Blog do Rodrigo Mattos

Orçamento do Flamengo permite mais uma contratação de até R$ 20 milhões
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Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF

Após os investimentos em Arrascaeta, Rodrigo Caio e Gabriel, o Flamengo tem dentro do orçamento capacidade para mais uma contratação de até R$ 20 milhões. Esse é o limite com quem trabalha a diretoria do clube que deve ser respeitado. Para superar esse montante, só se a agremiação descobrir uma negociação muito interessante ou conseguir ultrapassar sua meta de venda de atletas.

Nas contratações feitas até agora, o Flamengo investiu € 13 milhões (R$ 55 milhões) por Arrascaeta e € 5 milhões por Rodrigo Caio (R$ 21 milhões). Há ainda um pagamento de luvas que não são em valores muito altos por Gabriel Barbosa (Gabigol) – não foi possível obter o montante com precisão.

Esse investimento mais pesado foi antecipado para o início do ano, já que se previa gastar R$ 100 milhões durante toda a temporada. Depois desses reforços, a diretoria avalia que daria para contratar mais um jogador de até R$ 20 milhões. Pode guardar para se reforçar durante a temporada ou fechar com um atleta agora.

Isso pode mudar se o clube vender mais jogadores além da expectativa. A previsão no orçamento é de R$ 237 milhões em negociações, mas isso inclui os R$ 150 milhões de Paquetá já cumpridos.

Uma explicação: o valor das contratações do orçamento considera o regime de competência, isto é, operação realizada em 2019 entra todo neste ano. Se há pagamentos parcelados para além do ano, não interessa, assim como parcelas de Vitinho contratado em 2018 não são incluídas nas contas de agora.

Em termos de salários, as saídas de Geuvânio, Rômulo, Rever e Marlos serviram para compensar as chegadas dos reforços, mantendo o nível da folha salarial. No orçamento, há uma previsão do aumento de gasto com pessoal de R$ 179 milhões para R$ 216 milhões no ano.

Os pagamentos serão compensados pela entrada de dinheiro das negociações de Paquetá, Vizeu e de luvas de televisão de R$ 20 milhões que vão ocorrer durante a temporada. Ainda assim, será preciso pegar um novo empréstimo em fevereiro por conta de fluxo de caixa. O montante ainda está sendo calculado. No total, estão previstos R$ 37 milhões em empréstimos no ano, a serem pagos ainda em 2019.

Isso porque as receitas de televisão são maiores no segundo semestre com o novo modelo da Globo de distribuição de dinheiro, que prevê cotas por premiação e por exibição na TV Aberta. Assim, há uma falta de fluxo de caixa no início do ano para a maioria dos clubes. O endividamento bancário do Fla é baixo.

Em paralelo, a diretoria do Flamengo ainda precisa trabalhar para cumprir as metas de receitas do ano. A renovação com a Caixa Econômica Federal está descartada. Com isso, o clube busca um patrocinador que invista em torno de R$ 25 milhões e R$ 30 milhões pelo master. Há interessados, mas nenhuma negociação avançada ainda.

 

Tags : Flamengo


Dinheiro da TV para competições no Brasil cresce R$ 1,4 bi em dois anos
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A atual temporada é marcada por um aumento nos dinheiro a ser recebido pelos clubes brasileiros em direitos de tv com novos contratos do Brasileiro, Libertadores e Sul-Americana. No ano passado, foi a vez da Copa do Brasil. Somados todos os reajustes, houve um crescimento de cerca de R$ 1,4 bilhão nos valores pagos pelas competições disputadas pelos clubes brasileiros nos últimos dois anos. Isso ajuda a explicar o aumento do investimento das agremiações em contratações nesta janela de transferências.

Ressalte-se que nem todo esse dinheiro vai para os times nacionais. No caso da Libertadores e Sul-Americana, a Conmebol distribui 60% do total do dinheiro para clubes, e isso inclui o Brasil e outros países. Na Copa do Brasil, a CBF retém 20% de comissão do contrato.

