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Diretoria do Fla quer descobrir razões por trás da queda na Libertadores
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Com Vinicius Castro

A cúpula do Flamengo busca descobrir as razões que levaram à eliminação do time ainda na fase de grupos da Libertadores, após derrota para o San Lorenzo. Não há intenção de caçar bruxas e o técnico Zé Ricardo será mantido. A questão é entender quais erros causaram o desempenho ruim no jogo final, decisivo para a queda.

A intenção dos dirigentes rubro-negros é que toda a avaliação seja feita sem divulgação pública. Isso explica porque o presidente Eduardo Bandeira de Mello tem evitado qualquer crítica ao time ou ao treinador diante dos microfones. A ideia é, ao descobrir os motivos para a queda, estabelecer medidas para corrigi-los sem alarde.

Entre os pontos de atenção, está o recuo excessivo do time nesta partida diante do San Lorenzo, principalmente no segundo tempo. O Flamengo praticamente abriu mão de atacar: teve apenas quatro finalizações no jogo todo, sendo nenhuma delas em chance clara – o gol de Rodinei foi de longe. Em comparação, houve 13 e 18 conclusões nos outros dois jogos fora na fase de grupo da Libertadores, diante da Universidad Católica e do Atlético-PR.

A falta de eficiência nas divididas foi outro problema. Pelos números da Conmebol, foram seis recuperações de bola rubro-negras contra nove do time argentino.

Outra questão apontada internamente pela cúpula rubro-negra foi uma arbitragem desfavorável. Na opinião dos dirigentes do Flamengo, o árbitro marcou mais faltas para o San Lorenzo, sem assinalar a favor do time carioca. Foram 23 contra o time rubro-negro e apenas cinco a favor. Ressalte-se aí, no entanto, que a equipe carioca se defendeu mais o que explica em parte a diferença.

Há ainda uma sensação de que nem todos os reforços contratados já renderam o esperado, embora alguns tenham resultado positivo. A avaliação é de que há jogadores que ainda podem engrenar no futuro durante o Brasileiro. A diretoria evita citar nomes.

Certo é que a derrota foi bastante sentida na diretoria rubro-negra e portanto o objetivo é encontrar as falhas para ter subsídios para realizar eventuais medidas corretivas no futebol.

 


Após planejar semi, Fla deixa de ganhar R$ 20 mi com queda na Libertadores
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Além da perda esportiva e emocional, o Flamengo terá um prejuízo financeiro com a queda precoce na fase de grupos da Libertadores. O clube fez seu orçamento prevendo chegar à semifinal da competição. Por isso, pode-se estimar deixará de ganhar R$ 20 milhões em relação ao plano inicial, o que deve ser compensado com dinheiro do Estadual e Copa do Brasil.

Pelo orçamento de 2017, a diretoria rubro-negra previa um total de R$ 15,4 milhões em premiações na Libertadores, o que incluía as cotas até as semifinais. Com os três jogos da primeira fase, o time arrecadou US$ 1,8 milhão (R$ 5,6 milhões). Salvo pequenas variações de câmbio, a diferença é em torno de R$ 10 milhões e correspondente aos bônus de oitavas, quartas e semis.

A participação na Libertadores também inflou a previsão de receita de bilheteria do Flamengo. A diretoria estimou R$ 61 milhões como total de arrecadação em 2017, bem superior aos R$ 45 milhões previstos para 2016 que não foram atingidos.

O clube ganhou R$ 10,3 milhões com os três jogos da primeira fase da Libertadores no Maracanã, embora tenha ficado só com um quarto do valor por conta dos altos custos impostos pela Odebrecht. Com mais três jogos em casa, até as semis, a previsão era de arrecadar pelo menos essa mesma quantia, já que provavelmente atuaria no Maracanã.

Esses são os prejuízos possíveis de contabilizar, mas há ainda impacto no programa de sócio-torcedor. O clube previu um aumento de R$ 11 milhões na arrecadação, o que era impulsionado pela boa campanha na Libertadores entre outros fatores.

O orçamento rubro-negro não tem um buraco porque não havia previsão de receita para o Estadual já que o contrato com a Globo foi assinado de última hora. Assim, o clube levou R$ 18,5 milhões, entre cota e premiação pelo título. A diretoria via esse dinheiro como extra, o que não ocorre mais. Houve ainda a venda de Jorge.

