Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Maracanã

Fla fecha acordo e deve voltar a jogar no Maracanã pela Libertadores
Comentários Comente

rodrigomattos

A diretoria do Flamengo chegou a um acordo com a Odebrecht e deve voltar a jogar pela Libertadores no Maracanã diante do Atlético-PR, no dia 12 de abril. Falta a assinatura de um contrato com os termos acordados para o clube anunciar a nova partida da competição no estádio.

O blog não conseguiu apurar as condições acertadas entre as duas partes. É certo que o aluguel será mais baixo do que na primeira partida diante do San Lorenzo quando o clube pagou R$ 1,7 milhão para atuar. Até porque, desta vez, só será pago o aluguel e o clube não custeará despesas do estádio.

A ideia inicial do clube era jogar na Arena da Ilha, estádio construído com estruturas provisórias para o clube atuar lá. Mas houve avanços nas negociações em relação ao uso do Maracanã que tem maior capacidade de público.

Na primeira partida, o Flamengo teve uma renda de R$ 3,7 milhões diante do San Lorenzo. O problema é que, com o alto custo, ficou com apenas R$ 638 mil de lucro. Depois disso, houve negociações com a Odebrecht que já tinha abaixado para valores em torno de R$ 600 mil o aluguel para jogos do Carioca.

Ressalte-se que, pelas regras da concessão, a concessionária não pode cobrar alugueis abusivos para uso do Maracanã. E, antes de desistir da gestão do estádio, a Odebrecht cobrava valores bem inferiores aos praticados atualmente para reabri-lo em 2017.


Como empresa de Eike tem papel central no fracasso da gestão do Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Há cinco anos a empresa IMX então de propriedade de Eike Batista entregava ao Estado do RJ um estudo sobre a viabilidade financeira do Maracanã. Baseado na análise, o governo criou um modelo de concessão do estádio que acabou nas mãos da Odebrecht e da mesma empresa. Ignorou uma série de problemas no documento que resultam justamente no fracasso e nos danos atuais ao maior palco do futebol carioca.

Essa história é contada em uma série de documentos obtidos pelo blog no processo do TCE (Tribunal de Contas do Estado) sobre a concessão do estádio. Há ali avisos do tribunal ao Estado sobre falhas no relatório da empresa de Eike, obstáculos que foram ignorados e uma estimativa irrealista de receitas.

Não se pode esquecer ainda que todo esse processo de concessão está hoje sob suspeita visto que há uma investigação se Eike Batista pagou ao ex-governador Sergio Cabral ou aliados para ficar com o estádio. Uma apuração que ocorre em meio à “Operação Calicute” e que pode revelar que houve fraude nesta concorrência.

O governo do Rio, no entanto, defende que não houve fracasso na concessão do Maracanã. “Houve interesse do mercado, ágio sobre o preço pedido, além de um contrato atualmente em vigência”, diz a assessoria da casa civil, que considera o contrato vantajoso para o Estado.

Em 30 de março de 2012, quando entregou seu estudo ao Estado, a IMX traçava um cenário de céu azul para o estádio. A empresa afirmava ter “elaborado um modelo econômico-financeiro completo e flexível, que contempla todas as variáveis relevantes”.

Entre as premissas, a IMX observa que era essencial demolir Parque Julio Delamare e o Estádio Célio de Barros. Mas admite que ambos eram tombados e que isso impactaria no resultado final financeiro.

Em outubro de 2012, o então prefeito Eduardo Paes tirava o tombamento e permitia as demolições. Em junho de 2013, o governador Sergio Cabral assinava o contrato de concessão dando o Maracanã à Odebrecht e à IMX. Em agosto de 2013, Paes volta a tombar os equipamentos e põe por terra umas das premissas da concessão. Até isto acontecer o governo estadual ignorava o risco.

Em sua defesa, o governo do Rio alega que “é inerente a qualquer concessão a possibilidade de modificação do contrato por conta de fatos supervenientes à celebração do contrato.” Afirma que a Odebrecht aceitou as alterações, e enviou documento em que dizia que a concessão continuava atraente.

Essa não é a única falha da concessão como tem defendido. Em seu estudo, a IMX estimou R$ 154 milhões em receita média anual para o Maracanã pelos 33 anos. Nos três anos em que operou, o estádio gerou uma renda média de R$ 38 milhões, menos de um terço do total. Nunca ultrapassou R$ 55 milhões de receita. E não foram só as faltas de áreas que explicam esse fracasso.

