Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : rebaixamento

Nenhum time na situação que Inter vive se salvou da Série B em campo
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A uma rodada do final do Brasileiro, o Inter está em 17o lugar, dois pontos abaixo do Sport, primeiro time fora da zona do rebaixamento. Nenhuma equipe nesta situação se salvou em campo da Série B na era dos pontos corridos. O único caso é do Fluminense que conseguiu tirar pontos da Portuguesa no tapetão em 2013 e escapou.

Pesquisando as 13 edições anteriores do Brasileiro, a maioria teve como rebaixados os times que já estavam na zona da degola na penúltima rodada. Isso aconteceu oito vezes.

Houve, sim, viradas em campo no último jogo. Figueirense (2015), Botafogo (2009), Goiás (2007) e Grêmio (2003) conseguiram se livrar da Série B na derradeira partida. Mas em todos os casos a diferença para o primeiro time fora da zona de degola era de um ponto, ou havia duas equipes empatadas em pontuação.

No caso gremista, o Fortaleza, que acabou rebaixado, tinha dois pontos a mais que o time do Sul na penúltima rodada. Mas havia cinco times brigando contra a zona de degola, e apenas uma vaga para cair.

O único caso similar ao do Inter foi em 2013 com o Fluminense, que também estava dois pontos abaixo do Coritiba, 17o. Mas, naquela edição, o time carioca só conseguiu escapar da Série B graças a uma ação no STJD que questionou a regularidade de jogadores do Flamengo e Portuguesa. Por isso, as duas equipes perderam três pontos.

Com a vitória do Fluminense no último jogo, o tricolor carioca ficou na frente dos dois. Sem o tapetão, o time teria caído. Com o fracasso de sua ação no STJD, pelo menos por enquanto, o Inter terá de vencer o mesmo Fluminense e torcer por pelo menos um empate do Sport para se livrar da Série B em campo de forma inédita.


Maioria de clubes deve ser suficiente para suspender descenso da Chape
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No dia da tragédia da Chapecoense, um grupo de clubes articulou um movimento para suspender por três anos o rebaixamento do time catarinense. O pedido será oficializado à CBF nos próximos dias. Mas uma maioria dos clubes do Brasileiro da Série A deve ser suficiente para aprovar a medida para 2017.

Isso porque o primeiro passo para suspender o rebaixamento é fazer uma mudança no regulamento do Brasileiro para o próximo ano. É o Conselho Técnico da Série A , compostos pelas próprias equipes, quem decide o formato e as regras do Nacional. Essa decisão se dá por maioria qualificada, ou seja, cada time tem voto de acordo com sua posição no campeonato de 2016.

Até terça-feira, entre aqueles da Primeira Divisão, já haviam se manifestado a favor da suspensão: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Coritiba, Cruzeiro, Vasco, Fluminense, Botafogo e Atlético-PR. Se a própria Chapecoense for incluída, haveria uma maioria. Resta saber se seriam vencedores no voto qualificado, o que depende da tabela, e se todos irão confirmar a proposta no conselho.

Pelo Estatuto da CBF, a entidade tinha o direito de aprovar ou não o que for votado pelos clubes. Mas, em 2015, o presidente da confederação Marco Polo Del Nero prometeu que daria autonomia para os times tomarem as decisões sobre o Nacional. Assim, essa prerrogativa foi retirada.

Nesta terça, fontes da CBF confirmaram que uma decisão dos clubes não seria contrariada pela sua cúpula. Mas a confederação não recebeu o pedido ainda e não quer falar sobre isso logo após a tragédia. Até porque os times ainda preparam o ofício com a proposta para ser entregue até sexta-feira.

Pela proposta, seriam mantidos quatro rebaixados em 2017, mas a Chapecoense estaria imune mesmo se ficasse entre os quatro últimos. A proposta foi articulada entre o grupo jurídico dos times de Série A e B que rapidamente conversou após o acidente, e levou aos seus presidentes para aprovação. A inspiração foi no que ocorreu na Itália com o Torino após acidente na década de 40.

