Blog do Rodrigo Mattos

Planilhas apontam R$ 4,1 mi ilegais da Odebrecht por Arena Corinthians
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Planilhas da Odebrecht que constam em inquéritos da Lava-Jato

Incluídas em inquéritos da Lava-Jato, planilhas da Odebrecht apontam R$ 4,1 milhões em pagamentos ilegais por conta da Arena Corinthians. Esses documentos são do departamento de operações estruturadas e não têm indicação de destinatário. As planilhas foram mapeadas pelo blog em inquéritos da operação tornados públicos na semana passada.

Há um inquérito relacionado à Arena Corinthians no STF (Supremo Tribunal Federal) mantido em sigilo pelo ministro Edson Fachin. Um dos pontos investigados é o suposto pagamento de Caixa 2 para o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez.

Como já mostrado pela ''Folha de S. Paulo'', há uma planilha que indica o pagamento de R$ 3 milhões para o ex-deputado em contribuições ilegais de campanha. Ele negou que tenha recebido. Ao explicar o propósito do pagamento, a planilha tem escrito na linha do nome de Andres: ''importante interlocutor para a gestão do contrato para as obras/operação da Arena Corinthians''.

Mas há outras planilhas do departamento de operações estruturadas em que não constam nomes, mas apenas codinomes. Dentro desse setor da Odebrecht, só constavam pagamentos por fora, não contabilizados oficialmente. Em delações, ex-executivos da construtora indicaram que a maior parte era propina ou Caixa 2, embora não todos.

Pois bem, o blog identificou dez pagamentos feitos por esse departamento da Odebrecht em que constam como explicação ''Arena Corinthians''. São em datas diferentes, o que indica que não são registros repetidos. Nesses, o codinome em geral é Timão. E há outros com codinomes como Azeitona, Papai Noel, Trenó, Rena.

Os pagamentos começam em fevereiro de 2014. Naquele mês, há dois em menores valores, em total de R$ 15 mil, e há um de R$ 500 mil no dia 25. No mesmo período, é datada de 17 de fevereiro a ata assinada por executivos da Odebrecht e do Corinthians que estabeleceu o aumento do preço da obra do estádio de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. O documento foi assinado de fato alguns dias depois e teve data retroativa, segundo apurou o blog.

Pela Odebrecht, assinaram Antonio Gavioli, cujo nome consta nas planilhas como responsável pelos pagamentos por fora pela arena, e Luis Bueno, que fez delação sobre o estádio mantida em sigilo. Pelo Corinthians, assinou Andrés Sanchez.

Os outros pagamentos que constam das planilhas são no período entre agosto e outubro de 2014. Esse é o período da eleição em que a outra planilha da Odebrecht indica pagamento a Andres. Segundo apurou o blog, pode haver coincidências de registros entre esses dois documentos. Por isso, não foram somados os pagamentos teoricamente destinados ao deputado no total.

Em 13 de agosto, a planilha registra um total de R$ 1,3 milhão em dois pagamentos da Odebrecht referente ao estádio, com os codinomes Azeitona e Timão. Em 2 de setembro, a Odebrecht enviou o Boletim de avanço de obra para o Corinthians, informando que o total de R$ 985 milhões da obra tinha sido todo gasto.

Até outubro há um total de R$ 3,6 milhões referentes à arena neste período eleitoral. Com os pagamentos de fevereiro, todos os valores referentes ao estádio chega a R$ 4,1 milhões.

O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez nega ter havido pagamentos referentes à arena pela empreiteira: ''Não houve pagamento na Arena Corinthians. Não tem nada. Não sei, a planilha não é minha. Se houve algum rolo na Arena, o Corinthians é vítima. É vítima. Não fiquei sabendo de nada. Se houve alguma coisa, o Corinthians é vítima'', disse ele.

Procurada, a Odebrecht não respondeu as perguntas e emitiu uma nota: ''A Odebrecht S.A entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos. A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.''

O Corinthans já emitiu nota oficial em que afirma que vai apurar possíveis irregularidades relacionadas às delações no estádio. Em delação, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht afirmou que não pagou propina na Arena Corinthians: disse que o que poderia ter havido foi Caixa 2 para Andres.

