Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Itaquerão

Corinthians não pode cobrar menos de R$ 40 o ingresso. É o contrato
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Por contrato firmado com o fundo dono do estádio, o Corinthians é obrigado a cobrar o mínimo de R$ 40,00 em ingressos de arquibancada para jogos no Itaquerão. Esse preço é para os setores mais populares e os outros lugares têm patamares maiores. O acordo impossibilita que o clube tenha uma política popular de bilhetes para sua torcida.

O blog obteve o “Contrato de operação de Equipamento Esportivo, Agenciamento e outras avenças” que estabelece as condições comerciais da gestão do estádio pelo clube. O documento foi assinado pelo Corinthians e pelo Arena Fundo de Investimento Imobiliário – FII, que é controlado indiretamente pela Odebrecht. O texto prevê que o time alvinegro pode ser excluído da gestão da arena caso não obtenha R$ 336 milhões nos próximos três anos na arena.

Justamente para atingir esse patamar o contrato estabelece na cláusula quarta “valores mínimos de comercialização”. Diz o texto do item 4.1: “Os direitos de exploração da Arena e das Propriedades Imaterias somente poderão ser negociados pelo clube, em nome do fundo, por valores iguais ou superiores aos valores mínimos constantes do Anexo 4.1 a este contrato”.

Contrato diz que devem haver valores mínimos para propriedades do estádio

Contrato diz que devem haver valores mínimos para propriedades do estádio

No anexo, constam os seguintes preços: R$ 40,00 para as alas Norte (organizadas) e Sul (parte de visitantes). Esse patamar mais baixo representa pequena fatia disponível para o estádio. Boa parte dos ingressos destes setores mais populares vai para organizadas, o que reduz a carga para o público comum.

Para a ala leste superior, o valor mínimo do contrato é de R$ 80,00 e, para a ala leste inferior, de R$ 150,00. Esses setores são os que recebem o maior número de corintianos que não são de uniformizadas.

Se observarmos os preços praticados pelo Corinthians desde o ano passado, houve uma inversão nos valores dos setores leste superior e inferior por conta da questão da cobertura e da própria demanda da torcida, que preferiu o lugar mais alto. Feita a inversão, os preços são justamente o patamar mínimo. No caso do Norte e do Sul, o clube ainda pede R$ 10,00 a mais do que o mínimo exigido.

Em relação ao setor oeste, o contrato determina que sejam cobrados R$ 40,00 de ingresso, mais um valor entre R$ 30,00 e R$ 180,00 de catering. De novo, no preço do bilhete, o Corinthians tem respeitado o acordo ao pedir R$ 250,00 e R$ 450,00 para esse lado do estádio.

Preços mínimos para cada setor estabelecidos por contrato

Preços mínimos para cada setor estabelecidos por contrato

O contrato ressalva que os valores mínimos valem para o preço cheio do ingresso. Pela cláusula 4.1.4, o clube pode dar descontos ao “Fiel Torcedor” pelo regulamento vigente, ou por lei, no caso de estudantes e idosos. Isso tem acontecido.

Fora isso, o Corinthians precisa pedir autorização por escrito ao fundo para reduzir os bilhetes. A solicitação tem que ser feita com justificativa que explique como isso aumentará a receita do estádio. A partir daí, o fundo decide se permite a promoção.

Os valores mínimos foram estabelecidos em comum acordo entre o fundo e a diretoria corintiana com base no mercado no meio do ano passado. É possível fazer uma revisão a cada início de ano.

Lembre-se que, desde a inauguração do Itaquerão, torcedores têm criticado Andrés Sanchez, responsável pelo estádio, pelos preços praticados no estádio. Faixas como “Andrés, aqui não tem burguês” mostravam a insatisfação com o aumento em relação ao Pacaembu.

O dirigente sempre argumentou que tinha de manter os preços altos para pagar a construção do estádio. Agora, fica claro que ele sequer tem autonomia para reduzir os valores por conta própria além de determinado patamar, sendo necessária autorização do fundo.

Questionado sobre os preços mínimos dos ingressos, o Corinthians se recusou a comentar alegando que o contrato é confidencial. A Odebrecht argumentou que não poderia falar sobre um compromisso entre o clube e o fundo, além de também ressaltar a confidencialidade do documento.


Rio-2016 planeja início de venda de ingressos sem futebol com impasse em SP
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O Comitê Rio-2016 já planeja começar a venda de ingressos da Olimpíada sem os jogos do futebol por conta do impasse em relação à inclusão do Itaquerão e de São Paulo. A solução para o imbróglio em relação aos custos da realização dos jogos no estádio corintiano está prevista para reunião em abril, após o início da comercialização dos bilhetes.

A partir de 31 de março, o Rio-2016 permitirá em seu site que o torcedor possa escolher as competições para as quais quer comprar entradas – depois, haverá o sorteio. Essa data já tinha sido adiada pois seria no dia 26. O comitê decidiu que não haverá nova postergação apesar da questão do Itaquerão.

Divulgado na última terça-feira, o calendário com eventos olímpicos está pronto com exceção do futebol. “Queremos o estádio do Corintihans nos Jogos. É um estádio espetacular. Não tenho dúvida de que teremos nos Jogos”, afirmou o presidente do Comitê Organizador Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman.

O Rio-2016 ainda tem uma esperança de acelerar o processo e conseguir resolver o problema antes do dia 31 de março, já que, historicamente, toda a venda de ingressos começa junta. Mas esse não é o cenário mais provável.

Assim, o comitê já planejou que inicia a alocação de bilhetes sem o futebol, que é o esporte com maior número de ingressos e um dos de maior procura nos Jogos. Quando o impasse tiver sido resolvido, será aberta a comercialização para a modalidade.

Essa é a fase mais importante de venda de entradas olímpicas. A projeção do Rio-2016 é de que os ingressos estejam disponíveis para alocação durante cerca de um mês. Após cada torcedor escolher seus bilhetes, haverá um sorteio. A questão é que as pessoas inscritas nesta fase, terão prioridade nos sorteios posteriores.

