Blog do Rodrigo Mattos

Em venda de Jô, Corinthians pagou comissão que é o triplo da média da Fifa
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O Corinthians pagou comissões para agentes na transferência de Jô que representam o triplo do percentual médio em operações similares analisadas pela Fifa. A remuneração dos agentes é ainda 10 vezes maior do que o percentual recomendado pela entidade em suas normas. Não há, no entanto, irregularidade pela legislação.

O caso foi revelado pelo blogueiro do UOL, Juca Kfouri. O centroavante corintiano foi negociado com o Nagoya Grampus por R$ 31,9 milhões, sendo que R$ 9,570 milhões foram em comissões para empresários. Quem ficou com a maior parte foi o agente Giuliano Bertolucci, que representa o jogador. A comissão total foi, portanto, de 30% do total da transação e isenta de impostos.

Pois bem, relatório recente da Fifa sobre empresários e agentes mostrou que a comissão média para transferências grandes é de 5,2% sobre o total no caso dos agentes de clubes compradores, e 5,4% no caso dos times vendedores. Ou seja, somadas, as comissões dos dois times dariam um percentual médio de 10,6%, cerca de um terço da fatia que o Corinthians destinou aos agentes. Esse percentual vale para negociações acima de US$ 5 milhões como é o caso de Jô.

O relatório da Fifa é bem abrangente e inclui negociações desde 2013 até o final de 2017, portanto, por cinco anos. Pelo seu levantamento, há comissões discrepantes, o que joga às vezes, o percentual médio para em torno de 7% para cada agente. Mas só se atinge quase 30% com transferências de valores pequenos, abaixo de US$ 1 milhão.

Os percentuais descritos no relatório já fogem do previsto pela Fifa em sua legislação. Pelo regulamento de intermediários da entidade, a comissão recomendada a agentes de clubes deveria ser de no máximo 3% da transação. Ou seja, neste caso, o Corinthians extrapolou em dez vezes a recomendação da federação internacional.

Advogados consultados pelo blog ressaltaram que não há irregularidade ou ilegalidade na operação feita pelo Corinthians na venda de Jô. Mas, sem quererem se identificar, reconhecem que o percentual é discrepante com o mercado que costuma atingir no máximo 15% ou 20% em percentuais mais altos.

Uma prática comum relatada por advogados é que clubes têm usado as comissões muitas vezes para disfarçar direitos econômicos. Isso porque a posse por terceiros de direitos sobre a venda de jogadores foi proibida pela Fifa. Assim, algumas agremiações inflam comissões para poder pagar por direitos.

Neste caso, pode haver uma investigação da CBF se houver indício de simulação. Mas não existe nada de apuração na confederação em relação à operação até o momento.

Outro ponto que chama a atenção é que, segundo a Fifa, os clubes que contratam costumam pagar comissões mais altas do que os que vendem. No caso da negociação de Jô, Bertolucci, que é agente de Jô, recebeu R$ 6,4 milhões, enquanto o representante do Nagoya ficou com um percentual menor.

O Corinthians informou que não comentaria sobre as comissões da negociação de Jô para o Japão.

Colaborou Dassler Marques


Flu pode cobrar multa de R$ 200 mi por Scarpa, mas Palmeiras tem proteção
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Na ação judicial na Justiça trabalhista, o Fluminense revelou o valor da multa rescisória prevista no contrato de Gustavo Scarpa: R$ 200 milhões. Pela Lei Pelé, o clube carioca pode cobrar o montante do jogador e do Palmeiras que anunciou sua contatação. Por isso, a agremiação alviverde colocou uma cláusula que dá a Scarpa a obrigação de pagar eventual valor devido, o que não impede o tricolor de cobrar do alviverde.

O meia tricolor entrou com uma ação trabalhista para se desvincular do Fluminense no final do ano passado por atrasos em direitos de imagem, em FTGS, férias e 13o. Conseguiu uma decisão liminar que o libera do seu contrato, mas o mérito ainda será decidido em abril pela Justiça trabalhista.

O Palmeiras analisou a situação do processo de Scarpa com cuidado e entendeu que não há chance de derrota do atleta. Isso porque há a compreensão no alviverde de que são vários os atrasos dos pagamentos de direito, dando base suficiente para rescisão pela lei.

