Blog do Rodrigo Mattos

Acionado na Espanha, Neymar processa Barça na Fifa por bônus
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Com Bruno Thadeu

Os advogados do jogador Neymar já entraram com processo contra o Barcelona na Fifa para receber o pagamento de bônus pela assinatura de sua renovação, assinada antes do jogador se transferir para o PSG (Paris Saint-Germain). O valor é de 26 milhões de euros (R$ 93 milhões). A ação na federação internacional já tinha ocorrido antes de o clube espanhol anunciar que acionou o seu ex-jogador em tribunal do trabalho por danos morais.

A saída de Neymar do Barcelona ocorreu de forma conflituosa. O PSG pagou a multa em negociação que não tinha concordância do clube espanhol. Por isso, o blog apurou que o Barça não pagou nada do bônus de 26 milhões de euros da renovação do contrato feita no ano passado, alegando que ele não ficou mais de um ano.

Oficialmente, a assessoria de Neymar não confirma que há um processo na Fifa, apenas informou que foi ''iniciado procedimento formal de cobrança''. O blog apurou que o processo na federação internacional já se iniciou.

Anteriormente, o stafe de Neymar já tinha sinalizado com um processo como informou o blog do Perrone. Mas, depois, desistiu por uma solução negociada. Mas a relação com o Barcelona se acirrou novamente e o jogador foi para a Fifa.

O processo do Barcelona na corte trabalhista da Espanha é relacionado ao bônus e cobra outros 8,5 milhões de euros em prejuízos.

Abaixo a nota da N & N, empresa do pai de Neymar que administra sua carreira:

''Cumpre-nos informar que o atleta Neymar Júnior e seus advogados já estão cientes do comunicado divulgado hoje – 22/08 – pelo F.C. Barcelona, acerca da ação promovida perante a Justiça Social de Barcelona.

Vale ressaltar que tal notícia foi recebida com surpresa, vez que o Atleta cumpriu integralmente o contrato então vigente, com o depósito integral dos valores livremente pactuados com o F.C. Barcelona visando sua liberação.

Não obstante, quando da regular citação e após a análise integral da demanda promovida pelo Clube, a defesa formal do Atleta será oportunamente apresentada. 

Já com relação aos bônus devidos pela assinatura do contrato de 2016, contratualmente ajustados e declaradamente não pagos pelo F.C. Barcelona, cumpre ainda informar que o Atleta já iniciou o procedimento formal de cobrança perante o foro competente.''


Após erros, CBF teme que clima tenso afete arbitragem de Fla x Bota
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O clima de rivalidade exacerbada entre Flamengo e Botafogo causa preocupação na comissão de arbitragem da CBF em relação à pressão sobre a arbitragem na semifinal da Copa do Brasil. Dirigentes dos dois clubes já fizeram reclamações à confederação, e houve decisões questionadas no primeiro jogo.

No sorteio de segunda-feira, saiu o nome de um árbitro experiente Wilton Pereira Sampaio. Ele é considerado o segundo juiz internacional da CBF, atrás de Sandro Meira Ricci. Mas Anderson Daronco, que também é da elite do quadro da confederação, foi bastante questionado no primeiro jogo.

Na ocasião, ele expulsou o zagueiro Carli e o goleiro Muralha em lance de rigor excessivo. A própria comissão da CBF considera que houve um exagero. E avalia que isso ocorreu porque Daronco quis segurar um jogo tenso, tanto que  travou o jogo com faltas. Também admite-se na confederação que o juiz errou ao não expulsar Pimpão que deu entrada no tornozelo de Berrío.

A diretoria do Flamengo reclamou dos dois lances depois do jogo, assim como a diretoria do Botafogo tinha  feito um protesto antes da partida temendo ser prejudicada em favor do rival.

Na avaliação da comissão da CBF, esse clima criado fora de campo se transpõe para o campo e os jogadores passam a pressionar o juiz o tempo inteiro. Isso torna muito difícil a condução da arbitragem durante a partida.

