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Odebrecht dá preferência a grupo do Fla e clube fica mais perto do Maracanã
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A Odebrecht escolheu revender da concessão do Maracanã ao consórcio CSM/GL Events/Amsterdam Arena com parceria com o Flamengo. A princípio, preteriu o grupo Largadère. Mas ainda faltam vários passos para o grupo que tem o clube rubro-negro assumir o estádio: cumprir todas as exigências do governo e chegar a um acordo em todos os termos. Oficialmente, a construtora nega a informação apurada pelo blog de que estabeleceu uma preferência por um consórcio.

A Odebrecht está negociando com os dois consórcios desde novembro de 2016. Ao mesmo tempo, os grupos tentam atender exigências do governo do Estado do Rio. Essa fase da revenda da concessão visa garantir que todas as obrigações do edital de licitação serão cumpridas pelo grupo vencedor. Isso inclui manutenção, obras, e pagamento de outorga ao governo.

Houve reuniões entre os consórcios e a comissão do Estado do RJ para o tema nesta terça e quarta para explicar o que faltava. A GL Events entregou o restante da documentação ainda nesta quarta, e a Largadère deve fazer o mesmo até sexta-feira. O governo deve responder se atenderam as condições até a próxima semana.

Aí a escolha vai para as mãos da Odebrecht. A construtora já adiantou um acordo com a CSM/GL Events e Amsterdam Arena para um pagamento entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões pela transferência da concessão. A maior parte do capital será da GL, empresa francesa que já administra a Arena da Barra e o Riocentro.  Partes envolvidas no negócio, no entanto, dizem que ainda faltam muitos pontos para fechar o negócio.

Mas há grande avanço nas conversas. Tanto que o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, previu um desfecho próximo para o imbróglio do estádio, embora não dê uma data.

O valor pago pelo novo consórcio representa menos de um terço do prejuízo da Odebrecht na concessão do Maracanã que chegou a R$ 173 milhões. Mas a empreiteira lucrou bastante com a realização da obra que custou R$ 1,2 bilhão.

Se o governo der aval ao negócio, a Odebrecht e a CSM/GL terão de fazer uma auditoria completa do Maracanã, o que inclui condições do estádio e contas da concessionária. Por exemplo, terá de se saber as condições da cobertura do estádio, maior preocupação de engenheiros e partes envolvidas no negócio. Além disso, terá de se apurar as dívidas da empresa. Por isso, não dá para determinar os termos do acordo.

Em caso de negócio fechado, a diretoria do Flamengo pretende assumir provisoriamente o estádio junto com seus parceiros neste período para começar a recuperá-los para jogos.

O modelo de gestão do consórcio que deve assumir o Maracanã está traçado em suas linhas gerais, embora sejam necessários muitos ajustes. Quem entra com maior capital e faz a administração do estádio é a GL Events, empresa de maior poderio financeiro. A empresa francesa poderia explorar os shows e eventos no estádio. A CSM ficaria com a parte de hospitalidade.

Neste modelo, o Flamengo terá independência para realizar seus jogos e fazer a gestão do estádio nos dias de jogos. É o modelo almejado pelo clube há bastante tempo. O Fluminense pretende se manter com o acordo atual: não paga custos, fica com a bilheteria e abre mão de camarotes e exploração do estádio.

A grande questão é como resolver os altos custos de manutenção do Maracanã – em torno de R$ 50 milhões por ano – e possivelmente a outorga a ser paga ao governo – R$ 5 milhões. Neste caso, a GL Events é quem tem o maior capital. Mas a diretoria rubro-negra sabe que terá de arcar com parte desses custos. Ainda não está definido como isso ocorrerá se o negócio for concretizado.

Após a publicação da matéria, a Odebrecht negou por meio de nota a informação de que tem preferência pelo consórcio liderado pela GL:

“A Concessionária Maracanã esclarece que não procede a informação sobre a preferência por um determinado grupo acerca da venda da participação do acionista majoritário da concessionária que administra o complexo esportivo do Maracanã. De acordo com a clausula 37.2 do contrato de concessão, o processo encontra-se ainda em fase de homologação dos documentos das duas empresas interessadas pelo governo do estado do Rio. Concluída essa fase, a empresa vai prosseguir as negociações com as empresas.”


