Blog do Rodrigo Mattos

Com parcela maior, Corinthians não tem recurso para pagar arena em 2018
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A parcela da dívida pela arena a ser paga pelo Corinthians vai subir ao valor integral a partir de março, segundo acordo assinado com a Caixa Econômica Federal. Com isso, o clube não tem recurso suficiente gerado pelo estádio para quitar a mensalidade durante todo o ano de 2018. Por isso, a diretoria corintiana tenta agilizar a negociação de um novo acordo com o banco federal que seria a quarta modificação ao financiamento.

Corinthians, Odebrecht e Caixa Econômica Federal sustentam que atualmente a operação do empréstimo está adimplente, isto é, em dia com suas obrigações. Por isso, tentam derrubar decisão da Justiça Federal do Rio Grande do Sul de mandar que clube e empreiteira paguem todo o valor da dívida: em torno de R$ 475 milhões.

Pois bem, Corinthians e Caixa assinaram o terceiro aditivo dos contratos entre as partes em outubro de 2017, como mostram documentos da Arena Itaquera e do fundo do estádio. Além de ter quitado quatro meses atrasados anteriores, o clube sempre informou que havia um alívio provisório com parcelas reduzidas apenas dos juros, em um total de R$ 2,5 milhões, durante um período que iria até março ou abril. A partir daí, haveria nova renegociação.

A questão é que o acordo, na realidade, tem termos definitivos e válidos. A partir de março, a parcela deixa de ser reduzida e volta a ser no valor integral de pouco menos de R$ 5 milhões, segundo apurou o blog. Mais: acrescenta-se a esse valor tudo que deixou de ser pago durante esse período em que a parcela foi reduzida, dividido pelas mensalidades restantes. A Caixa ainda não informou o novo valor que passaria a vencer em 15 de março.

O problema é que as rendas da arena são insuficientes para pagar R$ 60 milhões por ano do financiamento. Divulgado neste mês, o relatório financeiro do fundo da arena do segundo semestre de 2017 foi de sobra de R$ 24 milhões, receitas descontadas despesas e impostos. Mas, no primeiro semestre, houve prejuízo em torno de R$ 300 mil. Não é possível ter uma noção de todo 2017 pois o relatório anual não está consolidado e há variantes.

Estima-se que a receita de bilheteria, que é a principal, ficará acima de R$ 60 milhões brutos, sem descontos das despesas. Há ainda receitas de estacionamento, camarotes e aluguéis para outros eventos.

Duas fontes envolvidas na operação confirmam que não há dinheiro suficiente para pagar as parcelas estabelecidas no acordo atual. A informação é de que o valor de sobra da renda da arena não daria nem para quitar o valor reduzido da parcela da dívida. Em março, a situação está resolvida porque há dinheiro no caixa do fundo para pagar, o que foi acumulado durante o período sem mensalidades. Nos meses para frente, a situação ficará difícil.

Sem conseguir pagar, o Corinthians negocia por nova redução da parcela da dívida, ao mesmo tempo que não aumentaria o prazo do financiamento. Para isso, teria de aumentar consideravelmente as parcelas futuras a serem pagas. Ou seja, no futuro, o clube teria de pagar valores ainda maiores do que os R$ 5 milhões mensais.

A aposta seria de que, com essa fórmula, o clube conseguisse no futuro alavancar as receitas do estádio. Assim, ganharia dinheiro suficiente para pagar essas parcelas ainda maiores, isto é, teria de gerar uma receita líquida acima de R$ 60 milhões. Camarotes, por exemplo, passarão de 11 para 25 já negociados em 2018. Nenhuma das metas de arrecadação prevista para a Arena Corinthians até agora foi atingida. Pelo planejamento inicial, o clube geraria mais de R$ 200 milhões por ano em 2018.

A renegociação do Corinthians com a Caixa, no entanto, ocorre com o banco sob forte pressão por conta da ação judicial do Rio Grande do Sul. As partes vão recorrer e entendem que só terão de cumprir o pagamento integral se tiverem uma decisão desfavorável transitada em julgado. Enquanto isso, tentam acertar uma equação que está longe de fechar no momento. Partes envolvidas na operação garantem que o objetivo é pagar o financiamento sem inadimplência.

Questionado, Luis Paulo Rosenberg, responsável do Corinthians pelo assunto, não quis comentar os dados. A Odebrecht também não se pronuncia.

