Blog do Rodrigo Mattos

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Licitação de Maracanã se aproxima, mas estádio próprio do Fla deve demorar
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Enquanto toca em separado as possibilidades de estádio, o Flamengo vê mais próxima a licitação do Maracanã, mas o projeto do seu estádio próprio na Gávea deve demorar. A prefeitura do Rio reafirmou apoio ao projeto mesmo após as críticas do AMA Leblon. O governo do Estado aponta uma concorrência pelo Maracanã em estágio avançado.

Houve uma audiência pública nesta segunda-feira para discussão de legado da Olimpíada. Na reunião, o presidente da Suderj (Superintedência de Desportos do Rio de Janeiro), Leonardo Morais, confirmou que deve ser realizada a nova licitação pelo estádio, após desistência da Largadère em compra-lo da Odebrecht. E indicou que isso pode acontecer em breve dependendo da Casa Civil terminar o edital.

“Ao que tudo indica, o governo do Estado deve fazer o edital. A gente tem ciência de que está bem avançado. Deve-se separar o Maracanã de outros equipamentos como o Julio de Lamare”, contou Morais.

O blog apurou que o governo do Estado do Rio entende ter condições de romper com a Odebrecht sem interferir na disputa em tribunal de arbitragem entre as partes. A partir daí, caberia decidir os termos da licitação. Há a indicação de que não se mexerá nos dois equipamentos tombados, Julio De Lamare e Célio de Barros, cuja pista nem sequer existe mais. Nem o Maracanãzinho deve entrar no pacote. Restaria portanto o aproveitamento do Maracanã e a área de seu anel.

Em relação ao estádio do Flamengo na Gávea, que tem uma manifestação de boa vontade da prefeitura, o processo deve ser mais demorado. Foi o que sinalizou a subsecretaria de Esportes, Patricia Amorim, que defendeu o projeto após as críticas de associação de moradores do Leblon.

“Do que eu conheço do Iphan, deve demorar mais de um ano. Só pode ser aprovado pela prefeitura depois que passar pelo Iphan”, contou Amorim, que é ex-presidente do Flamengo. Portanto, ela acredita ser muito difícil que se inicie uma construção em 2017, prevendo que isso só deveria ocorrer em 2018.

A subscretária contou que o Flamengo vai apresentar o projeto dentro dos termos acordados, com isolamento acústico, sem estacionamento e que seja de até 25 mil lugares. Portanto, ela minimizou as críticas do AMA Leblon sobre impacto de trânsito. “Os jogos ocorrem em horários e dias fora dos períodos de mais trânsito. E ali é servido com opção de transporte público”, completou, acrescentando que o projeto seguirá todos os trâmites na prefeitura.

Dirigentes do Flamengo, Rafael Strauch e Alexandre Wrobel, estiveram na audiência pública para discutir a Olimpíada, mas se retiraram antes do final por outros compromissos.


Após Copa e Jogos, reparo na cobertura do Maracanã pode custar R$ 60 mi
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A solução para a futura gestão do Maracanã ganhou um novo obstáculo com a revelação de danos extensos na cobertura do estádio. A pedido da Odebrecht, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) fez um laudo sobre o teto do estádio constatando problemas em um quinto dos painéis a maioria causado pela Copa-2014 e a Olimpíada-2016. Não está no relatório, mas os custos para consertos podem chegar a R$ 60 milhões.

Para se atingir esse cálculo, é preciso primeiro lembrar dos danos causados pelos fogos da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo. Os custos para consertos foram de R$ 16 milhões. Esse dinheiro foi pago pela Fifa para a Odebrecht para cobrir o seguro da cobertura, após um laudo da consultoria SBP.

Os consertos, no entanto, nunca foram feitos pela Odebrecht. A empreiteira alega que o governo do Estado pediu que não fosse feito antes em 2016 por conta do período olímpico. Teoricamente, o dinheiro está no caixa da Odebrecht para pagar pelos reparos.

O laudo do IPT estabeleceu que houve o triplo de danos aos painéis da cobertura com os fogos das cerimônias de abertura e encerramento, nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Até porque foram quatro eventos.

A Odebrecht afirma que avisou o Comitê Rio-2016 que não poderia haver excesso de fogos na cobertura por orientação do fabricante da cobertura. O Comitê alega ter um laudo do SBP dizendo que não houve danos com a queima de fogos.