Ingressos

Os ingressos para todas as competições cujo calendário foi divulgado nesta terça-feira começam a ser vendidos na terça que vem (31). Interessados nas entradas devem fazer um cadastro no site do Comitê Organizador Rio-2016 e efetuar um pedido de bilhete. O site da venda de ingressos você pode acessar clicando aqui.

O cadastro para compradores de ingressos já está aberto no mesmo site da venda das entradas. Segundo o comitê, das pessoas que já se inscreveram para comprar bilhetes da Olimpíada, a maioria informou que pretende adquirir entradas para as competições de futebol e vôlei de quadra. Esses são os esportes com maior demanda de ingressos. Também há grande procura por entradas para as competições de natação, atletismo e ginástica.

Ao todo, cerca de 7,5 milhões de ingressos da Olimpíada serão postos a venda. Mais da metade deles custarão até R$ 70.

Haverá, porém, competições onde não será necessários ingresso para que possam ser acompanhadas. O próprio Comitê Organizador informou que as provas de remo, maratona, maratona aquática e ciclismo de estrada, por exemplo, acontecerão ao ar livre. Torcedores sem entrada poderão assistir aos eventos, ainda que em lugares menos privilegiados.

500 dias

O presidente do Rio-2016, Carlos Nuzman, esteve nesta terça no evento de apresentação do calendário olímpico. Nuzman lembrou que hoje falta exatamente 500 dias para o início dos Jogos. Ressaltou que a preparação vai bem, mas há como relaxar.

“Obras estão dentro do cronograma estabelecido, mas a muito trabalho pela frente. Vamos realizar 42 campeonatos mundiais em 17 dias durante a Olimpíada. Nada se compara a isso. Nada”, disse ele.


‘Olimpíada é mais barata do que Copa no estádio’ diz diretor da Rio-2016
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Analisando os custos da operação, a cidade de São Paulo pretende decidir nesta segunda-feira se permanece como subsede para futebol da Olimpíada. Como argumento para manter a capital paulista, o Comitê do Rio-2016 informou que o custo de estruturas dos Jogos para futebol é bem mais barato do que do Mundial.

Para a Copa-2014, o Corinthians gastou R$ 90 milhões com as estruturas complementares do Itaquerão. A prefeitura ainda teve despesas com instalações externas, e a Fun Fest foi paga por patrocinadores. O secretário de Esporte e Lazer de São Paulo, Celso Jatene, falou em R$ 30 milhões para os Jogos. Mas esse número é visto como alto entre os organizadores da Olimpíada.

“A estrutura para os Jogos é muito menor em relação à Copa. Isso porque é específico para um esporte, enquanto na Copa é um Mundial só daquele esporte”, comentou o diretor de esporte do Rio-2016, Rodrigo Garcia.

Os custos são as tendas e todo o overlay do estádio onde serão realizadas as partidas. Ainda terá de se decidir se as catracas da arena poderão ser utilizadas ou se terão de ser trocadas dependendo do sistema. Outra questão é o pagamento de hospedagem e passagens dos atletas, que ainda não se sabe quem cobrirá.

“Isso está sendo discutido com cada cidade. É uma negociação”, contou Garcia.

Em vez da Fun Fest, cujo custo começava em R$ 10 milhões, o COI (Comitê Organizador Olímpico) indica uma outra festa cujo orçamento pode ser de R$ 7 milhões segundo algumas cidades. Esse evento não é obrigatório como o da Fifa.

Caso São Paulo não queira organizar os jogos, a solução será apertar o calendário ou procurar outra cidade. Garcia conta que, normalmente, utiliza-se de 5 a 7 estádios para o futebol – a lista atual do Rio tem sete. Mas até esta segunda-feira pelo menos não se fala em plano B dentro do Comitê Rio-2016.

 


Corinthians precisa dobrar renda para não perder controle do Itaquerão
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O Corinthians tem que pelo menos dobrar sua arrecadação atual no Itaquerão para evitar uma exclusão da gestão do estádio. Explica-se: o clube tem que ganhar R$ 336 milhões nos próximos três anos ou o fundo dono da arena pode retirá-lo da administração da arena. É o que diz o contrato de operação entre os corintianos e o fundo (controlado indiretamente pela Odebrecht) obtido pelo blog.

O modelo para construção e gestão do Itaquerão determinou que o Arena Fundo de Investimento Imobiliário F-II é o dono do estádio. Seus cotistas são a empresa Arena Itaquera (principal sócia), a Odebrecht e o clube. A partir daí, foi assinada uma série de contratos entre as partes, incluindo documentos do financiamento do BNDES, da construção e da operação.

Pelo “Contrato de Operação de Equipamento Esportivo, agenciamento e outras avenças”, assinado em junho de 2014, o clube tem que arrecadar um mínimo de R$ 112 milhões líquidos em cada um dos próximos três anos. Em seis meses do ano passado, o Corinthians obteve R$ 36 milhões brutos, a maior parte com bilheteria e uma fatia menor com camarotes e um evento.

Do dinheiro dos ingressos, dois terços costumam ficar com o clube – o restante é para despesas da partida. Ou seja, com bilheteria, o clube teria de ganhar R$ 170 milhões para gerar os R$ 112 milhões líquidos. Mas as comercalizações de assentos premium e camarotes, que serão feitas agora, têm custo menor, assim como os naming rights. Assim, em cálculo aproximado, o clube tem que pelo menos dobrar sua arrecadação geral para atingir o valor mínimo previsto em contrato para 2015.

É a cláusula 5a do contrato que cria uma “Meta Global Anual” para o estádio. Pelo texto da cláusula 5.1, o clube tem que realizar negócios “de modo que o Fundo obtenha Receita Contratual Anual em valor igual ou superior a i) R$ 112 milhões” para cada ano do período entre 2015 e 2017. O valor sobe para R$ 211 milhões a partir de 2018, sempre com correção do IPCA (índice de inflação).

