Blog do Rodrigo Mattos

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Sem contrato de imagem, Rogério ajuda marketing do São Paulo
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A diretoria do São Paulo tem aproveitado a volta de Rogério Ceni como técnico para turbinar ganhos com marketing. Isso apesar de o treinador não ter assinado um contrato de imagem assim como não fazia na época de jogador. Ainda assim, ele participa de campanhas e reforçou a imagem do clube em negociações.

Com Rogerio como técnico, em 2017, o São Paulo fechou contrato de patrocínio com o Banco Intermedium, em acordo que ainda terá de passar pelo Conselho Deliberativo. Agora, todos os espaços no uniforme estão cobertos.

Mas há campanhas com esses patrocinadores e prospecções de futuros parceiros que ganham muito com a presença do ídolo. Nas negociações, dirigentes são-paulinos têm usado o nome de Rogério para mostrar que houve valorização da imagem do clube. Segundo os cartolas, sua presença no banco traz outra repercussão para os patrocinadores.

Um exemplo é a Corr Plastik que assinou contrato para ter seu nome em várias propriedades do clube, inclusive a camisa de treinador. O acordo foi assinado no meio de 2016. A avaliação de dirigentes são-paulinos é de que, com Rogério, teria sido possível assinar por um valor maior.

Quando voltou ao clube, o ex-goleiro não assinou contrato de direito de imagem. Sua participação em propagandas e campanhas do São Paulo é negociada caso a caso. Em algumas ocasiões, é acertada uma divisão dos ganhos entre ele e a agremiação. Em outras, ele cede gratuitamente sua imagem para o São Paulo.

Os dirigentes são-paulinos ainda festejam porque o técnico dá duas entrevistas semanais e portanto sua imagem aparece mais até do que a dos atletas. Com isso, avaliam que há ganhos com o uso da imagem internacional do ex-goleiro.


Depois de dois anos de rombo, São Paulo tem superávit de R$ 1 mi em 2016
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Após dois anos com rombos nas finanças, o São Paulo fechou o ano de 2016 com superávit de R$ 1 milhão. A informação é do diretor financeiro do clube, Adilson Alves Martins. Isso foi possível com aumento de receita e redução de despesa. Há uma melhora financeira do clube, mas a situação ainda não está resolvida visto que foi necessário recorrer a empréstimos no final de 2016.

Nos anos de 2014 e 2015, o São Paulo acumulou déficit de R$ 180 milhões. Com isso, houve um inchaço da dívida que atingiu R$ 359 milhões no final do ano passado. Durante 2016, a diretoria tentou reduzir esse passivo, usando o aumento de renda.

No total, o clube teve uma receita de R$ 380 milhões ao final de 2016. Desse valor, R$ 105 milhões foram obtidos com a negociação de jogadores, quatro vezes mais do que o previsto inicialmente. Negociações como as de Ganso e Allan Kardec fizeram a diferença. Uma renda líquida de R$ 22 milhões na Libertadores ainda turbinou os cofres. Ainda assim, a receita está abaixo de Palmeiras e Corinthians em 2016.

“Esse é o principal conceito (aumentar receita e reduzir despesa). Se queremos fazer uma gestão para melhorar o clube, não tem como ter déficits como os de 2014 e 2015. Conseguimos ter um superávit esse ano (2016) e vamos prever um déficit de R$ 4 milhões para 2017”, contou Adilson.

“É uma ideia que mantenha a mesma linha. Até para termos cuidado e ninguém se acomodar e achar que estamos resgatados. Nós previmos R$ 10 milhões de déficit esse ano (2016) e fechamos com superávit.”

Ainda assim, no final do ano, a atual diretoria tentou aprovar um novo contrato de televisão com a Globo pelo Brasileiro para receber luvas antecipadas. O Conselho Deliberativo rejeitou alegando que comprometeria o futuro. Os dirigentes, então, tiveram de adotar outra solução para pagar as contas de 2016.

“O objetivo era pagar dívidas antecipadas. Então, fizemos uma solução com mix. Fizemos um novo empréstimo e ao mesmo tempo jogamos uma parte da dívida para depois”, contou Adilson.

