Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Rio-2016

Receita dá isenção fiscal a empresas por Olimpíada cinco meses após Jogos
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A Receita Federal deu isenções fiscais a empresas por causa da Olimpíada até cinco meses após a realização do Rio-2016. Um levantamento em Diários Oficiais apontou 27 atos de renúncia fiscal em janeiro de 2017 que favoreceram hotéis, empresas de alimentação, de transporte, construtoras, etc. Somam-se a uma enxurrada de benefícios anteriores aos Jogos.

O Comitê do Rio-2016 alega que as isenções fiscais são, na prática, para a própria organização já que são descontados dos pagamentos feitos aos fornecedores. “Foram feitas em 2017 porque estamos pagando as empresas em 2017. Cada vez que será feito um pagamento é determinada a isenção”, contou o diretor de comunicação da Rio-2016, Mario Andrada.

Entre os favorecidos em 2017 está o condomínio Ilha Pura, de propriedade da Odebrecht e da Carvalho Hosken, que serviu de sede para a Vila dos Atletas. Essa empresa já tinha uma isenção fiscal concedida, assim como a própria Odebrecht, em atos anteriores. A isenção é relacionada às obras de retrofit do condomínio do modelo usado nos Jogos para o de venda de apartamentos.

As renúncias fiscais são de imposto de renda, importação, PIS, COFINS, entre outras taxas. Só podem valer para atividades relacionadas aos Jogos.

Os atos são legais já que a lei de isenção fiscal -assinada pela então presidente Dilma Rousseff em 2013 – estabeleceu que os benefícios poderiam ocorrer até dezembro de 2017. Para que uma empresa tenha direito à isenção, o Comitê Olímpico Internacional, o Comitê Rio-2016 ou um organismo do governo tem que indica-lo como parceiro na realização dos Jogos.

Entre os beneficiados, estão Royalty Copacabana Hotel LTDA, e Hotel Copacabana Casablanca LTDA. Havia um programa de isenção fiscal para reconstrução e renovação de hotéis para a Olimpíada. Mas o pressuposto era que eles estivessem prontos para os Jogos.

O blog questionou a Receita Federal sobre as isenções, mas o organismo se recusou a comentar. “A Receita Federal não se manifesta sobre o mérito das isenções, uma vez que estas e seus respectivos prazos de vigência foram estabelecidos pela Lei”, informou. Limitou-se a apontar as leis que davam direito à isenção.

O condomínio Ilha Pura afirmou que os benefícios fiscais são com base na lei olímpica que atende todos os que prestaram serviços para o Rio-2016. “O mesmo (benefício) se estende em 2017 devido ao entendimento de que a desmobilização dos equipamentos olímpicos pela Rio2016 em Ilha Pura acontecerão até este ano vigente”, contou a assessoria do Ilha Pura.

Questionado, o Comitê Rio-2016 justificou as isenções pela movimentação econômica gerada pela Olimpíada, e pela economia para a União. “Se nós quebrarmos, quem teria que bancar é a União, o Estado. Se temos pagamos menos e não quebramos, eles economizam”, afirmou Mario Andrada.


Acusado de propina olímpica é ligado a empresa que ganhou com Rio-2016
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Documento da Receita Federal mostra sociedade entre empresa ligada a Arthur Soares, acusado de pagar propina olímpica, e duas contratadas da Rio-2016

Acusado de pagar propina em favor da eleição do Rio de Janeiro à Olimpíada-2016, o empresário Arthur Cézar de Menezes Soares Filho tem ligação societária com uma empresa que vai ganhar R$ 80 milhões com contratos do Comitê Rio-2016. A informação foi publicada pela “Agência Sportlight” e confirmada posteriormente pelo blog. O Comitê-2016 nega que tenha havido qualquer corrupção no processo de escolha do Rio de Janeiro, ou tenha ligação com o empresário.

Nesta sexta-feira, o jornal “Le Monde” mostrou que investigação francesa descobriu pagamentos indiretos de Arthur Soares para dois então membros do COI (Lamine Diack e Franck Fredericks) poucos dias antes da eleição em outubro de 2009. Por isso, há uma apuração na França e no comitê internacional para saber se foram propinas pagas para ajudar o Rio a vencer a eleição olímpica.

Arthur Cézar de Menezes Soares Filho é empresário investigado na “Operação Calicute” pelo Ministério Público Federal por suas ligações com o ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral. Suas empresas tinham contratos bilionários com o governo do Estado. Pela proximidade com Cabral, que era o governador na eleição do Rio, o empresário era conhecido como “Rei Arthur”.

O grupo empresarial de Arthur Soares tinha como centro a empresa Facility que depois se transformou na Prol SA. Trata-se de uma holdings de firmas de serviços de limpeza, segurança e alimentação especializada em contratos públicos.

