Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Olimpíada-2016

Após Copa e Jogos, reparo na cobertura do Maracanã pode custar R$ 60 mi
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A solução para a futura gestão do Maracanã ganhou um novo obstáculo com a revelação de danos extensos na cobertura do estádio. A pedido da Odebrecht, o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) fez um laudo sobre o teto do estádio constatando problemas em um quinto dos painéis a maioria causado pela Copa-2014 e a Olimpíada-2016. Não está no relatório, mas os custos para consertos podem chegar a R$ 60 milhões.

Para se atingir esse cálculo, é preciso primeiro lembrar dos danos causados pelos fogos da cerimônia de encerramento da Copa do Mundo. Os custos para consertos foram de R$ 16 milhões. Esse dinheiro foi pago pela Fifa para a Odebrecht para cobrir o seguro da cobertura, após um laudo da consultoria SBP.

Os consertos, no entanto, nunca foram feitos pela Odebrecht. A empreiteira alega que o governo do Estado pediu que não fosse feito antes em 2016 por conta do período olímpico. Teoricamente, o dinheiro está no caixa da Odebrecht para pagar pelos reparos.

O laudo do IPT estabeleceu que houve o triplo de danos aos painéis da cobertura com os fogos das cerimônias de abertura e encerramento, nos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. Até porque foram quatro eventos.

A Odebrecht afirma que avisou o Comitê Rio-2016 que não poderia haver excesso de fogos na cobertura por orientação do fabricante da cobertura. O Comitê alega ter um laudo do SBP dizendo que não houve danos com a queima de fogos.

Fato é, com o triplo de danos causados na Olimpíada em relação à Copa, a cobertura necessitaria do triplo de investimento. Assim, o valor de R$ 16 milhões seria multiplicado por quatro, segundo cálculos de fontes envolvidas com a questão do estádio. Ou seja, atingiria um total em torno de R$ 60 milhões.

A Odebrecht pagará um quarto disso, mas responsabiliza o Comitê Rio-2016 pelo restante. O comitê, além de negar culpa, está sem dinheiro até para pagar suas próprias dívidas. E, no final da linha, uma despesa além do seu limite recairá sobre os cofres públicos que têm que bancar déficit de seus orçamentos. Responsável pelo estádio, o governo do Rio ainda não se pronunciou sobre o laudo.

Para piorar, o conserto da cobertura implica em tempo do estádio fechado. Não seriam períodos longos, mas certamente afetarão os clubes cariocas que têm atuado com frequência no estádio. Em resumo, a equação para encontrar uma solução para o Maracanã se torna mais cara.


Olimpíada dá isenção fiscal a Odebrecht, Globo e quase 800 empresas
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A Olimpíada do Rio-2016 dará isenção fiscal para um total de 780 entidades e empresas. Entre elas, estão gigantes como a Globo, a Odebrecht, o Bradesco, a Coca-Cola e a Nike. Além disso, firmas de pessoas ligadas ao presidente do Comitê Organizador do Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman, também são favorecidas. A Receita Federal confirmou o benefício aos integrantes da lista, mas não informou a parte de cada um no bolo.

Em 2013, a presidente Dilma Rousseff, hoje afastada, sancionou a Lei 12.780 aprovada pelo Congresso que concedia isenções fiscais ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e ao Rio-2016. Isso incluiu fornecedores de serviços e patrocinadores do evento. É uma exigência do COI ao país-sede, compromisso firmado na candidatura do país, e praxe em outras edições. No Brasil, o total previsto é de R$ 3,8 bilhões.

“A Lei tem o propósito de criar incentivos fiscais para o comitê organizador. Isso é nos moldes da Copa do Mundo para desonerar custos da realização”, informou o comitê. “O Rio-2016 requer as habilitações. Só as empresas que estão com regularidade fiscal que podem ser incluídas, e só em notas para pagamento do Rio-2016.”

As isenções se restringem aos serviços ou produtos usados pelas empresas ou entidades para os Jogos, no período de janeiro de 2013 e 2017. Cada empresa passa a ter o direito a não pagar os impostos a partir do momento em que a Receita a inclui na lista.

No caso das empresas nacionais, elas não precisam pagar nenhum imposto de importação para produtos ou serviços vindos do exterior. Também não pagam IPI de produtos adquiridos no país para realizar os Jogos, nem têm de quitar PIS/Pasep e Cofins por serviços contratados. Firmas vinculadas ao COI não têm de pagar nem imposto de renda.

