Blog do Rodrigo Mattos

Proposta do Fla e entrevista de cruzeirense ajudam Galo a ganhar caso Fred
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Propostas do Flamengo e do Qatar, luvas milionárias e uma entrevista de dirigente do Cruzeiro ajudaram a dar ganho de causa ao Atlético-MG no caso contra Fred em que cobra R$ 10 milhões de multa do atacante. É o que se constata na leitura da decisão do CNRD (Comitê Nacional de Resolução de Disputas) que o blog teve acesso. Pelo documento, fica claro que a dívida deve acabar recaindo sobre o Cruzeiro.

A disputa no tribunal da CBF é emblemática porque legitima a utilização de cláusulas para impedir um jogador a se transferir para um rival desde que respeitadas certas circunstâncias. Advogados de Fred ainda vão recorrer à Comissão de Arbitragem e, por enquanto, a obrigação de pagar está suspensa.

Para relembrar a história, o Atlético-MG rescindiu seu contrato com Fred no final de 2017. O objetivo do clube era reduzir a folha salarial pois o atleta ganhava R$ 800 mil mensais. Na negociação, a rescisão se deu com o alvinegro reconhecendo uma dívida de R$ 2 milhões e com a imposição de uma multa de R$ 10 milhões caso ele se transferisse para o Cruzeiro no prazo de até um ano.

Além de outras questões processuais, a discussão se deu principalmente em relação à validade ou não da multa. O Atlético-MG alegou que ''o jogador e o Cruzeiro agiram em conluio com a finalidade de fraudar a cláusula indenizatória do Contrato de Trabalho''.

De forma separada, Fred e o Cruzeiro usaram de diversos argumentos para tentar provar a nulidade. Alegaram que o mecanismo foi imposto sem que pudesse ser negado, provocou interferência de um terceiro (o Atlético-MG) em contrato entre clube e jogador, feriu a liberdade de escolha de mercado do jogador e não lhe deu contrapartida pela imposição. Assim, argumentam que eram quebrados a Lei Pelé e norma da Fifa.

''O jogador defende, ainda, que o Termo de Resilição tem natureza de contrato de adesão, não tendo havido negociações efetivas a seu respeito, mas um “acerto unilateral”, diz trecho do processo. Fred ainda argumenta que o clube demonstrou ter interesse na sua saída com a contratação de Ricardo de Oliveira.

Já o Cruzeiro apontou que a cláusula se assemelhava à volta do ''extinto passe'' e disse que seu motivo era ''torpe''.  ''O Cruzeiro sustenta que a multa decorre de motivo torpe, a rivalidade entre os clubes envolvidos.'' Por fim, o clube considera o valor abusivo e pede redução se a multa for validada.

Esses argumentos não foram acolhidos pelo tribunal. Em sua conclusão, os cinco membros entenderam que a multa era válida. Na sua posição, argumentaram que é uma cláusula de não-concorrência que se iguala à cláusula penal. Neste sentido, é válida se tiver uma limitação geográfica (só Minas Gerais), temporal (só até o final de 2018) e uma contrapartida para o empregado, no caso Fred.

Aí surge a discussão de qual foi o ganho de Fred. Segundo a decisão do tribunal, o jogador teve como ganho ser liberado sem pagar R$ 100 milhões da sua multa, o que lhe dava substancial poder de negociar luvas vantajosas.

''Dito de outra forma: ao liberar FRED para negociar com qualquer clube do Brasil ou do exterior, o Atlético não apenas abriu mão de uma potencial receita extraordinária, como o JOGADOR passou a ter o poder de barganhar luvas maiores do que se poderia esperar em uma transferência onerosa'', diz a conclusão.

E os juízes rechaçam a tese de que o jogador ficaria sem mercado para ir para outro clube que não o Cruzeiro pelas propostas recebidas por ele. É citada a negociação com o Flamengo que ocorreu antes de sua rescisão com o Galo. Além disso, o atleta recebeu uma proposta milionária do Qatar.

''A conjunção daqueles fatos notórios com os elementos específicos citados acima permite à CNRD concluir ser pouco crível imaginar que um atleta do nível e com o currículo de Fred – em negociações com o Flamengo e com uma proposta na casa de R$ 35 milhões por dezoito meses de contrato – teria dificuldades de se reposicionar, ou que somente o Cruzeiro estaria disposto a lhe receber'', diz a decisão.

Em seguida, o tribunal também desconsidera o argumento do time azul de que o valor da multa é abusivo. Primeiro, lembra que os R$ 10 milhões representam 10% da cláusula penal. Em seguida, o tribunal cita uma entrevista do próprio vice-presidente de Futebol do Cruzeiro, Itair Machado, minimizando o valor.

''Ainda, há de se notar que o Vice-Presidente de Futebol do CRUZEIRO afirmou o seguinte em entrevista à época da contratação do JOGADOR, conforme notícia de cj. 011/A7: “O Fred nos informou dessa cláusula. Até estranhei porque achei (o valor) da cláusula muito baixo, pelo jogador que o Fred é. E completou: “Todos os atacantes que tentei contratar, que o Fred na minha opinião é mais jogador, você gastaria de R$ 20 a R$ 30 milhões. Essa declaração também contribui para a percepção de que o valor ajustado na multa não foge do razoável'', diz a conclusão do tribunal. 