Segundo ele, em 2016, a dívida bancária ficou em R$ 145 milhões. Ou seja, inferior aos R$ 170 milhões do final de 2015, mas acima do meio do ano, justamente pelo novo empréstimo. Adilson estimou que o clube economizou R$ 20 milhões de pagamento em juros.


Maioria de clubes deve ser suficiente para suspender descenso da Chape
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No dia da tragédia da Chapecoense, um grupo de clubes articulou um movimento para suspender por três anos o rebaixamento do time catarinense. O pedido será oficializado à CBF nos próximos dias. Mas uma maioria dos clubes do Brasileiro da Série A deve ser suficiente para aprovar a medida para 2017.

Isso porque o primeiro passo para suspender o rebaixamento é fazer uma mudança no regulamento do Brasileiro para o próximo ano. É o Conselho Técnico da Série A , compostos pelas próprias equipes, quem decide o formato e as regras do Nacional. Essa decisão se dá por maioria qualificada, ou seja, cada time tem voto de acordo com sua posição no campeonato de 2016.

Até terça-feira, entre aqueles da Primeira Divisão, já haviam se manifestado a favor da suspensão: Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Coritiba, Cruzeiro, Vasco, Fluminense, Botafogo e Atlético-PR. Se a própria Chapecoense for incluída, haveria uma maioria. Resta saber se seriam vencedores no voto qualificado, o que depende da tabela, e se todos irão confirmar a proposta no conselho.

Pelo Estatuto da CBF, a entidade tinha o direito de aprovar ou não o que for votado pelos clubes. Mas, em 2015, o presidente da confederação Marco Polo Del Nero prometeu que daria autonomia para os times tomarem as decisões sobre o Nacional. Assim, essa prerrogativa foi retirada.

Nesta terça, fontes da CBF confirmaram que uma decisão dos clubes não seria contrariada pela sua cúpula. Mas a confederação não recebeu o pedido ainda e não quer falar sobre isso logo após a tragédia. Até porque os times ainda preparam o ofício com a proposta para ser entregue até sexta-feira.

Pela proposta, seriam mantidos quatro rebaixados em 2017, mas a Chapecoense estaria imune mesmo se ficasse entre os quatro últimos. A proposta foi articulada entre o grupo jurídico dos times de Série A e B que rapidamente conversou após o acidente, e levou aos seus presidentes para aprovação. A inspiração foi no que ocorreu na Itália com o Torino após acidente na década de 40.

Há outra potencial barreira: o estatuto do torcedor. Pela legislação, um regulamento tem que ser mantido por dois anos seguidos, o que já ocorreu. E tem de ser respeitado o critério técnico para descenso e acesso. Na opinião de dois advogados dos clubes ouvidos pelo blog, esse critério continuaria a ser atendido, e a concordância da maioria dos times mostraria que a exceção deve ser aceita.

Entre os advogados, admite-se a possibilidade de que a alteração do regulamento tenha que ser aprovada no CNE (Conselho Nacional do Esporte). Esse órgão é presidido pelo ministro do Esporte. Mas, dificilmente se houver consenso entre clubes e CBF, o governo vai se opor.

Outros clubes participam do grupo que discutiu o apoio à Chapecoense, mas ainda estudam as medidas de apoio para o clube ou entendem que não é o momento de falar nisso logo após a tragédia.


Eliminado, São Paulo vive seu maior jejum de títulos em 46 anos
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Ao ser eliminado pelo Juventude, na Copa do Brasil, o São Paulo deu adeus as chances de título na temporada 2016 já que está a 17 pontos do líder do Brasileiro, Palmeiras. Com isso, completará quatro anos sem nenhuma taça relevante. É o maior jejum de conquistas do clube em 46 anos.

O blog fez o levantamento no próprio site do São Paulo que destaca em negrito os título relevantes, sendo o restante apenas competições amistosas ou de menor importância. A última taça são-paulina foi a Copa Sul-Americana, em 2012, na final diante do Tigres, há quatro anos.

