Blog do Rodrigo Mattos

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Arena Palmeiras tem custo igual a Itaquerão, e ingresso mais caro
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A realização do segundo jogo na Arena Palmeiras mostrou que o estádio deve ter um custo de operação similar ao Itaquerão. Pelo menos foi assim no final de semana em partidas de portes iguais. A diferença está no ingresso, mais caro no novo estádio palmeirense.

A estreia da casa alviverde não servia tanto como parâmetro porque era a primeira operação: clube e W/Torre ainda estavam se ajustando e houve problemas, além do preço ser inflado. Para o segundo jogo, aumentou o staff que trabalhou no estádio, e foram feitas outras alterações. A despesa caiu um pouco, mas percentualmente foi maior do que na primeira partida.

Vamos aos números. O Palmeiras arrecadou R$ 2,976 milhões, com um sobra de R$ 1,9 milhão após as despesas. O Corinthians teve uma renda de R$ 2,7 milhões, o que resultou em R$ 1,757 milhão para os seus cofres. Ambos tiveram uma renda líquida de 64% após os custos.

Pessoas do staff da Arena Palmeiras afirmaram que ainda há bastante espaço para ajustes, embora tenham ficado mais satisfeitos com a operação do segundo jogo do que com a do primeiro. As despesas só do estádio giraram em torno de R$ 500 mil.

No Itaquerão, ainda há a intenção de melhorar a operação. “Quero reduzir as despesas com jogos em que há menor público”, explicou o gestor da arena Lúcio Blanco. As despesas apenas do estádio ficaram em R$ 542 mil.

Quando entra muito dinheiro, é bem mais fácil manter baixo o patamar percentual de custo de operação. Veja o caso da estreia da casa alviverde com arrecadação de quase R$ 5 milhões, e gasto de R$ 1,2 milhão. Só que o Palmeiras não poderá cobrar preços iguais aos da abertura em todas as partidas, assim como o Corinthians também já fez uma redução nos bilhetes.

O ingresso palmeirense tem um valor mais alto do que o do rival, que tantos protestos gera da torcida corintiana. O bilhete do Palmeiras custou R$ 89,00 em média neste segundo jogo, após redução em relação à estreia. Já o ingresso corintiano saiu por R$ 72 – os valores do Itaquerão têm girado em torno desse número.

Se for feita uma comparação entre as duas estreias, a diferença de preço se torna ainda maior. Na Arena Palmeiras, o primeiro jogou teve preço médio de R$ 136,8, na partida diante do Atlético-PR. No Itaquerão, esse valor ficou em R$ 83,9 no jogo contra o Figueirense.

A distância de preços começa pelo bilhete mais barato que é de R$ 50,00 no estádio corintiano, e foi R$ 60,00 no palmeirense na última partida. Resta saber se esses valores serão mantidos na próxima temporada e se o torcedor alviverde apresentará média de público similar mesmo pagando mais.


Corinthians exibe bate-bola no vestiário para vender camarotes do Itaquerão
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O Corinthians passou a dar acesso a torcedores ao aquecimento dos jogadores no vestiário antes da partida para atrair compradores dos camarotes do Itaquerão. Esse programa já estava previsto na construção do estádio, mas só começou no último final de semana, na rodada final do Brasileiro contra o Criciúma.

Foi construído um espaço em que os torcedores têm uma arquibancada para sentar, com uma divisória de vidro para o gramado em que os atletas batem bola antes da partida. O clube escolheu alguns representantes de empresas para fazerem um teste. Os atletas não ficaram incomodados e realizaram toda sua preparação no local.

“Foi um evento para empresários. Apresentamos os camarotes e esse é um dos direitos dos donos: poder assistir ao aquecimento. Faz parte do plano de negócios e serviços da arena”, contou Lúcio Blanco, gestor da operação do Itaquerão.

Com o setor oeste mais incrementado, já existem serviços de restaurantes, o clube intensifica o seu plano para arrecadar com os Vips. Até porque é necessário aumentar consideravelmente a renda da arena para começar a pagar o financiamento público do BNDES e os empréstimos de bancos privados.

