Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Grêmio

Clubes se encontram em São Paulo para debater mudança na eleição na CBF
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Um grupo de grandes clubes brasileiros se reúne nesta sexta-feira em São Paulo para discutir se serão tomadas medidas em relação às mudanças de estatuto da CBF que tiraram poder das agremiações. A reunião vem sendo articulada desde a semana passada em sigilo para não causar reações antes de os times saberem exatamente o que querem fazer.

As federações estaduais e a CBF votaram uma alteração no estatuto da entidade para alterar o peso dos votos na eleição para presidente. Com a nova regra, as federações passaram a ter peso três na votação, os clubes da Série A, dois, e os da B, um. Assim, as entidades estaduais têm mais votos (81) do que as agremiações (60). O movimento foi feito sem consulta ou aviso aos clubes.

Dirigentes de times ficaram irritados com a atitude da CBF e reclamaram da perda de poder sem discussão. Ainda mais porque a confederação tinha convocado todos os cartolas para opinar sobre as mudanças de estatuto, mas, no final, decidiu fazer uma versão sozinha só ouvindo federações.

Entre os clubes articulados, estão Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, e provavelmente os grandes de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos), e o Cruzeiro. Não há certeza sobre a presença de todos, nem se haverá mais times no movimento justamente pelo sigilo mantido em relação ao encontro. A sede de um dos times paulistas da capital deve ser usada como local da reunião.

A pauta da reunião não está completamente definida, embora a reunião tenha sido motivada pela irritação com a atitude da CBF em mudar o sistema eleitoral para manter o poder. Dificilmente, no entanto, haverá uma revolta geral com a confederação pelo que o blog ouviu dos dirigentes que vão participar.

Mas há a intenção de tomar alguma medida já que os dirigentes de clubes perceberam que foram vistos como fracos diante da confederação por não reagirem às mudanças no estatuto. Há entre alguns cartolas que vão à reunião uma descrença em relação aos resultados já que as agremiações nunca conseguiram se unir de fato para reivindicar suas demandas. É imprevisível o que sairá da reunião.


Libertadores ignora critério da Champions e prejudica brasileiros em cotas
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Ao mudar a Libertadores para aumentar seu valor de mercado, a Conmebol ignorou esse mesmo mercado na hora de distribuir cotas da competição. Não houve alteração na divisão igualitária e por classificação em política oposta a da Liga dos Campeões que valoriza os países que geram mais dinheiro. Os maiores prejudicados foram os clubes brasileiros, maiores fonte de receita da competição. A fase de grupos da nova Libertadores começa nesta terça-feira.

A Conmebol vende os direitos de marketing e televisão da Libertadores em um pacote único, o que deve mudar para edição de 2019. Só que a rede de televisão que compra, no caso a Fox, tem como principal objetivo obter receitas no Brasil e na Argentina.

O potencial econômico brasileiro é muito maior do que o do país vizinho tanto que a confederação sul-americana inflou para oito times nacionais nesta edição. Ao mesmo tempo, manteve a cota fixa na fase de grupos: US$ 1,8 milhão para cada time, e prêmios crescentes por cada fase que as equipes avançam. Um time campeão pode chegar a US$ 8 milhões independentemente de qual seu país de origem.

Na Liga dos Campeões, as cotas são divididas em 60% por valores fixos e premiações por desempenho, e outros 40% por mercado. Ou seja, os clubes do países que geram os maiores contratos de tv locais ficam com mais dinheiro. Para dividir esse montante de mercado entre os times de cada nação é usado um critério esportivo: metade por desempenho no campeonato nacional e metade dentro da própria Liga dos Campeões. No total, 507 milhões de euros serão divididos dessa forma na atual temporada.

Na última edição encerrada da liga, 2015/2016, o Manchester City foi o clube que mais arrecadou 83,9 milhões de euros, acima do campeão Real Madrid que ficou com 80,1 milhões de euros. Isso porque o mercado espanhol gera receita menor do que o inglês. Na Libertadores, de nada vale gerar mais dinheiro para a competição.

