Blog do Rodrigo Mattos

Plano de Witzel de ceder Maracanã inteiro agrada ao Fla, mas tem entraves
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O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, anunciou a intenção de fazer uma nova concessão do Maracanã incluindo todo o complexo e não só o estádio. A proposta agrada ao Flamengo, maior interessado na arena. A questão é que há diversos entraves para se fazer uma nova cessão da arena.

Em seu twitter, Witzel afirmou que iria levantar a situação do processo entre a concessionária do estádio, Odebrecht, e o estado. ''Lançaremos um edital para concessão do Maracanã, reforma do Célio de Barros, do Julio Delamare e do prédio do antigo Museu. Preservar a arte e mostrar um novo Rio de Janeiro é nossa meta.''

O blog pediu detalhes do plano de concessão à equipe do governador eleito que informou que isso será visto durante o processo de transição. Por enquanto, há apenas a intenção de fazer a concessão inteira, manifestada pelo governador.

Esse modelo implicará em aumento de custos de obras para revitalizar os três equipamentos. Os dois aparelhos esportivos são tombados e portanto não podem ser destruídos. Só que o Célio de Barros não existe mais como arena esportiva: não tem pista de atletismo, nem instalações, tudo virou estacionamento. teria de ser reconstruído. O Julio Delamare precisaria de reparos e é usado para escolinhas. Witzel não falou do Maracanãzinho.

A diretoria do Flamengo, que terá eleições no final do ano, já teve encontro com Witzel. E entende que é viável disputar a concessão do complexo desde que seja possível estabelecer receitas extras com os outros equipamentos.

''Claro que sim. Teremos que avaliar as receitas adicionais decorrentes do investimento incremental. Tudo vai depender do que estiver definido no edital. E, com certeza, o Flamengo estará apto a ser o protagonista do empreendimento'', afirmou o presidente do clube, Eduardo Bandeira de Mello.

O clube tinha feito uma estimativa de obras para viabilizar comercialmente o estádio em si, o que incluía derrubada de cadeiras e uso do anel para aumentar receitas. O atual governo do Estado do Rio de Janeiro encomendou estudo para nova concessão que foi feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) e que incluía apenas o Maracanã, sem o complexo.

Na avaliação de pessoas envolvidas no processo, o novo governo do Rio de Janeiro terá de realizar outro estudo para concessão se mudou os planos para incluir todo o complexo. Ou seja, será necessário mais tempo para lançar um edital de concessão.

Além disso, há duas disputas relacionados à Odebrecht e ao estádio. A Justiça do Rio já anulou a concessão do estádio à empreiteira por casos de corrupção, mas houve recursos do governo do estado. Além disso, estado e Odebrecht têm uma disputa em tribunal de arbitragem relacionada a supostas perdas por alterações no contrato: a empreiteira pede indenização pela mudança das condições iniciais (justamente a vedação à derrubada do Célio de Barros e Parque Julio Delamare por tombamento).

A Odebrecht se prepara para ficar pelo menos durante o ano de 2019 na gestão do estádio por não ver condições de o imbróglio ser resolvido rapidamente. O fracasso do projeto da empreiteira para o estádio, viciado desde o início por relação promíscua com o estado, serve de exemplo para a nova licitação. Sem a possibilidade de exploração comercial do entorno do estádio, é difícil arrecadar o suficiente para manter o Maracanã que pode custar até R$ 30 milhões por ano.

A posição do governador Witzel, no momento, levanta mais perguntas do que dá respostas quando não detalha um projeto para o estádio.

 


Brasileiro repete rotina com Palmeiras com líder folgado no final
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Finalizada a 35ª rodada, o Palmeiras manteve a diferença de cinco pontos na liderança do Brasileiro para o segundo colocado apesar do tropeço diante do Paraná. O Internacional perdeu do Botafogo e cedeu o segundo lugar ao Flamengo que bateu o Sport. Repete-se assim uma rotina dos últimos seis Nacionais: o ponteiro sempre chega com folga de mais de três pontos neste ponto do campeonato. E nunca houve virada nesta circunstância.

