Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Itaquerão

Empresa fatura com Santos e São Paulo, mas não paga débito com Corinthians
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A empresa Feito Eventos já fatura com a venda de ingressos do clássico entre Santos e São Paulo, na Arena Pantanal, mas ainda não quitou débito com o Corinthians relacionado à partida anterior. O dinheiro devido ao clube de Parque São Jorge se destinaria ao fundo para quitar o financiamento do Itaquerão, e há controvérsia sobre seu valor.

Pela venda da partida contra o Vitória, em outubro, o Corinthians tinha direito a receber R$ 1 milhão como cota. Só que, com um público de apenas 6 mil pessoas, o jogo teve uma renda líquida de R$ 371 mil. Resultado: só R$ 250 mil foram pagos ao clube.

“Até a última informação que tenho sobre isso é que ainda faltava o restante do pagamento”, contou o diretor de arrecadação do Corinthians, Lúcio Blanco. A dívida ainda existe quase um mês depois do jogo, embora seu valor não seja confirmado. Por enquanto, o clube não falava em cobrança judicial.

“O valor não é esse (R$ 750 mil). Não quero entrar em detalhes. Não há problemas tanto que estamos organizando outros dois jogos (o clássico e uma partida do Flamengo)”, afirmou Fabiano Rodrigues, dono da Feito Eventos. Questionado se usaria o dinheiro da partida Santos e São Paulo para pagar o Corinthias, ele rechaçou: “Não tem nada a ver um jogo com o outro. Faz parte de outras pessoas envolvidas. Não é para cobrir o prejuízo.”

Até o final de dia de segunda-feira, já haviam sido vendidos 11 mil ingressos para o clássico, com ingressos entre R$ 30,00 e R$ 80,00. A expectativa é de um público de 40 mil pessoas. E a Arena Pantanal, com custo de R$ 500 milhões, tem aluguel de apenas R$ 40 mil cobrados pelo governo do Estado. Assim, o grosso da renda fica com a Feito Eventos.

O débito com o Corinthians não é o primeiro de uma empresa administrada por Fabiano Rodrigues. Quando era dono da Xaxá, ele foi acusado de dar o calote no Castelão na organização de um jogo da Portuguesa. Há um inquérito policial e um processo. Mas Rodrigues nega a dívida.


Com disputa, Arena Palmeiras atrasa venda de cadeiras como Itaquerão
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Perto de ser inaugurada, a Arena Palmeiras tem um atraso de quase um ano na venda por temporada das suas cadeiras por causa do imbróglio entre a W/Torre e o Palmeiras. Uma situação similar ao que aconteceu no Itaquerão onde ainda não houve a comercialização de cadeiras a longo prazo por questões relacionadas à adaptação para Copa e obras fora do prazo.

Os dois estádios optaram por modelos similares para lucrar com as cadeiras: é o PSL (Personal Seat License). Inspirado no sistema americano, trata-se da compra dos direitos sobre o lugar por um prazo que varia de uma a cinco temporadas. O torcedor tem o ingresso garantido, mas tem que comprá-lo a cada jogo, ou repassá-lo a outra pessoa.

No exterior, esse tipo de direito costuma ser vendido ainda na construção do estádio. Essa era a intenção do Corinthians e da W/Torre. No caso da arena palmeirense, a empreiteira fazia planos de realizar a negociação de assentos premium ainda no início de 2014, quando estaria próxima a conclusão da arena.

Mas surgiu a disputa entre a empreiteira e o clube em relação aos direitos sobre a comercialização de 35 mil cadeiras. Isso foi para a corte arbitral. A W/Torre tem a garantia de que pode vender 10 mil lugares. Só que decidiu travar qualquer negócio até a conclusão do imbróglio com o Palmeiras, ainda sem data para acontecer.

O modelo já está montado pelos gestores do estádio palestrino. A ideia é fazer um sistema de pirâmide em que seriam comercializados os assentos mais caros primeiro. Há um lote entre 600 e 900 cadeiras que seriam premium, no meio do campo, e com serviços vips.

