Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Itaquerão

Instalações provisórias só ficarão prontas a poucos dias da Copa
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As instalações provisórias nos estádios da Copa ficarão prontas poucos dias antes dos jogos, entre o final de maio e o início de junho. É o fica claro em levantamento do blog sobre o andamento das contratações para essas estruturas complementares nas cidades-sede.

Essas instalações -que inclui geradores, locais e equipamentos para jornalistas, cercas, entre outros itens – são levantadas com rapidez e em geral são feitas mais perto dos eventos. Mas a Fifa tinha um cronograma para que estivessem realizadas antes para poder testá-las. Isso não será possível na maior parte das sedes.

Nos três maiores estádios, Mineirão, Maracanã e Itaquerão, não houve ainda início das contratações dessas instalações. Detalhe: são nesses locais onde haverá as maiores estruturas. Os governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro se preparam para começar o processo em breve, e o Corinthians trabalha para viabilizar o dinheiro se é que o COL (Comitê Organizador Local) não pagará por isso.

No Beira-Rio, o governo do Estado também financia as contratações por meio de captação de recursos com renúncia fiscal, o que está em andamento após aprovação de lei. Outro que ainda trabalha para iniciar o processo de compra de serviços e bens é o Distrito Federal.

Na Arena Amazônia, a Secretaria de Copa do Estado informou que, com a licitação concluída, a intenção é acabar tudo em junho. No Castelão, a data-limite do governo do Ceará também é 6 de junho, como informado pela secretaria de Copa.

O governo do Estado do Rio Grande do Norte prevê para final de maio a realização das estruturas, que passarão a ser instaladas em 20 de abril. Só que a licitação para contratação ainda está em andamento.

A Arena da Baixada e a Arena Pernambuco estão mais avançados neste item: já houve início das instalações. Mato Grosso também já concluiu a contratação de empresa responsável pelas complementares da Arena Pantanal.

A Fifa queria que tudo começasse a ser posto em volta dos estádios a partir de março. Ninguém cumpriu o prazo.

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Governo usa dinheiro dos trabalhadores em estádios da Copa
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O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) usou dinheiro dos trabalhadores para bancar a construção e reforma de 11 estádios da Copa-2014. É o que está descrito nos contratos de empréstimos dessas arenas com a instituição financeira. No total, há um investimento de R$ 3,876 bilhões do banco nas arenas.

O BNDES tem como fontes de receita o tesouro nacional, monetização de seus ativos, o FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e juros de empréstimos, feitos justamente com esses recursos. Cada projeto recebe verba de um desses lugares.

Em todos os 11 contratos de estádios, lidos pelo blog, está dito que o dinheiro virá com “recursos ordinádios do BNDES, que são compostos, dentre outras fontes, pelos recursos originários do FAT – Depósito Especiais e do Fundo de Participação PIS/Pasep”. A única exceção é o Mané Garrincha que não tem verba do banco estatal.

Com isso, os contratos preveem que, se houver mudança na remuneração do FAT ou do PIS e Pasep, pode haver modificações nos acordos.

O FAT é um fundo para o pagamento do seguro desemprego, do abono salarial e de programas de desenvolvimento. O PIS e o Pasep são programas em que as empresas depositam dinheiro em favor dos trabalhadores privados ou funcionários públicos. Eles podem retirar a verba, por exemplo, em casos de aposentadoria por invalidez ou por atingirem 70 anos.

Enquanto está armazenado, esse dinheiro tem 40% do total destinado ao BNDES. Segundo o banco, o FAT compõe 2,8% dos recursos de seu caixa. Mas com essa verba e do tesouro nacional que a instituição ganha dinheiro com juros.

“A maior fonte de recursos é o retorno das operações – o Banco reempresta os recursos que recebe de volta de seus clientes e que foram originalmente captados em distintas fontes. Entre essas fontes, a maior predominância é do retorno das operações do FAT e do Tesouro”, explicou a assessoria do banco.