O último Brasileiro com disputa até o final foi o de 2011 em que Vasco e Corinthians chegaram com apenas dois pontos de diferença ao jogo derradeiro. Quando faltavam três jogos, essa vantagem corintiana era igual e se manteve até a conclusão com título do alvinegro paulista.

Desde então, os líderes do Brasileiro têm aberto distância mais cedo e nunca precisaram do último jogo para decidir. Para se ter ideia, faltando três rodadas, a menor diferença nesses últimos seis anos foi do próprio Palmeiras em 2016. O time tinha quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder Santos.

Aliás, uma coincidência: Flamengo e Palmeiras chegaram a este estágio com exatamente a mesma pontuação atual. Os alviverdes tinham 71 pontos, e os rubro-negros, 66. A diferença é que havia os santistas entre eles – acabaram como vice-campeões.

De resto, o Brasileiro, equilibrado durante sua disputa, já costuma chegar a este estágio com o título decidido, ou quase. No ano passado, o Corinthians garantiu o campeonato justamente na 35ª rodada ao abrir 10 pontos para o Grêmio e se tornar inalcançável.

Dois anos antes, o Corinthians de Tite também já era campeão neste estágio pois tinha 12 pontos sobre o Atlético-MG. Em 2014, o Cruzeiro tinha sete pontos de vantagem sobre o São Paulo quando faltavam três jogos: foi campeão na rodada seguinte. E o mesmo time celeste já era campeão a três jogos do final.

Antes, em 2012, o Fluminense foi campeão em jogo contra o Palmeiras justamente na 35ª rodada, ao abrir 10 pontos sobre o rival Atlético-MG.

Em resumo, o histórico recente do Brasileiro não é de um equilíbrio e disputa até o final. É o que se ensaia também em 2018 ainda mais se considerarmos que, além da vantagem, o Palmeiras tem um tabela bem mais fácil diante do América-MG, Vasco e Vitória, times da parte debaixo da tabela. Enquanto isso, o Flamengo enfrenta Grêmio, Cruzeiro e Atlético-PR. Será portanto uma enorme surpresa se houver uma reviravolta e se fugirá da rotina dos últimos anos.


Enquanto conversa sobre futuro, Fla tem queda de renda com Maracanã
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Ao mesmo tempo que conversa sobre o futuro do Maracanã, o Flamengo teve queda de receita líquida em sua volta ao estádio em 2018 em novo acordo com a Odebrecht e problemas no estádio. É o que mostra o balancete mais recente do clube. Na semana retrasada, a diretoria rubro-negra conversou com o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), sobre uma concessão do estádio.

O balancete trimestral do Flamengo até setembro de 2018 mostra arrecadação de R$ 39,9 milhões em 37 jogos neste ano. Mas, desse total, apenas 14% foram para os cofres rubro-negros, isto é, R$ 5,9 milhões.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, a receita foi maior com R$ 47,3 milhões em 43 jogos o que também se explica por grandes públicos nas finais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Neste caso, o clube ficou com 28% do total, sendo um total de R$ 13,3 milhões.

Essa diferença se explica pela mudança de estratégia do Flamengo neste ano. Abandonou a Arena do Urubu, onde tinha público menor e ingressos mais caros. Assinou novo acordo com a Odebrecht para uso do Maracanã até 2020 e abaixou o preço dos ingressos. Como resultado, teve sua melhor média de público no Brasileiro desde a década de 80, com 47 mil pessoas.

A questão é que a queda de custos do Maracanã combinada com a Odebrecht ocorreu em proporção pequena. Para se ter ideia, o clube ficou com apenas 18% das suas rendas no Brasileiro, quase todo disputado no Maracanã, percentual bem inferior aos 40% do ano passado.

A diretoria do clube entende como positiva a política por outros ganhos. Há rendas de comidas e bebidas (estima-se em R$ 200 mil por jogo), maior adesão do sócio-torcedor (que atingiu 100 mil) e um ganho da marca com o aumento de público no estádio. O Flamengo terá eleição presidencial neste final de ano. Segundo a situação atual, o contrato com a Odebrecht será mantido até 2020.