Antes disso, o maior jejum são-paulino foi de 1958 a 1970 quando o time passou 12 anos sem ganhar títulos relevantes. Outro período de ausência de triunfos foi de 1932 a 1942, um total de 11 anos, época em que só havia o Paulista de relevante.

A partir de 1971, o São Paulo nunca ficara sem conquistar nada mais de três anos seguidos. Foram quatro períodos de três temporadas sem triunfos, nas décadas de 70, 80, 90 e 2000. Dá para dizer que eram jejuns curtos comparados com os enfrentados por outros times grandes.

Mas, agora, o time do Morumbi só acumula um troféu em oito anos e vai completar sua quarta temporada em branco. Não ganha o Paulista há 11 anos, o Brasileiro há oito anos, e a Libertadores há 11 anos. Isso para uma equipe que é das mais vitoriosas da história do futebol nacional.

 


Com crise econômica, Brasileiro tem queda no preço do ingresso
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A crise econômica atingiu os preços dos ingressos dos jogos do Brasileiro. O valor médio cobrado pelos bilhetes na edição de 2016 caiu em relação ao ano passado considerada a inflação. Clubes admitem ter feito promoções ou baixado o valor por conta do problema econômico.

Levantamento do site www.balancodebola.blogspot.com.br, de Benny Kessel, mostra que o preço do ingresso médio foi de 33,91 até a 24a rodada do Brasileiro-2016. Em 2015, considerado todo o campeonato, o valor médio foi de R$ 37,05, segundo o próprio blog contabilizou.

Sim, no final do campeonato há uma tendência de um pequeno aumento no preço médio. No acompanhamento rodada a rodada, que foi feito até o 21o jogo, o número do site é de R$ 36,23 em 2015 contra R$ 36,03 na atual temporada. A inflação em 12 meses foi de 9%, o que demonstra que no valor real houve redução do preço.

Entre os grandes clubes, Cruzeiro, São Paulo e Internacional são os três grandes que cobram preços médios mais baixos. Justamente os times de maior torcida que atravessam as piores fases no campeonato. As crises econômicas e em campo se misturam na explicação para a redução.

“Mudamos o preço desde a virada do ano passado. A economia está em crise então vimos a necessidade”, contou o diretor comercial do Cruzeiro, Robson Pires. “Tivemos que rever a mensalidade do sócio-torcedor, preço médio do ingresso, valores de camisas. Realinhar para baixo.”

Segundo o dirigente celeste, o reajuste foi de 40% a 50% para baixo. E, de acordo com ele, deu resultado porque o Cruzeiro tem tido bons públicos. O preço médio do ingresso cruzeirense é de R$ 27,37.

Quem cobra o menor valor médio entre os grandes é o São Paulo com R$ 26,64. A queda de rendimento brusca após a eliminação da Libertadores é a explicação para esse preço. Há quem consiga pagar R$ 12,00 em ingressos atrás do gol do Morumbi se for sócio-torcedor.

“A queda de preço teve a ver com o desempenho pós-Libertadores. Houve um pedido da comunidade”, contou o vice de marketing do São Paulo, Vinícius Pinotti. “Sem dúvida a crise afeta. Mas, na Libertadores, em que os ingressos eram mais caros, tivemos bons públicos. É que o torcedor do São Paulo se acostumou a pagar pouco no Brasileiro.” Segundo o dirigente, não dá para baixar mais o valor porque isso afetaria as finanças do clube que passaria a pagar para jogar.

Na outra ponta, quem continua a ter o ingresso mais caro do Brasil é o Palmeiras. Até a 24a rodada, sem o jogo com o Flamengo, cobrou R$ 63,23. Mas, apesar de alto, esse valor é inferior à média do clube no ano passado que girava em torno de R$ 67,00. Ressalte-se que os valores podem subir no final do ano.

Corinthians e Flamengo vêm em seguida neste ranking. O ingresso do time alvinegro se manteve estável, o que significa queda se consideramos a inflação. Só o time rubro-negro teve aumento sobre seu valor médio de bilhete, o que se explica pela ausência do Maracanã e a utilização de estádios menores.