O Fluminense já decidiu que vai manter a ação contra o jogador para restabelecer o vínculo do atleta. Sua alegação no processo é justamente que Scarpa entrou com o pedido de rescisão com a intenção de se transferir sem pagar a rescisão. Em decisão de 10 de janeiro, a juíza Dalva Macedo analisou as argumentações do clube e negou a liberação para o jogador (que foi dada posteriormente por um desembargador). Ali, a magistrada revela a tese do clube carioca:

''Alegou a Ré (Fluminense), ainda, que o autor, em flagrante má-fé, pretende a rescisão do contrato de trabalho por suposta mora contumaz, quando, na realidade, busca a sua transferência sem qualquer compensação financeira à Reclamada, uma vez que existe previsão de multa rescisória no montante de 200.000.000,00'', informou a magistrada em seu relatório.

Advogados consultados pelo blog afirmaram que o Fluminense pode cobrar esse valor de Scarpa e do Palmeiras desde que ganhe o caso na Justiça trabalhista. Para isso, se baseiam no artigo 28 da Lei Pelé, artigo 2o: prevê que o clube que se acertar com o jogador é devedor solidário em caso de rescisão. Nesta hipótese, o time carioca poderia processar o Palmeiras após ganhar o mérito da disputa com o jogador. Se perder, nada pode fazer.

Por isso, embora não veja chance de derrota de Scarpa, o Palmeiras incluiu uma cláusula de proteção pela qual pode entrar com uma cobrança contra o jogador caso seja acionado na Justiça. Em compensação, pagou luvas de 6 milhões de euros ao jogador, como revelou a ESPN e confirmou o blog. Isso seria uma forma de garantir que este é o valor da operação, sem incrementos na Justiça.

Um advogado consultado pelo blog afirmou que esse tipo de cláusula é um mecanismo jurídico de proteção usado recentemente em algumas contratações com jogadores em litígio. Advogados mais atualizados têm recomendado esse tipo de cláusula. Mas afirmou que ainda não existe uma jurisprudência consolidada na Justiça sobre a medida.

Em resumo, se Scarpa ganhar a ação do Flu, o clube carioca passou a ter um prejuízo de R$ 200 milhões de uma multa que não será paga. Caso o Flu vença, poderá cobrar do jogador e do clube paulista. Neste caso, o Palmeiras terá uma forma de evitar a cobrança, embora isso ainda possa ser discutido na Justiça. A audiência entre a agremiação tricolor e o jogador está prevista para abril.

Colaboraram Leo Burlá e Danilo Lavieri


Governo criará regra para reprimir lavagem de dinheiro em venda de jogador
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O governo federal criará regras específicas para reprimir o uso da venda de jogadores para fins ilegais como a lavagem de dinheiro. O principal objetivo é fiscalizar empresários de atletas, mas pode atingir dirigentes. Já foi elaborado uma base da resolução no COAF (Conselho de Controle da Atividade Financeira) com esses fins.

Em 2015, o órgão questionou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional quem teria a prerrogativa de fiscalizar movimentações financeiras com o exterior relacionadas às vendas de jogadores. A resposta foi que o COAF, órgão do Ministério da Fazenda, era o responsável. Esse é o motivo para desenvolvimento de uma nova regulamentação.

Publicado nesta semana, o texto da minuta do COAF explica que seu objetivo é a ''prevenção à lavagem de dinheiro'' com foco em pessoas físicas e jurídicas que atuem na negociação de atletas e artistas. É certo que o texto se aplica a empresários e agentes de jogadores.

Questionado pelo blog, o Ministério da Fazenda informou que a fiscalização vai incluir todos os que atuem nas transações, o que incluiria também cartolas e clubes.  ''A norma abrange pessoas físicas ou jurídicas que atuem na promoção, intermediação, comercialização, agenciamento ou negociação de direitos de transferência'', disse o órgão.

No texto do COAF, os empresários ficam obrigados a informar todas as operações relacionadas ao futebol acima de R$ 30 mil. Em relação às operações da elite do futebol brasileiro, isso significaria praticamente todas as transações entre jogadores, incluindo as comissões dos agentes.

Os empresários também ficam obrigados a manter os registros dos valores de todas as operações, assim como descrição dos serviços prestados. Outra exigência é que os agentes tenham atualizados seus cadastros com CPF, CNPJ, endereços.

O texto está aberto à consulta pública, e portanto a sugestões, pelos próximos 30 dias. Isso significa que pode ser modificado. Mas fica clara a intenção de regular o volume de dinheiro movimentado por empresários e agentes. Segundo o Ministério da Fazenda, após a consulta, o COAF aprovará o formato final e estabelecerá uma data para as normas entrarem em vigor.