Não haverá recomendação especial para Sampaio porque ele é um árbitro experiente. Para a comissão da CBF, está preparado para lidar com esse tipo de pressão. Mas há o entendimento de que o andamento do jogo depende também dos jogadores em campo.


Barça não se decide sobre compra de Mina, e Palmeiras recebe sondagens
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O Barcelona ainda não se decidiu sobre a preferência da compra do zagueiro Yerry Mina, do Palmeiras. Há uma prioridade garantida para o clube espanhol até o meio de 2018 ao se adquirir o jogador por € 10 milhões. E o Palmeiras tem sondagens de outros clubes que acenam com valores maiores.

A informação do jornal ''Sport'' na semana passada era de que o Barça já tinha acertado a compra para o final do ano, ou para o meio do ano que vem. Mas essa informação não é confirmada por dirigentes ligados ao Barcelona, nem no Palmeiras.

O time catalão não tomou uma decisão, nem comunicou nada aos palmeirenses. Sua preferência lhe dá direito de pagar pelo jogador e leva-lo na hora até pelo menos o meio do próximo ano.

Enquanto o Barcelona não se decide, o Palmeiras recebeu sondagens de outros clubes europeus. Houve acenos com mais dinheiro do que o acertado pelo clube espanhol. Para o clube alviverde, seria uma vantagem se o time catalão desistir de Mina. Caso receba uma proposta oficial, o Palmeiras tem que apresentar aos espanhóis e esperar a resposta se eles querem exercer sua cláusula.

Mina foi contratado pelo Palmeiras por um valor de 2,5 milhões de euros justamente com a pre-condição de ir para o time catalão no futebol. Já houve até negociações para postergar sua ida, enquanto o Barcelona já cogitou leva-lo no meio do ano.

Mas agora a questão é mais do momento de instabilidade do time espanhol que o faz ter foco em outros assuntos e jogadores. A janela de transferências da Espanha se encerra em 1º de setembro, e com Mina, machucado, não há sinal até agora de que ele vá sair neste momento.


Com titulares, Grêmio é quase igual a Corinthians, mas reservas destoam
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Renato Gaúcho é o técnico que montou o time de futebol mais vistoso no Brasil em 2017. Disputaria o posto de equipe mais eficiente do ano (veja que os dois conceitos são diferentes) com o líder Corinthians. Mas o treinador gremista decidiu largar o Brasileiro em favor da Copa do Brasil e da Libertadores.

Neste final de semana, Renato escalou reservas na Arena Grêmio que não foram capazes de bater o Atlético-PR. Lembre-se que é o mesmo time que os titulares gremistas golearam por 4 a 0 pela Copa do Brasil. Com o empate, manteve-se a sete pontos do líder Corinthians, que tem um jogo a menos.

O treinador escalou equipes completamente reservas em quatro ocasiões, Atlético-PR, Palmeiras, Sport e Botafogo. Somou um em 12 pontos, um desempenho de rebaixado. Houve duas ocasiões, Atlético-GO e Atlético-MG, em que usou time misto e foi bem, com duas vitórias.

Considerando apenas a campanha com titulares ou pelo menos misto, o Grêmio somou 76,5% dos pontos. O Corinthians tem o rendimento de 78% até agora, com um jogo a menos. Ou seja, se o time gaúcho tivesse escolhido o Brasileiro como prioridade, provavelmente estaria em disputa equilibrada com a equipe paulista.

Em vez disso, Renato já deixou clara sua preferência pelas Copas. Após o empate com o Atlético-PR, afirmou: ''Não vai mudar, vai continuar. Demos chance para quem não vem jogando, os garotos. Não adianta, não é que eu queira fazer isso. Nós somos obrigados.'' E completou: ''E é assim: não temos como jogar com o mesmo time todos os campeonatos. Demos prioridade à Copa do Brasil e à Libertadores.''