Isso seria só um começo para testar o sistema e aceitação do mercado. Depois, seriam lançados diversos outros tipos de pacotes que poderiam incluir de 10 mil lugares a até todos os 45 mil assentos da arena. Serviços de comida e estacionamento estariam incluídos em alguns dependendo dos preços.

A questão é que isso envolve uma interação com o programa de sócio torcedor do Palmeiras, o Avanti, em que o clube dá direitos de preferência na compra de ingressos de seus jogos. Como as duas partes continuam em disputa, fica difícil levar adiante o negócio.

No caso corintiano, a venda de cadeiras começou de forma experimental por poucos jogos neste ano no setor Oeste do Itaquerão, onde o clube espera obter suas maiores rendas. Há uma expectativa de que, enfim, saiam os pacotes por temporada no final de 2014 ou no início de 2015. A intenção inicial do Corinthians era vender desde o final do ano passado.

O principal motivo para o atraso foi a demora da conclusão do Itaquerão, pronto às vésperas da Copa-2014, e a necessidade de adaptá-lo para a Fifa. Assim, o setor oeste era usado por jornalistas durante o Mundial, e teve que ter assentos colocados depois disso. Ainda há obras em curso feitas pela Odebrecht, mas seu andamento é lento.

A diretoria alvinegra já é capaz de fornecer serviços de alimentação neste prédio. Mas a falta de estacionamento ainda é um problema para atender Vips.

A venda dos direitos sobre as cadeiras é uma das maiores rendas previstas tanto na Arena Palmeiras quanto no Itaquerão. Por isso, quanto mais se retarda o início da comercialização, demora mais para os clubes obterem esse dinheiro.


Sem itens da Copa, custos do Itaquerão crescem e renda do Corinthians cai
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No início de seu funcionamento, o Itaquerão tinha um dos menores custos operacionais de estádios em partidas em relação à renda total. Só que as despesas têm crescido nos últimos jogos, e já consomem quase metade da receita de bilheteria do Corinthians. Explicação: a contratação de uma série de itens provisórios para substituir os empregados na Copa enquanto a obra não acaba.

Vamos aos números. Na estreia do estádio, contra o Figueirense, sobrou da renda líquida um percentual de 78%, o que se explica também por uma ajuda do COL (Comitê Organizador Local) nas despesas. Em jogos logo após o Mundial, o custo subiu, mas o clube ainda retinha entre 65% e 72% do total, o que era uma demonstração de eficiência em comparação com outras arenas.

A questão é que nas últimas três partidas o item despesas diversas subiu bastante, atingindo até R$ 522 mil no clássico com o São Paulo. Logo após o Mundial, esse item representava R$ 140 mil. Depois saltou para cerca de R$ 300 mil. Agora, gira entre R$ 380 mil e R$ 500 mil.

Como resultado, nos últimos três jogos, o Corinthians ficou com pouco mais da metade da renda total do Itaquerão. Contra o Atlético-MG, obteve R$ 675 mil, ou 50,5%. Contra a Chapecoense, foi R$ 682 mil, ou 50,2%. E, diante do São Paulo, reteve R$ 1,410 milhão, ou 59%. No clássico, o Itaquerão viu sua operação mais cara, na casa de R$ 1 milhão por conta de altas despesas, policiamento e ingressos.

O dinheiro não vai para o Corinthians. É depositado em um fundo para pagamento da dívida do estádio. Quanto menos recursos entram nesta conta, mais vai demorar para pagar o débito. Gerente de operações do Itaquerão, Lúcio Blanco explicou como a operação ficou mais cara e como tentará reduzir os custos.

“Muitos itens de uso do estádio na Copa, como divisórias, tinham sido locadas e isso contemplava até agosto. Acabou essa operação. Tivemos que alugar novas estruturas temporárias. Quando a obra da Odebrecht acabar, poderemos parar de alugar uma parte”, contou ele. O fim das reformas está previsto para janeiro de 2015.