 

 


Cruzeiro prepara contestação à multa de Fred, Galo quer rival investigado
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Com Thiago Fernandes

Após a primeira decisão da câmara da CBF sobre o caso Fred, o Cruzeiro já prepara uma estratégia para contestar a multa de rescisão de R$ 10 milhões devida ao Atlético-MG no órgão. Enquanto isso, o Atlético-MG aposta em uma investigação da confederação que possa levar à punição ao clube rival por ir à Justiça comum.

Nesta terça-feira, a CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas) negou o pedido do Atlético-MG para que Fred pagasse imediatamente a multa ou fosse impedido de jogar. O Galo tinha recorrido ao órgão depois que o jogador assinou contrato dizendo que pagaria R$ 10 milhões por sua rescisão caso fosse para o Cruzeiro. A câmara também decidiu que é a responsável por julgar o caso, o que deve demorar.

Em paralelo, o Cruzeiro já pediu para ser parte como interventor no caso. A intenção cruzeirense teoricamente era evitar a suspensão de Fred. Mas o clube da Toca da Raposa já se prepara para questionar a validade da multa o que não fizera até aqui judicialmente. Em entrevista ao UOL, o vice Itair Machado chamou a multa de piada e ilegal.

Na prática, o Cruzeiro já contratou advogados para defender a ilegalidade da multa na CNRD. A tese a ser usada é de que a multa fere o artigo 61 do Regulamento Nacional de Transferências de Jogadores. O texto diz: ''Nenhum clube pode ajustar ou firmar contrato que permita a qualquer das partes, ou a terceiros, influenciar em assuntos laborais ou relacionados a transferências, independência, políticas internas ou atuação desportiva, em obediência ao art. 18bis do Regulamento da FIFA sobre o Status e a Transferência de Jogadores e à legislação desportiva federal.''

A alegação cruzeirense será justamente de que a multa significa uma interferência do Atlético-MG nos assuntos laborais do Cruzeiro, e portanto, irregular. Detalhe: a diretoria do clube da Toca da Raposa assinou um contrato com Fred afirmando que não contestaria a validade da multa.

De sua parte, o Atlético-MG aposta em uma investigação disciplinar pela CBF contra o Cruzeiro por supostamente recorrer à Justiça comum no caso da multa de Fred. Houve uma ação movida por credor do Atlético-MG para que a multa fosse paga na Justiça comum e fosse bloqueada. No entendimento de dirigentes do Galo, isso configura um desrespeito às normas da CNRD.

Desta forma, dirigentes do clube alvinegro fizeram um pedido para a câmara para que fosse aberta uma investigação disciplinar sobre o Cruzeiro. Na versão atleticana, essa reivindicação foi aceita e a CBF analisará o caso para depois, se entender pertinente, encaminhá-lo à Justiça Desportiva. Cruzeirenses negam qualquer participação na ação na Justiça comum.

Outra posição do Atlético-MG é a de que não pagará os R$ 2 milhões devidos a Fred acertados na rescisão judicial até que a questão da multa seja decidida. Isso porque, no entendimento do Galo, a Câmara decidiu que esse dinheiro deveria ser compensado, o que é contestado pelo estafe do jogador. Os atleticanos não querem os cruzeirenses na disputa na Câmara na CBF, mantendo o processo contra Fred.

No final das contas, como previsto, a disputa em relação à validade da multa deve se dar principalmente entre os dois clubes.

 


Martín Silva redime Vasco de sua imaturidade na Libertadores
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O Vasco entrou em campo em Sucre como se estivesse disputando uma partida da primeira fase do Estadual, meio com a cabeça no ar. Do outro lado, o Jorge Wilstermann entendeu que em Libertadores não faltam episódios improváveis. Assim que uma goleada no primeiro jogo se transformou em uma vaga ganha apenas na disputa dos pênaltis.

Com menos de 7min, o jogo já estava 2 x 0 para os bolivianos. Dois gols de pura imaturidade, de desatenção. O gordinho Zenteno abriu o placar em um clássico cruzamento na primeira trave: ninguém o vigiou. Mal saiu a bola e já estava com o Jorge Wilsterman para novo cruzamento… e novo gol.

O jogo boliviano era todo pela esquerda de seu ataque, direita da defesa vascaína, centrado no brasileiro Serginho. A marcação de Pikachú sobre ele era frouxa. Com espaço, Serginho podia cortar para seu pé direito e lançar na área vascaína, onde os zagueiros Paulão e Ricardo não achavam a bola.

Outra diferença para o primeiro jogo foi a presença de Chávez, argentino que sabe jogar bola e só entrou no final da primeira partida. Foi dele o terceiro que deixava o jogo a um gol dos pênaltis.