Dos cinco julgadores, dois foram a favor da redução da multa. A maioria composta por três, no entanto, entendeu que é para quitar a multa integral de R$ 10 milhões, mais juros de 1% ao mês e os honorários dos advogados. Quem tem que pagar, ao final do processo, é o jogador Fred.

Mas o próprio processo deixa claro que, pelos documentos disponíveis o valor deve recair sobre o Cruzeiro ao tratar do acordo entre o clube e o jogador. ''Pelo que se lê dos documentos que foram juntados a seu respeito, tudo indica que FRED só tende a arcar com o ônus financeiro da multa combinada se as garantias prestadas se mostrarem insuficientes ou se o CRUZEIRO faltar com os compromissos que lhe prestou, e cujos riscos assumiu expressamente'', diz trecho da decisão.

O pagamento da multa está suspenso até a conclusão do processo na segunda instância da arbitragem. A partir daí, mantida a decisão, o Atlético-MG poderá tentar bloquear receitas de Fred e posteriormente do Cruzeiro. 


Rei da TV Aberta em 18, Palmeiras ganharia maior cota por exibição na Globo
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O Brasileiro-2019 terá uma nova divisão de cotas de televisão e uma parte do bolo será dividida de acordo com o número de exibições em TV Aberta e TV Fechada. Pelos números de jogos na Globo durante o Nacional-2018, o Palmeiras seria o clube que teria direito a maior fatia pois se tornou o time mais exibido na emissora. A agremiação alviverde ainda negocia um contrato com a Globo para o próximo ano, e por enquanto só vendeu seus direitos da TV Fechada para a Turner.

Do bolo da Globo de R$ 1,1 bilhão destinados à TV Aberta e à Fechada, há previsão de distribuir 40% de forma igualitária, 30% por posição e 30% por exibição em cada plataforma. No caso da TV Aberta, serão R$ 180 milhões destinados à divisão por meio de exposição na Globo.

A divisão se dá da seguinte forma: somam-se todas as aparições dos times na TV Aberta independentemente se apenas para alguns Estados ou para o Brasil inteiro. A partir daí, do total, estabelece-se qual percentual cada um dos clubes tem direito. Quanto mais aparecer na TV Aberta, mais ganha. A mesma regra vale para a fatia da TV Fechada.

Até 2017 Corinthians e Flamengo eram os que mais apareciam na TV Aberta. Mas, nesta temporada, houve dois fatores que mudaram isso. Primeiro, a emissora alterou sua estratégia e colocou mais jogos dos dois times no pay-per-view para aumentar o número de assinantes. Além disso, o Palmeiras fez a melhor campanha do Nacional, tornando-se campeão. Por isso, atraiu mais atenção.

O time alviverde acabou o campeonato com 17 partidas exibidas na Globo, quase metade de seus jogos. Foi seguido pelo Cruzeiro. Depois, vieram juntos vários clubes, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Fluminense e Vitória com 13 jogos. O Palmeiras também teria a melhor premiação por posição, ficando com a maior cota desses contratos.

Ressalte-se que um estudo indica que Flamengo e Corinthians devem ganhar mais dinheiro com os novos contratos de televisão por conta da divisão do bolo do PPV.

O clube alviverde está em uma longa negociação com a Globo para contratos de TV Aberta e PPV. Isso porque a emissora quer estabelecer um desconto no contrato palmeirense por conta de ter assinado com a Turner, enquanto o clube não aceita. Mas ainda há tempo para fechar e as negociações avançam. Campeão e com mais exibições na TV Aberta, a agremiação reforça seu pleito de ser valorizada.

O blog não levantou a divisão da TV Fechada porque pelo menos sete clubes têm contrato com a Turner e portanto as condições seriam diferentes. Nas transmissões fechadas, o SporTV terá de usar jogos apenas dos 13 clubes com os quais têm direito. Veja abaixo quantos jogos exibidos e qual o valor estimado cada um dos clubes ganharia em 2019 só na fatia referente à exibição em TV Aberta:

Palmeiras* – 17 jogos – R$ 15,480 milhões

Cruzeiro – 16 jogos – R$ 14,500 milhões

Flamengo, Corinthians, São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Vitória – 13 jogos – R$ 11,9 milhões

Grêmio e Internacional – 12 jogos – R$ 11 milhões

Botafogo, Vasco e Sport – 10 jogos – R$ 9,1 milhões

Bahia* e Atlético-PR* – 6 jogos – R$ 5,5 milhões

Santos e Paraná – 5 jogos – R$ 4,6 milhões

América-MG e Ceará – 4 jogos – R$ 3,7 milhões

Chapecoense – 2 jogos – R$ 1,8 milhão

*Ainda não têm contrato com a Globo para TV Aberta e pay-per-view

 

 


Final épica não apaga erros da Conmebol que precisa de autocrítica
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A Libertadores-2018 foi marcada por vexames fora de campo e por uma decisão épica entre Boca e River, surpreendentemente em Madri. A Conmebol não pode se deslumbrar com o espetáculo de dramaticidade que foi o jogo e ignorar os erros crassos que cometeu durante a competição. É preciso autocrítica da entidade o que não vimos até agora.