Envolvida na operação Lava-jato por acusações de corrupção, a Odebrecht tem duas empresas na lista de isentas. No início de janeiro de 2015, a empresa foi incluída como integrante do consórcio integrador do Parque Olímpico. Além disso, a Maracanã Entretenimento, subsidiária da empresa que administra o estádio, também goza de isenção.

Questionada, a Odebrecht não quis dar mais informações sobre quais eram os serviços e produtos que tiveram isenção: limitou-se a dizer que fora informada de que poderia gozar do benefício.

A construtora têm a maior parte dos contratos de construção da Olimpíada, incluindo parte do Parque Olímpico, Porto Maravilha, BRT da Transolímpica, entre outros. No total, os projetos ultrapassam R$ 10 bilhões. Mas esses contratos são com a prefeitura do Rio de Janeiro e portanto não devem ter isenção. A Carvalho Hosken, parceira da construtora no parque, também está na lista das beneficiadas.

A Globo Comunicações foi incluída na lista da Receita em maio de 2015 como prestadora de serviços e transmissora oficial do evento. “A isenção se estende aos tributos devidos pelo COI e aquelas entidades em razão de pagamentos feitos por detentores de direito de transmissão – a Globo entre eles”, informou a assessoria da Globo. Acrescentou que o pagamento da importação de equipamentos também está isento.

A emissora disse que ganhos com publicidade não estão livres de impostos. Com cotas de R$ 255 milhões, a Globo ganhará R$ 1,5 bilhão só em propaganda direta com os Jogos. “O valor da desoneração das emissoras é pequeno em relação ao total da isenção prevista em lei”, disse a assessoria.

Um dos dois maiores bancos brasileiros, o Bradesco tem quatro empresas na lista da isenção por conta do patrocínio à competição. São Bradesco Saúde, Companhia de Seguros, Previdência e Seguros. Não fica claro porque a unidade de Seguros foi incluída duas vezes. Todas entraram na lista em junho de 2014. No primeiro trimestre de 2016, o Bradesco teve lucro de R$ 4,1 bilhões. O banco não quis se pronunciar sobre a isenção.

Outros patrocinadores como Coca-Cola, Nike, Panasonic, Tam e Nissan ainda estão na lista. Na lista, ainda aparece a WTorre, outra construtora envolvida na operação Lava-Jato. A empresa alega que alugou um galpão para o Rio-2016, mas nunca gozou de benefícios fiscais porque inicialmente eles não eram válidos para o serviço. Quem teve, sim, isenção foi a Concremat, responsável pela construção da ciclovia da Avenida Niemeyer que caiu matando duas pessoas.

Fora esses grandes grupos, outros favorecidos foram o escritório de advocacia HB Cavalcanti e Mazzilo, que é do amigo de Nuzman Sergio Mazzilo. O escritório foi contratado pelo Rio-2016, como revelou o site da ESPN. A agência de viagens Tamoyo Internacional também ganhou o benefício: trata-se da agência oficial do COB.

O Comitê Rio-2016 não respondeu a perguntas específicas sobre cada empresa, mas defendeu sua forma de trabalhar.  “O Comitê trabalha com transparência e uso correto e competente dos recursos. Todos os prestadores de serviços executam suas obrigações para receber as contrapartidas. E as contratações são informadas de forma transparente para a sociedade”, disse por meio de assessoria.

A lei estabelece que o COI ou Rio-2016 têm que disponibilizar informações individualizadas sobre as renúncias fiscais por transparência no processo. O blog pesquisou na sessão de documentos do site do comitê e não encontrou esses dados, e o comitê não informou onde eles estão.

Já o TCU (Tribunal de Contas da União) cobrou transparência no processo de isenções fiscais. Mas a Receita também se recusou a informar quanto cada empresa teve de benefício fiscal. Alega sigilo fiscal.

“Informo que todas as pessoas físicas e jurídicas listadas nos arquivos (lista da própria Receita) abaixo estão habilitadas à fruição dos benefícios tributários referentes à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, criados pela Lei nº 12.780, de 2013, que detalha quais impostos e em quais condições podem ser suspensos ou isentos”, disse a Receita Federal.