A ala oeste sempre foi apontada como a joia da coroa do Itaquerão. Só que, com a atraso para ficar pronta após a Copa-2014, a venda dos lugares desse prédio demora mais do que o planejado. Ainda não houve negociação de assentos Vips por temporada. Já foram comercializados alguns camarotes, embora Blanco não saiba dizer quantos. São 89 deles em todo o estádio


Corinthians empurra rombo do Itaquerão para prefeitura, mas Haddad rejeita
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O Corinthians e a Odebrecht têm enfrentado rejeição do mercado para comprar os CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento) do Itaquerão, o que abre um rombo de R$ 405 milhões na conta do estádio. Assim, o clube e a construtora pediram à prefeitura de São Paulo que dê garantia de cobrir o valor caso os títulos não sejam vendidos. Só que o prefeito Fernando Haddad rejeitou a requisição e houve um racha entre corintianos e o município.

Foi a gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab que se decidiu pela emissão dos CIDs para complementar o custo da arena corintiana, sede da abertura da Copa-2014.  Seu preço final foi R$ 1,150 bilhão.  E o clube venderia os títulos ao final da construção para devedores de ISS (Imposto Sobre Serviços), provavelmente bancos, que poderiam descontar o valor de seus débitos.

O Corinthians e a Odebrecht informaram oficialmente que ainda não podem negociar os CIDs, pois esperam um documento da prefeitura certificando a conclusão do estádio. Mas já foram emitidos todos os títulos em cédulas de R$ 50 mil pela prefeitura. Com eles, o fundo que controla o estádio foi ao mercado para saber o seu valor.

O problema é que empresas e bancos têm recusado a compra dos títulos porque não confiam na sua validade, o que é confirmado até por pessoa envolvida no projeto da arena. Um dos motivos é um questionamento judicial do Ministério Público Estadual em processo que alega ilegalidade dos CIDs por serem transferência de recurso público a entidade privada.  “Estes títulos estão sub judice.  O processo não tem sentença ainda, mas está andando”, contou o promotor de justiça Marcelo Camargo Milani.

Hoje, quem comprar os títulos terá direito a descontar o imposto na prefeitura que aceitará a operação. O problema é que há a possibilidade deles perderem a validade dependendo da Justiça. Assim, quem tivesse comprado os títulos teria de pagar duas vezes o imposto. Nenhuma empresa quer assumir esse risco, nem com desconto, e todas têm rejeitado sondagens para comprá-los.

Resultado: o Corinthians e a Odebrecht foram pedir ajuda a prefeitura. Querem um documento da prefeitura de garantia que se responsabilize pelo valor dos CIDs independentemente do que ocorrer no futuro. Outra possibilidade seria um novo projeto de lei que permitisse a prefeitura recomprar os títulos caso estes fossem rejeitados pelo mercado. Desta forma, o dinheiro sairia do caixa do município, não de incentivo fiscal.

A prefeitura rejeitou a demanda corintiana, considerada ilegal. A alegação é de que o clube e a Odebrecht sabiam do risco dos títulos quando entraram no negócio até porque CIDs neste montante eram inéditos. Com a rejeição, o clima entre as duas partes ficou péssimo nas reuniões, e as relações estremecidas. A decisão de rechaçar a investida corintiana teve participação direta de Haddad.

“A prefeitura não pode fazer isso. Se não conseguem vender o título, é problema de quem tem que vender”, contou o promotor Marcelo Milani. “Acho difícil o prefeito fazer algo neste sentido, mas, se fizer, será movido um processo criminal e por improbidade administrativa contra ele.”

Questionados se tinham pedido ajuda a prefeitura, Corinthians e Odebrecht não responderam às perguntas, nem falaram sobre dificuldades de venda dos títulos. Apenas informaram que ainda não podem legalmente negociar os CIDs.