O título do River Plate, embora justo dentro de campo, foi marcado por irregularidades cometidas pelo clube durante a campanha. O clube escalou um jogador irregular, Zucculini, o técnico Gallardo interferiu em semifinal embora suspenso e como episódio final houve as agressões a jogadores do Boca.

Pior, as punições ao River foram ridículas. Em relação à irregularidade de atleta, nada sofreu. O treinador tomou outra punição branda. Por fim, o clube teve dois jogos de portões fechados por agressões a rivais, isto é, quase impunidade. Não dá para admitir um parâmetro desse no tribunal de disciplina da entidade.

Em entrevista ao ''El Pais'', o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, colocou culpa nas autoridades de segurança argentinas, na cultura de torcedores, etc. Não houve nenhuma autocrítica. Algo do tipo: ''É, precisamos ser mais duros nas punições para evitar novos casos.'' Lembremos que este mesmo tribunal da Conmebol deu um perdão ao Boca Juniors depois do episódio de os jogadores do River serem agredidos na Bombonera.

Em resumo, a Conmebol evoluiu em áreas como a comercialização da Libertadores com contratos melhores. Não dá, no entanto, para vender um produto mais caro e não produzir um produto melhor.

As imagens do jogo em Madri mostram um espetáculo que vale a pena ser assistido e pode empolgar o mundo. Agora o que acontece nos escritórios da Conmebol ainda é digno de torneios de várzea que não sabem nem inscrever um simples ficha de jogadores.

 


Uma final com o drama sul-americano na Europa premia o River
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O cenário era o Santiago Bernabéu, casa do time mais poderoso da Europa. Mas a cara da decisão era sul-americana: as duas torcidas cantavam muito mais do que fazem os espanhóis, havia a rivalidade histórica argentina maior do que as europeias e uma carga de dramaticidade típica do continente. Neste cenário, venceu o melhor time, o River Plate, com direito a um gol sem goleiro no final.

Lembremos antes todo o cenário que levou à final em Madri. As agressões de torcedores do River a jogadores do Boca Juniors impediram o jogo no Monumental de Nuñez em uma vergonha para o continente. Antes disso, o clube campeão protagonizou irregularidade com jogador que não podia estar em campo, Zucullini, e seu técnico Galhardo desrespeitou sua suspensão no jogo com o Grêmio.

Sim, isso mancha a conquista do River. Mas não nos tira a constatação de que venceu o melhor time do continente. Portanto, dentro de campo, o resultado refletiu quem tinha mais bola.

Não foi o que se viu, no entanto, no início do jogo. O River não conseguia impor seu jogo de posse de bola e triangulações, efetivo no primeiro jogo. Errava muitos passes.

Em compensação, o Boca era agressivo na marcação e na recuperação de bola, e veloz nos contra-ataques. Era melhor e podia ter aberto o placar já quando Nandez enfiou um passe longo, reto, em profundidade, para Benedetto. Com um corte seco, ele deixou só o zagueiro e tocou no canto.

Após o intervalo, o River Plate mudou. Sem Galhardo, suspenso, seu auxiliar colocou o colombiano Quintero em campo, enquanto do outro lado o Boca abria mão de Benedetto por Ábila. Foram movimentos decisivos para o resultado final.

Com o habilidoso meia em campo, no lugar do pouco produtivo Ponzio, o River passou a dominar as ações e encaixou o seu jogo. Foi uma tabela com participação de Quintero e Nacho Fernandez que resultou em conclusão de Pratto. O jogo era todo do River, o que se acentuou com a expulsão de Barrios.

A partir daí, já na prorrogação, era um bombardeio do River. Justo que o gol tenha saído pelos pés de Quintero, mais uma pintura. Após a tabela, ele enfiou a bola na gaveta para virar o jogo. Depois disso, restou o desespero ao Boca Juniors que até conseguiu meter uma bola na trave.

Mas, com seu goleiro Andrada jogando de atacante, sobrou a bola livre para Pity Martínez encerrar a Libertadores mais longa da história diante do gol vazio. Foi uma final que a organização da Conmebol não merecia, mas que o continente esperava que ocorresse quando os dois times chegaram à final.


Internacional dá lição de democracia ao Flamengo
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Ocorridas no mesmo dia, neste sábado, as eleições de Flamengo e Internacional mostraram como o clube gaúcho avançou na ampliação da democracia enquanto o carioca segue com pleito pouco representativo para o tamanho de sua torcida. Essa constatação nada tem a ver com quem ganhou ou perdeu, já que os resultados foram absolutamente legítimos. Trata-se de discutir o tamanho do colégio eleitoral -não só dos dois clubes- e a forma como se deu o processo nas duas agremiações.

Por estatuto, o Internacional abre voto para seu sócio contribuinte e torcedor. Assim, o colégio eleitoral do clube tem um total de 64 mil aptos a votar. Embora a participação ainda seja minoritária, 16.259 participaram da eleição que reelegeu o presidente colorado, Marcelo Medeiros, neste sábado.

De qualquer maneira, abre-se a possibilidade real de participação daquele associado que ajuda o clube e não tem título de proprietário. Não é parte de um pequeno clube privilegiados que decide. Até a distância foi superada com a admissão do voto por internet e por aplicativo, este último implantado nesta eleição.