“Não tem nenhum mercado como o brasileiro (na América do Sul). A Libertadores se apropria, mas não traz nada para esse mercado”, analisou o coordenador de curso de gestão da FGV/Fifa, Pedro Trengrouse. “A solução para Conmebol aumentar suas receitas seria expandir a competição para o mercado americano e canadense.”

O consultor em marketing esportivo, Amir Somoggi, vai além e estima que metade do mercado da Libertadores é originário do Brasil. E dá um exemplo de que um jogo do Atlético-MG atinge uma cidade grande como Belo Horizonte, enquanto do outro lado muitas vezes estão times de locais com pouco potencial econômico.

“O critério da UEFA é de mercado, pelo marketing pool. A Itália, por exemplo, não tem muita renda de jogo, mas gera bastante de televisão”, contou. “Desde que fundou a nova Liga dos Campeões, a UEFA considerou a meritocracia.”

Ele atribuiu à falta de poder político dos clubes brasileiros o fato de a Conmebol não fazer o mesmo na América do Sul. “No caso do Brasil, a diretoria não fala o mesmo idioma, a sede fica em um país de língua espanhola. A Conmebol dá mais atenção aos países de língua espanhola.” Lembre-se ainda que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, não pode ir a reuniões da Conmebol com medo de ser preso pelo “caso Fifa”.

Em resumo, na hora de arrecadar, a confederação sul-americana olha para o Brasil, mas, na hora de distribuir o dinheiro, pensa nos países vizinhos.


Como o Galo vai tentar liberar o dinheiro de Pratto travado pelo Grêmio
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O Atlético-MG já traçou uma estratégia jurídica para tentar liberar o dinheiro da venda de Lucas Pratto ao São Paulo bloqueado judicialmente. A trava ocorreu por conta da dívida pela negociação do goleiro Victor em 2012. Agora, o Galo pretende usar o clube Labareda, de sua propriedade, para substituir a penhora e tentar abater o débito com alegação contratuais.

Após anos de cobranças infrutíferas, o Grêmio foi bem-sucedido em ação liminar para bloqueio de R$ 10,5 milhões do dinheiro de Pratto, como mostrou o UOL. Isso ocorreu depois de o Galo oferecer seu clube Labareda com piscinas e área de lazer como penhora, o que foi recusado.

“O terreno foi avaliado em R$ 45 milhões o que é mais do que suficiente. O juiz impugnou alegando que era alienado por outra penhora. Mas essa penhora que era da Receita já foi levantada. E, de qualquer forma, o terreno vale mais”, afirmou o diretor jurídico do Atlético-MG, Lasaro Cunha.

Na visão do dirigente, não há porque manter um dinheiro pago em juízo em vez se há um bem para penhora. “Isso não existe entre empresas. Qual a justificativa para manter o dinheiro parado?”, afirmou Cunha.

Esse será o argumento do Atlético-MG ao tentar um agravo na segunda instância para cassar a liminar que deu o bloqueio do dinheiro de Pratto. Caso o Galo não derrube no tribunal gaúcho, irá ao STJ (Superior Tribunal de Justiça).

Outra estratégia da agremiação mineira é questionar o valor cobrado pelo Grêmio. Logo que o time do Sul entrou com uma ação, o Atlético-MG já ingressou com um pedido de questionamento do valor por conta de Werley, zagueiro que serviu como parte do pagamento. Pelo acordo, o time gremista ficou com 50% do jogador, e o Galo com outros 50%.

A argumentação do clube mineiro é de que, pelo contrato, o Grêmio era obrigado a ter a aprovação atleticana para qualquer empréstimo a outro time. “Ele foi emprestado várias vezes sem anuência”, alegou Cunha.

