Blog do Rodrigo Mattos

Para inflar ganhos, Conmebol avança para recuperar México na Libertadores
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A diretoria da Conmebol avança em negociações com a Federação Mexicana para tentar recuperar os times mexicanos para a Libertadores na temporada de 2020. Já houve conversas entre as partes e a intenção dos dois lados é retomar a participação interrompida em 2016. Há interesse também em atrair times norte-americanos, mas esse projeto parece mais distante no momento.

O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez esteve nesta semana em evento na Federação Mexicana no país. Em entrevista, afirmou à Fox Sports local que é provável uma reunião no início de dezembro no Paraguai, sede da confederação sul-americana, para discutir a volta dos times locais à Libertadores.

''É um tema que temos que trabalhar mais, não é suma questão de vontade. É uma questão de calendário que foi uma das questões com o México. As portas estão abertas'', analisou.

Não é à toa. O México representava 30% do mercado total da Libertadores quando seus times disputavam o torneio, fatia similar ao dono do maior mercado que é o Brasil. A Fox Sports ameaçou cortar um percentual do que pagava à Conmebol pela Libertadores quando houve a retirada dos times.

Desde o início de 2018, há um movimento dentro da confederação sul-americana para tentar recuperar os mexicanos. Tanto que, na licitação dos direitos da Libertadores, a vendas para o mercado da América do Norte foram deixadas em aberto.

Além do mercado mexicano, a presença dos times do país proporcionam ganhos consideráveis no mercado de televisão norte-americano pela quantidade de imigrantes por lá. Para se ter ideia, executivos de televisão da região entendem que os times mexicanos geram mais penetração na TV dos EUA do que os próprios norte-americanos. TVs esportivas hipânicas nos EUA costumam cortar transmissões da seleção local em favor da mexicana.

Ao mesmo tempo, já houve discussão sobre incluir times norte-americanos na Libertadores. Para isso, membros da Conmebol falaram até em constituir uma sede fixa em Miami, na costa leste, inclusive para times da costa oeste. Assim, se evitariam os deslocamentos mais extensos para os times da América do Sul.


Após posição da Globo, CBF cria grupo para discutir Estaduais para 2020
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A CBF criou um grupo de trabalho formado por presidentes de federações para discutir o futuro dos Estaduais, especialmente para o calendário de 2020. Não há intenção de acabar com as competições: a ideia é achar soluções para reformar e salva-las. A comissão foi montada nesta semana após uma posição da Globo que pede uma revisão no calendário e que se repense os regionais.

Primeiro, ressalte-se que o fim dos Estaduais em 2020 – possibilidade levantada pelo presidente do Conselho do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia – é não só improvável como praticamente impossível no atual cenário. Há barreiras contratuais e políticas que impedem isso.

O Estadual do Rio tem contrato até 2024 com previsão de multa por rescisão, embora o Flamengo só tenha assinado até o próximo ano. O Estadual de São Paulo tem contrato até 2021. Outros, como o Pernambucano, têm acordo até 2022.

Mas a Globo deu, sim, sinais de desinteresse crescente e de querer mudanças. Por exemplo, a Federação do Rio Grande do Sul assinou contrato até 2021, mas, a partir do próximo ano, esse acordo pode ser rompido ou reduzido sem o pagamento de multa. ''Garantido mesmo está até 2019. A preocupação é grande'', afirmou o presidente da Federação do Rio Grande do Sul, Francisco Noveletto, que fala em transformar seu  campeonato em uma ''Champions League''.

Outros Estaduais foram abandonados pela emissora ou têm propostas de valores inferiores, como ocorre com o Paranaense. No Nordeste, por exemplo, a Copa do Nordeste tem mais força que as competições dos estados – com exceção, talvez, de Pernambuco.

Internamente, houve conversas entre Globo e CBF sobre o assunto. Há resistência na diretoria da confederação para uma mudança drástica de redução de Estaduais. Dentro da confederação, há o argumento de que as competições dão emprego para jogadores e revelam atletas.