Em certa parte, não dá para discordar do treinador: a temporada no Brasil tem excesso de jogos e é impossível não poupar. Compereende-se a prioridade à Libertadores. Mas a questão é por que da preferência à Copa do Brasil em relação ao Brasileiro?

O campeonato nacional é o mais nobre do país. É assim no Brasil e em todos as nações com pontos corridos. Não há nenhum lugar em que a Copa seja priorizada, nem com o argumento de que ''só falta três jogos para ser campeão''. Um mata-mata é imprevisível, se faltam três jogos, vai uma bola na trave e o time é eliminado. E uma equipe que joga o futebol mais vistoso do país não deveria se prender ao imponderável.

Mais do que isso, o Grêmio não ganha um Brasileiro há 21 anos. O título de 1996, aliás, é o último dos gaúchos no Brasileiro. Entre os quatro Estados mais fortes do futebol do país, é único que nunca ganhou nos pontos corridos.

Aí talvez esteja a explicação para a estratégia de Renato. Os times do Rio Grande do Sul têm um gosto pela Copa, pelo mata-mata, maior do que outros Estados. Seu jogo nem sempre é o melhor do país (em 2017 é na minha opinião), mas são capazes de se impor no confronto direto.

Assim, não ganharam Brasileiros por 21 anos, mas o Inter foi duas vezes campeão da Libertadores, e o Grêmio levou três Copas do Brasil neste período. Não faltaram títulos importantes copeiros.

Quando manifestei no Twitter que não entendia a estratégia do Grêmio, a maioria dos torcedores do time se posicionou contrário, concordando com a tática de Renato. É uma amostragem pequena, mas a torcida gremista parece gostar mais das Copas do que dos pontos corridos.

É absolutamente compreensível. Mas esse time construído por Renato pode, sim, aspirar a ser considerado o melhor do Brasil. Seria uma disputa dura contra o Corinthians. Ele preferiu seguir a sua alma gaúcha e optar pelas Copas. Assim, só uma queda acentuada do rival lhe permitirá disputar o Brasileiro.


Como a reação de técnicos a Rueda explica o atraso do futebol brasileiro
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Desde que o Flamengo anunciou Reinaldo Rueda, houve uma reação de técnicos brasileiros com declarações que demonstravam a resistência a sua chegada. Começou com Jair Ventura, passou por Vanderlei Luxemburgo. Até uma associação de técnicos pediu para conversar com a diretoria da CBF sobre o assunto.

Foi talvez a reação mais agressiva a um técnico estrangeiro. Mas o Brasil é um país especialmente fechado a treinadores de fora, sendo a liga que menos contrata os profissionais nascidos em outras nações. Alguns vieram após o fracasso da Copa-2014, mas naufragaram em geral por falta de adaptação.

Mas por que isso ocorre? Talvez o melhor paralelo com Rueda seja Juan Carlos Osorio e sua passagem no São Paulo. Era um treinador com métodos bem diferentes do habitual no país. Seu rodízio constante de jogadores causou incômodo em jogadores.

É verdade que sua saída foi mais motivada pela crise política são-paulina do que pela resistência aos métodos. Mas a tentativa de armar um São Paulo que privilegiasse o toque de bola e aos poucos fosse se montando, como ocorreu no Nacional, já esbarrou no desmanche do time.

Essa é uma questão. Técnicos brasileiros estão acostumados a montar times de curto prazo. Sabem que chega a janela de transferência, há uma crise financeira, resultados ruins, e tudo pode mudar.

Assim, a maioria dos treinadores se protege privilegiando a armação da defesa do time que lhes dá uma segurança para obter melhores resultados. A estruturação ofensiva, em geral, fica em segundo plano porque é mais complexa.

Por isso, é cada vez mais raro vermos times brasileiros dominantes com a bola no pé e pressionando o rival. Talvez o último time deste nível tenha sido o Cruzeiro, bicampeão brasileiro. O Corinthians-2015 era uma equipe que chegou a um bom padrão ofensivo também no final do Nacional, mas, quando daria um salto, foi desmanchada. Os outros campeões brasileiros nos últimos dez anos eram mais pragmáticos, com futebol objetivo, porém não encantador.