É certo que ainda há o que se aprimorar. A necessidade de as chapas só passarem ao segundo turno após votação no Conselho Deliberativo é discutível porque cláusulas de barreira sempre inibem renovação. Entende-se o procedimento porque há temor nos clubes de que, com a votação ampla para sócio contribuinte, alguém com interesse fisiológico possa tentar comprar uma eleição.

Enquanto isso, o Flamengo teve pouco mais de 8 mil sócios aptos para votar, a maioria deles proprietários, nenhum sócio-torcedor. Isso em um clube que tem cerca de 100 mil sócios-torcedores. Quem decidiu o futuro do clube foram apenas 3.048 mil eleitores. Foi eleito o novo presidente Rodolfo Landim por maioria considerável, 1879 votos.

É bem possível que sua eleição tivesse se confirmado também com colégio eleitoral mais amplo porque havia uma insatisfação pela falta de títulos com a situação. Independentemente da análise da gestão de Eduardo Bandeira de Melo, o fato de existir alternância de poder costuma ser saudável. Mas isso não altera a realidade de que um maior número de rubro-negros deveria poder influenciar no destino do clube.

Há quem defenda dentro do Flamengo a ampliação do colégio eleitoral para incluir sócios-torcedores com alguns anos de contribuição. Uma corrente do clube queria que associados com cinco anos de contribuição na categoria máxima de torcedor pudessem votar. Mas o Conselho Deliberativo rubro-negro até o momento tem se mostrado resistente a seguir nesta direção.

A título de comparação, pela última pesquisa Datafolha de torcidas, de 2018, o Flamengo tem 18% da torcida nacional, enquanto o Internacional tem 3%. Ou seja, por esses dados, a agremiação carioca tem uma torcida seis vezes maior do que a colorada. Em compensação, o colégio eleitoral do time rubro-negro é oito vezes menor do que do clube gaúcho. É óbvio que há uma desproporção aí e falta representatividade na eleição rubro-negra.

Em termos nacionais, clubes como Internacional, Grêmio e Bahia são aqueles que avançaram para ter processos mais democráticos de eleição ao incluir alguma categoria de sócio contribuinte ou torcedor no pleito. No meio do caminho, há agremiações onde há processos democráticos com sócios e um colégio eleitoral restrito. São a maioria como Flamengo, Fluminense, Botafogo, Santos, Corinthians e Palmeiras.

Por último, há clubes que são menos democráticos porque mantêm eleições de presidentes realizadas por meio do Conselho Deliberativo, isto é, de forma indireta. São os casos do São Paulo, Atlético-MG, Cruzeiro e Vasco.

Em geral, como acontece em governos, onde há mais democracia nos clubes, há maior transparência e maior possibilidade de escrutínio por parte do eleitor/torcedor. Como consequência, os gestores vão pensar melhor em como agir para fortalecer a instituição ou correm o risco de perder o poder.


“Não provocamos, só nos mostramos diferentes”, diz Petraglia sobre vídeo
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O Atlético-PR não quis provocar com o vídeo de marketing em que faz menção a São Paulo, Flamengo, Corinthians e Grêmio: seu objetivo é mostrar que é diferente dos outros times. É o que afirma o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Mário Celso Petraglia.

Parte da nova campanha publicitária da imagem do clube, o vídeo (veja abaixo) usa expressões de identidade desses clubes como ''bando de loucos'' (Corinthians), ''nação'' (Flamengo), ''soberano'' (São Paulo) e ''imortal'' (Grêmio). Em seguida, aponta qualidades do Atlético-PR como enfrentar a Globo, ter o próprio estádio e pensar no futuro.

''Não estamos provocando, estamos dizendo que somos diferentes. Temos o maior respeito (pelos clubes)'', afirmou Petraglia. ''É uma coisa da nossa cultura de ter ambição de não se conformar com a desigualdade''. Informado que diversos torcedores viram o vídeo como provocação, ele rebateu: ''Isso é uma questão deles.''

O dirigente se refere ao seu pleito de que o dinheiro de televisão do Campeonato Brasileiro seja dividido de forma igualitária, o que o coloca em confronto com a TV Globo. A diretoria do Atlético-PR, aliás, tem boa relação com a cúpula do Flamengo e do Corinthians.

A nova cara do Atlético, com escudo, uniforme e identidade, será lançada na terça-feira, véspera da final da Sul-Americana. Petraglia, que chegou a dizer que poderia propor mudança de nome e cores, não revela se pretende alterações mais profundas como o nome. ''Vamos deixar em suspense.''

A final da Sul-Americana será um dos jogos mais importante do time na Arena da Baixada já que o time não pôde disputar as finais da Libertadores (2005) e da Copa do Brasil (2013) em seu estádio. Houve a final do Brasileiro diante do São Caetano, antes da reforma, mas o título só veio no segundo jogo, fora de casa.

Por conta desse jogo, a diretoria do Atlético-PR não tem nem ouvido propostas sobre seus jogadores, sendo que alguns deles interessam a outros clubes. ''Nem atendo o telefone. Nossa intenção é manter. Pode ser que saia um pela multa, mas pensamos em manter'', disse, ressaltando que só vai pensar no ano de 2019 depois da final da Sul-Americana.