Na avaliação do Galo, com isso, tem que ser arbitrado um valor pelas supostas perdas financeiras atleticanas já que o jogador valia Us$ 2,5 milhões. Neste caso, o time mineiro poderia pedir até Us$ 1,250 milhão, sua parte no atleta, como desconto.

Fato é que a briga entre Grêmio e Atlético-MG pela falta de pagamento pode acabar em um tribunal da CBF para resolução de litígios em transferências. O time gaúcho quer impedir o Galo de negociar atletas. No entendimento atleticano, no entanto, a corte não pode mais atuar porque o caso já está na Justiça comum. O tribunal ainda não se pronunciou sobre o caso.

 

 


Quem denigre a imagem da Copa do Brasil: Carol ou o STJD?
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Essa coluna já cansou de defender punições a clubes por atos violentos de seus torcedores. Atos violentos, ressalte-se. Agora é preciso um mínimo de bom senso ao STJD quando analisa descumprimentos de regulamentos. Exatamente o que não houve no caso da perda de mando de campo pelo Grêmio na final da Copa do Brasil por invasão de Carol Portaluppi, filha do técnico Renato Gaúcho.

Sim, ela descumpriu o regulamento ao entrar em campo já que não deveria estar ali. Isso é passível de punição, mas toda pena tem que ser na medida da infração.

Ora, em seu julgamento, a 1a Comissão Disciplinar do STJD perdeu a mão. Em seu voto, o auditor Otacílio Araújo afirmou que foi um desrespeito do treinador ao campeonato. Em seguida, disse que a invasão: “Denegriu a imagem do Grêmio e, principalmente, deste tribunal”.

Não entendi. Como assim? Como a presença da filha de um treinador festejando no campo pode denegrir a imagem do Grémio? E, mais, qual o desrespeito ao tribunal? O argumento ganha contornos surreais como um quadro de Salvador Dali, onde o pé está na cabeça.

Segue o julgamento: o auditor Manoel Bezerra afirma que o caso foi de “elevada gravidade”. Alguém se machucou ou foi agredido? Feridos? Antes, ele afirma que foi um caso “tipicamente midiático”, e talvez esteja aí a explicação da atitude do STJD.

Já o auditor Wanderson Maçullo disse que: “O tribunal não está julgando o amor de pai e filha e sim um ato que não é permitido”. De fato, o amor não estava em julgamento, mas isso não impede de se considerar os diversos atenuantes. Não houve consequência grave, ninguém foi agredido, etc.

O auditor Sergio Martinez tenta trazer a corte de volta ao mundo real. “Acho um exagero punir com perda de mando de campo. Vou ficar com multa de R$ 10 mil.” Foi o único a não determinar a perda de mando de campo. O bom senso perdeu de 4 a 1 no STJD. A se manter essa decisão – o que parece improvável -, terá sido o tribunal, e não Carol Portaluppi, que terá denegrido a imagem da Copa do Brasil.

PS Os relatos dos votos foram retirados da página do STJD


Nova Libertadores sufoca oposição de clubes brasileiros à Conmebol
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O novo formato da Libertadores, com duas vagas extras para o país, sufocou a participação dos times brasileiros na Liga Sul-Americana de clubes que faz oposição na Conmebol. A afirmação é do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, que vinha encabeçando o movimento de times nacionais neste tema. Para ele, a entidade está perdendo o sentido porque não participou em nenhuma momento da reforma da competição.

A Liga Sul-Americana de clubes foi criada no final de 2015 para exigir transparência e reforma da Conmebol. O objetivo era pleitear por acesso a todos os contratos da Libertadores, exigir melhores cotas e reformas na competição para torná-la mais rentável. Uma reação a três presidentes da Conmebol presos por propina. Times brasileiros se uniram a argentinos e uruguaios, além de equipes de outros países.

Mas a Conmebol contra-atacou: negociou em separado com os clubes brasileiros e lhes deu acesso a parte dos documentos. Depois, realizou um estudo próprio e fez as reformas da Libertadores sem ouvir a Liga Sul-Americana, inchando para 44 times e uma fase prévia maior.