Não está tão ruim: grama do Maracanã precisa de 30 dias para ser recuperada
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Imagem aérea do Maracanã assustou torcedores. Imagem: REUTERS/Nacho Doce

Fotos aéreas do Maracanã geraram preocupação. Imagem: REUTERS/Nacho Doce

Com Pedro Ivo de Almeida

Em meio ao imbróglio em torno do abandono do Maracanã, há uma crescente preocupação com o estado do gramado por conta do aspecto todo amarelado mostrado nas fotos aéreas. Mas uma avaliação preliminar da empresa Greenleaf é de que o campo pode ser recuperado em um prazo de até 30 dias. Isso, óbvio, se o trabalho no campo não demorar para começar.

Assim como o restante do estádio, o gramado do Maracanã não está recebendo nenhum tratamento no momento. Isso porque a Greenleaf não recebe da concessionária Maracanã (Odebrecht) que se recusa a reassumir o estádio, apesar de ter uma ordem judicial neste sentido.

Mas um funcionário da Greenleaf entrou recentemente no estádio para pegar equipamentos da empresa. Por lá, ele avaliou o estado do campo, e constatou que o dano era menor do que o esperado.

Segundo o seu exame, a grama não estava morta, estava apenas amarelada pela falta de cuidado. Ou seja, não seria necessário um replantio integral que levaria mais tempo. Até porque o gramado atual é recente, plantado em novembro, e portanto só morreria se houvesse um acidente.

Para a Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), a empresa informou que o prazo inicial de recuperação seria de 45 dias, mas que isso poderia ser facilmente reduzido para um mês em condições ideias. Para a concessionária, a empresa deu uma avaliação mais otimista: disse que o prazo máximo seria de 40 dias, e o mínimo de 20 dias. Consultada, a Greenleaf confirmou a informação de que o campo pode ficar pronto em um mês.

Ou seja, se fosse pelo gramado, o Maracanã poderia ser recuperado ainda para as semifinais da Taça Guanabara, e certamente estaria pronto para jogos da Libertadores do Flamengo em março.

Uma outra preocupação maior é em relação à segurança da cobertura. A Concessionária alega não ter recebido um laudo do Comitê Rio-2016 atestando se houve dano na cobertura. O comitê informou já ter entregue o documento.

Pior do que isso é a resolução do imbróglio jurídico e político em relação à gestão, mesmo que provisória, do estádio. A Odebrecht se recusa a cumprir o mandato judicial. A Ferj não sabe os custos do estádio tanto que adiou uma reunião entre os clubes para tratar do assunto. O Flamengo, potencial interessado em gerir a arena, também não sabe o tamanho dos custos. Esse tipo de trava é o maior empecilho para iniciar a recuperação do campo do estádio em si.

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Fla estuda se oferecer à gestão provisória do Maracanã
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Com o abandono do Maracanã, o Flamengo estuda uma possibilidade de se oferecer para uma gestão provisória do estádio enquanto não há uma solução definitiva para a concessão. A Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro) já se mobilizou também neste sentido com uma proposta ao governo para usá-lo no Estadual. Há uma questão sobre os custos para arrumar a arena, e empecilhos legais.

Após a devolução do estádio pelo Comitê Rio-2016, a concessionária liderada pela Odebrecht não aceitou recebê-lo alegando danos à estrutura. Com isso, o Maracanã está abandonado e sofre com roubos, e deterioração. Nesta sexta-feira, a Justiça do Rio determinou que a concessionária reassuma o estádio.

A diretoria do Flamengo, que integra um dos consórcios que disputa a concessão do estádio, tem intenção de usá-lo em jogos na Libertadores. Questionado se o clube poderia se oferecer para gerir o estádio de forma provisória, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou: “É uma alternativa que pode ser considerada.”

Em seguida, explicou: “O Flamengo estará sempre disposto a colaborar para resolver o problema. O ideal seria uma solução definitiva, mas não descartamos a provisória.”