Mesmo com a queda do valor do ingresso, a média de público do Brasileiro-2016 decepciona. Até a 21a rodada, o público era de 14.870 contra 17.648 na mesma fase do ano passado. A falta do Maracanã, obviamente, afeta esse número. Mas talvez o preço não tenha caído o suficiente em meio à crise.


Há conflito em Marco Aurélio, de licença da CBF, ser cartola do São Paulo?
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Para assumir a diretoria de futebol do São Paulo, Marco Aurélio Cunha se licenciou do cargo de coordenador de futebol feminino da CBF. Não pediu demissão, apenas suspendeu sua ligação com a entidade. Isso configura um conflito de interesse já que a confederação regula o Brasileiro do qual o clube faz parte? Há infração a alguma regra?

O blog foi pesquisar legislações e códigos, ouvindo advogados, para tentar responder essa pergunta. Há regras sobre conflito de interesse, mas elas não são claras sobre quem está em situação de licenciamento.

Primeiro, há Lei Pelé. Em seu artigo 90o, ela estabelece que: “É vedado aos administradores e membros de conselho fiscal de entidade de prática desportiva o exercício de cargo ou função em entidade de administração do desporto.”. Ou seja, qualquer administrador de um clube não poderia ter cargo na CBF.

Um advogado especialista em direito esportivo ouvido pelo blog que não quis se identificar considera incompatível que Cunha mantenha seu cargo na confederação, ainda que sob licença, enquanto dirige o futebol do São Paulo.

Além disso, há as normas sobre conflito de interesse da Fifa. Em seu estatuto, a entidade estabelece que cada entidade deve criar suas regras sobre possíveis confrontos. A CBF já redigiu um código de ética com este fim, mas este está emperrado desde o início ano – não entrou em vigor e passa por revisões.

Na versão divulgada, há um artigo que diz que é vedado a um dirigente da CBF: “Possuir participação em direitos de atletas, clubes, empresas, ativos e bens que possam ter vantagem, contratos ou valorização direta ou indireta através da CBF.” De novo, a leitura é subjetiva porque não fala no caso de licença, nem sobre qual participação no clube seria proibida.

Um outro advogado ouvido pelo blog entende que não há infração a nenhuma das normas da Fifa ou da CBF já que Marco Aurélio Cunha explicitou a situação e pediu licença da entidade.

A confederação não viu conflito tanto que o liberou para atuar no São Paulo de licença. Questionado pelo blog, Marco Aurélio afirmou que as regras do código de ética não se aplicam a ele: “Sou funcionário, Nada desse item que você colocou tem relação comigo. Não tenho participação societária, direitos de nada ou bens que envolvam a CBF”, disse.

Ao blog do Perrone, ele afirmou não ver nenhum problema na sua relação com a CBF como diretor do São Paulo, e que estará lá para reclamar de arbitragem quando for o caso

“Seu eu achar que fui prejudicado (pela arbitragem), vou ao Sergio Corrêa dizer que fui prejudicado.Vou pedir providência. Sempre foi assim. A gente tem muito mimimi com essas coisas. Se você é honesto, nada constrange”, afirmou ele.


São Paulo usa receita recorde para tentar sair do buraco, e pagar Maicon
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A crise do São Paulo não é deste ano: vem pelo menos desde 2014 quando Carlos Miguel Aidar assumiu o clube. E o buraco em que o clube se meteu, além dos problemas políticos, tem relação direta com rombos financeiros. Por isso, a diretoria são-paulina tenta usar uma receita recorde que obteve até agora em 2016 para resolver essas questões e tentar sair desse imbróglio.

O São Paulo registrou receita de R$ 280 milhões até julho de 2016, segundo o diretor financeiro, Adilson Alves Martins. Isso representaria R$ 40 milhões por mês, o que ultrapassaria qualquer renda do clube em anos anteriores. Para se ter ideia, o clube fechou com R$ 331 milhões em 2015, ou R$ 27,5 milhões por mês. Ressalte-se que as rendas de 2016 estavam concentradas no primeiro semestre.

