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Arquivo : Mineirão

Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Cara, final tem um dos piores públicos da história da Copa do Brasil
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Após seguidas brigas entre os cartolas, as duas finais da Copa do Brasil entre Atlético-MG e Cruzeiro tiveram um público somado de 58.364 pagantes, com um média de menos de 30 mil pessoas por jogo. É apenas o 20o maior público em 26 decisões da competição. Motivos: os altos preços e as disputas entre dirigentes dos dois times.

Os dois jogos prometiam ser a maior final da Copa do Brasil. Primeiro, envolviam as melhores equipes do Brasil. Segundo, era um confronto entre rivais do mesmo Estado. As partidas podem ter sido boas, mas pouca gente assistiu a elas no campo. Foram 18.578 no Independência, e 39.786 no Mineirão, que tinha o setor do meio vazio.

Desde a criação da Copa do Brasil, em 1989, houve 19 finais que tiveram públicos maiores do que a decisão mineira, segundo levantamento do blog. As exceções são jogos que envolvem times pequenos ou equipe com estádio menores, como Paulista e Fluminense,  realizado em São Januário, ou Vitória e Santos, com uma partida na Vila Belmiro.

Em partidas de grandes, só Fluminense e Inter, em 1992, teve menos gente e assim mesmo porque o time carioca não contava com o Maracanã na época e atuou nas Laranjeiras. Claro, os estádio no Brasil diminuíram. Mas, para se ter uma ideia, o público somado das finais mineiras foi menor do que o da segunda partida da decisão entre Flamengo e Atlético-PR, no ano passado, que totalizou 68 mil presentes em um Maracanã já moderno.

O que levou a isso? Há a rivalidade entre os clubes que gerou uma briga por ingressos, e marcação do primeiro jogo para o Independência. O Atlético-MG dificultou as coisas para o Cruzeiro na primeira partida, e não houve torcida visitante. O clube celeste criou obstáculos para o rival na segunda partida, e o número de visitantes foi reduzido.

Mas o principal culpado foi o preço abusivo do ingresso. O Cruzeiro acabou com uma renda de R$ 7.855 milhões, abaixo dos R$ 10 milhões esperados. Com esse público, o ingresso médio ficou em R$ 197,44 – seria ainda mais se a Justiça não tivesse barrado os R$ 1.000 pedidos para o setor dos atleticanos. No primeiro jogo, o Galo cobrou ainda mais: o valor do bilhete médio atingiu R$ 255,19. Apenas as entradas da final da Libertadores de 2013 atingiram patamar similar.

O fracasso de público da decisão coloca em xeque esse crescimento de preços de ingressos muito acima da inflação. Em 2013, o Flamengo cobrou R$ 162,00 em média por entrada, e lotou o estádio. Parece ter encontrado um valor aceito pelo mercado. Clubes mineiros subiram ainda mais o valor e viram vários lugares vazios. Se o torcedor aceita reajustes em partidas finais, há limites.

Há ainda uma discussão em relação à elitização do futebol. Faz sentido o clube lucrar o máximo possível com bilheterias para pagar suas contas. Mas até que ponto uma política de preços abusivos compromete o espetáculo? Na última vez em que disputou uma final da Copa do Brasil no Mineirão, o Cruzeiro teve 80 mil de público diante do Flamengo. Foi campeão.


Estado deixa Mineirão mais barato e turbina ganhos de Cruzeiro e Galo
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Entre os principais estádios do Brasil, o Mineirão tem um dos custos mais baixos do Brasil para Atlético-MG e Cruzeiro, que disputam a final da Copa do Brasil no local. Explica-se: um modelo de PPP (Parceria Público-Privada) entre o governo do estado e a Minas Arenas leva, indiretamente, parte da conta para os cofres públicos. Quem se beneficia são os clubes com rendas maiores.

O blog fez um levantamento dos gastos de três jogos de cada um dos estádios dos times com melhor média de público no Brasileiro, além dos mineiros. São Internacional (Beira-Rio), São Paulo (Morumbi), Corinthians (Itaquerão) e Flamengo (Maracanã). Todos têm custos maiores do que o Mineirão apesar de três deles serem privados.