Teoricamente, Arthur Soares vendeu o grupo Prol à Rise International, da Suíça, em 2014. Mas, na prática, as empresas Rise do Brasil e a Prol SA têm como administradora Karla Maia Peixoto de Vasconcelos, segundo registro na Receita Federal. É uma advogada que atuou durante anos na defesa das empresas de Arthur Soares e até de membro de sua família como mostram processos na Justiça.

Pois bem, o grupo Prol, de Arthur Soares, tem uma relação societária com um dos maiores fornecedores da Rio-2016. A Prol Alimentação é sócia da Masan Serviços Especializados no grupo Consórcio Alimentar. Detalhe: o grupo Prol tem capital de R$ 52 milhões, enquanto a Masan de R$ 5 milhões. Ambos têm contratos públicos no Estado e na prefeitura do Rio.

Pois bem, durante o ano de 2016, a Masan assinou seis contratos com o Comitê Rio-2016 para serviços de mão de obra, limpeza e alimentação, entre outros itens. Segundo o comitê, o valor total foi de R$ 80 milhões. O principal dono da Masan é a Sepasa Serviços que tem como diretor José Mantuano de Luca Filho, que também tem ligação com Sergio Cabral como Arthur Soares. Mantuano é investigado por fraude em licitação pública.

O Comitê não pagou todos os serviços da Masan. Por isso, a empresa entrou na Justiça em janeiro de 2017 para cobrar um valor de R$ 19,8 milhões em pagamentos atrasados. O comitê alega que a dívida é de R$ 16 milhões.

Outra empresa que foi fornecedora do Rio-2016 é a Comissária Aérea Rio de Janeiro, que também é sócia da Prol Alimentação no mesmo grupo da Masan. Essa empresa aparece na lista das que tiveram isenção fiscal por causa da Olimpíada, assim como a Masan.

“Não tem nenhum problema (relação com a Masan). A Masan ganhou contratos durante 2016. Antes da reta final da Olimpíada, sequer estava no radar do comitê”, afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada. “Todos os contratos foram com concorrência com alguma empresa e foram submetidos ao Conselho Diretor do comitê.”

E acrescentou: “É nosso segundo maior credor e entrou na Justiça. Se o sócio tivesse favorecimento, você acha que ele não seria o primeiro a receber?”. Por fim, Mario Andrada concluiu: “Nenhuma pessoa que escolheu a Masan estava no comitê Rio-2016 na candidatura, nem as que fizeram a concorrência, nem do Conselho.”

O diretor da Rio-2016 rechaça qualquer acusação de corrupção no processo eleitoral da cidade para Olimpíada. Alega, por exemplo, que o comitê não tem relação com Arthur Soares e que nem foi procurado por investigadores franceses. “Por que a polícia não nos procurou? É só ver quem é investigado pelo COI.”

Na apuração do COI, estão sob escrutínio Franck Fredericks, membro do COI, e Lamine Diack, ex-presidente da IAAF e ex-membro do COI. Segundo o “Le Monde”, uma offshore de propriedade de Arthur Soares no Caribe enviou um pagamento de US$ 1,5 milhão para uma empresa de Papa Diack, filho de Lamine, a três dias da eleição do Rio. A família Diack já era investigada por envolvimento no escândalo de doping da Rússia.

Posteriormente, Fredericks recebeu um pagamento de Papa Diack de parte do valor. Ele afirmou que prestou serviços esportivos relacionados a eventos na África e apresentou o contrato ao COI.

O blog tentou falar com os advogados de Arthur Soares e José Mantuano de Luca Filho sem sucesso. À “Folha de S. Paulo”, a defesa de Arthur Soares afirmou desconhecer o pagamento de propina.

PS: A reportagem de Lúcio de Castro, na “Agência Sportlight”, pode ser lida no endereço: www.agenciasportlight.com.br (Não deixo o link porque ele não funciona no blog). O site, aliás, é ótima iniciativa de jornalismo investigado no esporte.


Reparos no Maracanã por abandono são estimados em pelo menos R$ 20 milhões
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Uma estimativa inicial aponta que os reparos necessários no Maracanã por conta do abandono são de pelo menos R$ 20 milhões. O valor pode subir a até R$ 30 milhões dependendo de avaliações mais profundas. Essa é a informação com que trabalha um dos consórcios que disputam a concorrência que não quis ser identificado. A Odebrecht informa que ainda não tem um montante preciso o que só será obtido após uma vistoria completa.

A questão de quem vai ficar com essa conta é o principal empecilho para a construtora dar sequência à venda da concessão para a Largardère ou para a GL Events, duas habilitadas pelo Estado do Rio de Janeiro. Essa discussão se estende e atrasa o desfecho. A Odebrecht entende que o Comitê da Olimpíada Rio-2016 é responsável por esses reparos.