O presidente da Ferj, Rubens Lopes, se antecipou e já fez proposta ao governo para utilização do estádio. Segundo a assessoria da federação, o governador Luiz Fernando Pezão gostou da ideia e pediu até segunda-feira para responder. No dia 17, está marcada reunião na federação para discutir o assunto em que o Flamengo deve comparecer.

A Ferj, no entanto, informou que ainda não existe um levantamento do custo dos danos ao estádio. A Concessionária do Maracanã ainda não tem esse dado, especialmente por que afirma não ter laudos do Rio-2016 sobre a cobertura e sobre o gramado, que está completamente deteriorado.


Novela da posse do Maracanã se prolonga com o estádio abandonado
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Em meio ao caos no Maracanã, o processo para tentar arrumar um “novo dono” para o estádio prolongou-se ainda mais. O governo do Estado do Rio de Janeiro considerou que os dois consórcios que almejam substituir a Odebrecht (CSM e Lagardère) não enviaram todos os documentos necessários para a análise de habilitação. Com isso, o procedimento deve atrasar em mais 20 dias.

Há duas possibilidades para fazer uma nova concessão do Maracanã. Uma delas é realizar uma nova licitação, o que demora mais, e a outra é a transferência por parte da Odebrecht, o que seria mais rápido. Ambos se arrastam há pelo menos um ano no governo do Estado.

A licitação depende de um estudo da FGV cuja entrega só vai ser feita em fevereiro. A partir daí, o governo iniciaria a montagem do edital. Pessoas envolvidas no processo dizem que dificilmente seria concluído antes de março, e que provavelmente se estenderia por mais meses.

O processo de transferência é mais simples. O governo do Estado tinha até sexta-feira passada para analisar a documentação dos dois consórcios. Só que avisou nesta quarta-feira que a documentação enviada pelos consórcios era insuficiente. A CSM, no entanto, não registrou nenhum pedido de novos documentos até esta quinta-feira.

Com isso, deu mais dez dias aos consórcios para o envio dos documentos que faltam. Depois, o governo terá mais dez dias para analisar. A partir daí, a Odebrecht avaliar as duas ofertas e escolheria uma, mandando em seguida de volta para o Estado para aprovação. Com os novos prazos, o processo dificilmente acabará em janeiro.

Enquanto isso, não há solução provisória para o abandono do Maracanã. A Odebrecht se recusa a assumir o estádio, alegando falhas do Comitê Rio-2016. O governo do Rio diz que é responsabilidade da construtora e concessionária. No meio tempo, o estádio sofreu roubos, está sem luz e com detritos por todos os lados. Não se sabe ainda o custo para recuperar a arena.


Abandonado, Maracanã teve roubo de busto de patrono do estádio e de tvs
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Boletim de Ocorrência do roubo no Maracanã

Registro de Ocorrência na polícia do roubo no Maracanã

Abandonado e sem cuidados, o Maracanã teve roubo do busto em bronze de Mário Filho (patrono do estádio) e de dois monitores de televisões nos últimos dias. A informação foi constatada em verificação da Sunset, empresa que cuida da segurança do local. O caso já foi registrado na polícia que investiga crime contra o patrimônio.

Desde dezembro, o Maracanã não tem um responsável claro por sua gestão em meio a uma disputa entre a Concessionária (Odebrecht), o Comitê Rio-2016 e o governo do Estado do Rio de Janeiro. O roubo no estádio gera novo motivo de discórdia. A concessionária diz que, desde junho de 2016, o acervo é responsabilidade da Suderj (órgão do governo do Estado). Mas o governo afirma que o estádio está aos cuidados da Odebrecht.

O roubo ocorreu na madrugada do dia oito para o dia nove de janeiro. Foi verificado em vistoria feita pela empresa Sunset na manhã desta terça-feira. Segundo o registro na polícia, não há imagens porque as câmeras estavam desligadas já que a energia foi cortada ainda no final de 2016.

Uma matéria do “Globo” mostrou condições precárias do equipamento, inclusive da falta de luz. Laudo da Odebrecht mostra que o estádio foi entregue pelo Rio-2016 com vários problemas.