Mesmo com essas comissões, haverá um impacto significativo nos cofres dos clubes brasileiros, principalmente nos maiores que disputam todas essas competições e obtêm posições mais relevantes. Pelo levantamento do blog, os principais campeonatos para times nacionais tinham direitos que valiam R$ 2,2 bilhões até 2017. A partir desse ano, essas mesmas competições valerão R$ 3,6 bilhões.

A questão é que isso representará uma maior concentração de dinheiro nos times que estão no topo esportivo, isto é, aqueles que disputam a Libertadores, chegam às fases finais da Copa do Brasil e vão bem no Brasileiro. Quem já estivera na elite tende a aumentar o buraco para os que estão embaixo.

''Se você olhar o mercado de contratações, você já vê essa movimentação que concentra em clubes como Flamengo, São Paulo, Palmeiras e um pouco do Corinthians. Já consideram essa receita'', analisou o consultor César Grafietti, que diz que times médios não vão sentir tanto os efeitos. ''Como as compras são parceladas, consideram essas novas entradas, e resultados como avançar na Libertadores e na Copa do Brasil''.

Para detalhar todos os números, o Brasileiro em todas as suas plataformas gerava um valor próximo de R$ 1,5 bilhão para os clubes até 2018, incluindo o pay-per-view. Após a concorrência gerada pela Turner, realizada em 2015 e 2016, esse montante salta para em torno de R$ 2 bilhões nesta temporada  consideradas as luvas – óbvio, há variações dependendo da arrecadação de pay-per-view. Posição no Nacional contará bastante no total arrecadado por cada time.

Na Libertadores e Sul-Americana, o contrato praticamente dobrou de valor em 2019 em relação à última temporada por conta da licitação vencida pela IMG/Perform. Assim, o montante ultrapassou R$ 1,3 bilhão na cotação atual do dólar. Nem tudo vai para os clubes, mas houve um reajuste considerável nas cotas. No total, a premiação para os clubes ultrapassou R$ 600 milhões. Na primeira fase, um time fatura mais de R$ 10 milhões.

''A Libertadores estava com valor defasado. Mas ainda não atingiu o teto. Para aumentar, agora tem que chegar a outros continentes. Tem que se conscientizar que a Libertadores é a segunda competição de clubes do mundo'', disse o consultor da Ersnet & Young Pedro Daniel. ''No Brasil, é mais difícil, mas a mentalidade é parecida. O limitador é o tamanho do mercado.''

Na Copa do Brasil, o valor do contrato entre Globo e CBF era de cerca de R$ 100 milhões até 2017. No ano passado, esse montante saltou para R$ 325 milhões. Há uma concentração da premiação nos times que chegam às fases finais, com o campeão ficando com R$ 68 milhões de prêmio.

As entidades Conmebol e CBF ainda abocanham um percentual desse total já que são as responsáveis por negociar os contratos. Esse é o modelo também na Europa. A diferença é que a Uefa fica com uma fatia menor da Liga dos Campeões do que a confederação sul-americana.


Na Série A, Renato e Lisca têm que fazer curso de técnico da CBF
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A CBF entende que os técnicos do Grêmio, Renato Gaúcho, e do Ceará, Lisca, terão de comparecer ao curso de treinadores de Licença A em fevereiro para comandar seus times durante a temporada. Em dezembro, o técnico do clube gaúcho não foi a maior parte das aulas do treinamento de Licença Pro e não obteve o certificado.

Após as faltas de Renato, a diretoria do Grêmio tinha dito que o treinador iria ao curso de licença em fevereiro e faltaria a certos compromissos de treinos. Na quinta-feira, ele brincou dizendo que achava que tinham ''esquecido'' do assunto, mas admitiu ir ao treinamento. '' Pode ser em fevereiro. O meu problema é ser em dezembro. Aí não dá… Nas férias, por exemplo, você gostaria de ir para sala de aula? Em fevereiro não tem problema algum.''