Antes da concessão, em março de 2013, o TCE apontou que a IMX e o Estado não tinham enviado dados que comprovassem quais as bases para as estimativas de receitas. Entre elas, as receitas com ingressos, alugueis, estacionamento, patrocínio, alimentação. O tribunal afirmava que esses dados eram necessários para validar o contrato. O governo, porém, nunca enviou as informações alegando ser impossível obter esse detalhamento das receitas.

“Quanto à análise de viabilidade e do equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão não foram encaminhadas informações relevantes indispensáveis que demonstrassem a correta relanção entre as receitas previstas e as obrigações assumidas pelas concessionária”, contou o relator do TCE, José Gomes Graciosa, em voto em maio de 2016. E completa ao dizer que o Estado nunca provou serem confiáveis as informações em que se baseou para fazer a concessão.

O TCE só não determinou a anulação da licitação por entender que poderia deixar o estádio ainda mais tempo fechado. Mas essa era sua recomendação diante do que ocorreu. Até seu ex-presidente Jonas Lopes é suspeito de levar propina na análise do caso do Maracanã.

O governo do Rio rebate a acusação e defende que a IMX projetou corretamente o modelo de negócios do Maracanã “consideradas as circunstâncias existentes quando da instalação da licitação”. Questionado sobre a discrepância de estimativa e receita real, o Estado argumenta que não comenta as rendas obtidas já que o risco é da concessionária.

A atitude do Estado do RJ de ignorar os avisos e confiar apenas no estudo da IMX teve os seguintes resultados: 1) Aditivo do contrato em 2013 logo após assinatura para mudar condições e abrir mão de obras previstas; 2) Estádio nunca chegou perto das receitas estimadas na concessão 3) Sem receitas, Odebrecht se desinteressou, deixando o Maracanã deteriorado, abandonado e fechado.

Nesta situação, o Estado do RJ tenta executar uma transferência do Maracanã em concorrência com a Lagardère e GL Events nos mesmos termos da concessão fracassada, apenas com uma modificação por meio de aditivo nas obras. Ou seja, o novo dono do estádio seguiria com as mesmas regras que não deram certo traçadas pela empresa de Eike.

O governo do Rio, no entanto, defende as regras e ressalta que “entende que eventual transferência do controle acionário da concessionária, desde que respeitadas todas as exigências legais para tanto, não afetará o andamento do serviço.”

Questionada sobre a concessão e seus resultados econômicos, a Odebrecht não quis responder as perguntas do blog. Entre os argumentos apresentados anteriormente pela construtora para explicar o fiasco da concessão, estão as alterações das condições contratuais e do cenário econômico do país.

A IMX, que fez o estudo que baseou a concessão do Maracanã, não pertence mais a Eike Batista e mudou de nome. Ele está preso acusado de subornar o ex-govenador Sergio Cabral. Há mais de um ano que a Odebrecht decidiu sair do Maracanã e nem a empresa, nem o governo encontraram uma solução para o futuro do estádio.


Interessada no Maracanã, empresa francesa negocia parcerias com Vasco e Flu
Comentários Comente

rodrigomattos

Uma das concorrentes à gestão do Maracanã, a francesa Lagardère negocia parcerias com Vasco e Fluminense, além das conversas que já tinha com o Botafogo. A empresa estuda parcerias para o estádio e para o departamento de marketing dos clubes, ou seja, para levantar recursos para os times. Na Europa, esta tem negócios similares com Borussia Dortmund e PSG.

Ao se aproximar dos outros três grandes, a Lagardère minimiza a recusa do Flamengo em negociar com a empresa. O clube rubro-negro deu preferência ao outro consórcio, GL Events, e diz não negociar com a Lagardère.

As converas da empresa francesa com os clubes, no entanto, estão em compasso de espera da resolução da disputa com o Maracanã. Mas já foram discutidos alguns pontos com os clubes.

No caso do Vasco, a proposta é de fato para uma parceria no departamento de marketing. A informação dentro da Lagardère é de que o presidente vascaíno, Eurico Miranda, teria cobrado luvas para o negócios. Por meio da assessoria, vice de marketing do Vasco, Marco Antonio Monteiro, confirmou as conversas, mas disse que não houve pedido de luvas.

No caso do Fluminense, a Laragadère apresentou um plano para a utilização do Maracanã pelo clube com mudanças no contratual atual do clube. Aumentaria a participação do clube na gestão e em receitas, mas em troca o time tricolor teria de contribuir com despesas operacionais. Há também uma proposta de parceria de marketing com o time das Laranjeiras. Consultada pelo blog, a diretoria tricolor não se manifestou.

A Lagardère já tinha negociações com o Botafogo ao falar sobre parcerias para a gestão do Engenhão. A administração no departamento de marketing do clube alvinegro seria outra opção.