Cortes de patrocínio e verba ameaçam natação brasileira após Olimpíada
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Com Guilherme Costa

Às vésperas da Olimpíada-2016, a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos enfrenta uma crise financeira que ameaça o futuro da natação após os Jogos. Verbas de patrocínio dos Correios e do Ministério do Esporte sofrerão sério corte ou podem cair até a zero. O investimento privado é reduzido. Assim, a diretoria da entidade negocia para salvar o que for possível.

Em entrevista a “O Globo”, o presidente dos Correios, Guilherme Campos, afirmou que iria cortar pela metade toda a verba de patrocínio da empresa por conta da crise. A CBDA é uma das principais parcerias. Só para confederação o valor gira em torno de R$ 25 milhões por ano, e já tinha sofrido redução de 10% em 2016.

“Estou negociando para que pelo menos não caia a zero (o patrocínio), que fique uma parte reduzida”, contou o coordenador técnico da CBDA, Ricardo Moura. “Os Correios são importante para a CBDA, mas a CBDA é importante para os Correios.” A parceria se iniciou em 1993 e o atual contrato se encerra em outubro.

Não é a única ameaça aos esportes aquáticos. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, avisou, em reunião no início da semana, que não há perspectivas animadoras sobre verbas de convênios para confederações. Os recursos para projetos esportivos – que inicialmente seria de R$ 150 milhões e foram cancelados – devem ser refeitos em valores bem menores.

Picciani informou que esse o total terá de ser dividido com verba para municípios, e manutenção do Parque Olímpico, custo que deve ser dividido com a prefeitura do Rio. O que sobrasse iria para projetos de preparação de atletas. “Só a manutenção do Parque deve dar uns R$ 100 milhões. O que vai sobrar?”, disse Moura.

No total, a receita da CBDA foi de R$ 44 milhões no ano passado. Desse total, R$ 38 milhões foram de patrocínios, incluindo os convênios do Ministério e os Correios. Ou seja, sobrariam uma pequena parte disso, verbas de patrocínios menores como o Bradesco e a Lei Piva, cerca de R$ 5 milhões.

Moura fala em “salvar o máximo possível”. Para os Jogos, ele disse já ter sofrido impacto na preparação dos atletas, embora tente minimizar o problema para não perder o foco na competição.

A situação da CBDA – que cuida do pólo aquático, natação, saltos ornamentais e maratona aquática – é similar a de outras confederações. O plano Brasil Medalhas 2016 -criado pela presidente afastada, Dilma Rousseff – tem perspectivas mínimas de continuidade após os Jogos.

O governo do presidente, Michel Temer, tem que cortar gastos diretos por conta do rombo no orçamento do governo, além dos investimentos estatais e de isenções. E as confederações nunca conseguiram viabilizar verbas privadas em volume suficiente para sua manutenção no futuro.


Rio-2016 reduz repasse de patrocínio e COB tem perda de R$ 41 milhões
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Em uma revisão do acordo de marketing entre as partes, o Comitê Organizador do Rio-2016 reduziu o repasse de patrocínio para o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Com isso, a organização que gere o esporte olímpico nacional teve uma perda estimada de R$ 41 milhões. Isso reduz o dinheiro disponível para a preparação olímpica.

Em todos os Jogos, o comitê organizador local repassa uma parte dos patrocínio obtido para o organismo esportivo local. É uma forma de compensar a entidade por não poder firmar parcerias com empresas concorrentes das que apoiam Olimpíada.

Pelo acordo firmado entre o Rio-2016 e o COB, seriam repassados 12% de todos os patrocínios obtidos com a olimpíada para a organização do esporte olímpico brasileiro. Isso ocorreria até o total de US$ 60 milhões – ou R$ 120 milhões pelo câmbio da época. Depois disso, o percentual cairia para 8%. É o que está descrito em documentos do comitê brasileiro de 2013.

Com esse percentual, o COB recebeu R$ 69 milhões em patrocínios em 2014. Só que aí o balanço do comitê de 2015 registra uma queda: fica com apenas R$ 16,5 milhões. O documento contábil do comitê explica a situação: “Durante o ano de 2015, houve renegociação do saldo devedor do contas a receber e da metodologia de cálculo da parcela a receber do COB referente aos repasses de patrocínios.”

Pelos novos termos, o valor máximo a ser recebido pelo COB será de R$ 120 milhões considerados todos os anos. Com a correção da inflação, sobrou um saldo de R$ 56 milhões para ser quitado até o final de 2016.

“Desde a candidatura que estava prevista essa limitação em US$ 60 milhões”, defendeu o diretor de comunicação do comitê Rio-2016, Mario Andrada.