Há outra potencial barreira: o estatuto do torcedor. Pela legislação, um regulamento tem que ser mantido por dois anos seguidos, o que já ocorreu. E tem de ser respeitado o critério técnico para descenso e acesso. Na opinião de dois advogados dos clubes ouvidos pelo blog, esse critério continuaria a ser atendido, e a concordância da maioria dos times mostraria que a exceção deve ser aceita.

Entre os advogados, admite-se a possibilidade de que a alteração do regulamento tenha que ser aprovada no CNE (Conselho Nacional do Esporte). Esse órgão é presidido pelo ministro do Esporte. Mas, dificilmente se houver consenso entre clubes e CBF, o governo vai se opor.

Outros clubes participam do grupo que discutiu o apoio à Chapecoense, mas ainda estudam as medidas de apoio para o clube ou entendem que não é o momento de falar nisso logo após a tragédia.


Nova regra de rebaixamento por dívida do Brasileiro ainda tem lacunas
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O governo definiu que a exigência de certidão negativa de dívida fiscal para disputar campeonatos no Brasil valerá a partir de 2018, e a CBF prometeu incluir no regulamento do Brasileiro. A questão é que ainda há pontos obscuros sobre o cumprimento dessa obrigação. Isso porque o governo não criou uma regulação específica e a CBF ainda escreverá suas regras.

Pela Lei do Profut, todos os clubes terão que apresentar CNDs (Certidões Negativas de Débito) para jogar as competições nacionais, além de comprovar que estão em dia com os pagamentos a funcionários e que cumprem determinadas regras financeiras. Quem não conseguir se enquadrar será rebaixado.

Até aí, tudo entendido: o problemas são os detalhes para esse cumprimento. A CBF diz que esclarecerá tudo na sua regulamentação. “A CBF será encarregada de determinar como será cumprida a lei”, contou o diretor de competições da confederação, Manoel Flores.

Ele mesmo admitiu que há pendências. E quais são elas? Veja uma lista:

– Quando o clube terá de comprovar sua regularidade fiscal? – Não há uma data determinada por lei. Pela lógica, eles teriam de apresentar os documentos 60 dias antes do campeonato para poder ser publicada a tabela e o regulamento com os participantes definitivos. Mas a CBF ainda definirá um prazo.

– E se um clube deixar de pagar sua dívida fiscal no meio do campeonato? Será rebaixamento imediatamente? – De novo, a lei não detalha como funcionará. Todos os juristas ouvidos disseram que a tendência é se estabelecer que um clube não possa cair no meio do Brasileiro porque isso criaria uma insegurança jurídica na competição. Ou seja, os times teriam de apresentar uma vez por ano os documentos e seriam rebaixados se não estivessem regulares.

– Quem substitui o time que foi rebaixado? – De novo, a lei não estabelece quais são os substitutos para times rebaixados. Pela lógica, o quinto colocado da Série B deveria ascender a Série A caso algum time da elite não tenha regularidade fiscal. Mas, como haverá verificação também na Segundona, podem haver outras mexidas na lista de participantes.

– Se um clube não conseguir cumprir as determinações, pode ser rebaixado duas vezes? – Um time não tem sua CND para disputar o Brasileiro da Série A e é rebaixado para a Série B. A questão é que, teoricamente, ele também estaria irregular para disputar a Segundona. Juristas ouvidos entendem que ele teria um ano para se regularizar ou cairia novamente no ano seguinte. Mas não há regra definida ainda.

– Quem vai fiscalizar se os clubes estão cumprindo as normas financeiras? – A Apfut, órgão criado para fiscalizar as dívidas dos clubes, determinará se eles estão regulares com suas dívidas. Mas o órgão também fiscalizará se eles pagam salários em dia e cumprem os outros requisitos como controle de déficit, limite de despesa com futebol, etc? Poderá haver denúncias de outros clubes sobre os rivais?