 


Flu tem direito a cobrar R$ 340 milhões se Odebrecht não abrir Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Trecho do contrato do Flu que lhe dá direito à multa caso Odebrecht não lhe ceda Maracanã

O Fluminense tem direito a cobrar uma multa de cerca de R$ 340 milhões da Odebrecht caso a empresa se recuse a abrir o Maracanã sem despesas para seus jogos. É o que está previsto no contrato entre as duas partes que está em vigor ao qual o blog teve acesso.

No momento, o clube e empresa negociam termos para a utilização do estádio nos jogos tricolores. Já houve reuniões, mas sem uma conclusão definitiva. A tendência é do uso do Fluminense para algumas partidas.

Mas fato é que a diretoria do Fluminense tem condições contratuais favoráveis para pressionar a Odebrecht. E até agora apenas o Flamengo conseguiu jogar no estádio em sua estreia na Libertadores, diante do San Lorenzo, pagando um alto custo.

Pelo acordo entre Fluminense e Odebrecht, todas as despesas operacionais do estádio são da concessionária sem custo para o clube. Pela cláusula 4.3.2, a construtora só pode recusar realizar jogos por motivo de manutenção, com aviso de 30 dias de antecedência. E não pode fazer nenhum outro evento no período em que o tricolor estiver impedido de jogar.

O clube das Laranjeiras está sem jogar no Maracanã desde o meio de novembro, quando atuou diante do Atlético-PR pelo Brasileiro. Acabou o período de concessão olímpica, e a Odebrecht deixou o estádio abandonado e fechado sem uso alegando danos cometidos pelo Comitê do Rio-2016.

Pois bem, pelo contrato, se a Odebrecht recusar que o Fluminense jogue no estádio por um período de 60 dias, isso dá motivo para o clube pedir a rescisão do contrato com direito a multa. “Nessa hipótese, a SPE deverá pagar ao Fluminense multa prevista na cláusula 18.7”, diz o contrato.

Pela cláusula, o clube teria direito a uma multa de dez vezes a receita líquida da concessionária (Odebrecht) no Maracanã. Desconta-se o período proporcional do contrato que já passou. Pelos balanços da Maracanã SA, a receita líquida média nos últimos três anos foi R$ 38,065 milhões. Com o desconto de três anos e meio do contrato, que soma 35 anos, isso significa uma multa de R$ 343 milhões em favor do Fluminense.

Para isso, o clube tricolor só precisa exigir a reabertura do estádio em condições para jogo e a partir daí passar a contar o prazo da Odebrecht. O clube anunciou que tomaria medidas judiciais em março quando já estava há três meses longe do estádio. Depois se iniciaram conversas com a concessionária.

Mais, pelo contrato, o Fluminense ainda poderia exigir que todas as despesas de seus jogos realizados em outros lugares fossem cobertos pela Odebrecht enquanto não pudessem utilizar o Maracanã. Isso não conta para o período olímpico do estádio. Assim, o clube poderia cobrar pelas despesas com Édson Passos ou dos jogos no Engenhão.

O blog questionou a diretoria do Fluminense sobre seus direitos e as atitudes a tomar em relação ao contrato. A assessoria do clube informou que não poderia se pronunciar porque vai divulgar uma posição a todos os veículos de imprensa. Foram enviadas perguntas à Odebrecht sobre o contrato, mas não houve respostas.

Não é apenas com o Fluminense que a Odebrecht tem obrigações. A concessionária se comprometeu em contrato com o Estado do Rio de Janeiro a conservar as instalações do Maracanã e do Maracãnzinho, segundo as cláusula 9 do contrato de concessão, assinado em 2013. A demanda de reequilíbrio financeiro, feita pelo Odebrecht por alterações nas condições da licitação, não a exime dessa responsabilidade.

A Odebrecht tem colocado na conta do Comitê Rio-2016 os danos ao estádio, e de fato tem um contrato que lhe garante a entrega do equipamento nas mesmas condições anteriores.

Mais um ponto, a construtora tem liberdade para fixar preços de alugueis e outras receitas para os estádios. Mas, pela cláusula 19,2 da concessão, “desde que observados preços não discriminatórios, razoáveis, e consistentes com o padrão de serviços prestados e com equipamentos esportivos e de entretenimento comparáveis”.

Não há nenhum estádio no Brasil que tenha cobrado R$ 1,350 milhão de clubes como aluguel como fez a Odebrecht com Vasco e Botafogo para o clássico no Carioca. Também não há nenhum estádio que cobre R$ 1,7 milhão, valor que o Flamengo pagou pelo estádio na Libertadores.