Além disso, houve problemas operacionais no período. O gramado esteve em mau estado a maior parte do tempo, o que gerou críticas de jogadores rubro-negros e obrigou ao fechamento do estádio. Na partida decisiva diante do Palmeiras, houve um apagão das luzes no meio do segundo tempo.

Ao mesmo tempo, o clube começou a conversar sobre o futuro. Em reunião, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, recebeu sinalização positiva de Witzel sobre a possibilidade de participação de agremiações na concorrência do Maracanã. Essa é uma reivindicação antiga do Flamengo.

O problema é que tanto o futuro governador quanto o time da Gávea não têm ideia de quando a Odebrecht sairá do estádio. A concessão à empreiteira já foi até anulada na primeira instância da Justiça pelas suspeitas de corrupção, mas o caso foi para recurso. Enquanto isso, arrasta-se um caso entre governo do estado e Odebrecht em tribunal de arbitragem.

A ideia do clube, se as condições forem favoráveis, seria oferecer-se para fazer obras de adaptação e assumir integralmente a gestão do estádio. O compromisso é incluir a obrigação de ceder o Maracanã para os outros três clubes quando quiserem jogar por lá – no caso do Fluminense, terá de ser negociado um acordo.

Questionado sobre o assunto, a assessoria de Witzel respondeu: ''O governo do estado passou para a equipe de transição a situação atual da gestão do Maracanã e não há como definir o andamento na Justiça. As futuras ações para a gestão do estádio serão definidas durante o período de transição.''

A diretoria do Flamengo desenvolveu projeto de estádio próprio durante a gestão Bandeira de Mello, mas este não foi à frente depois que um terreno se tornou inviável. A próxima gestão terá de decidir se retoma essa ideia ou insiste no Maracanã.


Corinthians e Vasco é jogo que vale milhões de TV e futuro dos clubes
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Ameaçados de rebaixamento, Corinthians e Vasco disputam jogo que vale milhões em cotas de TV do Brasileiro e o futuro dos dois clubes para os próximos anos. Explica-se: pelo novo modelo de distribuição de receita de televisão os times grandes não têm mais salvaguarda quando caem à Série B, isto é, nada ganharão da primeira divisão. E os dois alvinegros carioca e paulista enfrentam graves crises financeiras.

Até 2018, os contratos de televisão com a Globo previam a manutenção da cota de televisão para o ano seguinte à queda de um grande para a Segundona. No segundo ano, ficaria com 50%. Isso acabou com o novo contrato.

Para se ter ideia do impacto, o estudo da Ernest & Young com Cesar Grafietti sobre cotas de TV estima que o Corinthians pode ganhar até R$ 271 milhões da televisão no Brasileiro de 2019 com o novo modelo de distribuição. Sem a salvaguarda, a cota de televisão da Série B é R$ 6 milhões por clube.

Claro que, com a força de sua torcida, o Corinthians poderá negociar um acordo paralelo para a Série B como já aconteceu em outras circunstâncias – o mesmo vale para o Vasco. E talvez pleitear um dinheiro pelo pay-per-view. Mas não poderá requisitar participação no bolo da Série A, o que gera uma perda considerável para seus caixas. De garantido, só os R$ 6 milhões.

No caso vascaíno, o caso é mais grave. O mesmo estudo da Ernest & Young e de Grafietti prevê receitas de R$ 103,6 milhões para o Vasco com o Brasileiro da Série A de 2019. Mas os vascaínos têm problemas extras: uma parte significativa de suas cotas com a Globo foi antecipada pela gestão de Eurico Miranda. Ou seja, se não tivesse direito a cotas da Série A, essa pendência comprometeria temporadas futuras.

Além disso, o Vasco é bem mais dependente de cotas de televisão do que o Corinthians. No ano de 2017, último com contas completas disponíveis, o clube teve 80% de sua arrecadação proveniente da Globo. No caso corintiano, foram 37% para o período de 2017 porque o clube tem mais patrocínio e venda de jogadores.

