversado com o governo do Estado, com participação também de Vasco e Botafogo apesar de ambos terem outros estádios para jogar.

A dupla Flamengo e Fluminense não tem motivo para alimentar suas rivalidades fora de campo, visto que foram bons os resultados para ambos quando se uniram fora dele – um exemplo foi a questão de torcida única. Que reservem todo o seu antagonismo para o jogo da final do Estadual quando poderão viver a sua face de irmãos Karamazov como descrito por Nelson Rodrigues.

 

 


Saia justa: Eurico reclama com herdeiro da Globo e recebe resposta
Comentários Comente

rodrigomattos

Em encontro recente da Globo com dirigentes de clubes, houve uma saia justa entre o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e o herdeiro da família dona da Globo, Roberto Marinho Neto, que é o principal executivo da área de esportes da emissora. O dirigente vascaíno interpelou o executivo sobre o tratamento dado ao Estadual do Rio, e recebeu uma resposta dura.

A Globo decidiu promover uma reunião institucional com os dirigentes de 21 clubes que assinaram o novo contrato do Brasileiro para a partir de 2019. A ideia era apresentar formalmente a nova divisão de cotas de tv, mais igualitária para a TV Aberta e a TV Fechada. Agora, serão 40% igualmente, 30% por posição, e 30% por audiência.

No evento, Roberto Marinho Neto dava uma palestra sobre as estratégias da emissora quando foi interrompido por Eurico Miranda. O presidente do Vasco reclamou de críticas feitas em canais da emissora a campeonatos comprados pela própria Globo. Sua referência era especificamente ao tratamento dado ao Estadual do Rio. Em sua intervenção, o vascaíno disse que toda hora que liga os canais ouve comentários negativos.

Em sua resposta, Roberto Marinho Neto primeiro perguntou a Eurico se ele estava sugerindo que se censurasse os jornalistas da Globo. Depois, o executivo afirmou que não haveria censura porque a origem da empresa é em um jornal, e que não abriria mão dos princípios jornalísticos da emissora. Marinho Neto ainda argumentou que a Globo valoriza, sim, os campeonatos que compra e transmite.

De novo com a palava, Eurico disse que, sob o ponto de vista do Vasco, a emissora continuava pagando as cotas então o clube não era prejudicado por denegrirem o campeonato. Ao blog, o dirigente contou ainda que o executivo da Globo perguntou o que ele faria caso um jogador criticasse o clube. “Se o jogador do Vasco faz isso, vai embora na hora”, retrucou Eurico.

O executivo da Globo ratificou então o que dissera anteriormente. A cena foi vista como constrangedora por dirigentes presentes, mas o embate não teve tom agressivo.

Roberto Marinho Neto foi alçado ao comando da área de esportes da Globo em outubro do ano passado. Na ocasião, uma reformulação estabeleceu que os departamentos de compra de direitos de competições esportivas e o jornalismo esportivo ficariam sob o mesmo guarda-chuvas. Assim, o conteúdo de esporte deixou de fazer parte do setor de jornalismo em geral da empresa.

Eurico tem um histórico de embates com a Globo. Em janeiro de 2001, colocou o símbolo do SBT na camisa do Vasco na final do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Era uma retaliação a programas jornalísticos que revelavam irregularidades na gestão do dirigente no Vasco – várias dessas denúncias foram incluídas na CPI do Futebol, no Senado.

O blog ouviu Eurico Miranda que confirmou o episódio e deu algumas explicações sobre sua posição. “Só queria que me explicassem por que eu entendo pouco de marketing. Queria saber como se compra um produto e vão vender ele esculhambando. Me explicaram e está tudo certo”, afirmou o dirigente vascaíno. E acrescentou com ironia: “Queria entender essa técnica de marketing nova de vender o produto dizendo que é uma merda.”

O blog observou ao dirigente vascaíno que havia uma diferença entre o departamento de marketing e de jornalismo em uma empresa de comunicação. Eurico disse que não questionava a liberdade de imprensa, e que respeitava o direito de crítica.