A verdade é que são o motivo das sobrevivência das federações que elegem o presidente da CBF. Mas alguns dirigentes na entidade defendem alguma redução das competições.

Além de abrir datas e reformar o calendário para 2020, a realidade econômica se impõe no debateA Globo tem menos dinheiro para investir em competições, já que teve de gastar mais com Brasileiro e Libertadores. Aliado a isso, a concorrência da Turner será fraca ou inexistente nas renovações dos Estaduais, que tiveram preços inflados pela possibilidade da Globo perde-la.

Neste cenário, as 18 datas dos campeonatos regionais passam a ocupar considerável espaço no calendário, espremendo as competições mais importantes. Com o seu grupo de trabalho, a CBF quer tornar as competições mais atrativas.

Uma das soluções pensadas por membros do grupo é uma fórmula única para todos os Estaduais, o que daria um padrão a todas as competições. Anteriormente, houve a ideia de alongar as competições durante o ano, o que sofre resistência dos presidentes de federações.

O grupo vai ter que equilibrar a vontade da CBF, que quer manter satisfeitos seus aliados, e dar alguma resposta ao mercado, que cobra mudanças em favor de um calendário mais enxuto com jogos relevantes.


Corinthians e Fla aumentam vantagem com nova cota de tv, diz estudo
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Com o novo modelo de distribuição da Globo, Corinthians e Flamengo aumentarão a vantagem nos seus ganhos com cotas de televisão do Brasileiro em relação aos rivais a partir de 2019. É o que mostra um estudo da Ernest & Young com o consultor Cesar Grafietti que estima quanto cada clube receberá no próximo ano. Há uma comparação na atual divisão do bolo com a futura.

Ao mudar a divisão de cotas, a Globo exaltou o fato de que adotava um modelo mais justo com contratos nas mesmas condições para todos os clubes. E isso vale para TV aberta e fechada (dividido com 40% igual, 30% por posição e 30% por exibição). Mas o pay-per-view e novos acordos de placas publicitárias vão render valores maiores aos dois clubes times mais populares, além de luvas – as placas estão fora do pacote da Globo.

O pay-per-view vai distribuir um mínimo de R$ 650 milhões pelo contrato previsto. E Flamengo e Corinthians vão ter um valor mínimo garantido que representa 18,5% desse total. Além disso, houve mudança de pesquisa do PPV que passará a ser por torcedor cadastrado e em todas as cidades, não só em capitais como antes.

Para se ter ideia, a projeção do estudo da Ernest & Young previu que, no melhor cenário com o time campeão, o Flamengo atinge cotas de R$ 327 milhões pelo Brasileiro-2019. No total, o clube ganharia R$ 147 milhões a mais do que na projeção de 2018 para qual foi considerada a posição do final o primeiro turno.

Já o Corinthians, em caso de título, teria um ganho total de R$ 271 milhões em 2019, isto é, R$ 91,5 milhões a mais do que na atual temporada. A diferença entre os dois é porque o Flamengo ainda tem parte das luvas para receber enquanto o Corinthians já pegou tudo, além de exibições na aberta.

Em comparação, o São Paulo, terceiro da fila, teria ganhos estimados de R$ 173,6 milhões em caso de ser campeão no Brasileiro-2019, um crescimento de R$ 38 milhões em relação à atual temporada. Seu contrato pode ser melhor comparado com os dois primeiros porque o clube já assinou tudo com a Globo. O estudo da Ernest & Young projetou o Palmeiras em faixa similar, mas o time não fechou com a emissora e, na TV fechada, tem contrato com a Turner. Então, o cenário alviverde é mais incerto.

''É isso mesmo (os dois vão ganhar mais). O modelo de aberta e fechada é mais justo. Mas o pay-per-view provoca um descolamento de Corinthians e Flamengo. Eles passam a ter percentuais mínimos garantidos e antes tinham percentuais abaixo disso. Ainda consideramos as placas'', contou o analista Cesar Grafietti, um dos que realizaram a análise. ''(O novo modelo) É melhor para quem está em cima, e quem está embaixo, mas não para quem está no meio.''