Findo o primeiro tempo, o Vasco mal tinha trocado passes, não tinha ganho divididas, mal conseguia espanar bolas para o alto. Limitava-se a olhar atônito enquanto os bolivianos jogavam. Havia um efeito da altitude, mas era pequeno diante do quadro geral. Só no tempo de bola.

Após o intervalo, é verdade que o Vasco ao menos voltou mais calmo e atuando como um time de futebol na Libertadores. Jogou mal a segunda etapa, mas pelo menos jogou. Mais cansado, o Jorge Wilstermann não repetia a pressão, mas seguia perigoso pelo alto. E foi mais uma vez por ali que Zenteno marcou para se candidatar a carrasco do time carioca.

Foi lucro levar para os pênaltis porque Alex Pirulito desperdiçou o que seria o quinto gol boliviano quase no final da partida. Houve um pênalti não marcado sobre Rildo no tempo regular, não marcado pelo árbitro Wilmar Roldán. Não era uma marcação tão fácil por ser na linha, mas foi um erro capital.

Só a interferência de Martín Silva salvou os vascaínos. Pegou três pênaltis, e ainda viu seus companheiros perderem dois deles. A cobrança decisiva foi de Alex Pirulito, de novo, nas mãos de Martín Silva.

Ao final, Pikachú, um dos que mais errou no jogo, disse ''Glória a Deus'' pela a classificação. Estava errado. Glória a Martín Silva que redimiu seus companheiros de uma quantidade de falhas inacreditável e o Vasco de um vexame.

 


Por que o Grêmio esqueceu a briga e negocia Arthur para o Barça
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Em dezembro de 2017, dirigentes do Grêmio declaravam que o volante Arthur não sairia para o Barcelona a não ser que fosse paga a multa integral de seu contrato, no total de € 50 milhões. Estavam indignados com uma foto sua com a camisa do clube espanhol. Um mês e meio depois, o clube deixou praticamente acertada a negociação do jogador com o time catalão.

Há vários fatores que levaram a essa mudança de postura. Aumento de valores, condições contratuais favoráveis e necessidade de o clube ter caixa para reduzir sua dívida com a maior transferência em sua história. ''Negócio é negócio. Não ia adiantar a gente ficar emburrado se as condições eram melhores. A gente mostrou indignação na época pelo que aconteceu'', explica o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Para fechar o negócio, falta apenas acertar detalhes sobre prazo de pagamento e os bônus a que o Grêmio terá direito depois que Arthur se transferir. Veja o que mudou de 2017 para 2018.

Valor subiu

O Barcelona tinha uma ideia inicial de pagar um valor em torno de € 20 milhões por Arthur. O Grêmio não divulga o montante atual, mas esse supera € 30 milhões e pode chegar a € 40 milhões. O valor básico já está acertado, faltando apenas um acordo sobre os bônus que pode aumentar a negociação.

A foto de Arthur com a camisa barcelonista influenciou nesse crescimento, já que o time espanhol percebeu que teria de se esforçar para superar uma rusga. Houve ainda um pedido de desculpas ao Grêmio.

Permanência durante 2018

O Grêmio conseguiu que Arthur fique no clube até janeiro de 2019, garantindo mais uma temporada com o o seu volante. Essa concessão do Barcelona aumentou a boa vontade dos cartolas gremistas, pois outros interessados europeus não acenavam com essa possibilidade.

Vontade do jogador

Desde o início, Arthur se voltou para o Barcelona, tendo dado prioridade à negociação com o clube. Tanto que seus salários já estavam acertados com o time espanhol antes da negociação com o Grêmio. Ele e seus representantes conversavam com dirigentes barcelonistas desde o meio do ano passado. Com isso, o time espanhol ficou à frente da concorrência de outros grandes europeus.

Redução do custo da dívida do Grêmio

Arthur se tornará a maior negociação do Grêmio, superando Pedro Rocha que se transferiu no ano passado. O valor será usado primordialmente para reduzir encargos financeiros do clube gremista. Assim, o clube terá uma facilidade na gestão de seu dinheiro, liberando mais dinheiro para investir no futebol.

Desde o início da sua gestão, Romildo Bolzan Jr tem dado bastante atenção a transformar a gestão do Grêmio para garantir a manutenção do clube de forma saudável no futuro. Haverá, sim, uma parte do dinheiro de Arthur que será destinado a contratações. Mas será minoritária dentro do total.