Essas perdas seriam ainda mais sentidas se levarmos em conta que o Vasco foi deixado em situação de penúria financeira por Eurico. Ainda tem dificuldades de pagar salários em dia e teve de pegar um empréstimo de cerca de R$ 40 milhões para fechar o ano. A dívida é crescente pelo balanço publicado pela gestão de Alexandre Campelo, embora Eurico tenha feito um documento paralelo.

No caso corintiano, o clube vive mais um ano de déficit financeiro mesmo com o desmanche do elenco campeão em 2017. A dívida continua a crescer e atingiu R$ 504 milhões, excluído o débito da Arena Corinthians.

Feitas todas essas contas, uma vitória no estádio corintiano se torna crucial para ambos os times. O Vasco tem 39 pontos e está a dois da zona de rebaixamento, enquanto o Corinthians tem um ponto a mais. É bem possível que a pontuação necessária para fugir do descenso seja inferior ao patamar habitual de 45.

Mas as rodadas finais dos dois times estão longe de serem fáceis: os vascaínos pegam o provável campeão Palmeiras, além de São Paulo e Ceará. Já o Corinthians tem um jogo contra a Chapecoense, em confronto direto na luta contra Série B, e duas outras partidas com times de cima, Furacão e Grêmio.


Para inflar ganhos, Conmebol avança para recuperar México na Libertadores
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A diretoria da Conmebol avança em negociações com a Federação Mexicana para tentar recuperar os times mexicanos para a Libertadores na temporada de 2020. Já houve conversas entre as partes e a intenção dos dois lados é retomar a participação interrompida em 2016. Há interesse também em atrair times norte-americanos, mas esse projeto parece mais distante no momento.

O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez esteve nesta semana em evento na Federação Mexicana no país. Em entrevista, afirmou à Fox Sports local que é provável uma reunião no início de dezembro no Paraguai, sede da confederação sul-americana, para discutir a volta dos times locais à Libertadores.

''É um tema que temos que trabalhar mais, não é suma questão de vontade. É uma questão de calendário que foi uma das questões com o México. As portas estão abertas'', analisou.

Não é à toa. O México representava 30% do mercado total da Libertadores quando seus times disputavam o torneio, fatia similar ao dono do maior mercado que é o Brasil. A Fox Sports ameaçou cortar um percentual do que pagava à Conmebol pela Libertadores quando houve a retirada dos times.

Desde o início de 2018, há um movimento dentro da confederação sul-americana para tentar recuperar os mexicanos. Tanto que, na licitação dos direitos da Libertadores, a vendas para o mercado da América do Norte foram deixadas em aberto.

Além do mercado mexicano, a presença dos times do país proporcionam ganhos consideráveis no mercado de televisão norte-americano pela quantidade de imigrantes por lá. Para se ter ideia, executivos de televisão da região entendem que os times mexicanos geram mais penetração na TV dos EUA do que os próprios norte-americanos. TVs esportivas hipânicas nos EUA costumam cortar transmissões da seleção local em favor da mexicana.

Ao mesmo tempo, já houve discussão sobre incluir times norte-americanos na Libertadores. Para isso, membros da Conmebol falaram até em constituir uma sede fixa em Miami, na costa leste, inclusive para times da costa oeste. Assim, se evitariam os deslocamentos mais extensos para os times da América do Sul.


Após posição da Globo, CBF cria grupo para discutir Estaduais para 2020
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A CBF criou um grupo de trabalho formado por presidentes de federações para discutir o futuro dos Estaduais, especialmente para o calendário de 2020. Não há intenção de acabar com as competições: a ideia é achar soluções para reformar e salva-las. A comissão foi montada nesta semana após uma posição da Globo que pede uma revisão no calendário e que se repense os regionais.

Primeiro, ressalte-se que o fim dos Estaduais em 2020 – possibilidade levantada pelo presidente do Conselho do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia – é não só improvável como praticamente impossível no atual cenário. Há barreiras contratuais e políticas que impedem isso.

O Estadual do Rio tem contrato até 2024 com previsão de multa por rescisão, embora o Flamengo só tenha assinado até o próximo ano. O Estadual de São Paulo tem contrato até 2021. Outros, como o Pernambucano, têm acordo até 2022.