“Você, por exemplo, não pode criticar a instituição Vasco que não entra no clube. Eu represento a instituição Vasco”, disse ele. O blog perguntou então se não tinha direito de critica-lo. “Você pode me criticar quanto quiser porque estou nisso há muito tempo e dou pouca importância. Só não pode me chamar de homossexual, ladrão ou corno. Porque aí vai ter problemas.”

Por fim, Eurico observou que entende que os resultados ruins de público do Estadual no final de semana (semifinais da Taça Rio) foram por conta da forma como foi conduzida a promoção dos jogos.

 


Após jogo do Fla, Maracanã poderá receber finais de Estadual e Libertadores
Comentários Comente

rodrigomattos

A marcação da estreia do Flamengo na Libertadores para o Maracanã abriu brecha para realização de outras partidas no estádio enquanto não se define o seu novo gestor. A Odebrecht informou estar aberta a requisições para finais de Estaduais, e outras partidas dos grandes do Rio pela Libertadores neste período provisório enquanto define a quem repassar a arena.

A princípio, o novo dono do Maracanã seria conhecido rapidamente já que a construtura pretendia acelerar o processo. Mas o cenário atual é de que pode se prolongar mais do que o esperado a disputa entre a Lagardère e a GL Events, que chegou a desistir da concorrência e voltou atrás depois disso.

A Odebrecht prometeu informar para o governo estadual em 9 de março o andamento de negociações, mas não há garantias de que até lá estará concluído. Além disso, há um período de transição para analisar obras necessárias que somam pelo menos R$ 20 milhões. Ou seja, o estádio pode abrigar jogos, mas está longe de estar pronto 100%.

Com isso, a Odebrecht aceita negociar acordos pontuais com clubes que desejarem utilizar o estádio. Mas para isso teria de haver acordo como no caso do Flamengo que se comprometeu a tratar de vários itens do estádio. A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) deve requisitar o Maracanã para as finais do Estaduais. É possível que formalize o pedido na próxima semana.

Já o Flamengo não tem certeza sobre o que fará na sua segunda partida na Libertadores, no dia 12 de abril, contra o Atlético-PR. Até lá, a Arena da Ilha estará pronta com 20 mil lugares, segundo a diretoria. E o Maracanã pode ter sido cedido à Lagardère – o clube afirma que não joga no estádio com a empresa.

“O acordo por enquanto é só para este primeiro jogo. Depois vamos ver”, afirmou o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello. Em resumo, o Maracanã ainda vive um incógnita sobre seu futuro, mas pelo menos pode voltar a ter futebol com frequência.


Disputa entre Globo e Esporte Interativo já aumenta em 70% valor do Carioca
Comentários Comente

rodrigomattos

A disputa entre Esporte Interativo e Globo pelo Estadual do Rio vai quase dobrar o valor dos seus direitos de transmissão. O canal da Turner ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões pela competição, como revelado pela “Folha de S. Paulo”. Agora, a Globo terá de igualar essa proposta. O contrato atual é de R$ 60 milhões, isto é, o aumento seria em torno de 70%.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da Ferj e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. O blog não conseguiu confirmar se há cláusula contratual neste sentido, ou seja, um mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a Ferj atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

 


Bicampeão, Vasco de 2016 é mais forte do que no ano passado
Comentários Comente

rodrigomattos

Assim como no ano passado, o Vasco foi campeão do Estadual do Rio ao bater o Botafogo na final, após deixar pelo caminho o mais rico Flamengo. De novo, a força defensiva é sua principal armar. Mas a equipe vascaína que triunfou neste ano é superior a de 2015.

Foi um time amadurecido pela briga contra o rebaixamento no ano passado que chegou no Carioca. Assim como Doriva, Jorginho achou na consistência defensiva sua forma de jogar. A diferença é que há mais segurança atrás, e algumas armas novas à frente.

Além da zaga formada por Luan e Rodrigo, uma estabilidade, o Vasco tem uma formação com duas linhas de quatro na marcação que é difícil de penetrar. Não é à toa que está invicto há 25 jogos.