Cláusula 5a do contrato estabelece meta anual de receita do Itaquerão de R$ 112 milhões nos três primeiros anos

Cláusula 5a do contrato estabelece receita mínima do Itaquerão em R$ 112 mi de 2015 a 2017 anos

Página seguinte do contrato estabelece que, a partir de 2018, o clube tem que obter R$ 211 mi por ano com o estádio

Página seguinte do contrato estabelece que, a partir de 2018, o clube tem que obter R$ 211 mi

Haverá uma verificação anual para saber se o Corinthians atingiu o patamar mínimo. Nesta apuração, só serão consideradas as receitas líquidas, isto é, excluído o que foi gasto com cada operação de comercialização de cada item.

O documento prevê punições ao clube por não obter a meta. Na cláusula 5.3, fica acordado que, se o Corinthians não atingir o valor mínimo por dois anos seguidos, o fundo pode substituir todos os seus dirigentes que atuam no Itaquerão.

Mais do que isso, o clube entra em uma “período de cura”, ou seja, tem um ano para atingir o patamar mínimo do contrato. Caso isso não aconteça, a cláusula 5.4.3 determina que “o Fundo terá o direito, mas não a obrigação, de rescindir o presente contrato a partir do primeiro dia subsequente ao término do período de cura, conforme o disposto na cláusula 11.2″. Esse trecho diz que o contrato pode ser rompido sem notificação ao Corinthians.

Cláusula 5.4.3 diz que o fundo pode rescindir o contrato com o Corinthians caso clube não atinja meta de receita anual por três anos

Cláusula 5.4.3 diz que o fundo pode rescindir o contrato com o Corinthians caso clube não atinja meta de receita anual por três anos

Em resumo, se não atingir a meta de R$ 112 milhões de receita líquida por ano em três períodos, ou seja R$ 336 milhões nos próximos três anos, o clube pode ser excluído da gestão do Itaquerão, e substituído por outra empresa ou entidade. Se considerarmos o triênio de 2018 a 2020, são necessários R$ 633 milhões de receita líquida para evitar perder a administração da arena.

Essa exclusão, aliás, já estava prevista no contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal para financiamento do BNDES, como mostrado pelo blog. A questão é que não se sabiam as condições para ela ocorrer.

Na hipótese da saída da administração, o Corinthians passaria a ser apenas o usuário do Itaquerão – pois é obrigado a atuar 90% dos jogos lá por outros acordos -sem ter nenhuma remuneração por isso. Continuaria a ter também os direitos sobre as cotas juniores do estádio com a possibilidade de, no futuro quando tudo estiver pago, assumir a posse do estádio. Mas, se esses valores não forem quitados, a Odebrecht pode vender as cotas do estádio.

Se falhar em dois anos, e conseguir atingir o valor mínimo no ano seguinte, o clube continua em período de cura. Livra-se da ameaça de ser excluído da gestão caso obtenha a renda prevista em dois anos seguidos.

Claro, há a possibilidade de o clube não alcançar a meta e não ser excluído pelo fundo, e sua controladora de fato a Odebrecht. Mas, neste caso, o Corinthians estaria nas mãos da construtora, assim como já ocorre em relação aos contratos de construção do estádio que geraram uma dívida não paga.

As metas podem ser revisadas a cada ano, em janeiro, desde que exista acordo entre as duas partes. O patamar mínimo foi estabelecido em R$ 112 milhões porque o clube e o fundo projetam uma média de R$ 150 milhões por ano com o estádio. Questionados, a construtora e o clube não informaram se havia previsão de rever os números.

A partir do início de 2015, o fundo passa a ter direito a verificar a cada semestre as contas do estádio, e já pode exigir mudanças na gestão se os valores arrecadados estiverem 30% abaixo do patamar mínimo.

Não é o único mecanismo de controle sobre o Corinthians neste contrato. Todos os documentos da arena têm que estar disponíveis para análises do Fundo. Inspeções ao estádio também devem ser permitidas a qualquer momento. E o clube ainda tem que aceitar ser submetido a uma auditoria de suas contas referentes à operação da Arena. Os contratos de exploração do Itaquerão com outras empresas também têm que passar pelo crivo do fundo, que pode reprová-los e rescindi-los.

Em troca desses compromissos, o Corinthians tem direito a uma remuneração mensal do fundo, mas são descontadas desse valor todas as despesas de manutenção como água, esgoto, luz, serviços ordinários, custo de manutenção, etc.

Em 2014, o clube teria direito a R$ 2,5 milhões por mês. A partir de 2015, esse montante é calculado por uma fórmula que levam em conta 20% da receita anual, menos as despesas de manutenção, menos uma contraprestação mínima. Para os dois primeiros anos, será considerada a renda estimada que é de R$ 150 milhões, ou a receita atual, o que for maior.

Contrato dá remuneração ao Corinthians gerir o estádio, mas são descontadas as despesas

Contrato dá remuneração ao Corinthians gerir o estádio, mas são descontadas as despesas

O custo de manutenção do Itaquerão é estimado em R$ 30 milhões por pessoas envolvidas na operação. Feitas as contas com a fórmula, e com receita de R$ 150 milhões e reajuste da inflação, o clube teria direito a cerca de R$ 8 milhões por ano ou R$ 670 mil por mês em 2015. Isso representa pouco mais do que o valor mínimo que é de R$ 500 mil. Se houver despesas extras, são de responsabilidade do Corinthians.

De qualquer maneira, para receber pela gestão do Itaquerão, o clube tem que estar quitando regularmente as prestações do financiamento do BNDES, o que ainda não aconteceu. Sem isso, o dinheiro que não for de manutenção vai todo para pagar a dívida.

O Corinthians também pode rescindir o contrato caso o fundo deixe de pagar sua remuneração. Só que, caso não exista dinheiro no fundo para pagar o clube, a quitação pode ser feita posteriormente sem punição.

O blog procurou o Corinthians e a Odebrecht para pedir esclarecimentos sobre pontos do contrato de operação da arena. As duas partes alegaram que a cláusula de confidencialidade, que, de fato existe, os impede de falar sobre o assunto. A construtora alegou ainda que o acordo é entre o fundo e o clube. Mas foi a empreiteira que montou toda a operação e indicou os gestores do fundo.