“Corinthians e Odebrecht informam que os CIDs ainda não foram emitidos integralmente (querem R$ 420 milhões em títulos) pela Prefeitura. Além disso, aguardamos a emissão do “Termo de Conclusão do Investimento e de Liberação do Uso do CID”. De acordo com o previsto em lei, apenas após a emissão do referido Termo pode-se dar inicio às negociações e comercialização dos certificados”, disse a assessoria dos do clube da construtora.

A prefeitura não se pronunciou oficialmente. Em entrevista recente à ESPN, Haddad criticou a engenharia financeira realizada para a construção do estádio, embora tenha defendido sua construção.


Empresa fatura com Santos e São Paulo, mas não paga débito com Corinthians
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A empresa Feito Eventos já fatura com a venda de ingressos do clássico entre Santos e São Paulo, na Arena Pantanal, mas ainda não quitou débito com o Corinthians relacionado à partida anterior. O dinheiro devido ao clube de Parque São Jorge se destinaria ao fundo para quitar o financiamento do Itaquerão, e há controvérsia sobre seu valor.

Pela venda da partida contra o Vitória, em outubro, o Corinthians tinha direito a receber R$ 1 milhão como cota. Só que, com um público de apenas 6 mil pessoas, o jogo teve uma renda líquida de R$ 371 mil. Resultado: só R$ 250 mil foram pagos ao clube.

“Até a última informação que tenho sobre isso é que ainda faltava o restante do pagamento”, contou o diretor de arrecadação do Corinthians, Lúcio Blanco. A dívida ainda existe quase um mês depois do jogo, embora seu valor não seja confirmado. Por enquanto, o clube não falava em cobrança judicial.

“O valor não é esse (R$ 750 mil). Não quero entrar em detalhes. Não há problemas tanto que estamos organizando outros dois jogos (o clássico e uma partida do Flamengo)”, afirmou Fabiano Rodrigues, dono da Feito Eventos. Questionado se usaria o dinheiro da partida Santos e São Paulo para pagar o Corinthias, ele rechaçou: “Não tem nada a ver um jogo com o outro. Faz parte de outras pessoas envolvidas. Não é para cobrir o prejuízo.”

Até o final de dia de segunda-feira, já haviam sido vendidos 11 mil ingressos para o clássico, com ingressos entre R$ 30,00 e R$ 80,00. A expectativa é de um público de 40 mil pessoas. E a Arena Pantanal, com custo de R$ 500 milhões, tem aluguel de apenas R$ 40 mil cobrados pelo governo do Estado. Assim, o grosso da renda fica com a Feito Eventos.

O débito com o Corinthians não é o primeiro de uma empresa administrada por Fabiano Rodrigues. Quando era dono da Xaxá, ele foi acusado de dar o calote no Castelão na organização de um jogo da Portuguesa. Há um inquérito policial e um processo. Mas Rodrigues nega a dívida.


Com disputa, Arena Palmeiras atrasa venda de cadeiras como Itaquerão
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Perto de ser inaugurada, a Arena Palmeiras tem um atraso de quase um ano na venda por temporada das suas cadeiras por causa do imbróglio entre a W/Torre e o Palmeiras. Uma situação similar ao que aconteceu no Itaquerão onde ainda não houve a comercialização de cadeiras a longo prazo por questões relacionadas à adaptação para Copa e obras fora do prazo.

Os dois estádios optaram por modelos similares para lucrar com as cadeiras: é o PSL (Personal Seat License). Inspirado no sistema americano, trata-se da compra dos direitos sobre o lugar por um prazo que varia de uma a cinco temporadas. O torcedor tem o ingresso garantido, mas tem que comprá-lo a cada jogo, ou repassá-lo a outra pessoa.

No exterior, esse tipo de direito costuma ser vendido ainda na construção do estádio. Essa era a intenção do Corinthians e da W/Torre. No caso da arena palmeirense, a empreiteira fazia planos de realizar a negociação de assentos premium ainda no início de 2014, quando estaria próxima a conclusão da arena.

Mas surgiu a disputa entre a empreiteira e o clube em relação aos direitos sobre a comercialização de 35 mil cadeiras. Isso foi para a corte arbitral. A W/Torre tem a garantia de que pode vender 10 mil lugares. Só que decidiu travar qualquer negócio até a conclusão do imbróglio com o Palmeiras, ainda sem data para acontecer.