– Qual o futuro dos clubes pequenos e dos que serão excluídos do Profut que não conseguirem cumprir as normas? – Com exceção do Palmeiras, a maioria dos clubes grandes aderiu ao Profut. Haverá exclusões de 20% dos 126 times por falta de pagamento da primeira parcela, segundo a Receita. Essas equipes serão cobradas integralmente por suas dívidas e dificilmente conseguirão pagar. Serão excluídas do futebol a longo prazo com seguidos rebaixamentos? Como ficará o funcionamento de times pequenos que não têm departamentos jurídicos e financeiros estruturados para aderir ao programa da Receita? A preocupação é para os Estaduais onde isso pode ocorrer em massa.

 


Vasco pode contar com Flu? Veja se times costumam ajudar rivais na Série A
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Com os resultados do final de semana, o Vasco depende de uma combinação de resultados que inclui uma vitória ou empate do Fluminense diante do Figueirense. A pergunta que fica na cabeça do torcedor  vascaíno é: o time tricolor, sem pretensões no Nacional, jogará a sério e ajudará os cruzmaltinos? O histórico de times dependendo de resultados de rivais pode ajudar a explicar.

São conhecidas as acusações de entregadas nos Brasileiros de 2009 e 2010. No primeiro, o Corinthians perdeu do Flamengo, e prejudicou Palmeiras e São Paulo. No segundo, o time alviverde foi derrotado pelo Fluminense, que foi campeão superando os corintianos.

Além da rivalidade, o assunto ganha importância por conta das brigas entre Fluminense e Vasco durante o ano. Em 2015, o presidente vascaíno, Eurico Miranda, disputou o lado da arquibancada Maracanã com os tricolores, e apoiou a Ferj (Federação do Rio de Janeiro) contra a liga da qual fazem parte a dupla Fla-Flu.

O histórico do Brasileiro mostra um equilíbrio de resultados quando um time precisa de um rival já desinteressado no campeonato. O blog levantou 11 situações assim nos pontos corridos, e em cinco delas as equipes ajudaram seus rivais, em outras cinco, perderam. Há ainda dois casos de rivalidades fora do Estado.

Pode ter havido um esquecimento na lista, mas esses jogos já dão uma amostragem do que costuma ocorrer no Brasileiro. Aí vai a relação:

2014 – Fora de casa, o Santos bate o Vitória (1 a 0) na última rodada e ajuda o Palmeiras a se livrar do rebaixamento já que o clube baiano cai em seu lugar.

2010 – Palmeiras perde do Fluminense (2 a 1) em casa na 37a rodada, resultado que dá o título ao time carioca e acaba com as chances do Corinthians.

2009 – Em São Paulo, na 37a rodada, o Flamengo bate Corinthians (2 a 0), o que facilita sua trajetória para o título na briga com Palmeiras e São Paulo

2009 – Na rodada final, o time rubro-negro bate um time misto do Grêmio (2 a 1) no Maracanã, o que deixa o Internacional com o vice-campeonato brasileiro.

2008 – Fora de casa, na última rodada, o Botafogo bate o Palmeiras (1 a 0), o que ajuda o Flamengo na briga por uma vaga na Libertadores. O time rubro-negro perde seu jogo e não consegue a classificação.

2008 – Botafogo perde do Figueirense (3 a 1) em casa, na penúltima rodada. O time catarinense brigava contra o rebaixamento ao lado de Vasco e Fluminense. Caíram Figueirense e Vasco.

2007 – Na última rodada, o Atlético-MG bate o Palmeiras (1 a 3), fora de casa, e ajuda a garantir a classificação do Cruzeiro para a Libertadores.

2005 – Na penúltima rodada, o Atlético-PR vence o Paysandu que brigava contra o Coritiba contra o rebaixamento. Resultado não adianta muito já que o Coritiba cai mesmo assim.

2004 – Cruzeiro goleia o Vitória (4 a 0), no penúltimo jogo, em Brasileiro que o time baiano lutava contra o Atlético-MG por uma vaga na Série A.

2004 – Mas, no jogo derradeiro, o time cruzeirense é goleado pelo Flamengo (6 a 2), sendo que o time carioca também lutava com o Galo para não cair. No final, rubro-negros e alvinegros de Minas ficam na Série A.