Quando chega um treinador que pode propor algo diferente deste modelo, como deve ocorrer com Rueda e como foi com Osório, há uma resistência geral. A verdade é que os treinadores brasileiros melhoraram depois da Copa-2014, mas ainda estão longe do nível europeu. Aprenderam a desenvolver um tipo de jogo de forma eficiente, mas ainda falta repertório.

Por exemplo, o treinador mais bem-sucedido do Brasil é Fábio Carille. Seu Corinthians é  muito bem armado para contra-atacar. Tudo indica que Carille tem potencial para elevar seu patamar e se desenvolver como treinador – já dá sinais em certos aprimoramentos na equipe corintiana. Mas terá estabilidade do time? Talvez uma exceção hoje seja o Grêmio, de Renato Gaúcho, que desenvolve mais o jogo.

Obviamente, nosso maior expoente é Tite que já atingiu outra esfera. Este, sim, é capaz a se equiparar com os grandes treinadores estrangeiros. Mas, se for analisar, as ideias que implantou na seleção ainda fazem pouco eco no futebol nacional. Falta qualidade, ok, mas falta também manter jogadores, e técnico.

No final das contas, a reação de técnicos a Rueda é uma resistência a um modelo implantado no país. E é extremamente saudável que essa fórmula seja questionada para evoluirmos. Só com novas ideias é que conseguiremos elevar o patamar do nosso futebol de clubes atual.

 

 


Flu prepara modelo de gestão coletiva para evitar loucuras
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Com Leo Burlá

A diretoria do Fluminense prepara um modelo de administração colegiada para minimizar o poder do presidente de tomar medidas que comprometam o futuro do clube. A ideia é fazer o processo em etapas cujo objetivo final é montar uma espécie de Conselho de Administração.

A agremiação das Laranjeiras vive um momento difícil financeiramente após gastos excessivos do antecessor Peter Siemsen, e da saída da patrocinadora Unimed. A dívida gira estava R$ 516 milhões segundo o último balancete, receitas estão baixas, e há déficit previsto para 2017.

Só ao assumir o presidente Pedro Abad percebeu o tamanho do problema apesar de ser da corrente do antecessor. Isso porque havia compromissos e questões financeiras que eram centralizados no presidente, com pouco acesso até para Abad que era presidente do Conselho Fiscal.

Diante disso, a atual diretoria contratou uma auditoria da Ernest & Young que recomendou um modelo de gestão em que mais pessoas participem das decisões. Agora, uma comissão prepara o texto com um regulamento para normatizar a forma de administrar o clube. Boa parte poderá ser feito sem mudar o estatuto.

A ideia é que, para uma decisão de impacto para o clube, terá de haver autorizações de um grupo de pessoas da área, não só o presidente. Por exemplo, dirigentes da área e CEO teriam de dar aval a contratação de um jogador que represente despesa acima de R$ 3 milhões por ano.

É um primeiro passo. Na sequência, Abad tem a intenção de preparar uma proposta para a criação de um Conselho de Administração para gerir o clube. Isso precisaria ser aprovado pela Assembléia Geral, isto é, todos os sócios porque seria uma alteração significativa no estatuto.

Esse modelo já existe em clubes como São Paulo, Santos e Flamengo. Na prática, as principais decisões são submetidas ao conselho que tem de aprovar orçamentos, destinação de dinheiro, etc. Ao mesmo tempo, o conselho dá uma diretriz para a gestão do clube que tem de ser tocada pelos gerentes e diretores de cada área.

Informalmente, Abad já tem dividido decisões importantes de sua gestão com aliados. E contratou recentemente o ex-diretor do COB Marcus Vinicius Freire para ser o CEO do clube. Assim, espera melhorar a administração das finanças, aumentando receitas e controlando despesas. Além disso, quer incrementar a gestão esportiva do Fluminense.