“Não estou vendo perspectiva para a liga. Os clubes foram completamente excluídos dessa reforma da Libertadores. Foi tudo feito pelas federações e pelas confederações. Veio de cima e acabou a história”, contou Romildo Bolzan. “Clubes estão sufocados pelas federações e por esse movimento ordenado da Conmebol.”

Após o anúncio da nova Libertadores, Romildo chegou a conversar com alguns presidentes de clubes, mas afirmou que não houve reação à medida da Conmebol. Há uma nova reunião da Liga Sul-Americana marcada para o dia 27 em que o assunto será discutido. Mas ele se mostra descrente em qualquer atitude.

“A Conmebol tem uma força política muito poderosa. Os clubes estão reféns da situação. Eles têm um controle senhorial sobre os clubes”, contou. “Estou repensando a participação do Grêmio. Porque estou solitário como único brasileiro em um debate de estrangeiros. Não sei se vou permanecer. Não adiantar ficar viajando para não fazer nada.”

Os primeiros a debandar da Liga Sul-Americana foram os clubes paulistas, convencidos pelo presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos. Ele afirmou que poderia representá-los e tem ido às reuniões do conselho da Conmebol. Os outros times também não têm o mesmo ímpeto do início do ano, principalmente após as duas vagas extras.

Segundo Romildo, desde o início da Liga Sul-Americana, a Conmebol não deu nenhum acesso aos contratos da Libertadores como prometido. Houve um aumento de cotas da competição, mas não houve explicação de qual o valor da receita para saber se esse crescimento acompanhou o contrato. Até agora, os times brasileiros parecem satisfeitos com as vagas, e não questionam mais à confederação sul-americana.

 


Chefe de árbitros cai após metade dos times do Brasileiro reclamar à CBF
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A saída do presidente da comissão de arbitragem Sergio Corrêa ocorre após metade dos clubes da Série A reclamarem de juízes neste Brasileiro. A diretoria diz que o próprio diretor pediu para sair, mas admite que pode ter havido desgaste dele. Clubes que criticaram o diretor estavam satisfeitos com a troca por Marcos Marinho.

Levantamento do blog mostra que 10 clubes informaram ter feito protestos formais à CBF contra a arbitragem neste Nacional. São eles: Fluminense, Flamengo, Santos, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, América-MG, Grêmio, Atlético-PR e Figueirense. Não foram consideradas reclamações de vestiário ou de técnicos e jogadores.

Um dos mais incisivos foi o presidente santista, Modesto Roma Jr., que pediu a queda de Sergio Corrêa após a expulsão do meia Lucas Lima no jogo contra o Internacional. Ele aprovou a troca no comando da arbitragem.

“O presidente da CBF fez o certo. Ele (Marinho) quando assumiu a Paulista vinha de um escândalo de arbitragem com o Edílson (caso de manipulação de arbitragem). Ele melhorou a arbitragem de São Paulo”, afirmou Modesto. “Os árbitros de São Paulo são muito bons, assim como os gaúchos.”

Ao justificar a escolha de Marinho, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, citou os elogios dos times paulistas, incluindo Modesto. O presidente santista, no entanto, disse não ter indicado o novo chefe da arbitragem. “O presidente da CBF não precisa de indicação. Marinho é um bom nome. Seneme (Wilson, atualmente na Conmebol) é outro. Sávio (Spíndola, comentarista de tv) é outro.”

Outro crítico da arbitragem da CBF é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que fez seguidas reclamações formais por erros contra o time. “Espero que seja para melhor. Não conheço o novo titular, mas tive boas informações dele vindas dos presidentes dos clubes paulistas”, analisou. Ele não se mostrou preocupado com mais um paulista na comissão.”Se ele for bom mesmo, não vai se sujeitar a pressões de ninguém.”

