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Presidente do Fla reclama de custo do Maracanã: ‘Estamos sendo espoliados’
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Apesar dos resultados esportivos positivos, o Flamengo está bem insatisfeito com o modelo de parceria com a Odebrecht para o uso do Maracanã. Dirigentes rubro-negros reclamam que ficam com um percentual pequeno da renda enquanto uma grande fatia vai para a empresa manter o estádio.

Um exemplo foi o Fla-Flu em que apenas um terço ficou para os clubes. Assim, o total das despesas foi de R$ 2,160 milhões, sendo mais de R$ 600 mil de aluguel. Na Libertadores, o Flamengo deixou mais de R$ 7 milhões para a Odebrecht em três jogos.

“Estamos sendo espoliados no Maracanã”, contou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. “Esse modelo não dá para ser mantido. Se for assim, não dá.”

A Odebrecht entende que o modelo atual é o único para financiar a manutenção do estádio enquanto o governo do Estado do Rio de Janeiro não decide se faz uma nova licitação ou aceita a venda do equipamento. O problema é que essa fórmula pune reduziu consideravelmente os ganhos percentuais dos clubes considerados os contratos com a própria empreiteira.

Neste formato, a diretoria rubro-negra pretende repensar se vai continuar a atuar no Maracanã ou se leva as partidas para a Arena da Ilha, que deve estar liberada para jogos nas próximas semanas. Faltam adaptações pedidas pela polícia e corpo de bombeiros para isolamento da entrada de torcedores rivais.

Os dois próximos jogos estão marcados para o Maracanã. A possibilidade de levar as partidas maiores para Ilha implicará em uma mudança na política nos preços dos ingressos. Ou seja, bilhetes podem ser mais caros para obter a renda similar a do estádio mais tradicional e maior.

Outros aspectos a serem considerados são técnicos. A diretoria pretende ouvir a comissão técnica. “O gramado está perfeito, e a torcida fica bem próxima. Precisamos treinar lá para saber como vai ser”, contou o diretor de futebol, Rodrigo Caetano.


Seis acertos de Zé Ricardo que explicam o título do Flamengo
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Quatro horas após o título do Flamengo, Muricy Ramalho, penúltimo técnico do time, entra ao vivo para falar no Sportv sobre o trabalho de Zé Ricardo: “Pegou um time que não estava bem comigo e fez um excelente trabalho.”

A sinceridade e correção de Muricy, que ressalte-se passava por um problema de saúde na época, mostram o tamanho do trabalho de Zé Ricardo durante um ano. Sim, o Flamengo tem um dos melhores elencos do país. Mas seu futebol dominante sobre o adversário, baseado em passes e aproximação dos atletas, é mérito do treinador.

Isso não significa que o Flamengo seja um esquadrão, imbatível. Não é, sequer é uma equipe pronta. Mas é um time que hoje tem mais qualidades do que defeito, uma cara e jogadores conscientes do que têm de fazer. Isso é mais importante do que um título do Estadual.  Veja como Zé Ricardo mudou o time em um ano.

Organização

Com Muricy, no início do Brasileiro-2016, o Flamengo jogava com uma linha avançada de quatro jogadores, o que deixava o time excessivamente exposto e sem jogo de meio-campo. O primeiro passo de Zé Ricardo foi recuar Arão para jogar ao lado de Márcio Araújo que foi mantido na principal formação.

O esquema com ponteiros foi mantido, mas Cirino foi trocado por Gabriel que voltava mais e dava consistência no meio e na defesa. De time sem padrão para se proteger, o Flamengo passou a se fechar com duas linhas de quatro quando se defendia, bem mais difícil de ser furado.

Jogo de passes

Zé Ricardo passou a dar ênfase na troca de passes e posse de bola para o Flamengo. O predomínio no número de jogadores no meio de campo foi uma chave para isso. Para isso, os jogadores de lado apareciam constantemente no setor para dar vantagem ao time.

Os laterais Jorge e Pará fechavam para o meio para se tornarem armadores em determinados momentos. Em outras situações, Gabriel e Éverton ocupavam esse espaço. Não ficavam alinhados e a ideia era ter três jogadores de cada lado, lateral, meio-campista e ponteiro. O time passou a ser dominante na posse de bola na maior parte dos jogos.

