Blog do Rodrigo Mattos

Santos e Atlético-PR veem contrato com Turner válido após fim de canal
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Após o fim do canal Esporte Interativo, houve uma insegurança de clubes em relação à manutenção do contrato com a Turner para transmissão do Brasileiro. Depois de análises jurídicas e conversas, Santos e Atlético-PR concluíram que os termos do acordo seguem válidos e não veem motivo para rompimento. O Palmeiras ainda estuda o caso.

Logo após o anúncio do fim do canal, executivos da Turner passaram a procurar os clubes para expressar a intenção de manter o compromissos de direitos do Brasileiro. Era uma forma de garantir que os pagamentos seriam feitos e explicar como seria feita a transmissão dos jogos do Nacional.

De início, a reação pública mais dura em relação a um possível rompimento foi do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Internamente, o presidente do Santos, José Carlos Peres, também manifestou contrariedade e a possibilidade de romper o acordo.

Só que o departamento jurídico do Santos analisou o contrato e não entendeu que a Turner tenha descumprido nenhum dos termos do acordo. Explica-se: o contrato é com a Turner, e não com o Esporte Interativo. Há permissão para passar os jogos em outros canais do grupo.

Advogados do Atlético-PR fizeram um estudo similar a respeito do acordo com a empresa norte-americana e chegaram a mesma conclusão. Embora exista um contexto de transmissão em canal esportivo, isso não é obrigatório em nenhum parte do acordo. Ou seja, a Turner tem direito de passar seus jogos no TNT e no Space como pretende pelo seu novo projeto.

No Palmeiras, o acordo ainda está em estudo e o clube não tem nenhuma posição sobre o assunto. O clube foi quem recebeu o maior pagamento da Turner, em um total de R$ 100 milhões em contratos de luvas e outros direitos de amistosos e exploração de sócio-torcedor. As outras agremiações receberam R$ 40 milhões de luvas.


Clubes rejeitam limite a elenco e culpam CBF por time misto no Brasileiro
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O plano da CBF para induzir os clubes a usarem titulares no Brasileiro não foi bem recebido por boa parte dos times que tem poupado suas equipes no campeonato. A diretoria da confederação pensa em criar limite de jogadores inscritos na competição para evitar reservas, como revelou o blog do Marcel Rizzo. Dirigentes de clubes, no entanto, rejeitam a ideia e culpam o calendário feito pela CBF pela escalação de times mistos no Nacional.

Com a extensão de Libertadores e Sul-Americana no ano inteiro, os clubes que disputam três competições têm poupado jogadores no Brasileiro desde 2017. Isso se deve a um calendário apertado com excesso de jogos importantes já que não há redução dos Estaduais. A diretoria da CBF tem se incomodado com a principal competição ser deixada de lado.

A restrição de uso de jogadores inscritos é utilizada em campeonatos pelo mundo, entre eles a Libertadores e a Liga dos Campeões além de algumas ligas nacionais europeias. No Brasil, precisaria passar pelo Conselho Técnico da Série A composto pelos clubes para ser aprovada.

Entre os clubes que mais têm sofrido com o calendário, a medida é rejeitada. ''Sou contra. Não sou eu quem faz o calendário que obriga a poupar. Se levar para votação, vou me posicionar contra'', afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Seu time tem poupado sistematicamente no Brasileiro para privilegiar a Copa do Brasil e a Libertadores. A estratégia é sempre priorizar a competição em que o time pode ser eliminado no próximo jogo.

''Estendeu-se a Libertadores pelo ano inteiro e fica essa superposição. Às vezes, o time pode estar disputando simultâneo pre-Libertadores ou Copa do Brasil e Estaduais. Depois, é Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro'', analisou o presidente gremista. ''Isso implica em ter elencos maiores. Tem que ter elenco para atender à qualidade que a torcida espera. É a racionalidade.''

Mesmo tom de discurso foi adotado pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, cujo time também disputa as três competições. ''Sou contra isso totalmente. Eles (CBF) que melhorem o calendário'', disse ele, que entende que a CBF joga para cima dos clubes um problema criado pela própria entidade. ''Lógico, isso eles têm que ver na Conmebol, a Libertadores o ano todo, mais Copa do Brasil, mais Brasileiro. Quem se destaca é prejudicado''.