 


Conmebol estuda fatiar direitos de TV da Libertadores no Brasil
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A Conmebol está próxima de iniciar o processo de licitação dos direitos de TV da Libertadores para 2019 com o anúncio da agência responsável. E a confederação sul-americana está aberta a qualquer modelo de negociação desde que aumente o valor do contrato. Não descarta a possibilidade de fatiar os direitos no Brasil, entre TV Aberta, fechada e internet.

Atualmente, a Fox detém todos os direitos da Libertadores para todas as propriedades e países, em contrato renovado até 2018. A emissora que renegocia, por exemplo, os direitos para a Globo na TV Aberta.

Agora, a ordem da Conmebol para a agência a ser escolhida será encontrar a fórmula que possibilite maior ganho financeiro com a venda dos direitos da competição sul-americana. A empresa vai buscar informações no mercado, estabelecer um formato e levar para a aprovação do Conselho da entidade. Nesta sexta, a confederação anunciou que 10 agências estão habilitadas. Ou seja, nas próximas semanas será anunciada a vencedora.

Uma das primeiras decisões será estabelecer os pacotes de direitos por regiões ou países. Isso já estava definido previamente com o fim da negociação de todas as propriedades para uma empresa. Assim, poderá haver uma concorrência para o México, outra para o Brasil, uma terceira para um conjunto de países e por aí vai. O mercado que determinará.

E, dentro dos países, a Conmebol pode ainda fazer concorrências por direitos fatiados quando houver um país de forte valor econômico. É o caso do Brasil que representa em torno de um terço do mercado da confederação sul-americana. O México é outro mercado forte se os seus times voltarem à Libertadores.

Não há prazo para concluir o processo de licitação. Mas há a consciência na Conmebol de que tem de se buscar o momento certo para aumentar os valores. Há um temor de que as negociações dos direitos da Liga dos Campeões e até o Francês no Brasil possam concorrer com o torneio. Ou seja, se a Libertadores vier depois deles, as televisões brasileiras já terão gastado dinheiro com os outros torneios, podendo fazer ofertas menores.

O Campeonato Francês é um novo elemento já que tornou-se uma vitrine após a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain. Os direitos pertencem à Globo, Sportv e Espn, mas só duram mais um ano. Portanto, devem ser vendidos agora. Também será no segundo semestre a negociação da Liga dos Campeões. A previsão é que ocorram após a Libertadores.

Essa posição da confederação sul-americana faz sentido. Emissoras brasileiras preparam seus orçamentos para saber em que competições irão investir já que não sobra dinheiro para todos os projetos.

Um decisão já tomada é que não haverá mais contratos longos como os feitos na gestão de Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Angel Napout. A ideia é que os contratos sejam limitados aos mandatos dos presidentes. Essa regra só será flexibilizada agora porque o mandato de Alejandro Dominguez se encerra em 2019 e não faria sentido fazer um contrato curto. Portanto, o novo acordo da Libertadores deve ser até 2022, invadindo o próximo mandato.


Como novo torneio pode prejudicar sul-americanos e favorecer europeus
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O calendário de jogos internacionais após a Copa-2018 não é promissor para a seleção brasileira e para sul-americanos. Pelo contrário, seus dados indicam fortalecimentos dos rivais europeus com partidas mais competitivas, e menos jogos relevantes para o Brasil e outros países sul-americanos. Um dos motivos é a recém-criada Copa das Nações na Europa que já gera desconforto em cartolas de outros continentes.

O comando da seleção brasileira, no entanto, entende que o impacto da competição não será tão grande para o país, e que ainda haverá chance de enfrentar grandes seleções. Só ressalta que será preciso mais programação para encaixar jogos contra os principais times do velho continente.