Desde então, houve tentativas de invasão e roubos no entorno, já que a segurança tem poucas pessoas. No roubo da madrugada, foram levados os bustos de bronze de Mario Filho, do ex-prefeito Mendes de Moraes, além do bico de uma mangueira. Fora isso, dois televisores presos à parede foram arrancados e levados. Todos estavam no Maracanã Mais.

A Odebrecht notificou o governo do Estado do Rio de Janeiro para fazer um exame no local para constatar o roubo de patrimônio público. Em nota oficial, informou ser que, desde junho de 2016, a responsabilidade pelo acervo é da Suderj, e reiterou sua acusação de que o comitê não devolveu o estádio como deveria.

Já o governo disse que vai tomar as providências sobre o crime ao qual foi notificado. E ressaltou a responsabilidade do consórcio em nota:

“O Estado foi informado do futebol pelos órgãos de segurança e adotará as medidas legais e contratuais cabíveis relativas ao ocorrido. Cabe ressaltar que o Complexo Maracanã, conforme contrato vigente, está sob responsabilidade da Concessionária Maracanã SA.”


Ferj preocupa-se com Maracanã para Estadual e Engenhão é plano B
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A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) está preocupada com a utilização do Maracanã no Estadual por conta do mau estado de conservação da arena. O plano B é o estádio Nilton Santos (o Engenhão). O primeiro clássico da competição já está marcado para a arena botafoguense.

O jornal “O Globo” revelou condições precárias em visita ao Maracanã. Como mostrado pelo blog, um laudo da Odebrecht já apontava diversos problemas após a entrega do equipamento pela Rio-2016. Atualmente, ninguém está cuidando do estádio.

Por meio de assessoria, o diretor de competições da CBF, Marcelo Viana, informou ter feito uma visita ao Maracanã no ano passado para verificar a possibilidade de uso do estádio para o amistoso Brasil e Colômbia.

“Ali, a preocupação bateu mais forte. Mas já temos alternativas para os clássicos. Mas é óbvio que ficar sem o Maracanã é muito ruim. Quanto maior o período inativo do estádio, pior e mais longa fica a  recuperação”, afirmou ele.

O clássico entre Fluminense e Vasco, que deveria ser no Maracanã, já foi marcado para o Engenhão. Os outros ainda não têm local definido. A preferência é pelo Maracanã, mas se não houver condições terão de ser na arena controlada pelo Botafogo.

 


Maracanã tinha 56 problemas após Rio-2016, aponta laudo da Odebrecht
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Após ser devolvido pelo Comitê Rio-2016 no final de outubro, o complexo do Maracanã tinha 56 irregularidades em relação ao estado de conservação anterior. É o que apontam sete laudos de vistoria da Odebrecht (controlador do concessionária do estádio) realizados durante novembro e obtidos pelo blog. O comitê, no entanto, afirma ter resolvido todas as pendências. Fato é que o estádio encontra-se em péssimo estado de conservação como mostrado pelo jornal “O Globo”.

O relato da reportagem do jornal é de lixo acumulado, falta de luz, de móveis em camarotes e assentos fora do lugar. Há uma disputa entre a concessionária, Rio-2016 e o governo do Estado do Rio de Janeiro em relação às responsabilidades sobre os problemas do Maracanã.

Enviado para o Rio-2016 e para o governo, os laudos executados pela Odebrecht, no entanto, dão força ao argumento de que o comitê foi negligente ao cuidar do estádio quando estava sob seus domínios.  Antes disso, no final de 2015, a concessionária tinha desmobilizado a equipe que trabalhava no estádio por desinteresse em sua gestão.

No documento da Odebrecht, há casos graves como uma caixa de força elétrica danificada por incêndio no Maracanãzinho, móveis jogados e empilhados, cadeiras faltando em fileiras ou colocadas no lugar errada, restos de estruturas não recolhidos, vazamentos de óleo sobre cabos de energia, campo sem o gramado original, entre outros pontos. Há fotos de todas as irregularidades encontradas. No total, são 56 notificações de “não conformidades”, como chamado nos laudos.