O valor obtido é bem superior ao projetado no orçamento até este período que seria de R$ 190 milhões. Isso graças às vendas de jogador (R$ 60 milhões), patrocínio, bilheteria, prêmios de Libertadores acima do projetado, além de receitas de televisão.

As despesas ficaram em R$ 196 milhões, também acima do projetado que era de R$ 150 milhões. Mas, ainda assim, houve sobra – até porque ainda foram recebidas as luvas da Globo (R$ 60 milhões) que não estão contabilizadas acima.

E o que clube fez e fará com essa sobra? Primeiro, houve a redução de um terço da dívida de empréstimos (R$ 170 milhões para R$ 115 milhões). Ressalte-se que esse é só o valor de empréstimos. O débito total do clube ao final de 2015 somava R$ 359 milhões (incluindo R$ 77 milhões fiscais). Só ao final de 2016 o se saberá qual o tamanho da redução. E situação não é de céu de brigadeiro.

“Tivemos esse superávit nestes meses, mas agora passamos a pagar o contrato do Maikon então há dinheiro para pagar isso”, contou o diretor Alves Martins. “Faremos uma grande gestão sem fazer loucura para resolver a questão.”

Explica-se: nos últimos dois anos, o São Paulo somou déficit de R$ 180 milhões em dois anos. Cada vez os juros bancários se acumulavam mais, a dívida privada e pública crescia. O clube até imposto deixou de pagar. Agora a perspectiva da diretoria é acabar com pequeno superávit ao final do ano. “O orçamento previa déficit de R$ 10 milhões, mas achamos que dá para acabar com um número positivo”, contou o diretor são-paulino.

Outra medida que está em curso é renegociar a dívida de empréstimos que existe para ser paga em cinco anos. Assim, o clube sairia da asfixia dos dois últimos anos. “Hoje, o São Paulo vende jogador se a proposta for muito boa. Se não for, pode adiar um pouco. Diferente de quando precisava vender de qualquer jeito para pagar”, analisou o diretor.

As medidas da diretoria serão mostradas ao Conselho Deliberativo na segunda-feira. Esse números indicam que o clube se ajeitou para sair do buraco do financeiro. Mas a real situação só será conhecida com o balanço do final de 2016 já que o São Paulo não divulga dados trimestrais.


Como favoritos do Brasileiro podem ser afetados pelo desmanche europeu
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Em todos os anos, a janela de transferências para a Europa muda a cara do Brasileiro ao levar jogadores importantes de candidatos ao título nacional. Com o dólar ainda alto, e a falta de dinheiro, o cenário promete se repetir na temporada de 2016.

Por isso, o blog levantou o orçamento e a situação dos oito dos principais clubes candidatos ao título brasileiro para saber quem está mais suscetível a perdas. Foram incluídos os times grandes que estão pelo menos fora da zona de rebaixamento, com exceção do Santos*. Para cada clube, há o valor previsto para ser obtido com negociações de atleta, e o quanto já cumpriu esta meta.

Os números não são uma verdade absoluta. Há circunstâncias que podem levar a vendas mesmo com a meta atingida, como ocorreu com o Corinthians, ou o time pode abrir mão de negociar mesmo sem atingir o valor. Aí vão os dados de cada clube:

Corinthians

Sua meta era negociar R$ 45 milhões em jogadores na temporada. O valor já foi ultrapassado com as saídas de Jádson, Renato Augustro, Gil, Ralph, Love e Malcon. Ainda assim, a diretoria corintiana decidiu vender também o zagueiro Felipe neste meio de temporada. Houve contratações como Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel e Guilherme. Teoricamente, o clube não precisa negociar mais ninguém.

Grêmio

O objetivo gremista é obter R$ 24 milhões com negociações. Até agora, não conseguiu uma boa venda. Os jogadores com maior potencial são Luan e Wallace. A diretoria já decidiu que vai negocia-los se receber uma proposta que resolva a situação financeira do clube. No caso do atacante, isso significaria R$ 100 milhões. O clube ainda contratou Bolaños e Wallace.