O fator Diego

Quando chegou o jogador mais cerebral no Flamengo, no meio da temporada, Zé Ricardo tinha que encaixa-lo no time. Ele deu menos obrigações defensivas (ele marcava, mas em menor intensidade) ao meia que podia sobrar das duas linhas de quatro jogadores, juntamente com Guerrero. O jogador ainda flutua para trás para carimbar as bolas do time.

Entende a natureza do Flamengo

Por ter sido formado no Flamengo, Zé Ricardo tem a percepção de que não é possível para o clube fazer um jogo de contra-ataque, nem fora, nem especialmente em casa. A torcida rubro-negra pressiona o time a jogar sempre para frente. Por seguidas vezes, ele repetiu que respeitaria essa realidade e faria sua equipe atuar de acordo com a natureza do clube. Na Libertadores, até fora o Flamengo tem sido ofensivo.

Não tem medo de contrariar a torcida

Em vários momentos, Zé Ricardo contrariou opiniões quase majoritárias da torcida do Flamengo. O maior exemplo é Márcio Araújo, que é um jogador com limitações ofensivas e que marca com eficiência. O treinador não só insistiu com ele como pediu a renovação do contrato baseado nos seus números positivos de desarmes, e o jogador tem sido eficiente nesta temporada inclusive na saída de bola.

Um outro exemplo é que trocou jogadores de renome como Juan pelo reserva Rafael Vaz por entender que este estava melhor. Independentemente de acertar ou errar, Zé Ricardo toma suas decisões baseado em suas convicções e nos números que dispõe para avaliar seus jogadores.

Inovações táticas

Após um fim de ano com queda de rendimento em 2016, Zé Ricardo precisava de alternativas para dar um salto no padrão de jogo do Flamengo. E não tem cansado de inovar em busca desse formato ideal que, diga-se, ainda não está consolidado.

Primeiro, botou Macuello do lado do campo – não deu certo. Depois, criou como alternativa a formação com três “volantes” no jogo contra a Universidade Católica que, na verdade, é bem ofensiva. Assim, aumentou seu domínio da posse de bola, tornando o time mais ofensivo. Em seguida, criou a alternativa com dois laterais para dar velocidade e reforçar a marcação, seja na direta com Pará e Rodinei, seja na esquerda com Trauco e René. Assim, supera desfalques e cria desequilíbrio nos adversários.

 


Virada rubro-negra marca vingança no Fla-Flu que demorou 22 anos
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Há vinganças no futebol que demoram. Em uma rivalidade que já dura mais de um século: o Flamengo esperou 22 anos para se vingar do Fluminense pelo gol de barriga de Renato Gaúcho. E devolveu a derrota na final com uma virada suada, e com gols nos últimos minutos, como naquela decisão de 1995. Uma reviravolta que, diga-se, fez justiça ao domínio rubro-negro nas duas decisões.

A vantagem de empate do Flamengo se esvaiu tão cedo que foi como se não tivesse existido. Mais uma falha da defesa rubro-negra na bola permitiu o desvio no primeiro pau e a conclusão de Henrique Dourado para o gol. Seria um novo Fluminense nesta segunda final em relação ao dominado no primeiro jogo?

Bem, a postura tricolor era mais agressiva com marcação na saída de bola e mais presença na frente. Mas a verdade é que, logo em seguida, o Flamengo se tornou dominante como ocorrera no primeiro encontro. A armação escolhida por Zé Ricardo com Trauco no meio e Renê na lateral dava superioridade ao time rubro-negro tanto ao bloquear os ponteiros rivais quanto por ter três homens no setor esquerdo do ataque.

O Flamengo, no entanto, não era tão incisivo quanto no primeiro jogo, e nem a zaga do Fluminense era tão vacilante. Como resultado, o time tricolor manteve a vantagem na etapa apesar de ser ver ameaçado pelo menos em uma chance clara de Éverton.

De volta, as armações dos times eram iguais, mas o jogo mudou. Além da bola aérea, o Flamengo passou a se expor também aos contra-ataques tricolores. Wellington Silva e Richarlison tinham um espaço que antes não lhes era permitido, e o Fluminense voltou a desenvolver seu jogo de passes rápidos. A partir daí, a partida era mais aberta e equilibrada.