Lista de pagamentos feito pela Odebrecht referente à Arena Corinthians:

25/2/2014 – Papai Noel – R$ 500 mil

25/2/2014 – Rena – R$ 5 mil

27/2/2014 – Trenó – R$ 10 mil

13/8/2014 – Azeitona – R$ 300 mil

13/8/2014 – Timão – R$ 1 milhão

19/8/2014 – Timão – R$ 300 mil

11/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

18/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

25/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

16/10/2014 – Timão – R$ 500 mil

Colaborou Diego Salgado


Governo do Rio deve fazer nova licitação para concessão do Maracanã
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Com Vinicius Castro

O governo do Estado do Rio de Janeiro deve decidir por fazer uma nova licitação para concessão do Maracanã, anulando assim a venda da estádio da Odebrecht para a Lagardère. A tendência do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, é por conta de posição da procuradoria do Estado que recomenda a anulação da concessão por suspeitas de propina reveladas pela delações de ex-executivos da Odebrecht. A informação foi publicada primeiro pela Veja como certeza de nova licitação. O blog confirmou que isso deve acontecer, mas não que há uma decisão definitiva.

Oficialmente, em nota, o governo diz que avalia todas as possibilidades: ''O governo do Estado avalia todas as alternativas existentes quanto ao uso e gestão do equipamento, sempre observadas condicionantes legais aplicáveis e o atual estágio do contrato de concessão em vigor.''   A procuradoria do Estado não quis se pronunciar.

A Lagardère ainda não falou porque não existe uma decisão. Mas, extraoficialmente, há a informação de que pode haver uma disputa jurídica caso o governador confirme seu recuo sobre a venda.

Desde o ano passado, o governo do Estado tem mantido como duas opções a nova licitação ou a transferência direta feita pela Odebrecht. Decidiu-se pela segunda opção para economizar tempo e até credenciou as empresas Lagardère e GL Events para substituir a Odebrecht. A segunda empresa saiu do processo por não concordar com os termos a primeira firma francesa fechou um acordo com a construtora.

Lagardère já está há 12 dias dentro do Maracanã, e seus executivos vieram ao país para assinar o contrato definitivo. Faltava o aval do governador Pezão para a transferência se tornar definitiva.

Mas, na semana passada, foram divulgadas as delações dos ex-executivos da Odebrecht. Entre elas, estava o depoimento de João Borba, ex-gestor do Maracanã, que afirmou ter recebido orientação para pagar para conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para liberar o edital de concessão. Já havia outra denúncia anterior de mesmo teor. O entendimento de juristas é de que, se for comprovada fraude no processo licitatório, ele se torna nulo, assim como contratos futuros vinculados a ele.

A Lagardère, no entanto, está com um corpo de advogados no Brasil e tem um entendimento de que tem direito ao estádio porque também ficou em segundo lugar na primeira concorrência vencida pela Odebrecht.

 


Ricos, Palmeiras e Fla gastaram juntos R$ 145 mi em contratações em 2016
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Com as maiores receitas do ano passado, Palmeiras e Flamengo turbinaram suas contratações durante a temporada: gastaram um total de R$ 145 milhões. É o que apontam os balanços dos dois clubes já publicados. E esses valores não incluem direitos de imagem, nem atletas que a Crefisa ajudou o time alviverde a contratar.

Para se ter uma ideia do volume de investimento de ambos, o valor é superior ao total gasto por clubes brasileiros em contratações do exterior na janela de transferência desse início de 2017.

Flamengo e Palmeiras são os dois primeiros clubes brasileiros a atingirem o patamar de meio bilhão de reais no ano passado. O clube rubro-negro teve receita de R$ 510 milhões, e o alviverde de R$ 498 milhões. Ambos tiveram superávit e não houve aumento de dívida.

Neste cenário, o Palmeiras investiu R$ 77,7 milhões em contratações de jogadores no mercado. Um aumento de mais de 50% em relação a 2015 quando o total foi de R$ 49,7 milhões. Não estão incluídos no pacote jogadores trazidos pela Crefisa. A parte dos direitos de alguns atletas ainda será paga como o zagueiro Mirna.