Fato é, com o triplo de danos causados na Olimpíada em relação à Copa, a cobertura necessitaria do triplo de investimento. Assim, o valor de R$ 16 milhões seria multiplicado por quatro, segundo cálculos de fontes envolvidas com a questão do estádio. Ou seja, atingiria um total em torno de R$ 60 milhões.

A Odebrecht pagará um quarto disso, mas responsabiliza o Comitê Rio-2016 pelo restante. O comitê, além de negar culpa, está sem dinheiro até para pagar suas próprias dívidas. E, no final da linha, uma despesa além do seu limite recairá sobre os cofres públicos que têm que bancar déficit de seus orçamentos. Responsável pelo estádio, o governo do Rio ainda não se pronunciou sobre o laudo.

Para piorar, o conserto da cobertura implica em tempo do estádio fechado. Não seriam períodos longos, mas certamente afetarão os clubes cariocas que têm atuado com frequência no estádio. Em resumo, a equação para encontrar uma solução para o Maracanã se torna mais cara.


Empresa desiste de comprar Maracanã; destino é licitação ou municipalização
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A Lagardère desistiu da compra da concessão do Maracanã da Odebrecht, deixando em aberto o futuro do estádio. O futuro do estádio terá de ser definido por uma nova licitação ou por uma municipalização desejada pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella. O Flamengo quer a nova concorrência, e o Fluminense fazia acordo com a empresa francesa.

Há três semanas o governo do Estado do Rio deu sinal de que recuaria da aprovação à venda do estádio, optando por uma nova licitação. Não havia uma palavra final, mas era uma tendência. Isso ocorreu após as revelações das delações da Odebrecht que apontavam propina nos processos licitatórios da concessão.

Os franceses já tinham até um memorando de entendimento assinado com a Odebrecht para a compra do estádio por R$ 60 milhões. Mas a indefinição do governo do Estado levou os a desistir da aquisição. Eles, no entanto, não desistiram completamente do Maracanã

Agora, há dois caminhos para o Maracanã: um deles é a nova licitação em que o Flamengo e seus parceiros estão interessados, já que o clube se recusava a jogar se a Lagardère mandasse no estádio.

“É uma decisão deles (Lagardère), não nos cabe comentar. O Flamengo continua defendendo uma nova licitação e participará dela dependendo das condições do edital”, afirmou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Outra possibilidade surgiu na semana passada quando o prefeito Marcelo Crivella manifestou ao governo Luiz Fernando Pezão a intenção de municipalizar o estádio. O Estado do Rio exigiria um pagamento por isso, mas a prefeitura é credora de dívida com o governo por ter ajudado na crise financeira. O plano seria assumir e acertar uma parceria com os clubes. Houve troca de mensagens entre o governador e o prefeito sobre o tema.

Mas a Largadère também está em discussão com o prefeito em relação ao estádio. E ainda estuda se pode entrar com um processo judicial para tentar ganhar o Maracanã alegando ser a segunda colocada na licitação que deu vitória à Odebrecht. Só que seu parceiro à época era a OAS, que está em recuperação judicial.

A diretoria do Flamengo informou que tem conhecimento da intenção do prefeito e que estava disposta a colaborar com ele. Mas, em paralelo, os dirigentes rubro-negros negociam terrenos e liberações para um estádio próprio. Essa será a alternativa se considerarem que as condições de concessão e os custos do Maracanã são inviáveis para o clube. Também existe essa discussão com o prefeito.

O Fluminense também tinha um projeto de estádio próprio. Sua diretoria ainda não quis se pronunciar sobre a desistência da Laragadère. As duas ideias de estádios dos dois times são embrionários, sem terreno certo ou forma de financiamento.


Presidente do Fla reclama de custo do Maracanã: ‘Estamos sendo espoliados’
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Apesar dos resultados esportivos positivos, o Flamengo está bem insatisfeito com o modelo de parceria com a Odebrecht para o uso do Maracanã. Dirigentes rubro-negros reclamam que ficam com um percentual pequeno da renda enquanto uma grande fatia vai para a empresa manter o estádio.

Um exemplo foi o Fla-Flu em que apenas um terço ficou para os clubes. Assim, o total das despesas foi de R$ 2,160 milhões, sendo mais de R$ 600 mil de aluguel. Na Libertadores, o Flamengo deixou mais de R$ 7 milhões para a Odebrecht em três jogos.