A arquibancada inflamava dos dois lados, com a predominância grande de presença rubro-negra, mas o gol não saía. E os dois técnicos procuraram novas soluções. Zé Ricardo tirou o Berrío, que não encontrava espaço para sua velocidade, e pôs Gabriel. Para compensar, buscou na arrancada de Rodinei, que dera certo contra a Católica, sua jogada incisiva pela direita. Abel Braga apostou em Maranhão para jogar o que Wellignton não conseguiu.

O ritmo frenético do início do segundo tempo cobrou seu preço e a velocidade reduziu-se. A aposta rubro-negra era nas triangulações para achar Guerrero. O peruano não era brilhante como nos dois últimos jogos, mas mantinha o seu alto padrão de atuações desse ano. Era dele o pivô que dava jogo ao Fla, mas lhe faltava espaço para a conclusão diante da boa marcação da zaga tricolor.

Até que, por uma das ironias do destino, a bola aérea que era mais perigosa na outra área rendeu o gol rubro-negro. Réver ganhou a disputa pelo alto, Diego Cavalieri rebateu e Guerrero meteu a bola para dentro. Na minha opinião, houve falta de Réver em Henrique ao subir no lance.

A poucos minutos do final do jogo, o gol rubro-negro foi praticamente uma morte súbita. Não restavam forças ao tricolor para reagir, o que ocorreu de forma atabalhoada na base de um abafa improdutivo. Duas arrancadas de Rodinei com a defesa rival aberta levaram à expulsão de Diego Cavalieri e depois ao gol da virada já com Orejuela embaixo das traves, e perdido.

A corrida de Rodinei para chegar ao último gol lembrou aquela de Renato Gaúcho, então rubro-negro, para fazer o gol decisivo sobre o Atlético-MG na semifinal do Brasileiro de 1987. Um lance que o rubro-negro poderá guardar na memória para substituir o de 1995, um capítulo a seu favor nesta que é a rivalidade mais tradicional do país.


Fla vê sinal de licitação do Maracanã, e Flu tem entendimento com Lagardère
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Adversários na final do Estadual, Flamengo e Fluminense planejam rumos diferentes para o palco da final, o Maracanã. A diretoria rubro-negra vê sinais de uma nova licitação para o estádio, e a tricolor já tem um entendimento alinhado com a Largadère se esta assumir o estádio por venda. O governo do Estado não decidiu o que fará com o Maracanã.

Primeiro, é preciso lembrar que os dois rivais têm perfis diferentes de torcida e jogos. O Flamengo tem uma torcida maior, gera mais receita e por isso quer participar da administração do estádio. O Fluminense tem um contrato em vigor que reduz suas despesas ao atuar no Maracanã e pretende usa-lo só em uma parte dos jogos.

A diretoria rubro-negra está atenta às movimentações do governo do Estado do Rio de Janeiro. E trabalha com a informação de que pode ser lançada em breve uma nova licitação para estádio, anulando a concessão da Odebrecht em seguida.

Os dirigentes do Flamengo, no entanto, não sabem quais seriam as regras da nova licitação e por isso não têm certeza se haverá interesse em participar desta. O plano econômico do clube para o estádio envolvia o uso de áreas internas do Maracanã para fins comerciais, como restaurantes, para poder aumentar receita e com isso pagar custos. Mas não se sabe se isso é possível.

Já a diretoria do Fluminense teve reuniões com representantes da Largadère e ficou encaminhado um entendimento entre as partes caso esta assuma o estádio. A ideia é que seja mantido o contrato com a Odebrecht com ajustes. Por exemplo, hoje, já valem aditivos que repassam uma parte das despesas ao tricolor e a ideia seria que uma parte dos custos portanto ficasse com o clube.

Em compensação, a empresa francesa acena com a viabilização de novas receitas de marketing do estádio para o Fluminense.  Não há, no entanto, nenhum contrato assinado entre as partes. E, no final das contas, a Lagardère sabe que o clube pode exigir a manutenção do atual contrato.

Outra diferença entre os clubes seria o uso do Maracanã. A intenção do Fluminense é utilizar o Maracanã apenas em partidas grandes, cima de 30 mil, ficando com Édson Passos para públicos menores. Isso reduz prejuízos em jogos no Maracanã com baixo público.