2003 – Flamengo apenas empata com a Ponte Preta na penúltima rodada. Resultado pode ser considerado neutro para o Fluminense que escapa da Série B.

OBS Não foram incluídos na lista por não serem rivalidades regionais, mas merece ser lembrados dois episódios:

– A derrota do Vasco para o Santos, em 2004, quando Eurico Miranda botou o time reserva e prejudicou o Atlético-PR que disputava o título com os santistas. Miranda tinha péssima relação com a diretoria do Furacão.

– Em 2007, o Inter perdeu do Goiás na rodada final, resultado que ajudou no rebaixamento do Corinthians. Colorados e corintianos tinham rivalidade desde as polêmicas em torno do Brasileiro de 2005.


Só combinação de resultados inédita salva Vasco da degola
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É inegável a vontade dos jogadores do Vasco em lutar contra o rebaixamento até suas últimas forças. Mas, apesar da vitória no final de semana sobre o Joinville, o time necessita de um feito e de uma combinação de resultados inéditos para escapar da degola nestas duas rodadas finais.

Vamos as contas. Na 18a posição, o Vasco (37) está a três pontos do primeiro time fora da zona da Série B, o Figueirense (40). Há ainda o Coritiba com os mesmos 40 pontos após a vitória sobre o Santos. O time carioca pega o paranaense no último jogo.

Na atual circunstância da tabela, tirar três pontos desses dois não é suficiente. Com isso, o time carioca se igualaria em pontos e em número de vitórias, mas tem saldo bem pior, 14 ou 13 gols a menos do que cada um dos dois. Como é quase impossível mudar isso em duas rodadas, terá que e ganhar quatro pontos a mais do que um deles.

Pois bem, desde que o Brasileiro tem 20 clubes, nenhuma equipe conseguiu tirar quatro pontos em duas rodadas na briga contra Série B. O Fluminense de 2009, maior caso de arrancada, conseguiu recuperar três pontos do Coritiba em dois jogos: tinha dois a menos e acabou um na frente. Mas, além do Coritiba, havia outros dois times com dois pontos de vantagem sobre o tricolor, o que aumentava suas chances.

Não há outro caso. Em 2008, o Vasco também estava com três pontos a menos do que o primeiro fora da zona de rebaixamento, e caiu. Na maioria dos Brasileiros, quem estava entre os quatro últimos na 36a rodada continuou por ali até o final. Isso aconteceu em cinco edições.

Resta ao Vasco ganhar suas duas partidas (Santos e Coritiba) e torcer para que ou Figueirense ou Coritiba não vençam mais neste Brasileiro. Assim, o time paranaense, por exemplo, poderia no máximo empatar diante do Palmeiras, na 37a rodada, e depois ser derrota pelos vascaínos no jogo derradeiro.

Com uma vitória e um empate, os vascaínos só se salvam se uma das duas equipes não ganhar mais nenhum ponto. Lembrança: o time ainda tem que torcer para o Avaí (17o) não ter desempenho igual ou melhor do que o seu neste final, pois tem um ponto a mais. Um cenário bem complicado para o time carioca.


Brasileiro-2015 tem a pior zona de rebaixamento da história
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O Brasileiro costuma ter uma briga acirrada contra o rebaixamento até as últimas rodadas. Será mais difícil que isso ocorra no Nacional de 2015. Nos pontos corridos, Joinville, Coritiba, Vasco e Goiás, que formam a zona da degola, têm uma distância inédita para aqueles fora do grupo neste estágio do campeonato.

Ocupando a 17a posição, o Goiás obteve 15 pontos e está a cinco pontos do Avaí, que é o 16o colocado. Após a 17a rodada, nas outras edições, esse diferença foi de no máximo três pontos. Em geral, a vantagem só de um ponto ou o desempate é no saldo de gols.

Não é à toa. Juntos, Joinville, Coritiba, Vasco e Goiás têm o pior desempenho de quatro times na zona de rebaixamento neste estágio do campeonato. Somaram só 52 pontos. Em média, apresentam um aproveitamento de 25%, ou seja, ganharam um quarto dos pontos que disputam.