Nas três últimas partidas, o Cruzeiro ficou com 68% da renda total (o restante é receita da Minas Arena ou despesa), o Corinthians com 62%, o São Paulo, com 50%, o Inter, com 62%, e o Flamengo com 23%. Com exceção do Morumbi, são arenas modernas construídas para a Copa como o Mineirão. Em duas partidas medidas, da Copa do Brasil, o Galo ficou com 66% da receita.

Um dos motivos é que desde o ano passado nem atleticanos, nem cruzeirenses pagam parte das despesas do estádio como limpeza, apenas bancam a sua própria operação. O Galo utilizou-se de uma cláusula da PPP para não arcar com o valor na final da Libertadores e, a partir daí, o clube celeste também deixou de quitar o montante por exigir igualdade de condições. Na versão da diretoria do Cruzeiro, isso representaria R$ 80 mil por jogo. Mas o valor pode ser maior.

“Todos os times que mandam seus jogos no estádio são responsáveis pelas despesas operacionais. A questão com o Cruzeiro está sendo tratada internamente com o clube”, afirmou a assessoria da Minas Arena. Na prática, a administradora cobra, o time ignora. O Estado de Minas confirma que abriu exceções, previstas no contrato da PPP, para jogos do time alvinegro e celeste, mas que não vale para todas as partidas.

Com isso, a renda operacional da concessionária é comprometida. Mas o contrato prevê que o Estado pague à Minas Arena R$ 3,5 milhões garantidos pela operação caso não seja obtido nenhum lucro. “A concessionária precisa também cumprir metas financeiras e, caso registre prejuízos a partir do 24º mês de operação do estádio, os pagamentos feitos pelo Estado poderão ser reduzidos em até 60%”, contou a Secretaria de Turismo e Esporte de MG em nota. Sem o lucro, quem cobre as despesas, de fato, são esses pagamentos dos cofres públicos.

O governo do Estado nega que financie os clubes. Mas a informação é de que o Estado paga R$ 12 milhões por mês entre custos de construção (R$ 7,5 milhões), e para cobrir a operação do Mineirão (R$ 3,5 milhões). Se houvesse lucro, o segundo valor cairia.

Esse número, no entanto, é tratado de forma obscura e não é divulgado como deveria por lei. O blog enviou perguntas à Minas Arena e à Secretaria de Turismo e Esporte de MG sobre qual o valor exato da parcela atual, mas nenhum dos dois lados respondeu. Nenhum dos dois também informou se houve lucro na operação do estádio. Trata-se de dinheiro público, lembre-se.

“Não existe garantia de rendimento do Estado para a Concessionária, que pode ter prejuízo em sua administração do Mineirão”, informou a Secretaria de Turismo. Em seguida, explicou que o pagamento da operação do estádio é feito com base em indicadores de desempenho. 

Não é só isso. Pelo contrato, a administradora do estádio fica com setores caros que geram R$ 800 mil em jogos rentáveis como Cruzeiro e Goiás, ou Atlético-MG e Flamengo. Camarotes também estariam entre as receitas, mas não pouco significativos até o momento. Enquanto isso, a receita dos clubes ultrapassa R$ 2 milhões com todo o restante da bilheteria.

“No caso do Cruzeiro, contamos com um estádio de 1a linha sem ter custo nenhum de construção. É justo que tenha contrapartida para a Minas Arena”, contou o diretor de marketing do Cruzeiro, Marcone Barbosa, que nem pensam em uma casa própria neste cenário. “A situação é muito favorável ao Cruzeiro. Cobramos o ingresso até 20% mais barato em 54 mil lugares. E nosso ingresso aumentou com novo Mineirão.”

Em 2013, o clube ficou com cerca de R$ 40 milhões em bilheteria. Com a receita turbinada da final, estimada em R$ 10 milhões, a expectativa é de que esse número chegue até R$ 45 milhões pelo menos em 2014. Em comparação, o clube ganhava menos de R$ 20 milhões em 2009, antes da reforma do Mineirão. O estádio ainda é o principal atrativo para o sócio-torcedor.

Apesar de preferir o Independência, o Galo ganhou R$ 4 milhões líquidos em dois jogos da Copa do Brasil com percentual de ganho igual ao do Independência.

