Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Fluminense

Licitação de Maracanã se aproxima, mas estádio próprio do Fla deve demorar
Comentários Comente

rodrigomattos

Enquanto toca em separado as possibilidades de estádio, o Flamengo vê mais próxima a licitação do Maracanã, mas o projeto do seu estádio próprio na Gávea deve demorar. A prefeitura do Rio reafirmou apoio ao projeto mesmo após as críticas do AMA Leblon. O governo do Estado aponta uma concorrência pelo Maracanã em estágio avançado.

Houve uma audiência pública nesta segunda-feira para discussão de legado da Olimpíada. Na reunião, o presidente da Suderj (Superintedência de Desportos do Rio de Janeiro), Leonardo Morais, confirmou que deve ser realizada a nova licitação pelo estádio, após desistência da Largadère em compra-lo da Odebrecht. E indicou que isso pode acontecer em breve dependendo da Casa Civil terminar o edital.

“Ao que tudo indica, o governo do Estado deve fazer o edital. A gente tem ciência de que está bem avançado. Deve-se separar o Maracanã de outros equipamentos como o Julio de Lamare”, contou Morais.

O blog apurou que o governo do Estado do Rio entende ter condições de romper com a Odebrecht sem interferir na disputa em tribunal de arbitragem entre as partes. A partir daí, caberia decidir os termos da licitação. Há a indicação de que não se mexerá nos dois equipamentos tombados, Julio De Lamare e Célio de Barros, cuja pista nem sequer existe mais. Nem o Maracanãzinho deve entrar no pacote. Restaria portanto o aproveitamento do Maracanã e a área de seu anel.

Em relação ao estádio do Flamengo na Gávea, que tem uma manifestação de boa vontade da prefeitura, o processo deve ser mais demorado. Foi o que sinalizou a subsecretaria de Esportes, Patricia Amorim, que defendeu o projeto após as críticas de associação de moradores do Leblon.

“Do que eu conheço do Iphan, deve demorar mais de um ano. Só pode ser aprovado pela prefeitura depois que passar pelo Iphan”, contou Amorim, que é ex-presidente do Flamengo. Portanto, ela acredita ser muito difícil que se inicie uma construção em 2017, prevendo que isso só deveria ocorrer em 2018.

A subscretária contou que o Flamengo vai apresentar o projeto dentro dos termos acordados, com isolamento acústico, sem estacionamento e que seja de até 25 mil lugares. Portanto, ela minimizou as críticas do AMA Leblon sobre impacto de trânsito. “Os jogos ocorrem em horários e dias fora dos períodos de mais trânsito. E ali é servido com opção de transporte público”, completou, acrescentando que o projeto seguirá todos os trâmites na prefeitura.

Dirigentes do Flamengo, Rafael Strauch e Alexandre Wrobel, estiveram na audiência pública para discutir a Olimpíada, mas se retiraram antes do final por outros compromissos.


Líderes, Flu e Grêmio têm chances de disputar o título Brasileiro?
Comentários Comente

rodrigomattos

Duas vitórias de Fluminense e Grêmio nas duas primeiras rodadas colocam ambos no topo no Brasileiro. Não eram considerados favoritos antes do Nacional, nem zebras. Estavam ali em um grupo de times que exibiram bom futebol em 2017 e que têm chances de brigar em cima, mas não têm elencos encorpados que os eleve ao primeiro andar.

Não é de se desprezar a arrancada dos dois tricolores. O Fluminense bateu dois adversários fortes, Santos e Atlético-MG, sendo o segundo fora de casa no Independência. E o Grêmio dominou o Botafogo e se mostrou superior ao Atlético-PR, ambos na Libertadores e classificados à próxima fase.

Ofuscaram os favoritos Galo, Flamengo e Palmeiras neste início. E por que favoritos? Porque esses três clubes contam com elencos mais cheios, embora cheios de imperfeições como é regra no futebol. E também alguns jogadores decisivos como Fred, Robinho, Diego, Guerrero, Borja, Dudu.