Prefeitura rebate Corinthians e descarta facilitar CIDs por Olimpíada
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A prefeitura de São Paulo rebateu a ameaça do presidente do Corinthians, Roberto Andrade, de condicionar a inclusão do Itaquerão na Olimpíada Rio-2016 à resolução da questão dos CIDs (Certificado de Incentivos de Desenvolvimento) para o estádio. Foi descartado que a questão dos títulos seja facilitada pela cessão do local para os Jogos. Há o compromisso municipal, no entanto, de viabilizar as estruturas provisórias da arena para receber os Jogos.

Na quinta-feira, em reunião com o comitê olímpico, a prefeitura paulistana acertou que apenas a casa corintiana estaria nos Jogos, com a exclusão do Arena Palmeiras. Pelo acordo, o clube faz a cessão gratuita, mas o município providencia o restante se conseguir recursos para isso.

Nesta segunda-feira, Roberto de Andrade soltou uma nota ao festejar a indicação: “No entanto, estamos atendendo, mais uma vez, um pedido da cidade de São Paulo e precisamos saber quem se responsabilizará e arcará com as obras do overlay (específicas para o evento) e também da liberação dos CIDs. Do contrário, o clube deve rever a decisão de sediar a Olimpíada.”

A referência aos CIDs não caiu bem na secretaria de Esporte. Até porque o prefeito Fernando Haddad já bateu pé que não aceitará os pedidos do clube de recompra dos títulos ou de que seja dada uma garantia extra de sua validade. Ambas as medidas são consideradas ilegais. O Corinthians não consegue vender os CIDs por conta de uma ação judicial. Por isso, há uma disputa entre o prefeito e o clube.

“Conversei com o Andres antes de confirmar a Arena Corinthians. Ele falou que cederia o estádio, mas não botaria um centavo. Ficou combinado que a prefeitura viabilizaria. Hoje, vejo uma nota do Corinthians falando em CIDs. Se o presidente (Roberto Andrade) quiser criar dificuldade, já antecipo para ele que a resposta é não”, afirmou o secretário de Esporte e Lazer de São Paulo, Celso Jatene.

“Uma questão (Olimpíada) não tem nada a ver com a outra (CIDs). Estamos discutindo de esporte, os CIDs estão sendo discutidos em outra esfera. Se misturar, antecipo que não tem. Até porque assim ele está desautorizando a palavra do Andrés. Sou amigo do Andrés há anos, e confio na sua palavra”, completou.

Essa disputa é mais um empecilho na inclusão de São Paulo nas Olimpíadas. O custo com instalações provisórias e outros itens são o maior obstáculo já que a prefeitura bateu o martelo de que não arcará com um gasto alto, e admitiu abrir mão em favor de outras cidades como Porto Alegre que, teoricamente, desejam os Jogos.


Sem arena rival, Itaquerão terá até 11 jogos olímpicos se prefeitura bancar
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A participação de São Paulo na Olimpíada do Rio-2016 está sob ameaça visto que a prefeitura e o Estado de São Paulo não estão dispostos a bancar altos custos com a competição. Mas, se a cidade for mantida no evento, o Itaquerão receberá até 11 jogos, incluindo a final feminina, por conta da exclusão da Arena Palmeiras.

Houve uma reunião na quinta-feira entre o comitê organizador Rio-2016, e representantes do município de São Paulo nesta quinta-feira. Nesta, ficou praticamente selada a saída do estádio palmeirense por conta dos altos custos de obras necessários.

“O comitê fez uma vistoria e ficou constatado que teria de ser feito um investimento grande de obra civil no estádio do Palmeiras, não só estrutura provisória. Seria necessário um outro vestiário, e uma estação de força”, afirmou o o secretário de Esporte e Lazer da Cidade de São Paulo, Celso Jatene. “Então, ficou acertado que, se tiver Olimpíada em São Paulo, seriam mantidos os 10 no estádio do Corinthians com a possibilidade da final feminina.”

O Corinthians não terá que arcar com nenhum custo pois já cederá a arena e teve um alto investimento para receber a Copa. Assim, a prefeitura e o Estado teriam de assumir custos especificados em um caderno de encargos para ter as partidas. Esse é um problema, em um ano de cinto apertado.

“A prefeitura só vai investir se for uma responsabilidade pequena e for possível fazer parceiras com patrocinadores olímpicos, por exemplo. Vamos submeter esse valor ao prefeito porque o orçamento já está apertado. Se não houver condições, terão que realizar em outro lugar”, completou Jatene.

A reunião que pode definir a permanência ou não de São Paulo na Olimpíada ocorrerá no dia 23 de março quando a prefeitura já espera ter um levantamento dos custos. Há a possibilidade, no entanto, desta decisão ser adiada.

Caso a capital paulista seja confirmada na Olimpíada, a Arena Corinthians ficará sob o comando do COI (Comitê Olímpico Internaiconal) de 15 de julho a 20 de agosto provavelmente, com a possibilidade de uma extensão caso seja realizada a final olímpica. Ou sejam seria mais de um mês do clube sem seu estádio. Em troca, a prefeitura cederia sem custos o Pacaembu.


Alteração de contrato a favor da Odebrecht faz Itaquerão custar R$ 1,2 bi
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O preço do Itaquerão foi inflado até R$ 985 milhões graças a alterações no contrato de construção que permitiram à Odebrecht cobrar e lucrar mais mesmo quando há dúvidas se houve mudança significativa no projeto inicial. A diretoria do Corinthians concordou com tudo, o que elevou a sua dívida. Os dados constam do acordo entre o clube e a empreiteira e seus aditivos obtidos pelo blog, e revelados pela primeira vez agora pois nem conselheiros têm acesso a eles.