O investimento deu resultado já que o time palmeirense acabou campeão brasileiro ao final de 2016. No início deste ano, o clube acelerou ainda mais graças aos aportes da Crefisa que contratou jogadores sem que isso represente gasto para o alviverde.

No caso do Flamengo, o crescimento do investimento foi maior, embora o gasto menor. Foram R$ 67,7 milhões destinados à compra de direitos econômicos de atletas. O salto foi de R$ 82% em relação a 2015 quando o gasto foi de R$ 37,3 milhões.

O time não conquistou título, disputando o Brasileiro com o Palmeiras e ficando na terceira posição. Mas montou uma base sólida para a atual temporada.

A diretoria rubro-negra ainda tem que quitar contratações como Mancuello, Cuellar e Rodinei que foram feitas em parcelas. Por conta desse movimento, os dirigentes rubro-negros já decidiram que vão manter os investimentos no patamar de 2016 sem aumentos para atual temporada.


Com renda recorde, CBF gasta mais com seleção e federações em 2016
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A CBF aumentou seus gastos com a seleção e repasses às federações em 2016, o que reduziu o seu superávit apesar de receita recorde. A informação é de dirigentes das entidades estaduais que aprovaram o balanço da confederação em assembleia nesta terça-feira. A diretoria da CBF ainda diz que o câmbio teve impacto no resultado final.

A receita total da CBF foi de R$ 647 milhões no ano passado, diante de R$ 519 milhões em 2015. Apesar disso, o superávit caiu de R$ 72 milhões para R$ 44 milhões. Como promotora do futebol nacional, a confederação deve ter mesmo o propósito de investir dinheiro no esporte, e não guarda-lo no cofre. A questão é se o gasto é eficiente.

No geral, o investimento com o item que a CBF chama de futebol saltou de R$ 226 milhões para R$ 288 milhões. São 27,4% a mais, bem superior à inflação. E o que está incluído nesses itens? seleções, campeonatos brasileiros das quatro divisões e dinheiro para federações.

O balanço com números detalhados ainda não foi divulgado, então, ainda é não possível saber quanto aumentou cada item do futebol. É importante ressaltar que o investimento em futebol ainda representa menos da metade da receita total.

''Achei que houve um aumento na realidade no faturamento com queda no superávit por maiores despesas com o futebol. Teve um maior investimento no futebol'', contou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos que esteve na assembleia de aprovação de contas. Ele lembrou a troca da comissão técnica da seleção.

De fato, houve um aumento no gasto com o time brasileiro com a contratação de Tite e seu staff, saindo Dunga e seus auxiliares no meio de 2016. Ainda não havia um detalhamento de qual o tamanho do crescimento desse item. Até 2015, o gasto só com a seleção principal era de R$ 61 milhões, bem similar ao do ano anterior.

Em outro ponto, houve um aumento em torno de 50% dos repasses para as federações estaduais, justamente a base de aliados da CBF. Até 2015, as entidades ganhavam R$ 50 mil por mês e passaram a R$ 75 mil no ano passado. O gasto era de R$ 19,5 milhões, e deve saltar para um valor entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, com cada federação recebendo pouco menos de R$ 1 milhão por ano.

''Se não fosse o repasse para as federações, não teria um desenvolvimento do futebol. Pernambuco não teria campeonatos de sub-15 e sub-17. O Sport está revelando muitos jogadores. Temos aqui o campeonato Central Única de Favelas'', defendeu o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outro item em que houve aumentou foi no investimento no Brasileiro da Série D. ''Houve um crescimento de 28 times na competição'', comentou Ednaldo Rodrigues. Saltou de 40 para 68 equipes.

O dirigente baiano ainda apontou que cursos de gestão e técnicos também incharam os custos da CBF pois eram pagos translados, hospedagens, etc, além de mecanismos de controle. De fato, a entidade organizou seminários e comitês de reformas para um processo que chamou de modernização. No final, só os votos das federações foi levado em conta para o novo estatuto.

Com o resultado financeiro, Carvalho mostrou entusiasmo com a gestão do presidente Marco Polo Del Nero à frente da CBF. ''Queria o Brasil ter um crescimento de receita como a CBF. A CBF é a economia que deu certo. Empresa que dá lição de gestão. É extraordinário'', analisou o dirigente pernambucano, afastando críticas ao mandatário da confederação.