Apenas em 2012 houve um desempenho próximo quando os quatro piores times tinham, juntos, obtiveram 53 pontos. Naquela edição, por sinal, três das equipes que estavam na zona de degola na 17a rodada caíram – só se salvou o Bahia. Mas não havia diferença de ponto do 17o para o 16o colocado, e o Palmeiras acabou ocupando esta “vaga” dos baianos.

Ou seja, Joinville, Vasco e Coritiba, que estão a sete pontos ou mais abaixo da salvação, só conseguirão escapar com uma campanha muito fora do normal a partir de agora.

Na parte mais acima da tabela do Brasileiro, também há uma tendência a definição de faixas de disputa. Há quatro pontos de diferença do oitavo São Paulo para a nona Chapecoense, o que não pode ser superado em uma rodada.

Caso essa tendência se consolide neste final de turno, teríamos três setores distintos no campeonato, um para disputa de título e Libertadores, outro sem ambições e “os quatro condenados”.


Vasco faz 5ª pior campanha da história do Brasileiro, mas há salvação
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Lembra do América-RN de 2007? Aquela equipe, rebaixada antecipadamente só com quatro vitórias, já tinha ganho e ostentava mais pontos do que o Vasco atual na oitava rodada. Sem triunfos, o time vascaíno tem a 5a pior campanha da história dos pontos corridos do Brasileiro até este estágio do campeonato. Mas há salvação: outras equipes se livraram de situações similares.

Com a derrota para o Sport, o Vasco assumiu a lanterna com saldo de menos 11 gols, pois fez apenas três na competição. Isso levou o presidente Eurico Miranda a fazer verdadeira revolução: demitiu o técnico Doriva para trocá-lo por Celso Roth. De reforços, chegaram Andrezinho e Herrera, e há a possibilidade de Ronaldinho Gaúcho.

Mudou a atitude em relação à última segunda: “Não estou preocupado. Se estivesse preocupado, não estava aqui”, dizia na CBF.

É preciso se preocupar. Até agora apenas 10 equipes em 13 anos de pontos corridos chegaram à oitava rodada sem nenhuma vitória. Dessas, só quatro tiveram desempenhos piores do que o Vasco: Atlético-GO (2012 – 2 pontos), Atlético-PR (2011- 1 ponto), Avaí (2011 – 3 pontos e saldo -14) e Atlético-PR (2005 – 2 pontos). Desses, apenas o Furacão há 10 anos escapou do rebaixamento.

Se considerarmos todos os time que chegaram sem vitórias à oitava rodada, no entanto, é possível ver que há chance de reação. Seis deles escaparam do rebaixamento, sendo que três em 2004 quando o número de times que caíam era menor. Mas isso se explica, óbvio, pelo fato de ainda restarem 30 jogos pela frente. Talvez confiando no tempo, Eurico tenha dito há uma semana: “Não cai. Te garanto que não cai.”


MP do futebol prevê liga e dá voto a atletas; CBF diz ser inconstitucional
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Além do controle financeiro sobre os clubes de futebol, a Medida Provisória do Futebol assinada pela presidente Dilma Rousseff cria uma série de regras para a CBF: dá voto a jogadores na eleição e nos conselhos técnicos, limita mandatos e induz a criação de uma liga para o Brasileiro. A entidade considera esses pontos inconstitucionais e reagirá para derrubá-los no Congresso.

A briga, que está só no começo, pode envolver ainda a Fifa se a confederação levantar a acusação de intervenção federal. Isso porque o estatuto da entidade proíbe que governos interfiram na gestão de seus filiados, e sempre ameaça suspendê-los.

O artigo 5o da MP estabelece que os times que aderirem ao Profut (refinanciamento fiscal dos clubes) só poderão disputar competições organizadas por entidades que garantam a categoria de atletas no conselho técnico e no colégio eleitoral para eleição. Há ainda limitação de dois mandatos de quatro anos. Assim, a CBF teria de fazer uma verdadeira revolução no seu estatuto para botar os jogadores nestes órgão.