Fica claro nas imagens que o processo de ocupação e desocupação do comitê Rio-2016 foi caótico. Por exemplo, os móveis foram armazenados de forma desorganizada em depósitos, e se encontravam danificados e com ferrugem. Já as cadeiras foram retiradas de qualquer maneira e colocadas sem ordem com numeração aleatória.

Há também incidentes menores como a ausência de retirada de comunicação visual do Rio-2016, assim como a falta de reposição do que estava lá na época da concessionária.

O comitê Rio-2016 executava os serviços durante o mês de novembro, como mostram as fotos, quando já deveria ter entregue o estádio pronto. Foi obtido um aval do governo do Estado para que tudo se concluísse até o final de dezembro e o estádio fosse considerado como devolvido. A Odebrecht não aceitou e notificou as partes.. A matéria do “Globo” demonstra que esse processo não está completo.

“Não temos mais nada a ver com o Maracanã. Entregamos para o proprietário que é o Estado. A concessionária não tem nada a ver na nossa relação. Entregamos o estádio melhor do que recebemos”, afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada.

Há ainda um questionamento da Odebrecht em relação às contas não pagas durante o período da Rio-2016. No total, havia R$ 2,9 milhões em luz, e outros R$ 1,9 milhão de água, além de um pequeno valor em gás. O comitê Rio-2016 alega já ter resolvido a questão da luz com a Light. “Fizemos um encontro de contas com a Light e está tudo resolvido”, afirmou Andrada.

Não havia luz no estádio desde a sexta-feira antes do ano novo, mas a Light nega ter executado qualquer corte no estádio.

Veja abaixo algumas das imagens do Maracanã do laudo feito pela Odebrecht:

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Mobiliário dos camarotes empilhado em depósito no Maracanã

Mobiliário dos camarotes empilhado em depósito no Maracanã

Vazamento no forro do teto do Maracanã

Vazamento no forro do teto do Maracanã

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Sob suspeita, Odebrecht avança venda do Maracanã com duas ofertas similares
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A revenda da concessão do Maracanã pela Odebrecht avança mesmo com as suspeitas em torno da licitação que deu a gestão do estádio à empreiteira. A construtora já tem duas propostas parecidas dos grupos Lagardère e CSM/Amterdam Arena/GL Events para assumir a arena. O segundo grupo tem leve favoritismo por ter acerto com Flamengo e Fluminense.

O processo poderia sofrer uma turbulência por conta da delação do ex-executivo da Odebrecht Leandro Azevedo que afirmou ter pago R$ 4 milhões ao presidente do TCE, Jonas Lopes. O suposto suborno seria para obter condições melhores no edital de concessão que deixou o estádio com a empreiteira.

Mas isso ainda é insuficiente para anular a licitação, como explica o advogado Marcelo Lennertz, professor da FGV especialista em PPP e concessões. Segundo ele, pela lei, a fiscalização do TCE só deveria acontecer posteriormente à licitação, e portanto tinha mero caráter consultivo antes deste.

“Na verdade, para que essa contratação fosse nula, seria necessário demonstrar que houve vício insanável no seu processo licitatório ou na própria celebração do contrato de concessão (por exemplo, caso se comprovasse ter havido conluio entre o licitante vencedor e outros concorrentes visando a fraudar a competitividade da licitação)”, contou ele.

O blog apurou que advogados da Odebrecht também avaliam que não haverá efeito da delação na validade da concessão. O governo do Estado do Rio de Janeiro não quis se pronunciar. Por isso, continuam com o processo de escolha do novo dono do Maracanã. A ideia da construtora é optar por um dos dois grupos, considerando quem atende as condições da licitação, paga o melhor preço e tem mais chance de ser aceito pelo governo Estadual.

A Lagardère já deixou claro que atenderá a condição de R$ 200 milhões de investimento no estádio, mais os R$ 5,8 milhões de outorga, além do dinheiro da manutenção. A expectativa da Odebrecht é que o grupo de CSM/Amsterdam Arena/GL Events confirme poder atender as mesmas condições. O governo do Estado já analisa as documentações das duas empresas para saber se serão capazes de atender as exigências financeiras da concessão.