Conmebol acaba com poder de TVs sobre tabela para Libertadores-2019
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A Conmebol finaliza o modelo de licitação dos direitos de transmissão da Libertadores-2019 a ser lançado até o final de fevereiro ou início de março. E já foi incluído no texto que as redes de televisão não terão mais poder sobre a tabela com a entidade determinando o cronograma de jogos sozinha. Isso muda radicalmente o formato atual em que as emissoras escolhem jogos e times para determinados horários, priorizando equipes que dão mais audiência como Flamengo e Corinthians.

Como noticiou o blog, a Conmebol já tinha comunicado às emissoras que queria mudar a relação entre partes na nova venda dos direitos da Libertadores em alguns pontos. A informação causou contrariedade na Globo. Mas, mesmo assim, a confederação sul-americana decidiu incluir o novo modelo na licitação.

Pela fórmula escolhida, a Conmebol dividiu em quatro pacotes diferentes os direitos da Libertadores para o Brasil, principal mercado. Um será o de TV Aberta com direito a um jogo por rodada. Haverá dois pacotes de TV Fechada, um com direito a jogos melhores, e outro a segunda escolha de partidas. Por fim, haverá a opção de comprar um pacote isolado que inclui todos os jogos de quinta-feira para todas as plataformas.

Em nenhum dos modelos, as redes de televisão terão garantias de quais times atuarão na partida a que terão direito. As emissoras terão, sim, o direito de saber que poderão contar com as equipes mais atrativas sob o ponto de vista de audiência em algumas rodadas. Mas isso não ocorrerá em todos os jogos como atualmente.

Ou seja, a Globo não poderá passar os seis jogos do Flamengo ou do Corinthians na primeira fase em TV Aberta como faz atualmente. Na Argentina, quem levar o pacote mais generoso também não terá como apenas transmitir partidas de Boca Juniors e River Plate em todas as rodadas. Terá de haver um rodízio e será a Conmebol quem definirá quem fica com qual jogo.

No modelo atual, após o sorteio da Libertadores, diretores da Conmebol se reúnem com as principais televisões para fazer a tabela em conjunto. É assim também com o Brasileiro em que a CBF atende as demandas da Globo. A partir de 2019, a Conmebol que realizará a tabela sozinha.

Isso não significa que não haverá adaptações para as televisões. Os horários e distribuições de jogos estão sendo feitos para que sejam atrativos para as emissoras. A intenção da Conmebol de adiantar o início dos jogos da noite para 21h30 não está certa. Até o final da semana passada, a entidade ainda não tinha definido os horários padrões das partidas, que tem como objetivo criar uma marca fixa.

Há ainda uma intenção de expandir a transmissão da Libertadores em TV Aberta em vários países para além do Brasil. Isso porque, em boa parte das nações sul-americanas, as redes abertas não têm direitos da competição. O objetivo da Conmebol é popularizar a Libertadores nestes países mesmo que receba pouco pelos direitos nesses casos.

Uma outra novidade na licitação é que haverá uma inserção comercial de um dos patrocinadores da Libertadores obrigatória na TV. Não será uma imposição grande e por muito tempo como ocorre com a Liga dos Campeões. Será mais curto para não afetar as emissoras.

A expectativa da Conmebol é lançar a licitação da Libertadores até o final de fevereiro, no máximo início de março. Posteriormente, vai preparar uma disputa pelos direitos da Copa Sul-Americana. A IMG e a Perform, agências de marketing esportivo, garantiram uma renda mínima de US$ 350 milhões pelos direitos das duas competições. A partir daí, os ganhos serão divididos entre Conmebol e as empresas.


Ba-Vi escancara a era da intolerância no futebol brasileiro
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Não tem nem dez dias que Vinicius Jr provocou uma desavença (já resolvida) entre Flamengo e Botafogo por causa de uma comemoração provocativa de gol. Neste domingo, o Ba-Vi acabou em soco na cara após um festejo de tento com dança de mais um Vinícius, o do Bahia.

Conclusão: quem faz gol, festa ou piada no futebol brasileiro já corre o risco de apanhar. O resultado de uma era de intolerância que se instalou nos campos nacionais a ponto de qualquer fagulha se transformar em um incêndio. E por que? O que mudou em relação a um futebol que até a década de 90 sabia rir de si mesmo e no qual esse tipo de episódio era mais raro?

Primeiro, nem cabe muito discutir o mérito das provocações. Obviamente que um torcedor ou jogador que é zoado não vai gostar. Mas, no limite, se não houve racismo, preconceito ou ofensa pesada com xingamento, há direito à livre expressão no país, e à brincadeira.