Bandeira diz que gestão tirou Fla do caos, mas admite insatisfação por taça
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Após seis anos como presidente, Eduardo Bandeira de Mello deixa o comando do Flamengo em 2019. No saldo da sua gestão, houve uma recuperação econômica que reduziu a dívida do clube de R$ 750 milhões para um valor pouco acima de R$ 300 milhões ao final de 2018, além de melhorias patrimoniais como dois CTs. Em contraponto, uma escassez de títulos que levou apenas à conquista da Copa do Brasil em 2013 como conquista relevante.

A eleição que vai eleger seu sucessor ocorre neste sábado e tem como principais candidatos Ricardo Lomba, da situação, e Rodolfo Landim, da oposição. O primeiro defende feitos da atual gestão, embora pregue mudanças na gestão do futebol. O segundo critica falta de cobranças e resultados do time, colocando a ausência de títulos na conta de Bandeira.

Em entrevista ao blog, o próprio presidente rubro-negro faz sua avaliação: vê a recuperação financeira como principal mérito e reconhece insatisfação pela falta de títulos. Admite erros em confrontos com torcedores, mas rechaça que tenha faltado cobrança ao time. Aponta que a próxima gestão terá de decidir a futura casa entre o estádio próprio a ser construído em terreno na Barra da Tijuca (para o qual há opção de compra) ou assumir a concessão do Maracanã.

UOL – Qual o balanço que faz de sua gestão?
Bandeira – De maneira geral, saio de consciência tranquila de que fiz o melhor que pude. Flamengo evoluiu nestes seis anos, financeiramente nem se fala. Pegamos o Flamengo em situação caótica. Passivo era ético e moral. Isso conseguiu ser revertido e hoje o Flamengo é transparente. Nosso faturamento foi multiplicado, patrimônio líquido será positivo pela primeira vez na história. Pode ser auditado pelas ''Big Four'' (empresas de auditoria). Em termos gerenciais, Flamengo está em situação invejável o que é impensável há seis anos. Revolução jurídica deixou para trás 600 ações trabalhistas, acabaram penhoras. Neste particular, Flamengo evoluiu bem. Falando de futebol, Flamengo voltou a ter condições de atuar no mercado graças à solidez no mercado, a gente pode investir e trazer jogador que não podia. (Fizemos) Trabalho de base que apesar de ser de longo prazo, já formamos jogadores. Construímos dois CTs, por conta disso, nossa base vai ter o melhor centro de base. Ou seja, o clube evoluiu muito. Pergunta: estou satisfeito? Não, porque gostaríamos de ter resultados expressivos no futebol. Tenho certeza de que é uma questão de tempo. Porque futebol não é ciência exata. Você sabe o que te leva a melhorar e o que melhorou. Antes, estava satisfeito por não cair à 2ª divisão. Agora, fica insatisfeito com melhor campanha da história (nos pontos corridos). Quando eu estava na arquibancada, eu gritava ''Libertadores, qualquer dia estamos aí''. Agora não grita porque sempre está. Temos que continuar nesta rota e vamos ser campeões.

UOL – Por que esse trabalho não se transformou em título? Houve falhas? O que faltou?
Bandeira – Acho que é uma questão de tempo. É natural. Já se vê a melhoria de desempenho. Hoje (Brasileiro-2018) podia ser campeão com essa pontuação. Tivemos uma série de problemas, arbitragem, gols perdidos. Se o Flamengo fosse campeão, não teria sido injusto. Não dá para a gente garantir. Palmeiras tem um padrinho, ou melhor uma madrinha, que garante o provimento de recursos ilimitados. Flamengo tem que gerar recursos com o seu próprio negócio. Não diria que não deu certo.

UOL – Há uma crítica constante de que faltou cobrança no futebol. Faltou cobrança por melhores resultados?
Bandeira – Não falta cobrança. Discordo disso. Existe entre jogadores, da diretoria com os profissionais, dos profissionais com jogadores. O que não existe é humilhação, achincalhe. Algumas pessoas gostariam que expusesse jogadores e desse bronca pela imprensa, fizesse um discurso de esporro coletivo para todo mundo ouvir. Não se expõe jogadores. Eu não admito humilhação de jogador do Flamengo. Por isso algumas pessoas mal intencionadas falam que são queridinhos do presidente. Não existe desrespeito, mas cobrança tem.

UOL – Em determinados momentos, o senhor teve reações destemperadas com torcedores, fez gestos. O senhor entende que foi correto?
Bandeira – Não é com a torcida, é com determinados torcedores. Se botar todos os episódios, são no máximo uns dez. Teve um de Florianópolis, Campinas, agora esse que eram seis na Gávea. Teve um no último momento do Atlético-PR que inventou que foi agredido por segurança e não foi. Não foram tantos. Várias vezes fui agredido verbalmente, quase agredido fisicamente em aeroporto. Sou de carne e osso, não sou sangue de barata. Não sou um lorde. Se você me perguntar se eu repetiria? Não repetiria porque não adianta nada. Mas foi a reação natural.

