Blog do Rodrigo Mattos

River e Boca dão lição a brasileiros com final na bola e sem catimba
Comentários 51

rodrigomattos

Quando começa uma transmissão de jogo de Libertadores, um narrador brasileiro meia-boca qualquer (tem vários outros ótimos, diga-se) mete aquele clichê: ''Tem que ficar de olho na catimba dos argentinos''. Nada poderia estar mais longe da verdade atual. Boca Juniors e River Plate deram na final da Libertadores uma lição aos brasileiros de como se concentrar no jogo e menos na arbitragem, no piti, na reclamação.

Sim, com o clima tenso de uma final, houve disputas ferrenhas como a que envolveu o lateral-esquerdo do River, Casco, com trocas de empurrões, normal. E houve simulações como a do atacante do Boca Abila que insistia em se tacar na área pedindo de pênalti.

Mas a proporção era infinitamente menor do que se vê no jogo médio no Brasileiro. Houve pouquíssima cera, reclamações contidas. Nada daquelas rodinhas ridículas a cada lateral que vemos nos gramados nacionais.

Argentinos não são mais os reis da catimba, somos nós. Por aqui, perde-se a conta de quantos goleiros rolam no chão quando o placar está em vantagem, quantos atacantes se jogam na área, quantos jogadores passam 90 minutos em campo falando, reclamando e fazendo gestos. É insuportável.

Em Buenos Aires, no jogo que era o mais tenso da história, o que houve foi futebol. Nenhum dos dois times se retrancou, também como fazem as equipes nacionais seja por jogar fora seja por incapacidade de atuar de forma diferente. Ambos se apresentaram para o jogo com o melhor que tinham, e tinham bastante.

Com dinheiro nos cofres, River e Boca qualificaram seus elencos e têm o que mostrar. Do lado do River, há um Pity Martinez que deu belo passe para o gol de Pratto e depois cobrou uma falta em curva para o segundo o gol que é um primor. Ao lado dele, havia Pratto renascido de uma Libertadores meia-boca, e um dinâmico Borré ao seu lado, além de outros coadjuvantes como Palacios.

Do lado do Boca, menos qualificado do ponto de vista técnico, pode-se ver Benedetto, o que desclassificou o Palmeiras, enfiar linda cabeçada de costas para botar o time em vantagem. E o já veterano Tevez entrar e quase dar a vantagem a seu time em um chute e em um arrancada que só não virou gol porque Benedetto desperdiçou na frente de Armani.

Enfim, não houve guerra, não houve catimba, não houve nem a torcida do Boca alucinada durante o jogo (esteve meio quieta). O que houve em Buenos Aires foi futebol bem jogado, bem disputado centímetro a centímetro, com intensidade que se exige uma final.

A diferença dos times brasileiros para os argentinos, em termos de elenco, nem é grande. Em que pese o renascimento de Boca e River nos últimos anos, diria que equipes como o Palmeiras têm grupo de jogadores de igual nível, e Grêmio, superando dificuldades, também exibe futebol consistente com menos dinheiro. A diferença, nesta Libertadores, é que os argentinos se propuseram a jogar bola. Enquanto isso estávamos preocupados com a ''catimba dos argentinos''.

OBS: Essa coluna pode ser desacreditada por um segundo jogo da final com briga generalizada com direito a voadora no peito. Espero que não.


CBF organiza um Brasileiro em que a bola entra, mas não é gol
Comentários 13

rodrigomattos

O Brasileiro de 2018 foi inaugurado com um ''pênalti'' em que a bola bateu na cara do rubro-negro Everton Ribeiro – e ele foi expulso. Chega a sua 33a rodada com um lance em que a bola entrou e o gol do Corinthians não foi marcado porque a arbitragem não percebeu que o goleiro Jean a defendeu depois da linha. No meio tempo, houve pênaltis fora da área (mais de um), impedimentos de metros à frente e expulsões claras ignoradas.

O clássico entre Corinthians e São Paulo é só mais um episódio dessa longa série no caso com o alvinegro prejudicado de forma acintosa. Além do gol não marcado, houve um pênalti em Romero em que ele é derrubado pelo zagueiro são-paulino. Detalhe que na bola que não entrou havia o famoso vigia, o árbitro ao lado da trave, que nada viu. Ninguém sabe para o que ele é pago exatamente.