O licenciamento de clubes para 2019 prevê que será exigido de clubes da Série A que seus técnicos tenham a licença A ou Pro. Por ser um técnico campeão da Libertadores, Renato poderia já fazer o direto o curso Pro no final do ano passado. Foi a uma aula e disse que não aceitaria ter as férias interrompidas.

Agora, há um curso de licença A marcado para fevereiro, o último antes das competições nacionais desta temporada. E a CBF entende como obrigatória a presença neste curso para Lisca e Renato que ainda não têm os diplomas. Todos os outros treinadores da Série A já fizeram o curso ou ganharam licenças honorárias por terem mais de 60 anos.

Para o Brasileiro da Série A, ainda será necessário incluir a medida como obrigatória no regulamento. Isso ocorrerá de acordo com votação no Conselho Técnico da Séria A que costuma ocorrer em fevereiro.

 


Não adianta clube reclamar da Globo após negociar mal seus contratos
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Os investimentos feitos pelo Flamengo em jogadores durante essa semana trouxeram de volta a discussão sobre a distribuição de cotas de TV. Até o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ex-presidente do Atlético-MG, voltou ao tema para atribuir à Globo o poderio rubro-negro. O debate é antigo e pertinente, mas é centrado em declarações fortes e pouco nos aspectos técnicos do negócio.

Primeiro, o motivo de revolta atual é que o modelo novo de distribuição de dinheiro da televisão deve aumentar a vantagem de Flamengo e Corinthians nas receitas do Brasileiro. Internamente, diga-se, a Globo contesta que exista disparidade desse tamanho. Fato é que a emissora montou uma fórmula com divisão igual de receitas na TV Aberta e Fechada, mas o ppv tem a divisão por percentual de torcedores – e os times rubro-negro e alvinegro têm um mínimo garantido.

Pois bem, esse modelo foi resultado direto da negociação feita no final de 2015 e início de 2016 entre clubes e a Globo e a Turner. Houve influência da marca dos clubes nos números finais? Sim. Mas clubes que negociaram melhor levaram vantagem na receita, como ocorre em qualquer transação comercial.

No segundo semestre de 2015, a Globo procurou os clubes para renovar contratos do Brasileiro a partir de 2019. Sua proposta previa uma redução entre 20% e 25% dos acordos em vigor. A alegação é de que havia uma crise econômica no país e que não havia dinheiro no mercado publicitário para reajustes. Em troca, a emissora prometia uma antecipação de dinheiro que entraria no caixa de imediato dos clubes.

Sete clubes aceitaram a redução dos valores de cara ainda no final de 2015: Atlético-MG, Cruzeiro, Botafogo, Vasco, Vitória, Sport e Corinthians. Ao final do ano, a Turner passou a sondar todos os times para fazer propostas. Só Botafogo e Sport ainda ouviram, mas fecharam com a Globo para receber de imediato os valores pois precisavam fechar o ano. Os outros já tinham fechado para conseguir resolver as contas do final do ano.

O restante dos clubes continuou na mesa de negociação e foi ouvir os dois lados. Um grupo de clubes negociava com a Turner, o que incluía o Flamengo. Para convencer os times a ficar, a Globo propôs uma mudança na fórmula de distribuição com divisão em três fatias: uma igual, outra por exibição, uma terceira por posição.

Com essa fórmula, a diretoria do Flamengo entendeu que teria uma perda. Passou a buscar compensações: então calculou que a receita futura de ppv aumentaria significativamente e focou neste item. Obteve um percentual mínimo da Globo na negociação de 18,5% sobre o mínimo garantido de R$ 650 milhões. Na verdade, o contrato prevê um valor mínimo, que seria de R$ 120 milhões. Se passar disso a arrecadação, o clube ganha o percentual de seus torcedores declarados. E ainda obteve luvas de R$ 120 milhões.