Feldman afirmou que a arbitragem é sempre “o elo frágil” pelas críticas dos clubes, e que a própria comissão reconhecia alguns dos erros cometidos. A CBF instalou um grupo independente para avaliar o trabalho da comissão de arbitragem a pedido dos clubes. Até agora, todos os relatórios dessa comissão foram de elogios às atuações de alguns trios por rodada, enquanto os clubes continuam a reclamar.

Uma das apostas da confederação é o árbitro de vídeo, que está em fase final de testes pela Fifa e pode entrar em vigor em 2017. O ex-presidente da comissão Sérgio Corrêa vai cuidar justamente desse projeto.


Em meio à crise, clubes têm salto nas rendas em 2016 graças a TV e vendas
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Enquanto o Brasil vive uma das suas piores crises econômicas, os clubes grandes têm aumento muito acima da inflação em suas receitas em 2016. É o que mostra um levantamento do blog em cima de números parciais das equipes. A explicação para esse descolamento do futebol da crise são os novos contratos de televisão com a Globo – incluindo luvas – e negociações de jogadores com o dólar em alta.

De um total de 12, seis grandes clubes (Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Internacional e Santos) divulgaram suas receitas parciais em 2016, sendo que cinco deles tiveram incrementos significativos. Além disso, clubes como Corinthians e São Paulo também já têm dados que demonstram que vão superar com larga vantagem suas rendas do ano passado. Só não há informações sobre Botafogo, Vasco, Atlético-MG e Cruzeiro.

Em comparação com suas receitas até o meio do ano de 2015, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Santos e Grêmio tiveram um aumento de receita de 52% em 2016, atingindo R$ 925 milhões contra R$ 609 milhões no mesmo período do ano passado. Para comparar, o PIB do Brasil tem previsão de retração de 3,3% neste ano, e a inflação em 12 meses é 8,74%. Ou seja, a renda desses clubes cresceu mais de cinco vezes a inflação.

Os novos contratos de televisão do Brasileiro tiveram o maior peso: o Flamengo aumentou sua receita neste item de R$ 76 milhões para R$ 114 milhões, compensando quedas no patrocínio. Movimento igual ocorreu no Fluminense com R$ 53 milhões contra R$ 36 milhões que ainda teve aumento considerável da venda de jogador. Já o Grêmio registrou R$ 100 milhões de luvas pelo seu novo contrato do Brasileiro, que valerá a partir de 2019, dobrando a receita do ano anterior. O Santos também triplicou sua receita no primeiro trimestre graças às luvas.

“A negociação do Gerson entrou neste ano. Foram R$ 49 milhões. O dinheiro a mais foi usaco em três frentes: foram pagas dívidas prioritárias, investimento no CT e em jogadores”, contou o presidente do Conselho Fiscal do Fluminense, Pedro Abad. “O clube não terá um ativo como esse para o próximo já que o Scarpa não será vendido.”

No caso do São Paulo, o clube informou que teve receita de R$ 280 milhões até julho de 2016, R$ 51 milhões a menos do que ganhou no ano inteiro passado. Isso se deve à TV e às vendas de jogadores. Uma realidade parecida com a do Corinthians que ainda não tem números consolidados, mas terá crescimento.

“A gente vai ter aumento de receitas. Estamos tentando melhorar nossos números e reduzir a dívida”, contou o vice de finanças do Corinthians, Emerson Piovezan. “Acredito que podemos fechar entre 20% e 25% acima da receita do ano passado. Não posso afirmar porque estamos implantando um novo sistema de controle e ainda não fechamos números parciais.”

Além do reajuste no contrato de tv, similar ao do Flamengo, o clube alvinegro negociou quase R$ 200 milhões em jogadores em valores brutos, sem considerar os descontos por percentuais de direitos. Além disso, a diretoria corintiana fechou novos patrocínios. Ou seja, o Corinthians vai superar com folga os R$ 300 milhões obtidos em 2015.