UOL  – Há uma discussão sobre quem é responsável pela recuperação financeira do Flamengo. No grupo original, havia pessoas da oposição e da atual situação…
Bandeira – Ficaram 2013 e 2014 (oposição). Dois anos e alguns meses. (Diz que a exceção foi Claudio Pracowinick com quem diz não ter nenhuma desavença). E não é verdade que eu não cumpri acordo porque o Landim falou para eu ser candidato à reeleição. Quando o (Luiz Eduardo) Bap saiu em 2015, fizeram um grupo, os quatro mudaram de ideia e faltava um mês de meio para inscrição da chapa. Não fazia sentido ali o grupo já estava montado. Me parece óbvio (quem foi responsável pela recuperação) se este grupo no final do mandato dizia que não tínhamos condições de conseguir patrocínios, nossas projeções não faziam sentido. Conseguimos tudo que propusemos, e mais do que isso. Vi entrevista do Landim dizendo que participou da renegociação de dívida do Flamengo. Nunca houve renegociação. Nosso diretor escalonou a dívida. O Profut que foi tocado por mim. Não porque eu seja o ''pica das galáxias'', mas porque o presidente do clube que tem que negociar. Não por que é o Eduardo, foi o Flamengo e eu era o representante. Dívida vencida, impagável, trocou por Refis, de um dia para outrO, reduziu em R$ 100 milhões e foi escalonado em 20 anos. Dívida bancária: pagamos. Vai ficar em R$ 26 milhões no final de 2019.

UOL – Qual a redução da dívida ao final de 2018?
Bandeira – Levantamos com Ernest & Young R$ 750 milhões quando apuramos a dívida (quando assumiu). Com outros esqueletos, chegava a R$ 800 milhões. Hoje, está em R$ 300 milhões e poucos, sendo  R$ 240 milhões com o governo. A grande questão nas eleições anteriores era de dívida. Agora estamos no período eleitoral e não se fala de dívida. Isso foi fruto de vontade política.

UOL – Voltando ao futebol, a diretoria não trocou excessivamente de técnicos?
Bandeira – Se pudesse voltar atrás, teria de fazer diferente. Não é um problema do Flamengo. É um problema do futebol brasileiro. Infelizmente, tem essa cultura que não é exclusiva do dirigente. Se perder três partidas, terá um repórter perguntando se ele está confirmado. É uma cultura que todo mundo faz parte.

UOL – Mas não foi fruto de escolhas ruins de técnicos da diretoria?
Bandeira – Nenhum treinador que chegou tinha avaliação negativa. Alguns não performaram tão bem quanto antes. Não era o problema do técnico.

UOL – O senhor acaba o mandato sem ter resolvido a questão do estádio: se o Flamengo vai optar pelo Maracanã ou estádio próprio? Por que esta questão não está encaminhada?
Bandeira – Em 2012, ninguém imaginava que Flamengo poderia resolver isso e administrar o Maracanã. Um clube como Flamengo nunca teria condições de participar da licitação. Foram impedidos porque não tinham capacidade de administração. Maracanã não sobrevive sem o Flamengo. Se não puder ter a solução sobre o Maracanã, vai partir para a solução própria. Por isso, o clube assinou uma opção de compra de terreno que temos 10 meses (em terreno na Barra da Tijuca, atrás do Via Parque). Temos como avaliar a viabilidade. Se entendermos que é interessante, temos condições de comprar o estádio. Em 10 meses é o tempo para resolver a situação do Maracanã. Se entender que é o melhor o Maracanã, parte para essa solução.

UOL – Mas a informação que tenho é de que esse terreno tem um valor bem superior à primeira opção na Avenida Brasil. O clube tem como arcar?
Bandeira – Não posso confirmar o valor. É um valor consideravelmente maior (do que o da Av. Brasil). Em compensação, a área é mais valorizada. Principal problema da Avenida Brasil era a alça (viária que será feita pelo governo do Estado e atrapalha o terreno). Houve a questão da violência também. Para mim, o que atrapalhou foi a alça. Segurança podíamos resolver. Decidimos não seguir em frente. Flamengo tem condições de comprar o terreno (da Barra). A situação do clube permite postular um financiamento de longo prazo. Pode agregar parceiros que possam participar, pode vender cadeiras perpétuas, naming rights. Localização na Barra melhora muito esses aspectos.

UOL – Qual foi o legado dessa administração e no que falhou?
Bandeira – Não sou eu. Todas vezes que falo que é sobre trabalho da diretoria. Sou parte da equipe. Existe muita gente comigo aqui. Não só como os vices-presidentes. Nosso mérito foi a profissionalização do clube. É minha insatisfação como torcedor, que é como torcedor.

UOL – A partir do momento que teve recursos, o Flamengo contratou jogadores e alguns deles não deram certo apesar do alto investimento. O sistema de contratações do clube funciona?
Bandeira – Isso você vê em qualquer clube. Em todas as contrações, nem todas vão ter o mesmo grau acerto. Será inerente à atividade. Há a questão de adaptação que tem no Brasil. Tem jogadores que se adaptam melhor do que outros. Há investimentos que são acertados, e outros não. Estamos trabalhando para minimizar essa incerteza. A gente está procurando otimizar cada vez mais. Trouxemos um especialista que trabalha com o Manchester City, Sandro Orlandelli. Procura minimizar os possíveis erros. Mas acabar não tem como.