O modelo já está montado pelos gestores do estádio palestrino. A ideia é fazer um sistema de pirâmide em que seriam comercializados os assentos mais caros primeiro. Há um lote entre 600 e 900 cadeiras que seriam premium, no meio do campo, e com serviços vips.

Isso seria só um começo para testar o sistema e aceitação do mercado. Depois, seriam lançados diversos outros tipos de pacotes que poderiam incluir de 10 mil lugares a até todos os 45 mil assentos da arena. Serviços de comida e estacionamento estariam incluídos em alguns dependendo dos preços.

A questão é que isso envolve uma interação com o programa de sócio torcedor do Palmeiras, o Avanti, em que o clube dá direitos de preferência na compra de ingressos de seus jogos. Como as duas partes continuam em disputa, fica difícil levar adiante o negócio.

No caso corintiano, a venda de cadeiras começou de forma experimental por poucos jogos neste ano no setor Oeste do Itaquerão, onde o clube espera obter suas maiores rendas. Há uma expectativa de que, enfim, saiam os pacotes por temporada no final de 2014 ou no início de 2015. A intenção inicial do Corinthians era vender desde o final do ano passado.

O principal motivo para o atraso foi a demora da conclusão do Itaquerão, pronto às vésperas da Copa-2014, e a necessidade de adaptá-lo para a Fifa. Assim, o setor oeste era usado por jornalistas durante o Mundial, e teve que ter assentos colocados depois disso. Ainda há obras em curso feitas pela Odebrecht, mas seu andamento é lento.

A diretoria alvinegra já é capaz de fornecer serviços de alimentação neste prédio. Mas a falta de estacionamento ainda é um problema para atender Vips.

A venda dos direitos sobre as cadeiras é uma das maiores rendas previstas tanto na Arena Palmeiras quanto no Itaquerão. Por isso, quanto mais se retarda o início da comercialização, demora mais para os clubes obterem esse dinheiro.


Sem itens da Copa, custos do Itaquerão crescem e renda do Corinthians cai
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No início de seu funcionamento, o Itaquerão tinha um dos menores custos operacionais de estádios em partidas em relação à renda total. Só que as despesas têm crescido nos últimos jogos, e já consomem quase metade da receita de bilheteria do Corinthians. Explicação: a contratação de uma série de itens provisórios para substituir os empregados na Copa enquanto a obra não acaba.

Vamos aos números. Na estreia do estádio, contra o Figueirense, sobrou da renda líquida um percentual de 78%, o que se explica também por uma ajuda do COL (Comitê Organizador Local) nas despesas. Em jogos logo após o Mundial, o custo subiu, mas o clube ainda retinha entre 65% e 72% do total, o que era uma demonstração de eficiência em comparação com outras arenas.

A questão é que nas últimas três partidas o item despesas diversas subiu bastante, atingindo até R$ 522 mil no clássico com o São Paulo. Logo após o Mundial, esse item representava R$ 140 mil. Depois saltou para cerca de R$ 300 mil. Agora, gira entre R$ 380 mil e R$ 500 mil.

Como resultado, nos últimos três jogos, o Corinthians ficou com pouco mais da metade da renda total do Itaquerão. Contra o Atlético-MG, obteve R$ 675 mil, ou 50,5%. Contra a Chapecoense, foi R$ 682 mil, ou 50,2%. E, diante do São Paulo, reteve R$ 1,410 milhão, ou 59%. No clássico, o Itaquerão viu sua operação mais cara, na casa de R$ 1 milhão por conta de altas despesas, policiamento e ingressos.

O dinheiro não vai para o Corinthians. É depositado em um fundo para pagamento da dívida do estádio. Quanto menos recursos entram nesta conta, mais vai demorar para pagar o débito. Gerente de operações do Itaquerão, Lúcio Blanco explicou como a operação ficou mais cara e como tentará reduzir os custos.