Internacional

Tem uma das maiores previsões de receita com venda de jogador: R$ 56,3 milhões. Teoricamente, seria o clube mais suscetível a ter perdas já que não negociou ninguém de peso até agora. Valdivia e Rodrigo Dourado seriam os jogadores com maior potencial para atingirem a meta. O clube tenta contratações como Nico Lopez, do Nacional.

Palmeiras

Não tem previsão de nenhuma receita com negociação de atletas. A principal ameaça ao elenco é o assédio de times grandes europeus sobre Gabriel Jesus. O Palmeiras tem apenas 30% dos seus direitos, o restante pertencendo a empresários. O clube fez contratações como Roger Guedes e Yerry Mina.

Flamengo

Sua previsão de arrecadação com jogador era de R$ 10 milhões. Em três meses, já ganhou R$ 7,5 milhões, praticamente atingiu a meta. Pode perder atletas em negócios de ocasião como se pagarem a multa de Paolo Guerrero que será reduzida no meio do ano. Já ultrapassou os R$ 20 milhões previstos para contratações no ano, com Cuellar, Mancuello e Rodinei, mas obteve R$ 6 milhões extras com luvas de tv.

São Paulo

O orçamento são-paulino prevê a venda de R$ 24 milhões em jogadores. Até agora, foram obtidos R$ 8 milhões com pequenas negociações e empréstimos. A diretoria tem consciência de que precisa negociar atletas e Rodrigo Caio é visto como a maior possibilidade. O departamento financeiro ainda estipulou que para novas contratações, como Maicon, terá de ser gerado caixa do próprio futebol. Ou seja, a meta pode aumentar para ficar com ele e Calleri.

Fluminense

A objetivo tricolor é obter R$ 25 milhões com a negociações de atletas na temporada, sendo que R$ 8,3 milhões já entraram pelo balanço. Assim, seriam necessários outros R$ 17 milhões. Dentro do clube, o zagueiro Marlon e o meia Gustavo Scarpa são vistos como os de maior potencial para venda.

Atlético-MG

É o clube que prevê o maior valor de arrecadação com negociações: R$ 60 milhões. Conseguiu cerca de um terço desse total com as saídas de Giovanni Augusto e André para o Corinthians. Terá de negociar um jogador de grande porte, provavelmente o atacante Lucas Pratto após a chegada de Fred. Ainda mais porque teve gastos com a contratações de atletas como Clayton, que completou praticamente todo o valor previsto em investimento: R$ 16 milhões.

PS* Foram levantados os maiores times do Brasil na Série A, com exceção de Botafogo e Cruzeiro (estão na zona de rebaixamento) e Santos que não foi possível obter os números.


Um São Paulo que virou competitivo, e um Galo que se perdeu com Aguirre
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No início de temporada, o Atlético-MG era o time com a base vice-campeão brasileira e que tinha recebido reforços do quilate de Robinho: um dos favoritos para a temporada. O São Paulo era um time que não inspirava nenhuma confiança em sua torcida, no qual a vaga na Libertadores parecia um acaso. Passados quatro meses e meio, o time paulista superou o mineiro muito pelo trabalho dos seus dois técnicos.

Apesar dos tropeços iniciais, Edgardo Bauza foi, com bastante paciência, encontrar o padrão perdido de seu time. Com ele, Ganso floresceu, Michel Bastos ressurgiu, e os reforços Calleri e Maicon se encaixaram. Um time certinho: marcava forte até na frente e recuperava a pressão no Morumbi vista em outros tempos.

Do seu lado, o Galo de 2015 tinha uma equipe vertical em casa, mas com falta de consistência defensiva. O estilo veloz era a grande virtude. Pois Aguirre preferiu privilegiar a força física em vez dos jogadores técnicos que tinha. No primeiro jogo, só usou Robinho e Pratto, preterindo atletas como Cazares.

Foi assim que teve que recuperar o placar em casa. Saiu-se bem com a ajuda da pressão da torcida, com a volta de Cazares e com um adversário desnorteado e ainda refém de seus defeitos defensivos, Dênis e Rodrigo Caio, principalmente. Pronto: dois gols em menos de 15 minutos.