 


Mineirão cobra até R$ 3 mi do Cruzeiro por despesas não pagas em jogos
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Líder do Brasileiro, o Cruzeiro vive uma disputa com a Minas Arena, gestora do Mineirão, em relação ao custo de operação dos jogos e a uma suposta dívida do clube. A administradora do estádio aponta que a agremiação dá um calote nas despesas operacionais das partidas há um ano. A diretoria cruzeirense alega que não tem que pagar esses custos.

O imbróglio começou após a final da Libertadores, em 2013, entre Atlético-MG e Olimpia. Utilizando-se de uma brecha do acordo entre a Minas Arena e o governo estadual, o Galo não pagou nada para usar o estádio. Irritado, o Cruzeiro informou que, a partir dali, não quitaria mais as despesas operacionais de seus jogos, sendo que o time tem contrato com a administradora.

Na versão da diretoria cruzeirense, o contrato previa o pagamento de R$ 80 mil por partida para a Minas Arena. Mas, se fosse oferecida condição melhor para outro clube, o time azul teria o mesmo direito. Por isso, parou de pagar.

“O Cruzeiro vinha pagando, mas, como o governo ofereceu essa condição mais favorável ao Atlético-MG, o presidente Gilvan decidiu não pagar mais”, afirmou o diretor de marketing cruzeirense, Marcone Barbosa. “Não recebemos nenhuma notificação (da Minas). Só houve cobranças extraoficiais. Então, essa questão segue controversa.”

O blog apurou que os diretores da Minas Arena estão extremamente preocupados com a falta de pagamento, e com o futuro da concessão do estádio. Até porque, com maiores despesas, a eficiência de sua gestão e a relação com o governo Estadual são afetadas.

Pelo que apurou o blog, o Estado de Minas paga cerca de R$ 12 milhões mensalmente ao consórcio pelas parcelas de remuneração de gestão da arena e pela sua construção. A reportagem não conseguiu contato com representantes da Minas Arena, já que ninguém atendeu o telefone em seus escritórios.

Desde a final da Libertadores, o Cruzeiro já jogou 37 vezes no Mineirão. Com as despesas de R$ 80 mil por jogo, o clube deixou de pagar R$ 2,960 milhões. Em nota em coluna de Jaeci Carvalho, no jornal “Estado de Minas”, a informação é de que o débito gira em torno de R$ 2 milhões.


Metade dos jogos do Brasileiro é disputada em estádios velhos
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A Copa-2014 proporcionou como principal legado uma série de estádios novos para o futebol brasileiro. Só que, na Série A do Nacional, metade das partidas ainda é disputada em arenas velhas, construídas há quase cem anos em alguns casos. No total, houve até mais jogos da elite nestas estruturas antigas em 2014 por conta do fechamento das outras para o Mundial.

No total, foram jogadas 98 partidas em estádios velhos, e 62 nos novos ao final desta 16a rodada. Desconsideradas as rodadas afetadas pela Copa, o número fica de 58 a 53. As últimas rodadas, no entanto, têm uma igualdade entre as arenas.

Considerados os 20 times da Série A, metade deles têm como sede principal estádios novos, construídos para o Mundial-2014 ou dentro do padrão da Fifa. São arenas como o Mineiro, Beira-Rio, Itaquerão, Maracanã, Independência, Arena da Baixada, Arena do Grêmio e Fonte Nova.

Mas outras 10 equipes ainda mandam jogos em arenas antigas – algumas foram reformadas recentemente, mas estão longe do padrão de praças modernas. São os casos do Couto Pereira, Orlando Scarpelli, Pacaembu, Barradão, Heriberto Hulse, Arena Condá, Serra Dourada, Vila Belmiro, Ilha do Retiro e Morumbi.

Levantamentos já mostraram que os estádios novos têm mais público e mais gols. Mas a realidade brasileira ainda é ter jogos em estruturas obsoletas, ou pequenas, algumas vezes até com o gramado fora do padrão adotado em jogos modernos.

“O público brasileiro ainda convive com dois planetas diferentes: o da Copa-2014 e dos estádios de 1950. Isso vale na Série B, Série C”, analisou o arquiteto da Arena Pantanal, Sergio Coelho. “Há uma diferença na visibilidade, segurança, atendimento ao atleta. Quem segue o futebol tem essa experiência.”