Grêmio e Fluminense têm times que são capazes de enfrentar qualquer um desses três. O problema é quando há a contusão, o cartão, a má fase. Falta ali a reposição como se demonstra pela falta de Scarpa nas finais do Estadual do Rio. Se perder seus dois ponteiros, Richarlison e Wellington Silva, o time carioca terá problemas.

O futuro dos dois tricolores no Brasileiro, portanto, terá muito a ver com contar com seus principais jogadores inteiros. A janela de transferência é uma ameaça visto que o Fluminense tem necessidade de cobrir buracos financeiros, e lhe sobram jogadores jovens para despertar interesse. No Grêmio, a permanência de Luan ou não tem potencial para determinar a temporada.

Independentemente do futuro, não se pode negar os méritos dos técnicos Abel Braga e Renato Gaúcho nas armações de seus times. Não foram só essas duas rodadas: eles mostraram em três meses e meio de temporada que seus times podem atingir bom nível de bola.

O Grêmio se complicou no Estadual, mas exibiu momentos de um futebol instigante em certos jogos da Libertadores. Foi assim no primeiro tempo contra o Iquique, como diante do Botafogo no Brasileiro. As triangulações rápidas com Luan como centroavante que recua para abrir espaços desconcertam os rivais.

E Abel achou sua solução na velocidade de seus ponteiros alimentados por um estilo de jogo vertical, de poucos passes até chegar no gol rival. Não se espere do Fluminense cadência. Seja na bola longa do goleiro ou na troca de passes rápida em contra-taque, o objetivo é pegar o rival desarmado rápido. Resta saber como lidará com sistemas que bloqueiem sua força como os do Flamengo nas finais do Estaduais.

Enfim, não faltam armas aos dois times. A questão é se serão armas suficientes para enfrentar um Brasileiro extenuante, ainda mais com atenções dividas com outras competições.

 


Empresa desiste de comprar Maracanã; destino é licitação ou municipalização
Comentários Comente

rodrigomattos

A Lagardère desistiu da compra da concessão do Maracanã da Odebrecht, deixando em aberto o futuro do estádio. O futuro do estádio terá de ser definido por uma nova licitação ou por uma municipalização desejada pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O Flamengo quer a nova concorrência, e o Fluminense fazia acordo com a empresa francesa.

Há três semanas o governo do Estado do Rio deu sinal de que recuaria da aprovação à venda do estádio, optando por uma nova licitação. Não havia uma palavra final, mas era uma tendência. Isso ocorreu após as revelações das delações da Odebrecht que apontavam propina nos processos licitatórios da concessão.

Os franceses já tinham até um memorando de entendimento assinado com a Odebrecht para a compra do estádio por R$ 60 milhões. Mas a indefinição do governo do Estado levou os a desistir da aquisição. Eles, no entanto, não desistiram completamente do Maracanã

Agora, há dois caminhos para o Maracanã: um deles é a nova licitação em que o Flamengo e seus parceiros estão interessados, já que o clube se recusava a jogar se a Lagardère mandasse no estádio.

“É uma decisão deles (Lagardère), não nos cabe comentar. O Flamengo continua defendendo uma nova licitação e participará dela dependendo das condições do edital”, afirmou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Outra possibilidade surgiu na semana passada quando o prefeito Marcelo Crivella manifestou ao governo Luiz Fernando Pezão a intenção de municipalizar o estádio. O Estado do Rio exigiria um pagamento por isso, mas a prefeitura é credora de dívida com o governo por ter ajudado na crise financeira. O plano seria assumir e acertar uma parceria com os clubes. Houve troca de mensagens entre o governador e o prefeito sobre o tema.

Mas a Largadère também está em discussão com o prefeito em relação ao estádio. E ainda estuda se pode entrar com um processo judicial para tentar ganhar o Maracanã alegando ser a segunda colocada na licitação que deu vitória à Odebrecht. Só que seu parceiro à época era a OAS, que está em recuperação judicial.

A diretoria do Flamengo informou que tem conhecimento da intenção do prefeito e que estava disposta a colaborar com ele. Mas, em paralelo, os dirigentes rubro-negros negociam terrenos e liberações para um estádio próprio. Essa será a alternativa se considerarem que as condições de concessão e os custos do Maracanã são inviáveis para o clube. Também existe essa discussão com o prefeito.