O Flamengo também planeja a Arena da Ilha para partidas menores, mas, se tiver o Maracanã, sua ocupação do estádio será bem mais intensa. Afinal, como o clube participaria da gestão, ocuparia espaços dentro do equipamento.

Enquanto espera a situação do Maracanã, o clube rubro-negro toca seus estudos sobre estádio próprio. Mas não há uma localidade definida, nem forma de financiamento.

 


Dívida de clubes com governo sobe no 2º ano do Profut. Veja os devedores
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Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se: pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos. Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de 2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.

Enquanto isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito tributário consolidado na Receita.

Em 2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda de R$ 100 milhões.

O reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então pagarem 90% da parcela.

Maior devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.

Será portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

1º Botafogo – R$ 292,7 milhões

2º Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

3º Flamengo – R$ 282,3 milhões

4º Corinthians – R$ 232,2 milhões

5º Vasco – R$ 194 milhões

6º Fluminense – R$ 193,4 milhões

7º Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

8º Santos – R$ 155,2 milhões

9º Bahia – R$ 111,5 milhões

10º Internacional – R$ 109,4 milhões

11º São Paulo – R$ 104,5 milhões

12º Coritiba – R$ 100,2 milhões

13º Grêmio – R$ 96,1 milhões

14º Palmeiras – R$ 79,1 milhões

15º Sport – R$ 64,6 milhões

 


Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida em 2016
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Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em 2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.

Houve, sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com futebol ficaram em 58% da receita total. “Com o forte crescimento da receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o relatório da BDO.

Para completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões. “Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”, contou a BDO. Esses times que apresentaram déficit foram: Sport, Avaí, Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.

Como consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que, considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a empréstimos: houve queda de 7% com o valor ficando em R$ 1,6 bilhão.

Mas isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas. Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de empréstimos e direitos de atletas. “16 dos 23 clubes apresentaram redução em seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.

A dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um clube. É preciso levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:

1o Botafogo – R$ 753,1 milhões

2o Atlético-MG – R$ 518,7 milhões

3o Fluminense – R$ 502 milhões

4o Flamengo ** – R$ 460,6 milhões

5o Vasco – R$ 456,8 milhões

6o Corinthians *- R$ 424,9 milhões

7o Grémio – R$ 397,4 milhões

8o Palmeiras – R$ 394,8 milhões

9o São Paulo – R$ 385,3 milhões

10o Cruzeiro – R$ 363 milhões

110 Santos – R$ 356,6 milhões

12o Internacional – R$ 311,6 milhões

13o Atlético-PR – R$ 264,5 milhões

14o Coritiba – R$ 187,1 milhões

15o Bahia – R$ 166,4 milhões

* O débito do Corinthians em relação a sua arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser abatido por CIDs e ainda está em negociação.

**O Flamengo alega ter uma dívida de R$ 390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao contrário da BDO.

 


Presidente do Fla reclamou à Conmebol que não tem acréscimo como Palmeiras
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Antes da partida contra a Universidad Catolica, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, esteve na sede da Conmebol com outros dirigentes brasileiros para conversar com o presidente da entidade, Alejandro Dominguez. Entre os temas abordados, esteve a arbitragem na Libertadores. Um dos itens citados foi a falta de acréscimos em jogos do time rubro-negro enquanto há tempo a mais em outras partidas como as do Palmeiras.

Na terça-feira, Bandeira esteve na Conmebol juntamente com o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, e o presidente do Santos, Modesto Roma Jr. Houve, no entanto, reuniões separadas já que o palmeirense tinha como objetivo tratar da questão da violência cometida contra seu time no estádio do Peñarol. O santista e o rubro-negro estiveram juntos com encontro com Dominguez.

Na reunião, o presidente do Flamengo reclamou que seu time teria sido prejudicado nos quatro jogos iniciais da Libertadores. Um dos questionamentos foi o critério de acréscimos após os jogos. O dirigente rubro-negro lembrou que houve descontos máximos de três minutos nos dois jogos em que o time foi derrotado diante do Atlético-PR e Universidad Catolica apesar de terem supostamente ocorrido fatos que deveriam gerar mais tempo de jogo.