Outro que aponta o problema do calendário é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que é mais uma equipe que joga as três competições ao mesmo tempo. ''Sou contra (a restrição a elenco). Se o calendário fosse mais racional, nenhum clube teria necessidade de escalar times alternativos no Brasileirão'', definiu.

O calendário da CBF para o próximo ano não vai mudar muito o cenário em relação a 2018. Em linhas gerais, serão mantidos os Estaduais com 18 datas, Brasileiro espremido antes e depois da Copa América, e uma pré-temporada reduzida. A vantagem é que a Copa América é menor do que a Copa do Mundo da Rússia, com três semanas contra cinco.


Com Maracanã caro, Fla usa público recorde para ganhar com sócio e comida
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Para manter o Maracanã cheio, o Flamengo tem deixado o ingresso barato para jogos do Brasileiro o que proporcionou uma média de público recorde nos pontos corridos. Neste cenário, o lucro com bilheteria percentual tem sido de um quinto do total porque os custos do estádio continuam altos mesmo após novo acordo com o estádio.  A compensação calculada pela diretoria do clube é o ganho técnico, e faturamento com sócios-torcedores e comida.

O Flamengo teve um faturamento de bilheteria no Brasileiro em torno de R$ 13,5 milhões, excluída a última partida contra o Cruzeiro que ainda não tinha borderô disponível. Desse total, apenas 21% ficaram para o Flamengo. E, por conta de promoções, jogos como Botafogo, Sport e São Paulo, que foram depois da Copa, também tiveram percentual baixo de renda para o clube rubro-negro mesmo com o novo acordo válido de despesas válidas.

A diretoria do Flamengo tem consciência que deixa a margem de lucro bem reduzida com o preço menor do ingresso. Em média, os bilhetes custam em torno de R$ 30 no jogo do time no campeonato por conta de promoções com pacotes de jogo. Houve uma pequena queda de custos do Maracanã com o novo acordo, mas esta ainda não é significativa.

Em comparação, outros times como o Palmeiras, Corinthians e até o São Paulo tiveram rendas líquidas bem superiores no Brasileiro mesmo com menos público. O líder do campeonato tem patamar de preço de ingresso similar ao time carioca, mas fica com a maior parte de sua renda porque o Morumbi tem custo bem menor do que o Maracanã. Com quase metade do dinheiro arrecadado pelo Flamengo, o São Paulo ficou com R$ 5 milhões líquidos.

Em contraposição, na Libertadores, diante do Cruzeiro, o Flamengo cobrou ingresso médio de quase R$ 80 e sobrou R$ 1,3 milhão de renda para o clube. A diretoria foi criticada pelo alto preço e o Maracanã ficou longe de encher, com muitos espaços vazios no setor Sul e até no Norte, mais tradicional da torcida.

A aposta dos dirigentes rubro-negro, no entanto, é que os jogos do Brasileiro alavanquem outras receitas. No novo acordo, o Flamengo fica com parte das comidas e bebidas que dão pelo menos R$ 200 mil por jogo quando o estádio está cheio.

Outra vantagem vista pelo clube foi um aumento da adesão dos sócios-torcedores. Recentemente, o clube atingiu o patamar de 100 mil sócios, marca que já foi ampliada para 103 mil. Desde o início do ano, a receita de sócio-torcedor passou a ser calculada junto com à de bilheteria para que os dois itens não sejam concorrentes.

A política de ingressos mais baixos é quase uma unanimidade atualmente dentro do clube. Até porque resultados em campo têm sido positivos e a torcida está satisfeita. Como o Maracanã não se tornou barato, resta à diretoria se equilibrar com outros ganhos.


Qatar tem patrocínio encaminhado para a Libertadores
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A Conmebol está próxima de fechar um patrocínio do Qatar para a Libertadores, reforçando o caixa da competição. A parceria não será restrita à principal competição sul-americana, estendendo-se também à Copa América. O valor deve girar em torno de US$ 15 milhões e US$ 20 milhões.

Dirigentes da confederação sul-americana e da organização da próxima Copa estão próximos politicamente desde encontro neste ano na América do Sul. Houve conversas políticas que levaram à confirmação do Qatar como participante da próxima Copa América-2019, no Brasil. Além disso, a Conmebol tem apoiado demandas do país do Oriente Médio na Fifa.