Mas não é o que esperava o COB. Tanto que o blog apurou que há contrariedade dentro do comitê com o novo modelo. No balanço, o comitê registrou que o prejuízo foi de R$ 41 milhões, dinheiro que esperava receber e teve que contabilizar como perda. O blog mandou perguntas para o COB sobre o tamanho do efeito na preparação olímpica, mas não recebeu respostas.

O presidente do Comitê Rio-2016 e do COB é a mesma pessoa: Carlos Arthur Nuzman. Já houve questionamentos dentro do COI de que isso geraria conflito de interesse. Ele sempre negou que pudesse acontece.


Cartolas e parceiros do COI ficam com 20% dos ingressos da Rio-2016
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Com Vinícius Konchinski

O Comitê Organizador da Rio-2016 e o COI (Comitê Olímpico Internacional) destinaram 20% dos ingressos da Olimpíada para seus parceiros, cartolas e patrocinadores. Esse total não poderá ser negociado com o público em geral. É fatia similar ao que foi separado na Olimpíada de Londres-2012.

Nesta quarta-feira, no festejo de um ano para os Jogos, o Rio-2016 anunciou que metade dos 7,5 milhões de ingressos tinha sido vendida. Para o torcedor comum, no entanto, foram negociados entre 2,2 milhões e 2,3 milhões.

O restante composto por cerca de 1,5 milhão foi entregue a “parceiros internacionais”. Na prática, isso inclui a família olímpica (cartolas, técnicos, atletas e seus convidados), patrocinadores, parceiros locais, comitês olímpicos nacionais, mídia e pacotes de hospitalidade. Esses grupos têm que pagar pelas entradas, com exceção de esportistas, treinadores, jornalistas e alguns agregados do COI.

O manual técnico de ingressos de Londres-2012 destinou exatamente a fatia de 20% dos bilhetes para esses parceiros. Eram 9% para comitês olímpicos, 3,3% para patrocinadores, 2,9% para a família olímpica, etc. Uma parte dessas entradas foi adquirida e nunca usada, o que gerou um buraco em arquibancadas em eventos com ingressos esgotados.

Os lugares vazios causaram revolta no público inglês, e o COI teve que se virar colocando soldados para preencher lugares. Uma parte dessa carga foi, posteriormente, entregue para ser negociada com o público. Agora, a Rio-2016 garantiu ter um sistema eficiente para devolução desses bilhetes caso não sejam utilizados.

Houve ainda escândalo de revenda no mercado negro de ingressos que pertenciam a comitês olímpicos nacionais. Algo similar ao que aconteceu na Copa-2014 com bilhetes ligados a cartolas da Fifa. O COI promete reprimir esse comércio ilegal.

No Rio, o contrato de cidade-sede -assinado entre COI, prefeitura e o comitê organizador -, dá ao movimento olímpico total poder sobre o sistema de distribuição de ingressos, cuja operação é feita pelos organizadores locais. Como em edições anteriores, o comitê internacional tem a prerrogativa de escolher lugares nos melhores eventos, e descontar os pagamentos a serem feitos pelos ingressos de repasses que faz à Rio-2016.

Os Jogos do Rio até agora têm uma venda de ingressos abaixo da expectativa do COI. Mas eventos mais disputados -como finais de atletismo, natação, futebol, abertura – tiveram forte procura e sorteios nas primeiras fases de ingressos. É justamente a essas competições que os parceiros e cartolas do comitê internacional têm acesso privilegiado.


Olimpíada tem desafio de superar rivalidade Rio x SP
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A Olimpíada-2016 tem como um dos seus desafios superar a rivalidade de Rio de Janeiro e São Paulo. Há três anos e meio, o público paulista tinha bastante resistência ao evento, mas agora é um dos que mais se interessa por ingressos. Só que ainda permanecem questionamentos vindos do Estado aos gastos públicos e à inclusão da cidade na competição.

Vamos aos fatos. Em 2011, o Comitê Rio-2016 fez um relatório de comunicação dos Jogos, que traçou um plano de como estabelecer uma relação com o público, imprensa, organismos sociais, etc. Ali, estava expressa a preocupação em relação à reação de São Paulo à Olimpíada.

O documento afirmava que os veículos de comunicação paulistas eram mais críticos. E contava: “O fato de São Paulo ter perdido a disputa interna no país pelo direito à candidatura a sediar os Jogos incitou o histórico clima de rivalidade entre as cidades”. Destacava que comentários de paulistas no site do comitê eram negativos, e que eles precisavam ser conquistados.