Com as inovações de UEFA e Fifa, o calendário depois da Copa tem a característica de ter vários jogos competitivos para os europeus, e um cenário incerto para os sul-americanos. Além da Euro, suas eliminatórias e o classificatório da Copa, os europeus terão a Copa das Nações.

O novo torneio terá sua primeira fase em datas de amistosos já no segundo semestre de 2018. Em seguida, no meio de 2019, haverá playoffs com semifinais e finais. As equipes serão separadas em quatro divisões, com 12 times em cada uma, e rebaixamento e ascensão. A Liga A determinará o campeão da Copa das Nações. Quando o torneio acabar, já terão se iniciado as eliminatórias da Euro e depois da Copa.

''Certamente haverá menos jogos amistosos internacional e indubitavelmente menos amistosos sem sentido. Mas ainda haverá espaço para jogos amistosos internacionais – particularmente jogos de aquecimento para as finais dos torneios. A UEFA ainda espera que os times europeus tenham a chance de jogar com oponentes de outras confederações'', afirmou a UEFA sobre a competição. A entidade entende que seus times top ainda poderão jogar contra outros continentes.

Mas cartolas do Conselho da Conmebol estão preocupados que os europeus só joguem entre si, e fiquem mais fortes. Por isso, há um movimento para levar a questão à Fifa para discutir seu impacto. O objetivo é juntar dirigentes de outros continentes para conversar com a federação internacional.

Na América do Sul, ainda não há decisão de como serão as eliminatórias para Copa depois que o continente passou a ter 6,5 vagas para 10 país. A pergunta é se ainda faz sentido um classificatório nessas condições.

O coordenador técnico da seleção Edu Gaspar reconhece que Copa das Nações é melhor para os europeus. Mas não vê a seleção prejudicada em termos de obter partidas competitivas.

''Ainda existe a possibilidade de podermos disputar amistosos. Os times da Liga A e B (os mais fortes) vão ter agenda porque a Liga das Nações ocupa uma data, e tem outra para amistoso'', analisou Edu. ''Não muda praticamente nada para nós. A gente só tem que se organizar previamente, o que já estamos fazendo.''

Ele reconhece que reduz em uma data a cada dupla a possibilidade de amistoso com europeu, mas lembrou que o Brasil pode jogar com outras confederações. Sobre a possibilidade de os europeus terem mais competições, ele entende que há vantagens e desvantagens.

''De um lado, sem dúvida mais competição fortalece o time. Mas nós teremos a Copa América e as eliminatórias com adversários super fortes. Não vejo como prejuízo do ponto de vista técnico'', observou Edu, que gostou do modelo da Copa das Nações.

Uma das prioridades da comissão técnica de Tite era realizar amistosos com europeu nesta reta final para a Copa-2018. Já tem o jogo marcado com a Alemanha no próximo ano e uma possibilidade de enfrentar a Inglaterra no final do ano. Em relação às eliminatórias sul-americanas, Edu aprova o aumento de vagas porque cresce a possiblidade de classificação.

Certo é que, depois da Copa-2018, o cenário de jogos de europeus e sul-americanos será diferente e as seleções terão de se adaptar à nova realidade.


Brigas, juiz perdido e suspeita de racismo. Engenhão tem noite lamentável
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Antes do início do clássico, a festa da torcida do Botafogo com fumaça, mosaico e cantos indicava uma noite bonita de futebol na semifinal contra o Flamengo. Mas a noite no Estádio Nilton Santos foi marcada por cenas lamentáveis: suspeita de racismo, brigas e confusão, e uma arbitragem que ajudou a estragar o espetáculo.

A primeira confusão foi ainda antes do jogo se iniciar quando a torcida rubro-negra ficou presa fora do estádio porque os portões foram fechados. A diretoria botafoguense alegou que torcedores sem ingresso tentavam entrar e que os outros chegaram em cima da hora. A torcida rubro-negra reclamavam de falta de organização. A PM mandou fechar o acesso. Não era um bom prenúncio para um jogo tenso.