Agentes ganharam seis vezes o valor de Neymar nos últimos cinco anos
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Relatório recente da Fifa mostra a enorme quantidade de dinheiro pago em comissões no mercado mundial, quase integralmente na Europa. Nos últimos cinco anos, os agentes de jogadores ou clubes receberam US$ 1,590 bilhão (R$ 5,109 bilhões) em torno de seis vezes o valor da negociação de Neymar que foi a maior da história do futebol.

Esses pagamentos a empresários são praticamente só na Europa que representa 96% das comissões. Para se ter ideia, nos países da Conmebol, foram apenas US$ 23 milhões em quatro anos.

Além de mostrar a força do mercado europeu, isso pode indicar que em boa parte das vezes as comissões no Brasil nem sempre são pagas oficialmente e declaradas à Fifa. As transações de jogadores que vão para o exterior são pagas, em geral, pelos clubes que compram os atletas.

Mas os times brasileiros investiram um total de R$ 266 milhões em jogadores vindos do exterior no ano passado, em dados da CBF de agosto. Ou seja, caso se repetisse o padrão mundial (7,7% de comissão pelo total), haveria um valor superior a R$ 20 milhões em comissões só na última temporada. O Brasil não está nem entre os dez países que mais pagam comissões.

Quem paga as maiores comissões no mundo do futebol é quem mais contrata: isso é a Inglaterra. Foram US$ 490 milhões nesses últimos quatro anos. O valor vem crescendo em todo o mercado mundial, proporcionalmente a maior execução de operações no mercado.


Oposição do Vasco terá obstáculos para anular desmanche de Eurico
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Provável presidente do Vasco pela oposição, Júlio Brant terá dificuldades para anular as recentes negociações de jogadores e contratos do atual dirigente Eurico Miranda. Brant anunciou sua intenção de rever os últimos atos do atual presidente. Só que a base legal para isso é subjetiva já que Eurico tem a caneta no momento.

Primeiro, relembremos a situação: houve eleição indireta no Vasco com contestação judicial de uma urna em que havia acusação de fraude em favor de Eurico. A Justiça decidiu em favor de Brant até agora o que deve lhe dar a vitória em eleição no Conselho. O pleito tem que ser marcado até o dia 22 de janeiro.

Neste meio tempo, Eurico liberou o zagueiro Anderson Martins, praticamente fechou a venda de Mateus Vital e ainda ofereceu Paulinho e Guilherme Costa no mercado. Acertou um contrato de fornecedor esportivo com a Diadora que pode se estender a até três anos, segundo ele.

Os atos são vistos como lesivos por Brant que informou que vai analisar se tentará reverte-los. Para isso, o grupo de oposição pretende alegar ''gestão temerária''. Esse mecanismo está na Lei de Responsabilidade do Esporte que prevê punição para quem descumprir determinados itens.

Só que, na lei, há previsão de descumprimento em casos de antecipação de receitas, medidas que causem aumento de endividamento trabalhista ou déficit, além de contratos com benefícios a dirigentes. Não há previsão de contratos com condições adversas.

A oposição do Vasco tem consciência da dificuldade, mas entende que é uma zona cinzenta e que pode alegar na Justiça que tratava-se de acordos lesivos ao clube. Isso poderia ser feito, por exemplo, caso Mateus Vital seja negociado por um valor muito abaixo do mercado.

Dentro do Conselho Deliberativo atual do Vasco, majoritariamente a favor de Eurico, o entendimento é de que o dirigente tem a caneta e a prerrogativa de assinar esses contratos enquanto durar seu mandato, que vai até 16 de janeiro. Não haveria sequer necessidade de levar o contrato de patrocínio aos conselheiros, nesta tese. Esse é outro ponto que será estudado pela oposição: se as medidas de Eurico ferem o estatuto.

 


Ao vender Mancuello, Fla inclui cláusula para evitar calote do Cruzeiro
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Na negociação do jogador Mancuello, o Flamengo incluiu um cláusula que prevê que um possível atraso de pagamento do Cruzeiro seja julgado em tribunal da CBF que pode dar pena esportiva. Foi uma forma de se prevenir contra eventual calote do time mineiro em relação às parcelas. A agremiação celeste acumula R$ 50 milhões em dívidas por contratações não pagas na Fifa.