Por no meio, leia-se clubes como Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Vasco (teoricamente Inter e Santos também, embora tenham acordos com a Turner). No caso dos três primeiros times, as projeções mostram que eles ganhariam menos em 2019 do que em 2018, caindo de R$ 108 milhões para R$ 100,6 milhões (sempre em caso de título).

O Vasco é mais prejudicado porque tem descontos de cotas antecipadas, então terá receitas menores. Já colorados e santistas aceitaram contratos com a Globo  de TV aberta e PPV com fatores redutores após fecharem com a Turner.

Também há previsão de queda de cota total para Fluminense e Botafogo. Em faixas mais abaixo do PPV, Bahia e Sport têm projeção de aumento de seus ganhos, assim como outros clubes abaixo deles.

Ressalte-se que essa é uma estimativa e os números podem variar com as pesquisas de pay-per-view e o número de jogos exibidos (a projeção foi feita em cima da audiência atual). Mas Grafietti disse que não haverá uma variação que dobre um valor. Para ele, o aumento de vantagem para Corinthians e Flamengo é certo.

No geral, os dois primeiros passariam a ganhar até nove vezes mais do que os últimos. Em ligas europeias, esse percentual é de 1,6 na Premier League, na Inglaterra.

Além da questão da mudança de distribuição, outro fator será a alteração do fluxo de dinheiro pago pela Globo, bem mais concentrado no segundo semestre do que no primeiro. O blog já tratou do assunto no final do ano passado quando mostrou que os clubes teriam de se adaptar.

Como exemplo, o Corinthians passará os quatro primeiros meses do ano ganhando R$ 3,9 milhões em cada parcela, enquanto ganhava R$ 15 milhões durante o ano de 2018. Em compensação, os pagamentos crescem para algo em torno de R$ 30 milhões a partir de maio com valores a receber por exibição e atingem o máximo no final do ano com a premiação por posição.

''Os clubes vão ter que adaptar seu fluxo de caixa no ano que vem porque no primeiro semestre vão ter bastante dificuldade'', explicou o analista da Ernest & Young Pedro Daniel.

Todo esse cenário, lembre-se, leva em conta que a Globo consiga fechar os contratos de pay-per-view e TV aberta com os clubes que faltam, Bahia, Atlético-PR e Palmeiras. Sem eles, o pacote será afetado o que pode ter impacto para todos os clubes. Além disso, há uma disputa de times como Santos e Inter com a Turner relacionado ao contrato de TV fechada.


Fla terá cofre cheio para contratar em 2019 e espera eleição por técnico
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Longe de título na temporada e em meio a uma eleição, a diretoria do Flamengo terá cofre cheio para contratação para 2019 e prospecta jogadores. Esse valor pode girar em torno de R$ 60 milhões no início do ano, mas depende se tudo será investido no futebol. Enquanto isso a definição de técnico terá de ficar para depois do pleito presidencial que ocorrerá em oito de dezembro – a diretoria atual não contatou treinadores.

Há dois valores a serem a recebidos no início de 2019: a segunda parcela da venda de Paquetá a ser paga pelo Milan e as luvas da televisão (R$ 30 milhões). Juntos, devem somar em torno de R$ 60 milhões. A última fatia a ser recebida pelo meia entrará no meio do próximo ano.

Não é certo que todo dinheiro poderá ser usado em contratações. A diretoria do Flamengo já tem um número reservado para contratações no orçamento em preparação, mas não revela a quantia precisa. Isso porque os dados, primeiro, precisam ser apresentados ao conselho.

O que há é um discurso da diretoria que garante que o clube estará em situação bastante confortável para investir. Explica-se: além desse dinheiro que entrará extra, o ano de 2018 teve uma redução da dívida privada com bancos. Nas contas da diretoria, o clube fechará o ano com R$ 26 milhões de débitos com o banco, o que representa R$ 21 milhões a menos do que estava previsto no orçamento (R$ 47 milhões). Desta forma, a situação argumenta que esse valor compensa exatamente a parcela de Paquetá que já entrou nos cofres em 2018.