Funciona assim: o governo repassa os depósitos feitos em favor dos trabalhadores para o banco. Este empresta para terceiros, ganha com juros e reinveste. Teoricamente, busca projetos que desenvolvam o país.

O PIS e o Pasep só valorizam 3% ao ano para o trabalhador, mais receita líquida, isto é, abaixo da inflação. Enquanto isso, o banco cobra juros baseados na TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) e taxas, que somam 6,4% ao ano no caso dos estádios da Copa.

Os beneficiados são os que recebem empréstimos bem abaixo dos juros do mercado. No caso da Copa, são três clubes de futebol, Corinthians, Internacional e Atlético-PR, cujos estádios recebe dinheiro indiretamente. Há ainda as construtoras, OAS (Natal), Andrade Gutierrez (Beira-Rio), Construcap, Egesa e Hap (Mineirão). Com a intermediação de terceiros, as taxas e juros giram entre 7,3% e 9,84%.

Para se ter ideia do benefício, a taxa selic (referência no país) tem juros de 10,9%. Bancos privados aplicam sobretaxas sobre esse percentual para garantir seus lucros. Ou seja, empréstimos privados saem bem mais caros.

No caso do dinheiro para estádios da Copa, os maiores juros são pagos pela OAS na Arena das Dunas, com 9,84%, com a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) no patamar atual de 5%. Em segundo, vem a Arena Itaquera, do Corinthians, que pagará 9,8% de juros e taxas, por conta da intermediação da Caixa Econômica Federal. Governos que pediram empréstimos, como o do Estado do Rio de Janeiro para o Maracanã, pagam 7,3%.

O dinheiro dos trabalhadores não pode ser usado em qualquer projeto do BNDES. Mas os estádios geram emprego e por isso se enquadram entre os que podem ser beneficiados pela verba.

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Caixa tem cláusula de preferência para batizar Itaquerão
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O contrato entre a Caixa Econômica Federal e o Corinthians para financiar o Itaquerão prevê uma preferência para compra dos direitos sobre o nome (naming rights) da arena em caso de proposta de outra instituição financeira. O clube informou que não há qualquer negociação com o banco para batizar o estádio. E a instituição financeira confirmou a prioridade neste tópico.

Ao mostrar o contrato com o estádio, blog mostrou como a Caixa tem controle sobre os negócios do Itaquerão a ponto de poder excluir os corintianos da gestão da arena. E o banco tem especial prerrogativa sobre os direitos sobre o nome.

De início, a Caixa tem que ser consultada sobre propostas para compra dos naming rights do estádio. Pela cláusula nona, item XLIV, está escrito que a Arena Itaquera, empresa que gere o estádio, tem que submeter à análise de crédito do interessado no negócio. Isso para garantir que esse tenha capacidade de pagamento.

Mas o item seguinte mostra que o banco pode ter interesse em batizar o estádio.  É o que está expresso pelo texto que obriga a empresa da arena a apresentar qualquer proposta de outra instituição financeira pelo nome. Veja no texto abaixo:

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Isso não significa que a Caixa vai fazer uma proposta para batizar o estádio. Questionado pelo blog pela assessoria, Andrés Sanchez, responsável do clube pela arena,  informou que não há negociação em curso com o banco. Segundo ele, a cláusula serve mais como proteção para o banco. Há conversas com outras empresas, mas nenhuma está próxima de fechar no momento.

A assessoria da Caixa Econômica confirmou a preferência: ”Trata-se de cláusula usual em contratos, ou seja, a CAIXA tem o direito de preferência sobre quaisquer outros”, informou, sem responder se fará proposta pelos naming rights.

Além da preferência em casos de bancos, a instituição bancária federal tem a vantagem de saber em primeira mão o valor de qualquer proposta sobre o estádio. Lembre-se que ela já é patrocinadora do uniforme corintiano pelo qual paga em torno de R$ 30 milhões por ano.