Segundo ele, a renda líquida deve ficar entre 60% e 65% do total neste ano – no momento, tem sido menor como mostrado. E voltaria ao patamar de 70% ou 75% na temporada de 2015 quando a obra for concluída pela construtora.

“Temos ainda um grupo de 700 orientadores e fiscais. Não é o número de jogos europeus, mas é bastante para o padrão do Brasil. Vemos como investimento no tratamento ao público”, observou Blanco.

O estádio nem está operando com toda a sua capacidade já que só recebe 38 mil pessoas, e pode atingir até 50 mil quando estiver pronto. O setor oeste, principalmente o superior, ainda vem sendo aberto aos poucos, visto que ainda não existem serviços como estacionamento e atendimento Vip instalados.


Após a Copa, maioria dos estádios encolhe para jogos do Brasileiro
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Terminada a Copa-2014, o futebol brasileiro pode desfrutar pela primeira vez de todos os 12 estádios da competição. Mas não inteiramente: a maioria das arenas encolheu após o Mundial com o uso de um número bem menor de lugares. Um exemplo disso foi o Flamengo e Grêmio, no Maracanã, recorde de público no Brasileiro, mas longe do patamar da final do torneio da Fifa.

Neste sábado, o público total foi de 59.680 pessoas, considerados pagantes e não pagantes. Em comparação, a decisão entre Alemanha e Argentina teve 74.738. No caso do jogo rubro-negro, os ingressos se esgotaram, isto é, havia interesse de mais gente só que a carga foi limitada.

A questão é que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não permite a venda de todos os assentos por alegações de segurança. Deixa setores inteiros vazios para abrir um espaço entre visitantes e mandantes. O Flamengo queria vender 8 mil bilhetes a mais, mas foi vetado.

Medida similar ocorre no Itaquerão. O Corinthians informou que a capacidade máxima atual é de 38 mil lugares. Há limitações de segurança e de setores ainda por serem abertos. O maior público na Copa foi de 63.267, claro, com as arquibancadas provisórias que estão sendo retiradas agora. Só que os lugares temporários representam 19.800 assentos, isto é, daria para vender 43 mil.

A diretoria do Corinthians estima que, após as reformas que estão sendo tocadas pela Odebrecht para adaptar o estádio, a capacidade vai saltar para um número entre 48 mil e 50 mil. Isso só ocorrerá em 2015.

O Mineirão é outro grande estádio que não repete nos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro os públicos da Copa. Após o Mundial, não houve mais de 50 mil no local, mas, quando os times bateram recordes, o máximo foi entre 56 mil e 57 mil. Na competição da Fifa, foram 58.141 pessoas na semifinal entre Brasil e Alemanha.

Outros estádios perderam lugares provisórios como a Fonte Nova e a Arena das Dunas. Mas, na Arena Pantanal, a federação matogrossense ainda não teve segurança para vender mais de 30 mil ingressos para Flamengo e Goiás. No máximo, atingirá 39 mil. Na Copa, foram 40.340 para Japão e Colômbia.

Há dois estádios com aumento de capacidade em jogos nacionais: Castelão e Beira-Rio. O estádio do Internacional pode receber 50 mil pessoas, contra 43 mil do Mundial. E a arena cearense já teve um público de 63 mil pessoas, em jogo antes da Copa.

A Arena Amazônia promete vender 40 mil bilhetes para jogo entre Vasco e Oeste. Se isso ocorrer, praticamente iguala a Copa com 39.800 bilhetes para Itália e Inglaterra. Mas até agora recebeu 35 mil com o Corinthians. Na Arena Permambuco e na Arena da Baixada, é impossível saber porque ainda não houve jogos de grande porte.

No total, sete estádios encolheram depois da Copa, outros dois aumentaram, e três deles ainda não é possível determinar se terão capacidade maior ou menor em jogos de campeonatos nacionais.