Haverá pagamentos a serem feitos por Vitinho (que no total custou R$ 55 milhões), e valores a receber da Udinese por Felipe Vizeu.  Com dinheiro, diretores executivos do clube estão prospectando jogadores e pode haver contratações. Dentro da atual diretoria, há a opinião de não seria necessária de uma limpeza drástica no elenco, mas quem terá maior peso na montagem do novo time é o futuro presidente eleito.

Isso é especialmente verdadeiro em relação à contratação do técnico. Dorival Jr tem contrato até o final do ano e, caso Eduardo Bandeira de Mello continuasse no clube, teria chances de continuar. Como ele sai, caberá ao novo presidente escolher um técnico.

A relação péssima entre as chapas de Ricardo Lomba (situação) e Rodolfo Landim (oposição) impede que exista um acordo para tentar escolher o treinador antecipadamente. Treinador do Grêmio, Renato Gaúcho, para quem o clube rubro-negro fez proposta no primeiro semestre, pode fechar sua renovação antes da conclusão do pleito rubro-negro. Abel Braga é outro cogitado pelas duas chapas.

A cinco rodadas do final do Brasileiro, em terceiro e a sete pontos do líder do Palmeiras, o Flamengo terá mais um ano de abundância financeira para contratar. Não significa sucesso visto que o clube investiu R$ 100 milhões nesta temporada e só ganhará título em uma reviravolta improvável.

 


River e Boca dão lição a brasileiros com final na bola e sem catimba
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Quando começa uma transmissão de jogo de Libertadores, um narrador brasileiro meia-boca qualquer (tem vários outros ótimos, diga-se) mete aquele clichê: ''Tem que ficar de olho na catimba dos argentinos''. Nada poderia estar mais longe da verdade atual. Boca Juniors e River Plate deram na final da Libertadores uma lição aos brasileiros de como se concentrar no jogo e menos na arbitragem, no piti, na reclamação.

Sim, com o clima tenso de uma final, houve disputas ferrenhas como a que envolveu o lateral-esquerdo do River, Casco, com trocas de empurrões, normal. E houve simulações como a do atacante do Boca Abila que insistia em se tacar na área pedindo de pênalti.

Mas a proporção era infinitamente menor do que se vê no jogo médio no Brasileiro. Houve pouquíssima cera, reclamações contidas. Nada daquelas rodinhas ridículas a cada lateral que vemos nos gramados nacionais.

Argentinos não são mais os reis da catimba, somos nós. Por aqui, perde-se a conta de quantos goleiros rolam no chão quando o placar está em vantagem, quantos atacantes se jogam na área, quantos jogadores passam 90 minutos em campo falando, reclamando e fazendo gestos. É insuportável.

Em Buenos Aires, no jogo que era o mais tenso da história, o que houve foi futebol. Nenhum dos dois times se retrancou, também como fazem as equipes nacionais seja por jogar fora seja por incapacidade de atuar de forma diferente. Ambos se apresentaram para o jogo com o melhor que tinham, e tinham bastante.

Com dinheiro nos cofres, River e Boca qualificaram seus elencos e têm o que mostrar. Do lado do River, há um Pity Martinez que deu belo passe para o gol de Pratto e depois cobrou uma falta em curva para o segundo o gol que é um primor. Ao lado dele, havia Pratto renascido de uma Libertadores meia-boca, e um dinâmico Borré ao seu lado, além de outros coadjuvantes como Palacios.

Do lado do Boca, menos qualificado do ponto de vista técnico, pode-se ver Benedetto, o que desclassificou o Palmeiras, enfiar linda cabeçada de costas para botar o time em vantagem. E o já veterano Tevez entrar e quase dar a vantagem a seu time em um chute e em um arrancada que só não virou gol porque Benedetto desperdiçou na frente de Armani.