Se usar sua cláusula de preferência e comprar os naming rights do Itaquerão, o banco passará por uma situação peculiar de pagar para si mesmo. Isso porque as receitas do estádio, incluindo os direitos sobre o nome, são destinadas a quitar a dívida com o intermediador e o BNDES pelo empréstimo de R$ 400 milhões. Isso vale também para o período de carência do empréstimo até o meio de 2015.

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Quem faz melhor negócio no estádio: Corinthians, Inter ou Palmeiras?
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A proximidade das inaugurações de três novas arenas privadas de grandes clubes brasileiros, Corinthians, Internacional e Palmeiras, gera uma discussão sobre qual foi o melhor negócio feito pelos clubes. Por isso, o blog foi procurar informações sobre os modelos para expô-los para uma comparação.

Nos últimos dias, foram mostrados os detalhes das condições do contrato do Corinthians com a Caixa Econômica para bancar o Itaquerão. O blog também levantou os acordos do Internacional para financiar sua arena. E ainda obteve informações sobre a parceria privada entre WTorre e Palmeiras.

Abaixo, serão elencados cinco itens para mostrar como funcionam as parcerias. Não estão postos alguns detalhes laterais dos modelos de negócios, nem as projeções de receitas porque ainda é difícil saber se vão se cumprir. Também não há juízo de valor, fica a critério do internauta analisar qual o melhor negócio.

Preço e financiamento

Corinthians

R$ 1,150 bilhão – Dinheiro veio de várias fontes. Empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com juros subsidiados, títulos de incentivos fiscal da prefeitura, empréstimos bancários e feitos pela construtora Odebrecht. O clube terá de pagar os empréstimos, mas tem o desconto da renúncia fiscal municipal. A conta final para o Corinthians deve ser acima de R$ 700 milhões.

Internacional

R$ 382 milhões – Custo foi bancado por meio empréstimos do BNDES subsidiados, que foram tomados por parceiros. O clube não pagará nada.

Palmeiras

R$ 500 milhões – A obra está sendo bancada pela construtora WTorre, parceira do clube. O Palmeiras não pagará nada.

Autonomia na gestão

Corinthians

O clube tem a gestão do estádio. Mas está submetido a forte controle da Caixa Econômica Federal enquanto não pagar todo o empréstimo do BNDES. Pelo contrato, pode até ser excluído da administração do estádio. Mas, se conseguir quitar todos os débitos, terá autonomia total na arena.

Internacional

O clube tem a gestão da maior parte estádio, mas só comercializa os ingressos de 47 mil lugares, 85% do total. Os 5 mil lugares Vips, camarotes e Sky Boxes pertencem à SPE Beira Rio (Brio), cujos donos são a Andrade Gutierrez e o Banco Pactual, que vão negociar essas propriedades.

Palmeiras

Há uma discussão sobre a gestão de 35 mil lugares. O Palmeiras entende que tem direito a comandar a venda desses bilhetes, assim como de receber a receita total. A WTorre diz que essas cadeiras pertencem a ela. Fato é que outras 10 mil cadeiras, camarotes e lugares Vips são da construtora, que pode negocia-los da forma que preferir.

Receitas

Corinthians

O clube terá uma receita reduzida no estádio por um período próximo de oito anos. As rendas serão usadas prioritariamente para pagar a dívida com o BNDES. Em segundo lugar, serão utilizadas para quitar débitos com a Odebrecht. Da sobra, metade ficará com o Corintihans e outra metade irá para uma conta reserva. Mas, se quitar todas as dívidas, clube passa a ficar com tudo.

Internacional

Pelo tempo de parceria, receitas de camarotes, Sky Boxes, publicidade estática fora do campo, naming rights, lanchonetes, um edifício garagem e 5 mil lugares Vips pertencem à empresa Brio, criada pela Andrade Gutierrez. O clube fica com a receita de bilheteria de 47 mil lugares, outro estacionamento e a exploração de área anexa ao estádio.

Palmeiras

Como explicado acima, a WTorre tem direito a todos os lugares Vips. Há uma discussão em relação a 35 mil lugares do estádio. O Palmeiras estima que essa questão represente R$ 700 milhões para o clube.