Em meio aos investimentos da CBF no futebol, não tem sobrado dinheiro para os R$ 15 milhões necessários para a implantação do árbitro de vídeo para o Brasileiro da Série A. O valor representa 2,31% da receita total da entidade em 2016. A entidade diz que só vai implantar o item em 2018.

O secretário-geral da confederação Walter Feldman atribuiu a queda no superávit a questões cambiais e disse não estar preocupado.


Odebrecht diz que Mantega pediu ingresso da Copa quando negociava arena
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As delações e provas produzidas por executivos da Odebrecht apontam interferência da cúpula do governo federal para liberar financiamentos para a Arena Corinthians. O ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht indicou que tinha como interlocutor frequente nessas negociações o ex-mininstro da Fazenda Guido Mantega. E, nos encontros, o político chegou a pedir ao executivo ingressos para a Copa do Mundo, segundo documento fornecido pela construtora. Essa reivindicação não tinha relação com os outros pleitos aparentemente.

Mantega é investigado em um inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) que envolve pagamentos da Odebrecht por investimento da Previ em um empreendimento da construtora: o Parque da Cidade. No inquérito, consta uma agenda de reuniões entre o ex-ministro e Marcelo Odebrecht. As conversas envolviam diversos temas entre eles o financiamento da Arena Corinthians, tanto em relação à participação de bancos estatais quanto aos CIDs (Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento). Isso ocorreu entre 2012 e 2013 – só no ano da Copa saiu a verba do BNDES.

No documento, Odebrecht relata quais eram seus pleitos com Mantega e depois explica se foi atendido. Em um item, ele especifica: ''Pedido pessoal de Guido Mantega a mim para obter ingressos para a abertura da Copa do Mundo e para mais algum jogo na Arena Itaquera (não me recordo especificamente qual jogo)''. Na anotação ao lado, o ex-presidente da construtora diz que não sabia se o pleito fora atendido.

No mesmo documento, ele detalha que eram tratados de financiamentos na Caixa, Banco do Brasil e BNDES, todos envolvidos para liberar verba para a arena. Cita ainda as CIDs (Certificados de Incentivo de Desenvolvimento) do estádio como outro item da agenda. Seu pleito neste caso não foi atendido, segundo o documento.

Em seu depoimento sobre a Arena Corinthians, Marcelo Odebrecht disse que recorreu a inteferências de Mantega e até da então presidente Dilma Rousseff para liberar o financiamento para o estádio. No relato do ex-executivo da construtora, a Caixa Econômica inicialmente iria ser a repassadora do empréstimo para o Corinthians, mas a ex-presidente vetou e passou para o Banco do Brasil.

''(Dilma) Acha que a Caixa ia flexibilizar mais nas garantias. Imagine um banco que recebe isso. Os problemas que não tinham com a Caixa iam para o Banco do Brasil. Banco do Brasil encrencou. Vc fica o ministro da Fazenda, presidente do Banco do Brasil, quase 30 horas de reunião'', contou Marcelo Odebrecht aos procuradores federais. Há reunião registrada entre ele, Mantega e Aldemir Bendine, então presidente do BB. Mas o banco, de fato, impediu a concessão do empréstimo por falta de garantias da construtora e do clube.

Depois, o ex-presidente da Odebrecht oferece para Mantega usar um crédito que teria a receber na Eletrobras para garantir o empréstimo da arena. Não dá certo. Assim, fracassa a negociação com o Banco do Brasil apesar da intermediação do ministro da Fazenda. Por isso, Marcelo Odebrecht diz ter pedido diretamente a Dilma Rousseff para resolver o problema no último trimestre de 2013.

''Aproveitei uma visita dela à Arena Fonte Nova, faltando um ano antes da Copa, não tinha saído o empréstimo. Presidenta, encontro rápido, pedia sala reservada, 'Só vai sair se a senhora der uma orientação de voltar para a Caixa resolver'. Acabou concordando. Mandou orientação para Guido (Mantega), e começou a construir com a Caixa Econômica. Caixa já não era a mesma Caixa. Já estava recebendo um pepino de volta. Demos garantia adicional de três ou quatro primeiros anos. Caixa aceitou a modelagem'', concluiu ele no depoimento. Ele afirma em seguida que a Caixa é suscetível à pressão de cima. Em 2014, enfim, a Odebrecht recebeu o dinheiro do BNDES.