Enfim, não houve guerra, não houve catimba, não houve nem a torcida do Boca alucinada durante o jogo (esteve meio quieta). O que houve em Buenos Aires foi futebol bem jogado, bem disputado centímetro a centímetro, com intensidade que se exige uma final.

A diferença dos times brasileiros para os argentinos, em termos de elenco, nem é grande. Em que pese o renascimento de Boca e River nos últimos anos, diria que equipes como o Palmeiras têm grupo de jogadores de igual nível, e Grêmio, superando dificuldades, também exibe futebol consistente com menos dinheiro. A diferença, nesta Libertadores, é que os argentinos se propuseram a jogar bola. Enquanto isso estávamos preocupados com a ''catimba dos argentinos''.

OBS: Essa coluna pode ser desacreditada por um segundo jogo da final com briga generalizada com direito a voadora no peito. Espero que não.


CBF organiza um Brasileiro em que a bola entra, mas não é gol
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O Brasileiro de 2018 foi inaugurado com um ''pênalti'' em que a bola bateu na cara do rubro-negro Everton Ribeiro – e ele foi expulso. Chega a sua 33a rodada com um lance em que a bola entrou e o gol do Corinthians não foi marcado porque a arbitragem não percebeu que o goleiro Jean a defendeu depois da linha. No meio tempo, houve pênaltis fora da área (mais de um), impedimentos de metros à frente e expulsões claras ignoradas.

O clássico entre Corinthians e São Paulo é só mais um episódio dessa longa série no caso com o alvinegro prejudicado de forma acintosa. Além do gol não marcado, houve um pênalti em Romero em que ele é derrubado pelo zagueiro são-paulino. Detalhe que na bola que não entrou havia o famoso vigia, o árbitro ao lado da trave, que nada viu. Ninguém sabe para o que ele é pago exatamente.

Nem o fato de haver dois erros crassos em um jogo é raro. Um jogo entre Internacional e Vitória teve um pênalti em mão fora da área e outro gol colorado legal anulado.

Também não é incomum que o mesmo árbitro cometa um erro grave em uma temporada, seja perdoado e volte para falhar de novo. Para se ter um exemplo, o árbitro Wagner Reway, que assinalou o pênalti ''de cabeça'' de Everton Ribeiro, é o mesmo que invalidou um gol no último minuto do Palmeiras diante do Cruzeiro na Copa do Brasil por falta inexistente.

A CBF tem uma lista de equívocos da arbitragem em seu site. Trata-se de uma amostragem bem pequena para o que ocorreu de fato no campeonato. E nem é o primeiro Brasileiro com atuação desastrosa de juízes. A sequência dos últimos quatro anos pelo menos é desastrosa.

A cada erro novo a comissão de arbitragem promete melhorar como bem assinalou em entrevista o goleiro Cássio após o clássico. Mas qual a medida efetiva da CBF para dar um mínimo de eficiência aos juízes nacionais (pelo menos em um nível de não passar vergonha)? Nenhuma.

Troca-se o comando de arbitragem, pune-se um juiz e discursos sem fim. A CBF não banca o VAR, não profissionaliza os juízes como fazem as ligas europeias do mesmo nível, nem libera que exista uma liga para poder executar esses projetos. É só blábláblá mesmo.

A dúvida que fica é: quando vê os vídeos dos erros dos árbitros, um atrás do outro, o coronel Marcos Marinho e o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo não ficam com vergonha? Nenhum deles pensa: nós precisamos fazer algo a respeito disso de verdade? Ou a intenção é eternamente ficar pedindo desculpas como fez o árbitro-vigia para o goleiro Cássio?


Brasil e Argentina articulam-se para obter cotas maiores na Libertadores
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O encontro entre dirigentes da CBF e da AFA nesta semana teve uma discussão de como seria possível obter cotas maiores para os clubes dos dois países na Libertadores (cuja edição atual tem final nesta sábado entre Boca Juniors e River Plate). Há a opinião em comum de que os times das duas nações deveriam ganhar mais por representarem marcas mais relevantes. O movimento, no entanto, certamente enfrentará a resistência dos outros países que têm maioria na cúpula da Conmebol.