Modelo de negócios

Corinthians

Foi constituída uma rede de empresas para gerir o Itaquerão. Há o Fundo Imobiliário Arena II, que é de fato o gestor e o detentor de propriedades da arena. São sócios dele a empresa Arena Itaquera (criada pela Odebrecht), a Odebrecht e o Corinthians.

Internacional

Foi constituída uma empresa SPE Beira-Rio que toca a reforma e parte dos negócios do estádio. Seus donos são a Andrade Gutierrez e o Banco Pactual. O Internacional mantém um contrato com essa SPE que estabelece as condições e direitos no estádio de cada um.

Palmeiras

O clube tem um contrato direto com a WTorre que estabelece os direitos e deveres de cada parte. A construtora fechou parceria com a AEG para administrar a Arena Palestra.

Tempo de parceria

Corinthians

Está previsto que demore 161 meses para quitar a dívida. Caso isso se cumpra, o clube ficará atrelado aos parceiros Odebrecht e Econômica Federal por 15 anos.

Internacional

A parceria com a SPE Brio tem previsão de durar 20 anos.

Palmeiras

O contrato com a WTorre é por 30 anos.

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Corinthians terá renda reduzida no Itaquerão por 8 anos, e depois alívio
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O Corinthians terá renda reduzida e aperto financeiro no Itaquerão até o pagamento de metade de sua dívida, período que deve levar em torno de oito anos. Depois disso, haverá um alívio para o clube e provável aumento das receitas. Isso fica claro pelas condições do contrato feito com a Caixa Econômica Federal para viabilizar o empréstimo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O blog teve acesso aos acordos entre a Arena Itaquera e o clube, assinados em novembro de 2013. Esta é a terceira reportagem sobre o assunto.

Pelo contrato, todas as rendas do estádio, incluindo bilheteria, são destinadas prioritariamente a uma conta para pagar o empréstimo de R$ 400 milhões feito pelo BNDES. Com os encargos da Caixa, mais os juros, as taxas são de 8,5% por ano pela cotação atual da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Ou seja, a estimativa é de que o clube tenha que pagar em torno de R$ 60 milhões por ano no início.

Fora isso, os documentos do fundo do estádio estabelecem que a construtora Odebrecht é a segunda na ordem de prioridades para receber rendas do estádio. Até porque também emprestou dinheiro para levanta-lo. Ainda tem que se pagar os custos de manutenção, estimados em R$ 30 milhões.

Se houver sobra dessas mordidas, a renda seria destinada ao Corinthians. Mas, pelo contrato com a Caixa, fica estabelecido que 50% da receita que seria distribuída para o clube deve ser destinada a uma conta reserva para apressar o pagamento do financiamento. Isso ocorre já agora no período de carência do empréstimo, que dura até junho de 2015.

Essa mordida de metade das rendas do Corinthians continua após o início do pagamento do empréstimo. Mas dura até a dívida cair a um patamar abaixo de R$ 200 milhões. É o que fica claro na cláusula nona, itens XVII e XVIII, sobre as obrigações da Arena Itaquera.

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Veja no contrato como o Corinthians tem que reservar parte das suas rendas no estádio para conta reserva para pagamento da dívida

Veja no contrato como o Corinthians tem que reservar parte das suas rendas no estádio para conta reserva para pagamento da dívida

No programa “Bola da Vez”, da ESPN Brasil, Andrés Sanchez confirmou que o clube ficava com 50% da receita que sobrasse do pagamento das dívidas.

Há um detalhe: as rendas obtidas com direitos sobre o nome (naming rights) serão integralmente para pagar o empréstimo. Não vão para o caixa do clube até que a dívida esteja quitada.