Essa redução dos estádios chama a atenção porque a Fifa já faz questão de não usar todos os lugares por conta de instalações de imprensa e para preservar a visão dos torcedores. Só que as medidas de segurança nos jogos de campeonatos nacionais determinam uma queda ainda maior na capacidade das praças.


Se dívida bancária não for paga, Odebrecht pode vender ações do Itaquerão
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A prioridade dos recursos do Itaquerão é pagar a dívida com o financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para construir o estádio. Só que há um débito ainda maior do Corinthians com bancos, todo feito com garantias da Odebrecht. Em troca, a construtora tem o direito a tomar as principais ações da arena e vendê-las para qualquer um em caso de falta de pagamento. É o que diz contrato entre a empresa e a Arena Itaquera, obtido pelo blog.

O Itaquerão tem um custo de R$ 1,150 bilhão. Desse total, R$ 400 milhões foram bancados por dinheiro do BNDES com intermediação da Caixa Econômica Federal. Outros R$ 750 milhões, a grosso modo, foram obtidos em três grandes empréstimos com bancos e em recursos da própria Odebrecht. Todos os débitos foram tomados pela Arena Itaquera, empresa que detém o controle sobre o fundo do estádio por meio de cotas seniores.

Pelas regras do acordo do BNDES, a Caixa Econômica tem prioridade para receber as rendas do estádio e para executar garantias em caso de falta de pagamento. Na prática, o banco tem o controle sobre os negócios do Itaquerão, e pode até excluir o Corinthians. A previsão é de pagamento em 13 anos até 2028.

Contrato de alienação fiduciária entre a Arena Itaquera, acionista principal do Itaquerão, e a Odebrecht

Contrato de alienação fiduciária entre a Arena Itaquera, acionista principal do Itaquerão, e a Odebrecht

Mas essa não é a única ameaça ao domínio corintiano sobre a arena. Firmado em 2011, o contrato de alienação fiduciária entre a Odebrecht e a Arena Itaquera estabelece as condições segundo as quais a construtora deu garantias para pegar empréstimos no Banco do Brasil (R$ 150 milhões), Santander (R$ 100 milhões) e na própria Caixa Econômica (R$ 350 milhões), além de capital da própria empresa. O documento tem como interveniente a BRL Trust, administradora do fundo do estádio.

Em resumo, a alienação fiduciária é a cessão da posse de uma propriedade ao seu credor. Pelas condições do contrato de alienação, a Arena Itaquera cede todas as suas cotas seniores no fundo do estádio para a Odebrecht enquanto houver as dívidas.

Ou seja, a empresa passa a ter o poder majoritário de voto nas decisões na empresa e, por consequência, no Itaquerão. O Corinthians é um cotista junior, com menos poder. No total, há 1,3 bilhão de cotas para um patrimônio do fundo de R$ 1,2 bilhão.

Mais do que isso, se houver qualquer inadimplência no pagamento dos empréstimos bancários, a Odebrecht pode executar as garantias e tomar de vez as ações do fundo e do estádio. Pelo artigo 7o do contrato, o “credor (construtora) terá o direito de, quer diretamente ou por intermédio de um agente autorizado, excutir a garantia, inclusive por meio da alienação da garantia por venda pública ou privada, cessão, transferência ou por qualquer outro meio a terceiros, incluindo a uma pessoa relacionada ou não ao credor”.

Trecho do contrato deixa claro que Odebrecht pode vender as ações do fundo do Itaquerão para qualquer um caso não sejam pagos empréstimos para construir estádio

Trecho do contrato deixa claro que Odebrecht pode vender as ações do fundo do Itaquerão para qualquer um caso não sejam pagos empréstimos para construir estádio

Ressalte-se que esse tipo de mecanismo é comum em negócios que implicam altas garantias, como explicaram advogados societários ouvidos pelo blog. Para simplificar, assemelha-se a um financiamento para comprar casa em que ela pode ser tomada. No caso do Corinthians,  há mais de um credor e os valores envolvidos são muito maiores.

