Blog do Rodrigo Mattos

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Atrasada, CBF trabalha por mais público no Brasileiro, mas investe pouco
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Ao organizar um seminário para evolução do futebol do país, a CBF trouxe conhecimento para o país e expôs o atraso do país em relação aos europeus na organização do Brasileiro, seja da confederação seja dos clubes. Há um projeto em curso para melhoria do campeonato, mas este conta com investimento baixo para o tamanho da competição. A confederação, no entanto, espera uma retomada do crescimento do público do Nacional em 2017 – houve queda em 2016.

Durante os seminários, os diretores da UEFA Catalina Navarro e do Middlesbrough, Mark Ellis, expuseram como se deu a organização do futebol europeu nos últimos 25 anos. Estádios mais modernos e com serviços ao espectador, operações de jogo planejadas com metodologia e antecedência e erradicação da violência foram medidas adotadas na Liga dos Campeões e Premier League.

Além do sucesso comercial, as duas competições atingiram médias de público acima de 40 mil. O Brasileiro da Série A ficou em torno de 15 mil em 2016. Levantamento da UEFA aponta a liga brasileira como o 36o campeonato em média de público entre todos os esportivos o mundo, atrás de toda elite europeia e até da Segunda Divisão na Inglaterra.

Diretor de competições da CBF, Manoel Flores reconhece o atraso na organização, mas pede tempo para avançar.  “Eles (europeus) começaram em 1992. Começamos em 2014. Temos pressa e vamos chegar lá”. Ele conta com seu projeto de criar procedimentos padrões no Brasileiro, dentro e fora de campo.

Mas, em 2016, a CBF registrou um investimento de R$ 3,8 milhões no Brasileiro da Série A, um campeonato que gera mais de R$ 1 bilhão em receita de televisão. “Indiretamente é muito mais (o investimento). Temos a operação completa da Série A. Não é complexa como a deles”, defendeu-se Flores.

Ele afirmou que, se for questão de investimento a CBF, põe dinheiro. Mas até agora a entidade resiste a implantação do árbitro de vídeo por causa dos custos envolvidos. A UEFA tem equipes permanentes em estádios de clubes para planejar os dias de jogos, a da CBF é reduzida e hoje só trata de questões do campo.

Em seu projeto, a CBF prioriza primeiro a melhoria do campo de jogo. Primeiro, tirou pessoas do campo para limpa-los e criou um visual do Brasileiro. Agora, trabalha na qualidade do gramado.  “Eles (europeus) estão em um nível muito avançado. Estamos focados no campo de jogo que é gramado perfeito. Como chega? No máximo até o ano que vem. A gente vai ser muito mais incisivo no ano que vem”, contou Flores.

A parte de estrutura -estádios, finanças e parte esportiva do clube – será analisada pelo sistema de licenciamento da CBF. Sua base já foi divulgada, mas ainda faltam regras específicas para cada item. “Critérios de infraestrutra vão ser detalhados. A princípio, vai valer para 2018.” Teoricamente, poderia rebaixar times, mas dependerá do rigor da CBF.

Essas medidas devem impactar na média de público do Brasileiro aos poucos, segundo Flores. De acordo com ele, a média vem crescendo ano a ano. Na verdade, ela caiu em 2016 com a ausência do Maracanã e ficou em torno de 15 mil contra 17 mil de 2015. De fato, os clubes do Rio não puderam usar seu principal estádio.

“De 2010 a 2015, não falo do ano passado por que não teve Maracanã, de 2010 a 2015 o gráfico é crescente. Estava em 10, 11 mil e saltou para 17 mil. Era uma consequência do trabalho sendo feito pelos clubes também de tratar bem”, analisou Flores.

Seu recorte a partir de 2010 ignora que, em 2009, o Brasileiro teve média acima de 17 mil e melhor do que a de 2015. Isso deve-se também ao título do Flamengo.

“Vamos ver como se porta esse ano (o público). Pela pesquisa que fizemos, a questão de segurança sim, o nível de serviço, a atratividade do jogo. A CBF está fazendo isso. E está fazendo o que pode ser feito. Demora um tempo mais largo. Tudo isso é identificado. A média de público é a medida correta do sucesso”, contou. E exaltou os horários diferentes de jogos que, de fato, tiveram boa aceitação do público principalmente o de 11 horas da manhã de domingo.

O diretor da CBF diz ter pressa para evolução do Brasileiro, e promete que não vai se esperar 25 anos como ocorreu na Liga dos Campeões para chegar ao nível de excelência. Resta saber quanto a confederação está disposta a usar de seus cofres visto que investe menos de 1% de sua renda total no Nacional, e não resiste em liberar para que os clubes se organizem em liga. Há de se fazer uma ressalva de que esse investimento também tem que vir dos clubes que podem melhorar serviços ao público, times e segurança.