Após perceber que a operação era deficitária, a Odebrecht tenta sair do estádio desde o final de 2015 quando desmontou sua equipe de manutenção. Desde então, tenta reduzir ao máximo os custos para evitar os prejuízos ocorridos nos anos anteriores. A concessão prevê reequilíbrio financeiro de contrato, mas prejuízos econômicos da operação têm que ser arcados pela construtora.


Fla usa jogo da Libertadores para se fortalecer na disputa por Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Além dos ganhos esportivo e financeiro, o Flamengo tem como estratégia usar a realização do jogo de estreia na Libertadores para fortalecer sua posição na disputa pelo Maracanã. O clube apoia um das empresas concorrentes ao estádio, a GL Events, e se recusa a jogar com a outra Lagardère. E sua diretoria entende essa partida demonstra sua capacidade de atuar na gestão do equipamento.

O Maracanã encontrava-se abandonado durante os meses de dezembro e janeiro, chegando a sofrer roubos e corte de luz. Em fevereiro, o Flamengo fez um acordo com a Odebrecht para investir em reparos no estádio em troca de poder enfrentar o San Lorenzo no local. Foi uma solução já que a Arena da Ilha ainda não estava pronta, além de proporcionar um público maior.

Para isso, o clube investiu pelo menos R$ 2 milhões, inclusive pagando a conta de luz e reparando o gramado. Nenhum outro time ou a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) tomou essa iniciativa de investir e assumir responsabilidades no estádio. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, entende que padrões de “credibilidade e competência” credenciam o clube a qualquer responsabilidade no futebol.

“Com relação à gestão de estádios, não só as medidas adotadas para o jogo de hoje, mas também nosso histórico de administração de partidas em vários estádios pelo país desde 2013 certamente fortalecem nossa pretensão de assumir um papel de protagonista no Maracanã”, contou o dirigente.

Pelo acordo feito com a GL Events, o Flamengo cuidaria do Maracanã nos dias de seus jogos. A empresa ficaria com a manutenção do dia a dia do estádio, sendo outras firmas responsáveis por atrair shows. A GL Events, no entanto, não quer investir se for mantido o formato atual da concessão.

Caso fique com o estádio só nos jogos, o Flamengo teria um modelo bem lucrativo. Contra o San Lorenzo, a receita deve girar em torno de R$ 3,6 milhões, a segunda maior renda rubro-negra desde a final da Copa do Brasil-2013. Mas, com o custo da operação da partida, a fatia que sobra para o time cai bastante.

Ainda não há um acordo para que o Flamengo volte a jogar no Maracanã pela Libertadores. Mas o clube não descarta essa possibilidade, ainda mais caso se prolongue o processo de mudança de dono do estádio. E, quanto mais estiver presente e com papel importante nesta transição, a diretoria entende que aumentam suas chances de ser protagonista no estádio no longo prazo.


Maracanã será reaberto com seu futuro cada vez mais nebuloso
Comentários Comente

rodrigomattos

Na semana da reabertura do estádio, a venda do Maracanã para um nova empresa passou a ter uma série de entraves prolongando o impasse em relação ao equipamento. Há questionamentos e medidas do TCE (Tribunal de Contas do Estado), dúvidas em relação ao valor de obras e até possibilidade de desistência dos concorrentes. O governo do Rio de Janeiro tenta desatar nós em reuniões nesta semana.

Fato é que a perspectiva inicial de uma resolução rápida para o imbróglio não se concretizou e o processo se arrasta por mais de um mês sem perspectiva de final. O Flamengo jogará sua estreia na Libertadores em arranjo provisório para esta quarta-feira. Esse tipo de solução pode se estender ou o estádio terá de ser fechado de novo.

O governo do Rio marcou reuniões com as duas empresas, GL Events e Lagardère, para negociar um valor para as obras a serem realizadas no complexo do estádio. O valor de obras pedido pelo Estado à Odebrecht era entre R$ 130 milhões e 150 milhões, mas a empreiteira não concordou.

É esse número que a Lagardère, que se reuniu com o governo na terça-feira, vê como investimento inicial, podendo chegar a R$ 200 milhões com correções. Já a GL Events tem dúvida sobre quais são exatamente as obras e qual o montante a ser gasto. As duas empresas têm que chegar a um acordo com o governo sobre o valor porque terão de assinar um aditivo contratual à concessão assim que uma for escolhida.

Só que uma decisão do TCE determinou uma apuração sobre todo o processo de transferência, inclusive sobre as obras a serem realizadas. De acordo com o voto, entre as obras estão a recuperação do Célio de Barros e do Parque Julio Delamare, e uma demolição do prédio do Ministério da Agricultura. Foi o que sobrou do projeto inicial que previa a construção de um complexo com investimento de R$ 594 milhões.