“Muitos itens de uso do estádio na Copa, como divisórias, tinham sido locadas e isso contemplava até agosto. Acabou essa operação. Tivemos que alugar novas estruturas temporárias. Quando a obra da Odebrecht acabar, poderemos parar de alugar uma parte”, contou ele. O fim das reformas está previsto para janeiro de 2015.

Segundo ele, a renda líquida deve ficar entre 60% e 65% do total neste ano – no momento, tem sido menor como mostrado. E voltaria ao patamar de 70% ou 75% na temporada de 2015 quando a obra for concluída pela construtora.

“Temos ainda um grupo de 700 orientadores e fiscais. Não é o número de jogos europeus, mas é bastante para o padrão do Brasil. Vemos como investimento no tratamento ao público”, observou Blanco.

O estádio nem está operando com toda a sua capacidade já que só recebe 38 mil pessoas, e pode atingir até 50 mil quando estiver pronto. O setor oeste, principalmente o superior, ainda vem sendo aberto aos poucos, visto que ainda não existem serviços como estacionamento e atendimento Vip instalados.


Após a Copa, maioria dos estádios encolhe para jogos do Brasileiro
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Terminada a Copa-2014, o futebol brasileiro pode desfrutar pela primeira vez de todos os 12 estádios da competição. Mas não inteiramente: a maioria das arenas encolheu após o Mundial com o uso de um número bem menor de lugares. Um exemplo disso foi o Flamengo e Grêmio, no Maracanã, recorde de público no Brasileiro, mas longe do patamar da final do torneio da Fifa.

Neste sábado, o público total foi de 59.680 pessoas, considerados pagantes e não pagantes. Em comparação, a decisão entre Alemanha e Argentina teve 74.738. No caso do jogo rubro-negro, os ingressos se esgotaram, isto é, havia interesse de mais gente só que a carga foi limitada.

A questão é que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não permite a venda de todos os assentos por alegações de segurança. Deixa setores inteiros vazios para abrir um espaço entre visitantes e mandantes. O Flamengo queria vender 8 mil bilhetes a mais, mas foi vetado.

Medida similar ocorre no Itaquerão. O Corinthians informou que a capacidade máxima atual é de 38 mil lugares. Há limitações de segurança e de setores ainda por serem abertos. O maior público na Copa foi de 63.267, claro, com as arquibancadas provisórias que estão sendo retiradas agora. Só que os lugares temporários representam 19.800 assentos, isto é, daria para vender 43 mil.

A diretoria do Corinthians estima que, após as reformas que estão sendo tocadas pela Odebrecht para adaptar o estádio, a capacidade vai saltar para um número entre 48 mil e 50 mil. Isso só ocorrerá em 2015.

O Mineirão é outro grande estádio que não repete nos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro os públicos da Copa. Após o Mundial, não houve mais de 50 mil no local, mas, quando os times bateram recordes, o máximo foi entre 56 mil e 57 mil. Na competição da Fifa, foram 58.141 pessoas na semifinal entre Brasil e Alemanha.

Outros estádios perderam lugares provisórios como a Fonte Nova e a Arena das Dunas. Mas, na Arena Pantanal, a federação matogrossense ainda não teve segurança para vender mais de 30 mil ingressos para Flamengo e Goiás. No máximo, atingirá 39 mil. Na Copa, foram 40.340 para Japão e Colômbia.

Há dois estádios com aumento de capacidade em jogos nacionais: Castelão e Beira-Rio. O estádio do Internacional pode receber 50 mil pessoas, contra 43 mil do Mundial. E a arena cearense já teve um público de 63 mil pessoas, em jogo antes da Copa.

A Arena Amazônia promete vender 40 mil bilhetes para jogo entre Vasco e Oeste. Se isso ocorrer, praticamente iguala a Copa com 39.800 bilhetes para Itália e Inglaterra. Mas até agora recebeu 35 mil com o Corinthians. Na Arena Permambuco e na Arena da Baixada, é impossível saber porque ainda não houve jogos de grande porte.

No total, sete estádios encolheram depois da Copa, outros dois aumentaram, e três deles ainda não é possível determinar se terão capacidade maior ou menor em jogos de campeonatos nacionais.