Flamengo e Cruzeiro acertaram a negociação de Mancuello por US$ 1,8 milhão (R$ 6 milhões) por 60% dos seus direitos. Desse total, 40% serão pagos à vista (R$ 2,4 milhões), sendo o restante a ser quitado em três parcelas durante o ano de 2018.

A maioria das condições contratuais para possíveis atrasos dos pagamentos é similar a de outras negociações de venda: há multas para o caso de não quitação do valor nas datas certas.

Mas o Flamengo impôs uma condição: qualquer litígio tem que ser resolvido no CNRD (Comitê Nacional de Resolução e Disputas), tribunal arbitral criado pela CBF. Inicialmente, o Cruzeiro resistiu a essa cláusula, mas acabou aceitando. Isso tira o litígio da Justiça comum para a esportiva.

E qual a diferença? O julgamento é teoricamente mais célere e o Cruzeiro pode sofrer um pena esportiva por atraso no pagamento. O regulamento de transferências de jogadores da CBF prevê que o tribunal pode tratar da resolução de dívidas de clubes, em seu artigo 3o. Segundo as regras do comitê de disputas da entidade, uma agremiação tem direito de recorrer contra a outra se houver um atraso de 30 dias no pagamento.

A partir daí, o clube devedor se sujeita a possíveis penas até que tenha quitado o débito. Entre as sanções possíveis, está a proibição de registro de jogador de seis meses a 2 anos ou bloqueio de cotas de repasse da CBF (um exemplo é Copa do Brasil).

A diretoria do Flamengo tem confiança que o Cruzeiro cumprirá os pagamentos. Mas entendeu que, com a cláusula, se previne contra uma surpresa e torna a operação benéfica. Com parte do pagamento à vista, garantiu o dinheiro para quitar a próxima parcela de Mancuello, e tem um mecanismo de pressão para receber o restante do dinheiro.


CBF investiga clube da 3ª divisão de SP que atua em transferências da elite
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A CBF deu início a primeira investigação de clube por supostamente fazer ponte sem fins esportivos em uma intermediação: trata-se do Monte Azul, da terceira divisão do Paulista. É analisada a sua operação em relação ao volante Patrick, que estava no Sport e agora vai para Internacional. O time já atuou em outras negociações de times de elite.

A Fifa proibiu em 2015 que terceiros tenham direitos sobre a venda de jogadores. A partir daí, agentes e empresas passaram a usar clubes menores para registrar atletas. A entidade internacional passou a punir esses clubes-pontes, e a CBF criou um regulamento em 2016 para coibir a prática.

Pelas regras, o regulamento da CBF prevê punição às transferências-ponte, que são todas aquelas que não têm finalidade esportiva e, sim, obtenção de vantagens por terceiros. Um exemplo é uma negociação definitiva, seguida por outra temporária.

Pois bem, houve uma denúncia à confederação de que a saída de Patrick do Sport para o Inter feria o regulamento. Seu registro definitivo é com o Monte Azul, e ele saiu de empréstimo do time pernambucano para a equipe gaúcha. A questão é que a operação para o Internacional não foi concluída do ponto de vista burocrático, embora já anunciada. Antes, Patrick fora emprestado ao Goiás e ao Sport.

Questionada pelo blog, a CBF confirmou a investigação do time da 3ª Divisão do Paulista e informou que, quando esta for concluída, será enviada à Câmara de Resolução de Disputas e Litígios, formada pela entidade. Não quis se aprofundar nos detalhes da apuração. Na câmara, pode haver sanções que vão da proibição de registros até exclusão de filiação. O clube já foi notificado.

O empresário do jogador é Marcelo Robalinho. Foi ele o agente da operação e, por isso, faz parte da investigação. Outros jogadores da elite ligados ao agente e a seus antigos sócios que são donos da OTB já tiveram vínculos com o Monte Azul.

Robalinho atua por meio da empresa Think Ball, que teve uma associação com a OTB, dos empresários Bruno Paiva e Marcelo Goldfarb. A sociedade foi desfeita em 2015, e hoje as partes não têm relação.

O volante Gabriel, que era agenciado pela OTB, era vinculado ao Monte Azul antes de jogar no Corinthians. O lateral Edílson, ex-atleta do Grêmio e agora Cruzeiro, também já teve vínculo com o time da 3ª divisão e era empresariado pela OTB. O lateral Fabrício, ex-Internacional, é apresentado na página da OTB como tendo um título pelo Monte Azul.