Após três anos e meio, o Rio-2016 não fez um novo documento de comunicação, mas vê a realidade de forma bem diferente. Aquele relatório de 2011 é classificado como equivocado – houve troca na equipe de comunicação. A nova visão do comitê é de que os paulistas aderiram à competição, e não fazem mais oposição.

Para demonstrar isso, o comitê acena com números que mostram que São Paulo está entre os três maiores compradores de ingressos para os Jogos na atual fase de venda, o que comprovaria, para o Rio-2016, o fim da rivalidade nos Jogos.

Mas a dúvida da participação de São Paulo nos Jogos demonstra que a aceitação paulista à Olimpíada não é tão automática assim. A prefeitura paulista se negou a investir os cerca de necessários R$ 13 milhões como estruturas provisórias na Arena Corinthians para receber cerca de 10 jogos das Olimpíadas.

“O que temos percebido da população é que apoia nossa posição de não dar nenhum centavo para o orçamento dos Jogos. Ou alguém banca, ou estamos fora”, afirmou o secretário de Esporte de São Paulo, Celso Jatene. “Pelo que ouço nas ruas, se trouxer os jogos para o estádio, todo mundo vai gostar. Mas desde que não tenha gasto.”

A leitura de qualquer lista de comentários de matérias sobre o risco de São Paulo ficar fora da Olimpíada dá razão à posição do secretário. A maioria dos internautas que se identifica como paulista – claro, em uma amostragem sem valor científico – manifesta repúdio ao gasto público e questiona os Jogos. Em resumo, o Comitê Rio-2016 pode ter avançado na redução da rivalidade para os Jogos, mas está longe de ter acabado com a resistência do Estado ao evento.


Com desconto, Olimpíada em São Paulo custa R$ 13 mi. Agora falta patrocínio
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A prefeitura de São Paulo conseguiu uma redução no orçamento para realização de jogos de futebol da Olimpíada na Arena Corinthians: o valor estimado é de R$ 13 milhões, menos da metade do previsto inicialmente. Isso não é garantia da realização dos Jogos: o município insiste que o evento só sai com patrocinadores. É fato, no entanto, que aumentaram as chances de as partidas ocorrerem na cidade.

De início, a prefeitura paulistana mostrou-se reticente com a expectativa de um orçamento em torno de R$ 30 milhões. O valor seria um terço do que foi gasto na Copa-2014, em montante bancado pelo Corinthians. Mas houve nova redução em reunião nesta quarta-feira.

“Foi apresentada uma planta do overlay da temporária e o valor  teto ficou em R$ 13 milhões. Agora vamos tentar parcerias de patrocinadores do COI (Comité Olímpico Internacional). O fato de ser mais baixo cria a expectativa de que vamos conseguir”, contou o secretário municipal de Esporte, Celso Jatene. “Imagino que patrocinadores unidos tenham disponibilidade para bancar esse valor.” O COI já deixou claro que não vai bancar nada.

A origem de fundos para outras despesas já foi negociada pela prefeitura. Um exemplo é a hospedagem de atletas, cujo custo espera-se que fique com o Ministério do Esporte. Houve um acerto em relação à segurança com o governo do Estado. A prefeitura ainda assumiu as operações de trânsito, limpeza e receptivo de eventos, que está acostumada a fazer em eventos.

“Demos um prazo máximo para definir isso em três semanas (permanência de São Paulo nos Jogos)”, disse Jatene. “Mas pelo menos mostrou a diferença da Copa para a Olimpíada. A estrutura é dez vezes menor. E pode reduzir mais o orçamento.”

Os ingressos para a Rio-2016 já começaram a ser vendidos, mas devido ao impasse sobre a presença ou não da Arena Corinthians nos Jogos, os eventos previstos para São Paulo, no estádio alvinegro, ainda não estão disponíveis para compra. Além da capital paulista e da sede oficial da Olimpíada, o Rio, outras quatro cidades receberão partidas de futebol durante a competição: Brasília, Belo Horizonte, Salvador e Manaus.


Brasil terá de repetir China para atingir meta de medalha no Rio-2016
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O Brasil terá de repetir o crescimento da China como país-sede para atingir a sua meta de medalhas na Olimpíada do Rio-2016. O COB (Comitê Olímpico Brasileiro) reconhece que o objetivo é bastante duro, mas possível de ser alcançado. Para isso, aposta em cerca de 150 atletas, visto que 300 devem ir aos Jogos sem chance de pódio.