A discussão dos CIDs também era federal porque o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab teria recebido uma promessa de compensação da União, segundo Odebrecht. Os títulos se concretizaram apenas em parte apesar de gestões junto à prefeitura de São Paulo para tentar validá-los de qualquer maneira. Não houve compensação federal.

Odebrecht não tinha delatado inicialmente possíveis crimes na construção da Arena Corinthians. Mas, ao citar algumas dessas relações com a cúpula do governo, procuradores lhe apontaram que poderia haver crimes. Por isso, ele anexou novos depoimentos.  ''A quantidade de interface e de interralação… Em algum momento, você comete algo, pode ter alguma conduta. Teve exigências da Caixa. Estou contando como foi esse processo. Onde teve a conduta ilícita tem que ser apurado.''

Há um inquérito sob sigilo no STF para apurar as condutas relacionadas à Arena Corinthians. Seu principal depoimento é do ex-executivo da Odebrecht Luis Bueno que relatou pagamentos de caixa 2 ao deputado federal Andres Sanchez.

O blog não conseguiu ouvir a defesa do ex-ministro Guido Mantega sobre a questão dos ingressos, nem sobre sua participação na modelagem do financiamento.


Rodrigo Caio mostra caráter raro nos campos brasileiros
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Era primeiro tempo de São Paulo e Corinthians quando Jô foi pressionar a saída do goleiro Rena Ribeiro, protegido por Rodrigo Caio. O atacante corintiano não cometeu falta, mas o são-paulino foi atingido e caiu. De forma equivocada, o árbitro Luis Flávio Oliveira deu cartão amarelo a Jô.

Foi a vez de Rodrigo Caio se dirigir ao juiz e avisar que ele atingira seu próprio goleiro. Avisado, o árbitro anulou o amarelo que tiraria Jô da segunda partida da semifinal entre os times. O são-paulino abriu mão de uma vantagem em prol da falar a verdade.

Não é comum no futebol brasileiro, reflexo de uma sociedade em que levar vantagem é um hábito arraigado entre nós. Só em 2017 podemos lembrar de Keno apontando Gabriel de forma equivocada para que ele levasse um cartão injusto no Corinthians e Palmeiras. Ou recordar de Nenê pedindo pênalti em bola que bateu na barriga de Renê, no Flamengo e Vasco.

Estão longe de ser exceções em um ambiente em que os jogadores brasileiros constantemente simulam faltas inexistentes, gritam com o juiz para pressionar por marcações e até exageram agressões para pedir a expulsão de rivais. Parece que isso se aprendem na escolhinhas de futebol nacional. Na verdade, é ensinado por um meio social de moral distorcido, esse aí que vimos exposto nesta última semana na política.

Esse tipo de comportamento dos jogadores é nocivo em vários aspectos: dá a ideia ao cidadão de que vale tudo para seu time vencer, induz o árbitro a diversos erros que podem ser decisivos e cria um cenário no jogo em que a bola tem menos importância do que o mimimi.

Existe atitude similar em campeonatos europeus? Sim, há simulações e alguma pressão ao juiz. Mas em um nível bem menor do que o que ocorreu no Brasil. Isso se estende a fora do campo onde qualquer erro de árbitro – e são muitos no país admitamos – leva a questionamentos destemperados de dirigentes.

Ao final do jogo, questionado sobre sua atitude, Rodrigo Caio foi sucinto: ''Fiz nada, fiz só o que tinha que fazer''. O país seria bem melhor se as pessoas simplesmente fizessem o que têm que fazer. Que o seu exemplo sirva ao menos para o futebol.


É inaceitável que Odebrecht possa vender Maracanã após delações
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Tornadas públicas nestas semana, as delações de ex-executivos da Odebrecht admitiram uma série de atos de corrupção em relação ao Maracanã: fraude na licitação, pagamento de propina pela obra, suborno pela concessão. Diante dessas revelações, não dá para considerar aceitável que a empresa tenha direito de vender sua concessão e ainda sair com R$ 20 milhões do estádio. Nem dá para admitir que o modelo viciado de PPP seja mantido com poucos ajustes com outra empresa.