Nem o fato de haver dois erros crassos em um jogo é raro. Um jogo entre Internacional e Vitória teve um pênalti em mão fora da área e outro gol colorado legal anulado.

Também não é incomum que o mesmo árbitro cometa um erro grave em uma temporada, seja perdoado e volte para falhar de novo. Para se ter um exemplo, o árbitro Wagner Reway, que assinalou o pênalti ''de cabeça'' de Everton Ribeiro, é o mesmo que invalidou um gol no último minuto do Palmeiras diante do Cruzeiro na Copa do Brasil por falta inexistente.

A CBF tem uma lista de equívocos da arbitragem em seu site. Trata-se de uma amostragem bem pequena para o que ocorreu de fato no campeonato. E nem é o primeiro Brasileiro com atuação desastrosa de juízes. A sequência dos últimos quatro anos pelo menos é desastrosa.

A cada erro novo a comissão de arbitragem promete melhorar como bem assinalou em entrevista o goleiro Cássio após o clássico. Mas qual a medida efetiva da CBF para dar um mínimo de eficiência aos juízes nacionais (pelo menos em um nível de não passar vergonha)? Nenhuma.

Troca-se o comando de arbitragem, pune-se um juiz e discursos sem fim. A CBF não banca o VAR, não profissionaliza os juízes como fazem as ligas europeias do mesmo nível, nem libera que exista uma liga para poder executar esses projetos. É só blábláblá mesmo.

A dúvida que fica é: quando vê os vídeos dos erros dos árbitros, um atrás do outro, o coronel Marcos Marinho e o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo não ficam com vergonha? Nenhum deles pensa: nós precisamos fazer algo a respeito disso de verdade? Ou a intenção é eternamente ficar pedindo desculpas como fez o árbitro-vigia para o goleiro Cássio?


Brasil e Argentina articulam-se para obter cotas maiores na Libertadores
Comentários Comente

rodrigomattos

O encontro entre dirigentes da CBF e da AFA nesta semana teve uma discussão de como seria possível obter cotas maiores para os clubes dos dois países na Libertadores (cuja edição atual tem final nesta sábado entre Boca Juniors e River Plate). Há a opinião em comum de que os times das duas nações deveriam ganhar mais por representarem marcas mais relevantes. O movimento, no entanto, certamente enfrentará a resistência dos outros países que têm maioria na cúpula da Conmebol.

As cotas da Libertadores são dividas de forma igualitária nas primeiras fases e dependem da classificação de cada time para as fases seguintes. É uma fórmula diferente da Liga dos Campeões onde há uma fatia de 40% distribuída de acordo com a força de cada mercado, sendo o restante dividido igualmente segundo o avanço a cada fase da competição. Ou seja, times dos países que geram mais receita de televisão faturam mais.

Para 2019, haverá um salto nas receitas da Libertadores com os novos contratos com a IMG/Perform: o mínimo garantido é de US$ 350 milhões (R$ 1,3 bilhão) por ano para a competição e a Sul-Americana. Neste ano, a renda prevista era de US$ 150 milhões (R$ 562 milhões).

Com isso, é certo que haverá um aumento de cotas dos clubes. A questão é como esse incremento será distribuído. Por exemplo, a primeira fase rende US$ 1,8 milhão (R$ 6,75 milhões) para cada clube, valor que poderia saltar para entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões.

A ideia de cartolas da CBF e da AFA é que, do valor que será ganho extra, uma parte poderia ser reservada para ser dividida segundo critérios de mercado. Assim, times como Boca Juniors, River Plate, Flamengo, Corinthians e Palmeiras, por exemplo, seriam beneficiados. Estima-se que o Brasil possa ser responsável por pelo menos um terço das receitas da Libertadores.

As duas confederações nacionais vão se mobilizar para falar com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, em um movimento para atender pedidos dos clubes dos dois países. A questão é que uma nova divisão de cotas terá de passar pelo Comitê Executivo da Conmebol. No órgão, há um voto por país com dez no total, ou seja, Brasil e Argentina estariam em minoria. Só uma estratégia de convencimento dos outros pode ser eficaz no objetivo de obter cotas maiores.