O Fluminense também tinha um projeto de estádio próprio. Sua diretoria ainda não quis se pronunciar sobre a desistência da Laragadère. As duas ideias de estádios dos dois times são embrionários, sem terreno certo ou forma de financiamento.


Virada rubro-negra marca vingança no Fla-Flu que demorou 22 anos
Comentários Comente

rodrigomattos

Há vinganças no futebol que demoram. Em uma rivalidade que já dura mais de um século: o Flamengo esperou 22 anos para se vingar do Fluminense pelo gol de barriga de Renato Gaúcho. E devolveu a derrota na final com uma virada suada, e com gols nos últimos minutos, como naquela decisão de 1995. Uma reviravolta que, diga-se, fez justiça ao domínio rubro-negro nas duas decisões.

A vantagem de empate do Flamengo se esvaiu tão cedo que foi como se não tivesse existido. Mais uma falha da defesa rubro-negra na bola permitiu o desvio no primeiro pau e a conclusão de Henrique Dourado para o gol. Seria um novo Fluminense nesta segunda final em relação ao dominado no primeiro jogo?

Bem, a postura tricolor era mais agressiva com marcação na saída de bola e mais presença na frente. Mas a verdade é que, logo em seguida, o Flamengo se tornou dominante como ocorrera no primeiro encontro. A armação escolhida por Zé Ricardo com Trauco no meio e Renê na lateral dava superioridade ao time rubro-negro tanto ao bloquear os ponteiros rivais quanto por ter três homens no setor esquerdo do ataque.

O Flamengo, no entanto, não era tão incisivo quanto no primeiro jogo, e nem a zaga do Fluminense era tão vacilante. Como resultado, o time tricolor manteve a vantagem na etapa apesar de ser ver ameaçado pelo menos em uma chance clara de Éverton.

De volta, as armações dos times eram iguais, mas o jogo mudou. Além da bola aérea, o Flamengo passou a se expor também aos contra-ataques tricolores. Wellington Silva e Richarlison tinham um espaço que antes não lhes era permitido, e o Fluminense voltou a desenvolver seu jogo de passes rápidos. A partir daí, a partida era mais aberta e equilibrada.

A arquibancada inflamava dos dois lados, com a predominância grande de presença rubro-negra, mas o gol não saía. E os dois técnicos procuraram novas soluções. Zé Ricardo tirou o Berrío, que não encontrava espaço para sua velocidade, e pôs Gabriel. Para compensar, buscou na arrancada de Rodinei, que dera certo contra a Católica, sua jogada incisiva pela direita. Abel Braga apostou em Maranhão para jogar o que Wellignton não conseguiu.

O ritmo frenético do início do segundo tempo cobrou seu preço e a velocidade reduziu-se. A aposta rubro-negra era nas triangulações para achar Guerrero. O peruano não era brilhante como nos dois últimos jogos, mas mantinha o seu alto padrão de atuações desse ano. Era dele o pivô que dava jogo ao Fla, mas lhe faltava espaço para a conclusão diante da boa marcação da zaga tricolor.

Até que, por uma das ironias do destino, a bola aérea que era mais perigosa na outra área rendeu o gol rubro-negro. Réver ganhou a disputa pelo alto, Diego Cavalieri rebateu e Guerrero meteu a bola para dentro. Na minha opinião, houve falta de Réver em Henrique ao subir no lance.

A poucos minutos do final do jogo, o gol rubro-negro foi praticamente uma morte súbita. Não restavam forças ao tricolor para reagir, o que ocorreu de forma atabalhoada na base de um abafa improdutivo. Duas arrancadas de Rodinei com a defesa rival aberta levaram à expulsão de Diego Cavalieri e depois ao gol da virada já com Orejuela embaixo das traves, e perdido.

A corrida de Rodinei para chegar ao último gol lembrou aquela de Renato Gaúcho, então rubro-negro, para fazer o gol decisivo sobre o Atlético-MG na semifinal do Brasileiro de 1987. Um lance que o rubro-negro poderá guardar na memória para substituir o de 1995, um capítulo a seu favor nesta que é a rivalidade mais tradicional do país.