Bom, para o pagamento do débito, a tabela adotada no financiamento do Corinthians é descrescente e flutua de acordo com TJLP (Taxa de Juros a Longo Prazo). Ou seja, as prestações começam mais altas e vão ficando mais baixas. Em uma simulação da fórmula adotada, o clube deve levar em torno de 80 meses para baixar dos R$ 200 milhões a sua dívida. Somado esse período a mais um ano de carência, serão praticamente oito anos para se livrar desta mordida.

Só que a diretoria corintiana terá de levar em conta também pagamentos a serem feitos a Odebrecht, já que a obra custará R$ 1,15 bilhão, nas palavras de Andrés Sanchez. Ou seja, também será importante saber quando a construtora, de fato, deixará o negócio com todos os seus débitos quitados, o que é difícil determinar atualmente.

Pelo contrato, quando a Odebrecht sair da sociedade da Arena Itaquera, o Corinthians pode passar a ter até 90% das receitas restantes do seu estádio. Mas, para isso, tem que atender um índice de cobertura da dívida em uma fórmula que leva em conta a receita líquida do estádio e as prestações do débito.

De novo, quanto mais tempo passar, as parcelas serão menores e será mais fácil atingir esse índice. Basta dizer que, por volta do meio do financiamento, que tem total de 161 meses, os pagamentos anuais do clube já devem cair para menos de R$ 50 milhões por ano.

Tudo dependerá também da receita total do estádio. Andrés Sanchez tem feito contas de que consegue pagar todas as dívidas com arrecadação de bilheteria. Nas projeções do clube, há uma estimativa de até R$ 290 milhões anuais com todas as receitas. Mas há contas mais pessimistas dentro do clube que falam em R$ 100 milhões.

É fato que, pelo contrato, o futuro de receita de bilheteria do Corinthians estará atrelado ao Itaquerão. Não há volta. Pelo acordo, o clube é obrigado a jogar 90% das suas partidas como mandante no estádio.

Há uma previsão de que não entram nesta conta partidas tiradas do estádio por conta de punições da Conmebol ou da Justiça Desportiva. Mas, mesmo quando atuar em outras arenas, o Corinthians destina a renda para pagar a dívida. Veja no trecho abaixo do contrato:

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Por meio de sua assessoria, o blog questionou Andrés Sanchez para saber sobre as projeções atuais de receitas do estádio, assim como seu efeito para as finanças do clube, mas ele não foi encontrado. Diretores do Corinthians também não responderam ligações para falar sobre o assunto.

Ressalte-se que, até o momento, nenhuma das outras rendas corintianas, direitos de transmissão e patrocínio, são afetadas pelo estádio. A bilheteria representa entre R$ 30 milhões e R$ 35 milhões da receita anual do Corinthians nos últimos anos. Isso significa entre 10% e 15% do total. Mas mesmo assim, quando há problemas com falta dessas rendas, o clube costuma sofrer.

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Por contrato, Caixa controla Itaquerão e pode excluir Corinthians
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Firmado para viabilizar a verba do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa Arena Itaquera dá ao banco total controle sobre os negócios do Itaquerão. Mais do que isso, há uma previsão de que a instituição financeira pode excluir o Corinthians da operação do seu estádio.

Isso está determinado no contrato e no aditivo entre o banco e a empresa aos quais o blog teve acesso. O clube assina o acordo como interveniente. Baseada nesses documentos, será publicada uma série de reportagens sobre os termos do compromisso.

O pagamento do empréstimo do BNDES, de R$ 400 milhões, tem que ocorrer a partir de junho de 2015. O período para quitação é de 161 meses, com previsão de conclusão até 2028. Até lá, ou até o final da dívida, a Caixa tem grande poder sobre o estádio.

Esse controle se dá, primeiro, pela Arena Itaquera, empresa criada pela Odebrecht para ser a principal sócia do fundo que administra o estádio. Pela cláusula sétima, que trata das garantias, todas as cotas senior do fundo pertencentes à empresa são garantias do pagamento da dívida com o BNDES. Ou seja, se não houver pagamento, a Caixa se apropria delas.