Daí é preciso ter maturidade para entender que um dia você brinca e, no outro, brincam contigo. Como você aprende de criança no play. Se isso já tem que valer na arquibancada, imagine para jogadores profissionais. Mas o que mais falta no futebol nacional é maturidade. Vejamos o caso do Ba-Vi.

Vinícius faz o festejo provocativo e o goleiro Fernando Miguel imediatamente pega no seu cangote. O que queria ali? Poderia ter argumentado, reclamado que seja, meio inútil, mas direito dele. Agora a atitude já é agressiva. Em seguida, o zagueiro Kanu, do Vitória, dá dois socos na cara de Vinícius, mais dois outros atletas do rubro-negro deferem socos nele que está seguro pelo goleiro. Parece covardia  e é.

Após a briga, o técnico Vagner Mancini dá uma instrução a Ramon e, pouco depois, Bruno Bispo força a expulsão com um chute na bola. Em entrevista, Mancini diz não ter passado nenhuma orientação sobre o vermelho, provavelmente achando que todos somos tolos. Mais: culpa Vinícius por ter iniciado a confusão, sem nenhuma repreensão a seus jogadores que deram socos na cara do atleta do Bahia.

As duas cenas são reflexo de uma mesma moeda. Um futebol em que a vitória tem que ser obtida a qualquer custo, sem limite para artimanhas ou para a violência. E, se perder, põe a culpa no juiz, tenta parar o jogo, sai na mão ou vai para a Justiça Desportiva para tentar mudar o resultado independente do mérito da questão.

E a brincadeira? Essa é desnecessária e motivo da briga, como vi alguns comentaristas defenderem. Vale o argumento: ''Oh, eu te dei um soco na cara, mas foi você que me provocou.'' Ou, então, jogadores e clubes têm que pedir desculpa pela piada como queria a diretoria do Botafogo no meio da semana em relação ao Flamengo.

Por essa lógica, teríamos de fazer uma reunião com os principais clubes para revisar cem anos de provocações mútuas, e todos os dirigentes irão com uma lista imensa: ''Aquela do gol de barriga, foi mal viu'', ''E aquelas embaixadas do Capetinha, ele não teve intenção'', ''Aquela reboladinha do Edmundo foi uma reação de momento, releve''. E por aí vai.

É preciso lembrar que, na década de 90, havia violência na arquibancada, mas os jogadores levavam muito menos a sério as provocações dentro de campo. Sim, houve brigas como no Corinthians e Palmeiras (de Edilson). Mas, no geral, a provocação era aceita desde que não fosse para humilhar o que não foi o caso dessas duas recentes. Atletas como Túlio e Renato Gaúcho passavam a semana inteira tirando sarro e, na maioria dos casos, isso era tolerado.

Estamos transformando um futebol que era motivo de alegria em meio a um país violento em mais um sintoma da intolerância reinante por aqui. Já tinha começado com a torcida única, agora é a repressão às comemorações provocativas, no futuro, teremos bares separados para torcedores de times diferentes.

É preciso que CBF, federações estaduais e Justiça Desportiva prestem atenção a esses sinais e pensem que tipo de futebol querem no país. Por que se um jogador que provoca e outro que lhe dá um soco na cara merecem a mesma punição (o cartão vermelho) há algo de errado aí.


Como decisão da Justiça sobre Mancini tornou mais barato demitir técnico
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Uma decisão da Justiça trabalhista nesta semana tornou mais barato para os clubes brasileiros demitirem técnicos antes do final do contrato. A disputa se deu entre o técnico Vagner Mancini e o Náutico e gira em torno da multa para dispensa do treinador. Ficou definido pelo TST (Tribunal Superior de Trabalho) que os treinadores só tem direito a uma indenização, e não duas como antes, ao saírem do clube.

Contando o caso desde o início, Mancini foi demitido pelo Náutico em abril de 2013. Entrou com ação contra o clube na Justiça trabalhista para reivindicar direitos não pagos. Entre seus pedidos, estava o pagamento de cláusula penal e multa rescisória trabalhista por rompimento de seu contrato.

Pelos dados do processo, o contrato previa R$ 240 mil de pagamento para a parte que rompesse o contrato. No caso, foi o Náutico, embora o clube diga que foi de comum acordo. De qualquer forma, o treinador reivindicou além desse valor, outra multa prevista na CLT no artigo 479 que daria um valor em torno de R$ 70 mil. É um pedido comum de técnicos após demissões.