Dos clubes analisados, o Internacional é o único que não tem indicativo de aumento de receita. Até o meio do ano, foram R$ 142 milhões, enquanto em 2015 inteiro foram R$ 297 milhões. Isso ocorre porque o clube gaúcho teve uma das maiores rendas de venda de jogador no ano passado. Ainda assim, espera ter incremento de receita até o final do ano com novos contratos de TV.

“A venda neste ano foi bem curta (R$ 14 milhões) e não comercializamos os contratos de aberta a partir de 2019”, explicou o vice-presidente de Finanças do Inter, Pedro Affatato. “Ainda vamos fazer essa negociação e acreditamos que com as luvas vamos conseguir um pouco mais do que o ano passado.”

Os contratos do Brasileiro válidos a partir de 2016 a 2018 foram negociados antes do agravamento da crise nacional, por isso, houve grande incremento nos valores. Para a extensão a partir de 2019, houve uma disputa entre Globo e Esporte Interativo que gerou acordos mais vantajosos e luvas. Teoricamente, essas não podem ser contabilizadas como receitas correntes, sendo registradas só no ano do novo contrato.

Apesar do aumento das receitas, não dá para ter certeza de que os clubes vão melhorar sua situação financeira. Só no final de 2016, com os números consolidados, é que saberemos se essa renda extra foi usada para equilibrar as contas.

 


Contratos de TV de Estaduais emperram por Primeira Liga e briga política
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A cinco meses de seus inícios, os Estaduais do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul não têm contratos de televisão assinados com todos os clubes grandes. A situação é inédita visto que esses compromissos costumam ser renovados com antecedência. Os motivos são a Primeira Liga e a briga política envolvendo o Flamengo e a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

Seis dos grandes desses Estados (Atlético-MG, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio e Internacional) estão confirmados na Primeira Liga. Esse é um dos motivos da dificuldade de renovação já que a Globo não sabia exatamente como a competição afetaria os Estaduais.

“A Globo deixou tudo para depois porque não sabia como seria a Sul-Minas e como se encaixaria no calendário da CBF. Já tivemos conversas, um namoro, mas só agora vai andar”, contou o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto.  Segundo ele, a emissora chegou a fazer uma proposta no início do ano, mas não fechou.

Em Minas Gerais, a federação e os clubes ainda não assinaram contrato para o Estadual 2016. O blog não conseguiu apurar o empecilho, mas é fato que o Atlético-MG pode estar na Libertadores e na Primeira Liga ao mesmo tempo.

A questão mais complicada é no Rio de Janeiro. Pressionada por uma proposta do Esporte Interativo, a Globo subiu sua oferta para mais de R$ 100 milhões. Fluminense, Botafogo e Vasco aceitaram e já assinaram um contrato juntamente com a Ferj.

A questão é que o Flamengo recusou várias das condições do acordo. Primeiro, não quer que o dinheiro passe pela federação que já ameaçou reter suas cotas em desavenças anteriores. Depois, exigiu um corte no percentual da Ferj sobre o contrato. Há ainda uma exigência de mais dinheiro para o clube do que para os outros grandes.

Segundo apuração do blog, a Ferj estuda atender algumas das demandas rubro-negras. Já indicou que aceita que sua cota caia de 10% para 5%. Mas ainda não há um acordo. Oficialmente, a federação informou que não se pronunciaria sobre o assunto.

Entre os Estaduais mais representativos, o Paulista é o único que já teve renovação de contrato assinada ainda em 2015. Isso porque os grandes clubes nunca quiseram se associar às ligas e tiveram um aumento significativo de suas cotas, com a competição atingindo um total de R$ 150 milhões por ano.