Dirigentes rubro-negros previam que, se a meta da semifinal da Libertadores não fosse atingida, o time teria de compensar com boas campanhas na Copa do Brasil e no Brasileiro. Assim, poderia haver recuperação na bilheteria arrecadada, e em cotas no caso da competição de mata-mata. A crença dos dirigentes era que o elenco de bom nível levará a bom desempenho esportivo no ano.


Fla se acovarda em Buenos Aires e colhe mais um fiasco na Libertadores
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Até a rodada final da fase de grupos o Flamengo tinha jogado cinco jogos da Libertadores e em todos teve mais domínio de posse de bola e mais chances de gol. Em Buenos Aires, diante do San Lorenzo, decidiu apenas se defender por 90min, cometeu uma série de erros individuais e foi eliminado. Com justiça.

Foi mais um vexame para a longa sequência de fiascos do time rubro-negro em campeonatos continentais. Desta vez, talvez, foi mais doído para os rubro-negros pois era um time com alto investimento e tido como um dos favoritos da disputa. O script de uma classificação parecia se desenhar com as três vitórias em casa em um grupo equilibrado.

Tudo mudou na Argentina. Desde o início, o Flamengo ficou trancado em seu campo sem desenvolver o jogo de passes a que estava acostumado. Tomou pressão no início e só não sofreu gol por falta de eficiência do San Lorenzo. O time argentino é limitado, mas tem gana de Libertadores como já mostrou em seu título.

Em uma bola isolada, Rodinei pegou um rebote e acertou um chute improvável no canto. O Flamengo abria uma vantagem enquanto havia um empate entre Universidad Católica e Atlético-PR, o que o classificava com folga. E decidiu se acomodar.

Logo após o gol, o time até teve alguma posse de bola, algum controle do jogo. Mas errava em excesso o básico, isto é, passe. A velocidade no contra-ataque era inócua diante dessas falhas.

No meio de campo, Márcio Araújo, Arão e Gabriel não se encontraram. Na frente, Berrío e Everton não se encontravam. Trauco dava espaços em seu setor na esquerda, e Muralha se desesperava com socos em bolas aéreas. Só quem atuava bem eram Rodinei e os zagueiros que rebatiam.

Poderia ser um tempo ruim isolado em um time que fazia boa temporada. Mas o Flamengo voltou pior, inerte, perdendo divididas. Como se estivesse assistindo ao outro jogo para esperar a classificação. A série de erros individuais era impressionante, a ponto de o time abrir mão da bola.

As trocas feitas por Zé Ricardo tiveram pouco efeito. Nem Matheus Sávio, nem Rômulo, nem Juan mudaram o cenário do time rubro-negro. Até o agravaram.

O Atlético-PR empatou no Chile, no mesmo minuto em que o rubro-negro sofreu o gol em Buenos Aires em bola aérea. Já tinham sido várias já que o time insistia em fazer faltas em torno da área. A catástrofe estava desenhada, e o Flamengo não acordava. Como diria Raul Seixas, o time rubro-negra esperava a morte chegar.

Valente, o Furacão desempatou o jogo e o time rubro-negro se entrincheirou com todos os seus jogadores atrás. Nem tocava mais a bola quando a recuperava. A torcida do San Lorenzo cantava e pressionava com seu time, limitado, mas voraz por uma classificação. Uma voracidade que nunca foi mostrada pelo time carioca.

A Catolica empatou e deu esperanças aos rubro-negros cariocas, mas o Furacão recuperou a vantagem com Carlos Alberto. Aí o Flamengo era como um condenado à espera do carrasco. E o golpe veio com Belluschi, como veio antes com Cabañas (2008) ou com o gol do Emelec (2012), fora outras desclassificações em 201o e 2014. Muitos méritos ao Atlético-PR que se mostrou bravo em contraponto à inércia do time do Rio.


Entenda por que norma da Fifa induz Fla a vender Vinicius Jr
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O Flamengo tinha como intenção renovar o contrato de Vinicius Jr, mas provavelmente terá de fazer isso associado a uma venda antecipada ao Real Madrid. Isso se explica pela norma da Fifa que proíbe clubes de assinarem com jogadores de menos de 18 anos por períodos iguais aos maiores. Assim, fica difícil para times nacionais segurarem atletas que estouram ainda menores.