Vamos aos fatos. O COB e o Ministério do Esporte definiram que sua meta é chegar entre os 10 primeiros da Olimpíada em total de medalhas. Para isso, será necessário entre 27 e 28 pódios, na avaliação do comitê. Isso representaria um crescimento de 59% em relação aos 17 obtidos em Londres-2012.

Analisando os últimos 20 anos olímpicos, apenas um país-sede conseguiu um salto similar: a China em Pequim-2008. O país asiático cresceu exatos 59% ao cravar 100 pódios em casa, diante dos 63 dos Jogos anteriores – acabou líder em ouros.

Exemplos de sucesso, Austrália em 2000 e Inglaterra em 2012 ficaram com percentuais menores de melhoria: 41% e 38%, respectivamente. Antes de 20 anos, Espanha e Coréia do Sul tiveram crescimentos bem maiores, mas os Jogos eram menos disputados naquela época.

“Acho que a tarefa é sempre dura. Quando é traçada a meta, não pode ser muito fácil, e não pode ser impossível porque não motiva ninguém a trabalhar dos dois jeitos. Nossa meta é a soma do que cada confederação pode fazer. Ela não foi olhada percentualmente. É dura, mas é factível”, contou o diretor-executivo do COB, Marcus Vinícius Freire.

Ele disse que estudou todos os números de crescimento percentual dos países-sede em medalhas. Mas acha complicado fazer a comparação entre cada um dos afitriões por causa das diferenças de circunstâncias. Por exemplo, admitiu que, como já estavam um patamar alto, a China tinha uma tarefa mais difícil do que o Brasil.

“Quanto pior o seu passado, maior vai ser a curva de crescimento. Se tem uma medalha, pode ganhar três e dizer ganhei três vezes mais. É mais simples crescer. Rússia, Inglaterra, EUA e China têm mais dificuldade. O crescimento proporcional é sempre maior para quem começa lá embaixo”, analisou.

Ao mesmo tempo, Freire ressaltou que o Brasil terá uma dificuldade que os chineses não tinham: a maior democracia na distribuição de medalhas atual em relação ao passado. Explica-se: um maior número de países começou a chegar ao pódio, o que pulverizou a disputa. Por isso, admitiu que o COB pode até atingir o top 10 com entre 24 e 25 pódios se houver grande equilíbrio.

Na briga para chegar ao pódio, o Brasil deve contar mesmo com cerca de 150 atletas dos 450 previstos para delegação. Isso inclui os esportes coletivos. Os outros 300 devem chegar sem chance de ficarem entre os três primeiros, apenas com o objetivo de melhorar sua perfomance.

“No nosso caso, vamos ter mais de 400 atletas. Muitas vezes o resultado não será só a medalha, já que buscamos 27, 28. Cerca de 300 atletas vão aos Jogos para ter a maior performance. Outros 150 vão brigar por pódio. Peço a vocês da imprensa que repassem ao público essa informação para entenderem o contexto”, analisou Freire.

Para o executivo do COB, apesar do tamanho do Brasil, os resultados têm melhorado conforme aumenta o investimento. Ele entende que Pequim-2008 foi o primeiro ano em que houve o impacto do dinheiro público aplicado pela Lei Piva, e em Londres-2012, houve o efeito da lei de incentivo. E admitiu que o salto de valores para a Rio-2016 chegou um pouco tarde.

“Temos vários marcos, 2016 é o auge de mais de uma década de trabalho. As instituições esportivas se profissionalizem. Não acho que vai cair o investimento depois. Estamos chegando a um patamar de top 10, desssas 18 nações. Faço esse estudo. Os valores de investimentos são daí para cima. E temos que olhar para todos os níveis, inclusive o educacional”, encerrou.


Sem arena rival, Itaquerão terá até 11 jogos olímpicos se prefeitura bancar
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A participação de São Paulo na Olimpíada do Rio-2016 está sob ameaça visto que a prefeitura e o Estado de São Paulo não estão dispostos a bancar altos custos com a competição. Mas, se a cidade for mantida no evento, o Itaquerão receberá até 11 jogos, incluindo a final feminina, por conta da exclusão da Arena Palmeiras.