Mas a Globo deu, sim, sinais de desinteresse crescente e de querer mudanças. Por exemplo, a Federação do Rio Grande do Sul assinou contrato até 2021, mas, a partir do próximo ano, esse acordo pode ser rompido ou reduzido sem o pagamento de multa. ''Garantido mesmo está até 2019. A preocupação é grande'', afirmou o presidente da Federação do Rio Grande do Sul, Francisco Noveletto, que fala em transformar seu  campeonato em uma ''Champions League''.

Outros Estaduais foram abandonados pela emissora ou têm propostas de valores inferiores, como ocorre com o Paranaense. No Nordeste, por exemplo, a Copa do Nordeste tem mais força que as competições dos estados – com exceção, talvez, de Pernambuco.

Internamente, houve conversas entre Globo e CBF sobre o assunto. Há resistência na diretoria da confederação para uma mudança drástica de redução de Estaduais. Dentro da confederação, há o argumento de que as competições dão emprego para jogadores e revelam atletas.

A verdade é que são o motivo das sobrevivência das federações que elegem o presidente da CBF. Mas alguns dirigentes na entidade defendem alguma redução das competições.

Além de abrir datas e reformar o calendário para 2020, a realidade econômica se impõe no debateA Globo tem menos dinheiro para investir em competições, já que teve de gastar mais com Brasileiro e Libertadores. Aliado a isso, a concorrência da Turner será fraca ou inexistente nas renovações dos Estaduais, que tiveram preços inflados pela possibilidade da Globo perde-la.

Neste cenário, as 18 datas dos campeonatos regionais passam a ocupar considerável espaço no calendário, espremendo as competições mais importantes. Com o seu grupo de trabalho, a CBF quer tornar as competições mais atrativas.

Uma das soluções pensadas por membros do grupo é uma fórmula única para todos os Estaduais, o que daria um padrão a todas as competições. Anteriormente, houve a ideia de alongar as competições durante o ano, o que sofre resistência dos presidentes de federações.

O grupo vai ter que equilibrar a vontade da CBF, que quer manter satisfeitos seus aliados, e dar alguma resposta ao mercado, que cobra mudanças em favor de um calendário mais enxuto com jogos relevantes.


Corinthians e Fla aumentam vantagem com nova cota de tv, diz estudo
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Com o novo modelo de distribuição da Globo, Corinthians e Flamengo aumentarão a vantagem nos seus ganhos com cotas de televisão do Brasileiro em relação aos rivais a partir de 2019. É o que mostra um estudo da Ernest & Young com o consultor Cesar Grafietti que estima quanto cada clube receberá no próximo ano. Há uma comparação na atual divisão do bolo com a futura.

Ao mudar a divisão de cotas, a Globo exaltou o fato de que adotava um modelo mais justo com contratos nas mesmas condições para todos os clubes. E isso vale para TV aberta e fechada (dividido com 40% igual, 30% por posição e 30% por exibição). Mas o pay-per-view e novos acordos de placas publicitárias vão render valores maiores aos dois clubes times mais populares, além de luvas – as placas estão fora do pacote da Globo.

O pay-per-view vai distribuir um mínimo de R$ 650 milhões pelo contrato previsto. E Flamengo e Corinthians vão ter um valor mínimo garantido que representa 18,5% desse total. Além disso, houve mudança de pesquisa do PPV que passará a ser por torcedor cadastrado e em todas as cidades, não só em capitais como antes.

Para se ter ideia, a projeção do estudo da Ernest & Young previu que, no melhor cenário com o time campeão, o Flamengo atinge cotas de R$ 327 milhões pelo Brasileiro-2019. No total, o clube ganharia R$ 147 milhões a mais do que na projeção de 2018 para qual foi considerada a posição do final o primeiro turno.

Já o Corinthians, em caso de título, teria um ganho total de R$ 271 milhões em 2019, isto é, R$ 91,5 milhões a mais do que na atual temporada. A diferença entre os dois é porque o Flamengo ainda tem parte das luvas para receber enquanto o Corinthians já pegou tudo, além de exibições na aberta.