Atualmente, Vinicius Jr tem contrato até o meio de 2019, o máximo permitido quando da assinatura no meio do ano passado, com multa de 30 milhões de euros. Desde o final do Campeonato Sul-Americano sub-17, a diretoria do Flamengo intensificou a negociação para fazer um novo contrato. Mas ali já era maior o assédio de grandes times europeus.

Então, o clube rubro-negro passou a viver a seguinte situação: perderiam o jogador por esse valor em 2018 por 30 milhões de euros. Por que? A cláusula 18 do estatuto de status e transferência do jogador da Fifa estabelece que o atleta pode se transferir para fora do país quando for maior, e limita aos três anos o contrato com menor. Ou seja, os times brasileiros só têm como segurá-los até os 19 anos. Pela lei brasileira, eles poderiam assinar por cinco anos, e ficarem até 21 anos.

“Já se tentamos mostrar na Fifa que esse prazo tinha que ser aumentado. Mas os europeus, na verdade, querem reduzir a norma para poderem assinar a transferência com 17 anos. A tendência parece ser manter como está”, contou o advogado Marco Motta, especialista em transferência e que já fez parte de comitês da Fifa. “Desse jeito, não tem como segurar.”

Os comitês para julgamentos de casos de transferência na fifa rejeitam qualquer cláusula que estabeleça uma preferência para prolongar o contrato. Há uma jurisprudência nesse sentido. Assim, não adianta o clube tentar se precaver com esse tipo de mecanismo.

Ressalte-se que a norma da Fifa tem como razão a tentativa de reduzir o tráfico internacional de menores já que empresários levam jogadores para a Europa às vezes em condições precárias. Isso ocorre, em geral, com atletas da África e da América do Sul.

“Não só no Brasil, mas em todo mundo essa é a norma mais criticada pelos clubes. Isso porque um time da Espanha, menor, por exemplo, também pode perder o jogador para outro grande”, contou o advogado Eduardo Carlezzo, outro especialista em direito esportivo internacional. “Pelo ângulo do jogador famoso e que vai ganhar dinheiro, pode não fazer sentido. Mas tem o lado do jogador menor desconhecido. A Fifa parte do pressuposto que tem que proteger.”

Carlezzo defende que deveria ser respeita a legislação de cada país, sem uma limitação da Fifa. Neste caso, os clubes brasileiros poderiam fazer contratos de cinco anos e segurar seus jogadores até os 21 anos. Na Espanha, esses acordos poderiam valer até seis anos.

Ao negociar uma possível transferência junto com a renovação, o Flamengo consegue garantir a extensão do contrato de Vinicius Jr, aumentando sua multa rescisória. Ao mesmo tempo, garante ao Real Madrid a compra dos seus direitos por 45 milhões de euros. O clube brasileiro aumenta seu ganho, e talvez estenda a permanência do atleta, o espanhol garante sua ida para Madrid, e Vinicius Jr lucra com a operação. Ressalte-se que não há nada assinado, nem a negociação foi concluída.

 


Empresa desiste de comprar Maracanã; destino é licitação ou municipalização
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A Lagardère desistiu da compra da concessão do Maracanã da Odebrecht, deixando em aberto o futuro do estádio. O futuro do estádio terá de ser definido por uma nova licitação ou por uma municipalização desejada pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O Flamengo quer a nova concorrência, e o Fluminense fazia acordo com a empresa francesa.

Há três semanas o governo do Estado do Rio deu sinal de que recuaria da aprovação à venda do estádio, optando por uma nova licitação. Não havia uma palavra final, mas era uma tendência. Isso ocorreu após as revelações das delações da Odebrecht que apontavam propina nos processos licitatórios da concessão.

Os franceses já tinham até um memorando de entendimento assinado com a Odebrecht para a compra do estádio por R$ 60 milhões. Mas a indefinição do governo do Estado levou os a desistir da aquisição. Eles, no entanto, não desistiram completamente do Maracanã

Agora, há dois caminhos para o Maracanã: um deles é a nova licitação em que o Flamengo e seus parceiros estão interessados, já que o clube se recusava a jogar se a Lagardère mandasse no estádio.