“Estamos sendo espoliados no Maracanã”, contou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. “Esse modelo não dá para ser mantido. Se for assim, não dá.”

A Odebrecht entende que o modelo atual é o único para financiar a manutenção do estádio enquanto o governo do Estado do Rio de Janeiro não decide se faz uma nova licitação ou aceita a venda do equipamento. O problema é que essa fórmula pune reduziu consideravelmente os ganhos percentuais dos clubes considerados os contratos com a própria empreiteira.

Neste formato, a diretoria rubro-negra pretende repensar se vai continuar a atuar no Maracanã ou se leva as partidas para a Arena da Ilha, que deve estar liberada para jogos nas próximas semanas. Faltam adaptações pedidas pela polícia e corpo de bombeiros para isolamento da entrada de torcedores rivais.

Os dois próximos jogos estão marcados para o Maracanã. A possibilidade de levar as partidas maiores para Ilha implicará em uma mudança na política nos preços dos ingressos. Ou seja, bilhetes podem ser mais caros para obter a renda similar a do estádio mais tradicional e maior.

Outros aspectos a serem considerados são técnicos. A diretoria pretende ouvir a comissão técnica. “O gramado está perfeito, e a torcida fica bem próxima. Precisamos treinar lá para saber como vai ser”, contou o diretor de futebol, Rodrigo Caetano.


Fla vê sinal de licitação do Maracanã, e Flu tem entendimento com Lagardère
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Adversários na final do Estadual, Flamengo e Fluminense planejam rumos diferentes para o palco da final, o Maracanã. A diretoria rubro-negra vê sinais de uma nova licitação para o estádio, e a tricolor já tem um entendimento alinhado com a Largadère se esta assumir o estádio por venda. O governo do Estado não decidiu o que fará com o Maracanã.

Primeiro, é preciso lembrar que os dois rivais têm perfis diferentes de torcida e jogos. O Flamengo tem uma torcida maior, gera mais receita e por isso quer participar da administração do estádio. O Fluminense tem um contrato em vigor que reduz suas despesas ao atuar no Maracanã e pretende usa-lo só em uma parte dos jogos.

A diretoria rubro-negra está atenta às movimentações do governo do Estado do Rio de Janeiro. E trabalha com a informação de que pode ser lançada em breve uma nova licitação para estádio, anulando a concessão da Odebrecht em seguida.

Os dirigentes do Flamengo, no entanto, não sabem quais seriam as regras da nova licitação e por isso não têm certeza se haverá interesse em participar desta. O plano econômico do clube para o estádio envolvia o uso de áreas internas do Maracanã para fins comerciais, como restaurantes, para poder aumentar receita e com isso pagar custos. Mas não se sabe se isso é possível.

Já a diretoria do Fluminense teve reuniões com representantes da Largadère e ficou encaminhado um entendimento entre as partes caso esta assuma o estádio. A ideia é que seja mantido o contrato com a Odebrecht com ajustes. Por exemplo, hoje, já valem aditivos que repassam uma parte das despesas ao tricolor e a ideia seria que uma parte dos custos portanto ficasse com o clube.

Em compensação, a empresa francesa acena com a viabilização de novas receitas de marketing do estádio para o Fluminense.  Não há, no entanto, nenhum contrato assinado entre as partes. E, no final das contas, a Lagardère sabe que o clube pode exigir a manutenção do atual contrato.

Outra diferença entre os clubes seria o uso do Maracanã. A intenção do Fluminense é utilizar o Maracanã apenas em partidas grandes, cima de 30 mil, ficando com Édson Passos para públicos menores. Isso reduz prejuízos em jogos no Maracanã com baixo público.

O Flamengo também planeja a Arena da Ilha para partidas menores, mas, se tiver o Maracanã, sua ocupação do estádio será bem mais intensa. Afinal, como o clube participaria da gestão, ocuparia espaços dentro do equipamento.

Enquanto espera a situação do Maracanã, o clube rubro-negro toca seus estudos sobre estádio próprio. Mas não há uma localidade definida, nem forma de financiamento.

 


Odebrecht tem plano provisório para Fla-Flu no Maracanã até nova licitação
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Diante da indecisão do governo em dar sequência à venda do Maracanã, a Odebrecht já traça um plano de gestão provisória do estádio juntamente com os clubes para viabilizar o estádio até uma nova licitação. A prioridade da construtora, no entanto, é concluir a transferência do equipamento para Lagardère e sair o mais rápido possível da administração.