UOL – O que você fará da vida após o mandato? Pretende trabalhar no futebol?
Bandeira – Não é conveniente um ex-presidente ficar dando palpite porque não vale a pena ter sombra. Estou avaliando algumas possibilidades. Vou fazer algumas coisas como exame médico, cuidar da família. Se não vou trabalhar no Flamengo, não vai ser em outro clube. Sempre fui crítico de entidade então não faz sentido. Vou continuar estudando. Vou conversar com vocês na área acadêmica (de futebol). Quero ter tranquilidade para avaliar com calma. Não preciso ter urgência. Talvez possa trabalhar com consultoria no futuro aproveitando a experiência em assuntos que lidei no BNDES.

UOL – E na vida política do clube?
Bandeira – Sou conselheiro do clube, mas não pretendo ficar assim com aquele protagonismo de quem quer derrubar o presidente ou aparecer para futura eleição. Cumpri meu ciclo. Dei minha contribuição. Vou continuar sócio-torcedor, anjo da guarda. E ajudar no que for demandado. Vivi seis anos de forma intensa o clube.

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‘Gato’ do Goiás será investigado por STJD e CBF, mas não deve mudar tabela
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O caso da suposta adulteração de idade do jogador Ernandes, do Goiás, será investigado pela CBF e pela procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva). Mas provavelmente isso não vai implicar em nenhuma perda de pontos do time goiano, nem alterar na tabela ou acesso às Séries A e B. Esse é o cenário atual apurado pelo blog após ouvir fontes envolvidas com a questão.

A Ponte Preta estuda uma formalização de denúncia do Goiás ao STJD por conta da suposta adulteração de idade do registro de Ernandes. No seu registro, consta data de 11 de novembro de 1987, enquanto há uma suposta certidão com o ano de 1985. Mas o clube ainda não se decidiu se vai de fato ao tribunal. Quarto na Série B, o Goiás perderia a vaga na Série A para a Ponte caso tivesse pontos retirados da tabela.

A procuradoria do STJD já se prepara para pedir os documentos do caso para averiguar os fatos. Não dentro do órgão do tribunal, no entanto, nenhuma informação que implique em culpa do Goiás no caso. Por isso, é considerado quase descartado pedir perda de pontos do time. Isso só vai acontecer se ficar configurado que o time goiano teve participação na adulteração do documento.

Em paralelo, a CBF vai requisitar ao Goiás a documentação relacionado ao atleta para analisar sua situação. A confederação descarta fazer denúncia pedindo punição ao time goiano baseando-se em seu regulamento de competições.

Em janeiro de 2017, após o Internacional tentar fugir do rebaixamento no tapetão, a CBF alterou o seu regulamento de competições para tentar evitar viradas de mesa por irregularidade de inscrição de jogar. No novo conjunto de regras, ficou estabelecido que a condição de jogo não é afetada por questões de regularidade de inscrição. Ou seja, mesmo que Ernandes tenha uma certidão de nascimento falsa, tinha condições de jogo.

Assim, a intenção da CBF é investigar o caso de Ernandes e envia-lo ao CNRD (Comitê Nacional de Resolução de Disputas) que não pode tirar pontos, apenas punir jogadores, clubes ou agentes com suspensões ou multas. A procuradoria do STJD, no entanto, entende que o caso deveria se desenrolar no tribunal.

De qualquer maneira, a tendência é que, se comprovada uma irregularidade no registro do atleta, só ele esteja passível de punição se ficar comprovado que o Goiás não teve culpa.

A Ponte Preta estuda outra possível suspeita em relação ao Goiás que é irregularidade na substituição de atletas inscritos no Brasileiro da Série B. Mas ainda não é certo que este caso irá adiante, nem que será feita uma denúncia.


Clubes brasileiros reclamam de pena da Conmebol ao River: ridícula e branda
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Clubes brasileiros que disputarão a Libertadores reclamaram da punição imposta pelo tribunal da Conmebol ao River Plate pelos incidentes da final da competição. O clube argentino foi sancionado com dois jogos de portões fechados e uma multa de US$ 400 mil. Dirigentes de times nacionais classificaram a pena como ''branda'', ''ridícula'' e que faltou ''atuação firme'' da entidade.

Para recapitular, no segundo jogo da final, torcedores do River Plate arremessaram objetos no ônibus de jogadores do Boca Juniors que se feriram. Por isso, a partida no Monumental de Nuñez, estádio do River, foi suspensa e depois remarcada para Madri.

Na quinta-feira, o tribunal da Conmebol definiu a pena que foi levemente mais dura do que a sofrida pelo Flamengo pelas confusões no Maracanã na final da Sul-Americana. Na ocasião, o estádio foi invadido por torcedores e houve ameaças a torcedores argentinos, além de violência generalizada. Na avaliação dos cartolas brasileiros, o River merecia pena mais dura.

''Achei extremamente branda, extremamente branda. Espero que não precise acontecer uma tragédia como aconteceu em Bruxelas na Bélgica, como no jogo entre Juventus e Liverpool, para que a Conmebol e o futebol argentino tenham uma mudança mais contundente'', afirmou o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, em referência à final da Copa dos Campeões da Europa, em 1985.