Os principais consertos necessários são na cobertura, na parte elétrica e em cadeiras da arquibancada. No caso da cobertura, é preciso fazer manutenção e consertos na lona para reabrir o estádio com segurança. A avaliação é de que seria preciso R$ 9 milhões para esse item. A princípio, um laudo prévio não apontava danos que comprometessem a estrutura.

No caso das cadeiras, a Rio-2016 entregou o estádio com cadeiras com lugares trocas, e muitas delas quebradas. Além disso, o mobiliário de camarote estava jogado de qualquer maneira em depósitos. Isso precisa ser recuperado. A parte elétrica é a terceira preocupação. Há ainda o gramado cujo custo é mais baixo.

O laudo preliminar feito pela Odebrecht mostrava 56 irregularidades no estádio após a entrega pela Rio-2016. Mas a própria construtora se recusou a assumir a segurança e a manutenção do estádio por dois meses, agravando a situação e gerando roubos de cabos elétricos. O Rio-2016 nega ser responsável por qualquer reparo novo no estádio.

“Fizemos uma inspeção com a Odebrecht na entrega do estádio e a estimativa dos consertos era de R$ 400 mil”, afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada. “Temos um laudo da SBP e outro da Promo mostrando que os danos a cobertura foram apenas um furo na lona e uma colocação de som.”


Maracanã tinha 56 problemas após Rio-2016, aponta laudo da Odebrecht
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Após ser devolvido pelo Comitê Rio-2016 no final de outubro, o complexo do Maracanã tinha 56 irregularidades em relação ao estado de conservação anterior. É o que apontam sete laudos de vistoria da Odebrecht (controlador do concessionária do estádio) realizados durante novembro e obtidos pelo blog. O comitê, no entanto, afirma ter resolvido todas as pendências. Fato é que o estádio encontra-se em péssimo estado de conservação como mostrado pelo jornal “O Globo”.

O relato da reportagem do jornal é de lixo acumulado, falta de luz, de móveis em camarotes e assentos fora do lugar. Há uma disputa entre a concessionária, Rio-2016 e o governo do Estado do Rio de Janeiro em relação às responsabilidades sobre os problemas do Maracanã.

Enviado para o Rio-2016 e para o governo, os laudos executados pela Odebrecht, no entanto, dão força ao argumento de que o comitê foi negligente ao cuidar do estádio quando estava sob seus domínios.  Antes disso, no final de 2015, a concessionária tinha desmobilizado a equipe que trabalhava no estádio por desinteresse em sua gestão.

No documento da Odebrecht, há casos graves como uma caixa de força elétrica danificada por incêndio no Maracanãzinho, móveis jogados e empilhados, cadeiras faltando em fileiras ou colocadas no lugar errada, restos de estruturas não recolhidos, vazamentos de óleo sobre cabos de energia, campo sem o gramado original, entre outros pontos. Há fotos de todas as irregularidades encontradas. No total, são 56 notificações de “não conformidades”, como chamado nos laudos.

Fica claro nas imagens que o processo de ocupação e desocupação do comitê Rio-2016 foi caótico. Por exemplo, os móveis foram armazenados de forma desorganizada em depósitos, e se encontravam danificados e com ferrugem. Já as cadeiras foram retiradas de qualquer maneira e colocadas sem ordem com numeração aleatória.

Há também incidentes menores como a ausência de retirada de comunicação visual do Rio-2016, assim como a falta de reposição do que estava lá na época da concessionária.

O comitê Rio-2016 executava os serviços durante o mês de novembro, como mostram as fotos, quando já deveria ter entregue o estádio pronto. Foi obtido um aval do governo do Estado para que tudo se concluísse até o final de dezembro e o estádio fosse considerado como devolvido. A Odebrecht não aceitou e notificou as partes.. A matéria do “Globo” demonstra que esse processo não está completo.

“Não temos mais nada a ver com o Maracanã. Entregamos para o proprietário que é o Estado. A concessionária não tem nada a ver na nossa relação. Entregamos o estádio melhor do que recebemos”, afirmou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada.

Há ainda um questionamento da Odebrecht em relação às contas não pagas durante o período da Rio-2016. No total, havia R$ 2,9 milhões em luz, e outros R$ 1,9 milhão de água, além de um pequeno valor em gás. O comitê Rio-2016 alega já ter resolvido a questão da luz com a Light. “Fizemos um encontro de contas com a Light e está tudo resolvido”, afirmou Andrada.

Não havia luz no estádio desde a sexta-feira antes do ano novo, mas a Light nega ter executado qualquer corte no estádio.

Veja abaixo algumas das imagens do Maracanã do laudo feito pela Odebrecht:

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Mobiliário dos camarotes empilhado em depósito no Maracanã

Mobiliário dos camarotes empilhado em depósito no Maracanã

Vazamento no forro do teto do Maracanã

Vazamento no forro do teto do Maracanã

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Rio-2016: tudo que é legado esportivo se desmancha no ar
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Quando o Brasil se tornou sede da Olimpíada, em 2009, a promessa de organizadores era de que haveria um legado esportivo para o país. Isso se traduziria em uma infraestrutura renovada, e uma formação de uma cultura e de um corpo de atletas que que fortaleceriam o esporte olímpico do país. Uma sucessão de notícias deixa essa promessa cada vez mais longínqua.