Brasileiro-2016 tem 20% da renda do mais rico do mundo, e é mais desigual
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O Brasileiro-2016 tem uma realidade bem mais pobre e mais desigual do que o campeonato mais rico do mundo, a Premier League. Os clubes da Série A do Nacional ganham apenas 20% da receita do que os times ingleses. E a diferença de quem mais arrecada para os mais pobre é muito superior por aqui.

Para chegar a essa conclusão, o blog comparou números do estudo do analista Amir Somoggi para os times brasileiros com os divulgados pela consultoria Deloitte feitos com os ingleses.

Em 2015, com um aumento de receita, os 20 clubes brasileiros da Primeira Divisão arrecadaram R$ 3,4 bilhões. Houve um salto graças aos incrementos com vendas de jogadores, e com certas luvas do novo contrato de televisão.

No período de 2014-2015, último disponível, os times ingleses ganharam £ 3,4 bilhões, isto é, R$ 17,4 bilhões. Ainda não havia o impacto do novo contrato de televisão que vai gerar R$ 8 bilhões por ano, o mais lucrativo em todas as ligas nacionais.

Claro que o câmbio explica uma boa parte da diferença entre o Brasileiro e a Premier League. Mas a gestão do campeonato por meio de uma liga, e não pela federação nacional, é outra explicação para o campeonato gerar contratos consideravelmente maiores do que os brasileiros.

E, com isso, chega-se ao segundo ponto. Por não haver uma liga, o Brasileiro tem uma divisão de receitas bem mais desigual do que a inglesa. O Cruzeiro, clube que mais arrecadou com R$ 364 milhões, ganhou 24 vezes o valor ganho pelo Santa Cruz em 2015.

Na temporada 2013-2014 na Inglaterra, última com todos os dados disponíveis clube a clube, o Manchester United, o mais rico, teve cinco vezes a receita do Cardiff. Um total de £ 433 milhões contra £ 83 milhões. Obviamente, isso torna bem mais difícil que ocorra no Brasil um caso como o do Leicester, um dos mais pobres da liga inglesa, que ganhou a Premier Legue.

A comparação entre o Brasileiro e a liga inglesa tem como objetivo mostrar a enorme disparidade do país para a elite mundial. É preciso reconhecer que o Brasil é um país mais pobre que a Inglaterra considerada sua renda per capita.

Mas, levando-se em conta o PIB (Produto Interno Bruto), a diferença não é tão grande. Segundo a lista do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 2015, a economia do país atingiu US$ 1,772 trilhão, enquanto o Reino Unido ficou com US$ 2,8 trilhões. Ou seja, no futebol, a distância é bem maior.


Real e Barça triplicam gasto com contratações na Espanha: R$ 1,1 bi
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De cofre aberto, Real Madrid e Barcelona provocaram uma explosão no gasto da Espanha com contratações de jogadores na janela de transferência do meio do ano, que se fechará ao final do mês. No total, o país investiu US$ 491 milhões, ou R$ 1,1 bilhão, pouco menos do que a Inglaterra. Os dados são de relatório da Fifa para negociações de atletas.

Com informações até 12 de agosto, o documento aponta um descolamento dos dois gigantes espanhóis e dos ingleses da realidade do restante do futebol mundial. No total, Espanha e Inglaterra gastaram em torno de US$ 1 bilhão (R$ 2,2 bilhões) em jogadores em 2014.

Para se ter ideia, os outros três maiores mercados, Alemanha, Itália e França, juntos, não atingiram US$ 360 milhões em investimentos. Em outra comparação, todos os clubes brasileiros gastaram R$ 690 milhões em um período de quatro anos, de 2011 até o início de 2014.

O que mais impressiona é o caso espanhol, já que os ingleses são os mais ricos e de cofre aberto do futebol mundial desde outras temporadas. Na Espanha, o valor saltou de US$ 139 milhões, em 2013, para os US$ 491 milhões da atual janela.

Esse número foi turbinado com nomes como James Rodriguez e Tony Kroos, no Real Madrid, e Luiz Suárez, Vermaelen e Mathieu, entre outros. Em compensação, os clubes espanhóis também foram os que mais venderam atletas, com um total de US$ 444 milhões (R$ 1 bilhão), o que compensou o alto investimento.

Houve contenção de despesas em contratações na França, onde PSG e Monaco fecharam o cofre após temporadas seguidas de altos investimentos. A Itália também teve redução dos gastos de seus clubes, enquanto a Alemanha manteve o patamar e a sobriedade de anos anteriores.


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