Além dessa questão mercadológica, a Conmebol terá de decidir qual percentual da receita será efetivamente dada aos clubes. Atualmente, esse percentual gira em 70%, enquanto na Uefa é levemente superior com 73%. Mantido o percentual atual, seriam repassados US$ 245 milhões (R$ 919 milhões) aos clubes pelas duas competições.

A decisão sobre cotas e premiações deve sair nas reuniões do final do ano no sorteio dos grupos da Libertadores. Haverá um encontro prévio do Comitê Executivo no dia 23, na véspera da segunda partida da final entre Boca Juniors e River Plate.


Negociação entre Globo e Turner trava após oferta por fatia do Brasileiro
Comentários 25

rodrigomattos

A Globo aposta em comprar a fatia dos direitos do Brasileiro que pertencem à Turner, seja diretamente seja por meio dos clubes se houver um rompimento. Mas essa possibilidade, no momento, está parada e não deve acontecer pelo menos na edição do Nacional de 2019. A negociação entre as emissoras travou e qualquer ação dos times vai demorar a fazer efeito mesmo se bem-sucedida.

A Turner terá contrato de direitos com seis ou sete clubes para o Nacional-2019, Palmeiras, Internacional, Santos, Atlético-PR, Fortaleza, Bahia e Ceará, sendo que os dois últimos ainda lutam para ficar na Série A. Mas, desde o final do canal Esporte Interativo, surgiu uma incerteza em relação à continuidade do projeto, embora a empresa reafirme que dará seguimento a ele.

Neste contexto, há conversas em curso com a Globo. A emissora carioca chegou a sondar com a Turner a possibilidade de comprar todos os direitos do Brasileiro pertencentes à empresa norte-americana.

A ideia seria assumir todos os custos e, em troca, ceder um pacote de jogos da Copa do Brasil. A oferta, não formalizada, foi rechaçada. Isso tornou mais frias as conversas entre as partes que avançavam para tentar um acordo de divisão de jogos.

Em paralelo, a Globo observa a movimentação dos clubes em disputa com a Turner. Foi formado um grupo com Bahia, Internacional, Santos e Coritiba, com a possível participação do Ceará. Em reunião, decidiram pressionar a Turner por, entre outros motivos, as luvas supostamente maiores pagas para o Palmeiras. Todos receberam R$ 40 milhões, e o clube alviverde, R$ 100 milhões por dois contratos – a Turner alega que um deles nada tem a ver com as luvas. A intenção dos clubes é conseguir indenizações ou a rescisão.

O grupo de clubes enviou uma notificação extrajudicial à Turner questionando o que alegam ser um descumprimento do contrato: todos deveriam receber igual e os palmeirenses ganharam mais pelas luvas. A empresa já respondeu que o contrato refere-se a direitos sobre cadastros de sócios e amistosos internacionais, não tendo, na sua versão, relação com luvas.

Agora, os clubes vão se reunir para decidir se levam o caso para o tribunal de arbitragem onde exigiriam indenizações ou o rompimento do contrato. Um dirigente ouvido pelo blog apontou que já foram reunidas provas de que o Palmeiras ganhou por luvas. Mas, ainda que optem pelo litígio, os próprios clubes sabem ser difícil uma resolução antes do Brasileiro-2019. A expectativa é de que o tribunal demore um ano.

Assim, o cenário mais provável é que a Turner transmita os jogos desses seis ou sete clubes do Brasileiro-2019 em seus canais TNT e Space. Está em aberto se haverá um acordo com a Globo para troca de direitos de partidas, o que evitaria que alguns jogos entre times das duas emissoras fiquem fora da tela.

Perguntada pelo blog, a Turner não falou sobre negociações, mas reafirmou sua intenção de exercer seus direitos sobre o Brasileiro e transmitir os jogos. Veja a nota:

''A Turner reafirma sua estratégia de investir em propriedades de primeira linha do futebol, como a Liga dos Campeões e a Série A do Campeonato Brasileiro e continua firmemente comprometida em valorizar e fortalecer sua relação com os clubes com os quais têm contratos. A presença da Turner no esporte é positiva para todos os players do mercado, estimula a concorrência saudável, valoriza o espetáculo e, principalmente, beneficia os clubes e os fãs do futebol. A Turner entra em campo a partir de 2019 com a Série A do Campeonato Brasileiro, criando uma experiência única e ainda mais emocionante para o consumidor brasileiro.''