A entidade rejeita a ideia pelo que apurou o blog. Seu argumento: a estrutura do futebol já é democrática com a participação dos clubes e federações, sendo as regras instituídas uma interferência indevida do Estado na confederação. Segundo dirigentes da confederação, nenhuma agência reguladora do governo funcionou até agora.

Outra obrigação imposta pela MP aos clubes é o investimento em futebol feminino, embora não existam parâmetros mínimos. A CBF também discorda dessa parte do texto porque entende que os times não têm condições financeiras neste momento de gastar com equipes de mulheres.

Pelo artigo 6o da MP, determina-se que, no caso de entidade de administração não cumprir as normas, os clubes podem “aderir a uma liga que cumpra as condições contidas no referido artigo”. Assim, se a confederação não se enquadrar, os times teriam de fundar uma liga que atendesse a medida para organizar o Brasileiro.

É outro ponto que a CBF não aceita porque mexe com o seu poder no campeonato nacional. Na opinião de cartolas da confederação, o governo aceitou todas as sugestões do Bom Senso FC e ignorou suas posições na lei.

O único ponto que a confederação concorda é relacionado ao rebaixamento e outras punições pela falta de pagamento de salários e quitação das parcelas dos débitos fiscais. Pela MP do Futebol, a entidade terá de incluir isso em seu regulamento geral de competições.

O que não fica claro é se a confederação aceitará o modelo proposto na lei, visto que ela mesma criou mecanismo de fair play trabalhista que é bem diferente do texto do governo. As regras da CBF não falam em débitos fiscais e na questão dos salários atrasados preveem ação só em caso de denúncia de jogadores, enquanto a MP feita pela Casa Civil prevê fiscalização.

A disputa entre governo e CBF terá como primeiro campo o Congresso, mas pode se estender para a Justiça e para a Fifa.


Santos e Fla ajudam a manter o incompetente Palmeiras na Série A
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Esse Brasileiro teve um dos patamares de pontos mais baixos para se livrar do rebaixamento, mas o Palmeiras esteve ameaçado até o último jogo. Bastava ao time alviverde uma vitória na partida derradeira, mas sofreu até os minutos finais. A verdade é que Santos e Flamengo têm muito mais responsabilidade na permanência da equipe paulista na Série A do que os próprios palmeirenses.

Em seu novo campo, o Palmeiras iniciou com a mesma desorganização e falta de qualidade de outras rodadas diante do Atlético-PR. O fato de Valdivia, claramente limitado por contusões, ser o melhor jogador de linha é uma demonstração da falta de opções palmeirense. Fez um sacrifício por seu time neste final, mas lembre-se que foi ausente em vários jogos seguidos durante o ano.

Um time quase júnior do Atlético-PR começou melhor e teve chances claras de gol entre elas uma salva por Gabriel Dias em cima da linha. Até que saiu o gol de Ricardo Silva, de cabeça, sem ser incomodado pelos zagueiros palmeirenses. Logo em seguida, o Bahia marcou diante do Coritiba: o time alviverde estava rebaixado naquele momento.

O Palmeiras não conseguia pressionar, mas uma bola lançada para a frente encontrou Henrique que chutou na mão do zagueiro do Atlético-PR. Pelo novo critério adotado pela arbitragem da CBF, foi pênalti marcado de forma acertada e convertido pelo atacante. O Furacão continuou melhor e deveria ter sido vencedor do primeiro tempo. Mas o gol tirava o time alviverde da degola.

Após o intervalo, o Palmeiras conseguiu, enfim, pressionar os garotos do Furacão, que, diga-se, tem um ataque reserva melhor do que o titular paulista. Só não fez o gol pela ruindade de suas conclusões com furadas de Lúcio, chutes bizarros de Cristaldo. Só quem jogava bola era Valdivia.