Na semana passada, após as delações das Odebrecht que apontam suborno na concessão do estádio, o governo do Estado deu sinais de que recuaria do aval da venda do Maracanã para a Lagardère, optando por nova licitação. Isso atendia pleito do Flamengo, mas contraria o Fluminense. Haverá uma audiência pública na assembleia legislativa nesta tarde para tratar do assunto.

Uma grande questão era o medo de o Maracanã ficar abandonado e sem manutenção enquanto se arrastava um novo processo licitatório. Mas a visão da Odebrecht é que dá para viabilizar o cuidado provisório do estádio com a realização de jogos desde que exista colaboração de Flamengo e Fluminense.

O plano da construtora se baseia nas últimas partidas realizadas no estádio. Os aluguéis majorados e o pagamento de despesas operacionais pelos clubes, além deles ajudarem no trato ao gramado, tornaram possível custear as despesas do Maracanã.

Nas contas da Odebrecht, foram gastos R$ 3 milhões no Maracanã desde que a empresa reassumiu o estádio em fevereiro. Desse total, R$ 1,7 milhão foram vitalizados pelo Flamengo em seu primeiro jogo da Libertadores. O restante do dinheiro saiu de outros alugueis de partidas e do caixa da empresa. A empresa Maracanã SA tem recursos em caixa por conta do pagamento do empréstimo do clube rubro-negro.

De resto, a Odebrecht entende ter encontrado um modelo viável de forma provisória com o Fluminense pagando R$ 100 mil de aluguel, mas despesas operacionais, e o Flamengo, R$ 250 mil, mais as despesas. Em jogos maiores, como o com ao Atlético-PR pela Libertadores, o aluguel sobe para R$ 700 mil para pagar o estádio. Não há mais patrocinadores ou receitas extras.

Mas assim se cobre a luz. O gramado tem sido mantido pela Greenleaf, a mesma que atende o Flamengo e o Fluminense, e foi acertado um pacote conjunto.

O restante serve para manter 50 pessoas terceirizadas que fazem serviços de limpeza e segurança do estádio. Foram ainda colocadas cadeiras nos lugares no setor leste. Em visita, o blog constatou que o estádio está limpo, com serviços de limpeza e segurança sendo executados, e sem entulhos acumulados. Há, no entanto, reparos a fazer na cobertura de R$ 16 milhões, remodelagem de camarotes, etc.

A intenção da Odebrecht é concluir a venda para a Lagardère, que ameaça até processar o governo do Estado caso desista da transferência. Já foi assinado até um memorando de entendimento pelo qual a empresa francesa pagaria R$ 60 milhões, a maioria em despesas no estádio e pagamento de outorga ao governo do Rio.

Caso o governo não dê aval ao negócio, a Odebrecht pretende sentar para conversar com Flamengo e Fluminense, e com o governo do Estado para traçar em definitivo um plano provisório. A ideia seria exigir uma data definitiva para a licitação e para entrega ao estádio. E, com o clube, discutir regras como as atuais para bancar o funcionamento do Maracanã até lá.


Governo do Rio deve fazer nova licitação para concessão do Maracanã
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Com Vinicius Castro

O governo do Estado do Rio de Janeiro deve decidir por fazer uma nova licitação para concessão do Maracanã, anulando assim a venda da estádio da Odebrecht para a Lagardère. A tendência do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, é por conta de posição da procuradoria do Estado que recomenda a anulação da concessão por suspeitas de propina reveladas pela delações de ex-executivos da Odebrecht. A informação foi publicada primeiro pela Veja como certeza de nova licitação. O blog confirmou que isso deve acontecer, mas não que há uma decisão definitiva.

Oficialmente, em nota, o governo diz que avalia todas as possibilidades: “O governo do Estado avalia todas as alternativas existentes quanto ao uso e gestão do equipamento, sempre observadas condicionantes legais aplicáveis e o atual estágio do contrato de concessão em vigor.”   A procuradoria do Estado não quis se pronunciar.

A Lagardère ainda não falou porque não existe uma decisão. Mas, extraoficialmente, há a informação de que pode haver uma disputa jurídica caso o governador confirme seu recuo sobre a venda.