Acabada essa análise, se ambos passarem no exame, caberá à Odebrecht escolher um dos grupos e iniciar um processo chamado “due diligence” em que aspectos do negócio são analisados como passivo trabalhista, equipamentos presentes no Maracanã, etc. Ao final, se houver um acerto, terá de haver anuência do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, à transação. Outra possibilidade ainda na mesa é uma nova licitação, embora com menos chance de ocorrer.

“O Flamengo continua defendendo a nova licitação como a melhor solução, embora não descarte participar do processo de transferência do controle da forma recentemente divulgada”, disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. O clube tem conversado com o governo do Estado sobre o processo, e já soltou notas pedindo transparência. Como o Fluminene está com o grupo, este se torna  mais viável politicamente.

A Largadère se fortalecerá se conseguir atrair clubes com bônus prometidos. Há chance de aproximação com o time tricolor que vê vantagem em manter o contrato atual o que foi confirmado pelo grupo francês. Mas o Flamengo se mostrou resistente à ideia de qualquer acerto com os franceses. A tendência é que a Odebrecht não escolha um vencedor ainda em 2016.

 


Odebrecht se nega a fazer eventos no Maracanã por briga com Rio-2016
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A Odebrecht diz que não organizará nenhum evento a mais no Maracanã enquanto não for resolvida sua disputa com o Comitê Organizador Rio-2016. Os jogos de futebol estão excluídos dessa medida. Na prática, poderão ocorrer shows desde que a negociação ocorrera com governo do Estado. Ou seja, a construtora se nega a reassumir o estádio até a briga com o organismo olímpico ser resolvida.

Essa medida é uma forma de pressão sobre a Rio-2016 e o governo. Isso porque a construtora alega que foram descumpridos os termos do contrato para uso do estádio porque ele foi entregue sem os consertos necessários, e com prováveis danos à cobertura. O comitê organizador olímpico nega.

Com isso, a Odebrecht já orientou organizadores do Jogos das Estrelas, de Zico, e do Reveillon no Maracanã a negociaram com a Casa Civil. O partida comemorativa de Zico ocorrerá porque ele negociou diretamente com o governo. Segundo a construtora, esses eventos só poderão ocorrer nos moldes das finais do Carioca-2016, em que houve negociação com a Rio-2016.

A Odebrecht já notificou o governo do Estado duas vezes por supostos descumprimentos da Rio-2016 dos termos do contrato. Entre as reclamações, estão R$ 2 milhões em contas de luz e gás não pagas, falta de consertos e mal uso da cobertura do Maracanã.

Pela explicação da construtora, a Rio-2016 colocou mais do que dobro da capacidade de peso sobre a cobertura, 181 toneladas, contra 81 toneladas previstas, por conta dos fogos. O Comitê alega ter um laudo que atesta que não houve danos.

O Rio-2016 argumenta ainda ter cumprido os termos e ter entregue o estádio em 30 de outubro, mas com a promessa de realizar os reparos necessários até o final do ano. E diz que não houve danos à coberturas.

A decisão da construtora ocorre em meio à negociação da Odebrechet para repassar a concessão do estádio. Há uma disputa entre os grupos Lagardère e o consórcio composto por CSM, Amsterdam Arena e GL Events, em parceria com o Flamengo. A construtora confirmou estar analisando as duas propostas. O governo do Estado do Rio ainda não tomou uma decisão sobre se haverá uma nova licitação.

 

 


Empresa usa modelo do Borussia para atrair Fla-Flu ao Maracanã
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Gestor de 58 arenas pelo mundo, o grupo francês Lagardère foi o primeiro a se mostrar interessado na concessão do Maracanã quando a Odebrecht sinalizou que desistiria do estádio. Sua intenção de administrar a arena tem a concorrência do consórcio formado pela Amsterdam Arena, GL Events e CSM, em parceria com o Flamengo. Caberá à construtora e ao governo do Estado decidirem a questão.

Em uma entrevista ao blog, o CEO da Lagardère, Aymeric Magne, disse que pretende atrair o Flamengo para uma parceria, mas que o Maracanã é viável sem o clube. Afirmou que em seu modelo de negócios há um maior número de shows, sinalizou com a manutenção do contrato do Fluminense, e com um aproveitamento de toda a área do complexo para eventos e atividades.