Ofensivamente, houve ganho com Nenê, que deu qualidade às bolas paradas e alguma inteligência ao ataque. Não é nenhum primor: o Vasco certamente terá dificuldade quando tiver que atacar o rival e não puder apostar só em contra-ataques. Deve ser o suficiente para a Série B, mas não seria para brigar em cima na elite do Brasileiro.

Para o Estadual, foi mais do que suficiente. O Vasco sobrou diante do Flamengo na semifinal, com um time arrumado diante de um rival bagunçado.

Diante de um Botafogo também apostando no futebol coletivo, teve menos posse de bola, mas foi mais seguro. No primeiro jogo da final, dominado, aproveitou-se dos erros do rival, como a saída em falso de Jefferson e a expulsão de Sassá.

Na decisão, de novo, teve menos a bola nos pés, mas foi pouco ameaçado. Se tem domínio do jogo, o Botafogo não tem recursos para ameaçar de fato um rival bem armado defensivamente. Foram raras as chances de gol.

Foi preciso que Diego acertasse um cruzamento precioso para Leandrinho fazer o gol. Isso tirava o Vasco da zona de conforto, de se defender e contra-atacar. Mas essa formação vascaína é capaz de ser eficiente quando necessário: empatou com Rafael Vaz de cabeçada.

O título é uma forma de recuperação parcial para o rebaixamento de 2015. É preciso voltar para a Primeira Divisão no restante do ano para que o Vasco comece a se reencontrar com seu caminho. É bom que saiba que tem mais força do que em 2015, mas que não pode se iludir com o Estadual e terá de fazer ainda mais no restante do ano.

 


Futebol solidário de Bota e Vasco derrota salários milionários de Fla-Flu
Comentários Comente

rodrigomattos

Repete-se o enredo de 2015 no futebol carioca. De novo, Flamengo e Fluminense se apresentam como os times com mais recursos, conseguem contratações caras, se tornam mais badalados. Mais uma vez, fracassam diante de elencos modestos e de um futebol solidário de Botafogo e Vasco que chegam à final do Estadual do Rio deste ano.

Pense no tricolor Fred e no rubro-negro Guerrero. São, possivelmente, os dois maiores salários do futebol brasileiro, ambos acima de R$ 500 mil. O que fizeram os dois neste Estadual? Pouco. E na Primeira Liga? Guerrero teve uma ou outra boa atuação, enquanto Fred esteve fora da maior parte da vitoriosa campanha do Fluminense, preocupado se era escalado ou não, se tinha aumento ou não.

Enquanto isso, com parcos recursos por conta de erros de seus dirigentes passados (e no caso vascaíno também do atual), Botafogo e Vasco apostaram em um elenco recheado de garotos ou na manutenção da base de 2015. Entre os dois grupos, Nenê é o maior salário cruzmaltino, e Jefferson, o botafoguense, ambos bem abaixo de Fred e Guerrero. No restante dos dois elencos, a disparidade é ainda maior.

Pois bem, o técnico Jorginho montou um time assumidamente defensivo diante de rivais grandes. Arma sua equipe com duas linhas de marcação difíceis de serem penetradas. E faz do contra-ataque, principalmente pela direita, sua arma. Sem brilhantismo, o time é consistente, uma nota seis ou sete. Mas sempre vence uma equipe nota quatro ou cinco.

E o Flamengo de Muricy Ramalho é um time de altos e baixos que tende mais para a reprovação do que para a média para passar. Apesar de vários bons jogadores, não encontrou ainda uma forma de jogar. Uma prova disso foi a mudança do esquema na semifinal, preferindo os três atacantes aos quatro jogadores no meio de campo que vinham funcionando.

Não deu certo. O Flamengo não tinha aproximação, e insistia nas bolas longas. Não ameaçava de fato o Vasco – ainda mais porque seu centroavante e estrela Guerrero tinha atuação lamentável. A volta ao sistema anterior, com quatro no meio, de pouco adiantou. O time rubro-negro era inseguro, e o Vasco sabia o que queria e levou a vaga.

Há similaridades com a semifinal de arquibancada esvaziada entre Fluminense e Botafogo. O time de Ricardo Gomes tinha um propósito desde o início do jogo. Pressionar o rival, ter posse de bola, não dar espaços na retomada tricolor.