“É uma decisão deles (Lagardère), não nos cabe comentar. O Flamengo continua defendendo uma nova licitação e participará dela dependendo das condições do edital”, afirmou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Outra possibilidade surgiu na semana passada quando o prefeito Marcelo Crivella manifestou ao governo Luiz Fernando Pezão a intenção de municipalizar o estádio. O Estado do Rio exigiria um pagamento por isso, mas a prefeitura é credora de dívida com o governo por ter ajudado na crise financeira. O plano seria assumir e acertar uma parceria com os clubes. Houve troca de mensagens entre o governador e o prefeito sobre o tema.

Mas a Largadère também está em discussão com o prefeito em relação ao estádio. E ainda estuda se pode entrar com um processo judicial para tentar ganhar o Maracanã alegando ser a segunda colocada na licitação que deu vitória à Odebrecht. Só que seu parceiro à época era a OAS, que está em recuperação judicial.

A diretoria do Flamengo informou que tem conhecimento da intenção do prefeito e que estava disposta a colaborar com ele. Mas, em paralelo, os dirigentes rubro-negros negociam terrenos e liberações para um estádio próprio. Essa será a alternativa se considerarem que as condições de concessão e os custos do Maracanã são inviáveis para o clube. Também existe essa discussão com o prefeito.

O Fluminense também tinha um projeto de estádio próprio. Sua diretoria ainda não quis se pronunciar sobre a desistência da Laragadère. As duas ideias de estádios dos dois times são embrionários, sem terreno certo ou forma de financiamento.


Para Barça, Vinicius Jr. quebrou promessa verbal ao preferir Real
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O Barcelona viu como uma quebra de uma promessa verbal a negociação avançada entre o rubro-negro Vinicius Junior e o Real Madrid. Representantes do clube catalão dizem que o jogador tinha uma espécie de acordo de que atuaria por lá, mas foram avisados por empresários dele que tinham preferido o time madrilenho. A diretoria rubro-negra diz que não há nada fechado, nem perto disso.

Há pelo menos um ano que o Barcelona monitora o atacante em seus jogos pela divisão de base do time carioca e da seleção brasileira. Em paralelo, o clube tinha conversas com empresários da Traffic que cuidam da carreira de Vinicius Junior sobre uma futura transferência já que o jogador tem menos de 18 anos.

Segundo representantes da equipe catalã, em todos esses contatos o jogador disse que iria para o Barcelona quando atuasse na Europa. Seus empresários também fizeram promessas similares, de acordo com fontes do time barcelonista. Havia assim a crença de que Vinicius Jr tinha uma conexão com o clube até por sua ligação com Neymar e com a Nike. Mas não havia nada assinado.

Para o Barcelona, foram os empresários do jogador que o convenceram a dar preferência ao Real por mais dinheiro já que o time catalão não entraria em leilão. O entendimento dos dirigentes do time de Neymar será a pior opção para Vinicius Jr pois o time madrilenho não sabe trabalhar bem com jogadores jovens contratados.

A diretoria do Flamengo trabalhava para a renovação do contrato do jogador principalmente após ele ser eleito o melhor do Campeonato Sul-Americano. E os representantes de Vinicius Jr levaram as sondagens ou propostas de clubes para o time rubro-negro. O fato de o Real ter entrado em contato com os dirigentes cariocas faz diferença.

A idade de Vinicius Jr é um trunfo e uma desvantagem para o Flamengo ao mesmo tempo. Primeiro, nenhum dos times europeus pode pagar € 30 milhões da multa de seu contrato agora porque ele é menor e não pode se transferir. Ao mesmo tempo, o clube só tem contrato até o meio de 2019 por limitação de legislação da Fifa e qualquer um poderia pagar essa multa no meio de 2018 quando ele será maior.

Para obter mais dinheiro do que isso, o Flamengo precisa renovar o contrato com o jogador e aumentar sua multa rescisória, talvez associada a conversa com um clube europeu. O empresário de Vinicius Junior, Lucas Mineiro, foi procurado pelo blog, mas não quis falar sobre a negociação.


Presidente do Fla reclama de custo do Maracanã: ‘Estamos sendo espoliados’
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Apesar dos resultados esportivos positivos, o Flamengo está bem insatisfeito com o modelo de parceria com a Odebrecht para o uso do Maracanã. Dirigentes rubro-negros reclamam que ficam com um percentual pequeno da renda enquanto uma grande fatia vai para a empresa manter o estádio.