No voto do TCE, há críticas a um aditivo já assinado que prevê que o governo cuide da manutenção desses equipamentos, ao mesmo tempo que a concessionária os explore comercialmente. A posição do tribunal, por sinal, é de questionamento a todo o processo de transferência. As empresas concorrentes serão informadas dessa fiscalização e o TCE terá de dar aval ao novo contrato.

Mais, o tribunal determinou a retenção do valor a ser ganho pela Odebrecht na venda por conta de irregularidades constatadas no contrato de concessão. Assim, a empreiteira teria de aceitar sair do estádio com as mãos abanando. O TCE só não determinou o cancelamento do contrato de concessão e a realização de nova licitação para o Maracanã não ficar abandonado por mais tempo. Mas essa solução voltará à tona se a venda não for bem-sucedida tanto que houve uma recomendação ao governo neste sentido.

O governo do Rio não pretende cancelar a transferência pois tem como prioridade resolver a questão rápido e não ter gastos, o que é facilitado pela venda. De qualquer maneira, a posição do tribunal complica o processo de transferência, ainda mais porque exige apuração a danos ao estádio possivelmente cometidos pela Odebrecht.

Do outro lado, as duas concorrentes, GL Events e Lagardère, já discutiram internamente desistir do processo por conta da complexidade para saber as condições e por indefinições do governo e da Odebrecht. A GL Events, que tem o apoio do Flamengo, chegou a anunciar sua saída para depois voltar atrás. A Lagardère discutiu internamente deixar o processo.

Além das obras, a empresa vencedora terá de pagar outorga ao governo e R$ 60 milhões à Odebrecht. Desse valor, só uma parte deve ir para empreiteira pois devem ser descontadas obras de reparos imediatas no complexo esportivo e pagamento de dívidas com fornecedores.

Em meio ao imbróglio, os grandes clubes do Rio, principalmente Flamengo e Fluminense, vivem a indefinição se poderão continuar a jogando no estádio depois desta noite de estreia rubro-negra na Libertadores. Ao saber da recomendação do TCE, o presidente do Fla, Eduardo Bandeira de Mello, refirmou que sempre apoiou uma nova licitação em vez da venda. O Flu tem contrato vigente com a Odebrecht.

Fato é que a reabertura está longe de ser uma garantia de tempos mais tranquilos para o Maracanã.

 


Após jogo do Fla, Maracanã poderá receber finais de Estadual e Libertadores
Comentários Comente

rodrigomattos

A marcação da estreia do Flamengo na Libertadores para o Maracanã abriu brecha para realização de outras partidas no estádio enquanto não se define o seu novo gestor. A Odebrecht informou estar aberta a requisições para finais de Estaduais, e outras partidas dos grandes do Rio pela Libertadores neste período provisório enquanto define a quem repassar a arena.

A princípio, o novo dono do Maracanã seria conhecido rapidamente já que a construtura pretendia acelerar o processo. Mas o cenário atual é de que pode se prolongar mais do que o esperado a disputa entre a Lagardère e a GL Events, que chegou a desistir da concorrência e voltou atrás depois disso.

A Odebrecht prometeu informar para o governo estadual em 9 de março o andamento de negociações, mas não há garantias de que até lá estará concluído. Além disso, há um período de transição para analisar obras necessárias que somam pelo menos R$ 20 milhões. Ou seja, o estádio pode abrigar jogos, mas está longe de estar pronto 100%.

Com isso, a Odebrecht aceita negociar acordos pontuais com clubes que desejarem utilizar o estádio. Mas para isso teria de haver acordo como no caso do Flamengo que se comprometeu a tratar de vários itens do estádio. A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) deve requisitar o Maracanã para as finais do Estaduais. É possível que formalize o pedido na próxima semana.

Já o Flamengo não tem certeza sobre o que fará na sua segunda partida na Libertadores, no dia 12 de abril, contra o Atlético-PR. Até lá, a Arena da Ilha estará pronta com 20 mil lugares, segundo a diretoria. E o Maracanã pode ter sido cedido à Lagardère – o clube afirma que não joga no estádio com a empresa.

“O acordo por enquanto é só para este primeiro jogo. Depois vamos ver”, afirmou o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello. Em resumo, o Maracanã ainda vive um incógnita sobre seu futuro, mas pelo menos pode voltar a ter futebol com frequência.


Reparos no Maracanã por abandono são estimados em pelo menos R$ 20 milhões
Comentários Comente

rodrigomattos

Uma estimativa inicial aponta que os reparos necessários no Maracanã por conta do abandono são de pelo menos R$ 20 milhões. O valor pode subir a até R$ 30 milhões dependendo de avaliações mais profundas. Essa é a informação com que trabalha um dos consórcios que disputam a concorrência que não quis ser identificado. A Odebrecht informa que ainda não tem um montante preciso o que só será obtido após uma vistoria completa.