Neste contexto, houve negociações sobre um patrocínio para as competições sul-americanas. Por meio de suas fundações ou empresas, o Qatar investe em esporte. Uma companhia é dona do Paris Saint-Germain (Qatar Sports Investments), outra estampava a camisa do Barcelona e aparece agora na da Roma (Qatar Airways).

Todas essas empresas são ligadas ao próprio governo do país que é organizador do Mundial-2022. Neste contexto, o Qatar tem expandido sua presença e já se acertou em uma negociação de acordo com dirigentes da Conmebol. Falta, no entanto, acertar um contrato definitivo para fechar o acordo.

Entre as propriedades, estão o patrocínio da Libertadores e da Copa América. Não foi possível descobrir qual empresa do grupo qatariano, de fato, terá o nome associado às competições. No pacote, também estão direitos de transmissão da competição para o Oriente Médio para a Bein Sports, subsidiária da Al Jazeera, maior rede de televisão do Qatar e da região.


Contrato da Turner do Brasileiro gera dúvida se clubes podem rescindir
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Os contratos da Turner com os clubes para a compra dos direitos do Brasileiro a partir de 2019 preveem que a empresa pode transmitir em outros canais diferentes do Esporte Interativo. Ao mesmo tempo, o acordo não trata da possibilidade do final do canal e tem um contexto de transmissões em um canal esportivo. Será a análise dessas cláusulas que vai determinar o futuro da transmissão dos jogos do Nacional após o encerramento do canal Esporte Interativo.

A Turner tem contratos com 15 clubes para direitos do Brasileiro da Série A na TV fechada, sendo que pouco menos da metade desses está, de fato, na elite. Entre eles, estão Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia, Atlético-PR e Ceará.

O anúncio do final do canal do Esporte Interativo na TV a cabo pegou os clubes de surpresa na quinta-feira: nenhum deles tinha sido avisado anteriormente. Depois disso, executivos da Turner ligaram para os clubes para dizer que tinham a intenção de manter o compromisso, e transmitir os jogos no canal Space e TNT como anunciado.

Mas já estava instalado um cenário de desconfiança entre os clubes. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, fala claramente em partir para a briga e levar o caso para o rompimento. ''Não há outro caminho. Já havia problemas na relação por conta da questão da luvas superiores para o Palmeiras'', afirmou o dirigente.

Clubes como Santos e Atlético-PR são mais cautelosos, preferindo esperar uma avaliação do contrato para saber quais os próximos passos. ''O jurídico ainda está analisando'', afirmou Marcelo Frazão, diretor de marketing do Santos.

A questão é a leitura do contrato que tem dados que podem levar a conclusões diferentes sobre as consequências com o final do canal. Primeiro, o compromisso é assinado com a Turner que continua a existir, e não com o Esporte Interativo. Segundo, o documento tem um cláusula em que permite que a empresa transmita os jogos em outros canais diferentes do Esporte Interativo.

Mas o problema é que não há nenhuma previsão do final do canal. E, segundo o blog apurou, todo o contrato é feito em um contexto de exibição das partidas em um canal exclusivo de esportes. E também não se especifica nem se é permitido que não se transmita jogos no Esporte Interativo nem o que ocorreria no caso de final do canal.

Neste contexto, os clubes veem um prejuízo porque a exibição de marcas de seus patrocinadores pode ser inferior à prevista. E há a argumentação de que, se não houvesse o Esporte Interativo, a negociação teria sido feita de forma completamente diferente.

Do outro lado, a Turner tem a cláusula a seu favor e pode exigir a execução do contrato. Além disso, houve uma antecipação de R$ 40 milhões para cada um dos clubes, dinheiro que é como um misto de antecipação/luvas. Ou seja, se tentarem romper, os clubes poderiam ter de devolver os recursos e possivelmente ter de pagar indenizações.

Caso os clubes de fato partam para a briga, a questão será decidida por uma corte de arbitragem da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Um grande empecilho é o tempo visto que o caso teria de ser decidido antes do início do Brasileiro-2019.