Detalhe: o Monte Azul tem receitas entre R$ 700 mil e R$ 1 milhão nos últimos quatro anos. Renda Insuficiente, portanto, para bancar salários de atletas desse padrão.

Questionado pelo blog, Robalinho afirmou que não vê nenhuma irregularidade no empréstimo de Patrick. ''Se existe uma norma de 2015 que jornalista não pode fumar maconha, e você fumar maconha antes disso, você não vai mais poder ser jornalista?'', questionou. ''A norma não é retroativa''.

Seu argumento é de que o vínculo de Patrick com o Monte Azul é de 2014, portanto, anterior à norma da CBF. Desde 2014, o volante jogou apenas três meses no time de 3ª Divisão, segundo o empresário. ''Foi uma cessão temporária igual a todas as outras que são permitidas no Brasil. Qual a ilegalidade nisso? Não pode emprestar jogador?''.

Ele ainda afirmou que as decisões de punições da Fifa sobre clube-ponte têm caído no CAS (tribunal esportivo) porque não há norma sobre esse tipo de operação. E disse desconhecer a investigação da CBF porque não faz parte do clube, nem foi notificado.

Pela apuração do blog, Patrick, jogador que atuou na Série A em 2017, tinha salário de R$ 1 mil no Monte Azul. O salário e o período do jogador no clube que é acusado de ser ponte contam para a análise do caso da CBF para identificar se há uma ''transferência ponte''.

O blog tentou contato com o presidente do Monte Azul, Marcelo Favero, por meio de seu escritório e de seu celular, sem retorno até o final do dia. Ninguém atendia no telefone do clube.

 


Com suspeita de manipulação, Copinha tem patrocínio de empresa de apostas
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Atingida por denúncia de tentativa de manipulação de resultado, a Copa São Paulo de Junior tem patrocínio de uma empresa que mantém um site de apostas. O site ''BET90.Com'' usa a marca da Copinha e permite apostas em jogos da competição, enquanto o ''BET90.TV'' aparece em placas da entidade.

Há dúvidas sobre a regularidade desse tipo de propaganda por conta da regulação do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). A Federação Paulista de Futebol (FPF) alegou que segue a legislação brasileira.

Esse tipo de aposta em jogos no Brasil é ilegal, previsto como contravenção penal. Mas sites de apostas costumam anunciar no país com outras empresas ligadas que são apenas de palpites e remetem às páginas com possibilidade de jogar a dinheiro.

É o caso do patrocinador da Copinha ''BET90.TV''. Seu site é apenas de prognósticos esportivos, mas tem um ícone para um site de apostas esportivas chamado ''BET90.com''. Esse oferece bônus de R$ 400 para quem se inscrever no ''Pacote Copinha''. Há vários jogos da competição disponíveis para apostas neste domínio que não é brasileiro, e portanto, não está submetido à legislação nacional.

''É proibido (o jogo e fazer propaganda), mas eles usam uma versão diferente do mesmo patrocinador. O CONAR tem restrições a propaganda de apostas, mas sites usam um subterfúgio de ter a propaganda de site de palpites. A legislação brasileira não fala nada sobre isso: tapa o sol com a peneira'', contou o especialista em direito esportivo da FGV, Pedro Trengrouse, que defende a legalização das apostas com pagamento de impostos.

Em uma decisão de abril de 2013, o CONAR vetou propagandas da empresa BET365, justamente no mesmo modelo da ''BET90''. A empresa informava que só fazia propaganda de site de palpites, mas o argumento não foi aceito já que remetia ao de apostas.

''Tais argumentos não convenceram a relatora. Para ela, toda a articulação do anúncio mais a coincidência no nome dos sites são 'uma clara tentativa de atrair consumidores para a franquia, sem qualquer distinção', escreveu ela em seu voto. Notou ainda que, se digitado no Google, o nome do site remeterá àquele de apostas pagas. Por isso, recomendou a sustação, voto aceito por unanimidade'', diz a decisão do Conar, tomada após voto da conselheira Renata Garrido. Anteriormente, o órgão vinha aceitando o argumento e aceitado esse tipo de propaganda.