Em comparação, o São Paulo, terceiro da fila, teria ganhos estimados de R$ 173,6 milhões em caso de ser campeão no Brasileiro-2019, um crescimento de R$ 38 milhões em relação à atual temporada. Seu contrato pode ser melhor comparado com os dois primeiros porque o clube já assinou tudo com a Globo. O estudo da Ernest & Young projetou o Palmeiras em faixa similar, mas o time não fechou com a emissora e, na TV fechada, tem contrato com a Turner. Então, o cenário alviverde é mais incerto.

''É isso mesmo (os dois vão ganhar mais). O modelo de aberta e fechada é mais justo. Mas o pay-per-view provoca um descolamento de Corinthians e Flamengo. Eles passam a ter percentuais mínimos garantidos e antes tinham percentuais abaixo disso. Ainda consideramos as placas'', contou o analista Cesar Grafietti, um dos que realizaram a análise. ''(O novo modelo) É melhor para quem está em cima, e quem está embaixo, mas não para quem está no meio.''

Por no meio, leia-se clubes como Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Vasco (teoricamente Inter e Santos também, embora tenham acordos com a Turner). No caso dos três primeiros times, as projeções mostram que eles ganhariam menos em 2019 do que em 2018, caindo de R$ 108 milhões para R$ 100,6 milhões (sempre em caso de título).

O Vasco é mais prejudicado porque tem descontos de cotas antecipadas, então terá receitas menores. Já colorados e santistas aceitaram contratos com a Globo  de TV aberta e PPV com fatores redutores após fecharem com a Turner.

Também há previsão de queda de cota total para Fluminense e Botafogo. Em faixas mais abaixo do PPV, Bahia e Sport têm projeção de aumento de seus ganhos, assim como outros clubes abaixo deles.

Ressalte-se que essa é uma estimativa e os números podem variar com as pesquisas de pay-per-view e o número de jogos exibidos (a projeção foi feita em cima da audiência atual). Mas Grafietti disse que não haverá uma variação que dobre um valor. Para ele, o aumento de vantagem para Corinthians e Flamengo é certo.

No geral, os dois primeiros passariam a ganhar até nove vezes mais do que os últimos. Em ligas europeias, esse percentual é de 1,6 na Premier League, na Inglaterra.

Além da questão da mudança de distribuição, outro fator será a alteração do fluxo de dinheiro pago pela Globo, bem mais concentrado no segundo semestre do que no primeiro. O blog já tratou do assunto no final do ano passado quando mostrou que os clubes teriam de se adaptar.

Como exemplo, o Corinthians passará os quatro primeiros meses do ano ganhando R$ 3,9 milhões em cada parcela, enquanto ganhava R$ 15 milhões durante o ano de 2018. Em compensação, os pagamentos crescem para algo em torno de R$ 30 milhões a partir de maio com valores a receber por exibição e atingem o máximo no final do ano com a premiação por posição.

''Os clubes vão ter que adaptar seu fluxo de caixa no ano que vem porque no primeiro semestre vão ter bastante dificuldade'', explicou o analista da Ernest & Young Pedro Daniel.

Todo esse cenário, lembre-se, leva em conta que a Globo consiga fechar os contratos de pay-per-view e TV aberta com os clubes que faltam, Bahia, Atlético-PR e Palmeiras. Sem eles, o pacote será afetado o que pode ter impacto para todos os clubes. Além disso, há uma disputa de times como Santos e Inter com a Turner relacionado ao contrato de TV fechada.


Fla terá cofre cheio para contratar em 2019 e espera eleição por técnico
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Longe de título na temporada e em meio a uma eleição, a diretoria do Flamengo terá cofre cheio para contratação para 2019 e prospecta jogadores. Esse valor pode girar em torno de R$ 60 milhões no início do ano, mas depende se tudo será investido no futebol. Enquanto isso a definição de técnico terá de ficar para depois do pleito presidencial que ocorrerá em oito de dezembro – a diretoria atual não contatou treinadores.

Há dois valores a serem a recebidos no início de 2019: a segunda parcela da venda de Paquetá a ser paga pelo Milan e as luvas da televisão (R$ 30 milhões). Juntos, devem somar em torno de R$ 60 milhões. A última fatia a ser recebida pelo meia entrará no meio do próximo ano.