CBF discute mudar calendário-2020 e quer fim de conflito de seleção e times
Comentários 19

rodrigomattos

Em reunião nesta semana, dirigentes da CBF e da AFA (Associação de Futebol da Argentina) discutiram uma reforma geral no calendário sul-americano do futebol para 2020. Entre os pontos, está unificar jogos da Sul-Americana e da Libertadores nas mesmas datas. Internamente, a confederação tem plano de acabar com o conflito de datas entre jogos de times e a seleção.

O presidente da AFA, Claudio Tapia, esteve na sede da CBF na terça-feira para conversa com a cúpula da entidade, incluindo o diretor-executivo e presidente eleito, Rogério Caboclo. Ali, discutiu pautas em comum das duas entidades para serem levados à Conmebol.

O calendário de 2019 do futebol brasileiro já está definido e tem Copa América no Brasil, um Brasileiro espremido e, de novo, conflitos de datas entre seleção e times. É um cenário visto como longe do ideal dentro da CBF.

Assim, uma primeira ideia para 2020 é pedir à Conmebol a junção de datas da Sul-Americana e Libertadores. Outra proposta seria enxugar o número de datas para as fases preliminares da Libertadores.

Para o próximo ano, está previsto que jogos das duas competições ocorram na mesma semana em oito ocasiões. Mas há oito semanas com só partidas da Libertadores, e outras cinco só com Sul-Americana – algumas em coincidência com a Copa do Brasil.

Essas medidas são consideradas importantes para abrir espaço no calendário, mas a CBF sabe que são insuficientes para destravar o calendário interno. Por isso, cresce dentro da entidade um movimento para uma redução dos Estaduais, o que enfrenta uma resistência das federações estaduais. Uma ideia é diminuir aos poucos as competições regionais, uma data a menos em um ano, outra no seguinte.

Só assim se poderia abrir espaço efetivo para botar em curso o plano da CBF de acabar de vez com a coincidência entre jogos da seleção e times, que é fruto de conflito com os clubes. Convocações feitas pelo técnico Tite levaram a atritos com dirigentes de agremiações que alegam que a entidade não se importa com seus próprios campeonatos – houve desfalques importantes na Copa do Brasil e no Brasileiro.

A ideia é acabar com isso em 2020, embora exista, sim, um problema porque haverá outra Copa América no meio do ano que prejudica o calendário. Outro possível problema no futuro é se a Fifa conseguir emplacar seu novo Mundial a ser realizado no meio do ano, junho ou julho, que ocorreria no meio das competições nacionais.

LEIA MAIS:
Globo defende novo calendário após acusação de 'abandono de estaduais'


Justiça decide que Estado pode executar dívida do Atlético-PR por estádio
Comentários 5

rodrigomattos

A Justiça do Paraná determinou que a Fomento Paraná (banco do Estado) pode executar a dívida do Atlético-PR pela construção do estádio (em torno de R$ 300 milhões), sendo que as garantias são a arena e o CT. O clube paranaense, no entanto, vai recorrer à segunda instância enquanto pressiona a prefeitura de Curitiba a pagar sua parte no projeto em outra ação. O clube entende que ainda não há ameaça à posse do estádio no momento porque a discussão continua.

Nesta terça-feira, o juiz da 4a Vara de Fazenda Pública do Paraná, Guilherme de Paula Rezende, negou os embargos à execução propostos pela CAP S/A, empresa criada pelo Atlético-PR para a construção do estádio. São três execuções do banco contra o clube na Justiça que estava suspensas. O clube queria que as execuções fossem travadas até a conclusão da disputa com a prefeitura de Curitiba, o que foi rejeitado pela corte.

Isso dá à Fomento Paraná a cobrar, nas excuções, a a empresa CAP S/A o valor de R$ 291 milhões, mais multas e juros. Apenas R$ 20 milhões foram pagos com o potencial construtivo, o que deixou parcelas em aberto e gerou o vencimento total do débito. Como garantia, estão o CT e a Arena da Baixada, além do poder construtivo da área. O Ministério Público queria leiloar o estádio.