Um exemplo foi o Fla-Flu em que apenas um terço ficou para os clubes. Assim, o total das despesas foi de R$ 2,160 milhões, sendo mais de R$ 600 mil de aluguel. Na Libertadores, o Flamengo deixou mais de R$ 7 milhões para a Odebrecht em três jogos.

“Estamos sendo espoliados no Maracanã”, contou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. “Esse modelo não dá para ser mantido. Se for assim, não dá.”

A Odebrecht entende que o modelo atual é o único para financiar a manutenção do estádio enquanto o governo do Estado do Rio de Janeiro não decide se faz uma nova licitação ou aceita a venda do equipamento. O problema é que essa fórmula pune reduziu consideravelmente os ganhos percentuais dos clubes considerados os contratos com a própria empreiteira.

Neste formato, a diretoria rubro-negra pretende repensar se vai continuar a atuar no Maracanã ou se leva as partidas para a Arena da Ilha, que deve estar liberada para jogos nas próximas semanas. Faltam adaptações pedidas pela polícia e corpo de bombeiros para isolamento da entrada de torcedores rivais.

Os dois próximos jogos estão marcados para o Maracanã. A possibilidade de levar as partidas maiores para Ilha implicará em uma mudança na política nos preços dos ingressos. Ou seja, bilhetes podem ser mais caros para obter a renda similar a do estádio mais tradicional e maior.

Outros aspectos a serem considerados são técnicos. A diretoria pretende ouvir a comissão técnica. “O gramado está perfeito, e a torcida fica bem próxima. Precisamos treinar lá para saber como vai ser”, contou o diretor de futebol, Rodrigo Caetano.


Seis acertos de Zé Ricardo que explicam o título do Flamengo
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Quatro horas após o título do Flamengo, Muricy Ramalho, penúltimo técnico do time, entra ao vivo para falar no Sportv sobre o trabalho de Zé Ricardo: “Pegou um time que não estava bem comigo e fez um excelente trabalho.”

A sinceridade e correção de Muricy, que ressalte-se passava por um problema de saúde na época, mostram o tamanho do trabalho de Zé Ricardo durante um ano. Sim, o Flamengo tem um dos melhores elencos do país. Mas seu futebol dominante sobre o adversário, baseado em passes e aproximação dos atletas, é mérito do treinador.

Isso não significa que o Flamengo seja um esquadrão, imbatível. Não é, sequer é uma equipe pronta. Mas é um time que hoje tem mais qualidades do que defeito, uma cara e jogadores conscientes do que têm de fazer. Isso é mais importante do que um título do Estadual.  Veja como Zé Ricardo mudou o time em um ano.

Organização

Com Muricy, no início do Brasileiro-2016, o Flamengo jogava com uma linha avançada de quatro jogadores, o que deixava o time excessivamente exposto e sem jogo de meio-campo. O primeiro passo de Zé Ricardo foi recuar Arão para jogar ao lado de Márcio Araújo que foi mantido na principal formação.

O esquema com ponteiros foi mantido, mas Cirino foi trocado por Gabriel que voltava mais e dava consistência no meio e na defesa. De time sem padrão para se proteger, o Flamengo passou a se fechar com duas linhas de quatro quando se defendia, bem mais difícil de ser furado.

Jogo de passes

Zé Ricardo passou a dar ênfase na troca de passes e posse de bola para o Flamengo. O predomínio no número de jogadores no meio de campo foi uma chave para isso. Para isso, os jogadores de lado apareciam constantemente no setor para dar vantagem ao time.

Os laterais Jorge e Pará fechavam para o meio para se tornarem armadores em determinados momentos. Em outras situações, Gabriel e Éverton ocupavam esse espaço. Não ficavam alinhados e a ideia era ter três jogadores de cada lado, lateral, meio-campista e ponteiro. O time passou a ser dominante na posse de bola na maior parte dos jogos.

O fator Diego

Quando chegou o jogador mais cerebral no Flamengo, no meio da temporada, Zé Ricardo tinha que encaixa-lo no time. Ele deu menos obrigações defensivas (ele marcava, mas em menor intensidade) ao meia que podia sobrar das duas linhas de quatro jogadores, juntamente com Guerrero. O jogador ainda flutua para trás para carimbar as bolas do time.