Desde o ano passado, o governo do Estado tem mantido como duas opções a nova licitação ou a transferência direta feita pela Odebrecht. Decidiu-se pela segunda opção para economizar tempo e até credenciou as empresas Lagardère e GL Events para substituir a Odebrecht. A segunda empresa saiu do processo por não concordar com os termos a primeira firma francesa fechou um acordo com a construtora.

Lagardère já está há 12 dias dentro do Maracanã, e seus executivos vieram ao país para assinar o contrato definitivo. Faltava o aval do governador Pezão para a transferência se tornar definitiva.

Mas, na semana passada, foram divulgadas as delações dos ex-executivos da Odebrecht. Entre elas, estava o depoimento de João Borba, ex-gestor do Maracanã, que afirmou ter recebido orientação para pagar para conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para liberar o edital de concessão. Já havia outra denúncia anterior de mesmo teor. O entendimento de juristas é de que, se for comprovada fraude no processo licitatório, ele se torna nulo, assim como contratos futuros vinculados a ele.

A Lagardère, no entanto, está com um corpo de advogados no Brasil e tem um entendimento de que tem direito ao estádio porque também ficou em segundo lugar na primeira concorrência vencida pela Odebrecht.

 


É inaceitável que Odebrecht possa vender Maracanã após delações
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Tornadas públicas nestas semana, as delações de ex-executivos da Odebrecht admitiram uma série de atos de corrupção em relação ao Maracanã: fraude na licitação, pagamento de propina pela obra, suborno pela concessão. Diante dessas revelações, não dá para considerar aceitável que a empresa tenha direito de vender sua concessão e ainda sair com R$ 20 milhões do estádio. Nem dá para admitir que o modelo viciado de PPP seja mantido com poucos ajustes com outra empresa.

Vamos aos fatos. Foram cinco delações de ex-executivos da Odebrecht envolvendo o Maracanã. Um dos ex-executivos aponta que o edital de obra já foi armado para a empresa vencer. Depois, outros membros da construtora indicam pagamentos de propina ao ex-governador Sergio Cabral durante a obra.

O valor da obra saltou de R$ 400 milhões previstos incialmente para R$ 1,2 bilhão. Uma parte deve-se a exigências esdrúxulas da Fifa, mas há indícios de superfaturamento apontados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Tribunal, por sinal, que perdeu a credibilidade ao ter seis membros presos.

Em sua delação, o ex-executivo da Odebrecht João Borba Filho afirmou que teria de ser pago propina um conselheiro do TCE para liberar o edital de concessão do estádio. O edital foi moldado de acordo com instruções de empresa de Eike Baptista, outro preso por relacionamento impróprio com o ex-governador Sergio Cabral. Borba Filho tornou-se o presidente da empresa gestora do Maracanã.

Essas delações geram um inquérito e uma apuração para conferir se é tudo verdade. Mas não dá para o governo do Rio aprovar uma venda de uma concessão com todos os indícios de ter havido fraudes do início ao fim do processo. Se a própria Odebrecht admite ter pago propinas, é muita cara de pau da empresa ainda se achar no direito de lucrar com a venda.

A Odebrecht já tem um acordo de venda para a empresa Lagardère. Agora, depende de um aval do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para concretizar o negócio. Ora, o próprio Pezão é acusado por ex-executivos da construtora de receber dinheiro ilegal – ele nega. Sob grave suspeita, como pode conceder o estádio por mais 30 anos e beneficiar a Odebrecht?

Não está aqui se questionando o direito de a Largadère almejar ter o estádio. A empresa tem lá os seus problemas, mas a outra concorrente GL Events também tinha. Nada que as impedisse de assumir a gestão já que é uma empresa francesa grande com o capital, e know-how na área de gestão de estádio. E não há acusação de corrupção grave sobre ela.

Mas um acordo confidencial com a empresa que corrompeu todo o processo do Maracanã não é a forma ideal. A própria Lagardère sabe os males de concorrência desonesta já que foi prejudicada e ficou em segundo na disputa para o Maracanã perdendo para Odebrecht.

E as regras de concessão que valeriam para a Lagardère são exatamente as mesmas do edital de licitação viciado por pagamento de propinas pela Odebrecht. Essas normas têm que ser todas revistas porque não foram feitas pensando no bem público, mas em favorecer a empreiteira que comprou quase todos os políticos do país.

Uma prova de que esse modelo fracassou é que nem a Odebrecht, com sua rede de propinas, conseguiu ganhar dinheiro no estádio. É hora de sentar com os grandes clubes do Rio, realizar audiências públicas, discutir com empresários e estabelecer um modelo transparente para uma nova concorrência para o Maracanã.