A decisão do juiz não afasta a responsabilidade da prefeitura de Curitiba de arcar com sua parte no projeto. Pelo acordo entre as partes, o município pagaria um terço, o Estado um terço, e o Atlético-PR, o restante.

A diretoria do Atlético-PR já informou que vai recorrer da decisão. Com isso, a intenção é s Em nota, o clube, que considerou que há aspectos positivos nas duas decisões da Justiça sobre o caso, diz que não há ameaça no momento ao seu patrimônio.

''Importante: não há qualquer decisão em relação aos bens oferecidos em garantia (inclusive o Estádio). Se houver, o Clube vai a todas as instâncias para evitar que qualquer agressão ao patrimônio se dê antes da decisão final sobre o tripartite'', afirmou o clube. 

Em paralelo a essa ação de execução, em outro processo, o Atlético-PR quer produzir provas que obriguem a prefeitura de Curitiba a cumprir o convênio para pagar parte do projeto. No total, a obra é estimada em R$ 350 milhões. A Justiça determinou nesta outra ação que seja feita uma perícia judicial pela Fundação Getúlio Vargas para determinar exatamente o valor da obra.

A intenção do clube é obrigar a prefeitura de Curitiba a arcar com mais de R$ 100 milhões do projeto, que seria o valor de fato da obra. O Estado do Paraná reconhece ser responsável por outro terço da obra. Quando se souber o valor exato da obra pela perícia que sairá em 90 dias, isso deve estabelecer um quadro mais claro de quanto cada um deve.

''O Clube está, como sempre esteve, na busca de uma solução consensual para o caso. O laudo pericial da Fundação Getúlio Vargas pode ser um passo importante na busca de um acordo. De uma forma ou de outra, o tripartite merece ser respeitado. O Atlético sempre cumpriu sua parte'', informou o clube em nota. 

 


Clubes ignoram regra do Brasileiro e ingresso se torna mais barato em 2018
Comentários 6

rodrigomattos

A regra do Brasileiro da Série A que determina um preço mínimo para ingressos tornou-se, na prática, letra morta por ser ignorada pelos clubes. Dirigentes utilizam-se de uma brecha aberta por eles mesmos no Conselho Técnico da competição para cobrar menos do que os R$ 40,00 impostos pelo regulamento da competição. É uma das causas para a queda do valor do ingresso médio do Nacional até agora.

O regulamento do Brasileiro é feito pela CBF após a aprovação das regras em votação dos clubes no Conselho Técnico. Foi assim que os dirigentes estabeleceram que o valor mínimo do ingresso inteiro de cada jogo seria R$ 40,00, com meia a R$ 20,00.

Só que, na mesma reunião, os clubes determinaram que poderiam fazer promoções desde que aprovadas pela CBF. Essa brecha vem sendo largamente utilizada pelos times. Isso tornou praticamente nulo o item do regulamento do Nacional do valor mínimo.

Levantamento do blog mostra que dez dos 20 clubes da Série A cobraram menos do que o valor mínimo previsto no seu último jogo em casa. O menor preço foi o do Botafogo com seu bilhete a R$ 5,00 na partida contra o Corinthians, o que irá se repetir no clássico contra o Flamengo. O objetivo é levar mais torcedores ao Estádio Nilton Santos na luta do time contra o rebaixado – cerca de 20 mil foram à ultima partida.

Entre as outras equipes, o Bahia já pediu R$ 10,00 pela entrada em seu jogo em casa. O normal são valores entre R$ 20,00 e R$ 30,00 como ingresso inteiro mais barato estabelecido pelos clubes. Além dos dois times, cobraram abaixo do mínimo: São Paulo, Fluminense, América-MG, Santos, Cruzeiro, Ceará, Corinthians e Chapecoense. Os outros times respeitam o limite pelo menos nas últimas duas rodadas.

Ressalte-se que esse é um retrato desta última partida e não pode ser usado como referência para preços gerais de ingressos. O Corinthians, por exemplo, que cobrou R$ 30,00 para um setor, tem o segundo bilhete médio mais caro do Brasileiro.

Com as promoções, números do site ''Sr. Goool'' mostram que o preço médio do ingresso do Brasileiro caiu em relação ao ano passado considerada a estatística até a 32ª rodada. Até agora, o bilhete médio foi de R$ 31,2 em 2018, enquanto o valor de 2017 era de R$ 34,36.