Em relação aos clubes, promete um modelo inspirado no do Borussia Dormunt, cuja arena é administrada pela Lagardère. Segundo ele, o clube tem influência nas decisões sobre o estádio.

Magne não respondeu, nem deu detalhes sobre diversos pontos de seu modelo e proposta financeira, alegando confidencialidade no negócio. Argumenta que isso será conhecido após a negociação. Lembre-se que o Maracanã foi construído com dinheiro público. Mas o executivo francês garantiu que o grupo atenderá todas as condições da concessão, incluindo R$ 1,5 bilhão para manutenção, R$ 200 milhões em investimento e pagamento de outorga. Veja abaixo a entrevista:

Blog: Qual o modelo que o senhores pensam para a gestão do Maracanã?

Aymeric Magne: Temos 58 arenas pelo mundo, sendo 45 de futebol. Nossa visão é clara: o Maracanã é o maior palco, a melhor arena do mundo. Tem quatro times que podem jogar dentro. É um conteúdo muito forte sem igual no mundo. É o palco do futebol carioca. É um monumento internacional. Nossa ideia é ter um dia a dia, revitalizar o bairro com atividades diárias. Pretendemos receber shows e times internacionais. Depois da Olimpíada, temos que aproveitar o legado para o Rio. O motor será o Maracanã.

Blog: Os senhores já tiveram conversas com os clubes sobre como seria a participação deles? 

Aymeric Magne: Tivemos discussões com times de futebol. Já existe um contrato do Fluminense com o operador. Em todas as nossas arenas nosso objetivo é gerir futebol. São 70 times de futebol pelo mundo que temos parceria. Cuidamos do marketing do Borussia Dortmund uma parte da Juventus, uma parte do Manchester City. A Arena é uma forma receita. O clube tem que participar da arena.

Blog: Então os senhores pretendem manter o contrato com o Fluminense como o feito com a Odebrecht?

Aymeric Magne: Tem um contrato vigente. Não posso entrar em mais detalhes.

Blog: O senhores pretendem negociar com o Flamengo alguma parceria? Como o senhores encaram as declarações do presidente do clube de que não jogará no Maracanã com a Lagardère? O estádio é viável sem o Flamengo?

Aymeric Magne: Como eu falei, sempre estamos querendo conteúdo para o estádio. O Flamengo é um dos grandes conteúdos, um dos maiores do Rio, um dos melhores se não o melhor time. Já temos modelos na Europa que podem ser aplicados no Brasil. Se não tiver o Flamengo, entendemos que o estádio é viável.

Blogs: Os senhores têm conversas com o Botafogo e o Vasco?

Aymeric Magne: Não posso falar sobre isso.

Blog: As informações que temos é de que teria de ser pago um valor entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões pela concessão do estádio. Dentro do sigilo da negociação, é possível revelar qual o valor? 

Aymeric Magne: Como você disse, há o sigilo da negociação. Discutimos há um amo com a Odebrecht. Temos condições pré-definidas. É uma negociação de privado com privado. Depois, o governo tem que dar a anuência porque tem todas as condições para assumir o estádio por 30 anos. Quem assume o estádio por 30 anos tem que poder pagar R$ 1,5 bilhão em manutenção, R$ 200 milhões em investimento no Maracanã e no Maracanãzinho, e ainda tem a outorga para pagar. Se não for uma empresa séria, não vai pagar e quem vai ter que pagar é o governo e o povo. O estádio custou R$ 1,2 bilhão então é muito importante pagar a outorga de R$ 5,8 milhões por ano para reembolsar o valor que foi investido.

Blog: Mas a manutenção do Maracanã custa R$ 30 milhões por ano com as economias feitas pela Odebrecht. Vocês colocam como R$ 50 milhões…

Aymeric Magne: Queremos uma operação no nível do Maracanã. Tem que ser de alto nível. Tem que atender todo o tipo de público. Tudo tem que estar limpo e funcionamento bem.