Para chegar à Rio-2016, e tentar um inédito 10o lugar no quadro de medalhas, o Brasil teve um investimento total de R$ 3,2 bilhões em salários, serviços e infraestrutura para atletas. A esse valor inédito, acrescente-se os gastos com a estrutura para os Jogos: Parque Olímpicos, Deodoro, Parque Radical.

No quadro de medalhas, foram apenas duas medalhas a mais, sem alcançar a meta. Poderia se argumentar que isso pode gerar frutos futuros. Mas não é o que indica o quadro atual.

Quatro meses após a Olimpíada, a administração do Parque Olímpico foi transferida ao Ministério do Esporte depois de fracassar a tentativa de privatiza-la. O governo federal topou, apesar de não saber quanto vai gastar. A promessa de um sólido plano de legado ficou nisso, em promessa.

O Ministério do Esporte que terá de bancar essa estrutura é o mesmo que há seis meses cancelou um edital para dinheiro de confederações olímpicas no valor de R$ 150 milhões. Uma parte desse dinheiro deve acabar na conta ainda incerta do Parque, não se sabe quanto sobrará para essas entidades.

O corte não está apenas aí: o dinheiro de estatais, antes portentoso, míngua. Quem mantiver o contrato, deve se dar por satisfeito com reduções. Haverá quem perca toda a receita de patrocínio e sem lá muita perspectiva de recurso privado forte. O dinheiro da loteria da Lei Piva, em um país em crise, também caiu de volume, embora pelo menos seja garantido.

E nem dá para dizer que as confederações são injustiçadas. Surfando na tsunami de dinheiro públicas, a maioria dos cartolas de entidades esportivas se meteu em confusões e acusações de mal administração de verba. Isso quando não são apontados desvios claros como a investigação da Polícia Federal sobre a Confederação Brasileira de Taekwondo.

Em meio a isso, como ficam os atletas? Suas bolsa-pódios, aquele benefício que apoiava os melhores, acabaram no meio do segundo semestre de 2016, logo após os Jogos. O Ministério do Esporte lançou novo edital agora no final de dezembro e vai publicar nomes em março.

Na melhor das hipóteses, os atletas ficam seis meses sem receber, mas garantem apoio até 2020. Mas não se sabe o volume de recursos. O investimento é de “acordo com a disponibilidade orçamentária e financeira do ME”.

Analisado o quadro geral, de positivo, a formação de uma nova geração de atletas (em número bem inferior ao esperado, diga-se). Agora o cenário indica que o tratamento que receberão, assim como seus sucessores, vai retroagir bastante em relação ao último ciclo olímpico. O projeto de esporte olímpico, que antes diziam ser sólido, cada vez mais se desmancha no ar.

 

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Caixa socorre Odebrecht ao antecipar R$ 240 mi da Vila Olímpica
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A Caixa Econômica Federal deu um socorro financeiro para as empreiteiras Odebrecht e Carvalho Hosken durante a construção da Vila Olímpica dos Atletas. Obtido pelo UOL Esporte, o contrato do financiamento entre as partes foi alterado para permitir uma liberação antecipada de R$ 240 milhões para as construtoras em troca de imóveis como garantia. Isso ocorreu sem que o consórcio tivesse cumprido sua meta de venda prevista para receber esse dinheiro.

O Ilha Pura (consórcio formado pela Odebrecht e a Carvalho Hosken) alega que o desembolso antecipado foi necessário para a conclusão do empreendimento para a Olimpíada. E defende que foi uma operação normal no mercado imobiliário.

Para entender o negócio, é preciso voltar à negociação que tornou o condomínio de 31 prédios a moradia dos atletas durante a Olimpíada. Houve um acordo entre a prefeitura do Rio, as empreiteiras e o Comitê Rio-2016 para que o projeto ficasse pronto antes dos Jogos. O município faria obras de infraestrutura nos arredores, e a Caixa faria o financiamento.

A negociação entre o Ilha Pura e o banco estatal não foi fácil e demorou a se concluir. As empreiteiras alegam que a Caixa foi bem dura nas exigências e as condições de financiamento foram padrão, sem facilitação. Assim, só foi assinado um contrato em abril de 2014 quando cerca de 40% das obras já estavam executadas com recursos das empreiteiras.

Pelo documento, seriam liberados R$ 2,330 bilhões pela Caixa para o Ilha Pura. Como garantia, eram dados em hipoteca imóveis do próprio condomínio em um total de R$ 2,9 bilhões, o que representava 123% do dinheiro. Além disso, o Ilha Pura cedeu todas as suas ações para a Caixa em alienação fiduciária. O montante seria liberado conforme a execução das obras.