Do lado da equipe de Levir Culpi, a velocidade vista na Primeira Liga se perdeu em uma saída de bola deficiente com excesso de erros. Não havia troca de passes no meio de campo, nem no ataque. Fred estava lá na frente, milionário e pouco participativo.

Após o segundo tempo, houve disposição tricolor, mas não o suficiente para mudar a superioridade tática botafoguense. A lição do dia é que não há salários altos que batam um time melhor organizado. O talento faz diferença se houver uma organização que o ressalte.

Claro, isso não significa que Flamengo e Fluminense irão pior do que os rivais no Brasileiro, campeonato mais importante. O Estadual não é parâmetro para o Nacional. Aliás, a dupla acabou à frente dos outros dois em 2015 (o Botafogo estava na Série B), embora longe do topo.

Fato é que, após quatro meses do ano, independentemente da importância do Carioca, é certo que o dinheiro da dupla Fla-Flu não foi suficiente para exibir um futebol convincente. Enquanto isso, Vasco e Botafogo, de poucos recursos, já tem um caminho do que pretendem na temporada.


Palmeiras e Flu têm piores inícios de temporada entre os grandes
Comentários Comente

rodrigomattos

Impossível fazer julgamentos definitivos sobre o que será a temporada 2016 pelos desempenhos no início de Estaduais, além de poucos jogos da Primeira Liga e da Libertadores. É possível, sim, ter uma ideia de quem está mais avançado na montagem do time, e quem capenga para encontrar uma ideia de jogo. Neste último caso estão Palmeiras e Fluminense: os piores entre os grandes até agora.

Em um levantamento sobre os 12 times mais tradicionais do Brasil, dez deles têm um aproveitamento acima de 50%. As únicas exceções foram o tricolor carioca e o alviverde paulista que conseguiram 41,6% dos pontos. Cada um ganhou 10 pontos em oito jogos, percentual que os deixaria disputando para não cair no Brasileiro.

Isso se deve às péssimas campanhas no Paulista e no Carioca de ambos. No caso palmeirense, após a derrota para Ferroviária no domingo, o time está no segundo lugar de seu grupo e tem apenas o 10o melhor desempenho no campeonato. O Fluminense é quarto em seu grupo, com apenas 38% dos pontos.

Pela facilidade dos Estaduais, as duas equipes têm boas chances de se classificar às próximas fases. A questão é a dificuldade enfrentada contra adversários, em geral, mais fracos do que no Brasileiro. A diretoria do Fluminense demitiu o técnico Eduardo Baptista, embora não desse importância ao Estadual no discurso.

Ao se analisar a outra ponta, os melhores times até agora, é cedo para se empolgar. Recém-promovido da Série B, o Botafogo tem o melhor aproveitamento com 90,5%, mas só jogou Estadual até agora. O futebol alvinegro está longe de ser vistoso, e o elenco modesto gera temores sobre o futuro na Série A.

Vasco, Corinthians e Flamengo vêm a seguir com desempenhos acima de 80%. Mas também terão de provar que se firmarão na temporada por diferentes razões: o primeiro porque tenta se recuperar de um rebaixamento e os outros dois porque estão em remontagem com vários jogadores novos. No caso vascaíno, o time só disputa o Estadual, e teve apenas dois jogos contra grandes.

Repita-se: é cedo para chegar a conclusões quando os times disputaram pouco mais de 10% dos jogos da temporada. Estaduais, muitas vezes, são enganosos no início, servindo mais como preparação para outras competições. Mas o desempenho bem abaixo das médias dos outros justifica uma preocupação entre palmeirenses e tricolores.


Dupla Fla-Flu joga Estadual com titulares sem saber se terá cota da Globo
Comentários Comente

rodrigomattos

Após ameaças de usar reservas, o Flamengo recuou na briga com a Ferj (Federação do Rio) e jogará com titulares o Estadual do Rio após pressão da Globo. Pouco antes, o Fluminense também tinha decido ter seu time principal na competição regional. Apesar de respeitarem o contrato de transmissão, os dois times não têm garantia de receber cotas de televisão por sua participação.