Arquiteto da Fonte Nova, demolida e reconstruída, Marc Dwe reforçou a posição ao comparar o projeto antigo ao atual da arena baiana. “Há mais espaço para o vestiário, imprensa, área VIP. Aumenta-se o número de sanitários”, contou. “A área que ocupa é menor que a anterior, mas o prédio é maior.”

Ambos ressaltaram que será difícil a adaptação dos estádios velhos a condições similares dos novos, a não ser se houver um alto gasto como no novo Maracanã, R$ 1,2 bilhão. “Esses estádios novos vão causar efeito no público que vai exigir serviço diferente, e o outro vai ter que se modernizar.”

Quando for inaugurada a Arena Palmeiras, haverá uma superioridade de mandantes com estádios novos na Série A. Espera-se que o padrão visto neles se replique para os outros lugares, o que representaria um aumento considerável do legado da Copa. Até porque pagou-se bastante caro por isso.


Globo negocia para ganhar com propaganda em telões de estádios
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A Globo iniciou negociação com os donos dos principais estádios brasileiros para estabelecer uma parceria para ganhar dinheiro com propaganda nos telões durante jogos. Seria mais uma extensão do braço de atuação da emissora no futebol que já tem contratos de transmissão, fechada e aberta, internet e exploração de placas, entre outros.

O blog apurou que a Globo vem apresentado a ideia para os gestores das novas arenas brasileiras que contam com o equipamento desde antes da Copa-2014. Entre os que receberam propostas, estão o Maracanã, o Itaquerão e o Mineirão. As conversas ainda estão em fase inicial.

Nas reuniões, o modelo proposto é de que ela inclua os telões em seu pacote publicitário do futebol, que já tem as placas. Assim, poderia aumentar o que é cobrado dos parceiros. Em troca, daria um percentual do ganho para os donos das arenas. No caso de estádios como o Maracanã, esse dinheiro seria dividido com os clubes.

O problema é que os donos das arenas temem que a Globo use sua força para cobrar alto dos parceiros, mas repassar valores pequenos para os donos dos estádios. Em compensação, os gestores da arena apostam que a parceria poderia possibilitar acesso ao conteúdo da emissora, que inclui gols, e lances históricos do futebol brasileiro.

Mas há administradores de estádios que falam em fazer uma concorrência com outra emissora que detenha os direitos de jogos, como a Band, se a proposta da emissora for ruim. Fato é que, com audiência em baixa, a Globo dá mais um passo para aumentar seu poder no futebol nacional, além da atuação ampla que já tem com os clubes. O blog tentou ouvir executivos da emissora, sem sucesso.


Itaquerão e Beira-Rio têm menor custo por jogo de estádios da Copa
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Privados, o Itaquerão e o Beira-Rio têm as menores despesas percentuais por jogo entre os estádios da Copa-2014. Isso significa que o Corinthians e o Internacional ficam com uma fatia bem maior das receitas das partidas.

A constatação foi resultado de levantamento do blog em borderôs de jogos das dez arenas. Como critério, foram consideradas todas as despesas, desde custos operacionais a descontos de federações estaduais.

Foram usadas de três a cinco partidas por sede, com exceção do Itaquerão. A Arena das Dunas foi desconsiderada porque a maioria dos seus jogos dá prejuízo, o que causaria uma distorção. E a Arena da Baixada ainda não tem relatórios financeiros disponíveis.

Se as sedes privadas aparecem com o menor custo, os estádios geridos por empreiteiras ou por governos têm os maiores custos. Nas mãos de um consórcio formado pela Odebrecht e pela OAS, a Fonte Nova é o caso mais absurdo com despesas que mordem 69% das receitas em jogos do Bahia e Vitória.

Em seguida, estão estádios como Maracanã (47%), Castelão (57%) e Mané Garrincha (53%). Os dois primeiros também são administrados por concessionárias com liderança de empreiteiras – a Odebrecht, no caso da praça carioca. Já a arena brasiliense é responsabilidade do governo do Distrito Federal.

Esses números chamam atenção quando confrontados com os percentuais pagos por Corinthians e Internacional. A estreia do Itaquerão teve um custo de 21,4% da renda total – R$ 650 mil de uma renda de R$ 3 milhões. No caso do Beira-Rio, o Internacional gasta em média 23,6% de suas rendas com despesas operacionais desde a reabertura.