Mas havia uma outra garantia para dar segurança à Caixa. Pela cláusula 5ª do contrato, foi estabelecida a retenção de R$ 240 milhões das duas parcelas iniciais do financiamento da obra. Esse dinheiro só poderia ser liberado quando a Ilha Pura atingisse a venda de R$ 921 milhões dos apartamentos. Desta forma, o banco estatal estaria protegido contra um possível fracasso do empreendimento. Afinal, tinha imóveis e ações do consórcio como garantia.

Pois bem, em julho de 2015, foi assinado um aditivo do contrato. Nele, ficou estabelecido que os R$ 240 milhões seriam liberados antes de a meta ser atingida. Em troca, a Carvalho Hosken fornecia imóveis que “possuem o valor de custo equivalente” ao montante, diz o contrato. O consórcio defende que os imóveis valem mais. Os apartamentos em garantia não podem ser vendidos até se atingir o patamar de R$ 921 milhões em vendas.

O consórcio Ilha Pura disse que pediu a modificação porque não tinha conseguido vender a meta de apartamentos e necessitava do dinheiro para finalizar os condomínios a tempo da Olimpíada.

“Sim, a Ilha Pura propôs à CEF uma substituição desta garantia, a fim de dar liquidez ao projeto e viabilizar a conclusão das obras, atendendo assim aos prazos assumidos no compromisso olímpico. A razão desta modificação foi a ruptura no cenário econômico, o que consequentemente, refletiu no mercado imobiliário”, contou a assessoria do Ilha Pura.

O consórcio não sabe informar qual foi o valor de vendas até agora, mas foram negociados 40% dos 600 apartamentos postos à venda. A alegação das empreiteiras é que a crise econômica impactou o mercado imobiliário.

Sob o ponto de vista da Caixa, o dinheiro representava uma garantia real mais consistente. Pela regulação de bancos, as instituições bancárias podem ter imóveis no caso de hipotecas de empréstimos, mas têm que comercializá-los em até um ano. É comum que bancos tenham que vender apartamentos abaixo do preço por essa exigência. Isso se agrava em um cenário de recessão do mercado imobiliário, ou seja, o banco assume parte do risco que era da empreiteira.

O Ilha Pura nega que seu objetivo tenha sido transferir risco: “Não, o objetivo foi dar liquidez necessária ao projeto, de modo a viabilizar sua conclusão dentro dos prazos firmados no compromisso olímpico.” O consórcio entende que, a longo prazo, o mercado imobiliário vai se recuperar e todos os apartamentos serão vendidos.

A Caixa se recusou a comentar o caso:  “Com relação à Vila dos Atletas, a Caixa Econômica Federal informa que se tratam de operações de mercado protegidas por sigilo bancário, conforme prevê a Lei Complementar no 105/2001.”

Com a liberação antecipada, o Ilha Pura já recebeu o total dos R$ 2,3 bilhões da Caixa. Com o direito a carência, pagou apenas juros de abril de 2014 a março de 2016. Dessa data em diante até março 2017, o Comitê Rio-2016 pagou os juros como aluguel pelo período. Só a partir daí é que o consórcio começará a pagar a dívida principal com a Caixa. O consórcio não revela quanto pretende lucrar com o condomínio: alega que não divulga suas receitas.

Lembrança: o Ilha Pura entregou a Vila Olímpica no prazo, mas com vários problemas de acabamentos. Como o Comitê Rio-2016 demorou a perceber essas falhas, isso afetou as delegações de atletas em sua chegada para a Olimpíada.


Quebrado, Rio-2016 teve R$ 255 mi da bilheteria bloqueados para pagar Vila
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Com dificuldades financeiras, o Comitê Rio-2016 teve R$ 255 milhões em bilheteria bloqueados para pagar pelo aluguel da Vila Olímpica dos Atletas. Esse valor é referente ao uso por 17 meses do local (bem superior a permanência dos atletas) em que o organismo pagou pelos juros em substituição ao consórcio Ilha Pura (Odebrecht e Carvalho Hosken). É o que mostram os contratos do empreendimento obtidos pelo UOL Esporte.

Após os Jogos, a situação financeira do Rio-2016 é bastante problemática com dívidas e cobranças na praça que podem chegar a R$ 200 milhões. Foi necessário recorrer ao socorro dos cofres públicos em pelo menos R$ 215 milhões, vindos da prefeitura do Rio de Janeiro e de estatais federais.

Pela leitura dos documentos do Rio-2016, fica claro que diversas receitas foram bloqueadas, o que ajudou a levar a essa situação. Além da bilheteria, houve uma retenção de R$ 96 milhões do contrato de patrocínio do Bradesco para pagar ao Ilha Pura pelas reformas da Vila após os Jogos. Ou seja, no total, o bloqueio foi de R$ 350 milhões.