Depois desse contrato, foram assinados novos acordos de alienação fiduciária com a Caixa Econômica em 2014, como, aliás, previsto no primeiro documento. Assim, por conta do dinheiro do BNDES, o banco federal tem preferência para receber os recursos do estádio e para tomar bens como o Itaquerão para receber seu dinheiro por esses novos instrumentos.

Mas a construtora tem um instrumento para que, pago esse financimento público, ela possa ficar com o estádio caso o Corinthians não consiga pagar as dívidas privadas, que, no total, são maiores e têm juros mais altos.

Pessoas que trabalham pelo Corinthians na arena têm consciência dessa possibilidade e, por isso, sabem que é preciso gerar altas rendas para evitar a qualquer custo a inadimplência. Afinal, há uma desconfiança de que a construtora queira gerir a arena. Tanto que há reclamação pelo andamento lento da obra de finalização do estádio, como mostrou Ricardo Perrone.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, há contratos de empréstimos feitos pelos bancos que têm até cinco aditivos para prorrogação de prazos de vencimento. São compromissos de R$ 750 milhões com juros crescentes, enquanto o financiamento do BNDES tem a TJLP (Taxa de Juros a Longo Prazo), bem mais baixa. Uma boa notícia para o Corinthians é que uma parte pode ser quitada com os R$ 400 milhões em incentivos fiscais da prefeitura de São Paulo.

Procurada pelo blog, a Odebrecht não quis se pronunciar sobre o contrato. O departamento jurídico corintiano, assim com os seus advogados que trabalham no negócio, foram informados em várias ocasiões sobre o teor da reportagem, mas não retornaram as ligações.


Sem dar luxo, Corinthians aumentará número de Vips no Itaquerão
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Fotos do Itaquerão
Fotos do Itaquerão

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Com o Itaquerão incompleto para oferecer grandes luxos, o Corinthians vai aumentar o número de ingressos Vips à venda em seus jogos ainda neste Brasileiro. O objetivo é abrir a área oeste superior, e testar o setor e o sistema de negociação do direito sobre lugares para 2015. Assim, o clube corre para turbinar suas rendas para pagar as dívidas do estádio.

Até por conta das altas despesas não há nenhuma previsão de rever os preços dos setores mais baratos apesar dos protestos de torcedores. A redução implantada no último jogo, restrita a alguns setores, representou uma queda de 18% no bilhete médio, mas é o limite corintiano.

Desde o início dos planos do clube, a intenção era que o prédio Oeste fosse responsável pela maior parte da renda do Itaquerão. Mas, com o estádio incompleto, o setor tem respondido por apenas 25% da renda total. Pior, os bilhetes Vips representaram ganho de apenas R$ 78 mil no último jogo, um percentual pequeno da arrecadação.

O problema é que terá de ser feita uma ampla reforma para a instalação dos restaurantes do setor, que terão serviços Vips aos clientes. Já existe um parceiro fechado. As áreas de estacionamento quase não oferecem vagas no momento, o que é requisito essencial para quem vai pagar alto pelos bilhetes. Outras áreas deste prédio também estão incompletas.

Explica-se: a previsão é de que a Odebrecht só acabe as obras para adaptar o estádio plenamente em janeiro de 2015. A cobertura, que ficou inacabada para a Copa, tem prazo para dezembro deste ano. Por enquanto, as reformas andam devagar, segundo pessoas envolvidas na arena, porque têm de parar quando há jogos.

Mesmo assim, o Corinthians vai vender pacotes Vips de três a cinco jogos para começar a testar o setor oeste. Os preços, que incluirão o bilhete e o direito ao lugar, vão levar em conta as limitações atuais do estádio. A partir de 2015, a ideia é colocar à venda o direito sobre o lugar – chamado PSL pelo modelo americano – que será negociado por entre três e cinco temporadas.

Ao comprar esse direito, o torcedor ainda terá de pagar ingresso quando quiser ir ao jogo, ou revender o direito a outra pessoa. Juntamente com o camarote, e os naming rights, essa é a principal aposta de renda corintiana. Os camarotes também devem ser negociados por preços altos, já existem alguns com donos.