Claro que no caso corintiano houve alguma economia por o jogo inaugural ser evento teste da Fifa e por itens que faltam na arena, como monitoramento. O COL (Comitê Organizador Local) pagou, por exemplo, por 700 seguranças. Mas o clube colorado já fez um jogo com ajuda do comitê e a queda de despesa não foi tão significativa.

Há ainda de se levar em conta o fato de o Corinthians ter cobrado um alto ingresso médio (R$ 83), o que ajuda a minimizar o impacto das despesas. Mas o que fica claro é que, ao gerir seus próprios estádios, os clubes conseguem reduzir consideravelmente as despesas da partida.

A Odebrecht, no entanto, contesta a comparação afirmando que “o critério adotado pela reportagem desconsidera pontos cruciais na operação dos estádios.” Primeiro, cita os eventos-teste da Fifa como fator para baratear o jogo do Itaquerão e depois fala dos custos de manutenção.

“(Nos estádios da Odebrecht) Há casos que incluem os custos de operação e manutenção, e há caso em que os custos não são contemplados nos borderôs. No caso do Maracanã, por exemplo, a segurança patrimonial é feita além do estádio, abrangendo as estações de metrô e trem. Desta maneira, cada arena tem serviços específicos, que impossibilitam a comparação real dos custos”, disse a Odebrecht.

Mas fato é que os clubes não têm que pagar aluguel, não têm despesas operacionais em montantes acima de R$ 300 mil. Para se ter uma ideia, na final da Copa do Brasil, o Flamengo perdeu R$ 4 milhões em custos da concessionária do Maracanã e para outros itens.

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro, por exemplo, exige 10% da receita total. O levantamento usou jogos do Botafogo, Flamengo e Fluminense, que têm modelos diferentes, para não haver distorções.

Da regra de altos custos impostos por empreiteiras, só escapa a Arena Pernambuco, que teve descontos em torno de um quarto das rendas dos jogos do Náutico. O estádio também é gerido pela Odebrecht.

Veja abaixo quanto gasta percentualmente cada estádio da Copa-2014 com despesas em geral:

Arena Amazônia: 43%

Arena Pantanal: 38%

Arena Pernambuco: 26,8%

Beira-Rio: 23,6%

Castelão: 57%

Fonte Nova: 69,2%

Itaquerão: 21,44%

Mané Garrincha: 53,2%

Maracanã: 46,8%

Mineirão: 26,8%


Dez estádios da Copa tiveram obras mais lentas que padrão. Veja quais
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Com o primeiro jogo oficial no Itaquerão, neste domingo, os 12 estádios da Copa-2014 terão recebido partidas oficiais de futebol. Ou seja, todos estão funcionais, o que marca praticamente o final das obras – ainda há o fazer em alguns projetos que estão inacabados. Um levantamento do blog mostra que dez das arenas tiveram construções ou reformas mais lentas do que o padrão internacional.

Um dos vice-presidentes do Sinaenco, Leon Myssior, que projetou a Arena Independência, explicou que um estádio com planejamento bem feito pode ser erguido em um prazo entre 24 meses e 30 meses. Isso desde que não existam condições que dificultem a obra, como terrenos não-planos ou necessidade de demolições.

“Para isso, contando um estádio com cerca de 100 mil metros quadradros, se o projeto executivo estiver pronto, e com a utilização de pré moldados dá para fazer neste prazo. É o prazo certo, que dá para cumprir bem sem necessidade de terceiro turno. Em um processo acelerado, poderia ser feito em 20 meses”, explicou Myssior.

Do que foi feito para a Copa-2014, apenas os estádios do Mineirão e do Castelão foram feitos dentro deste prazo – ambos foram concluídos em 26 meses. A Arena das Dunas até teve as obras concluídas em 30 meses para realização da primeira partida. Mas ainda há arquibancadas provisórias sendo colocadas para atender a capacidade exigida para o Mundial.

De resto, os outros nove estouraram o prazo padrão. A obra mais demorada foi a Arena Pantanal, cuja construção demorou 47 meses, entre maio de 2010 e abril de 2014, quando foi realizado o primeiro jogo. A Arena Amazônia e o Beira-Rio também ultrapassaram os 40 meses para serem concluídos.