Entende a natureza do Flamengo

Por ter sido formado no Flamengo, Zé Ricardo tem a percepção de que não é possível para o clube fazer um jogo de contra-ataque, nem fora, nem especialmente em casa. A torcida rubro-negra pressiona o time a jogar sempre para frente. Por seguidas vezes, ele repetiu que respeitaria essa realidade e faria sua equipe atuar de acordo com a natureza do clube. Na Libertadores, até fora o Flamengo tem sido ofensivo.

Não tem medo de contrariar a torcida

Em vários momentos, Zé Ricardo contrariou opiniões quase majoritárias da torcida do Flamengo. O maior exemplo é Márcio Araújo, que é um jogador com limitações ofensivas e que marca com eficiência. O treinador não só insistiu com ele como pediu a renovação do contrato baseado nos seus números positivos de desarmes, e o jogador tem sido eficiente nesta temporada inclusive na saída de bola.

Um outro exemplo é que trocou jogadores de renome como Juan pelo reserva Rafael Vaz por entender que este estava melhor. Independentemente de acertar ou errar, Zé Ricardo toma suas decisões baseado em suas convicções e nos números que dispõe para avaliar seus jogadores.

Inovações táticas

Após um fim de ano com queda de rendimento em 2016, Zé Ricardo precisava de alternativas para dar um salto no padrão de jogo do Flamengo. E não tem cansado de inovar em busca desse formato ideal que, diga-se, ainda não está consolidado.

Primeiro, botou Macuello do lado do campo – não deu certo. Depois, criou como alternativa a formação com três “volantes” no jogo contra a Universidade Católica que, na verdade, é bem ofensiva. Assim, aumentou seu domínio da posse de bola, tornando o time mais ofensivo. Em seguida, criou a alternativa com dois laterais para dar velocidade e reforçar a marcação, seja na direta com Pará e Rodinei, seja na esquerda com Trauco e René. Assim, supera desfalques e cria desequilíbrio nos adversários.

 


Virada rubro-negra marca vingança no Fla-Flu que demorou 22 anos
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Há vinganças no futebol que demoram. Em uma rivalidade que já dura mais de um século: o Flamengo esperou 22 anos para se vingar do Fluminense pelo gol de barriga de Renato Gaúcho. E devolveu a derrota na final com uma virada suada, e com gols nos últimos minutos, como naquela decisão de 1995. Uma reviravolta que, diga-se, fez justiça ao domínio rubro-negro nas duas decisões.

A vantagem de empate do Flamengo se esvaiu tão cedo que foi como se não tivesse existido. Mais uma falha da defesa rubro-negra na bola permitiu o desvio no primeiro pau e a conclusão de Henrique Dourado para o gol. Seria um novo Fluminense nesta segunda final em relação ao dominado no primeiro jogo?

Bem, a postura tricolor era mais agressiva com marcação na saída de bola e mais presença na frente. Mas a verdade é que, logo em seguida, o Flamengo se tornou dominante como ocorrera no primeiro encontro. A armação escolhida por Zé Ricardo com Trauco no meio e Renê na lateral dava superioridade ao time rubro-negro tanto ao bloquear os ponteiros rivais quanto por ter três homens no setor esquerdo do ataque.

O Flamengo, no entanto, não era tão incisivo quanto no primeiro jogo, e nem a zaga do Fluminense era tão vacilante. Como resultado, o time tricolor manteve a vantagem na etapa apesar de ser ver ameaçado pelo menos em uma chance clara de Éverton.

De volta, as armações dos times eram iguais, mas o jogo mudou. Além da bola aérea, o Flamengo passou a se expor também aos contra-ataques tricolores. Wellington Silva e Richarlison tinham um espaço que antes não lhes era permitido, e o Fluminense voltou a desenvolver seu jogo de passes rápidos. A partir daí, a partida era mais aberta e equilibrada.

A arquibancada inflamava dos dois lados, com a predominância grande de presença rubro-negra, mas o gol não saía. E os dois técnicos procuraram novas soluções. Zé Ricardo tirou o Berrío, que não encontrava espaço para sua velocidade, e pôs Gabriel. Para compensar, buscou na arrancada de Rodinei, que dera certo contra a Católica, sua jogada incisiva pela direita. Abel Braga apostou em Maranhão para jogar o que Wellignton não conseguiu.

