Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Vicente Cândido

Delator diz que discutiu CIDs da Arena Corinthians com deputado e lhe pagou
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Em delação na operação Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Alencar Alexandrino afirmou ter discutido os CIDs (títulos de incentivo da prefeitura) para a Arena Corinthians com o deputado Vicente Cândido (PT-SP), que é diretor da CBF. Após essa aproximação, ele afirmou que contribuiu com dinheiro de R$ 50 mil de Caixa 2 para campanha eleitoral do deputado de 2010.

O vídeo do depoimento de Alencar Alexandrino, um dos articuladores do estádio corintiano na Odebrecht, está no site de “O Estado de São Paulo.” Por conta dessa delação, o ministro do STF, Edson Fachin, determinou a abertura de inquérito contra o deputado.

Alexnadrino explicou que decidiu se aproximar de Cândido por conta da Arena Corinthians e a realização da abertura da Copa-2014. Citou o fato de o parlamentar ter envolvimento com futebol e ser próximo ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Mais, Cândido é diretor de assuntos internacionais da confederação. Veja no trecho abaixo:

“Mas daí em 2010, com o advento da Arena Corinthians, me aproximei dele porque Vicente Cándido sempre foi muito ligado a questões do futebol (…) Se não me equivoco, sei que é advogado, tem uma proximidade do presidente da CBF Marco Del Nero, Marco Polo Del Nero. Fui me aproximando dele na construção e no financiamento da Arena Corinthians. Tanto é que no financiamento da arena temos uma parte expressiva ligada à prefeitura. Começamos a ver como poderíamos elaborar isso de forma consequente, nas próprias CID. Foi uma aproximação com ele.”

Em seguida, Alexandrino conta que Cândido o procurou para pedir uma doação eleitoral para a campanha: “Em 2010, por volta de setembro, ele me procurou e me solicitou, em encontro em SP, para que pudesse contribuir na campanha dele fazendo doações. Eu evoluiu isso internamente dentro do contexto das delações. Falei com o meu líder Benedicto Junior. Decidimos ajudá-lo dentro da nossa faixa para deputado federal.”

Em seguida, completou como ocorreu a negociação na sede da Odebrecht, onde há registro da entrada do deputado, segundo o delator: “Como essa época nós ainda limitávamos o teto para doações legais, optamos por doações via Caixa 2. Ele concordou. Que me recordo que demos a quantidade de R$ 50 mil por Caixa 2.”

Alexnadrino afirmou que não fez um pedido específico a Vicente Cândido pela doação ilegal. “Houve uma aproximação mútua por ele ser uma pessoa ligada a futebol, e pela arena Corinthians, questão da abertura da Copa do Mundo em São Paulo, todos esses desenvolvimentos.”

O deputado Vicente Cândido não foi encontrado para comentar a delação. A CBF ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 


Acusado de propina na Arena Corinthians é homem forte na CBF de Del Nero
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Acusado de receber propina em negócio da Arena Corinthians, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) é homem forte do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, desde o início de sua gestão. Participou da articulação que o levou ao poder, ganhou um cargo de diretor, remuneração e afastou ameaças ao poder do dirigente. De tão próximo, já foi até seu sócio em escritório de advocacia.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin pediu a abertura de inquérito contra Vicente Cândido por supostamente receber R$ 50 mil  da Odebrecht “que teria interesse no apoio do parlamentar na busca de solução para o financiamento do Estádio do Corinthians”. O fato foi revelado pelo “Estado de S. Paulo” e teria ocorrido em 2010.

A informação vem de delações de Alexandrino Alencar, homem da Odebrecht que articulou o estádio corintiano juntamente com Andrés Sanchez, Carlos Armando Paschoal, engenheiro da obra, e Benedicto Barbosa Junior, executivo de alto escalão da construtora.