Com a bola rolando, houve até algum futebol com um pitaco de Reinaldo Rueda no início do Flamengo. Sem Márcio Araújo, o time tinha uma saída de bola com passes verticais para encontrar espaço entre as linhas da defesa botafoguense, uma orientação dele. Um cenário diferente da troca de passes excessiva que ocorria com Zé Ricardo. O domínio era rubro-negro.

O Botafogo até reagiu com seu estilo de apostar em contra-ataques, mas apresentava pouco para um time mandante. No geral, o jogo era meia-boca, e a arbitragem o piorava. Travava o ritmo com muitas marcações de faltas, ou cometia erros bobos.

A volta para o segundo tempo foi pior. Na arquibancada, um torcedor botafoguense se dirigiu de forma ofensiva para um camarote de convidados rubro-negros, esfregando a própria pele. Quem viu considerou uma injúria racista à família do jogador Vinicius Jr.. O torcedor foi levado para o juizado local, e corre o risco de ficar preso por racismo.

Em campo, a partida até era mais aberta, com o Botafogo um pouco mais ligado, e o visitante agredindo com um jogo acelerado. Foi assim que teve sua melhor chance em cobrança de falta de Diego na trave. Parecia que o jogo ia engrenar com o time rubro-negro melhor… mas a arbitragem não ajudou.

Pimpão deu uma entrada no meio do tornozelo de Berrío, um lance feio que tirou o colombiano do campo. O árbitro Anderson Daronco deu só amarelo em lance de expulsão clara. Mais adiante, Carli e Muralha se embolaram em um ataque. Cada um poderia ter recebido um amarelo, seria o segundo do botafoguense. Ou o árbitro poderia até contemporizar. Mas expulsou ambos.

O jogo degringolou. O Flamengo perdeu padrão com as mudanças de Rueda, o Botafogo continuou a não jogar nada, nem sequer ameaçar o goleiro rival. Não era o time aguerrido da Libertadores.

Ao final, zero a zero no placar, uma briga de organizadas do Botafogo entre si fora do Engenhão acabou em pancadaria com o PM. Enquanto isso, esperava-se a conclusão da acusação de racismo na delegacia local. Um retrato da noite em que o futebol não foi protagonista.


Mesmo com Rueda, Brasileiro é a liga que menos contrata técnico estrangeiro
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A contratação do técnico Reinaldo Rueda pelo Flamengo gerou um novo debate sobre a presença de técnico estrangeiro no país. Isso porque o treinador Jair Ventura, do Botafogo, defendeu que sua chegada era ruim para os brasileiros, embora tenha mudado o tom após a repercussão. Não é à toa essa discussão: o Brasileiro é a liga de elite que mais rejeita contratar comandantes estrangeiros para seu times.

O blog fez um levantamento em oito dos principais campeonatos pelo mundo, Argentina, México, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Brasil. Em todos, há um maior número de treinadores de fora do país na primeira divisão do que no Brasileiro da Série A.

Antes de expor os números, vamos entender o que disse Jair Ventura sobre a chegada de Rueda: ''Para o mercado isso é muito ruim, porque parece que não temos profissionais capacitados para trabalhar dentro do nosso país. Isso é muito ruim para a gente que está começando''. Em seguida, ele afirmou que entendia ser legítimo que um clube contratasse estrangeiro para seu banco.

Nem precisaria pedir por uma reserva de mercado para técnicos no Brasil. Na prática, ela já existe. Contratado neste semana, Rueda se tornou o único treinador da Série A do Nacional no momento, o que representa 5% do campeonato. Há exemplos de outros treinadores recentemente, mas nenhum perdurou.

Na Premier League, campeonato com mais dinheiro do mundo, 16 dos 20 técnicos não nasceram na Inglaterra. Ou seja, um total de 80%. Todos os times de ponta têm técnicos estrangeiros, o Manchester United com Mourinho, o City, com Guardiola, o Chelsea, com Conte e por aí vai.