Liga ‘abre porta’ ao Corinthians após briga com CBF, mas vê adesão difícil
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Após o Corinthians anunciar rompimento com a CBF, a Primeira Liga indicou estar de portas abertas para receber a agremiação alvinegra. Anteriormente, o clube paulista tinha recusado um convite de integrar a nova entidade. A liga gostaria de ter a adesão corintiana mesmo que não pudesse jogar o torneio, mas não vê muita chance de isso acontecer hoje.

Quando descobriu que perderia Tite para a confederação, o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, ficou irritado com o presidente da associação, Marco Polo Del Nero, e afirmou que haveria uma ruptura. Falou em fazer o melhor para o futebol mesmo que fosse uma liga. Antes, rejeitou a Primeira Liga em depoimento na Câmara e sempre apoiou a diretoria da CBF em eleições.

Enquanto isso, 15 clubes da liga brigaram com a CBF no início do ano para realizar a Primeira Liga. Depois, a liga adotou posição mais conciliadora com a confederação. Mas já declarou que seu objetivo final é organizar o Brasileiro.

“As portas da liga estão amplamente abertas ao Corinthians e seria um privilégio para a Primeira Liga e para o futuro do futebol brasileiro contar com a adesão do clube ao movimento”, afirmou o diretor jurídico da Primeira Liga, Eduardo Carlezzo.

Quem tinha feito o convite para o Corinthians integrar a liga anteriormente foi o presidente da entidade, Gilvan Pinho Tavares. Sua intenção era atrair os times paulistas para fortalecer o objetivo de organizar o Nacional. Nenhum topou. E agora dirigentes da liga também não veem grandes chances de isso mudar.

“Os times paulista têm o campeonato Estadual forte. Acharia muito difícil terem datas para jogar”, analisou  o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. Ele se mostrou cauteloso sobre a união política com o clube alvinegro, embora diga ter boa relação com este. “Essas coisas é bom esperar. Foi uma coisa pontual (briga por Tite). Vamos ver como ficar depois. E não quero me meter na briga dos outros.”

Mesma posição do presidente gremista, Romildo Bolzan Jr, outro articulador da liga, que afirmou não querer se envolver na situação corintiana.

No momento, a Liga conta com 15 clubes, sendo 11 da Série A do Brasileiro, entre eles, Grêmio, Internacional, Atlético-MG, Cruzeiro, Flamengo e Fluminense. Houve um confronto com a CBF no início do ano para realizar o campeonato, mas depois disso ocorreu uma aproximação entre Bandeira de Mello, e a CBF. Ele foi com delegação brasileira para a Copa América dos EUA.

 


Corinthians repete CBF e procura Roger sem comunicar Grêmio
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Com Jeremias Wernek

A diretoria do Corinthians repetiu a atitude da CBF em relação a Tite e procurou o técnico Roger sem avisar o Grêmio. Na quarta-feira, o presidente do clube alvinegro, Roberto de Andrade, atacara a confederação pela negociação com o ex-treinador corintiano. No caso de Roger, ele recusou a proposta do corintiana.

“Fomos avisados pelo Roger que disse não. Não fomos procurados pelo Corinthians”, afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, que não reclamou da atitude corintiana. “Faz parte. Não vejo problemas.”

Depois, acrescentou: “É algo normal. Cada um que seja refém do que disse. Quem fez discurso não fui eu, não tenho comentário para fazer sobre a postura do Corinthians. São situações normais no futebol. O Corinthians foi buscar o seu interesse. Ao dizer não, o Roger valoriza a estrutura do Grêmio e sua situação aqui. Prefiro abordar por esse lado.”

A diretoria do Grêmio já tinha sido alvo de reclamação do Vasco, no ano passado, por procurar o técnico Doriva. Roger tem um contrato com multa rescisória, mas Bolzan informou que a continuidade de seu trabalho é que pesou para a permanência no Grêmio.

A diretoria da CBF tentou contato com Roberto de Andrade na quarta-feira, depois da primeira conversa com Tite. Mas informou que não conseguiu falar com ele, provavelmente porque o dirigente já estava irritado com dirigentes da confederação.