Fla vê sinal de licitação do Maracanã, e Flu tem entendimento com Lagardère
Comentários Comente

rodrigomattos

Adversários na final do Estadual, Flamengo e Fluminense planejam rumos diferentes para o palco da final, o Maracanã. A diretoria rubro-negra vê sinais de uma nova licitação para o estádio, e a tricolor já tem um entendimento alinhado com a Largadère se esta assumir o estádio por venda. O governo do Estado não decidiu o que fará com o Maracanã.

Primeiro, é preciso lembrar que os dois rivais têm perfis diferentes de torcida e jogos. O Flamengo tem uma torcida maior, gera mais receita e por isso quer participar da administração do estádio. O Fluminense tem um contrato em vigor que reduz suas despesas ao atuar no Maracanã e pretende usa-lo só em uma parte dos jogos.

A diretoria rubro-negra está atenta às movimentações do governo do Estado do Rio de Janeiro. E trabalha com a informação de que pode ser lançada em breve uma nova licitação para estádio, anulando a concessão da Odebrecht em seguida.

Os dirigentes do Flamengo, no entanto, não sabem quais seriam as regras da nova licitação e por isso não têm certeza se haverá interesse em participar desta. O plano econômico do clube para o estádio envolvia o uso de áreas internas do Maracanã para fins comerciais, como restaurantes, para poder aumentar receita e com isso pagar custos. Mas não se sabe se isso é possível.

Já a diretoria do Fluminense teve reuniões com representantes da Largadère e ficou encaminhado um entendimento entre as partes caso esta assuma o estádio. A ideia é que seja mantido o contrato com a Odebrecht com ajustes. Por exemplo, hoje, já valem aditivos que repassam uma parte das despesas ao tricolor e a ideia seria que uma parte dos custos portanto ficasse com o clube.

Em compensação, a empresa francesa acena com a viabilização de novas receitas de marketing do estádio para o Fluminense.  Não há, no entanto, nenhum contrato assinado entre as partes. E, no final das contas, a Lagardère sabe que o clube pode exigir a manutenção do atual contrato.

Outra diferença entre os clubes seria o uso do Maracanã. A intenção do Fluminense é utilizar o Maracanã apenas em partidas grandes, cima de 30 mil, ficando com Édson Passos para públicos menores. Isso reduz prejuízos em jogos no Maracanã com baixo público.

O Flamengo também planeja a Arena da Ilha para partidas menores, mas, se tiver o Maracanã, sua ocupação do estádio será bem mais intensa. Afinal, como o clube participaria da gestão, ocuparia espaços dentro do equipamento.

Enquanto espera a situação do Maracanã, o clube rubro-negro toca seus estudos sobre estádio próprio. Mas não há uma localidade definida, nem forma de financiamento.

 


Dívida de clubes com governo sobe no 2º ano do Profut. Veja os devedores
Comentários Comente

rodrigomattos

Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se: pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos. Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de 2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.

Enquanto isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito tributário consolidado na Receita.

Em 2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda de R$ 100 milhões.

O reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então pagarem 90% da parcela.

Maior devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.

Será portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

1º Botafogo – R$ 292,7 milhões

2º Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

3º Flamengo – R$ 282,3 milhões

4º Corinthians – R$ 232,2 milhões

5º Vasco – R$ 194 milhões

6º Fluminense – R$ 193,4 milhões

7º Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

8º Santos – R$ 155,2 milhões

9º Bahia – R$ 111,5 milhões

10º Internacional – R$ 109,4 milhões

11º São Paulo – R$ 104,5 milhões

12º Coritiba – R$ 100,2 milhões

13º Grêmio – R$ 96,1 milhões

14º Palmeiras – R$ 79,1 milhões

15º Sport – R$ 64,6 milhões

 


Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida em 2016
Comentários Comente

rodrigomattos

Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em 2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.

Houve, sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com futebol ficaram em 58% da receita total. “Com o forte crescimento da receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o relatório da BDO.

Para completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões. “Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”, contou a BDO. Esses times que apresentaram déficit foram: Sport, Avaí, Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.

