Blog do Rodrigo Mattos

Nunca foi tão fácil se classificar para a Libertadores no Brasil
Comentários 10

rodrigomattos

O Brasileiro deve ter a vaga na Libertadores mais fácil na história pela tabela atual da competição. Isso se deve ao alto número de vagas dado pela Conmebol ao Brasil e à pontuação baixa das equipes que brigam por um lugar na competição. E essa facilidade pode se tornar ainda maior dependendo dos resultados de Grêmio e Flamengo nos campeonatos sul-americanos.

Ao final do ano passado, a Conmebol decidiu dar duas vagas extras para times brasileiros na Libertadores, somando-se assim seis vagas fixas pelo Nacional e uma pela Copa do Brasil. Isso já valeu na edição 2016. Pela atual tabela de 2017, com o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil no grupo da frente, há um G7 que classifica até o sétimo do Brasileiro à Libertadores.

Pois bem, quem ocupa a sétima posição é o Botafogo com 52 pontos. No ano passado, na mesma 36a rodada, o último classificado para a Libertadores, na fase pré, era o mesmo Botafogo com 55 pontos, que então ocupava a sexta colocação. Lembre-se que o Grêmio, então campeão da Copa do Brasil, não estava no grupo da frente.

Ao final, o Atlético-PR ocupou a última vaga na pré-Libertadores em 2016 ao ficar com 57 pontos na sexta posição. É bem improvável que o derradeiro classificado à principal competição sul-americana atinja esse patamar no atual Brasileiro.

Até porque ainda há a possiblidade de títulos de Grêmio (Libertadores) e Flamengo (Sul-Americana). No caso de triunfo duplo, haveria vaga até para o Vasco na pré-Libertadores, já que o time ocupa a nona posição. Com 50 pontos, o time alvinegro carioca sequer tem 50% dos pontos conquistados. Aliás, abaixo do quinto colocado Cruzeiro, as outras equipes não atingiram esse patamar.

Para se ter ideia da diferença, até 2015, nenhum clube tinha conseguido chegar à principal competição sul-americana com menos de 60 pontos. Até então só havia G4. Considerada a 36 rodada, a equipe teria de ter pelo menos 56 pontos para almejar uma vaga, muito acima dos times que brigam atualmente na Libertadores.


Fla deve reduzir gasto com contratações para 2018, e apelar a substituições
Comentários 6

rodrigomattos

Após um ano de alto investimento com resultados ruins, o Flamengo deve ter uma redução no gasto com contratações para 2018. Ainda não há uma certeza porque os números não estão fechados, nem o orçamento foi levado para votação no Conselho de Administração. Mas esse é o indicativo nas discussões no clubes.

Em 2017, o Flamengo teve o segundo maior investimento em contratações atrás apenas do Palmeiras. Gastou R$ 38 milhões só em atletas do exterior. Mas há ainda valores relacionados a luvas por atletas, o que aumenta a conta.

O balancete registra R$ 74,7 milhões em pagamentos a serem feitos por direitos econômicos, luvas e direitos de imagem de jogadores nos próximos anos, algumas contratações de anos anteriores e outras de 2017. No início de 2018, o clube tem que pagar ao Doyen por Marcelo Cirino, jogador que nem está mais no clube.

Neste cenário, a diretoria entende que não dá para repetir os gastos até porque vê uma base de time montada. Haverá um valor disponível para contratações, mas não no volume visto neste ano. Ainda não está definido um valor.

Dentro da diretoria, há, sim, pedidos por reformulação do elenco. Mas, neste caso, teriam de ser negociados jogadores que estão no elenco para fazer caixa para a chegada de outros. O compromisso é de que, se houver renda das negociações, esse dinheiro seria reinvestido em contratações.

A folha salarial deve ter um aumento dentro do previsto de inflação. De novo, com a saída de atletas, abre-se espaço para outros. Jogadores como Conca e Mancuello já estão descartados e vão sair. Há outros em avaliação.

A proposta orçamentária será apresentada em breve pelo departamento de finanças. A partir daí, o Conselho de Administração vai votar. É possível que o conselho exija mais recursos para o futebol e com isso reverta a tendência atual.