Claro que cada um teve um problema diferente – a Arena da Baixada e o Beira-Rio, por exemplo, tiveram falta de recursos para os projetos em determinado momento. Mas, em comum entre os erros, Myssior vê a falta de um projeto executivo bem elaborado antes do início das obras, e o uso de materiais estrangeiros de difícil aquisição.

Lembre-se que foi o governo federal que criou uma lei diferenciada para as contratações da Copa (RDC), que permitia licitações apenas com projeto básico. Lembre-se que a Fifa exigiu determinados padrões nos estádios que levaram a instalações de coberturas e especificações que muitas vezes só eram atendidas no exterior.

“A falta de projeto básico transforma as estimatidas de prazo e de custo em meras estimativas sem nenhuma base na realidade. Somos todos bobos em acreditar nisso. Os primeiros números divulgados foram simplesmente jogados para a platéia”, afirmou Myssior.

“E essas membranas de TPFE que foram instaladas na cobertura, só podem ser feitas em poucos países. Isso cria um problema logístico. Aquelas sedes que terminaram mais rápido, Castelão e Mineirão, foram justamente por substituíram muitos desses materiais”

Veja abaixo o prazo que cada estádio demorou para ficar pronto:

Belo Horizonte

Mineirão: 26 meses

Início de obra: Dezembro/2010

Primeiro jogo: Janeiro/2013

Brasília

Mané Garrincha: 35 meses

Início de obra: julho/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Cuiabá

Arena Pantanal: 47 meses

Início da obra: maio/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Curitiba

Arena da Baixada: 32 meses

Início da obra: outubro/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Fortaleza

Castelão: 26 meses

Início da obra: dezembro/2010

Primeiro jogo: janeiro/2010

Manaus

Arena Amazônia: 44 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: março/2014

Natal

Arena das Dunas: 30 meses

Início da obra: Agosto/2011

Primeiro jogo: janeiro/2014

Porto Alegre

Beira-Rio: 46 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Recife

Arena Pernambuco: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Salvador

Fonte Nova: 34 meses

Início da obra: junho/2010

Primeiro jogo: abril/2013

Rio de Janeiro

Maracanã: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: junho/2013

São Paulo

Itaquerão: 36 meses

Início da obra: maio/2011

Primeiro jogo: maio/2014


Instalações provisórias só ficarão prontas a poucos dias da Copa
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As instalações provisórias nos estádios da Copa ficarão prontas poucos dias antes dos jogos, entre o final de maio e o início de junho. É o fica claro em levantamento do blog sobre o andamento das contratações para essas estruturas complementares nas cidades-sede.

Essas instalações -que inclui geradores, locais e equipamentos para jornalistas, cercas, entre outros itens – são levantadas com rapidez e em geral são feitas mais perto dos eventos. Mas a Fifa tinha um cronograma para que estivessem realizadas antes para poder testá-las. Isso não será possível na maior parte das sedes.

Nos três maiores estádios, Mineirão, Maracanã e Itaquerão, não houve ainda início das contratações dessas instalações. Detalhe: são nesses locais onde haverá as maiores estruturas. Os governos de Minas Gerais e Rio de Janeiro se preparam para começar o processo em breve, e o Corinthians trabalha para viabilizar o dinheiro se é que o COL (Comitê Organizador Local) não pagará por isso.

No Beira-Rio, o governo do Estado também financia as contratações por meio de captação de recursos com renúncia fiscal, o que está em andamento após aprovação de lei. Outro que ainda trabalha para iniciar o processo de compra de serviços e bens é o Distrito Federal.

Na Arena Amazônia, a Secretaria de Copa do Estado informou que, com a licitação concluída, a intenção é acabar tudo em junho. No Castelão, a data-limite do governo do Ceará também é 6 de junho, como informado pela secretaria de Copa.

O governo do Estado do Rio Grande do Norte prevê para final de maio a realização das estruturas, que passarão a ser instaladas em 20 de abril. Só que a licitação para contratação ainda está em andamento.

A Arena da Baixada e a Arena Pernambuco estão mais avançados neste item: já houve início das instalações. Mato Grosso também já concluiu a contratação de empresa responsável pelas complementares da Arena Pantanal.

A Fifa queria que tudo começasse a ser posto em volta dos estádios a partir de março. Ninguém cumpriu o prazo.

( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)