Como consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que, considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a empréstimos: houve queda de 7% com o valor ficando em R$ 1,6 bilhão.

Mas isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas. Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de empréstimos e direitos de atletas. “16 dos 23 clubes apresentaram redução em seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.

A dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um clube. É preciso levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:

1o Botafogo – R$ 753,1 milhões

2o Atlético-MG – R$ 518,7 milhões

3o Fluminense – R$ 502 milhões

4o Flamengo ** – R$ 460,6 milhões

5o Vasco – R$ 456,8 milhões

6o Corinthians *- R$ 424,9 milhões

7o Grémio – R$ 397,4 milhões

8o Palmeiras – R$ 394,8 milhões

9o São Paulo – R$ 385,3 milhões

10o Cruzeiro – R$ 363 milhões

110 Santos – R$ 356,6 milhões

12o Internacional – R$ 311,6 milhões

13o Atlético-PR – R$ 264,5 milhões

14o Coritiba – R$ 187,1 milhões

15o Bahia – R$ 166,4 milhões

* O débito do Corinthians em relação a sua arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser abatido por CIDs e ainda está em negociação.

**O Flamengo alega ter uma dívida de R$ 390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao contrário da BDO.

 


Em 2016, Fla arrecada mais do que Flu e Vasco juntos e o triplo do Bota
Comentários Comente

rodrigomattos

As contas dos clubes do Rio mostram uma disparidade das receitas do Flamengo em relação aos seus rivais. A agremiação rubro-negra arrecadou mais do que Fluminense e Vasco juntos, e o triplo do Botafogo. É a constatação em cima do levantamento da consultoria BDO Sports Managment sobre os balanços dos times cariocas.

Ressalte-se que as luvas da Globo do contrato do Brasileiro-2019 tiveram um peso para aumentar a diferença entre o time rubro-negro e vascaínos e botafoguenses. Não é o caso do Fluminense que também registrou como receitas suas luvas com a televisão.

No total, o levantamento da BDO aponta que os quatro grandes do Rio arrecadaram R$ 1.176,7 bilhão em 2016, um aumento de 36% em relação a 2015. Desse total, 43% foram para os cofres do Flamengo com R$ 510,2 milhões, sendo R$ 100 milhões em luvas da Globo a valor presente.

Para se ter uma ideia, o Fluminense, segundo colocado, ficou com R$ 293 milhões, e nem somado a renda do Vasco (terceiro) R$ 213,3 milhões atingiria o total rubro-negro. Esse tipo de disparidade não é visto entre rivais de nenhum Estado dos mais tradicionais como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

A dívida dos times cariocas teve uma redução no total, com pequena queda de 3%, segundo a BDO. Ficou em R$ 2,172 bilhões. “Depois de sete anos seguidos de alta, o endividamento líquido dos quatro maiores clubes do Rio de Janeiro apresentou redução nos últimos dois anos”, apontou o relatório da BDO.

Ainda assim, os grandes do Rio têm uma débito maior do que os dos paulistas, e uma arrecadação quase R$ 500 milhões menor. Só o Flamengo é capaz de fazer frente aos rivais de São Paulo. Veja a situação detalhada de cada time:

Flamengo

O clube carioca teve a maior arrecadação do país em 2016 com R$ 510 milhões graças às luvas da TV Globo. Do total, 58% das receitas do clube vêm da televisão. O registro desse bônus na Receita foi indicado pela Apfut (órgão regulador do Profut) por não estar vinculado à vigência do contrato. Até o ano passado, o conselho de contabilidade proibia esse tipo de registro em receitas.

Maior devedor do país há três anos, o Flamengo reduziu sua dívida líquida para R$ 460,6 milhões, com superávit de R$ 153 milhões. O clube da Gávea é o único do Rio que tem débito inferior a sua receita anual. “Nos últimos dez anos, o Flamengo sempre foi líder de receita no Estado”, aponta o relatório da BDO.

Fluminense

O clube tricolor teve um salto nas suas receitas de R$ 180,3 milhões, em 2015, para R$ 293,2 milhões em 2016. As luvas da Globo pelo Brasileiro-2019 foram de R$ 80 milhões, e registradas como receita como no caso do Flamengo. Assim, houve impacto nesse resultado. No tricolor, as receitas de televisão representam 60% do total, e as transferências contribuíram com 18%.