Essa redução dos estádios chama a atenção porque a Fifa já faz questão de não usar todos os lugares por conta de instalações de imprensa e para preservar a visão dos torcedores. Só que as medidas de segurança nos jogos de campeonatos nacionais determinam uma queda ainda maior na capacidade das praças.


Se dívida bancária não for paga, Odebrecht pode vender ações do Itaquerão
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A prioridade dos recursos do Itaquerão é pagar a dívida com o financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construir o estádio. Só que há um débito ainda maior do Corinthians com bancos, todo feito com garantias da Odebrecht. Em troca, a construtora tem o direito a tomar as principais ações da arena e vendê-las para qualquer um em caso de falta de pagamento. É o que diz contrato entre a empresa e a Arena Itaquera, obtido pelo blog.

O Itaquerão tem um custo de R$ 1,150 bilhão. Desse total, R$ 400 milhões foram bancados por dinheiro do BNDES com intermediação da Caixa Econômica Federal. Outros R$ 750 milhões, a grosso modo, foram obtidos em três grandes empréstimos com bancos e em recursos da própria Odebrecht. Todos os débitos foram tomados pela Arena Itaquera, empresa que detém o controle sobre o fundo do estádio por meio de cotas seniores.

Pelas regras do acordo do BNDES, a Caixa Econômica tem prioridade para receber as rendas do estádio e para executar garantias em caso de falta de pagamento. Na prática, o banco tem o controle sobre os negócios do Itaquerão, e pode até excluir o Corinthians. A previsão é de pagamento em 13 anos até 2028.

Contrato de alienação fiduciária entre a Arena Itaquera, acionista principal do Itaquerão, e a Odebrecht

Contrato de alienação fiduciária entre a Arena Itaquera, acionista principal do Itaquerão, e a Odebrecht

Mas essa não é a única ameaça ao domínio corintiano sobre a arena. Firmado em 2011, o contrato de alienação fiduciária entre a Odebrecht e a Arena Itaquera estabelece as condições segundo as quais a construtora deu garantias para pegar empréstimos no Banco do Brasil (R$ 150 milhões), Santander (R$ 100 milhões) e na própria Caixa Econômica (R$ 350 milhões), além de capital da própria empresa. O documento tem como interveniente a BRL Trust, administradora do fundo do estádio.

Em resumo, a alienação fiduciária é a cessão da posse de uma propriedade ao seu credor. Pelas condições do contrato de alienação, a Arena Itaquera cede todas as suas cotas seniores no fundo do estádio para a Odebrecht enquanto houver as dívidas.

Ou seja, a empresa passa a ter o poder majoritário de voto nas decisões na empresa e, por consequência, no Itaquerão. O Corinthians é um cotista junior, com menos poder. No total, há 1,3 bilhão de cotas para um patrimônio do fundo de R$ 1,2 bilhão.

Mais do que isso, se houver qualquer inadimplência no pagamento dos empréstimos bancários, a Odebrecht pode executar as garantias e tomar de vez as ações do fundo e do estádio. Pelo artigo 7o do contrato, o “credor (construtora) terá o direito de, quer diretamente ou por intermédio de um agente autorizado, excutir a garantia, inclusive por meio da alienação da garantia por venda pública ou privada, cessão, transferência ou por qualquer outro meio a terceiros, incluindo a uma pessoa relacionada ou não ao credor”.

Trecho do contrato deixa claro que Odebrecht pode vender as ações do fundo do Itaquerão para qualquer um caso não sejam pagos empréstimos para construir estádio

Trecho do contrato deixa claro que Odebrecht pode vender as ações do fundo do Itaquerão para qualquer um caso não sejam pagos empréstimos para construir estádio

Ressalte-se que esse tipo de mecanismo é comum em negócios que implicam altas garantias, como explicaram advogados societários ouvidos pelo blog. Para simplificar, assemelha-se a um financiamento para comprar casa em que ela pode ser tomada. No caso do Corinthians,  há mais de um credor e os valores envolvidos são muito maiores.