Corinthians aumenta títulos em período de boom de receitas no futebol
Comentários 27

rodrigomattos

O período de domínio do Corinthians coincide com o boom de receitas do futebol brasileiro. O clube ganhou seis Brasileiros, uma Libertadores e dois Mundiais nos últimos 20 anos. Foi justamente em 1997, há 21 anos, que os times brasileiros assinam o primeiro grande contrato de televisão e que crescem os investimentos de parceiros externos.

Durante esses 20 anos, o Corinthians foi em boa parte dos anos o clube mais rico ou aquele que tinha a maior quantidade de dinheiro para contratações. Talvez, 2017, seja o único título em que o Corinthians não tinha o maior volume de dinheiro em relação aos rivais, ainda assim, estava entre os mais ricos.

Naquele longínquio 1997, o Clube dos 13 assinava um contrato de três anos com a Globo para o televisionamento do Brasileiro. Em valores atualizados, eram R$ 250 milhões. A partir daí, cinco times, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, São Paulo e Vasco tinham cotas superiores aos demais, e a receita de TV passava a ser a principal em relação às outras.

Ao mesmo tempo, o Corinthians passou a ter parceiros. Primeiro, o Banco Excel e depois a Hicks Muse. Ambos proporcionaram ao clube a chance de montar o melhor time destes 20 anos, com elenco estrelado de Luizão, Rincón, entre outros. O time foi bicampeão nacional, além do Mundial de 2000. Outros times tiveram parcerias como o Flamengo e Grêmio (ISL), mas não souberam aproveitar os recursos para ganhar títulos significativos.

Sem a parceria, o Corinthians não era o clube mais rico do Brasil. Era o São Paulo que ocupava esse posto em 2003. O time de Parque São Jorge tinha uma receita de R$ 119 milhões (em valores atualizados pela inflação à época). E seguiu assim nos anos seguintes, abaixo do rival que era impulsionado por vendas de atletas e pelo Morumbi.

Com a chegada da MSI, o Corinthians voltou a ser o clube com maior investimento no Brasil. Se olharmos pra o dinheiro em caixa, o São Paulo era mais rico. Mas a MSI colocou valores que superavam muito os disponíveis para o rival. E a agremiação do Parque São Jorge foi campeã do Brasileiro em 2005. Era o campeonato de pontos corridos que favorece os times mais fortes, reduzindo surpresas.

A crise financeira e política resultante dos problemas com a MSI levou ao rebaixamento em 2007. As receitas de televisão, no entanto, continuavam a subir, atingindo R$ 405 milhões por ano no contrato da Globo de 2008. Em 2011, o ex-presidente Andrés Sanchez liderou a implosão do Clube dos 13, o que resultou em deixar Flamengo e Corinthians isolados em patamar mais alto de TV. Aliado a isso, conseguiu aumentos de receitas de marketing com contratos de publicidade.

Por conta desses movimentos, o Corinthians já se tornara o clube com maior faturamento do país em 2009 e se consolidou nesta posição até 2012. Ganhou um título brasileiro, a Libertadores, e o Mundial de Clubes.  Perdeu o posto para o São Paulo apenas por conta da venda de Lucas em 2013.

Só a partir de 2014 que as finanças do clube começaram a ser abaladas pela construção da Arena Corinthians e por dívidas por conta gastos excessivos no futebol. O clube manteve o investimento em alta, o que possibilitou a montagem de um bom time para ser campeão brasileiro em 2015. Em 2016, o Corinthians continua a ter receitas altas, com R$ 485 milhões em 2016, atrás apenas do Flamengo e junto do Palmeiras. Isso representa o quádruplo do valor de 2003 em crescimento real acima da inflação.

Só que, em paralelo, ocorreu também um aumento significativo das dívidas do clube. Em 2003, o Corinthians tinha o menor débito entre os 12 grandes do Brasil, e atualmente tem o maior se consideramos a Arena Corinthians. Neste ano, de novo, operou em prejuízo o primeiro semestre para poder montar o time campeão. Pode ser que recupere-se até o final do ano com as rendas do título.