A questão de quem vai ficar com essa conta é o principal empecilho para a construtora dar sequência à venda da concessão para a Largardère ou para a GL Events, duas habilitadas pelo Estado do Rio de Janeiro. Essa discussão se estende e atrasa o desfecho. A Odebrecht entende que o Comitê da Olimpíada Rio-2016 é responsável por esses reparos.

Os principais consertos necessários são na cobertura, na parte elétrica e em cadeiras da arquibancada. No caso da cobertura, é preciso fazer manutenção e consertos na lona para reabrir o estádio com segurança. A avaliação é de que seria preciso R$ 9 milhões para esse item. A princípio, um laudo prévio não apontava danos que comprometessem a estrutura.

No caso das cadeiras, a Rio-2016 entregou o estádio com cadeiras com lugares trocas, e muitas delas quebradas. Além disso, o mobiliário de camarote estava jogado de qualquer maneira em depósitos. Isso precisa ser recuperado. A parte elétrica é a terceira preocupação. Há ainda o gramado cujo custo é mais baixo.

O laudo preliminar feito pela Odebrecht mostrava 56 irregularidades no estádio após a entrega pela Rio-2016. Mas a própria construtora se recusou a assumir a segurança e a manutenção do estádio por dois meses, agravando a situação e gerando roubos de cabos elétricos. O Rio-2016 nega ser responsável por qualquer reparo novo no estádio.

“Fizemos uma inspeção com a Odebrecht na entrega do estádio e a estimativa dos consertos era de R$ 400 mil”, afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada. “Temos um laudo da SBP e outro da Promo mostrando que os danos a cobertura foram apenas um furo na lona e uma colocação de som.”


Torcida única é o muro do Trump no futebol carioca e paulista
Comentários Comente

rodrigomattos

Minha primeira recordação de um jogo de futebol no estádio é de ir às cadeiras do Maracanã com setor misto na final do Estadual de 1986. Flamengo e Vasco decidiam o título, e o meu pai vascaíno levou a mim e a minha irmã, ambos rubro-negros, à decisão. Saímos festejando e ele quieto após os gols de Bebeto e Júlio César.

Essa é uma das melhores lembranças que tenho do meu pai, hoje já falecido. Sem gostar muito de futebol, com temperamento difícil e com especial antipatia pelo Flamengo, deu uma demonstração de tolerância ao nos levar ao jogo. Meu pai e seu amigo vascaíno nos carregaram nos ombros ao final do jogo.

As imagens daquela tarde voltaram à minha cabeça quando a Justiça do Rio decretou a torcida única para os clássicos no Rio de Janeiro. Não é só o prazer da arquibancada que se perde com isso. A torcida única pressupõe que somos todos inimigos incapazes de conviver com o diferente. Ao se isolar torcedores de equipes rivais, os torcedores vão se tornar cada vez mais radicais e mais afastados uns dos outros.

É só ver que medidas históricas na política para separar pessoas, como o muro proposto por Donald Trump para conter imigrantes, só tendem a aumentar a distância e a raiva entre as pessoas. Se você não convive com o outro, nunca vai entender o ponto de vista dele, sua identidade. Se há a possibilidade de aproximação, há a chance de compreensão.

A tese do promotor Rodrigo Terra aceita pelo juiz é de que essa é uma medida que vai reduzir a violência, após os atos de barbárie do último Botafogo e Flamengo. Primeiro, é preciso lembramos que neste clássico houve uma falha da polícia militar cujos soldados não foram para o estádio como estava nos planos. Foram contidos por protestos de familiares. Os certos torcedores organizados são tão violentos hoje quanto nos últimos anos: só estavam livres para agir.

E o argumento da redução da violência se torna quase nulo quando constatamos que a maioria das mortes de torcedores em conflitos de organizadas se dá longe dos estádios. Basta lembrar do torcedor do Fluminense, que não era de organizada e apenas gostava de seu time, agredido perto do Maracanã neste ano quando voltava de um jogo em Xerém. No máximo, vai se reduzir a tensão em volta dos estádios porque tem ocorrido, sim, brigas dentro e fora deles.

Uma decisão importante como essa que afeta mais de 100 anos de tradição de festas compartilhadas no Rio foi tomada sem que se ouvisse a sociedade. Um promotor e um juiz definiram a “solução” sem um levantamento dos seus efeitos, sem consultas públicas na assembleia estadual, sem nada.