Depois desse contrato, foram assinados novos acordos de alienação fiduciária com a Caixa Econômica em 2014, como, aliás, previsto no primeiro documento. Assim, por conta do dinheiro do BNDES, o banco federal tem preferência para receber os recursos do estádio e para tomar bens como o Itaquerão para receber seu dinheiro por esses novos instrumentos.

Mas a construtora tem um instrumento para que, pago esse financimento público, ela possa ficar com o estádio caso o Corinthians não consiga pagar as dívidas privadas, que, no total, são maiores e têm juros mais altos.

Pessoas que trabalham pelo Corinthians na arena têm consciência dessa possibilidade e, por isso, sabem que é preciso gerar altas rendas para evitar a qualquer custo a inadimplência. Afinal, há uma desconfiança de que a construtora queira gerir a arena. Tanto que há reclamação pelo andamento lento da obra de finalização do estádio, como mostrou Ricardo Perrone.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, há contratos de empréstimos feitos pelos bancos que têm até cinco aditivos para prorrogação de prazos de vencimento. São compromissos de R$ 750 milhões com juros crescentes, enquanto o financiamento do BNDES tem a TJLP (Taxa de Juros a Longo Prazo), bem mais baixa. Uma boa notícia para o Corinthians é que uma parte pode ser quitada com os R$ 400 milhões em incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo.

Procurada pelo blog, a Odebrecht não quis se pronunciar sobre o contrato. O departamento jurídico corintiano, assim com os seus advogados que trabalham no negócio, foram informados em várias ocasiões sobre o teor da reportagem, mas não retornaram as ligações.


Sem dar luxo, Corinthians aumentará número de Vips no Itaquerão
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Fotos do Itaquerão
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Com o Itaquerão incompleto para oferecer grandes luxos, o Corinthians vai aumentar o número de ingressos Vips à venda em seus jogos ainda neste Brasileiro. O objetivo é abrir a área oeste superior, e testar o setor e o sistema de negociação do direito sobre lugares para 2015. Assim, o clube corre para turbinar suas rendas para pagar as dívidas do estádio.

Até por conta das altas despesas não há nenhuma previsão de rever os preços dos setores mais baratos apesar dos protestos de torcedores. A redução implantada no último jogo, restrita a alguns setores, representou uma queda de 18% no bilhete médio, mas é o limite corintiano.

Desde o início dos planos do clube, a intenção era que o prédio Oeste fosse responsável pela maior parte da renda do Itaquerão. Mas, com o estádio incompleto, o setor tem respondido por apenas 25% da renda total. Pior, os bilhetes Vips representaram ganho de apenas R$ 78 mil no último jogo, um percentual pequeno da arrecadação.

O problema é que terá de ser feita uma ampla reforma para a instalação dos restaurantes do setor, que terão serviços Vips aos clientes. Já existe um parceiro fechado. As áreas de estacionamento quase não oferecem vagas no momento, o que é requisito essencial para quem vai pagar alto pelos bilhetes. Outras áreas deste prédio também estão incompletas.

Explica-se: a previsão é de que a Odebrecht só acabe as obras para adaptar o estádio plenamente em janeiro de 2015. A cobertura, que ficou inacabada para a Copa, tem prazo para dezembro deste ano. Por enquanto, as reformas andam devagar, segundo pessoas envolvidas na arena, porque têm de parar quando há jogos.

Mesmo assim, o Corinthians vai vender pacotes Vips de três a cinco jogos para começar a testar o setor oeste. Os preços, que incluirão o bilhete e o direito ao lugar, vão levar em conta as limitações atuais do estádio. A partir de 2015, a ideia é colocar à venda o direito sobre o lugar – chamado PSL pelo modelo americano – que será negociado por entre três e cinco temporadas.

Ao comprar esse direito, o torcedor ainda terá de pagar ingresso quando quiser ir ao jogo, ou revender o direito a outra pessoa. Juntamente com o camarote, e os naming rights, essa é a principal aposta de renda corintiana. Os camarotes também devem ser negociados por preços altos, já existem alguns com donos.