Houve uma reunião na quinta-feira entre o comitê organizador Rio-2016, e representantes do município de São Paulo nesta quinta-feira. Nesta, ficou praticamente selada a saída do estádio palmeirense por conta dos altos custos de obras necessários.

“O comitê fez uma vistoria e ficou constatado que teria de ser feito um investimento grande de obra civil no estádio do Palmeiras, não só estrutura provisória. Seria necessário um outro vestiário, e uma estação de força”, afirmou o o secretário de Esporte e Lazer da Cidade de São Paulo, Celso Jatene. “Então, ficou acertado que, se tiver Olimpíada em São Paulo, seriam mantidos os 10 no estádio do Corinthians com a possibilidade da final feminina.”

O Corinthians não terá que arcar com nenhum custo pois já cederá a arena e teve um alto investimento para receber a Copa. Assim, a prefeitura e o Estado teriam de assumir custos especificados em um caderno de encargos para ter as partidas. Esse é um problema, em um ano de cinto apertado.

“A prefeitura só vai investir se for uma responsabilidade pequena e for possível fazer parceiras com patrocinadores olímpicos, por exemplo. Vamos submeter esse valor ao prefeito porque o orçamento já está apertado. Se não houver condições, terão que realizar em outro lugar”, completou Jatene.

A reunião que pode definir a permanência ou não de São Paulo na Olimpíada ocorrerá no dia 23 de março quando a prefeitura já espera ter um levantamento dos custos. Há a possibilidade, no entanto, desta decisão ser adiada.

Caso a capital paulista seja confirmada na Olimpíada, a Arena Corinthians ficará sob o comando do COI (Comitê Olímpico Internaiconal) de 15 de julho a 20 de agosto provavelmente, com a possibilidade de uma extensão caso seja realizada a final olímpica. Ou sejam seria mais de um mês do clube sem seu estádio. Em troca, a prefeitura cederia sem custos o Pacaembu.


Tesoura do governo poupa Olimpíada e atletas de cortes profundos
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Em um período de ajuste fiscal pela crise econômica, o governo federal indicou que poupará de cortes a organização da Olimpíada e a preparação de atletas para a competição. O Ministério da Fazenda deu aval positivo ao plano inicial do Comitê Rio-2016, embora a responsabilização de cada item vá ser discutida. E cartolas de confederações olímpicas receberam a promessa de que não haverá cortes de verbas para os esportistas até o evento.

Quando o Rio de Janeiro foi eleito sede da Olimpíada, em 2009, o governo federal se tornou o fiador do projeto. Pelo orçamento do Rio-2016, as contribuições dos três níveis de governo (município, Estado e União) são entre US$ 700 milhões e US$ 800 milhões (R$ 1,858 milhões pelo dólar da época), isto é, R$ 600 milhões para a administração de Dilma Rousseff. Esse dinheiro não passará pelo comitê sendo direcionado diretamente a bancar determinados projetos.

A fatia do governo federal está garantida. O programa foi mostrado a um representante do Ministério da Fazenda, e o ministro Joaquim Levy já participou de reunião sobre o tema. Agora, as partes discutem que item fica com cada um em relação a overlays e instalações temporárias. A discussão tem sido direta apesar da coordenação da Olimpíada estar a cargo da Casa Civil.

Do lado da preparação de atletas, que está no âmbito do Ministério do Esporte, os cortes não devem chegar até o final da Olimpíada. Pelo menos essa foi a sinalização do ministro George Hilton, em reunião no início do ano com os dirigentes olímpicos. “Não tem nenhuma previsão de corte nas verbas”, afirmou o presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, que é também presidente do comitê organizador.

Um fator a favor das confederações é que boa parte das verbas vem de estatais em contratos com validade pelo menos até 2016. A Caixa Econômica já informou que fica no atletismo, o BB (Banco do Brasil) manteve-se no vôlei apesar do escândalo na CBV (Confederação Brasileira de Vôlei), e o Correios terá seu vínculo com a CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) até a Olimpíada. Outras estatais continuam suas parcerias e uma parte delas banca até bolsas medalhas (salários para atletas).

“Não vai ter corte pelo que o ministro me falou. E ele ainda prometeu usar todo o seu prestígio no Congresso para tentar levantar mais verba”, contou o presidente da entidade, Coaracy Nunes. “Esse projeto (bolsa medalha) continua forte.” Resta saber se Levy, conhecido como mãos de tesoura, permitirá que o governo federal mantenha essa posição até os Jogos de 2016.