Em compensação, a diretoria do Flamengo observa que dois jogos do Palmeiras contra Peñarol e Jorge Wilstermann tiveram acréscimos de 5min ou mais. Contra os uruguaios, o jogo foi até os 54min e, contra os bolivianos, até 50min. Em ambos saíram os gols do Palmeiras no final. Ressalte-se que nos dois casos houve bastante cera dos adversários durante a partida que justificavam acréscimos além do padrão normal.

Bandeira não disse que os acréscimos para o Palmeiras eram erros da arbitragem. Só alegou que, se esse era o critério, deveria ser adotado da mesma forma para jogos do time rubro-negro. O dirigente do Flamengo não falou sobre temas como cotas de Libertadores com Dominguez, e avalia que a Conmebol tem dado sinais de que está sob nova administração mais transparente.


Patrocínio a clubes só cai desde Copa-2014. Palmeiras se salva
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Receitas com patrocínio e publicidade têm sido das que mais crescem no futebol mundial. Não no Brasil. Com o país em crise econômica, as parceiras comerciais em camisas de clubes perderam valor real nos últimos três anos considerada a inflação, segundo estudo da BDO Sports Management sobre as contas de 2016. Só quem se salva com valor significativo na camisa é o Palmeiras com a Crefisa.

O estudo da BDO aponta que os 23 clubes mais ricos do país ganharam R$ 524,1 milhões no ano passado com patrocínios. Houve um crescimento de apenas 4% em relação ao ano anterior sendo que a inflação foi de 6,29%.

Essa perda de valor ocorre, ironicamente, desde o ano da Copa-2014 quando havia a promessa de um boom no futebol nacional. Naquele ano, houve queda de patrocínios aos clubes depois de anos de alta. Do final de 2013 para cá, se o investimento tivesse crescido pelo menos o percentual da inflação (22%), teria chegado a R$ 586,8 milhões. Ou seja, o mercado perdeu em valor real em torno de R$ 60 milhões.

“Se consideramos a inflação, e o investimento da Caixa, o patrocínio voltou ao patamar de 2010”, analisou o consultor da BDO, Pedro Daniel. “Considerando o dólar que era mais baixo em 2010, o valor caiu. Com o câmbio favorável, seria para as multinacionais quererem investir no futebol aqui. Não aconteceu.”

Isso apesar do investimento pesado da Caixa Econômica Federal em uniformes de clubes chegando a atingir patamar de R$ 150 milhões. Na prática, o banco responde por 30% do mercado nacional de patrocínio. Sem esse dinheiro, a queda seria ainda mais acentuada.

Mercados maduros do futebol costumam ter divisão balanceada de receitas. Na Europa, a TV é a principal fonte de renda, mas não fica tão à frente de patrocínios e bilheteria. No Brasil, com a queda dos patrocínios, a televisão já responde por cerca de metade das rendas dos clubes do total.

Em 2016, os 23 clubes mais ricos do país arrecadaram R$ 4,962 bilhões. Desse total, apenas 11% foram de patrocínios aos times. Há sete anos atrás, em 2010, esse percentual chegava a 17%. O mercado de publicidade dos clubes simplesmente regrediu.

No ranking, o que se percebe é que o Palmeiras se salvou dessa queda com a Crefisa. Líder no país no quesito, o clube atingiu R$90,7 milhões em 2016, um crescimento de 30% sobre o ano anterior. Foi seguido pelo seu rival Corinthians com R$ 71,5 milhões e aumento dentro da inflação. Já o Flamengo, que era líder, caiu 22%, atingindo R$ 66,3 milhões – isso aumentou sua dependência da televisão.