Também nas garantias está determinado que, em caso de inadimplência, o banco assume o direito de voto do Corinthians no fundo do estádio. Para isso, o clube assinou uma procuração para a instituição. Com esses dois instrumentos, a Caixa passa a ter a maioria dos votos nas decisões da administração do fundo e, portanto, do estádio. É o que ocorre em caso de falta de pagamento.

Outras garantias de que a Caixa pode tomar posse nesta hipótese são o terreno do próprio estádio, e parte da sede do Corinthians no Parque São Jorge.

Além disso, o banco pode pedir a exclusão do clube da operação do estádio, respeitadas as condições do acordo entre corintianos e a Arena Itaquera. Se o Corinthians não for retirado da gestão após o pedido, a Caixa pode executar todo o valor da dívida de uma vez só, sem desembolsar mais nenhum dinheiro. É o que diz o item k da cláusula 17a do contrato.

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O contrato de comercialização, entre Corinthians e Arena Itaquera, não foi obtido pelo blog.

Mas fica claro que pelos termos do acordo de empréstimo que sequer é necessário que exista qualquer inadimplência para a Caixa controlar os negócios do estádio.

Pelas cláusulas, é o banco que vai administrar as contas em que estarão depositados todos os recursos originários do Itaquerão. Isso inclui direitos sobre nome, lanchonetes, aluguéis e bilheterias. Assim, pode garantir que o dinheiro seja usado prioritariamente para quitação do empréstimo.

Além disso, todos os negócios importantes do estádio têm que ser submetidos ao banco. Isso está explícito na cláusula nona do acordo. Por esse trecho, o fundo tem que obter aval para seu contrato com o operador do estádio (Corinthians), acordos de manutenção, venda de direitos sobre o nome, entre outros.

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Pelos termos do acordo, também terá de ser contratada uma auditoria independente para acompanhar o trabalho de comercialização das propriedades do estádio. Todos os contratos de exploração da arena têm que ter a conta da Caixa para depósito. Até porque os direitos sobre o nome do estádio, por exemplo, irão integralmente para pagar o empréstimo enquanto este não for quitado.

Também é obrigatória a apresentação de relatórios sobre o andamento da obra, assim como da execução financeira dessa. Com todos esses itens, a Caixa garante um controle completo sobre o negócio para receber o pagamento do dinheiro. Basicamente, se houver inadimplência, o Corinthians pode perder tudo a critério do banco.

O documento é assinado pelo presidente do clube, Mário Gobbi, e pelo diretor financeiro, Raul Corrêa e Silva. Além disso, a Odebrecht, o Fundo Arena Imobiliário FII, a Arena Itaquera, o Jequitibá Patrimonial e a Caixa são assinantes do contrato.

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A conselheiros, Andrés diz que Itaquerão custará R$ 1,150 bilhão
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Em reunião nesta segunda-feira à noite, Andrés Sanchez, responsável pela obra da arena corintiana, afirmou ao Conselho Deliberativo do Corinthians que o Itaquerão terá custo final de R$ 1,150 bilhão. Esse número representa um acréscimo de R$ 330 milhões em relação ao valor inicial orçado, que era de R$ 820 milhões.

Mas conselheiros se mostraram confiantes de que há condições de pagar a conta. O aumento confirmado por Andrés já vinha se anunciando por conta de custos crescentes pela operação financeira do estádio, pela obra, e por impostos. É a primeira vez que o dirigente confirma aos conselheiros o provável custo final da obra, e explica como vai bancá-la.

Entre os itens que encareceram o projeto, estão juros de R$ 110 milhões em empréstimos com bancos e com a empreiteira Odebrecht. O blog apurou que ainda deve haver uma revisão do preço da obra em si – está em negociação um aditivo no contrato de construção com acréscimo em torno de 10%. Só ai a conta já utrapassaria R$ 1 bilhão.

Impostos que tiveram de ser pagos e não estavam orçados – porque haveria benefício fiscal – também foram incluídos no preço final. Outra questão é que a Odebrecht vai participar da obra para adaptação do estádio para o clube após a Copa-2014, o que representa novo acréscimo.