Os documentos mostram que, às vésperas da Copa-2014 e da abertura do estádio, o acerto inicial foi substancialmente mudado para: aumentar o preço; abrir brecha para novos incrementos de valores; majorar para R$ 79 milhões lucro e taxas para a construtora e ainda possibilitar que a obra tenha troca de determinados itens, o que pode levar a qualidade inferior. Somados juros e instalações da Fifa, o custo do estádio já gira entre R$ 1,150 bilhão e R$ 1,2 bilhão. Vamos aos fatos.

O enredo do inchaço do preço do Itaquerão começou em setembro de 2011 quando foi assinado o primeiro contrato de construção do estádio. O então presidente corintiano Andrés Sanchez repetia diversas vezes à época que o valor era de R$ 820 milhões, e não poderia sofrer nenhum reajuste. Era verdade naquele momento. Só que o próprio Andrés conduziu negociações posteriores que derrubaram essa realidade.

No primeiro contrato, o texto da cláusula 14 é claro: “O preço fixo global é fixo e não prevê reajustamento, salvo conforme previsto neste contrato. O contratante (Corinthians) não terá qualquer responsabilidade por aumentos ordinários de qualquer natureza no custo do escopo contratado para execução do contrato, salvo quando estipulado de forma diversa.”

Contrato original que prevê que todos os itens da obra estão incluídos no preço global fixo de R$ 820 mi

Contrato original que prevê que todos os itens da obra estão incluídos no preço global fixo de R$ 820 mi

Estavam incluídos custo de obras, equipamentos, máquinas, utensílios; mão de obra, direita ou indireta; subcontratados; despesas e encargos financeiros; riscos ordinários e contingência relativa à inflação. E está lá o lucro da Odebrecht só que sem percentual fixo – a construtora diz que já estavam previstos 4%. Na versão de Luis Paulo Rosenberg, então negociador pelo Corinthians, seria o que sobrasse.

Havia exceções que permitiriam a revisão do contrato, entre elas, variações de escopo de obra, aumento de custos com exigências da Fifa, suspensão de obras sem culpa da contratada (Odebrecht), aceleração da construção. Houve, de fato, uma paralisação da construção pelo acidente com a queda do guindaste, mas o período não foi longo. E nem foi por isso a explosão do custo do estádio.

Dois meses depois, em novembro de 2011, o Corinthians pediu a primeira alteração contratual. Seu objetivo era economizar. Neste novo acordo, é inserida cláusula pela qual as partes concordam que “verbas orçamentárias”, parte relevante do custo, não têm mais a regra de preço fixo e “poderão variar para mais ou para menos”.

Primeiro aditivo do contrato que permite variação de preço em parte do orçamento composto por "verbas orçamentárias"

Primeiro aditivo do contrato que permite variação de preço em parte do orçamento composto por “verbas orçamentárias”

Questionada, a Odebrecht afirmou que essa alteração foi um pedido do Corinthians para participar de algumas negociações técnico-comerciais. O clube não respondeu oficialmente o blog.

Mas Luis Paulo Rosenberg, então responsável corintiano na arena, explicou: “O valor era de R$ 820 milhões. Com essas verbas, conseguimos descontos com negociações. Mas o limite de preço ficava. Agora, o imbróglio que foi feito depois disso no contrato, eu não sei”, contou. O dinheiro de sobra (estima-se em R$ 60 milhões) seria usado em outros partes da obra, sem redução do preço. Ou seja, sobraria dinheiro para contingência e evitaria-se inchaço no preço, o que não aconteceu.

Surgiu o primeiro aumento na obra ao se incluir a instalação dos dutos da Transpetro: R$ 10,9 milhões. Mas esse item, de fato, não estava no escopo original da obra. O cenário até aí era favorável a se manter o preço próximo do inicial.

Depois disso, todas as alterações contratuais foram em favor da Odebrecht. No segundo aditivo, o clube cede todos os seus direitos ao fundo Arena, mas mantém suas responsabilidades financeiras.

No terceiro aditivo, a Odebrecht ganha direito a receber um adiantamento maior do dinheiro do BNDES – ressalve-se que a construtora vinha bancando a obra com seu caixa e empréstimos até então. A quarta alteração é para jogar a data da obra para abril de 2014 – antes era dezembro de 2013.

Mas é às vésperas da Copa que há uma mudança contratual que explode o preço do estádio. Em 15 de maio de 2014, um dia após a paralisação das obras para a Copa e poucos dias antes do primeiro jogo do estádio, é assinado pelo ex-presidente Mário Gobbi e pela construtora o quinto aditivo contratual. Ele só assinou, pois quem conduziu a negociação foi Andres.

Primeiro, o texto explica que esse documento ajusta o escopo da obra e substitui uma parte da proposta técnica, que detalhava tudo que estava incluído dentro da construção e que jamais fora assinado. No novo modelo, o preço já salta para R$ 985 milhões. A reivindicação da construtora era ainda maior: R$ 1,2 bilhão. O número final foi fechado em reunião entre as partes.

Só que esse valor era superior ao necessário para fazer a obra de fato. O anexo ao contrato mostra que a composição do valor inclui 4% para a construtora (em torno de R$ 39 milhões). Outros 4% são TAC (Taxa de Administração Central) (R$ 39 milhões) destinados também à empreiteira. O total de R$ 79 milhões vai para a Odebrecht. Mesmo que existisse o percentual previsto, o valor absoluto cresceu R$ 15 milhões só para a construtora.

Anexo ao quinto aditivo que prevê lucro bruto e taxa da Odebrecht com percentual que não existia antes

Anexo ao quinto aditivo que prevê lucro bruto e taxa da Odebrecht com percentual que não existia antes

Datada de fevereiro, a ata de reunião para negociação dessa revisão fala que a construtora abriria mão do lucro: “Os custos incorridos e projetados serão informados ao SCCP sempre que solicitados, respeitando o compromisso da CNO, da obra quando finalizada, não ter resultado, ou seja, lucro líquido abaixo do previsto suportando eventuais variações”.