O boom de receitas no futebol brasileiro não é, obviamente, a única explicação para o crescimento de títulos corintianos. Pelo menos desde 2009, com Mano Menezes, o clube implantou método de trabalho sólido no departamento de futebol, mesmo com a troca de técnicos. Há uma linha, um tipo de jogo.

É por isso também que o clube aproveitou melhor o boom de receitas do que clubes como o Flamengo. No caso rubro-negro, a década passada foi afetada pelo endividamento resultado das loucuras dos anos 90. Só nos últimos anos foi controlado, mas não se transformou em resultado esportivo. O São Paulo, outro time com maior volume de receitas, teve um período vitorioso até se envolver em crises políticas.

Em 2019, o contrato de televisão valerá R$ 1,1 bilhão, o dobro daquele de 10 anos antes. Somados aos pontos corridos, isso tende a aumentar a importância das receitas nos resultados, embora não sejam determinantes como se viu este ano. No caso corintiano, resta ver como o clube vai lidar com seus problemas financeiros para se manter vitorioso como nos últimos 20 anos.


Globo quer validade de contrato da Copa América sob suspeita de propina
Comentários 14

rodrigomattos

Com Jaime Cimino

A Globo defende como válido um contrato de direitos da Copa América do Brasil-2019 apesar de suspeitas sobre como esse foi obtido após depoimentos relatando propinas na Justiça dos EUA. O depoimento do ex-executivo da Torneos Alejandro Burzado indicou que esse acordo foi fruto de subornos. A Conmebol rompeu a maior parte dos contratos desta época há cerca de uma semana alegando irregularidades.

Em seu depoimento, Burzaco explicou a renegociação sobre os direitos de transmissão da Copa América ocorrida durante a Copa da África do Sul, em 2010. Havia uma disputa sobre o controle das próximas edições da competição entre a Traffic e a Full Play.

Foi alinhavado um acordo entre dirigentes sul-americanos e executivos com previsão de pagamento de US$ 15 milhões em propinas para os cartolas. Mas, para ser válido, dependia de aval dos dois mais poderosos na Conmebol, Julio Grondona (da AFA) e Ricardo Teixeira (da CBF). O argentino informou a Burzaco que Teixeira iria decidir as condições. E, segundo Burzaco, o então presidente da CBF impôs duas exigências:

''Um, neste momento a primeira edição com contrato da Full Play seria em 2015, e que no contrato de 2011 que existia e a edição de 2011 que ocorreria um ano depois da África do Sul, continuaria a incluir o contrato Conmebol Traffic, isto é, que a Traffic iria finalizar a edição de 2011. E a segunda condição era conseguir apoio da Globo e conseguir para a Globo um contrato de longo prazo para o território brasileiro dos direitos da Copa América'', afirmou o Burzaco.

Em seguida, ele relata que fechou um acordo, de fato, em que foi incluído um contato para a Torneos para direitos da Argentina, e outro para a Globo. ''Em outras palavras, as condições de obter os direitos para a Torneos para a Argentina e Globo para o Brasil foram preenchidas e os pagamentos de propina então começaram'', completou Burzaco, em depoimento. Ou seja, segundo seu relato, o contrato da Globo para Copa América foi obtido em um contexto de negociação de propina.

Na semana passada, a Conmebol anunciou o rompimento dos contratos da Copa América com a Datisa, empresa que tinha como sócios Torneos, Full Play e Traffic, e concentrara os direitos da competição. Sua intenção é fazer novamente a venda de todos os contratos de televisão. Mas, desde o primeiro semestre de 2017, a Globo apresentou um contrato próprio com a Conmebol pela Copa América que a entidade sequer tinha conhecimento. Não havia cópia na sede da confederação sul-americana.

Consultada, a Globo confirmou que tem um contrato em vigor em relação direta com a Conmebol.

''Sim, temos um contrato em vigor com a Conmebol para a Copa América-2019. O contrato foi assinado direto com a Conmebol, que depois repassou os direitos e obrigações para a Datisa, mas manteve-se solidária no cumprimento das obrigações perante a Globo. Não chegamos a assinar contrato com a Datisa. O nosso contrato com a Conmebol está válido e não temos conhecimento de qualquer propina'', afirmou Pedro Garcia, diretor de Negócios do Esporte do Grupo Globo, por meio da assessoria de imprensa.