A Justiça trabalhista em primeira instância não lhe deu razão. A segunda instância, no entanto, lhe concedeu o direito as duas multas. Por fim, o caso chegou ao TST.

Em sua decisão, o relator do tribunal superior José Roberto Pimenta afirmou que houve uma alteração na Lei Pelé em 2011, justamente nos artigos sobre rescisão. Com isso, ficou vedado, pelo artigo 28, que os jogadores e treinadores recebessem também a multa rescisória trabalhista, além do valor por rompimento. Ganhariam o que fosse mais vantajoso. Por isso, negou o pedido de Mancini.

''Desse modo, sendo incontroverso que a rescisão contratual ocorreu em abril de 2013, após a vigência da Lei n° 12.395/2011, conclui-se que o reclamante não faz jus cumulativamente às indenizações, mas tão somente à cláusula compensatória contratual, nos termos da nova redação do artigo 28, inciso V e § 10, da Lei 9.615/98'', afirmou sua decisão. Foi aceita a argumentação por unanimidade na turma do TST e publicada nesta semana.

Assim, como a decisão foi de tribunal superior, deve-se se consolidar uma jurisprudência e os clubes terão de pagar apenas uma multa no caso de rescisão de contratos com os treinadores. Mas o advogado de Mancini, João Chiminazzo, informou que vai recorrer da decisão que considera equivocada:

''A fundamentação usada pelo Ministro do TST está equivocada. Para não aplicar a CLT ao caso, o Ministro utilizou o que diz o artigo 28, parágrafo 10, da Lei Pelé. Todavia, esse artigo trata única e exclusivamente do Contrato Especial de Trabalho Desportivo, que versa sobre a relação atleta/clube, não podendo ser estendida ao treinador. Portanto, a fundamentação esta patentemente equivocada e que será objeto do competente recurso'', disse o advogado por meio de nota.


Fla e Bota vão analisar acordo maior por Engenhão por necessidade dos dois
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Após a desavença pela provocação de Vinicius Jr, Botafogo e Flamengo se acertaram para o uso do Estádio Nilton Santos para a estreia da Libertadores por conta das necessidades de ambos. O clube alvinegro tenta resolver uma operação para aumentar receitas do estádio, e o time rubro-negro não tem onde jogar até por conta do problema de queda de torres na Ilha do Urubu.

A reunião entre as partes ocorreu na sexta-feira para um entendimento. Ficou acertado o uso para a partida contra o River Plate, e de uma partida contra o Madureira, pelo Estadual. Mas está reaberta a possibilidade de um acordo mais longo para jogos rubro-negros no estádio.

Do lado do Flamengo, ainda não há uma previsão de quando o clube terá a Ilha do Urubu recuperada após o acidente com chuva na quarta-feira. O Maracanã tem sido usado para shows. Na Libertadores, o clube pode até voltar ao Maracanã, mas em jogos de pequeno e médio porte pode usar o Engenhão se houver acordo.

De qualquer maneira, mesmo com o Maracanã disponível, o time passa a ter uma alternativa às altas taxas cobradas pela Odebrecht. Questionado sobre o assunto, o presidente Eduardo Bandeira de Mello disse: ''Acho que é bom para os dois.''

Do lado do Botafogo, o Engenhão teve uma operação deficitária em 2017 e buscava mais receitas para completar o orçamento do clube. Entre essas, estava a procura de naming rights e eventos fora do futebol. E agora pode cobrar aluguéis de Flamengo e Fluminense.

''No orçamento de 2018, há previsão de gerar novas receitas de estádio. O quadro da vice-presidência de Administração de estádio é deficitário'', contou o vice-presidente de Finanças do Botafogo, Luiz Felipe Novis, antes do acordo com o Flamengo.

No documento contábil até outubro de 2017, sem considerar o efeito contábil, o déficit seria de R$ 6,3 milhões na vice-presidência de futebol. Isso não significa que o Engenhão dá prejuízo para o Botafogo. Para analisar todo o quadro, tem que se levar em conta que o clube arrecada bilheteria e sócio-torcedor

''Se for contabilizar bilheteria e programa sócio-torcedor, no total, o estádio é superavitário'', contou Novis. Mas, em 2018, o Botafogo está fora da Copa do Brasil e da Libertadores, que renderam bom dinheiro em 2017.

Pesou na reaproximação a participação de executivos da parte dos dois clubes. Pelo Botafogo, Luis Felipe Santos e, pelo Flamengo, Fred Luz. São eles que vão tentar um acordo comercial para uso futuro do estádio. Isso, óbvio, depende também do comportamento de torcedores rubro-negros no estádio rival, e da relação das duas diretorias.