Se parecia perdido, o São Paulo se achou no gol de Maicon no escanteio, em falha de Victor. Terminava a pressão inicial com placar que lhe dava vaga. Era bastante para o que ocorrera no início. E o jogo se normalizou: era bom, mas o ritmo não era mais alucinante. Chances dos dois lados, bola na trave, mas o placar se mantinha.

O segundo tempo veio com as substituições de Aguirre, entre elas a entrada de Carlos Eduardo, jogador notoriamente frio. Por incrível que pareça, seu técnico segurou o ímpeto do time. Sobrava a iniciativa de Cazares, o renegado, que criava as melhores chances.

E o São Paulo soube enfrentar o sufoco, soube se defender e até tocar a bola na metade final do segundo tempo. Não ameaçava o Galo, é verdade, mas continha o rival que melhor joga em seus domínios. E assim foi até o final enquanto o time mineiro lançava bolas na área, uma atrás da outra.

Não há dúvidas que o trabalho dos dois técnicos teve peso considerável nesta classificação são-paulina às semifinais da Libertadores.

 


Sob Aidar, São Paulo perde R$ 47 mi em fatiamento de jogador e comissões
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No meio do ano passado, quando o time ensaiava engrenar no Brasileiro, o então presidente do São Paulo Carlos Miguel Aidar vendeu uma parte do elenco com a justifica de acertar o caixa do clube. Mas 46% do dinheiro arrecadado – ou R$ 47 milhões – ficaram para empresas, outros times e empresários. Restou aos são-paulinos pouco mais da metade.

Os números do balanço de 2015 do São Paulo mostram que o clube obteve R$ 104 milhões com receitas de transações de atletas. Entre elas, estavam os volantes Souza e Denilson, o zagueiro Rafael Tolói, o meia Boschilia e o atacante Jonathan Cafu. Mas só sobraram para o clube R$ 56,6 milhões, isto é, 54%.

Do total perdido, R$ 39 milhões foram para o fatiamento de atletas, e outros R$ 8 milhões em comissões.

Há atletas em que o desconto foi tão grande que o São Paulo ficou com a menor parte do negócio. Foi assim como Tolói: o time reteve menos de um terço da negociação, em torno de R$ 5 milhões dos R$ 15 milhões totais. A diretoria são-paulina ainda obteve menos da metade do arrecadado com Souza e Denilson. Só Boschillia foi, de fato, um bom negócio.

Para efeito de comparação, em 2014, o São Paulo ficou com pelo menos dois terços do total arrecadado com negociação de atletas, embora o valor tenha sido bem menor.

Membros da atual diretoria, que substituiu a gestão Aidar, reconheceram que aquele desmanche do São Paulo foi péssimo para o clube. Isso porque, além de gerar uma perda esportiva considerável, pouco aliviou o caixa.

Não foi encontrada, no entanto, nenhuma prova de ilícito da gestão anterior em relação aos pagamentos, segundo membros da situação. O único caso que está em investigação no Conselho Deliberativo no momento é a compra do zagueiro Maidana.

Vice-presidente de Futebol no ano passado, Ataíde Gil Guerrero foi procurado pelo blog, mas seu telefone estava desligado durante a tarde de sexta-feira. O ex-presidente Aidar também não foi encontrado. Já o presidente do São Paulo, Carlos Augusto Barros e Silva, o Leco, disse que não poderia comentar o caso porque não tinha os números na cabeça.

É certo que, dentro da diretoria há a intenção de reduzir o fatiamento dos jogadores do clube. Mas isso será feito a longo prazo visto que existem vários atletas com direitos presos a terceiros.

Após perder quase metade das vendas de jogadores em 2015, o São Paulo fechou com déficit de R$ 72 milhões apesar da receita de R$ 331 milhões. Sua dívida, no entanto, teve crescimento abaixo da inflação, chegando a R$ 349 milhões – era de R$ 341 milhões no ano passado.