 

 


Fifa vai pedir indenização se ficar provada propina de Globo por Copa
Comentários 29

rodrigomattos

A Fifa vai pedir indenização a responsáveis caso fique provado que houve pagamento de propina pela Globo para obtenção de contratos de direitos de televisão da Copa-2022 e 2030. Em corte de Justiça dos EUA, o ex-executivo da Torneo Y Competencias Alejandro Burzaco afirmou que a emissora brasileira pagou subornos ao ex-presidente da Fifa Julio Grondona para obter esses direitos. A Globo nega ter dado suborno a dirigentes.

O blog perguntou à Fifa o que seria feito em relação ao contrato da emissora brasileira pela Copa após a denúncia. Como tem feito neste processo, a federação internacional afirmou ser vítima de irregularidades denunciadas na corte de Nova York, como já reconhecido na própria Justiça. Em seguida, ressaltou que ainda espera o final do processo para tomar medidas.

''Como o Departamento de Justiça já reconheceu, a Fifa é vítima de alegadas irregularidades que estão sob questão no julgamento. A Fifa fortemente apoia e encoraja as autoridades norte-americanas pelos esforços de responsabilidade os indivíduos que abusaram das suas posições para corromper o futebol internacional para seu benefício próprio. No caso de o juri constatar que os acusados são culpados dos crimes que são acusados, a Fifa vai tomar medidas necessárias para procurar restituição e recuperar qualquer perda causada pelas suas más condutas'', afirmou a entidade em resposta ao blog.

Em relação à conduta do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, a Fifa não quis dar mais informações. O depoimento de Burzaco deu mais detalhes sobre supostas propinas recebidas pelo dirigente da confederação, reafirmando que ele sabia do esquema de subornos da Conmebol. Del Nero já enfrenta um processo disciplinar na Fifa desde o final de 2015, mas não houve conclusão.

Por meio da assessoria, o Comitê de Ética da Fifa afirmou que não comentará casos em curso.

Veja a nota da Globo sobre o tema:

''Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.''

 


Empresa de delator vendia Libertadores à Globo com 7 anos de antecedência
Comentários 16

rodrigomattos

A empresa controlada pelo executivo que acusou a Globo de pagar propina vendia os direitos da Libertadores à emissora com sete anos de antecedência, tanto que negociara a competição até 2022. Isso é incomum no mercado de direitos em que há valorização constante dos produtos. Os acordos foram rompidos após escândalos contrariando posição da Globo que queria mante-los.

Ex-executivo da Torneos Y Competencias Alejandro Burzaco é réu confesso no caso Fifa na Justiça dos EUA, após admitir ter pago propinas a dirigentes. Em depoimentos nesta terça-feira e quarta-feira, em Nova York, ele acusou a Globo de ter atuado juntamente com ele no pagamento de subornos a dirigentes sul-americanos.

Uma das empresas do grupo de Burzaco era a Torneos & Traffic Sports & Marketing BV, com sede na Holanda. Essa empresa tinha comprado os direitos da Libertadores da Conmebol por mais de dez anos. E mantinha uma relação desde 2004 com a Globo para quem revendia a competição sul-americana.

Em outubro de 2008, a Torneos & Traffic vendeu para a Globo os direitos da Libertadores dos anos de 2015 a 2018. Ou seja, a negociação aconteceu com sete anos de antecedência. Em seguida, em 2012, a T&T negociou novo contrato com a Globo, válido de 2019 a 2022. Assim, era uma transação, de novo, sete anos antes do primeiro campeonato.

Para efeito de comparação, a UEFA faz leilões pelos direitos da Champions League a cada três anos, em geral com um ou dois anos de antecedência. Estaduais também têm vendas de direitos um ou dois anos antes de se extinguir o acordo anterior. O Brasileiro teve sua renegociação de direitos no início de 2016 para acordos válidos a partir de 2019. Não há precedente de sete anos de antecipação, o que dificulta concorrência.