“Ah, vai demorar e o estádio vai se deteriorar porque o governo não tem dinheiro”. A verdade é que o Estado teve muito tempo para fazer uma licitação já que esse imbróglio se arrasta há mais de um ano. Contratou consultoria da FGV com esse fim, e nada fez. É hora de sair da letargia e fazer um processo sério e transparente para a população.

Enquanto isto não se concluir, o governo pode estabelecer um modelo de emergência para gestão e manutenção do estádio que envolva os clubes, seus principais usuários. Que tal sentar com Fluminense, Flamengo e Vasco e discutir a viabilidade de uma solução provisória (o Botafogo tem o Engenhão)? Uma parte da renda dos jogos e shows poderia ser usada para manutenção.

Essa é só uma ideia, deve haver outras melhores. O mais importante é que, após tudo que se ouviu das delações, o primeiro passo do governo tem que ser buscar a expulsão da Odebrecht do estádio na Justiça sem direito a receber nada. E depois se construir um novo futuro para o Maracanã. Não dá para quem corrompeu quase todo o país ainda ter direito a participar da decisão sobre quem fica com um patrimônio público de R$ 1,2 bilhão tão importante para o povo carioca.


Executivo do Maracanã negociou propina para gerir estádio, aponta delação
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O ex-presidente da Maracanã S/A João Borba Filho participou do pagamento de propinas para liberar a concessão do estádio e pelas obras do complexo. Essa informação consta do inquérito revelado no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o Maracanã – essa investigação deve ir para o STJ. Borba negociava questões da gestão do estádio justamente com os políticos com quem tinha acertado pagamentos ilícitos.

O inquérito sobre obras e concessão do Maracanã tem base em oito depoimentos de cinco ex-executivos da Odebrecht. São eles: Benedicto Junior, Leandro Azevedo Soares, Luiz Eduardo Soares, Marcos Vidigal Amaral e João Borba.

Depoimentos de Benedicto Junior e João Borba apontam o pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral pela obra do Maracanã. Inicialmente, ele teria pedido 5%, mas foram feitos pagamentos menores e que também se relacionavam a outras obras.

Em uma de suas delações, Benedicto Junior afirmou que houve propina de R$ 4 milhões em relação à obra do estádio. Outro ex-executivo da Odebrecht Marcos Vidigal Amaral apontou que Cabral recebeu vantagem indevida para “restringir a competitividade da licitação da obra da Maracanã”. Ou seja, pagou para armar a concorrência e depois na realização da obra.

Esses pagamentos por obras, em parte, foram feitos por meio de João Borba, o gestor do Maracanã. Em outro depoimento, ele afirmou que acertou com Wilson Carlos, então secretário do governo do Rio, o pagamento da propina a Cabral. Depois, os dois negociavam questões da concessão do Maracanã.

“No período em que eu estava no Maracanã, quando a concessão deu problema, muitas vezes tinha reunião com ele. Totalmente republicana”, afirmou Borba em sua delação, alegando que não havia irregularidades nestas conversas posteriores. Ele era o presidente da Maracanã SA, empresa da Odebrecht, neste momento.

Além disso, o próprio João Borba Filho admitiu participação no pagamento de propina ao Tribunal de Contas do Estado para liberar a concessão do Maracanã.

“No Termo de Depoimento no 7 de JOÃO BORBA FILHO há a afirmação de que WILSON CARLOS CORDEIRO DA SILVA CARVALHO, então Secretário do Governo de SERGIO CABRAL FILHO, avisou-lhe que a Odebrecht precisaria “acertar” a quantia acordada com o Tribunal de Contas no rio de Janeiro (TCE-RJ) para a liberação do edital.”, diz trecho do inquérito sobre o Maracanã.

Em seguida, há o depoimento de Leandro Azevedo Soares sobre a solicitação de vantagem indevida por parte do conselheiro Jonas Lopes relacionada a obras do Maracanã.

Como gestor do Maracanã, Borba negociou contratos com clubes para a utilização do estádio, além de conversas com o governo do Estado.

Atualmente, a Odebrecht fechou um acordo com a Lagardère para repassar a concessão do estádio com recebimento de cerca de R$ 20 milhões, fora despesas. O negócio depende do aval do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, também envolvido em delações da Odebrecht.


Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.