 


Juíza recusou dar arena à Caixa e preferiu penhorar rendas do Corinthians
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Em sua decisão sobre a Arena Corinthians, a juíza da 3a Vara Federal do Rio Grande do Sul, Maria Isabel Pezzi Klein, rejeitou que a Caixa assumisse o controle do estádio, preferindo executar penhoras e bloqueios sobre Corinthians e Odebrecht para pagar a dívida. Essa decisão ocorreu porque, assim, a magistrada entende que é a forma mais fácil de devolução do dinheiro à Caixa Econômica Federal. O clube recorrerá da decisão.

Lembremos primeiro o formato do empréstimo dado pelo BNDES à Arena Corinthians. A Caixa Econômica atuou como repassadora do dinheiro à empresa Arena Itaquera, dona do estádio. Assim, o banco assumiu o risco. Na outra ponta, Corinthians e Odebrecht eram os beneficiários do dinheiro como responsáveis pelo projeto e apresentavam garantias.

Primeiro, a juíza explicou que havia inadimplência nos pagamentos relacionados à Arena por parte da empresa, e no final da linha do Corinthians. Isso porque o clube parou de pagar as parcelas como previsto no acordo inicial, renegociando um acordo com a Caixa para pagar só parcialmente. Além disso, deixou de cumprir itens como obtenção de receitas e índices para medição da dívida previstos no contrato:

''Ao final da instrução, quando os documentos revelaram, com mais clareza, o esboço da contratação, ora questionada, os requeridos (Caixa, Corinthians e Odebrecht), que sempre afirmaram a completa regularidade do mencionado contrato de financiamento, (…) deram explicações mais consistentes sobre a situação atual da dívida. Na realidade, eles acabaram confirmando a situação de inadimplemento contratual, ainda que culpando a crise econômica e noticiando as tratativas de renegociação (…)'', diz um trecho da sentença.

Em seguida, a juíza Maria Isabel argumenta que há a necessidade de resolver essa questão e garantir a devolução dos recursos públicos. No total, com data de maio de 2017, havia uma dívida de R$ 475 milhões com a Caixa. Atualizado, esse valor vai variar para cima e para baixo, pois houve acréscimo de juros, mas o clube pagou algumas parcelas a partir de outubro.

Ao tratar de como a Caixa deveria agir para receber o dinheiro, a juíza rejeitou que o banco executasse as garantias que lhe dariam o controle da administração da Arena Corinthians:

''Não menos surpreendente é a afirmação de que, caso se torne inviável uma renegociação do passivo, a CEF (Caixa) poderá consolidar a propriedade fiduciária das ações da SPE Arena Itaquera S.A. e das Quotas do Fundo de Investimento, passando, ela mesma, a administrar o estádio de futebol'', disse a juíza.

''Tal hipótese, na realidade, corresponde a uma proposta de assunção, pela CEF, de uma imensa dívida impaga, acrescida da responsabilidade de devolver ao BNDES todo o valor emprestado, ficando com o prejuízo. Dizer que ela poderá, se quiser, administrar o próprio clube de futebol e, desse modo, reaver as importâncias despendidas, corresponde a um argumento totalmente dissociado da realidade jurídica que rege a ação da CEF, especialmente, quando ela executa comandos do Governo Federal'', argumentou a magistrada na sentença.

Alegou, em seguida, que não há previsão no estatuto da Caixa de que ela atue como gestora de um clube de futebol. E acrescentou que o Corinthians seria beneficiado com a ''mais valia econômica com a agregação, ao seu patrimônio, de um bem imóvel cuja construção foi, em parte, financiada por dinheiro público.''

Para que o dinheiro seja pago, portanto, a juíza determinou que fosse cumprido o contrato por meio da execução prevista na cláusula que considera vencida a dívida na sua integralidade. ''Não há, por conseguinte, hipótese outra que não a imediata reposição patrimonial da CEF, tornando-se inviável qualquer tentativa de alargar as possibilidades de se dar continuidade à avença, pelas vias de novas repactuações, como defendem os requeridos'', escreveu a magistrada.

Assim, para quitar toda a dívida vencida, a juíza determinou ''a aplicação dos atos de constrições patrimoniais que se fizerem necessários à satisfação do débito'' em relação ao Corinthians, a Odebrecht, o ex-presidente da Caixa e a empresa Arena Itaquera. Isso significa penhora das contas e rendas desses quatro devedores até se completar R$ 475 milhões.