Fora do topo, São Paulo (77%), Atlético-MG (94%) e Altético-PR (60%) tiveram evoluções nos seus ganhos de patrocínios significativos percentualmente. Mas, no caso do tricolor, está recuperado o que tinha perdido em 2015. E Galo e Furacão partiram de patamares mais baixos. Veja abaixo o ranking de patrocínios:

1o Palmeiras – R$ 90,7 milhões

2o Corinthians – R$ 71,5 milhões

3o Flamengo – R$ 66,3 milhões

4o Grêmio – R$ 35,5 milhões

5o São Paulo – R$ 35,3 milhões

6o Internacional – R$ 34,2 milhões

7o Atlético-MG – R$ 31,6 milhões

8o Cruzeiro – R$ 26,8 milhões

9o Santos – R$ 22,4 milhões

10o Fluminense – R$ 15,7 milhões

11o Vasco – R$ 13,6 milhões

12o Botafogo – R$ 9,4 milhões

13o Coritiba – R$ 9,4 milhões

14o Sport – R$ 9,3 milhões

15o Bahia – R$ 9 milhões

16o Vitória – R$ 8,8 milhões

17o Chapecoense – R$ 7 milhões

18o  Atlético-PR – 6,8 milhões

19o Figueirense – R$ 6,8 milhões

20o Ponte Preta – R$ 6 milhões


Em 2016, Fla arrecada mais do que Flu e Vasco juntos e o triplo do Bota
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As contas dos clubes do Rio mostram uma disparidade das receitas do Flamengo em relação aos seus rivais. A agremiação rubro-negra arrecadou mais do que Fluminense e Vasco juntos, e o triplo do Botafogo. É a constatação em cima do levantamento da consultoria BDO Sports Managment sobre os balanços dos times cariocas.

Ressalte-se que as luvas da Globo do contrato do Brasileiro-2019 tiveram um peso para aumentar a diferença entre o time rubro-negro e vascaínos e botafoguenses. Não é o caso do Fluminense que também registrou como receitas suas luvas com a televisão.

No total, o levantamento da BDO aponta que os quatro grandes do Rio arrecadaram R$ 1.176,7 bilhão em 2016, um aumento de 36% em relação a 2015. Desse total, 43% foram para os cofres do Flamengo com R$ 510,2 milhões, sendo R$ 100 milhões em luvas da Globo a valor presente.

Para se ter uma ideia, o Fluminense, segundo colocado, ficou com R$ 293 milhões, e nem somado a renda do Vasco (terceiro) R$ 213,3 milhões atingiria o total rubro-negro. Esse tipo de disparidade não é visto entre rivais de nenhum Estado dos mais tradicionais como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A dívida dos times cariocas teve uma redução no total, com pequena queda de 3%, segundo a BDO. Ficou em R$ 2,172 bilhões. “Depois de sete anos seguidos de alta, o endividamento líquido dos quatro maiores clubes do Rio de Janeiro apresentou redução nos últimos dois anos”, apontou o relatório da BDO.

Ainda assim, os grandes do Rio têm uma débito maior do que os dos paulistas, e uma arrecadação quase R$ 500 milhões menor. Só o Flamengo é capaz de fazer frente aos rivais de São Paulo. Veja a situação detalhada de cada time:

Flamengo

O clube carioca teve a maior arrecadação do país em 2016 com R$ 510 milhões graças às luvas da TV Globo. Do total, 58% das receitas do clube vêm da televisão. O registro desse bônus na Receita foi indicado pela Apfut (órgão regulador do Profut) por não estar vinculado à vigência do contrato. Até o ano passado, o conselho de contabilidade proibia esse tipo de registro em receitas.

Maior devedor do país há três anos, o Flamengo reduziu sua dívida líquida para R$ 460,6 milhões, com superávit de R$ 153 milhões. O clube da Gávea é o único do Rio que tem débito inferior a sua receita anual. “Nos últimos dez anos, o Flamengo sempre foi líder de receita no Estado”, aponta o relatório da BDO.

Fluminense

O clube tricolor teve um salto nas suas receitas de R$ 180,3 milhões, em 2015, para R$ 293,2 milhões em 2016. As luvas da Globo pelo Brasileiro-2019 foram de R$ 80 milhões, e registradas como receita como no caso do Flamengo. Assim, houve impacto nesse resultado. No tricolor, as receitas de televisão representam 60% do total, e as transferências contribuíram com 18%.

Apesar da boa arrecadação, o Fluminense teve um aumento no seu endividamento líquido que passou de R$ 461 milhões para R$ 502 milhões, tornando-se o segundo maior débito do Estado. Um resultado do superávit modesto do clube com R$ 8,1 milhões.

