Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Parque Olímpico

Empresa francesa conversa com Bota sobre Engenhão e mira Parque Olímpico
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Candidata à concessão do Maracanã, a empresa francesa Lagardère conversa com o Botafogo para uma parceria na gestão do Nilton Santos (Engenhão) e ao mesmo tempo estuda informações sobre o Parque Olímpico. A intenção da gigante europeia é investir no Rio de Janeiro. O resultado da concessão do principal estádio da cidade vai influenciar nos planos da empresa.

Já houve duas reuniões entre a diretoria do Botafogo e representantes da Lagardère. A ideia da empresa é fazer uma proposta para participar da gestão e atrair negócios para o estádio, incluindo shows.  Além disso, tem intenção até de fazer parceria na gestão do departamento de marketing da agremiação como ocorre com times europeus como Borussia Dortmund.

Perguntado sobre as conversas, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, admitiu que negocia com possíveis parceiros, mas não quis dar nomes. “Conversamos com algumas empresas que nos procuraram. Não gostaria de dizer o nome dos players”, afirmou o dirigente. “Tem alguns pontos interessantes.”

No momento, Pereira disse que o clube consegue administrar bem o estádio para jogos de futebol. O clube tem contado com aluguel de R$ 200 mil em clássicos no Estadual, e outros R$ 100 mil para jogos entre grandes e pequenos. E há claro a renda da bilheteria dos jogos do Botafogo, além de projetos como os nomes de torcedores grafados em cadeiras.

Mas o presidente botafoguense informou que ainda não é possível determinar se o estádio será superavitário no atual ano. “É muito cedo ainda. Pegamos o estádio depois de dois anos longe de nós”, disse Pereira.

Se perder o Maracanã, a Lagardère deve aumentar seu ímpeto em relação ao estádio alvinegro. Além disso, a empresa pode estudar a concessão do Parque Olímpico que no momento está abandonado. A prefeitura do Rio de Janeiro chegou a fazer uma licitação para conceder a exploração do espaço, mas a única empresa que se apresentou não foi considerada habilitada. Por enquanto, o Ministério do Esporte está encarregado de cuidar do local onde foi realizado a Olimpíada.


Novo ministro do Esporte, Picciani teve ganhos com obras olímpicas
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Nomeado novo ministro do Esporte pelo presidente interino Michel Temer, o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) ganhou dinheiro indiretamente com obras olímpicas e recebeu doações de empreiteiras que atuam em projetos dos Jogos. A primeira informação foi revelada pela “TV Record” no final de 2015 quando ele era parlamentar, e a segunda, consta de sua prestação de contas. A assessoria do parlamentar negou que exista qualquer conflito de interesse com seu novo cargo.

Picciani e sua família são sócios da empresa Agrobilara, com sede em Uberara, Minas Gerais. Em 2011, a empresa tornou-se sócia da Tamoio Mineração S/A. Depois, essa prederia passou a fornecer brita para as construções do Parque Olímpico e da Transolímpica.

Os valores dos contratos não são informados porque são pagos por empreiteiras dentro de PPPs (Parcerias Público-Privada). Não são acordos diretos com o governo. No caso do Parque Olímpico, os pagamentos são feitos pelo Consórcio Rio Mais, liderado pela Odebrecht.

A Agrobilara é o principal item do patrimônio do atual ministro. Ele tinha oito mil cotas no valor de R$ 6,673 milhões pela sua declaração à Justiça Eleitoral. Atualmente, a empresa vale R$ 40 milhões, e Leonardo Picciani é dono de 20% dela.

Sua assessoria confirma a participação societária, mas nega qualquer atuação na gestão da Tamoio. “Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração”, informou a assessoria. Ainda alegou que a Tamoio ganhou os contratos pela proximidade com o Parque Olímpico, que permite que ofereça o menor preço pela brita.

Além disso, a campanha a deputado federal de Leonardo Picciani em 2014 recebeu R$ 800 mil em doações de empreiteiras com participações em projetos olímpicos. São as construtoras Queiroz Galvão, OAS e Carioca Engenharia. Elas participam de projetos como a Linha 4 do metrô, o Parque Olímpico de Deodoro, Porto Maravilha e o BRT Transolímpico.

A assessoria do novo ministro ressaltou que as obras estão no final, e que o Ministério do Esporte não é responsável pela execução desses projetos. E informou que as doações foram legais e não têm relação com as obras. As obras são tocadas pela prefeitura do Rio de Janeiro, algumas delas com financiamento ou recursos diretos do governo federal via Ministério do Esporte.

Veja toda a nota da assessoria do ministro do Esporte, Leonardo Picciani:

“Não hã conflito de interesses no fato de o deputado assumir o Ministério do Esporte e a empresa Tamoio Participações fornecer brita para o Parque Olímpico e a Transolimpíada. Primeiramente, o deputado gostaria de esclarecer que o Ministério do Esporte não contrata obras. As obras para as Olimpíadas já estão concluídas e foram gerenciadas pelo Comitê Olímpico Internacional, Comitê Olímpico Brasileiro e pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Leonardo Picciani é sócio-cotista da Agrobilara. Além dele, também são sócios-cotistas seu pai, sua mãe e seus irmãos. A Agrobilara tem uma participação acionária na Tamoio que, por sua vez, é uma empresa de Sociedade Anônima, regida pela Lei das S/As.
 
Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração. Para exemplificar como funcionam as companhias S/As: o fato de ser acionista não significa que o portador das ações tenha qualquer ingerência sobre a empresa. É como os detentores de ações da Petrobras. O conselho administrativo, por exemplo, é majoritariamente composto de pessoas que não são da Petrobras. E o acionista pode ganhar ou perder dinheiro, dependendo do mercado de ações. É o caso da Agrobilara em relação à Tamoio.
 
Outra coisa: a brita é um produto de baixo valor agregado. Para se ter lucro com esse produto o que mais se leva em consideração é o valor do frete. Quanto mais perto da obra estiver a pedreira, melhor. Quanto mais longe, mais valor de frete gastará. Por isso, a Tamoio foi contratada pela empresa que detém a concessão pública para a Transolimpíada e para o Parque Olímpico. A Tamoio está localizada a cerca de 100 metros do canteiro de obras da Transolimpíada e a cerca de 2 km a 3 km do canteiro do Parque Olímpico. É a única pedreira nas proximidades, o que contribui para que o preço seja o melhor entre os demais concorrentes.
 
O deputado também gostaria de deixar claro que a Tamoio não possui contrato com o governo de Estado nem com a Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Por fim, Picciani afirma que, como ministro, será o mais interessado em fazer cumprir o orçamento do Esporte, zelando por cada recurso disponível e fiscalizando não apenas os recursos em si, mas, também, se o dinheiro está sendo bem gasto em benefício da população.”

 


Parque Olímpico Rio-2016 repete Londres e cresce gasto em 12%
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)

Ao terminar as licitações do Parque Olímpico para os Jogos-2016, a prefeitura do Rio de Janeiro repetiu o modelo com privilégio às instalações provisórias  e ainda assim ultrapassou o orçamento previsto no dossiê de candidatura da cidade em 12%. Lembre-se que esses são os primeiros valores das concorrências e as obras sempre podem sofrer acréscimos e aditivos durante sua execução, o que ocorreu em quase todos os projetos da Copa-2014 e do Pan-2007.

Fora o que será executado por PPP (Parceria Público Privada), foram feitas licitações para quatro sedes esportivas na Barra da Tijuca: Velódromo, Centro Aquático, Centro de Tênis e Handebol. No total, está previsto um gasto de R$ R$ 666,7 milhões para a construção e operação dessas instalações. Pelo dossiê de candidatura de 2008, havia um valor de R$ 595 milhões, consideradas obras temporárias e permanentes corrigidas até hoje pelo INCC (índice de inflação para construção civil).

Houve, porém, alteração na natureza das instalações. Um exemplo é o fato de que que a Arena Handebol, inicialmente, seria permanente e agora será temporária e desmontada para se transformar em escolas – a montagem das escolas não foi incluída na conta do blog. O Parque Aquático também seria em parte permanente e em parte provisório, e agora terá inteiramente temporário. O velódromo continuou a ser permanente, mas passou a ser um novo, não um reformado.

Assim, repete-se estratégia do Parque Olímpico de Londres-2012 em que a maioria das estruturas era temporária, e foi desmontada ao final do processo. No caso brasileiro, houve um aumento de recursos no orçamento ainda nesta fase de licitação. Londres teve estouro de orçamento durante as obras.

No Parque Olímpico do Rio-2016, o dinheiro será integralmente bancado pelo governo federal que repassará os recursos para a empresa olímpica executar as obras.

Para a prefeitura e para o Ministério do Esporte, o crescimento no orçamento das instalações é menor e representa apenas 5% considerado o valor corrigido pelo INCC. Isso se explica porque os organismos públicos excluem de sua conta os itens de operação das instalações, antes, durante e depois dos Jogos por alguns meses. Mas esses valores estão licitados e não estavam previstos no dossiê de candidatura.

“Esse custo de desmontagem e remontagem não pode ser confundido com a construção da estrutura esportiva para as competições olímpicas, assim como os custos de manutenção das instalações diferem dos custos de construção dessas instalações. São itens diferentes que não podem ser comparados com o que foi previsto no dossiê”, defendeu a assessoria do Ministério do Esporte.

Fora isso, os governos alegam que houve mudanças nos projetos, novas leis e uma certificação ambiental que alteraram os preços inicial. “É importante ressaltar que o escopo das instalações esportivas previstas no Dossiê ter sofrido diversas alterações desde 2009. Foram incluídos, por exemplo, o sistema de ar condicionado do velódromo e requisitos de acessibilidade, segurança e sustentabilidade que foram ampliados e se tornaram mais rígidos”, afirmou a assessoria da empresa olímpica.

O orçamento integral da Rio-2016 está atrasado e deve ficar pronto ainda em janeiro deste ano, segundo a promessa dos organizadores do evento.


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