O Flamengo tem impacto neste número. No ano passado, o clube jogava a maior parte de suas partidas na Arena do Urubu e teve média abaixo de 15 mil pessoas com bilhete mais caro, R$ 48 em média. Neste ano, o clube voltou ao Maracanã e abaixou o valor do ingresso, além de estar disputando o título. Assim, leva 47 mil pessoas em média por jogo com ingresso médio a R$ 31,2.


Pedido do Inter de VAR imediato provoca irritação em Vasco e Furacão
Comentários 34

rodrigomattos

Com Bruno Braz

A diretoria do Internacional levará à CBF um pedido pelo árbitro de vídeo já neste Brasileiro assinado por 19 clubes da Série A -alegou que só o Vasco não referendou o documento. Há um apoio da maioria dos times com a ressalva de que a CBF deveria custear. Mas o Atlético-PR e o Atlético-MG também negaram ter apoiado a requisição de VAR nos termos feitos pelo clube gaúcho, e o Vasco se irritou. Além disso, o departamento de arbitragem da CBF já tinha informado que não poderia implantar neste ano.

Primeiro, é preciso lembrar que o VAR foi reprovado pelo Conselho Arbitral da Série A que decidiu não usa-lo em um turno do Brasileiro-2018 com custos bancados pelos clubes como proposto pela CBF. Teoricamente, é no conselho que se decide as regras para a competição. Mas dirigentes do Inter vão almoçar, nesta terça-feira, com a cúpula da CBF para requisitar a tecnologia agora.

Entre os clubes ouvidos pelo blog, São Paulo, Flamengo, Cruzeiro, Corinthians e Fluminense confirmaram apoio ao pedido do Inter pelo VAR, mas houve ressalvas de alguns como o Corinthians e Fluminense de que a CBF deveria pagar por isso. Outros seis times tinham votado em favor do árbitro de vídeo quando a medida foi reprovada.

''Não falaram conosco. Apoiamos o VAR, mas não com esse custo de R$ 55 mil por jogo da CBF'', disse o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia. ''A gente não leva a sério o Internacional. O Inter é corporativista e só leva pautas quando interessa aos gaúchos.''

O dirigente ficou irritado com o erro de arbitragem em favor do Inter no jogo contra o Atlético-PR, no Beira-Rio, quando foi marcado pênalti inexistente em Rossi nos acréscimos em jogo do Brasileiro. ''Nem adianta reclamar porque é uma quadrilha'', atacou.

A diretoria do Atlético-MG também negou que vá apoiar a proposta do Internacional pelo VAR nos termos colocados no documento. A posição do clube é de apoio ao árbitro de vídeo desde que os custos sejam reavaliados e não pesem sobre os clubes.

''Foi votado que não haveria o VAR em 2018. Há um problema jurídico. Todos os clubes teriam que aprovar. Ainda mais tem custos, etc. Quais custos serão distribuídos, a responsabilidade? A minha posição que externei para o Sérgio (Sette Câmara, presidente do Galo), e ele disse que eu falaria sobre o assunto. A gente não aprovaria nessas condições que foram refletidas pelo Inter não'', contou o vice-presidente do Atlético-MG, Lazaro Cunha.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que tinha votado contra o VAR, afirmou ter assinado o documento do Inter em favor da tecnologia. Ele, no entanto, ressaltou que não mudou de posição: defende que clubes não têm que pagar pelos custos e que as regras têm que ser mais claras. Pela assessoria, a diretoria do Fluminense informou que aceita com a CBF bancando os custos.

A diretoria do Vasco ficou revoltada com a declaração do vice-presidente de Futebol do Inter, Roberto Mello, que disse que só o clube carioca não tinha assinado. Isso porque os cartolas vascaínos já sabiam que outros times não tinham apoiado o documento. Por meio da assessoria, o presidente vascaíno, Alexandre Campello, defendeu que seja implantado com calma, com custos pagos pela CBF e ironizou o Internacional.