“Não foi isso o causador dos nossos problemas financeiros. Se todas as nossas despesas fossem menores, a gente não teria os problemas financeiros. Muitas das despesas foram sobre exigências inclusive para o COI”, justificou-se o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada.

Apesar do pagamento antecipado, a Vila Olímpica causou a maior crise na Olimpíada por ter sido entregue pelas construtoras com problemas de acabamento, de encanamentos e de ligações de luz. Os prédios estavam inacabados e o comitê demorou a perceber e consertar os problemas.

Contrato da Caixa

O condomínio de prédios da Vila Olímpica foi financiado por meio de contrato entre a Ilha Pura (Odebrecht e Carvalho Hosken) e a Caixa Econômica Federal, com participação da Rio-2016. Pelo acordo assinado em 2014, o banco estatal emprestou R$ 2,9 bilhões para a construção dos 31 prédios do empreendimento com juros subsidiados (taxa TJLP). A Caixa fica com a posse dos imóveis até que esses sejam vendidos.

Inicialmente, o comitê pagaria Us$ 18 milhões pelo aluguel em compromisso das empreiteiras na candidatura olímpica. Depois, em 2014, a Ilha Pura pressionou para que fosse usada a regra de usufruto pela qual o Rio-2016 tinha que pagar os juros durante o período que usasse a Vila.

A questão é que o contrato obtido pelo UOL Esporte estabelece que os prédios seriam cedidos a partir de março de 2016 até um prazo entre março e julho de 2017, dependendo do prédio. Ou seja, até 17 meses. Ora, quanto maior o tempo ficasse com o Rio-2016, maior seriam os juros.

Pela cláusula 40ª do contrato, foi estabelecido que o valor estimado seria de R$ 255 milhões a serem pagos pelo Rio-2016 diretamente para a Caixa Econômica. Será um valor economizado pelo Ilha Pura com os juros. Não há nenhuma cláusula que preveja redução do valor em caso de entrega antecipada.

O blog apurou que o comitê está atrasado na devolução dos prédios para o Ilha Pura. Deveria ter entregue 10 prédios desocupados em setembro, o que não aconteceu. E o comitê já avisou que não conseguirá devolver os outros 21 prédios em outubro, como previsto no contrato.

Após a entrega, será feito o retorto nos prédios, que, segundo o Ilha Pura, demora até o próximo ano. Nesta cenário, por falta de organização do Rio-2016, nem seria possível antecipar a entrega e pleitear redução do valor.

Não apenas a bilheteria foi usada

Para cobrir esse valor, o comitê não tinha uma carta fiança para usar como garantia. Assim, teve que assinar uma alienação fiduciária com a Caixa Econômica em relação à bilheteria dos Jogos. Basicamente, toda a renda dos ingressos da olimpíada foi diretamente para uma conta no banco estatal bloqueada ao Rio-2016 até que se atingissem os R$ 255 milhões.

Não era o único recurso do comitê bloqueado por conta da Vila. Havia ainda a possibilidade de ficar com a receita de patrocínio dos Correios caso a bilheteria não fosse suficiente. Isso não foi necessário: o valor já foi pago integralmente pela bilheteria.

Mas outro contrato de patrocínio não escapou do bloqueio. Além do aluguel, o Comitê Rio-2016 teve que pagar R$ 47 milhões ao Ilha Pura pelo retrofit dos prédios, isto é, a reforma para adaptá-los para seus futuros moradores após a Olimpíada.

Para isso, foi usado o contrato de patrocínio do Bradesco. Um contrato de alienação fiduciária entre o Rio-2016 e as empreiteiras estabeleceu que R$ 96 milhões do patrocínio do banco foram para uma conta para ser usada pelo Ilha Pura. Além dos R$ 47 milhões, seriam outros R$ 49 milhões para garantir outras obrigações, segundo o contrato.

Dentro do Comitê Rio-2016, a conta é de que a Vila Olímpica no final deve custa R$ 318 milhões, contados ainda reparos a serem feitos no prédio. Ou seja, um valor muito superior aos Us$ 18 milhões iniciais.

Outro lado

O Rio-2016 defende os termos do contrato porque eram uma garantia para ter tempo para devolver os prédios. “Quando o contrato foi assinado, a gente não tinha noção do que ficaria quebrado e do que precisaria para devolver. A gente colocou março (2017) para ter uma garantia. Se ficasse pronto em outubro de 2016, pagaria menos aluguel, mas poderia não entregar e pagaria multa”, justificou o diretor de comunicação do Rio-2016, Mario Andrada. “Entendo isso: se ficasse em vez de março (a entrega), em abril, iria aumentar. É uma conta macro não com esse detalhamento.”

Segundo Mario, o Rio-2016 sempre quis pagar menos e negociou o máximo com esse objetivo.