A briga entre a dupla Fla-Flu iniciou-se no Estadual de 2015. Depois, os dois se juntaram à Primeira Liga para a disputa de campeonato com times de outros Estados, que iriam priorizar em relação ao Carioca. A diretoria rubro-negra disse que teria reservas no Estadual, e os tricolores estudavam fazer o mesmo.

Em dezembro, um arbitral da Ferj com todos os clubes estabeleceu uma multa da cota integral de TV do Estadual para quem jogasse competições que não estivessem no calendário da CBF, como a Primeira Liga. A medida está válida e não foi revogada: Fla e Flu perderiam R$ 7 milhões cada.

Questionado pelo blog sobre as cotas, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou que não sabe “nada sobre a Ferj”, mantendo a rejeição à entidade. Perguntado se jogaria sem receber, completou: “Vamos nos preparar para todas as hipóteses.” Ou seja, o clube recuou a pedido da Globo, mas pode ficar sem dinheiro da tv. Mas Bandeira não vê como um enfraquecimento das críticas do clube.

A diretoria do Fluminense também desconhece se terá direito à cota de televisão no Estadual. Seu presidente Peter Siemsen está no exterior. No clube, a posição era de que nunca se afirmou que seriam usados reservas: estudava-se a questão e, no início do ano, decidiu-se pelos titulares. Haverá um revezamento entre formações com a Primeira Liga. A diretoria tricolor diz manter posição crítica em relação à federação do Rio.

A Ferj marcou um novo arbitral sobre o Estadual para sexta-feira. Na reunião, oficialmente, serão discutidos os estádios onde serão realizadas as partidas, e os preços dos ingressos das partidas. A questão da multa das cotas não está na pauta, mas pode ser debatida se algum clube reivindicar mudanças. Fla e Flu não têm ido aos arbitrais.

No momento, a tendência é que não exista recuo da federação na questão das cotas. O Fluminense é visto na Ferj como um clube que pode abrir o diálogo, tanto que a federação já sabia que utilizaria titulares desde o ano passado. Já o Flamengo está bem mais distante. De qualquer maneira, a Ferj tem um ponto fraco que é a negociação do contrato de televisão do Estadual para 2017. Sem Fla-Flu na mesa, dificilmente conseguirá uma renovação.

 


Com nova regra no Estadual, Vasco terá cinco jogos em casa, e Fla, só três
Comentários Comente

rodrigomattos

Uma novidade incluída no regulamento do Estadual do Rio de Janeiro de 2016 criou um desequilíbrio nos mandos de campo, favorecendo o Vasco e prejudicando o Flamengo. Foi incluído um item em que o campeão e o vice (Vasco e Botafogo) serão os mandantes nos clássicos na primeira fase. Com isso, o time vascaíno jogará cinco vezes em casa, e a equipe rubro-negra, três.

Desde o ano passado, Flamengo e Fluminense estão em pé de guerra com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro), alegando que a entidade executa medidas prejudiciais a eles. Por isso, ambos entraram na Liga Sul-Minas que ganhou chancela da CBF. A Ferj luta contra esse torneio e quer enquadrar os dois grandes.

Em meio à disputa, a informação de que Vasco e Botafogo terão vantagem nos mandos de campo nos clássicos acirrou os ânimos e gerou novos protestos da dupla Fla-Flu. A Ferj, no entanto, alega que esse item do regulamento foi incluído em agosto, em arbitral dos clubes, e não houve mudanças nas regras. Os dois times não foram às reuniões por causa da briga.

O problema é que o regulamento criou um desequilíbrio nos mandos do Estadual entre Vasco e Flamengo. É incomum em campeonatos haver desigualdade de mandos quando há número par de jogos, isto é, oito. Fluminense e Botafogo têm cada um quatro partidas em casa.

Para se ter ideia da aberração, o time rubro-negro estreia em casa contra o Boavista. Depois, passa cinco partidas atuando fora. E encerra a primeira fase com dois jogos em seu campo.

Ao blog, a Ferj explicou que, quando escolhida a fórmula do campeonato, foi definida a tabela, e cada clube teve seu lugar sorteado. Teoricamente, cada um ficaria com quatro mandos. Mas, com o novo regulamento, o mando de Vasco e Flamengo foi invertido, provocando a vantagem alvinegra.