Na ocasião, 39 torcedores morreram como resultado dos confrontos entre as torcidas. Os ingleses foram banidos de competições europeias por cinco anos já que a torcida do Liverpool foi a principal responsável pela tragédia.

Medeiros disse que, na reunião entre clubes brasileiros na CBF, chegou-se a discutir a questão de segurança na Libertadores, mas a pauta principal foi de cotas de Libertadores. O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, que já tinha pedido a exclusão do River de futuras Libertadores, usou só uma palavra para definir a pena: ''Ridícula.''

Já o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, comparou a pena com a sofrida por seu clube. ''Branda, se compararmos com a punição do Flamengo pelos acontecimentos da final da Sul-Americana do ano passado.''

Por fim, o vice-presidente do Atlético-MG, Lasaro Cunha, que é advogado esportivo, disse que até houve uma melhora recente da Conmebol em relação à transparência e regulamentos. Mas entende que o sistema disciplinar continua ''bastante frágil'' e que falta clareza nas regras. E lembrou que o River já tinha contado com a condescendência da Conmebol.

''No caso da Libertadores deste ano, no específico do River, ele teve um antecedente com o Grêmio, um antecedente gravíssimo, e recebeu em relação às faltas que cometeu, penas fracas, tímidas'', analisou em referência ao técnico do River Gallardo que deu instruções ao time na semifinal com o Grêmio mesmo suspenso pela Conmebol.

''E agora resultou em um problema muito mais grave (na final) que requereria uma atuação bem mais firme da instituição. Processo começou com falhas e resultou nessas consequências do capítulo final que tem demonstrado que não foi adequado. Tem que privilegiar menos as penas pecuniárias e privilegiar as penas pedagógicas, que tem efeito pedagógico'', disse ele, em referência a punições por portões fechados em vez de multas.

 


Ex-membro da Fifa diz ter acertado propina por Copa-2018, mas não recebeu
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O caso Fifa teve a revelação da primeira acusação de suborno relacionada à escolha da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Um ex-membro da cúpula da Fifa, Rafael Salguero afirmou em depoimento à Justiça dos EUA que recebeu uma oferta de propina de uma pessoa que queria a vitória de um dos candidatos na escolha, aceitou a proposta e votou pelo país, mas não recebeu o dinheiro. A Justiça dos EUA manteve sob sigilo trechos que revelam quem o subornou e qual o país beneficiado.

Natural da Guatemala, Salguero foi membro do Comitê da Fifa de 2007 a 2015. A revelação de que ele era um dos implicados no caso Fifa aconteceu apenas há pouco tempo porque era mantida em segredo pela Justiça dos EUA.

Nesta terça-feira, o judiciário norte-americano aceitou abrir o depoimento de Salguero em que ele confessa participação em conspiração criminosa e em lavagem de dinheiro. Entre outros crimes, ele cita o caso da oferta de propina na votação da Copa da Rússia.

No seu relato, Salguero conta que, no meio de 2010, foi abordado por um homem quando estava em um voo do México para a Guatelama. Esse episódio ocorreu seis meses antes da votação das sedes das Copas de 2018 e 2022. O nome não é revelado. A partir daí, eles se encontraram para várias refeições.

Nestes encontros, segundo Salguero, o homem não identificado começou a falar sobre a candidatura. E aí no depoimento ele diz: ''Ele falou que tinha um amigo muito rico na Itália com o nome de (…) e que esta pessoa estava envolvida no futebol e queria que (…) ganhasse a Copa-2018. E, se eu fosse para a Itália, ele me daria centenas de milhares de dólares se eu votasse pelo (…)''

À Justiça, Salguero conta ter ficado com medo de ir para a Itália por conta do foco grande que existia na votação. Mas que tentaria ir depois da eleição das sedes. Duas semanas antes da votação, o ex-membro da Fifa e o interlocutor se encontraram e combinaram de se reunir novamente após o pleito.

Depois, Salgueiro segue em seu depoimento: ''No Comitê Executivo da escolha de 2018 eu votei (…) Apesar de tudo que ele me disse, ele nunca me contactou de novo. Depois de três ou quatro semanas após a votação, eu tentei ligar para o celular dele, mas ninguém atendeu ou retornou as ligações. Eu queria contacta-lo porque eu queria dizer que votei pelo país (…) e que eu queria ir à Itália para coletar o dinheiro que (…) disse que tinha para mim.''

Ou seja, pelo relato de Salguero, ele recebeu uma oferta de suborno por seu voto para escolha da Copa-2018. Aceitou a proposta, mas nunca recebeu. Posteriormente, o homem que lhe ofereceu dinheiro o constatou e prometeu ir a Guatemala para resolver a situação, mas sumiu novamente.

O ex-membro da Fifa admitiu também ter revendido ingressos de Copa do Mundo nas edições de 2006, 2010 e 2014, isto é, a do Brasil. Obteve com isso um lucro de US$ 40 mil em seu relato.

Uma investigação da Fifa sobre o processo de escolhas das Copas de 2018 e 2022 encontrou algumas irregularidades, mas concluiu que não houve comprometimento do processo, na avaliação da entidade. Por isso, as sedes da Rússia e do Qatar foram mantidos. As acusações de subornos até agora atingiram a candidatura qatariana.