Esse tipo de medida arbitrária tornou-se uma tônica no Rio dos últimos tempos. Tivemos de pagar caro para organizar dois megaeventos (Copa do Mundo e Olimpíada) sem nenhuma consulta popular. O Maracanã, um símbolos da cidade, foi transformado pelo padrão Fifa também por decisão solitária do então governador Sergio Cabral. E, agora, nos tiram a festa como ocorrera em São Paulo.

Como sempre, o argumento é de que se trata de um mal necessário para nosso bem. Mas o que vejo é que a polícia terá seu trabalho facilitado, o promotor vai poder dizer que “resolveu” o problema e o torcedor perde o seu direito. Será impossível se repetir uma cena como essa do meu pai me levando para o estádio para ver um jogo dos nossos times.

Em 1987, o Flamengo voltou a enfrentar o Vasco na final do Estadual. O time cruzmaltino venceu com belo gol de Tita após passe de Dinamite. Eu estava lá novamente com meu pai e sai triste do estádio, e ele com um sorriso discreto na boca para não me chatear. Fomos embora juntos eu, ele e minha irmã.

Foi uma lição: me ajudou a aprender a perder e a entender o outro, também inspirou em mim um respeito que guardo até hoje pelo Vasco, por sua história, por sua torcida, por seus times, e pelo meu pai. Se não for capaz de despertar esse tipo de sentimento em torcedores adversários, o futebol torna-se cada vez mais um instrumento para alimentar o ódio e perde boa parte do seu sentido.


Candidatas ao Maracanã somam bilhões e problemas em concessões no Brasil
Comentários Comente

rodrigomattos

Concorrentes pelo controle o Maracanã, e com receitas bilionárias pelo mundo, as francesas GL Events e Lagardère enfrentam questionamentos nas concessões públicas que já administram no Brasil. Uma das duas será escolhida pela Odebrecht nos próximos dias para substituí-la no estádio após o governo do Rio de Janeiro dar aval às documentações de ambas. A GL tem todo o capital do consórcio, mas concorre associada a outras duas empresas CSM e Amsterdam Arena, além de ter acordo com o Flamengo.

A transferência do controle do Maracanã se dará por meio de uma venda da concessão que custará em torno de R$ 60 milhões. Para isso, os dois grupos concorrentes têm que cumprir todos os requisitos da licitação vencida pela Odebrecht. Depois da construtora escolher um vencedor, o governo do Rio tem que dar aval. Em seguida, haverá um avaliação do custo de reparos no estádio que pode influenciar os valores dos negócios.

Como histórico, ambas as empresas já enfrentam questionamentos nas concessões que têm no Brasil. A GL Events gere a Rio Arena e o Riocentro. A Lagardère administra a Arena Castelão e a Arena Independência.

No caso da GL, a concessão do Riocentro é alvo de ação do Ministério Público Estadual por suspeita de ato de improbidade e direcionamento da licitação. São acusados a empresa, o ex-prefeito do Rio de Janeiro César Maia e seu então secretário Ruy Cezar Miranda.

Em 2006, a concessão do Riocentro inicialmente seria feita com o pagamento de R$ 70 milhões em dinheiro à prefeitura. Posteriormente, as condições mudaram e só foi pago R$ 1 milhão, e foram dados outros R$ 69 milhões em equipamentos.

Neste meio tempo, o Ministério Público aponta que houve conversas entre a empresa com o secretário Ruy Cezar Miranda para a nova licitação. Outra informação é de que houve um convite a um procurador do município, que trataria da licitação, para viajar à França com despesas pagas pela empresa. Ou seja,o MP apresenta indícios de um lobby para mudar a licitação. A GL e as então autoridades municipais negam que tenha havido o contato ou o direcionamento no negócio. O processo está em fase de sentença.

“Não houve qualquer irregularidade e isso já foi comprovado na Justiça, que, em 2015, declarou improcedente uma ação que fazia os mesmos questionamentos dessa outra ação à qual o UOL se refere. Mais uma vez, ficará provado que tudo se deu dentro dos parâmetros legais”, afirmou a assessoria da GL Events.

Outra concessão controversa da GL Events é na Rio Arena. Como revelou a “Folha de S. Paulo”, a prefeitura do Rio, já na gestão de Eduardo Paes, estendeu a concessão da arena em 30 anos a mais do que a licitação inicial. Em troca, a GL Events aceitou realizar uma obra de R$ 72 milhões no Riocentro para sediar as competições de boxe na Olimpíada do Rio-2016. Esse valor é inferior ao que a empresa pagaria parceladamente pela concessão da Rio-Arena.