Por esse texto, o dinheiro do lucro deverá ser usado para novos aumentos na obra, como contingência. Mas isso não está no contrato que não prevê nenhuma contingência. A Odebrecht argumenta que cumprirá com a promessa de usar o dinheiro para variações do preço da obra.

“A margem de 4% está prevista desde o contrato principal. O conteúdo da ata citada é auto explicativo”, disse a assessoria da construtora. “(O lucro) Justamente para suportar eventuais variações que ficaram exclusas do valor do fechamento do Aditivo.”

Na ata da reunião, o valor do lucro bruto é menor: R$ 32 milhões. Ou seja, sofreu um reajuste antes de entrar no contrato ao passar para 4% do total. A construtora nega que tenha havido mudança. “Seria de gargalhar a empreiteira não ter lucro. Mas, inicialmente, não dava para saber quanto seria. Dependeria da sobra da obra. Se ficasse mais baixo o valor da obra, teria mais”, contou Rosenberg, que desconhece o aditivo ao contrato.

Página de ata de reunião entre Odebrecht e Corinthians em que o lucro da empreiteira fica em R$ 32 milhões

Página de ata de reunião entre Odebrecht e Corinthians em que o lucro bruto da empreiteira fica em R$ 32 milhões

Em relação ao TAC, a construtora explicou que “refere-se à Taxa da Administração Central, comum nos contratos de construção para suportar o todo tipo de apoio da Empresa nos Empreendimentos.” Só que a mão-de-obra da obra já está prevista em outros itens.

O orçamento divulgado pela construtora e pelo clube não explicita esse lucro e o TAC da empreiteira. Inclui um item chamado BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) que é usado em obras para colocar o lucro e esse tipo de custo, entre outras despesas. Mas a maioria do público não conhece o termo.

Em relação aos aumentos de custo da obra, a justificativa da Odebrecht é uma mudança do escopo original com acréscimos: “Alguns itens foram incorporados ao projeto com a intenção de maximizar receitas de operação (Ex: Painel de Led da fachada Leste, vidros curvos das fachadas, dentre outros) e/ou pela ocorrência de fatos não previstos e exclusos do contrato (Impostos, LEED, Remanejamento dos Dutos Transpetro, dentre outros )”, disse a assessoria da construtora.

O clube não comentou a questão. Mas o arquiteto da obra, Aníbal Coutinho, afirmou que as variações de escopo não foram tão grandes. “Fizemos solicitações depois de 2011 que geram impacto de R$ 23 milhões e foram em parte devido à variação cambial (…), e também a situações da obra que modificamos para aumentar o faturamento da obra, clubes vips, etc”, afirmou ele. “As mudanças de contrato foram ínfimas. Elas não ultrapassam R$ 23 milhões de custo direto. O equivalente de menos de 3% da obra.” A empreiteira argumenta que todos os custos estão no orçamento.

O arquiteto afirmou não ter conhecimento da parte financeira da obra, nem do teor inteiro do contrato. Mas está claro que há uma discordância sobre o tamanho nas modificações do escopo do projeto. Dos itens que tiveram aumentos certos, estão transpetro (R$ 10,9 mi), impostos (R$ 36 mi) e variações do escopo (R$ 23 mi). Isso está longe dos R$ 175 milhões de acréscimos. A empreiteira argumenta que todos os custos estão no orçamento divulgado pelo clube.

Os impostos subiram porque não foram incluídos todos no Recopa (programa de incentivos fiscais do governo). Assim, a construtora passou a cobrar R$ 24 milhões até aquele alteração contratual, e outros R$ 12 milhões para obras futuras. Só que o que exceder isso será pago pelo clube. Será de “responsabilidade integral da contratante o recolhimento e pagamento de tributos que excedam tal limite”, diz o contrato.

Quinto aditivo do contrato que prevê que impostos que excederem R$ 12 milhões serão pagos pelo Corinthians

Quinto aditivo do contrato que prevê que impostos que excederem R$ 12 milhões serão pagos pelo Corinthians

Não é o único item que pode ultrapassar R$ 985 milhões. Pela cláusula 14.2.2 imposta pelo aditivo, “na hipótese de apresentação de pleitos, demandas ou contingências de qualquer subcontratado da contratada que impliquem em ônus adicional, caberá a contratante (Corinthians) promover ajustes ou modificações na especificação dos itens das obras de modo a reduzir valores, com vistas a assegurar que o preço fixo global não seja alterado”.

Na ata, fica ainda mais claro que demandas de fornecedores não estão incluídos no valor. Ou seja, o preço fixo de R$ 985 milhões, na prática, pode ser alterado. A Odebrecht confirma que já existem reivindicações de fornecedores exigindo mais dinheiro pela obra. Isso inclui itens como ar-condicionado e instalações elétricas. Há diversos itens inacabados no Itaquerão.

Quinto aditivo estabelece que o Corinthians tem que negociar possíveis reivindicações de fornecedores, e que isso não está no preço final

Quinto aditivo estabelece que o Corinthians tem que negociar pedidos de fornecedores fora do preço final

A construtora afirmou, no entanto, que qualquer variação nos preços será custeado pelo seu lucro. E afirmou que o preço não vai aumentar.

Outra questão: no novo contrato, se a Odebrecht identificar que um quesito vai superar o teto, irá comunicar o Corinthians para substituir por outro de especificação diferente para manter o preço. O aditivo ainda revoga cláusulas do primeiro aditivo pedido pelo clube para economizar.

Os termos definitivos do contrato são importante em um cenário de disputa entre o Corinthians e a Odebrecht por itens não concluídos da obra. O clube notificou que 180 deles não tinham sido entregues, apesar de terem sido incluídos em lista como prontos. Também há questionamentos no canteiro de obras sobre a qualidade que a empreiteira tem realizado a obra.

A empreiteira garante que isso não vai acontecer: “A qualidade dos materiais empregados serão mantidas ou melhoradas”, disse. O clube não se pronunciou. O arquiteto Aníbal Coutinho também espera a conclusão da obra dentro do combinado: “Acredito que sim. Se a Odebrecht cumprir o contrato, a gente vai ter a obra integralmente pronta.”