Na Bundesliga, onde há uma escola forte de formação de treinadores, oito dos 18 técnicos são estrangeiros, sendo um deles meio italiano, meio alemão. Assim, são 44,4% de técnicos de fora. Na Espanha, esse percentual é menor com 25%, quatro em 20 do total. O atual campeão Real Madrid se inclui com o francês Zidane.

A Itália, que tem uma cultura tática muito forte, tem um percentual bem menor, próximo ao Brasil. São dois técnicos em 20 clubes, sendo um deles Mihajtovic, sérvio com cidadania italiana que dirige o Torino. Mas a França também tem boa aceitação de estrangeiros com 25% dos 20 treinadores, inclusive nos clubes de maior investimento, Paris Saint-Germain e Monaco.

Nas Ligas Mexicana e da Argentina, também há mais presença de treinadores de fora. No México, são sete de 18 treinadores, quase 40%. Na primeira divisão da Argentina, o cenário é mais parecido com a Itália com 3 dos 28 técnicos, isto é, 10%.

E isso ocorre porque há maior qualificação dos treinadores brasileiros? Não necessariamente. Há dois cursos da CBF e da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol, ambos sem a chancela da Conmebol e sem equiparação com a UEFA. Portanto, não são válidos em outros países e os brasileiros têm que fazer cursos no exterior para dirigir times de fora.

Por imposição da Fifa, a confederação ficou responsável por qualificar os treinadores e vai exigir a licença do seu curso a partir de 2019 para treinadores da Série. A confederação tenta conseguir que sejam reconhecidos.

O próprio Jair Ventura não tem a licença A da CBF ainda. Ele fez os cursos infantil e de base, e está em andamento com o de nível A. Faltará ainda o nível Pro. Isso, obviamente, não o desqualifica como técnico. Até porque reportagem recente da ''Folha de S. Paulo'' mostrou que ele e outros oito técnicos da Série A buscavam o diploma, enquanto outros 11 não os tinham nem faziam o curso.

''NA ABTF, buscamos um curso com a grande paralelo ao feito em Portugal. Buscamos a chancela da Conmebol. Mas, quando a Fifa determinou que as ligas fiscalizassem, um grupo da CBF nos alijou e simplesmente começou um curso. Isso é monopólio'', reclamou o presidente da associação, Zila Cardoso. ''A CBF buscou fazer tem uns três ou quatro anos. A Argentina já tem chancela e foi feito pela associação de treinadores deles.''

De fato, o curso argentino é aceito na Europa. Entre os técnicos brasileiros que têm o curso completo da UEFA está Milton Mendes, do Vasco. Uma das reclamações de Jair Ventura foi justamente essa, de que o curso da CBF não permitirá que ele possa trabalhar no exterior.

Rueda, que chega agora ao Brasil, trabalhou como instrutor da Fifa na escola de treinadores da Colômbia e em seminários da entidade e da Conmebol, além de ter estudado em universidade na Alemanha. Para trabalhar no país, só precisa de visto de trabalho e registro na CBF, o que é simples.

Por meio de nota ao blog, a assessoria da CBF se manifestou dizendo que está tomando medidas para habilitar seu curso de treinadores, obtendo o reconhecimento internacional:

''A CBF tem como prioridade o reconhecimento das licenças de treinador expedidas pela entidade, devidamente chanceladas pela Conmebol, dentro dos mais rigorosos critérios adotados no mundo.

Sob esta perspectiva, mantém há mais de um ano contínua interlocução com a Conmebol e FIFA, que tem se mostrado interessadas na resolução do pleito.

No dia 8 de agosto, foram aprovadas pelo Conselho da Conmebol todas as providências necessárias para obtenção destas habilitações no cenário internacional.

Como resultado destes movimentos, o tema foi pautado com destaque para a próxima reunião dos Diretores de Desenvolvimento das entidades continentais, a se realizar nos dias 23 e 24 de agosto, na sede da FIFA.''