Além disso, o segundo contrato da Globo, previa um direito de preferência sobre a Libertadores que iria até 2026. Ou seja, a emissora teria chance de igualar ofertas de concorrentes e ficar com a competição até lá.

Outro privilégio do contrato é que previa que os jogos seriam marcos preferencialmente às 21h45, isto é, apôs a novela. Como já mostrado no blog, a emissora pagava um valor abaixo do mercado pela competição sul-americana.

Por isso, quando estourou o escândalo de corrupção na Conmebol, a Globo entrou na Justiça contra a Conmebol e a T & T para tentar manter seus contratos obtidos na gestão acusada de corrupção na entidade. Na ação, afirmou sobre a empresa de Burzaco: ''A relação entre as partes é de longuíssima data.''

Quem aparecia como representante da Globo no segundo contrato com a T & & era Marcelo de Campos Pinto. Burzaco apontou que Campos Pinto presenciou acerto de subornos com dirigentes brasileiros em reunião na Conmebol. A Globo negou, em seus noticiários, conhecimento de qualquer atuação do executivo neste sentido e de reunião para isso.

Em nota, a Globo negou as acusações de Burzaco. É preciso ressaltar que a empresa não figura entre as acusadas de pagar propina no processo da Fifa até agora. Aqui a nota da emissora:

''Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.''

 


Corinthians ganha 30% dos Brasileiros em 20 anos em domínio inédito
Comentários 4

rodrigomattos

Ao conquistar seu sétimo título, o Corinthians estabeleceu um domínio inédito na história do Brasileiro nos últimos vinte anos: ganhou seis títulos. Triunfou portanto em 30% das edições do Nacional neste período o que nunca tinha ocorrido anteriormente em um período tão longo.

Ressalte-se que aqui está se considerando o Brasileiro a partir de 1971 quando de fato era um campeonato com este nome. Essa competição é caracterizada pelo equilíbrio em que mesmo grandes times têm épocas de glórias seguidas de grande jejum. Após o Nacional de 2015, o blog já mostrava que o Corinthians era a equipe mais vitoriosa na última década no Brasil.

Para se ter ideia, só dois times além do alvinegro estabeleceram um número de títulos considerável em período curto. O Flamengo ganhou o Brasileiro cinco vezes de 1980 a 1992, isto é, em 13 anos. Já o São Paulo obteve cinco conquistas em 23 anos, de 1986 a 2008, garantindo um inédito tricampeonato.

O Corinthians esteve sem Nacional por 20 anos até ganhar sua primeira edição em 1990. Mas foi, a partir de de 1998, que o time passou a ter regularidade na conquista de títulos. Primeiro, foi o esquadrão formado com investimento da Hicks & Muse, de grande qualidade técnica, que levou o clube ao bicampeonato.

Em seguida, de novo, um período de fartura levou à conquista liderada por Carlos Tévez em 2005. Na atual década, o Corinthians levou três títulos em 2011, 2015 e 2017.

No Brasileiro deste ano, o time liderou desde o início abrindo larga vantagem no primeiro turno. Caiu de rendimento e chegou a ser ameaçado no segundo turno, mas voltou a vencer para encerrar o campeonato a três rodadas do final com o triunfo diante do Fluminense. Chegou ao título, portanto, porque foi superior aos outros no campo.


Globo tinha contrato com empresa de delator e pagava pouco por Libertadores
Comentários 116

rodrigomattos

A Globo comprava os direitos de transmissão da Libertadores da empresa que era controlada pelo executivo Alejandro Burzaco, que acusou a emissora de pagar propina a cartolas sul-americanos. A emissora brasileira pagava um valor abaixo do padrão do mercado brasileiro pela competição. É o que mostram documentos obtidos pelo blog. Em comunicado, a emissora negou pagamento de subornos a dirigentes.