Apesar da boa arrecadação, o Fluminense teve um aumento no seu endividamento líquido que passou de R$ 461 milhões para R$ 502 milhões, tornando-se o segundo maior débito do Estado. Um resultado do superávit modesto do clube com R$ 8,1 milhões.

Vasco 

Apesar de segunda torcida do Estado, o Vasco teve receita de R$ 213 milhões. Há de ressalvar que o clube não registrou luvas de contratos da Globo em suas rendas. Ainda assim, tem uma preocupante dependência do dinheiro de televisão já que 78% das suas receitas têm essa origem. E o time arrecadou zero em venda de direitos de jogadores.

Em compensação, o clube teve uma redução de sua dívida chegando a R$ 456 milhões, a menor do Rio de Janeiro. A queda no débito líquido foi de R$ 11 milhões. O superávit vascaíno foi de R$ 11,9 milhões.

Botafogo

O alvinegro da estrela solitária tem a pior situação financeira entre os grandes do Rio. Sua arrecadação foi de R$ 160 milhões, sendo 63% de receitas de televisão. Ganhos com patrocínio (6%) e transferências (6%) são bem baixos para aliviar as contas.

A dívida do Botafogo já era a mais alta entre os grandes do país e continuou a subir: foi de R$ 730 milhões para R$ 750 milhões. Há dois fatores para isso: juros sobre os débitos do clube e a falta de dinheiro para fechar no azul. O clube alvinegro foi o único do Rio a fechar em déficit em 2016: R$ 9,2 milhões.


Final mostra que Fla-Flu muda a cada jogo
Comentários Comente

rodrigomattos

Não esqueçamos que a última decisão entre Flamengo e Fluminense há 22 anos terminou com a vitória do time tido como mais fraco na época: o tricolor de Renato Gaúcho era franco atirador. Repetia-se ali uma regra que marcou o clássico com resultados surpreendentes desde a sua primeira edição.

O primeiro jogo da final o Estadual de 2017 não foi diferente. O Flamengo é o elenco mais forte do Rio de Janeiro neste momento, mas tinha sido dominado pelo Fluminense na Taça Guanabara. Um esquema de pontas velozes de Abel Braga tinha tornado o rubro-negro vulnerável e a vitória veio nos pênaltis. Daí surgiu uma presunção natural de que o jogo tricolor parecia se encaixar melhor ao do rival.

Mas o Flamengo apresentou um tal domínio no primeiro tempo da decisão que nem pareciam os mesmos times. Isso se deve em parte a uma percepção do técnico do técnico Zé Ricardo dos pontos fortes tricolores, e da maior experiência e variedade do elenco rubro-negro.

O Flamengo entrou com dois ponteiros abertos que sabem voltar e dobram a marcação nos seus setores (Everton e Berríon), somados a três jogadores (Márcio Araújo, Arão e Rômulo) que dão presença e toque de bola no meio. O resultado foi um domínio no campo de ataque no primeiro tempo e o bloqueio da jogada forte tricolor com Wellington Silva e Richarlisson pelos lados. Sem Scarpa, o Flu penava.

Somado a isso, Guerrero tinha mais uma atuação de ótimo nível em que consertava e centralizava todas as bolas perdidas rubro-negras, transformando-as em ataques reais. Assim, melhorava todo o time do Fla. A falha de Renato Chaves e o gol de Éverton foram consequências da superioridade rubro-negra que sufocava o rival. Poderia ter sido mais.

O segundo tempo teve um Fluminense bem mais presente no ataque, mas ainda sem saber se livrar do bloqueio a seus ponteiros. Richarlison é tão bom que às vezes escapava da sua marcação. Mas a defesa rubro-negra esteve melhor do que na Libertadores, inclusive com um preciso Rafael Vaz. A pressão tricolor durou 20min, mas não foi tão efetiva a ponto de empatar o jogo. O perigo era quase igual aos contra-ataques rubro-negros.