Em toda a negociação, não se pode esquecer que o Corinthians estava em uma posição frágil porque quem levantou o dinheiro para a construção foi a Odebrecht por meio de empréstimos bancários. Esses mútos são de responsabilidade do clube pagar.

Pelo contrato inicial, não alterado neste trecho, os pagamentos pela obra tinham que ser mensais. O Corinthians enfrenta problemas com a falta de viabilidade dos CIDs (Certificados de Incentivos de Desenvolvimento) e com as baixas receitas geradas pelo estádio até agora. A empreiteira recebeu do BNDES e dos empréstimos bancários.

No momento, a dívida do clube com a empreiteira é de cerca de R$ 400 milhões. O débito total do estádio, com isso, já está em torno de R$ 1,150 bilhão e R$ 1,2 bilhão. São os R$ 985 milhões do contrato, mais as instalações provisórias da Fifa (R$ 90 milhões) e mais de juros de mais de R$ 100 milhões. Esses itens são por fora do acordo.

Um valor fruto de série de erros no financiamento, e, agora se sabe, pelo inchaço no preço da obra. Aceito pelo Corinthians.

O advogado Ivandro Sanchez, que é o responsável jurídico do Corinthians no contrato, respondeu por meio de sua assessoria: “O Machado, Meyer Advogados esclarece que não participou das negociações comerciais entre as partes contratantes”, disse ele.”As suas questões são de cunho estritamente comercial e/ou técnico e foram discutidas e negociadas pelos empresários representantes de cada uma das partes.”

Repita-se: o clube foi procurado com uma série de perguntas sobre o contrato e suas alterações e teve uma semana para responder. Não deu retorno.

Sondado por Andrés para retornar à gestão do Itaquerão, e depois descartado, Rosenberg demonstra sua decepção do quadro atual: “Me dá enjoo cada vez que vou ao estádio.”

No dia posterior a publicação deste post, o Corinthians publicou a seguinte nota em seu site depois de não ter respondido às perguntas feitas:

O que está por trás das críticas à Arena Corinthians

Nas últimas semanas a Arena Corinthians vem sendo alvo de notícias desqualificadas e de interesse duvidoso, veiculadas principalmente em blogs de pouca expressão, com claro objetivo denegrir o êxito alcançado pelo Sport Club Corinthians Paulista na construção de seu moderno estádio no bairro de Itaquera, que sediou a abertura da Copa do Mundo de 2014 e mais cinco jogos, com absoluto sucesso.

São matérias relacionadas à viabilidade e construção da nossa Arena, nas quais os autores raríssimas vezes se dão o trabalho de checar as “denúncias”. E quando recebem os esclarecimentos de nossa parte e/ou da construtora responsável pelas obras acabam não lhes dando o devido destaque e, mais que isso, questionam as respostas apresentadas.

Esses jornalistas, “supostamente” mal informados, questionam também a atuação da Construtora Norberto Odebrecht no projeto. Ou lhes faltam informações ou não querem mesmo entender os fatos de como se estabeleceu a parceria, os contratos, os aditivos e as operações financeiras, certamente com o intuito de confundir os leitores.

Não citam em momento nenhum as garantias apresentadas pela Construtora para a viabilidade do empreendimento e sequer dão importância ao fato de que ainda não saiu o dinheiro dos Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), no valor de R$ 420 milhões, porque a Prefeitura de São Paulo recusa-se realizar uma operação simples que daria garantia a esses títulos. Isso sim é significativo para o fechamento da equação financeira da Arena, e enquanto isso não ocorre os juros só aumentam.

Com total transparência, o Clube recentemente divulgou no site o extrato detalhado dos R$ 985 milhões de custos envolvidos na construção da Arena, cujas obras estão em fase final. E todas elas foram apresentadas e aprovadas no CORI e Conselho Deliberativo.

O moderno Estádio, apesar de todo requinte no acabamento, está entre os de menor valor por m2 de construção entre todas as Arenas recentemente erguidas para a Copa. A diretoria de Marketing, em conjunto com a equipe gestora da Arena, prepara-se para lançar oficialmente para venda os produtos e propriedades.

O Corinthians, em parceria com a Construtora, mantém o compromisso, principalmente com a Fiel Torcida, de prestar todos os esclarecimentos e ser sempre transparente no demonstrativo dos gastos realizados para a concretização do sonho, já realizado, de erguer a nossa Arena.


Camarotes do Itaquerão têm queda de preço e se igualam à Arena Palmeiras
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rodrigomattos

Ao reestruturar os preços dos camarotes do Itaquerão, o Corinthians baixou os preços iniciais e a maioria dos locais nobres deve ser vendida em valores similares aos da Arena Palmeiras. A data da comercialização dos camarotes corintianos, que já foi adiada várias vezes, está nas mãos do departamento de marketing do clube. Há previsão para abril.

Desde a construção, o clube alvinegro tem avaliado alto seus camarotes: a intenção era obter em torno de R$ 1 milhão por ano por cada um deles, claro, dependendo do tamanho. A Traffic comercializa os camarotes da Arena Palmeiras por montantes entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.

Só que a estratégia corintiana tem sido travada e não foi bem-sucedida até aqui. No ano passado, o clube divulgou que já vendera 13 camarotes, e outros 16 estavam reservadas. Entre eles, no entanto, poucos foram comprados de fato. A Nike, a diretoria do clube e outros parceiros ficaram com alguns. Houve comercialização para a Kalunga e a Bradesco Seguros.

Em compensação, a Arena Palmeiras já vendeu 80% dos seus camarotes, fora algumas reservas. Restavam poucas unidades à disposição para serem adquiridas. Foi o trabalho mais eficiente nesta área no Brasil com a aposta em shows.

O Corinthians, então, decidiu rever os seus preços que devem ficar em torno de R$ 400 mil, com variações dependendo do tamanho. Há diferenças de serviços e tamanhos entre os dois estádios. Os corintianos incluem nos seus camarotes todo o serviço de bufê, o que é cobrado à parte no caso dos palmeirenses. Mas os locais da Arena Palmeiras são maiores do que os do rivais.