Sem dinheiro público, Copa América já cortou 48% do custo e reduzirá mais
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UOL Esporte

Sem ter acesso a dinheiro público, a Copa América, que será realizada no Brasil em 2019, já teve uma redução de 48% em seu orçamento inicial e terá novos cortes para não gerar prejuízos para a CBF e a Conmebol. Atualmente, o custo da competição está avaliado em US$ 98 milhões (R$ 372 milhões), perto da metade dos R$ 703 milhões previstos inicialmente no ano passado.

Na Copa do Mundo do Brasil em 2014, o comitê organizador chefiado pela CBF impôs gastos altíssimos aos cofres públicos para a imposição do padrão Fifa. A maior parte dos gastos foi feito pelos Estados, inclusive instalações provisórias em estádios para atender demandas da federação internacional.

Foi esse o padrão inicial idealizado para a Copa América. Só que, no meio do caminho, percebeu-se que boa parte dos direitos de televisão estavam presos a contratos antigos de valor menor. Além disso, o número de seleções caiu de 16 para 12 com as saídas de EUA e México.

Assim, a previsão de receitas para a Copa América gira atualmente em US$ 85 milhões. Ou seja, é preciso reduzir mais o orçamento para possibilitar uma pequena margem para a CBF e a Conmebol.

A ideia das entidades é ter um pequeno lucro ou empatar, longe do plano inicial de faturar alto. Quem está bancando o comitê no momento é a
CBF, mas o dinheiro da Conmebol entrará em seguida, utilizando-se os valores dos direitos. Alguns contratos de patrocínio e de TV vão gerar novas receitas, embora o volume não seja grande.

Entre os principais custos, estão os translados, hospedagens e premiações das seleções. Por isso, serão cinco sedes, Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte e Salvador. No operacional, há ainda arbitragem e possivelmente VAR.

Outra questão a ser resolvida é o custo do aluguel dos estádios. Há um entrave com o Maracanã que cobra além do que o comitê quer pagar e está previsto como sede da final.


Após traição na Copa, Coronel Nunes evita ir à primeira reunião na Conmebol
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Depois de protagonizar uma traição em votação na Fifa, o presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, decidiu não ir à primeira reunião da Executiva da Conmebol após a Copa-2018 que ocorrerá na próxima semana em Assunção. Ele mandou uma carta para que o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo o represente no encontro. Apesar disso, segue como membro do comitê executivo em cargo que é remunerado.

O episódio que queimou o Coronel Nunes na Conmebol foi na votação para sede da Copa-2026 no Congresso da Fifa, às vésperas da competição. A confederação sul-americana tinha fechado um acordo para apoiar a candidatura de EUA, Canadá e México. Na hora do pleito, Nunes, como presidente da CBF, votou no Marrocos e depois confessou que não sabia que o voto era secreto.

Isso causou um enorme desgaste com a cúpula da Conmebol, que acusou a confederação de traição. Durante o Mundial, Nunes já tinha ficado de fora de eventos da entidade continental. A confederação sul-americana até estudava um movimento para afastá-lo, mas é o próprio Nunes que teria de abrir mão da vaga o que não ocorreu.

Como solução provisória, Nunes ficou de fora desta primeira reunião embora continue a ter o cargo no Comitê Executivo. O mesmo ocorreu na CBF onde ele ficou afastado da negociação para renovação do técnico Tite, tocada por Caboclo com o aval do afastado presidente da confederação Marco Polo Del Nero.

A principal tarefa da Conmebol nos próximos meses é a organização da Copa América-2019 no Brasil. A confederação sul-americana e a CBF atuarão juntas na organização dentro do comitê organizador. É necessário, portanto, ter harmonia nas relações o que seria mais difícil com Nunes por perto. Outra discussão até o final do é a distribuição de cotas da Libertadores para os clubes já que haverá um crescimento de do contrato de TV em 2019.

Há uma autocrítica entre dirigentes da CBF de que a confusão em torno de quem de fato mandava na entidade deixou a comissão técnica da seleção muito livre para tomar decisões sozinha. Caboclo estava na Rússia como chefe de delegação e acompanhou o time de perto, mas ainda não tem o cargo de presidente para ter autonomia plena. Neste cenário, o desgaste do Coronel Nunes ajuda a mantê-lo afastado das questões da seleção.