As cotas da Libertadores são dividas de forma igualitária nas primeiras fases e dependem da classificação de cada time para as fases seguintes. É uma fórmula diferente da Liga dos Campeões onde há uma fatia de 40% distribuída de acordo com a força de cada mercado, sendo o restante dividido igualmente segundo o avanço a cada fase da competição. Ou seja, times dos países que geram mais receita de televisão faturam mais.

Para 2019, haverá um salto nas receitas da Libertadores com os novos contratos com a IMG/Perform: o mínimo garantido é de US$ 350 milhões (R$ 1,3 bilhão) por ano para a competição e a Sul-Americana. Neste ano, a renda prevista era de US$ 150 milhões (R$ 562 milhões).

Com isso, é certo que haverá um aumento de cotas dos clubes. A questão é como esse incremento será distribuído. Por exemplo, a primeira fase rende US$ 1,8 milhão (R$ 6,75 milhões) para cada clube, valor que poderia saltar para entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões.

A ideia de cartolas da CBF e da AFA é que, do valor que será ganho extra, uma parte poderia ser reservada para ser dividida segundo critérios de mercado. Assim, times como Boca Juniors, River Plate, Flamengo, Corinthians e Palmeiras, por exemplo, seriam beneficiados. Estima-se que o Brasil possa ser responsável por pelo menos um terço das receitas da Libertadores.

As duas confederações nacionais vão se mobilizar para falar com o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, em um movimento para atender pedidos dos clubes dos dois países. A questão é que uma nova divisão de cotas terá de passar pelo Comitê Executivo da Conmebol. No órgão, há um voto por país com dez no total, ou seja, Brasil e Argentina estariam em minoria. Só uma estratégia de convencimento dos outros pode ser eficaz no objetivo de obter cotas maiores.

Além dessa questão mercadológica, a Conmebol terá de decidir qual percentual da receita será efetivamente dada aos clubes. Atualmente, esse percentual gira em 70%, enquanto na Uefa é levemente superior com 73%. Mantido o percentual atual, seriam repassados US$ 245 milhões (R$ 919 milhões) aos clubes pelas duas competições.

A decisão sobre cotas e premiações deve sair nas reuniões do final do ano no sorteio dos grupos da Libertadores. Haverá um encontro prévio do Comitê Executivo no dia 23, na véspera da segunda partida da final entre Boca Juniors e River Plate.


Negociação entre Globo e Turner trava após oferta por fatia do Brasileiro
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A Globo aposta em comprar a fatia dos direitos do Brasileiro que pertencem à Turner, seja diretamente seja por meio dos clubes se houver um rompimento. Mas essa possibilidade, no momento, está parada e não deve acontecer pelo menos na edição do Nacional de 2019. A negociação entre as emissoras travou e qualquer ação dos times vai demorar a fazer efeito mesmo se bem-sucedida.

A Turner terá contrato de direitos com seis ou sete clubes para o Nacional-2019, Palmeiras, Internacional, Santos, Atlético-PR, Fortaleza, Bahia e Ceará, sendo que os dois últimos ainda lutam para ficar na Série A. Mas, desde o final do canal Esporte Interativo, surgiu uma incerteza em relação à continuidade do projeto, embora a empresa reafirme que dará seguimento a ele.

Neste contexto, há conversas em curso com a Globo. A emissora carioca chegou a sondar com a Turner a possibilidade de comprar todos os direitos do Brasileiro pertencentes à empresa norte-americana.

A ideia seria assumir todos os custos e, em troca, ceder um pacote de jogos da Copa do Brasil. A oferta, não formalizada, foi rechaçada. Isso tornou mais frias as conversas entre as partes que avançavam para tentar um acordo de divisão de jogos.

