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Com renda recorde, CBF gasta mais com seleção e federações em 2016
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A CBF aumentou seus gastos com a seleção e repasses às federações em 2016, o que reduziu o seu superávit apesar de receita recorde. A informação é de dirigentes das entidades estaduais que aprovaram o balanço da confederação em assembleia nesta terça-feira. A diretoria da CBF ainda diz que o câmbio teve impacto no resultado final.

A receita total da CBF foi de R$ 647 milhões no ano passado, diante de R$ 519 milhões em 2015. Apesar disso, o superávit caiu de R$ 72 milhões para R$ 44 milhões. Como promotora do futebol nacional, a confederação deve ter mesmo o propósito de investir dinheiro no esporte, e não guarda-lo no cofre. A questão é se o gasto é eficiente.

No geral, o investimento com o item que a CBF chama de futebol saltou de R$ 226 milhões para R$ 288 milhões. São 27,4% a mais, bem superior à inflação. E o que está incluído nesses itens? seleções, campeonatos brasileiros das quatro divisões e dinheiro para federações.

O balanço com números detalhados ainda não foi divulgado, então, ainda é não possível saber quanto aumentou cada item do futebol. É importante ressaltar que o investimento em futebol ainda representa menos da metade da receita total.

“Achei que houve um aumento na realidade no faturamento com queda no superávit por maiores despesas com o futebol. Teve um maior investimento no futebol”, contou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos que esteve na assembleia de aprovação de contas. Ele lembrou a troca da comissão técnica da seleção.

De fato, houve um aumento no gasto com o time brasileiro com a contratação de Tite e seu staff, saindo Dunga e seus auxiliares no meio de 2016. Ainda não havia um detalhamento de qual o tamanho do crescimento desse item. Até 2015, o gasto só com a seleção principal era de R$ 61 milhões, bem similar ao do ano anterior.

Em outro ponto, houve um aumento em torno de 50% dos repasses para as federações estaduais, justamente a base de aliados da CBF. Até 2015, as entidades ganhavam R$ 50 mil por mês e passaram a R$ 75 mil no ano passado. O gasto era de R$ 19,5 milhões, e deve saltar para um valor entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, com cada federação recebendo pouco menos de R$ 1 milhão por ano.

“Se não fosse o repasse para as federações, não teria um desenvolvimento do futebol. Pernambuco não teria campeonatos de sub-15 e sub-17. O Sport está revelando muitos jogadores. Temos aqui o campeonato Central Única de Favelas”, defendeu o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outro item em que houve aumentou foi no investimento no Brasileiro da Série D. “Houve um crescimento de 28 times na competição”, comentou Ednaldo Rodrigues. Saltou de 40 para 68 equipes.

O dirigente baiano ainda apontou que cursos de gestão e técnicos também incharam os custos da CBF pois eram pagos translados, hospedagens, etc, além de mecanismos de controle. De fato, a entidade organizou seminários e comitês de reformas para um processo que chamou de modernização. No final, só os votos das federações foi levado em conta para o novo estatuto.

Com o resultado financeiro, Carvalho mostrou entusiasmo com a gestão do presidente Marco Polo Del Nero à frente da CBF. “Queria o Brasil ter um crescimento de receita como a CBF. A CBF é a economia que deu certo. Empresa que dá lição de gestão. É extraordinário”, analisou o dirigente pernambucano, afastando críticas ao mandatário da confederação.

Em meio aos investimentos da CBF no futebol, não tem sobrado dinheiro para os R$ 15 milhões necessários para a implantação do árbitro de vídeo para o Brasileiro da Série A. O valor representa 2,31% da receita total da entidade em 2016. A entidade diz que só vai implantar o item em 2018.

O secretário-geral da confederação Walter Feldman atribuiu a queda no superávit a questões cambiais e disse não estar preocupado.


Federações do Nordeste pedem cancelamento de eleição na CBF
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Oito federações do Nordeste protocolaram um pedido de cancelamento da eleição para vice da CBF marcada para a próxima semana em manobra executada pela situação. Alegam que o pleito não pode ser realizado porque José Maria Marin, que está em prisão domiciliar, não foi retirado do cargo: está suspenso o que não torna o cargo vago. A CBF comunicou que mantém a realização da assembléia, mas não explicou como se deu a destituição de Marin.