Além do aumento de custo, Andrés apresentou aos conselheiros a expectativa de arrecadação do estádio. Pela sua tese, já antecipada pelo blog do Juca Kfouri, basta uma ocupação de pouco mais de 50% do estádio para bancar todos os empréstimos e a construção. Na ocasião, ele estimava o gasto final do estádio em R$ 1,050 bilhão.

A projeção otimista da diretoria corintiana é de uma arrecadação total de quase R$ 300 milhões por ano com a arena, incluindo venda de direitos sobre nomes, camarotes e outras propriedades. Todo o dinheiro ganho irá prioritariamente para o pagamento da Caixa Econômica Federal/BNDES e para a Odebrecht.

As explicações de Andrés convenceram os conselheiros corintianos que o aplaudiram ao final da reunião. Não houve questionamentos pesados ao dirigente.

“Ele explicou toda a forma de arrecadação. É claro que não é exato porque depende do fluxo do público”, afirmou o presidente do Conselho, Ademir de Carvalho. “Há a ideia de ficar com as arquibancadas provisórias após a Copa. Vai depender do custo. Tem que verificar se é a melhor forma de operar o estádio, se tem fluência de público.”

Pela explicação de Andrés, o clube terá de pagar de fato um valor em torno de R$ 700 milhões. Isso porque, do total de R$ 1,150 bilhão, será descontado o valor dos CIDs da prefeitura, que totalizam R$ 420 milhões. O valor a ser arrecadado com os títulos, no entanto, depende se haverá desconto, o que geralmente ocorre.

“Ele (Andrés) foi muito aplaudido. Não houve questionamentos sobre o estádio”, acrescentou o conselheiro Alexandre Husni.

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Maioria das mortes da Copa ocorre em estádios com obras apressadas
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A morte do operário Fabio Hamilton da Cruz, enquanto montava estruturas provisórias do Itaquerão, é mais uma em acidentes em estádios da Copa-2014 com obras aceleradas por conta de atrasos. Dos oito óbitos, seis aconteceram em momentos de pressa dos construtores para cumprir prazos da Fifa.

O acidente de sábado ocorreu na instalação dos 21 mil lugares provisórios para o Itaquerão receber a abertura. Na sexta-feira, o blog mostrara que a previsão para a entrega dessas estruturas era 30 de abril, além do prazo inicial que o clube prometera o estádio para a Fifa. Essas obras são de responsabilidade da Ambev e do governo do Estado.

O outro acidente no Itaquerão aconteceu em novembro de 2013 quando caiu um guindaste e matou dois operários: Ronaldo Oliveira dos Santos e Fábio Luiz Pereira.

A investigação do Ministério do Trabalho mostrou que o operador do guindaste estava há 18 dias sem folga. Também foi constatado que a Odebrecht impunha número excessivo de horas extras aos trabalhadores, o que teve de ser reduzido. Havia uma pressão da Fifa para receber a arena em 5 de janeiro.

Já a Arena Amazônia foi o estádio mais letal com quatro mortes. Pois, o Estado do Amazonas decidiu apressar a construção da arena no meio do ano passado: passou a estender a operação de instalação da cobertura até a noite. O objetivo era terminar tudo em 2013.

Desde então, morreram três operários no estádio. Foram dois em um mesmo dia, no dia 14 de dezembro. Um deles, Marcleudo de Melo Ferreira, estava justamente instalando refletores durante a madrugada, o que foi proibido posteriormente. O outro, José Antônio da Silva Nascimento, morreu de infarto enquanto fazia terraplanagem e limpeza de terreno anexo.

A obra não acabou em 2013 e mais um trabalhador faleceu no local em fevereiro deste ano quando havia uma corrida para encerra-la. Antônio José Pita Martins sofreu um acidente quando atuava na desmontagem de um guindaste.

As outras duas mortes foram em Brasília, no meio de 2012, e em Manaus, no início de 2013, quando não havia aceleração das obras.

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