Em paralelo, a Globo observa a movimentação dos clubes em disputa com a Turner. Foi formado um grupo com Bahia, Internacional, Santos e Coritiba, com a possível participação do Ceará. Em reunião, decidiram pressionar a Turner por, entre outros motivos, as luvas supostamente maiores pagas para o Palmeiras. Todos receberam R$ 40 milhões, e o clube alviverde, R$ 100 milhões por dois contratos – a Turner alega que um deles nada tem a ver com as luvas. A intenção dos clubes é conseguir indenizações ou a rescisão.

O grupo de clubes enviou uma notificação extrajudicial à Turner questionando o que alegam ser um descumprimento do contrato: todos deveriam receber igual e os palmeirenses ganharam mais pelas luvas. A empresa já respondeu que o contrato refere-se a direitos sobre cadastros de sócios e amistosos internacionais, não tendo, na sua versão, relação com luvas.

Agora, os clubes vão se reunir para decidir se levam o caso para o tribunal de arbitragem onde exigiriam indenizações ou o rompimento do contrato. Um dirigente ouvido pelo blog apontou que já foram reunidas provas de que o Palmeiras ganhou por luvas. Mas, ainda que optem pelo litígio, os próprios clubes sabem ser difícil uma resolução antes do Brasileiro-2019. A expectativa é de que o tribunal demore um ano.

Assim, o cenário mais provável é que a Turner transmita os jogos desses seis ou sete clubes do Brasileiro-2019 em seus canais TNT e Space. Está em aberto se haverá um acordo com a Globo para troca de direitos de partidas, o que evitaria que alguns jogos entre times das duas emissoras fiquem fora da tela.

Perguntada pelo blog, a Turner não falou sobre negociações, mas reafirmou sua intenção de exercer seus direitos sobre o Brasileiro e transmitir os jogos. Veja a nota:

''A Turner reafirma sua estratégia de investir em propriedades de primeira linha do futebol, como a Liga dos Campeões e a Série A do Campeonato Brasileiro e continua firmemente comprometida em valorizar e fortalecer sua relação com os clubes com os quais têm contratos. A presença da Turner no esporte é positiva para todos os players do mercado, estimula a concorrência saudável, valoriza o espetáculo e, principalmente, beneficia os clubes e os fãs do futebol. A Turner entra em campo a partir de 2019 com a Série A do Campeonato Brasileiro, criando uma experiência única e ainda mais emocionante para o consumidor brasileiro.''


CBF discute mudar calendário-2020 e quer fim de conflito de seleção e times
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Em reunião nesta semana, dirigentes da CBF e da AFA (Associação de Futebol da Argentina) discutiram uma reforma geral no calendário sul-americano do futebol para 2020. Entre os pontos, está unificar jogos da Sul-Americana e da Libertadores nas mesmas datas. Internamente, a confederação tem plano de acabar com o conflito de datas entre jogos de times e a seleção.

O presidente da AFA, Claudio Tapia, esteve na sede da CBF na terça-feira para conversa com a cúpula da entidade, incluindo o diretor-executivo e presidente eleito, Rogério Caboclo. Ali, discutiu pautas em comum das duas entidades para serem levados à Conmebol.

O calendário de 2019 do futebol brasileiro já está definido e tem Copa América no Brasil, um Brasileiro espremido e, de novo, conflitos de datas entre seleção e times. É um cenário visto como longe do ideal dentro da CBF.

Assim, uma primeira ideia para 2020 é pedir à Conmebol a junção de datas da Sul-Americana e Libertadores. Outra proposta seria enxugar o número de datas para as fases preliminares da Libertadores.

Para o próximo ano, está previsto que jogos das duas competições ocorram na mesma semana em oito ocasiões. Mas há oito semanas com só partidas da Libertadores, e outras cinco só com Sul-Americana – algumas em coincidência com a Copa do Brasil.

Essas medidas são consideradas importantes para abrir espaço no calendário, mas a CBF sabe que são insuficientes para destravar o calendário interno. Por isso, cresce dentro da entidade um movimento para uma redução dos Estaduais, o que enfrenta uma resistência das federações estaduais. Uma ideia é diminuir aos poucos as competições regionais, uma data a menos em um ano, outra no seguinte.