Vamos aos fatos. Foram cinco delações de ex-executivos da Odebrecht envolvendo o Maracanã. Um dos ex-executivos aponta que o edital de obra já foi armado para a empresa vencer. Depois, outros membros da construtora indicam pagamentos de propina ao ex-governador Sergio Cabral durante a obra.

O valor da obra saltou de R$ 400 milhões previstos incialmente para R$ 1,2 bilhão. Uma parte deve-se a exigências esdrúxulas da Fifa, mas há indícios de superfaturamento apontados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Tribunal, por sinal, que perdeu a credibilidade ao ter seis membros presos.

Em sua delação, o ex-executivo da Odebrecht João Borba Filho afirmou que teria de ser pago propina um conselheiro do TCE para liberar o edital de concessão do estádio. O edital foi moldado de acordo com instruções de empresa de Eike Baptista, outro preso por relacionamento impróprio com o ex-governador Sergio Cabral. Borba Filho tornou-se o presidente da empresa gestora do Maracanã.

Essas delações geram um inquérito e uma apuração para conferir se é tudo verdade. Mas não dá para o governo do Rio aprovar uma venda de uma concessão com todos os indícios de ter havido fraudes do início ao fim do processo. Se a própria Odebrecht admite ter pago propinas, é muita cara de pau da empresa ainda se achar no direito de lucrar com a venda.

A Odebrecht já tem um acordo de venda para a empresa Lagardère. Agora, depende de um aval do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, para concretizar o negócio. Ora, o próprio Pezão é acusado por ex-executivos da construtora de receber dinheiro ilegal – ele nega. Sob grave suspeita, como pode conceder o estádio por mais 30 anos e beneficiar a Odebrecht?

Não está aqui se questionando o direito de a Largadère almejar ter o estádio. A empresa tem lá os seus problemas, mas a outra concorrente GL Events também tinha. Nada que as impedisse de assumir a gestão já que é uma empresa francesa grande com o capital, e know-how na área de gestão de estádio. E não há acusação de corrupção grave sobre ela.

Mas um acordo confidencial com a empresa que corrompeu todo o processo do Maracanã não é a forma ideal. A própria Lagardère sabe os males de concorrência desonesta já que foi prejudicada e ficou em segundo na disputa para o Maracanã perdendo para Odebrecht.

E as regras de concessão que valeriam para a Lagardère são exatamente as mesmas do edital de licitação viciado por pagamento de propinas pela Odebrecht. Essas normas têm que ser todas revistas porque não foram feitas pensando no bem público, mas em favorecer a empreiteira que comprou quase todos os políticos do país.

Uma prova de que esse modelo fracassou é que nem a Odebrecht, com sua rede de propinas, conseguiu ganhar dinheiro no estádio. É hora de sentar com os grandes clubes do Rio, realizar audiências públicas, discutir com empresários e estabelecer um modelo transparente para uma nova concorrência para o Maracanã.

''Ah, vai demorar e o estádio vai se deteriorar porque o governo não tem dinheiro''. A verdade é que o Estado teve muito tempo para fazer uma licitação já que esse imbróglio se arrasta há mais de um ano. Contratou consultoria da FGV com esse fim, e nada fez. É hora de sair da letargia e fazer um processo sério e transparente para a população.

Enquanto isto não se concluir, o governo pode estabelecer um modelo de emergência para gestão e manutenção do estádio que envolva os clubes, seus principais usuários. Que tal sentar com Fluminense, Flamengo e Vasco e discutir a viabilidade de uma solução provisória (o Botafogo tem o Engenhão)? Uma parte da renda dos jogos e shows poderia ser usada para manutenção.

Essa é só uma ideia, deve haver outras melhores. O mais importante é que, após tudo que se ouviu das delações, o primeiro passo do governo tem que ser buscar a expulsão da Odebrecht do estádio na Justiça sem direito a receber nada. E depois se construir um novo futuro para o Maracanã. Não dá para quem corrompeu quase todo o país ainda ter direito a participar da decisão sobre quem fica com um patrimônio público de R$ 1,2 bilhão tão importante para o povo carioca.