Burzaco é ex-executivo da empresa argentina Torneos Y Competencias que negociava direitos de transmissão de jogos. À Justiça norte-americana, confessou ter pago subornos a dirigentes, aceitando quitar uma multa de US$ 21 milhões. Por isso, foi obrigado a depor à corte nova iorquina sobre as irregularidade no processo do caso Fifa que julga dirigentes, inclusive o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

Em parte do depoimento, Burzaco afirmou que seis empresas de mídia pagaram propinas por direitos da Conmebol, entre elas a Globo, a Fox Sports, Televisa, Media Pro, Full Play e Traffic. Não especificou porque direitos e a quem teriam pago subornos.

Pois bem, a Torneos, empresa de Burzaco, era dona de parte da empresa T & T Sports Marketing BV, com sede na Holanda. Essa empresa adquiriu todos os direitos da Libertadores. Documentos obtidos no caso ''Panama Pappers'' mostram que a Globo e a T & T mantinham relação contratual por 11 anos, de 2005 a 2016 quando foi rompido elo pelo escândalo na Conmebol. Em média, a emissora pagou US$ 16 milhões por ano pela Libertadores.

O último contrato entre as partes gerou uma disputa judicial no Brasil. Ali estava o contrato entre Globo e T & T da Libertadores obtido pelo blog. Pelo acordo, a emissora só pagava o valor de US$ 10,8 milhões anuais entre 2015 e 2018 por toda a Libertadores. Era metade do montante dado pela Globo pelo Campeonato Paulista neste período.

Quando estourou o escândalo na Conmebol, a Globo foi à Justiça para tentar manter seu contrato com a T & T como válido, apesar de a empresa já figurar como envolvida em corrupção. Ao final, a Conmebol reformou os contratos da Libertadores e a Globo fechou novo acordo diretamente com a Fox. A disputa judicial foi extinta. Não se sabe o valor atual pago pela emissora pela competição sul-americana.

Em nota, a Globo negou as acusações de Burzaco. É preciso ressaltar que a empresa não figura entre as acusadas de pagar propina no processo da Fifa até agora. Aqui a nota da emissora:

''Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.''


Delator acusa Del Nero de saber de esquema de propina na Conmebol
Comentários 7

rodrigomattos

Em depoimento na Justiça de Nova York, o ex-executivo da Torneos Y Competencias Alejandro Buzarco afirmou que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, sabia do esquema de propinas em pagamentos por contratos da Conmebol. A informação foi publicado primeiramente no Globo.com, e confirmada pelo UOL. Em nota da CBF, o dirigente negou a acusação.

O depoimento do executivo ocorreu no processo do caso Fifa que tem como acusados os ex-presidente da CBF José Maria Marin e da Conmebol, Juan Angel Napout, além do peruano Manuel Burga. Réu confesso de pagar propinas, Buzarco fechou acordo com a Justiça para denunciar outros acusados.

Como já informado pelo Buzzfed, Buzarco acusou seis redes de televisão de pagamento de subornos a dirigentes, entre elas a TV Globo. A emissora nega.

A Torneos Y Competencia era responsável por comprar e revender direitos de competições da Conmebol, como a Copa América e a Libertadores. O processo do caso Fifa investiga pagamento de propinas justamente por essas competições, entre outras.

Em seu relato, Buzarco afirmou que o ex-presidente da AFA Julio Grondona, já morto e ex-vice-presidente da Fifa, gerenciava o esquema de propina da Conmebol. Em seguida, disse que após a sua morte, as pessoas que conheciam todo o esquema eram Marco Polo Del Nero e Juan Angelo Napout, que tornou-se presidente da confederação sul-americana. É a primeira vez em que um depoimento no julgamento há uma acusação contra o dirigente.

Essa acusação reforça os indícios contra Del Nero. Ele já foi indicado pelo Departamento de Estado dos EUA por supostamente receber subornos por contratos da Conmebol e da CBF. É enquadrado nos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração. Não responde ao processo porque não está nos EUA.