E o Palmeiras ficou angustiado até o final. Contou com a incompetência do Vitória. Depois de ser goleado pelo Flamengo na penúltima rodada, tomou um gol do Santos nos acréscimos, de Thiago Ribeiro, para determinar sua queda. Pela sua pasmaceira em campo no final, o time baiano nem parecia desesperado: mereceu mais o rebaixamento do que a equipe paulista que ao menos correu.

Com um ponto nas seis rodadas final, o time alviverde escapou apenas pelas derrotas dos times baianos, principalmente do Vitória. Ao tomar uma virada, o Bahia perdeu para o Coritiba embora de nada valesse uma vitória. A incompetência dos rivais livrou o Palmeiras da Segundona.


‘Vitória foi desleal. Mas time tentará ganhar”, diz diretor do Atlético-PR
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Às vésperas da rodada decisiva do Brasileiro, o Atlético-PR tornou-se o centro das atenções por suspeitas de que poderia facilitar o jogo para o Palmeiras para forçar o rebaixamento do Vitória, desafeto do clube paranaense. A diretoria do Furacão é dura ao classificar a atitude dos baianos de “desleal e desonesta” na negociação do jogador Léo. Mas há a promessa de empenho para ganhar do time palmeirense.

No total, o clube paranaense cobra cerca de R$ 2 milhões de dívidas do Vitória pela transferência do atacante Dinei e por uma negociação do lateral-direito Léo. Essa segunda transação é que gerou a briga entre os dois clubes com troca de acusações e mais de um processo judicial.

O enredo começa no final de 2013 quando o Atlético-PR depositou R$ 1,5 milhão na conta do time baiano para a compra de 50% dos direitos do jogador: exercia um direito do contrato de empréstimo. O Vitória, no entanto, alegou ter proposta melhor e que os paranaenses perderam o prazo: negociou Léo por R$ 2 milhões com o Flamengo. Mas o dinheiro atleticano não foi devolvido.

Na versão paranaense, foram feitas seguidas cobranças por e.mail para os dirigentes baianos que teriam confessado a dívida, mas pedido um período maior para quitá-la. “A gente tinha notificado três vezes o clube (Vitória). Eles sempre prometiam pagar em uma data, mas nunca cumpriram o prazo. Até que pararam de responder nossos e.mails”, contou o diretor jurídico atleticano, Rodrigo Gama Monteiro. “Ai decidimos ir para a Justiça.”

Na versão do Vitória no processo, o Atlético-PR ainda deve dinheiro ao Vitória para completar os R$ 2 milhões da proposta do Flamengo. Por isso, não devolveu nenhum dinheiro.

A primeiro ação atleticana foi por execução de título e terminou sem resolução de mérito: a Justiça decidiu que o contrato não era um título executivo e extinguiu a ação. À Espn, o presidente do Vitória, Carlos Falcão, afirmou que “há uma divergência desde o início do ano de entendimento do contrato. Já vencemos na primeira instância que não aceitou os argumentos do Atlético-PR.”

O clube paranaense entrou então com uma ação de cobrança que está em curso, e ataca forte o rival. “Infelizmente, tivemos esse episódio com o Vitória que teve uma atitude desleal e desonesta. Assumiram que deviam e depois voltaram atrás no processo”, afirmou Gama Monteiro.

Outra ação de cobrança é de uma parcela da compra do atacante Dinei, de R$ 100 mil, que não teria sido paga e com juros já atinge R$ 400 mil. “Mas isso absolutamente não vai interferir no campo. Não se fala isso no Atlético-PR. Só se fala em ganhar, ganhar (o Palmeiras)”, completou.

O blog ligou durante a tarde inteira para o presidente do Vitória, Carlos Falcão, para ouvir a versão do clube sobre a briga, mas não teve retorno. Ao blog do Perrone, o dirigente manifestou preocupação com a diretoria do Atlético-PR, embora tenha dito confiar no técnico do time paranaense.

O departamento de competições da CBF também foi procurado pelo blog para dar explicações de porque acabou com os clássicos na última rodada, que evitavam acusações de armações. Não houve resposta. Internamente , a tabela e as suspeitas sequer foram discutidos dentro da confederação, pelo que apurou a reportagem.