Executivo do Maracanã negociou propina para gerir estádio, aponta delação
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O ex-presidente da Maracanã S/A João Borba Filho participou do pagamento de propinas para liberar a concessão do estádio e pelas obras do complexo. Essa informação consta do inquérito revelado no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o Maracanã – essa investigação deve ir para o STJ. Borba negociava questões da gestão do estádio justamente com os políticos com quem tinha acertado pagamentos ilícitos.

O inquérito sobre obras e concessão do Maracanã tem base em oito depoimentos de cinco ex-executivos da Odebrecht. São eles: Benedicto Junior, Leandro Azevedo Soares, Luiz Eduardo Soares, Marcos Vidigal Amaral e João Borba.

Depoimentos de Benedicto Junior e João Borba apontam o pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral pela obra do Maracanã. Inicialmente, ele teria pedido 5%, mas foram feitos pagamentos menores e que também se relacionavam a outras obras.

Em uma de suas delações, Benedicto Junior afirmou que houve propina de R$ 4 milhões em relação à obra do estádio. Outro ex-executivo da Odebrecht Marcos Vidigal Amaral apontou que Cabral recebeu vantagem indevida para ''restringir a competitividade da licitação da obra da Maracanã''. Ou seja, pagou para armar a concorrência e depois na realização da obra.

Esses pagamentos por obras, em parte, foram feitos por meio de João Borba, o gestor do Maracanã. Em outro depoimento, ele afirmou que acertou com Wilson Carlos, então secretário do governo do Rio, o pagamento da propina a Cabral. Depois, os dois negociavam questões da concessão do Maracanã.

''No período em que eu estava no Maracanã, quando a concessão deu problema, muitas vezes tinha reunião com ele. Totalmente republicana'', afirmou Borba em sua delação, alegando que não havia irregularidades nestas conversas posteriores. Ele era o presidente da Maracanã SA, empresa da Odebrecht, neste momento.

Além disso, o próprio João Borba Filho admitiu participação no pagamento de propina ao Tribunal de Contas do Estado para liberar a concessão do Maracanã.

''No Termo de Depoimento no 7 de JOÃO BORBA FILHO há a afirmação de que WILSON CARLOS CORDEIRO DA SILVA CARVALHO, então Secretário do Governo de SERGIO CABRAL FILHO, avisou-lhe que a Odebrecht precisaria ''acertar'' a quantia acordada com o Tribunal de Contas no rio de Janeiro (TCE-RJ) para a liberação do edital.'', diz trecho do inquérito sobre o Maracanã.

Em seguida, há o depoimento de Leandro Azevedo Soares sobre a solicitação de vantagem indevida por parte do conselheiro Jonas Lopes relacionada a obras do Maracanã.

Como gestor do Maracanã, Borba negociou contratos com clubes para a utilização do estádio, além de conversas com o governo do Estado.

Atualmente, a Odebrecht fechou um acordo com a Lagardère para repassar a concessão do estádio com recebimento de cerca de R$ 20 milhões, fora despesas. O negócio depende do aval do governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, também envolvido em delações da Odebrecht.


Delator diz que discutiu CIDs da Arena Corinthians com deputado e lhe pagou
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Em delação na operação Lava-Jato, o ex-executivo da Odebrecht Alencar Alexandrino afirmou ter discutido os CIDs (títulos de incentivo da prefeitura) para a Arena Corinthians com o deputado Vicente Cândido (PT-SP), que é diretor da CBF. Após essa aproximação, ele afirmou que contribuiu com dinheiro de R$ 50 mil de Caixa 2 para campanha eleitoral do deputado de 2010.

O vídeo do depoimento de Alencar Alexandrino, um dos articuladores do estádio corintiano na Odebrecht, está no site de ''O Estado de São Paulo.'' Por conta dessa delação, o ministro do STF, Edson Fachin, determinou a abertura de inquérito contra o deputado.