O prefeito Eduardo Paes justificou dizendo que foi benéfico para o município por realizar o projeto olímpico mais rápido. “Não se pode comparar dinheiro agora e antes”, disse, após revelado o caso. Por sua assessoria, a GL alega que o negócio não foi positivo para ela: “A GL events Brasil antecipou o valor do aluguel de 30 anos para atender a uma solicitação da Prefeitura do Rio de Janeiro para que realizasse obras na Arena”

A Lagardère igualmente enfrenta questionamento na concessão da Arena Independência, estádio onde jogam Atlético-MG e América-MG. Extraoficialmente, há a informação em órgãos do governo e no América-MG de que a empresa não paga o valor mensal pela concessão de R$ 250 mil há 14 meses.

“Existe de fato um débito com o governo”, confirmou o deputado estadual Carlos Henrique (PRB), que foi secretário de esportes e administrou o contrato. “Só faço elogios ao cuidados da Lagardère no equipamento. Manutenções de gramado e espaço são muito bons”, afirmou Alencar da Silva, do Conselho gestor do América-MG. “Sobre a questão administrativa, não quero comentar.”

Nos bastidores o clube está bastante insatisfeito com a empresa, embora evite confronto público. Há uma pressão entre políticos mineiros para romper a concessão. A Lagardère descarta o rompimento do contrato e nega descumprimentos, embora admita uma renegociação.

“Estamos em dia com os pagamentos com o América-MG e o governo. Tem uma questão de interpretação do contrato de concessão. É uma questão de equilíbrio financeiro”, afirmou o CEO da Largardère, Aymeric Magne.

No Castelão e no Independência, a empresa tem sociedade com a BWA, polêmica pelo envolvimento com problemas com ingressos em jogos de futebol. A empresa francesa, no entanto, garante que seu modelo prevalece na gestão. Para o Maracanã, a BWA não faz parte do consórcio que fez proposta à Odebrecht.

Não há relatos de problemas na gestão da Arena Castelão. A Lagardère informa que a operação do estádio é superavitária, e que tem acordos com o Ceará e o Fortaleza para jogos no local.

Em 2013, a Lagardère fundou uma empresa com capital de R$ 26 milhões em São Paulo para gerir seus negócios no Brasil. Para o Maracanã, a empresa matriz na França entrou na proposta pela dimensão do negócio.

O grupo francês tem um faturamento total de € 7,2 bilhões (R$ 24,1 bilhões) em 2015, segundo seu relatório financeiro. Desse montante, € 515 milhões (R$ 1,7 bilhão) são de negócios com esportes, incluindo a administração de várias arenas. Estão na lista: a Arena do Borussia Dortmund, consultoria para estádios da Euro, outras praças na Itália, Suécia e Brasil.

“Nosso core bussiness (negócio principal) é gestão de arenas de futebol. Nós temos 58 arenas pelo mundo. E as do Brasil são bem-sucedidas”, explicou Magne.

No caso da GL Events, as receitas anuais de 2015 somam € 942 milhões (R$ 3,1 bilhões), de acordo com seu relatório financeiro. Sua presença no Brasil ocorre desde 1995 por meio da filial GL Events Brasil Participações.

Seu portfólio não inclui a gestão de grandes estádios. A especialização é a realização de eventos e feiras, e ginásios que tem porte médio. Foi a principal empresa na construção de instalações temporárias para arenas na Copa-2014.

A empresa informou que 100% do capital aportado no negócio do Maracanã é seu, e que o objetivo é adquirir todas as ações da Odebrecht. “Se a proposta da GL events Brasil for a escolhida, ela assumirá a responsabilidade pela gestão do Maracanã”, informou a assessoria da empresa.

Pela falta de experiência em estádios, associou-se com a Amsterdam Arena e com a CSM, que atuou na Olimpíada e em camarotes do Maracanã. Ambas têm menor porte no Brasil. Pelo edital, é necessário ter experiência em gestão de arenas. A ideia é que a GL Events mantenha o estádio, a CSM faça a parte de hospitalidade e camarotes, e o Flamengo controle seus jogos.

Em relação aos clubes, a diretoria do Flamengo se posicionou contra jogar no Maracanã caso a Lagaardère ganhe a concessão porque houve um desentendimento entre as partes. A empresa francesa pretende atrair o clube rubro-negro, mas entende que a gestão é viável sem ele.

O Fluminense aceitará manter o seu contrato atual igual ao com a Odebrecht com qualquer uma das duas empresas. Ambas indicaram concordar com esses termos. O Botafogo, que já tem o Engenhão, se aproximou da Largadère. A diretoria do Vasco quer condições iguais nos clássicos, mas não se manifestou sobre a concessão.