O financiamento da Arena Corinthians foi feito pelo BNDES por meio de uma intermediação da Caixa Econômica Federal, em contrato com a participação da Odebrecht e do Corinthians. Demorou a sair mais do que todas as outras arenas após uma negociação fracassada com o Banco do Brasil para exercer o papel de intermediadora que só resolveu em 2013. Em 2010, a Arena Corinthians tinha acabado de se tornar estádio da Copa e teria direito ao dinheiro do BNDES:

Pois bem, Vicente Cândido entrou no mundo da cartolagem pelas mãos de Del Nero ainda na FPF (Federação Paulista de Futebol) na década passada. Isso porque os dois eram sócios no escritório de advocacia Marco Polo Del Nero e Vicente Cândido Advocacia, sociedade desfeita só mais recentemente. Ele tinha R$ 1 mil em cotas do escritório do presidente da CBF em 2010.

Quando Ricardo Teixeira estava prestes a renunciar, acossado por denúncias na Fifa e no Brasil, Vicente Cândido esteve junto com Del Nero nas reuniões para articular a substituição do antigo presidente pelo atual no poder. A transição seria feita com José Maria Marin. Antes, Cândido não tinha presença forte na entidade.

Quando Del Nero se tornou presidente, ele ganhou o cargo de diretor de relações de assuntos internacionais na CBF. Como admitiu em 2016, ele tinha remuneração no cargo e considerava legítimo defender a entidade no Congresso. Não por acaso foi um dos principais responsáveis por articular contra investigação da CPI do Futebol sobre a CBF. O relatório do senador Romário não foi aprovado por conta da bancada da bola, com grande participação de Cândido.

Vicente Cândido era visto frequentemente em ambientes ligados ao futebol, seja distribuindo camisas da seleção na Arena do Corinthians, seja no camarote da FPF (Federação Paulista de Futebol) no estádio. Tinha boa relação com o deputado Andrés Sanchez (PT-SP). Assim, atuava como elo entre o parlamentar e Del Nero. É a primeira vez que se encontra relação entre um dirigente da CBF e acusações relacionadas à Arena Corinthians.

A CBF ainda não se pronunciou sobre o envolvimento de seu diretor na Lava-Jato. O próprio Del Nero é acusado de levar propina por contratos da CBF em investigação nos EUA do “caso Fifa”.


Deputado admite ganhar salário da CBF e que é legítimo defendê-la na Câmara
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O deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) admitiu que ganha salário da CBF para exercer o cargo de diretor de assuntos internacionais da CBF. Segundo ele, seus vencimentos na entidade são parecidos com os de parlamentar. Ele não vê conflito em sua remuneração e no fato de fazer lobby para a entidade no Congresso.

“Recebo um salário mais ou menos o que ganho na Câmara. Acho justo porque presto um serviço”, contou o dirigente ao sair da sede da entidade. “Não vejo conflito em defender os interesses do esporte no Congresso, não da CBF. E a CBF é promotora do futebol no país.”

Na Câmara, o salário de parlamentar é de R$ 33 mil. Ele não quis dizer qual o valor exato ganho na CBF. Alegou que defende a transparência, mas não sabe a hierarquia de remuneração de diretores da entidade.

Vicente Cândido era sócio do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, em um escritório de advocacia, mas a sociedade foi desfeita no final do ano passado. Ele tem defendido os interesses da entidade no Congresso.

Declarou ser contra a CPI da Máfia do Futebol na Câmara e no Senado para investigar a confederação porque trata-se de uma privada. Defendeu, por consequência, que a entidade não tem que ceder os contratos para a CPI “Acho que não. Minha posição é contrário. Nem a Câmara revela os seus salários”, afirmou.

As posições expressas por Vicente Cândido nesta quinta-feira são opostas às manifestadas por ele quando assumiu cargo na CBF, em abril de 2015. Na ocasião, ele afirmou que abriria mão de cargo na entidade se fosse instalada uma CPI no Congresso para investigar a confederação. Na mesma época, ele afirmou à “Folha de S. Paulo” que não recebia salário na entidade.

 


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