Alexnadrino explicou que decidiu se aproximar de Cândido por conta da Arena Corinthians e a realização da abertura da Copa-2014. Citou o fato de o parlamentar ter envolvimento com futebol e ser próximo ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Mais, Cândido é diretor de assuntos internacionais da confederação. Veja no trecho abaixo:

''Mas daí em 2010, com o advento da Arena Corinthians, me aproximei dele porque Vicente Cándido sempre foi muito ligado a questões do futebol (…) Se não me equivoco, sei que é advogado, tem uma proximidade do presidente da CBF Marco Del Nero, Marco Polo Del Nero. Fui me aproximando dele na construção e no financiamento da Arena Corinthians. Tanto é que no financiamento da arena temos uma parte expressiva ligada à prefeitura. Começamos a ver como poderíamos elaborar isso de forma consequente, nas próprias CID. Foi uma aproximação com ele.''

Em seguida, Alexandrino conta que Cândido o procurou para pedir uma doação eleitoral para a campanha: ''Em 2010, por volta de setembro, ele me procurou e me solicitou, em encontro em SP, para que pudesse contribuir na campanha dele fazendo doações. Eu evoluiu isso internamente dentro do contexto das delações. Falei com o meu líder Benedicto Junior. Decidimos ajudá-lo dentro da nossa faixa para deputado federal.''

Em seguida, completou como ocorreu a negociação na sede da Odebrecht, onde há registro da entrada do deputado, segundo o delator: ''Como essa época nós ainda limitávamos o teto para doações legais, optamos por doações via Caixa 2. Ele concordou. Que me recordo que demos a quantidade de R$ 50 mil por Caixa 2.''

Alexnadrino afirmou que não fez um pedido específico a Vicente Cândido pela doação ilegal. ''Houve uma aproximação mútua por ele ser uma pessoa ligada a futebol, e pela arena Corinthians, questão da abertura da Copa do Mundo em São Paulo, todos esses desenvolvimentos.''

O deputado Vicente Cândido não foi encontrado para comentar a delação. A CBF ainda não se pronunciou sobre o assunto.

 


TVs se preparam para disputa por Champions e Libertadores no 2º semestre
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As emissoras de televisão já se preparam para uma possível coincidência de disputas de direitos de televisão por Libertadores e a Liga dos Campeões no segundo semestre deste ano. A concorrência da competição da europeia já é certa, enquanto a da sul-americana deveria ocorrer na mesma época, embora a Conmebol não a tenha confirmado.

A Liga dos Campeões foi adquirida pelo Esporte Interativo em outubro de 2014 em concorrência com outras emissoras de TVs fechadas. O contrato é de três anos e irá até o meio do próximo ano (temporada 2018/2019). A nova concorrência está prevista para o segundo semestre deste ano, ainda sem data certa.

Entre os concorrentes, é certo a presença do próprio Esporte Interativo, além de provavelmente a ESPN e o Sportv. Não se sabe se a Fox Sports entrará nesta disputa.

O último contrato foi obtido com um pagamento superior a US$ 100 milhões por três anos. Houve uma concorrência de envelope fechado, o que se repetirá agora em 2017.

No caso da Libertadores, o cenário ainda é incerto. Mas a Conmebol já informou às emissoras que vai contratar uma empresa para montar uma concorrência para o contrato a partir de 2019. A expectativa é portanto que até o segundo semestre o modelo desse leilão esteja pronto e seja colocado em prática. Até porque as emissoras entendem que, depois disso, fica bem em cima do final do contrato.

A questão é que alguns executivos de televisões ainda se mostram descrentes sobre a intenção da Conmebol de executar a concorrência. A confederação sul-americana nunca executou uma disputa aberta, sempre vendendo os direitos de forma obscura. Por isso, foram constatados pagamentos de propina a dirigentes em contratos da entidade, em investigação feita pelo Departamento de Justiça dos EUA no ''caso Fifa''.

Membros da cúpula da Conmebol dizem que já foi decidido que a concorrência ocorrerá por país, sem necessariamente haver divisão por plataforma. A participação de emissoras na disputa vai depender do modelo e da confiabilidade que a confederação sul-americana der ao processo. É certo que a Fox Sports e provavelmente a Sportv vão participar. Esporte Interativo e ESPN vão depender da concorrência.