O ritmo frenético do início do segundo tempo cobrou seu preço e a velocidade reduziu-se. A aposta rubro-negra era nas triangulações para achar Guerrero. O peruano não era brilhante como nos dois últimos jogos, mas mantinha o seu alto padrão de atuações desse ano. Era dele o pivô que dava jogo ao Fla, mas lhe faltava espaço para a conclusão diante da boa marcação da zaga tricolor.

Até que, por uma das ironias do destino, a bola aérea que era mais perigosa na outra área rendeu o gol rubro-negro. Réver ganhou a disputa pelo alto, Diego Cavalieri rebateu e Guerrero meteu a bola para dentro. Na minha opinião, houve falta de Réver em Henrique ao subir no lance.

A poucos minutos do final do jogo, o gol rubro-negro foi praticamente uma morte súbita. Não restavam forças ao tricolor para reagir, o que ocorreu de forma atabalhoada na base de um abafa improdutivo. Duas arrancadas de Rodinei com a defesa rival aberta levaram à expulsão de Diego Cavalieri e depois ao gol da virada já com Orejuela embaixo das traves, e perdido.

A corrida de Rodinei para chegar ao último gol lembrou aquela de Renato Gaúcho, então rubro-negro, para fazer o gol decisivo sobre o Atlético-MG na semifinal do Brasileiro de 1987. Um lance que o rubro-negro poderá guardar na memória para substituir o de 1995, um capítulo a seu favor nesta que é a rivalidade mais tradicional do país.


Fla vê sinal de licitação do Maracanã, e Flu tem entendimento com Lagardère
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Adversários na final do Estadual, Flamengo e Fluminense planejam rumos diferentes para o palco da final, o Maracanã. A diretoria rubro-negra vê sinais de uma nova licitação para o estádio, e a tricolor já tem um entendimento alinhado com a Largadère se esta assumir o estádio por venda. O governo do Estado não decidiu o que fará com o Maracanã.

Primeiro, é preciso lembrar que os dois rivais têm perfis diferentes de torcida e jogos. O Flamengo tem uma torcida maior, gera mais receita e por isso quer participar da administração do estádio. O Fluminense tem um contrato em vigor que reduz suas despesas ao atuar no Maracanã e pretende usa-lo só em uma parte dos jogos.

A diretoria rubro-negra está atenta às movimentações do governo do Estado do Rio de Janeiro. E trabalha com a informação de que pode ser lançada em breve uma nova licitação para estádio, anulando a concessão da Odebrecht em seguida.

Os dirigentes do Flamengo, no entanto, não sabem quais seriam as regras da nova licitação e por isso não têm certeza se haverá interesse em participar desta. O plano econômico do clube para o estádio envolvia o uso de áreas internas do Maracanã para fins comerciais, como restaurantes, para poder aumentar receita e com isso pagar custos. Mas não se sabe se isso é possível.

Já a diretoria do Fluminense teve reuniões com representantes da Largadère e ficou encaminhado um entendimento entre as partes caso esta assuma o estádio. A ideia é que seja mantido o contrato com a Odebrecht com ajustes. Por exemplo, hoje, já valem aditivos que repassam uma parte das despesas ao tricolor e a ideia seria que uma parte dos custos portanto ficasse com o clube.

Em compensação, a empresa francesa acena com a viabilização de novas receitas de marketing do estádio para o Fluminense.  Não há, no entanto, nenhum contrato assinado entre as partes. E, no final das contas, a Lagardère sabe que o clube pode exigir a manutenção do atual contrato.

Outra diferença entre os clubes seria o uso do Maracanã. A intenção do Fluminense é utilizar o Maracanã apenas em partidas grandes, cima de 30 mil, ficando com Édson Passos para públicos menores. Isso reduz prejuízos em jogos no Maracanã com baixo público.

O Flamengo também planeja a Arena da Ilha para partidas menores, mas, se tiver o Maracanã, sua ocupação do estádio será bem mais intensa. Afinal, como o clube participaria da gestão, ocuparia espaços dentro do equipamento.

Enquanto espera a situação do Maracanã, o clube rubro-negro toca seus estudos sobre estádio próprio. Mas não há uma localidade definida, nem forma de financiamento.