Por meio de nota, a CBF apresentou a defesa de Del Nero. Alega que Del Nero não recebeu vantagem econômica enquanto dirigente, não ocupava cargo no Comitê Executivo, nem assinou contratos sob suspeita. Não foi possível falar com representantes da Conmebol sobre o caso. O advogado de Del Nero, José Roberto Batochio, esteve nos EUA para acompanhar o processo e disse que se manifestaria pela nota. Veja abaixo:

''Com referência à citação feita à sua pessoa pelo delator premiado ALEJANDRO BUZARCO na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, MARCO POLO DEL NERO, vem a público esclarecer que nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu. As investigações levadas a efeito naquele país não apontaram qualquer indício de recebimento de vantagens econômicas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF. Igualmente, o que ali ficou apurado foi que os contratos sob suspeita não foram por ele assinados nem correspondem ao período de sua gestão na presidência da CBF. Esclarece, ainda, que jamais foi membro do Comitê Executivo da Conmebol, mostrando-se também falsa essa informação. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido.''


Mudança de cotas da Globo obrigará clubes a ajustar contas em 2019
Comentários 26

rodrigomattos

A mudança nas cotas da Globo do Brasileiro exigirá dos clubes uma ajuste nas suas contas em 2019 por alterar as datas dos pagamentos aos times. A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) e dirigentes de clubes têm discutido a questão em reuniões para evitar um descontrole nas finanças das equipes. A intenção é que a alteração não provoque atrasos de salários ou outros descumprimentos à Lei do Profut.

No início de 2016, em meio à disputa com o Esporte Interativo, a Globo promoveu uma mudança na divisão de cotas de transmissão do Brasileiro. Pela nova divisão, serão 40% divididos igualmente, 30% por premiação do campeonato e 30% por exibição dos times.

A questão é que, fora os 40% divididos igualmente, os outros 60% dependeriam do desempenho do ano para saber quanto cada clube ganharia. Por exemplo, os 30% de premiação só poderiam ser pagos após o Brasileiro, isto é, no final do ano. E, mesmo os 30% por exibição, dependeriam de quanto cada um entrou na grade, o que depende da emissora definir sua programação.

De fato, o blog apurou que a nova forma de distribuição influenciará na dinâmica do fluxo de pagamentos por se basear na meritocracia e em aproveitamento de jogos. Assim, o entendimento na Globo é que será necessário um melhor planejamento por parte dos clubes em suas finanças. Mas foi um pedido de clubes que houvesse a mudança nas cotas para aumentar a meritocracia.

Há o temor entre dirigentes e membros da Apfut de que as receitas fiquem muito concentradas no segundo semestre, causando uma falta de recursos durante parte do período do ano. Isso poderia causar um buraco em parte do ano, comprometendo pagamentos dos clubes. Isso está até registrado em ata da Apfut de reunião na semana passada.

''Outro ponto para 2018, continuou o Presidente (Apfut), é que será o ano anterior à mudança da forma de pagamento das cotas de televisão e, com isso, ocorrerá uma mudança no fluxo de caixa dos clubes em 2019. Se eles não se prepararem em 2018, poderão ter sérios problemas financeiros. Em todas as reuniões que a APFUT promove, já avisa que isso poderá ser um real problema de fluxo de caixa'', registra a ata de reunião de 29 de setembro. O blog confirmou que ainda não foi encontrada uma solução para a questão.

Fazem parte do grupo da Apfut os presidentes do Santos, Modesto Roma Jr, e do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. A Globo também está consciente dos efeitos da mudança de suas cotas. Em determinados casos, a emissora estuda antecipar pagamentos durante o ano, mas há a questão de como calcular quanto cada um tem a receber sem saber posições de campeonatos ou exibições.

A intenção da Apfut é estabelecer um plano para melhoria das contas dos clubes até abril de 2018, quando sairão os balanços de 2017. A partir daí, em um ou dois meses, haverá fiscalização para saber se os itens estão sendo cumpridos. Ao mesmo tempo, haverá um acompanhamento para saber se os clubes se planejaram de forma correta para as próximas temporadas.

Além da questão da Globo, outra preocupação é o aumento das parcelas do Profut que começa a ocorrer a partir de novembro deste ano. Quem se inscreveu logo no início da lei terá uma queda no desconto da multa de 25%. Aqueles que se inscreveram posteriormente terão essa redução após um ano dentro do programa. A cada ano cairá o desconto, incrementando o valor pago.