Independentemente da rivalidade, esse mercado de lugares nobres está em fase de ajustes no país porque ainda é novo. Outros estádios como o Maracanã também têm dificuldade de faturar com o item. Assim, um reajustamento como o corintiano pode ser entendido como uma adaptação ao mercado.


Após Copa, dívida do Corinthians com Odebrecht explode e atinge R$ 397 mi
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rodrigomattos

Apesar do fim da maior parte das obras, a dívida do Corinthians com a Odebrecht pela construção do Itaquerão cresceu após a Copa-2014 e atingiu o valor de R$ 397 milhões. É o que mostram documentos do fundo gestor do estádio obtidos pelo blog. Isso explica o desespero da diretoria do clube ao afirmar que o débito está se tornando “insustentável” em nota que culpou a prefeitura de São Paulo.

O plano era que a construção da arena corintiana tivesse pelo menos três fontes de financiamento: CIDs (Certificado de Incentivos de Desenvolvimento) do município e empréstimos do BNDES e de bancos, a serem pagos pelo clube. Mas não foi possível obter os recursos dos títulos da prefeitura e as obras e instalações saíram bem mais caras do que esperado – o valor final está em R$ 1,150 bilhão.

No início do ano passado, o fundo do estádio tinha um débito crescente que atingiu R$ 387 milhões registrados como “outros valores a pagar” em março de 2014, segundo relatório mensal. Esse montante é composto de dívida com a construtora.

Mas, enfim, saiu o dinheiro do BNDES, que totalizaria R$ 400 milhões a serem pagos em mais de 10 anos. Foi um alívio e o débito chegou a cair a R$ 144 milhões em junho de 2014, mês de Copa. Pelo menos é o que mostrava o relatório mensal.

Mas o balanço anual consolidado para o período de 2013 a junho de 2014 já registrou um débito reajustado de R$ 317 milhões “junto à Construtora Norberto Odebrecht referentes aos custos de construção da Arena”. O grosso das obras acabou e a Copa foi concluída, mas o débito não parou de crescer.

O último relatório mensal do fundo aponta um total de R$ 397,5 milhões a ser quitado com a Odebrecht. Pelo acompanhamento dos relatórios mensais, houve um aumento de R$ 253 milhões em seis meses. Mesmo na comparação com o balanço anual, que consolidou valores, o crescimento é de R$ 80 milhões no período, R$ 13 milhões por mês.

Como foi reduzido o volume de obras após a Copa, apenas adaptações, o principal fator para explicar essa explosão são os juros. O Corinthians falou em R$ 80 milhões em nota contra a prefeitura. Mas, internamente, há funcionários do clube que  dizem que os juros já representam mais de R$ 100 milhões de custo. Em relação à construção, há uma briga entre a empreiteira e o clube sobre reais valores da obra.

A Odebrecht e o Corinthians foram questionados pelo blog sobre o alto crescimento do débito, mas não responderam nesta terça-feira. O problema é que a dívida só tende a crescer sem limites visto que não há perspectiva no momento de vender os CIDs, com uma ação judicial em curso.

Toda a renda do estádio é usada para quitar o empréstimos com o BNDES, que está registrado como débito pela Arena Itaquera S. A., acionista do fundo que realizou a operação. Outra parte do dinheiro é levantada em bancos, e outra de recursos da construtora. Uma informação do clube é de que os juros giram em torno de 2,5% ao mês.

Incluído o dinheiro dado pelo banco estatal, o débito corintiano pelo estádio já atingiu R$ 800 milhões no total. Se o débito com o BNDES não for pago, a Caixa Econômica Federal pode excluir o Corinthians do controle da arena. Caso o débito privado não seja quitado, a Odebrecht pode vender ações do fundo para quem quiser, tirando a possibilidade de o clube ter a propriedade.


Corinthians sabe do risco dos CIDs do Itaquerão, revela documento
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rodrigomattos

O Corinthians e a Odebrecht têm consciência do risco em relação à operação dos CIDs (Certificados de Incentivos ao Desenvolvimento) para a construção no Itaquerão. Documento do fundo cita entre os fatores de riscos do estádio os incentivos fiscais. Em seguida, considera remota a possibilidade de não poder usar os títulos.

Na sexta-feira, o clube soltou nota culpando a prefeitura de São Paulo por não poder usar os CIDs na arena, e diz que o débito total está se tornando insustentável. Os administradores do estádio não conseguem negociar os títulos por conta de uma ação judicial do Ministério Público que questiona sua legalidade. Assim, o Corinthians quer que o município recompre os títulos, ou os garanta. Mas o  prefeito Fernando Haddad rejeita a operação porque técnicos a consideram ilegal.

No relatório do fundo do Itaquerão para 2013/2014, o clube explica, entre os fatores de risco, que a obra levou em conta a desoneração de impostos por parte da União (dada a estádios da Copa) e os CIDs. E acrescenta que os títulos estavam vinculados à conclusão da arena antes da abertura da Copa, o que ocorreu em parte.

Na sequência, o relatório relaciona a ação judicial movida pelo MP contra Gilberto Kassab, a prefeitura, o fundo, Corinthians e Odebrecht. “A possibilidade de perda é remota”, diz o documento, com base no posicionamento dos advogados da empresa. O escritório de advocacia baseia-se em processos similares que não teriam sido bem sucedidos.

O problema é que, mesmo que o clube ganhe a ação, haverá uma insegurança jurídica até ela ser concluída, o que dificultará a venda dos títulos. Com isso, a dívida com juros bancários cresce. O MP estima em dois anos o prazo para o fim da ação.

Até o meio de 2014, tinham sido emitidos R$ 346 milhões CIDs, valor que subiu para R$ 405 milhões após a Copa. Segundo posição da prefeitura, esses títulos já podem ser negociados no mercado. O Corintihans esparava um ágio de 5% nos CIDs se conseguisse vender.