A FPF (Federação Paulista de Futebol) tem um programa para tentar monitorar as apostas online e impedir manipulações. Contratou a empresa Esporte Radar com esse objetivo, mas as apostas em jogos sob o comando da federação ocorrem justamente por conta do funcionamento desses sites, fora do país. A entidade defendeu a legalidade da publicidade do site:

''O contrato de patrocínio segue rigorosamente a legislação brasileira, que veta publicidade de sites de apostas. Anúncios de sites de palpites, porém, são permitidos pela legislação. Isto já acontece, por exemplo, na Copa do Brasil, Sul-Americana e, inclusive, em grandes veículos de comunicação.''

No exterior, é legal e aceitável que empresas de apostas esportivas patrocinem times de futebol, como já ocorreu com o Milan. De fato, a Conmebol vende publicidade da Sul-Americana para outro site de apostas.


Ideia do Fla é ter Carpegiani no futuro em função igual a de Autuori no Flu
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O primeiro contato entre dirigentes do Flamengo e Paulo César Carpegiani foi na última rodada do Brasileiro. Na ocasião, o diretor Rodrigo Caetano aproveitou a viagem a Salvador para conversar com o treinador do Tricolor baiano. Queria chamá-lo para ser coordenador técnico do clube em uma função similar a que Paulo Autuori executava no Atlético-PR, e agora faz o mesmo no Fluminense.

A ideia é criar uma modelo que dê estabilidade ao Flamengo com um coordenador que estivesse apoiando o treinador em exercício. Para a diretoria do clube, esse é o modelo para o futuro em que uma pessoa auxilia os diretores rubro-negros com conhecimento técnico, seja para trocar um treinador ou contratar atletas.

Não ficou fechada a negociação e no meio do caminho surgiu o interesse dos chilenos pelo técnico colombiano Reinaldo Rueda. As negociações se desenrolaram sem que o clube soubesse no início, mas o Flamengo já temia perder o treinador no final de dezembro. Oficialmente, dizia que ele ficaria.

Em janeiro, as negociações entre Chile e Rueda avançavam. A partir daí, Rueda tinha avisado que tinha proposta. Mas o diretor Rodrigo Caetano era tranquilizado por ele de que sua intenção era ficar no clube. O Flamengo já não tinha certeza.

Por isso, foi conversado com Carpegiani na semana passada se ele mudaria a função para qual seria contratado. Ficou praticamente tudo acertado para que assumisse o cargo de técnico se Rueda dissesse que não permaneceria. Havia, sim, a ideia de tentar outro técnico e ele ficar como coordenador, mas as opções no mercado escassearam. Após o colombiano fora, ele foi confirmado.

A partir de agora, Carpegiani é técnico efetivo do Flamengo, sem ser interino. Mas o Flamengo voltará, sim, a procurar um técnico a longo prazo para que ele se volte para o cargo de coordenador em função igual a de Autuori. O que isso significa? Não há prazo para isso ocorrer, e certamente não será agora. Pode ocorrer, sim, se houver uma oportunidade no futuro.


Vasco inicia processo por percentual de Coutinho e receberá em até um mês
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A diretoria do Vasco já deu início aos procedimentos para obter o percentual da venda de Philippe Coutinho do Liverpool para o Barcelona. O valor ficará entre R$ 12,4 milhões e R$ 15 milhões, dependendo do cálculo. Pelo menos uma parte do montante deve ser recebida em até 30 dias.

Pela legislação da Fifa, o clube formador do jogador tem direito a um percentual de até 5% da venda do jogador. No caso de Philippe Coutinho, o valor da transferência foi de 160 milhões de euros (R$ 620 milhões), sendo uma parte paga à vista e outra parceladamente.

O Vasco já contratou um escritório de advocacia para trabalhar na requisição do percentual de Coutinho. A expectativa é de que o Barcelona não apresente nenhuma resistência para o pagamento, sendo necessário, portanto, levantar os trâmites legais.

Por isso, foi pedido o passaporte do jogador na CBF que registra quanto tempo o atleta ficou atrelado ao clube de São Januário dos 12 aos 18 anos.  Coutinho ficou no Vasco até os 18 anos. Assim, a diretoria vascaína acredita que o percentual fique entre 2% e 2,5% do total.

Pela legislação, o Barcelona que paga a transferência tem que separar esse percentual e repassar ao Vasco até 30 dias após a inscrição de Coutinho, que deve ocorrer nos próximos dias. Desta forma, a expectativa seria receber em torno de três quartos do total devido, entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões. O restante viria nas datas dos outros pagamentos.