Metade dos jogos do Brasileiro é disputada em estádios velhos
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A Copa-2014 proporcionou como principal legado uma série de estádios novos para o futebol brasileiro. Só que, na Série A do Nacional, metade das partidas ainda é disputada em arenas velhas, construídas há quase cem anos em alguns casos. No total, houve até mais jogos da elite nestas estruturas antigas em 2014 por conta do fechamento das outras para o Mundial.

No total, foram jogadas 98 partidas em estádios velhos, e 62 nos novos ao final desta 16a rodada. Desconsideradas as rodadas afetadas pela Copa, o número fica de 58 a 53. As últimas rodadas, no entanto, têm uma igualdade entre as arenas.

Considerados os 20 times da Série A, metade deles têm como sede principal estádios novos, construídos para o Mundial-2014 ou dentro do padrão da Fifa. São arenas como o Mineiro, Beira-Rio, Itaquerão, Maracanã, Independência, Arena da Baixada, Arena do Grêmio e Fonte Nova.

Mas outras 10 equipes ainda mandam jogos em arenas antigas – algumas foram reformadas recentemente, mas estão longe do padrão de praças modernas. São os casos do Couto Pereira, Orlando Scarpelli, Pacaembu, Barradão, Heriberto Hulse, Arena Condá, Serra Dourada, Vila Belmiro, Ilha do Retiro e Morumbi.

Levantamentos já mostraram que os estádios novos têm mais público e mais gols. Mas a realidade brasileira ainda é ter jogos em estruturas obsoletas, ou pequenas, algumas vezes até com o gramado fora do padrão adotado em jogos modernos.

“O público brasileiro ainda convive com dois planetas diferentes: o da Copa-2014 e dos estádios de 1950. Isso vale na Série B, Série C”, analisou o arquiteto da Arena Pantanal, Sergio Coelho. “Há uma diferença na visibilidade, segurança, atendimento ao atleta. Quem segue o futebol tem essa experiência.”

Arquiteto da Fonte Nova, demolida e reconstruída, Marc Dwe reforçou a posição ao comparar o projeto antigo ao atual da arena baiana. “Há mais espaço para o vestiário, imprensa, área VIP. Aumenta-se o número de sanitários”, contou. “A área que ocupa é menor que a anterior, mas o prédio é maior.”

Ambos ressaltaram que será difícil a adaptação dos estádios velhos a condições similares dos novos, a não ser se houver um alto gasto como no novo Maracanã, R$ 1,2 bilhão. “Esses estádios novos vão causar efeito no público que vai exigir serviço diferente, e o outro vai ter que se modernizar.”

Quando for inaugurada a Arena Palmeiras, haverá uma superioridade de mandantes com estádios novos na Série A. Espera-se que o padrão visto neles se replique para os outros lugares, o que representaria um aumento considerável do legado da Copa. Até porque pagou-se bastante caro por isso.


Globo negocia para ganhar com propaganda em telões de estádios
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A Globo iniciou negociação com os donos dos principais estádios brasileiros para estabelecer uma parceria para ganhar dinheiro com propaganda nos telões durante jogos. Seria mais uma extensão do braço de atuação da emissora no futebol que já tem contratos de transmissão, fechada e aberta, internet e exploração de placas, entre outros.

O blog apurou que a Globo vem apresentado a ideia para os gestores das novas arenas brasileiras que contam com o equipamento desde antes da Copa-2014. Entre os que receberam propostas, estão o Maracanã, o Itaquerão e o Mineirão. As conversas ainda estão em fase inicial.

Nas reuniões, o modelo proposto é de que ela inclua os telões em seu pacote publicitário do futebol, que já tem as placas. Assim, poderia aumentar o que é cobrado dos parceiros. Em troca, daria um percentual do ganho para os donos das arenas. No caso de estádios como o Maracanã, esse dinheiro seria dividido com os clubes.