O consórcio da Odebrecht e Carvalho Hosken disse que cumpriu exatamente os prazos previstos em contrato: “Os imóveis da Ilha Pura começaram a ser entregues ao Rio2016 antes do prazo, em janeiro/16. Todos os 3.604 apartamentos foram terminados conforme contrato e vistoriados pelo Rio2016. As demandas de assistência técnica, previstas no contrato, foram atendidas assim que solicitadas pela Rio 2016, em um prazo de 10 dias.”

E justificou os bloqueios das receitas de patrocínio do comitê “O Rio-2016 fez um depósito em uma conta garantia pois não conseguiu apresentar a fiança prevista no contrato. Parte já foi devolvida e o saldo devolvido quando as obrigações estiverem concluídas.”

Há em curso uma negociação sobre os consertos dos prédios que giram em torno de R$ 31 milhões. Inicialmente, o Rio-2016 queria abatimentos pelos diversos problemas encontrados na Vila Olímpica na entrega antes da competição que resultaram em uma crise com delegações. Mas isso não ocorreu.


Pressionado, COB quer driblar queda de verba federal para crescer em Tóquio
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Reeleito para mais um mandato à frente do COB – no qual deverá completar 25 anos -, o presidente do comitê, Carlos Arthur Nuzman, sabe que enfrentará um cenário bem diferente da fartura de dinheiro estatal para o ciclo da Olimpíada Rio-2016. Por isso, pretende criar um plano para levantar patrocínio. Ao mesmo tempo, projeta melhorar o desempenho olímpico para Tóquio-2020.

Ressalte-se que a gestão de Nuzman, com bastante dinheiro, não conseguiu atingir a meta proposta para o Rio-2016 de ficar entre 10 primeiros no ranking de medalhas. Foram 19 pódios, o melhor desempenho brasileiro nos Jogos, mas um crescimento modesto para um país-sede.

Talvez por isso sua eleição teve maioria, mas passou longe da unanimidade. Houve quatro abstenções e um voto contra dos 29 totais. E o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, ainda luta para anular o pleito na Justiça alegando falta de tempo para inscrever chapa de oposição.

Um cenário de pressão ao COB que se acentua com o anúncio de estatais como o Correios de redução drástica no investimento no esporte, enquanto a verba federal já foi cortada pelo Ministério do Esporte. “Vou voltar no tempo que eu comecei e não tinha dinheiro para nada”, afirmou Nuzman. “Mas a luta por recursos é a obrigação da nossa parte com dificuldades ou não. Porque os projetos são muitos.”

O discurso de Nuzman tem um certo exagero já que o COB conta com recursos fixos da Lei Piva, da loteria, distribuídos a confederações. E nem todas as estatais abandonaram – o Banco do Brasil deve ficar no vôlei. Mas ele tem razão que há queda de dinheiro inclusive de patrocinadores do COI que fortaleciam o caixa do comitê brasileiro: os contratos acabam no final de 2016.

“Vamos partir forte com uma ação de patrocínio”, contou Nuzman. “Tem um cenário muito propício para eles virem. Vamos montar um projeto para atrair. Acho que tem perspectiva de alguns ficarem. O resultado para eles foi muito bom.”

Esportivamente, Nuzman disse que não é hora de estabelecer uma meta. O novo diretor-executivo de esportes, Agberto Guimarães, no entanto, disse que não faz sentido as confederações e o COB não projetarem um desempenho melhor para Tóquio-2020.

“Em uma resposta simples: quero olhar para a quantidade de finalistas que tivemos em provas individuais e fazer com que esses finalistas tenham a possibilidade de ganhar uma medalha. O número de bronze e competir com prata e ouro. E assim por diante. O reflexo disso: a gente vai dizer se será A, B ou C no ranqueamento”, analisou Guimarães.

Em uma comparação, ele lembrou sua carreira como atleta em que, quando atingia a marca de 1ms45 nos 400 metros, queria baixar para a casa dos 1ms44. “É pragmático.” Cabe ao COB ser pragmático e atingir, com menos dinheiro federal, o crescimento que só obteve em parte no Rio-2016.

 


Lochte aproveitou-se do preconceito contra o Rio para mentir
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rodrigomattos

Sejamos sinceros,  o Rio de Janeiro atravessa um momento bastante difícil em relação à violência urbana. Diante disso, não seria chocante que um atleta olímpico fosse assaltado na cidade e tivesse a vida posta em risco. Foi exatamente por isso que o nadador norte-americano Ryan Lochte e seus colegas aproveitaram para inventar uma história e encobrir a fanfarra que fizeram na noite carioca.

Primeiro, Lochte deu uma entrevista dizendo que botaram a arma para sua testa e levaram seu dinheiro. Depois, disse que lhe apontaram o revólver, mas não diretamente na testa. Está claro que ele, o mais experiente, deu as cartas no tom da história de todos os nadadores.

Feitas essas declarações, todos nós jornalistas acreditamos nele. Afinal, era um campeão olímpico dizendo que fora assaltado. Por que mentiria?