Vasco 

Apesar de segunda torcida do Estado, o Vasco teve receita de R$ 213 milhões. Há de ressalvar que o clube não registrou luvas de contratos da Globo em suas rendas. Ainda assim, tem uma preocupante dependência do dinheiro de televisão já que 78% das suas receitas têm essa origem. E o time arrecadou zero em venda de direitos de jogadores.

Em compensação, o clube teve uma redução de sua dívida chegando a R$ 456 milhões, a menor do Rio de Janeiro. A queda no débito líquido foi de R$ 11 milhões. O superávit vascaíno foi de R$ 11,9 milhões.

Botafogo

O alvinegro da estrela solitária tem a pior situação financeira entre os grandes do Rio. Sua arrecadação foi de R$ 160 milhões, sendo 63% de receitas de televisão. Ganhos com patrocínio (6%) e transferências (6%) são bem baixos para aliviar as contas.

A dívida do Botafogo já era a mais alta entre os grandes do país e continuou a subir: foi de R$ 730 milhões para R$ 750 milhões. Há dois fatores para isso: juros sobre os débitos do clube e a falta de dinheiro para fechar no azul. O clube alvinegro foi o único do Rio a fechar em déficit em 2016: R$ 9,2 milhões.


Final mostra que Fla-Flu muda a cada jogo
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Não esqueçamos que a última decisão entre Flamengo e Fluminense há 22 anos terminou com a vitória do time tido como mais fraco na época: o tricolor de Renato Gaúcho era franco atirador. Repetia-se ali uma regra que marcou o clássico com resultados surpreendentes desde a sua primeira edição.

O primeiro jogo da final o Estadual de 2017 não foi diferente. O Flamengo é o elenco mais forte do Rio de Janeiro neste momento, mas tinha sido dominado pelo Fluminense na Taça Guanabara. Um esquema de pontas velozes de Abel Braga tinha tornado o rubro-negro vulnerável e a vitória veio nos pênaltis. Daí surgiu uma presunção natural de que o jogo tricolor parecia se encaixar melhor ao do rival.

Mas o Flamengo apresentou um tal domínio no primeiro tempo da decisão que nem pareciam os mesmos times. Isso se deve em parte a uma percepção do técnico do técnico Zé Ricardo dos pontos fortes tricolores, e da maior experiência e variedade do elenco rubro-negro.

O Flamengo entrou com dois ponteiros abertos que sabem voltar e dobram a marcação nos seus setores (Everton e Berríon), somados a três jogadores (Márcio Araújo, Arão e Rômulo) que dão presença e toque de bola no meio. O resultado foi um domínio no campo de ataque no primeiro tempo e o bloqueio da jogada forte tricolor com Wellington Silva e Richarlisson pelos lados. Sem Scarpa, o Flu penava.

Somado a isso, Guerrero tinha mais uma atuação de ótimo nível em que consertava e centralizava todas as bolas perdidas rubro-negras, transformando-as em ataques reais. Assim, melhorava todo o time do Fla. A falha de Renato Chaves e o gol de Éverton foram consequências da superioridade rubro-negra que sufocava o rival. Poderia ter sido mais.

O segundo tempo teve um Fluminense bem mais presente no ataque, mas ainda sem saber se livrar do bloqueio a seus ponteiros. Richarlison é tão bom que às vezes escapava da sua marcação. Mas a defesa rubro-negra esteve melhor do que na Libertadores, inclusive com um preciso Rafael Vaz. A pressão tricolor durou 20min, mas não foi tão efetiva a ponto de empatar o jogo. O perigo era quase igual aos contra-ataques rubro-negros.

A superioridade tática tricolor da final da Taça Guanabara sumiu no Maracanã. O que se via era um elenco mais forte do Flamengo, bem postado, que soube superar de forma mais eficiente a falta de seu craque Diego do que o Flu a de Scarpa.

Há a certeza de que o Flamengo vai de novo se impor na segunda partida da final e ser campeão Estadual? Obviamente que não. Se um clássico já tem mudanças de rumo constantes, imagine um Fla-Flu de eternas reviravoltas. A Libertadores para os rubro-negros no meio de semana, a velocidade dos jovens tricolores e insondáveis fatores podem mudar tudo em um Fla-Flu. Certeza só de que a vantagem é rubro-negra.