O problema é que os donos das arenas temem que a Globo use sua força para cobrar alto dos parceiros, mas repassar valores pequenos para os donos dos estádios. Em compensação, os gestores da arena apostam que a parceria poderia possibilitar acesso ao conteúdo da emissora, que inclui gols, e lances históricos do futebol brasileiro.

Mas há administradores de estádios que falam em fazer uma concorrência com outra emissora que detenha os direitos de jogos, como a Band, se a proposta da emissora for ruim. Fato é que, com audiência em baixa, a Globo dá mais um passo para aumentar seu poder no futebol nacional, além da atuação ampla que já tem com os clubes. O blog tentou ouvir executivos da emissora, sem sucesso.


Arena do Palmeiras terá gramado da Copa, mas diferente do Itaquerão
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Em fase da maturação, o gramado da Arena do Palmeiras tem o mesmo padrão de instalação, tratamento e até equipes usados na Copa-2014. O estilo da grama do estádio palmeirense, porém, será diferente do Itaquerão, casa corintiana que sediou a abertura do Mundial. A opção foi por um campo mais tropicalizado, em contraste com o padrão europeu alvinegro.

A empresa que cuida de ambos os gramados é a World Sports. No caso da Arena Palmeiras, a instalação da grama acabou em 18 de julho, e o período para maturação gira em torno de 45 a 60 dias. Sua primeira utilização ainda depende da conclusão do estádio.

“O sistema usado dentro da arena (do Palmeiras) tem a mesma concepção dos estádios da Copa do Mundo”, explicou André Ostermayer, diretor de contratos da World Sports. “Existe um caderno do COL (Comitê Organizador Local) que foi usado no Palmeiras. Todo o orçamento foi feito em cima disso, com os materiais, o sistema de drenagem.”

Sua empresa trabalhou em quatro gramados da Copa: Itaquerão, Arena das Dunas, Arena Pantanal e Beira-Rio. Na Arena do Palmeiras, que foi excluída como centro de treinamento da competição, houve também a supervisão da especialista Maristena Kuhn, que era a contratada do comitê do Mundial para campos.

Claro que o padrão de cada varia de acordo com a escolha da grama. E houve problemas com os campos da Copa, sim, com reclamações de jogadores e treinadores.

Bom, no caso palmeirense, a grama escolhida foi a Bermuda Tiffgrand, que é mais tropical. É um tipo mais comum no Brasil por se adaptar mais à temperatura local em comparação com a Hygrass, europeia, usada no Itaquerão. Os tratamentos, portanto, são bem diferentes.

“A manutenção o ano inteiro implica em usar sementes de grama de inverno quando chega o frio para misturar com a tropical. Isso acontece nos campos em Estados abaixo do Rio de Janeiro”, contou Ostermayer.

Em comparação, o gramado corintiano tem que ter mais cuidados durante o verão quando é acionado um sistema de resfriamento por ar-condicionado. Isso implica em um custo maior. Só que o diretor da World Sports explica que ambos têm manutenção bem cara por conta de máquinas e cuidados especiais.

Em relação à qualidade para o jogo, Ostermayer explicou que os dois gramados têm padrões altos e similares desde que tratados de forma correta. Ou seja, a bola deve correr com a mesma velocidade e sem pulos em ambos. O corte, no caso palmeirense, está previsto para 1,8 cms, bem baixo. Na Copa, eram 2,4cm.

Essa decisão pode mudar de acordo com opinião do técnico e características do time. Até agora, o Palmeiras não foi ouvido no processo, já que foi a W/Torre quem contratou a World Sports.

Sem disparidade técnica, o provável é que a diferença visível entre os gramados do Itaquerão e o da Arena Palmeiras seja apenas o aspecto em alguns jogos. Isso porque a grama europeia recupera mais fácil a sua cor verde uniforme após o desgaste de um jogo. Ironicamente, a grama corintiana poderá ter um verde mais intenso do que a palmeirense.