A superioridade tática tricolor da final da Taça Guanabara sumiu no Maracanã. O que se via era um elenco mais forte do Flamengo, bem postado, que soube superar de forma mais eficiente a falta de seu craque Diego do que o Flu a de Scarpa.

Há a certeza de que o Flamengo vai de novo se impor na segunda partida da final e ser campeão Estadual? Obviamente que não. Se um clássico já tem mudanças de rumo constantes, imagine um Fla-Flu de eternas reviravoltas. A Libertadores para os rubro-negros no meio de semana, a velocidade dos jovens tricolores e insondáveis fatores podem mudar tudo em um Fla-Flu. Certeza só de que a vantagem é rubro-negra.


Odebrecht tem plano provisório para Fla-Flu no Maracanã até nova licitação
Comentários Comente

rodrigomattos

Diante da indecisão do governo em dar sequência à venda do Maracanã, a Odebrecht já traça um plano de gestão provisória do estádio juntamente com os clubes para viabilizar o estádio até uma nova licitação. A prioridade da construtora, no entanto, é concluir a transferência do equipamento para Lagardère e sair o mais rápido possível da administração.

Na semana passada, após as delações das Odebrecht que apontam suborno na concessão do estádio, o governo do Estado deu sinais de que recuaria do aval da venda do Maracanã para a Lagardère, optando por nova licitação. Isso atendia pleito do Flamengo, mas contraria o Fluminense. Haverá uma audiência pública na assembleia legislativa nesta tarde para tratar do assunto.

Uma grande questão era o medo de o Maracanã ficar abandonado e sem manutenção enquanto se arrastava um novo processo licitatório. Mas a visão da Odebrecht é que dá para viabilizar o cuidado provisório do estádio com a realização de jogos desde que exista colaboração de Flamengo e Fluminense.

O plano da construtora se baseia nas últimas partidas realizadas no estádio. Os aluguéis majorados e o pagamento de despesas operacionais pelos clubes, além deles ajudarem no trato ao gramado, tornaram possível custear as despesas do Maracanã.

Nas contas da Odebrecht, foram gastos R$ 3 milhões no Maracanã desde que a empresa reassumiu o estádio em fevereiro. Desse total, R$ 1,7 milhão foram vitalizados pelo Flamengo em seu primeiro jogo da Libertadores. O restante do dinheiro saiu de outros alugueis de partidas e do caixa da empresa. A empresa Maracanã SA tem recursos em caixa por conta do pagamento do empréstimo do clube rubro-negro.

De resto, a Odebrecht entende ter encontrado um modelo viável de forma provisória com o Fluminense pagando R$ 100 mil de aluguel, mas despesas operacionais, e o Flamengo, R$ 250 mil, mais as despesas. Em jogos maiores, como o com ao Atlético-PR pela Libertadores, o aluguel sobe para R$ 700 mil para pagar o estádio. Não há mais patrocinadores ou receitas extras.

Mas assim se cobre a luz. O gramado tem sido mantido pela Greenleaf, a mesma que atende o Flamengo e o Fluminense, e foi acertado um pacote conjunto.

O restante serve para manter 50 pessoas terceirizadas que fazem serviços de limpeza e segurança do estádio. Foram ainda colocadas cadeiras nos lugares no setor leste. Em visita, o blog constatou que o estádio está limpo, com serviços de limpeza e segurança sendo executados, e sem entulhos acumulados. Há, no entanto, reparos a fazer na cobertura de R$ 16 milhões, remodelagem de camarotes, etc.

A intenção da Odebrecht é concluir a venda para a Lagardère, que ameaça até processar o governo do Estado caso desista da transferência. Já foi assinado até um memorando de entendimento pelo qual a empresa francesa pagaria R$ 60 milhões, a maioria em despesas no estádio e pagamento de outorga ao governo do Rio.

Caso o governo não dê aval ao negócio, a Odebrecht pretende sentar para conversar com Flamengo e Fluminense, e com o governo do Estado para traçar em definitivo um plano provisório. A ideia seria exigir uma data definitiva para a licitação e para entrega ao estádio. E, com o clube, discutir regras como as atuais para bancar o funcionamento do Maracanã até lá.