Blogs: Esse investimento de R$ 200 milhões é o mesmo previsto no edital? Porque inicialmente eram cerca de R$ 500 milhões e depois havia uma renegociação para entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões. Em que será investido?

Aymeric Magne: Com o valor corrigido, está em R$ 200 milhões. Houve uma revisão do primeiro edital. Isso seria investido no Complexo do Maracanã. Ainda não posso dar detalhes.

Blog: A Odebrecht assumiu o estádio em 2013 e não conseguiu torná-lo rentável. Por que seria diferente com a Largadère? O que os senhores fariam de diferente?

Aymeric Magne: Porque temos uma experiência de 20 anos com estádios. Administramos o Castelão e o Independência. Pesquisamos bem o Maracanã. Esse é o nosso core bussiness (negócio principal): é operar estádio e não construção. Temos parceiros globais que podem viabilizar. Teremos mais shows. Queremos que o Maracanã se torne o maior palco internacional. No Castelão, fazemos 12 shows por ano, e 47 jogos de futebol. O Maracanã tem um potencial bem maior. Precisa ter uma operação comercial internacional. Se o Allianz Parque consegue receber oito ou dez shows por ano, não sei o número exato, o Maracanã pode fazer o mesmo. Para isso, temos que flexibilizar a operação. Assim pode ter evento para 70 mil no Maracanã e outros no Maracanãzinho.

Blog: Serão revistas as condições do contrato que impediam a construção de um centro comercial perto do estádio e tombavam o Parque Julio Delamare e o Célio de Barros?

Aymeric Magne: Não posso divulgar. O que posso falar é que o Maracanã é um complexo. Todas as atividades são possíveis no Maracanã, no Maracanãzinho e dentro da área da PPP.

Blog: Vou voltar ao assunto dos clubes. Uma restrição que o Flamengo faz é a exigência de ter maior influência nas decisões do estádio. Qual o modelo que os senhores pretendem oferecer para os clubes em relação à gestão do Maracanã?

Aymeric Magne: Não posso falar em relação aos clubes. Posso dizer que será um contrato bom para eles. Eu te pergunto: quem opera a Arena Dortmund? Somos nós, e você ouve falar da Lagardère? A parceria que temos com os clubes eles têm influência sobre as decisões. Todos os modelos que temos com os clubes são para dar bônus para eles e sem ônus.

Blog: A Lagardère opera dois estádios, Castelão e Independência. O senhor pode dizer se a operação deles é superávitária? Digo se a empresa ganha mais do que investe?

Aymeric Magne: Não posso divulgar números. Posso dizer que é bom para todas as partes. Os clubes estão felizes tanto no Independência quanto no Castelão.

Blog: Um questionamento que se faz em relação à Lagardère é a parceria com a BWA, empresa paulista. A BWA já teve passagem pelo Maracanã cuidando da bilheteria e houve muitos problemas com ingressos e acusações de evasões de renda. A BWA vai participar da parceria do Maracanã? 

Aymeric Magne: Focamos no futuro e não no passado. Queremos fazer do Maracanã a melhor arena do mundo. Não sei o que aconteceu no passado. (A assessoria da Lagardère nega que a BWA faça parte do consórcio que tenta assumir o Maracanã)

Blog: Há uma perspectiva de quando vai se concluir a concorrência e a negociação em relação ao Maracanã? 

Aymeric Magne: A nossa perspectiva era que fosse o mais rápido possível para podermos desenvolver o melhor para o produto. Mas, depois da negociação privada, ainda tem que passar pelo governo. São processos que vão acontecer. Estamos fazendo o trabalho. Os próximos passos estão com a Odebrecht e o governo.

Blog: Isso significa que a proposta dos senhores já foi formalizada?

Aymeric Magne: Não falei isso.

Blogs: O senhor alegou confidencialidade em alguns pontos. Se a Lagardère sair vencedora desse processo, os dados da concessão serão divulgados?

Aymeric Magne: O processo de negociação é sigiloso. Mas, quando concluído, todos os termos da PPP serão transparentes sem frescura. O que posso dizer é que vamos cumprir 100% das condições do edital, 100% da outorga. Essas informações são importantes. Todos os requisitos do governo serão cumpridos.