Se Guerrero sair, Fla avalia ação para cobrar devolução de parte das luvas
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Enquanto Paolo Guerrero negocia sua saída do clube, o Flamengo estuda medidas judiciais caso de fato ele não renove com o clube, cenário mais provável no momento. Há uma avalição de que o clube pode entrar com medida judicial por o contrato não ter sido integralmente cumprido pelo caso de doping. Assim, poderia se pedir a extensão do compromisso ou a devolução de dinheiro das luvas.

A proposta de renovação do Flamengo para Guerrero foi de salário igual ao que vinha recebendo anteriormente por mais um ano e meio. Foi mencionada redução do valor total a ser recebido porque o clube só pagaria luvas proporcionais ao novo contrato, ou seja, inferior ao que tinha sido acertado no primeiro acordo.

Não houve acordo e a saída do atacante se aproxima pois o contrato se encerra no dia 10 de agosto e ele está negociando com o Internacional. Guerrero está fora do jogo desta quarta-feira contra o Cruzeiro pela Libertadores, na terceira partida seguida em que alega contusão. O Internacional tenta se acertar com o fundo DIS para obter o dinheiro necessário para a contratação.

O blog do PVC já tinha antecipado que a diretoria do Flamengo estudava pedir a extensão do contrato por período igual ao que ele ficou fora por suspensão por doping por ter tomado chá de coca com a seleção – o atacante não jogou por seis meses. Essa postura é mantida em caso de saída do clube. Mas o clube sabe que não teria muito clima para Guerrero continuar a jogar e seria mais uma forma de atrapalhar a liberação para um time rival no Brasileiro.

Ao mesmo tempo, outra medida estudada é cobrar a devolução de parte das luvas pagas a Guerrero. Em 2015, o Flamengo pagou R$ 16 milhões em luvas por três anos de contrato. A alegação da diretoria do clube é que só recebeu serviços do jogador por dois anos e meio. Ou seja, teria de ser devolvido o valor de um sexto das luvas, o que daria pouco mais de R$ 2,5 milhões. O salário dele foi suspenso durante o período de punição pela Fifa.

Dirigentes rubro-negro só vão agir se a avaliação do departamento jurídico for de que há chance de sucesso em uma ação contra Guerrero. Certo é que o relacionamento da diretoria do clube com os representantes do jogador atualmente é bem ruim. Assim, o Flamengo não fará concessões se achar que foi prejudicado com a saída do atleta.


Clubes e CBF racham sobre venda de direitos internacionais do Brasileiro
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Os clubes racharam na negociação por direitos internacionais do Brasileiro. De um lado, 11 times já assinaram um acordo com a empresa BR para venda das propriedades com o apoio da CBF. Do outro, agremiações como Flamengo, Corinthians, Atlético-PR, Bahia e Cruzeiro querem mais tempo para analisar outra proposta superior de um fundo antes de referendar um negócio. Uma reunião em Brasília tratou da questão e há contrariedade de parte dos clubes.

Antes da Copa, a CBF se propôs a intermediar a negociação de direitos internacionais e placas do Brasileiro já que a Globo não adquiriu essas propriedades. Houve uma concorrência e uma comissão de clubes juntamente com a confederação aceitou uma proposta do grupo BR Foot, que faz parte de um grupo com o Riza Capital. Eram R$ 550 milhões por quatro anos de contrato.

As negociações já estavam nos trâmites contratuais com finalização dos documentos para assinatura. Mas, durante o processo, uma proposta de um fundo inglês chegou por meio de um clube e já foi oficializada para a CBF. A proposta é de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), mas tem um formato diferente da primeira. Esse é o valor que pode ser atingindo, dependendo de condições, e seria como luvas descontado dos valores obtidos na revenda. Além disso, outros grupos acenaram com fazer ofertas pela propriedade.

Diante disso, os clubes se reuniram em Brasília nesta terça-feira para discutir a questão. Um grupo composto por Corinthians, Flamengo, Bahia e Cruzeiro votou para que não houvesse uma assinatura agora e se estudasse melhor a questão. Na reunião, estava o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que informou que outros 11 times já tinham assinado o contrato.

''Confere, não assino tendo proposta melhor'', afirmou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sobre a informação.

O vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que conduz as negociações, disse que, de fato, a primeira proposta estava já aprovada, mas que os clubes têm que analisar um possível ganho ecômico maior. A questão é saber se o novo fundo vai dar garantias de pagamento como fez o anterior, pois seu valor oferecido é bem superior. Representaria R$ 10 milhões por ano para cada clube se dividido igualitariamente.

''O que ficou definido é que faremos uma avaliação dessa proposta. Procurar o interessado para que ele oficialize'', disse ele. ''Não tem problema quem assinou porque no final vai assinar todo mundo. O formato de revenda internacional é com participação dos clubes, mas temos que analisar o aspecto econômico.''

Há uma outra questão que tem gerado contrariedade em alguns clubes. Dois dirigentes dizem que a CBF levaria comissão no contrato da BR Foot em um percentual de 10%, isto é, ficaria com R$ 55 milhões. Por isso, veem pressão da entidade para assinatura do novo contrato. Questionada sobre o assunto, a confederação não respondeu sobre esse tema.

Dentro da confederação, extraoficialmente, há uma posição de que foram os próprios clubes que aprovaram a proposta da BR Foot. Nesta versão, a entidade não fez pressão por um acordo porque até preferia que uma das grandes empresas de marketing esportivo mundial como a IMG comercializasse o campeonato por uma maior difusão. A CBF já recebeu a nova proposta, mas caberá aos clubes analisá-la mais ao fundo.

 


Caso Scarpa: juíza apreende bens do Palmeiras baseada em decisão sem efeito
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Com Leo Burlá

A decisão da Justiça trabalhista de apreender bens de Gustavo Scarpa e Palmeiras em favor do Fluminense baseou-se em jurisprudência do caso de Leandro Damião com o Santos. A questão é a que a medida judicial na ação de Damião citada teve uma reviravolta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) e, na prática, não teve efeito nenhum no final. O clube da Baixada santista não ganhou nada pela saída do atacante porque houve um acordo entre as partes.

A juíza do TRT do Rio Dalva de Macedo estabeleceu o arresto de R$ 200 milhões em contas ou bens de Scarpa e Palmeiras, valor este referente à multa rescisória do contrato do jogador com o Fluminense. Em sua decisão, ela afirmou que ''a jurisprudência desta especializada vem entendendo, nos casos em que se encontra sub judice a manutenção do contrato de trabalho do jogador com o seu antigo clube, a possibilidade de se proceder o arresto de valor suficiente para garantir o pagamento da multa rescisória formalizada com a antiga agremiação''.

Como base, citou uma decisão sobre a disputa entre Damião e Santos. Na determinação do ministro do TST Ives Gandra Martins, de janeiro de 2016, estabeleceu-se o arresto de R$ 65 milhões do jogador em favor do Santos, valor que o clube alegava ter de prejuízo.

A questão é que esta decisão foi alterada em posterior acordo entre o clube o jogador, em negociação com o ministro do TST. ''Gandra deu essa decisão, mas fui falar com ele para explicar que ninguém pagaria para ter o Damião naquela época'', contou o advogado de Damião, Roberto Siegmann, que foi vice-presidente do Internacional. ''Essa decisão não teve efeito porque foi feito um acordo com o Santos e tudo foi pacificado.''

Pelo acordo firmado com o Santos, Damião não teve de pagar nada para o clube. O que ficou combinado é que, se houvesse verbas de uma futura transferência, o clube santista ficaria com uma parte. Mas o arresto dos bens do jogador foi suspenso e ele pôde se transferir por empréstimo para o Bétis e depois Flamengo. Agora, está no Internacional.

''A decisão da juíza leva em conta o princípio de que tem que respeitar o direito do jogador atuar e estabelece a garantia do arresto'', comentou Siegmann.

As ações de Scarpa e Damião tinham ambas como objetivo se desvincular dos clubes com alegação de falta de pagamento de verbas trabalhistas. A diferença é de que o meia imediatamente se vinculou ao Palmeiras o que levou o time alviverde para o polo passivo do processo, enquanto não havia um outro time com contrato com o ex-centroavante santista.

Como reação à decisão da juíza, o Palmeiras alegou que não é parte e que a medida era abusiva. Já o Fluminense não se pronunciou. Não foi possível ter contato com a juíza Dalva Macedo.