Alguns poucos veículos norte-americanos aproveitaram para achincalhar o Rio de Janeiro quando surgiram dúvidas sobre o caso – a maioria agiu de forma responsável, diga-se. Em um texto lamentável, a colunista Nancy Amour, do USA Today, disse que o nadador acertou ao sair do Brasil e que a polícia brasileira não era confiável. Outros jornais falaram em cidade com praga de violência – o que é verdade – para ilustrar artigos dando razão aos nadadores.

Ao “New York Times”, o advogado de Lochte, Jeff Ostrow, relacionou o caso a uma “nuvem negra” sobre o Brasil, por razões como economia mal, crime e erros na gestão da Olimpíada. Como se falhar na organização dos Jogos e estar sem dinheiro dessem a certeza de que a versão de seu cliente era verdadeira.

Tudo começou a cair por terra com o vídeo que mostra Lochte em típica atitude de playboy bêbado que faz arruaça porque não sabe se controlar. Aquele que apontou uma arma contra ele, na verdade, era um segurança tentando contê-lo após as estripulias.

Confrontados, os nadadores, menos Lochte, admitiram à polícia que não houve assalto, e sim o vandalismo seguido de cobrança armada por reparação. Fica claro que não contavam que o caso sequer fosse investigado, tanto que não tinham prestado queixa. Entendiam que em uma cidade tomada por violência um assalto nem seria investigado. Apostaram no preconceito contra o Rio e o Brasil.

Em atitude correta, o Comitê Olímpico dos EUA reconheceu o erro deles e pediu desculpas pela atitude de seus atletas. Ressalte-se que o comitê não teve culpa no episódio: alertara para que seus atletas respeitassem o país, e acreditou em Lochte porque era seu atleta.

Dito isso, é correto que os nadadores sejam liberados. Não cometeram crime grave: a falsa denúncia é no máximo punível com cestas básicas do Brasil. E assim deve ser. Não há porque prende-los no país após a situação esclarecida.

O que fica de lição é que não se deve tirar conclusões baseadas em preconceitos. Sim, a polícia brasileira tem vários problemas, mas agiu corretamente no caso. Sim, o Rio é violento, mas quem criou confusão naquela noite foram os nadadores norte-americanos. Sim, Lochte tem seis medalhas de ouro, mas isso não significa que tenha caráter.

Como se diz no Rio: “Perdeu playboy, é hora de se desculpar”.

PS: Lochte pediu desculpas ao Brasil em uma comunicado nesta sexta-feira. Não admitiu a mentira: apenas falou que deveria ter tido mais cuidado ao descrever os fatos. E continua a posar de vítima por ter uma arma apontada para si. O comunicado mais parece escrito por um relações públicas para agradar patrocinadores, nada a ver com demonstração de arrependimento.


O mito do australiano cricri não é verdadeiro
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rodrigomattos

Desde a abertura da Vila Olímpica, a Austrália tornou-se protagonista neste período pré-olímpico pelas suas críticas às instalações dos atletas. Virou até motivo de piada: outro dia ouvi algo do tipo: “Estou tão insatisfeito quando um australiano no Rio”. Mas os eles são, de fato, cricris, frescos?

A resposta teria de ser um sonoro não diante da experiência que tive com atletas e membros da delegação do país da Oceania, e após visita ao seu prédio na Vila. A delegação da Austrália apenas apontou problemas reais e lidaram com sinceridade com eles.

Mas, eles ainda enfrentam questões menores em suas instalações, como pôde ser visto pelo blog na segunda-feira, quatro dias após o Comitê Rio-2016 dizer que tudo estava resolvido. Há água quente em alguns banheiros, e em outros não, enquanto privadas e chuveiros entopem. E há claros sinais de acabamento mal feito no prédio, além de sujeira no chão e nas paredes.

O que você faria se chegasse em um hotel no exterior para trabalhar e houvesse essas condições? Ficaria lá em instalações ruins ou reclamaria e exigiria melhorias?

Ainda assim, a delegação da Austrália faz elogios aos pontos positivos da Vila: os australianos gostaram da piscina e decoraram o prédio para se sentirem em casa. Sua chefia de missão diz que é a mais bonita já vista e que há boa vontade dos organizadores para solucionar rapidamente a questão. Havia encanadores no prédio lidando com questões no momento da visita ao local. Entraram no bom humor do prefeito Eduardo Paes e trocaram cangurus e chaves da cidade com ele.

O contato que tive com os australianos, assim como em Olimpíadas anteriores, mostrou um povo em geral simpático, aberto e sincero. Bem mais positivo do que mídias de outros países, que exageram nos defeitos brasileiros em busca de sensacionalismo. Talvez essa clareza em lidar com os problemas, em vez de disfarça-los com discursos políticos, possa ser o maior aprendizado que podemos ter com eles, bem além de encanamentos.