Só assim se poderia abrir espaço efetivo para botar em curso o plano da CBF de acabar de vez com a coincidência entre jogos da seleção e times, que é fruto de conflito com os clubes. Convocações feitas pelo técnico Tite levaram a atritos com dirigentes de agremiações que alegam que a entidade não se importa com seus próprios campeonatos – houve desfalques importantes na Copa do Brasil e no Brasileiro.

A ideia é acabar com isso em 2020, embora exista, sim, um problema porque haverá outra Copa América no meio do ano que prejudica o calendário. Outro possível problema no futuro é se a Fifa conseguir emplacar seu novo Mundial a ser realizado no meio do ano, junho ou julho, que ocorreria no meio das competições nacionais.

LEIA MAIS:
Globo defende novo calendário após acusação de 'abandono de estaduais'


Justiça decide que Estado pode executar dívida do Atlético-PR por estádio
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A Justiça do Paraná determinou que a Fomento Paraná (banco do Estado) pode executar a dívida do Atlético-PR pela construção do estádio (em torno de R$ 300 milhões), sendo que as garantias são a arena e o CT. O clube paranaense, no entanto, vai recorrer à segunda instância enquanto pressiona a prefeitura de Curitiba a pagar sua parte no projeto em outra ação. O clube entende que ainda não há ameaça à posse do estádio no momento porque a discussão continua.

Nesta terça-feira, o juiz da 4a Vara de Fazenda Pública do Paraná, Guilherme de Paula Rezende, negou os embargos à execução propostos pela CAP S/A, empresa criada pelo Atlético-PR para a construção do estádio. São três execuções do banco contra o clube na Justiça que estava suspensas. O clube queria que as execuções fossem travadas até a conclusão da disputa com a prefeitura de Curitiba, o que foi rejeitado pela corte.

Isso dá à Fomento Paraná a cobrar, nas excuções, a a empresa CAP S/A o valor de R$ 291 milhões, mais multas e juros. Apenas R$ 20 milhões foram pagos com o potencial construtivo, o que deixou parcelas em aberto e gerou o vencimento total do débito. Como garantia, estão o CT e a Arena da Baixada, além do poder construtivo da área. O Ministério Público queria leiloar o estádio.

A decisão do juiz não afasta a responsabilidade da prefeitura de Curitiba de arcar com sua parte no projeto. Pelo acordo entre as partes, o município pagaria um terço, o Estado um terço, e o Atlético-PR, o restante.

A diretoria do Atlético-PR já informou que vai recorrer da decisão. Com isso, a intenção é s Em nota, o clube, que considerou que há aspectos positivos nas duas decisões da Justiça sobre o caso, diz que não há ameaça no momento ao seu patrimônio.

''Importante: não há qualquer decisão em relação aos bens oferecidos em garantia (inclusive o Estádio). Se houver, o Clube vai a todas as instâncias para evitar que qualquer agressão ao patrimônio se dê antes da decisão final sobre o tripartite'', afirmou o clube. 

Em paralelo a essa ação de execução, em outro processo, o Atlético-PR quer produzir provas que obriguem a prefeitura de Curitiba a cumprir o convênio para pagar parte do projeto. No total, a obra é estimada em R$ 350 milhões. A Justiça determinou nesta outra ação que seja feita uma perícia judicial pela Fundação Getúlio Vargas para determinar exatamente o valor da obra.

A intenção do clube é obrigar a prefeitura de Curitiba a arcar com mais de R$ 100 milhões do projeto, que seria o valor de fato da obra. O Estado do Paraná reconhece ser responsável por outro terço da obra. Quando se souber o valor exato da obra pela perícia que sairá em 90 dias, isso deve estabelecer um quadro mais claro de quanto cada um deve.

''O Clube está, como sempre esteve, na busca de uma solução consensual para o caso. O laudo pericial da Fundação Getúlio Vargas pode ser um passo importante na busca de um acordo. De uma forma ou de outra, o tripartite merece ser respeitado. O Atlético sempre cumpriu sua parte'', informou o clube em nota.