Se todas as contas da Odebrecht forem bloqueadas e completarem o valor, não haverá necessidade de mais bloqueio. Mas, ao mesmo tempo, a empresa pode requisitar que a penhora seja dividida com o clube. Ou pode ocorrer o contrário e a penhora incidir primeiro sobre o Corinthians.

O clube e a construtora vão recorrer e pode pedir a suspensão da execução. Até porque a ordem já é válida agora a partir da intimação mesmo com uma decisão em primeira instância. E os réus podem ter de apresentar penhoras para poder recorrer da ação. O blog tentou contato com o departamento jurídico do clube, mas não obteve sucesso. Veja abaixo as posições do Corinthians e da Odebrecht em que defendem a regularidade do financiamento para construção do estádio:

''O Sport Club Corinthians Paulista reafirma a lisura e a regularidade jurídica do processo de financiamento efetuado para a construção da Arena Corinthians. Entre as diversas provas presentes nos autos, destaca-se que o próprio banco repassador, Caixa Econômica Federal, e o Tribunal de Contas da União se manifestaram pela regularidade do repasse, apresentando pareceres consistentes e inequívocos. Sendo assim, o Corinthians informa que fará uso dos recursos judiciais cabíveis para reverter a decisão de primeira instância''

''A Construtora Norberto Odebrecht S/A lamenta a informação, pois ficou demonstrado nos autos do processo a plena legalidade do processo de financiamento para a construção da Arena Corinthians, em São Paulo, por meio do programa Pró Copa Arenas. A Odebrecht, que é parte na ação popular, apresentará os devidos recursos nas instâncias superiores após a intimação formal e ciência da íntegra da decisão.''


Conmebol fiscaliza bandeiras que atrapalhem patrocinadores na Libertadores
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A Conmebol decidiu apertar a fiscalização sobre bandeiras e marcas de clubes que atrapalhem os patrocinadores da Libertadores. Esse item foi incluído no regulamento da Libertadores e antes era previsto apenas em um manual de direitos. Isso afeta tanto adereços de torcedores quanto parceiros de clubes nos estádios.

As regras não chegam a ser novas, mas a confederação sul-americana decidiu levá-las mais a sério nesta edição da Libertadores-2018. O objetivo é justamente aumentar o valor dos patrocínios ligados à competição. Por isso, houve instruções especiais ao departamento de competições para ser cuidadoso no pente-fino nos estádios.

Pelo artigo 193 do regulamento da Libertadores, todos os clubes têm obrigação de deixar os campos limpos e tampar todas as marcas dentro do estádio, incluindo símbolos dos próprios clubes. É exigência para os times, mas, se estes não cumprirem, a própria entidade pode executar e cobrar deles pelo serviço.

No artigo 194, fica estabelecido que bandeiras e faixas de torcedores também não podem atrapalhar a exposição dos patrocinadores. Isso é particularmente preocupante em relação a estádios argentinos onde há os trapos de torcedores que espalham-se por todo o estádio.

''A Conmebol tem o dever de preservar a exposição de seus patrocinadores e para isso devemos tomar todas as medidas que forem necessárias. Isso é absolutamente normal, afinal de contas são os patrocinadores que investem na competição e o dinheiro é revertido aos participantes (clubes)'', explicou o diretor de competições da Libertadores, Frederico Nantes, que é o responsável por aplicar as normas.

Houve, no entanto, uma flexibilização da parte da Conmebol. Marcas de patrocinadores externos ao estádio poderão ser mantidas e exibidas sem serem tampadas. É o caso, por exemplo, do nome Allianz Parque no estádio do Palmeiras que fica externamente. Foi uma concessão da confederação para atender os times.

Outra flexibilidade da Conmebol é em relação a eventos de patrocinadores de clubes no dia do jogo. Pelo regulamento, isso não está permitido na parte interna do estádio. Mas os times podem levar às demandas à Conmebol que analisará o que é possível fazer dentro das regras. O Grêmio, por exemplo, fez um pedido para atender um parceiro na final da Recopa Sul-Americana.

As mudanças nos regulamentos e novos procedimentos foram discutidos no Conselho da Conmebol que reúne as dez confederações dos países participantes. Depois, foram comunicadas aos clubes que, no sorteio, saíram da sede da entidade com todos os regulamentos e manuais para as competições. Descumprimentos podem levar a multas.

O modelo segue a fórmula da Liga dos Campeões, competição que melhor explora as fontes de marketing no mundo. Mas há adaptações porque o entendimento da Conmebol é de que o ambiente sul-americano é diferente do europeu.