Não é certo que todo dinheiro poderá ser usado em contratações. A diretoria do Flamengo já tem um número reservado para contratações no orçamento em preparação, mas não revela a quantia precisa. Isso porque os dados, primeiro, precisam ser apresentados ao conselho.

O que há é um discurso da diretoria que garante que o clube estará em situação bastante confortável para investir. Explica-se: além desse dinheiro que entrará extra, o ano de 2018 teve uma redução da dívida privada com bancos. Nas contas da diretoria, o clube fechará o ano com R$ 26 milhões de débitos com o banco, o que representa R$ 21 milhões a menos do que estava previsto no orçamento (R$ 47 milhões). Desta forma, a situação argumenta que esse valor compensa exatamente a parcela de Paquetá que já entrou nos cofres em 2018.

Haverá pagamentos a serem feitos por Vitinho (que no total custou R$ 55 milhões), e valores a receber da Udinese por Felipe Vizeu.  Com dinheiro, diretores executivos do clube estão prospectando jogadores e pode haver contratações. Dentro da atual diretoria, há a opinião de não seria necessária de uma limpeza drástica no elenco, mas quem terá maior peso na montagem do novo time é o futuro presidente eleito.

Isso é especialmente verdadeiro em relação à contratação do técnico. Dorival Jr tem contrato até o final do ano e, caso Eduardo Bandeira de Mello continuasse no clube, teria chances de continuar. Como ele sai, caberá ao novo presidente escolher um técnico.

A relação péssima entre as chapas de Ricardo Lomba (situação) e Rodolfo Landim (oposição) impede que exista um acordo para tentar escolher o treinador antecipadamente. Treinador do Grêmio, Renato Gaúcho, para quem o clube rubro-negro fez proposta no primeiro semestre, pode fechar sua renovação antes da conclusão do pleito rubro-negro. Abel Braga é outro cogitado pelas duas chapas.

A cinco rodadas do final do Brasileiro, em terceiro e a sete pontos do líder do Palmeiras, o Flamengo terá mais um ano de abundância financeira para contratar. Não significa sucesso visto que o clube investiu R$ 100 milhões nesta temporada e só ganhará título em uma reviravolta improvável.

 


River e Boca dão lição a brasileiros com final na bola e sem catimba
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Quando começa uma transmissão de jogo de Libertadores, um narrador brasileiro meia-boca qualquer (tem vários outros ótimos, diga-se) mete aquele clichê: ''Tem que ficar de olho na catimba dos argentinos''. Nada poderia estar mais longe da verdade atual. Boca Juniors e River Plate deram na final da Libertadores uma lição aos brasileiros de como se concentrar no jogo e menos na arbitragem, no piti, na reclamação.

Sim, com o clima tenso de uma final, houve disputas ferrenhas como a que envolveu o lateral-esquerdo do River, Casco, com trocas de empurrões, normal. E houve simulações como a do atacante do Boca Abila que insistia em se tacar na área pedindo de pênalti.

Mas a proporção era infinitamente menor do que se vê no jogo médio no Brasileiro. Houve pouquíssima cera, reclamações contidas. Nada daquelas rodinhas ridículas a cada lateral que vemos nos gramados nacionais.

Argentinos não são mais os reis da catimba, somos nós. Por aqui, perde-se a conta de quantos goleiros rolam no chão quando o placar está em vantagem, quantos atacantes se jogam na área, quantos jogadores passam 90 minutos em campo falando, reclamando e fazendo gestos. É insuportável.

Em Buenos Aires, no jogo que era o mais tenso da história, o que houve foi futebol. Nenhum dos dois times se retrancou, também como fazem as equipes nacionais seja por jogar fora seja por incapacidade de atuar de forma diferente. Ambos se apresentaram para o jogo com o melhor que tinham, e tinham bastante.

Com dinheiro nos cofres, River e Boca qualificaram seus elencos e têm o que mostrar. Do lado do River, há um Pity Martinez que deu belo passe para o gol de Pratto e depois cobrou uma falta em curva para o segundo o gol que é um primor. Ao lado dele, havia Pratto renascido de uma Libertadores meia-boca, e um dinâmico Borré ao seu lado, além de outros coadjuvantes como Palacios.