Na visão da federação, isso não causa desequilíbrio técnico porque o time rubro-negro jogaria duas vezes no Maracanã, com torcida e renda dividida com os outros. E, nas outras partidas, há três fora, e três em casa. O mesmo valeria para o Vasco em situação invertida.

Só que o mandante passa a determinar preços de ingressos, e lugar de sua torcida no Maracanã, prerrogativas que serão do Vasco nos clássicos contra Flamengo e Botafogo. Além disso, há a possibilidade real de o Maracanã estar fechado por causa da Olimpíada. Neste caso, o clube vascaíno levaria a partida para onde quiser: São Januário, por exemplo. Neste caso, haveria desequilíbrio técnico.

Para a segunda fase do Estadual, o critério técnico definirá os mandos dos jogos. Como serão sete jogos, alguns times jogarão três em casa, e outros quatro.

Certo é que, com essa medida, a Ferj dá mais razão a dupla Fla-Flu quando falam que são prejudicados por suas atitudes. A questão é que os dois clubes ganharam uma queda de braço com a federação com o aval da CBF à Liga. Já o presidente da Ferj, Rubens Lopes, recebeu uma carta evasiva da confederação em resposta a sua tentativa, e de Vasco e Botafogo, de barrar o campeonato.

Neste cenário, parece claro que Flamengo e Fluminense encontraram uma forma de sobreviver sem o Estadual, e suas regras sem equilíbrio. Resta saber se a tradicional competição conseguirá se manter sem dois de seus protagonistas.

 


CBF e federações preveem caos em Estaduais por conta de Lei Profut
Comentários Comente

rodrigomattos

A CBF e federações projetam um caos para os Estaduais de 2016 por conta da nova Lei Prout. Explica-se: as entidades estimam que boa parte dos clubes não tem como cumprir as obrigações de ter certidões negativas de débitos fiscais e de quitação de FGTS e por isso estariam impedidos de jogar. Ou seja, os campeonatos teriam vários desfalques entre os times previstos.

Houve uma reunião na última quarta-feira em que a confederação e as entidades estaduais discutiram o problema. Uma das ideias avaliadas é pedir para o governo federal uma mudança na regulamentação da lei para aumentar o prazo de adaptação.

“A reunião foi muito preocupante. Trabalhamos para explicar os deputados e o governo das dificuldades que teríamos com a CND (Certidão Negativa de Débito), para tentar flexibilizar. Deputados entenderam, mas a Dilma vetou. As federações explicaram que está muito difícil para os clubes obterem as certidões”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.

A confederação pediu que todas as federações façam levantamentos junto aos clubes para saber qual o total deles que não tem as certidões. A partir daí, mostrará a lista para o governo federal.

“No meu Estadual, dos 12 clubes, só quatro têm as certidões. Há os que vão aderir ao refinanciamento e o problema estaria resolvido. Mas há os outros. Deveria haver um ano de adaptação”, explicou o presidente da Federação Pernambucana, Evandro de Carvalho. “Como vai fazer na Série B que a maioria não tem? Não vai ter campeonato?”

“Nossa federação já teve um arbitral (reunião para decidir fórmula). Teremos que verificar os times. Há uma dificuldade no futebol brasileiro como um todo. Os clubes pequenos não têm a mesma estrutura dos grandes e só agora estão sabendo da lei”, analisou Hélio Cury, da Federação Paranaense.

“As federações vão ter que se adaptar e passar a exigir as certidões. Será obrigatório pela lei. Faremos isso aqui”, afirmou Ednaldo Rodrigues, da Federação Bahiana de Futebol.

Na FPF (Federação Paulista de Futebol), o secretário de futebol, Rogério Hamman, vai fazer uma palestra para os clubes para mostrar as exigências da Lei Profut.

Resta saber se o governo federal vai aceitar rediscutir a lei após longo embate que teve no Congresso em relação ao seu teor. Ainda mais porque esta medida de exigir as CNDs para disputas dos campeonatos foi uma exigência da Receita Federal.