''O Vasco é a favor de tudo que venha para tornar o futebol mais justo e melhorar a experiência para os torcedores, mas, por princípio, reafirma sua posição de que os clubes não devam arcar com os custos do VAR. Além disso, os critérios técnicos sobre sua utilização também não estão claros. A implementação do VAR de forma abrupta resultou em notórios problemas na Copa do Brasil e na Taça Libertadores, gerando mais controvérsias do que propriamente solucionando as dúvidas da arbitragem em lances capitais de partidas decisivas. O VAR tem que sair a partir de discussão e um consenso entre todos os clubes, e não a partir de uma choradeira seletiva'', disse Campello, por meio da assessoria.


Erro em jogo do Inter mostra que não falta só VAR no Brasil: falta caráter
Comentários 76

rodrigomattos

Quando entra na área disputando espaço com o atleticano Márcio Azevedo, o atacante colorado Rossi se joga na área. Não há nenhum toque que justifique sua queda espalhafatosa. Ainda assim, ele levanta as mãos e gesticula pedindo o pênalti. Orientado pelo auxiliar de fundo, o árbitro Rodrigo Ferreira (SC) lhe atende e marca a falta que dá a virada ao Inter sobre o Atlético-PR, nos acréscimos.

Seria só mais um erro grosseiro de arbitragem no Brasileiro não fosse a diretoria do time gaúcho a mais histérica do atual campeonato com seguidas insinuações de favorecimentos a rivais e a atitude de Rossi para enganar o juiz.

Há menos de dez dias o Internacional sofreu o empate do Vasco também em um pênalti mal marcado após Kelvin se jogar na área. Ao final do jogo, o vice de futebol colorado, Roberto Mello, afirmou sobre a arbitragem: ''É um sentimento de tristeza, raiva, nojo.'' Em seguida, insinuou que times como Palmeiras e Flamengo eram favorecidos porque davam mais Ibope. O ''eixo do mal Rio-SP'', então, devia estar dormindo nos minutos finais da partida no Beira-Rio deste domingo.

O mesmo Mello, após partida contra o Santos, fez insinuações sobre a demora na repetição de um replay da Globo em jogo anterior. Alegou, de forma equivocada, que houve replay para ajudar o juiz de partida do Palmeiras. Aparentemente, esperava que o árbitro pudesse consultar a imagem da televisão no jogo do colorado, o que é ilegal, para poder mudar uma decisão.

O Internacional teve erros clamorosos a seu favor neste Brasileiro como um outro pênalti marcado em mão fora da área (diante do Vitória), ou um gol de Damião em impedimento claro (contra o Corinthians). Assim como houve erros graves contra o time colorado, como ocorreu com a maior parte parte dos times nacionais. Quando é contra, vê esquemas imaginários contra o time. Quando é a favor, se cala ou dá explicações tímidas.

Sim, a arbitragem brasileira é um desastre e não é só por falta de VAR. É por culpa da própria CBF que não a profissionaliza nem qualifica. Mas os dirigentes e jogadores brasileiros contribuem em muito para a forma distorcida como se desenvolvem as decisões no campo. Se todos os problemas da CBF fossem resolvidos, ainda assim o mal do nosso futebol não estaria sanado porque está entranhado em quase todo o futebol nacional.

Veja o exemplo de Rossi. Jogou-se na área de forma acintosa, exigiu a marcação, festejou o benefício e depois disse que, sim, estava tudo correto. Segundo a descrição do técnico Odair Hellmann, o jogador alega que encostaram nele. Tá bom.

Na realidade, Rossi e o Inter, assim como quase a totalidade dos dirigentes e jogadores nacionais, não querem uma arbitragem isenta como alegam. Cada vez que gritam contra um árbitro pelo erro de domingo é porque esperam ser recompensados por uma falha na próxima rodada.

Esse é um retrato do futebol brasileiro que reflete a nossa sociedade. A corrupção e o errado estão sempre no outro, nunca em nós. Não se está aqui a comparar atos de corrupção a enganar um juiz, apenas aponta-se que o princípio é o mesmo. Porque, quando o jeitinho é a favor, diante da indignação do rival prejudicado, a reação padrão do brasileiro médio é, rindo com desfaçatez, repetir: ''Chora mais.''

 


Recesso
Comentários 5

rodrigomattos

Este blog está de recesso até o final de outubro porque o autor vai trabalhar na cobertura do UOL de eleições.