Do lado do Boca, menos qualificado do ponto de vista técnico, pode-se ver Benedetto, o que desclassificou o Palmeiras, enfiar linda cabeçada de costas para botar o time em vantagem. E o já veterano Tevez entrar e quase dar a vantagem a seu time em um chute e em um arrancada que só não virou gol porque Benedetto desperdiçou na frente de Armani.

Enfim, não houve guerra, não houve catimba, não houve nem a torcida do Boca alucinada durante o jogo (esteve meio quieta). O que houve em Buenos Aires foi futebol bem jogado, bem disputado centímetro a centímetro, com intensidade que se exige uma final.

A diferença dos times brasileiros para os argentinos, em termos de elenco, nem é grande. Em que pese o renascimento de Boca e River nos últimos anos, diria que equipes como o Palmeiras têm grupo de jogadores de igual nível, e Grêmio, superando dificuldades, também exibe futebol consistente com menos dinheiro. A diferença, nesta Libertadores, é que os argentinos se propuseram a jogar bola. Enquanto isso estávamos preocupados com a ''catimba dos argentinos''.

OBS: Essa coluna pode ser desacreditada por um segundo jogo da final com briga generalizada com direito a voadora no peito. Espero que não.


CBF organiza um Brasileiro em que a bola entra, mas não é gol
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O Brasileiro de 2018 foi inaugurado com um ''pênalti'' em que a bola bateu na cara do rubro-negro Everton Ribeiro – e ele foi expulso. Chega a sua 33a rodada com um lance em que a bola entrou e o gol do Corinthians não foi marcado porque a arbitragem não percebeu que o goleiro Jean a defendeu depois da linha. No meio tempo, houve pênaltis fora da área (mais de um), impedimentos de metros à frente e expulsões claras ignoradas.

O clássico entre Corinthians e São Paulo é só mais um episódio dessa longa série no caso com o alvinegro prejudicado de forma acintosa. Além do gol não marcado, houve um pênalti em Romero em que ele é derrubado pelo zagueiro são-paulino. Detalhe que na bola que não entrou havia o famoso vigia, o árbitro ao lado da trave, que nada viu. Ninguém sabe para o que ele é pago exatamente.

Nem o fato de haver dois erros crassos em um jogo é raro. Um jogo entre Internacional e Vitória teve um pênalti em mão fora da área e outro gol colorado legal anulado.

Também não é incomum que o mesmo árbitro cometa um erro grave em uma temporada, seja perdoado e volte para falhar de novo. Para se ter um exemplo, o árbitro Wagner Reway, que assinalou o pênalti ''de cabeça'' de Everton Ribeiro, é o mesmo que invalidou um gol no último minuto do Palmeiras diante do Cruzeiro na Copa do Brasil por falta inexistente.

A CBF tem uma lista de equívocos da arbitragem em seu site. Trata-se de uma amostragem bem pequena para o que ocorreu de fato no campeonato. E nem é o primeiro Brasileiro com atuação desastrosa de juízes. A sequência dos últimos quatro anos pelo menos é desastrosa.

A cada erro novo a comissão de arbitragem promete melhorar como bem assinalou em entrevista o goleiro Cássio após o clássico. Mas qual a medida efetiva da CBF para dar um mínimo de eficiência aos juízes nacionais (pelo menos em um nível de não passar vergonha)? Nenhuma.

Troca-se o comando de arbitragem, pune-se um juiz e discursos sem fim. A CBF não banca o VAR, não profissionaliza os juízes como fazem as ligas europeias do mesmo nível, nem libera que exista uma liga para poder executar esses projetos. É só blábláblá mesmo.

A dúvida que fica é: quando vê os vídeos dos erros dos árbitros, um atrás do outro, o coronel Marcos Marinho e o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo não ficam com vergonha? Nenhum deles pensa: nós precisamos fazer algo a respeito disso de verdade? Ou a intenção é eternamente ficar pedindo desculpas como fez o árbitro-vigia para o goleiro Cássio?