Essa atitude fragiliza ainda mais a manobra da corrente dominada pelo presidente licenciado Marco Polo Del Nero que pretende eleger o Coronel Nunes para vice da entidade, em pleito marcado para o dia 16. Del Nero pediu afastamento ao ser indiciado nos EUA por acusação de que recebeu propinas. Com a eleição de Nunes, ele ficaria como primeiro na fila de sucessão da CBF no lugar de Delfim Peixoto por ser mais velho para substituir o presidente acusado de receber propinas.

O pedido de cancelar a eleição foi assinado pelos presidentes das federações do Piauí, Sergipe, Bahia, Maranhão, Pernambuco, Alagoas, Rio Grande do Norte e Alagoas e pelo vice-presidente da CBF para região Nordeste, Gustavo Feijó. O único presidente nordestino que não assinou foi Mauro Carmélio, do Ceará. A reivindicação tem a data de oito de dezembro.

“Me sinto orgulhoso de que oito federações do Nordeste tenham se oposto a essa eleição. Momento do país é muito ruim para fazermos as coisas desse jeito. As coisas têm que ser mais claras”, afirmou o vic da CBF Gustavo Feijó, sobre a manobra da situação. “Não é dizer que está vago(cargo de Marin) para fazer nova eleição e defender o interesse de A, B, ou C. Temos que defender o interesses coletivo do futebol brasileiro e ver quem é melhor para o futebol, não escolher o mais novo ou o mais velho.”

No documento, está dito que, apesar da marcação da eleição, “não se tem notícia de que o respectivo cargo de vice-presidente está cago, condição “sine qua non” para a convocação da assembléia eleitoral, fato a merecer urgente esclarecimento, pelo fundamentos a seguir expostos”.

O texto em seguida afirma que Marin está afastado por suposta prática de corrupção sem qualquer condenação, e alega que esse ato “é temporário, especialmente se considerado o princípio constitucional da presunção de não culpabilidade, previsto na Constituição”. E lembra que não há pedido de renúncia de Marin.

E as federações alegam que não é o momento para fazer nova eleição: “Com efeito, dado ao momento delicado em que passa esta confederação, é prudente que todos os atos sejam tomados com a mais absoluta cautela, evitando-se decisões precipitadas e até mesmo prejulgamento de ordem interna e externa o que terminam por fragilizar ainda mais estar tão nobre entidade.”

Por isso, pede o cancelamento da assembléia do dia 16 e pede que uma nova só seja convocada após cumprimento do estatuto.

Feijó contou que, na última quinta-feira, Del Nero chegou a chamá-lo para substitui-lo no cargo de presidente da CBF, logo após a desistência de Fernando Sarney. “Se ele (Del Nero) se diz inocente, não entendi porque largar a presidência. Me ligou para chamar para ser presidente. Eu respondi que só conversaria pessoalmente, e ele escolheu outro presidente. Nada contra o Marcus Vicente. Mas não pode largar e ficar indicando presidente.”

Marcus Vicente é hoje o presidente interino da CBF. Pela posição defendida pelas federações do Nordeste, quando acabar a licença de 180 dias, Del Nero deve voltar ou assume Delfim Peixoto, vice mais velho. Feijó ressaltou que não gosta, nem apoia Peixoto, que representa a região Sul, mas reconhece que ele tem o direito ao cargo.

Feijó não descarta que se vote na assembléia um novo pleito para presidente da CBF caso fique configurado que Del Nero não volta mais à presidência. Isso teria que contar com aprovação da assembléia administrativa. Mas ele ressalta que, no momento, o afastamento de Del Nero é tão provisório quanto o de Marin.

Nota da CBF: “Em decorrência de informações veiculadas pela imprensa, a CBF vem a público confirmar a realização, no dia 16 de dezembro de 2015, da Assembléia Geral Eleitoral, convocada para promover a escolha de vice-presidente, no intuito de preencher a vacância existente, seguindo estrito e rigoroso cumprimento do seu Estatuto.”

 


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