O Corinthians tem um acordo com a Globo pelo qual o que vale para o Flamengo vale para ele. E a emissora modificou o contrato inicial corintiano. Outros clubes como Cruzeiro e Atlético-MG também foram favorecidos por negociações posteriores, obtendo as condições iguais nos contratos de TV Aberta e TV Fechada. Ou seja, não tiveram mais a redução que tinham aceitado.

Mas outros clubes esticaram as cordas das negociações e obtiveram vantagens adicionais. O Grêmio ficou com um pé em cada canoa até o final. Resultado: obteve luvas de R$ 100 milhões da Globo quando fechou. O Fluminense é outro que prolongou negociações e obteve luvas maiores do que Botafogo e Vasco ao se acertar com a Globo.

O Palmeiras só foi fechar no final de 2016 com a Turner e levou luvas superiores. Agora, negocia com a Globo duramente já há mais de um ano, exigindo condições iguais. Entre executivos de televisão, é reconhecido o profissionalismo com quem o clube alviverde toca o processo, levando sempre dados para embasar suas demandas. O Athletico-PR ficou com a Turner e recusa as condições da Globo no ppv.

Enquanto isso, clubes como o Internacional e Santos, após fecharem com a Turner, aceitaram contratos com a Globo com um efeito redutor sobre alguns jogos. O argumento da emissora carioca é de que, ao vender para um concorrente na TV Fechada, isso interfere nos direitos dela do pay-per-view. O Palmeiras não tem aceitado esse item.

De todas essas informações sobre as negociações, uma conclusão é clara: o poder do clube de gerar audiência conta em uma negociação, mas a postura na mesa na hora de conversar é muito importante. Quem fecha rápido para pagar a conta do mês seguinte vai ser prejudicado. E depois não adianta ir no microfone para reclamar porque é a assinatura no documento que decide sua receita.

 


Com TV reduzida, bilheteria e patrocínios fecham a conta da Copa América
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Imagem: Lucas Figueiredo/CBF

Os principais campeonatos de futebol pelo mundo têm uma característica em comum: os direitos de transmissão são a principal receita e sustentam as competições. Na Copa América do Brasil-2019, esse quadro é diferente: o Comitê Organizador aposta em patrocínios e bilheteria para fechar a conta. Isso porque contratos antigos de televisão reduzem os ganhos com transmissão.

O orçamento da Copa América tem uma previsão de receita em torno de US$ 100 milhões. Desse total, em torno de 35% a 40% virão de bilheteria, segundo informações do comitê. Para efeito de comparação, a Copa do Mundo costuma ter apenas 10% das receitas com origem em ingressos. Os preços dos bilhetes foram anunciados nesta quinta-feira.

Além disso, a expectativa na Conmebol é de anúncio de novos patrocínios no sorteio da Copa América no final de janeiro. Esses são contratos novos e, portanto, livres das negociações antigas feitas pela confederação com valores baixos. De novo, na Copa do Mundo, o marketing é a segunda fonte de renda.

Para lembrar, a diretoria da Conmebol herdou compromissos com televisões para a Copa América todos assinados na gestão anterior. Esse tipo de acordo tem negociações sob suspeita já que a Datisa, que tinha comprado os direitos da competição, pagou propinas a ex-dirigentes da confederação, como mostrou investigação feita nos EUA. Desta forma, a TV, que na Copa é a principal receita, ficou em segundo plano no torneio continental.

A diretoria do comitê organizador da Copa América ainda não vê as contas para a competição como fechadas.  ''Temos um orçamento vivo. É muito prematuro falar sobre números. Alguns dos recursos que usamos vieram de fundos já existentes e há outros por entrar'', explicou o diretor de operações da Copa América, Agberto Guimarães.


Com clubes sem receber, CBF admite romper acordo de direitos da Série A
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Iniciada em dezembro de 2018, a disputa da CBF e a da BR Foot relacionada aos direitos de placas e internacionais do Brasileiro da Série A estende-se enquanto os clubes não recebem pelo acordo assinado. A última comunicação entre as partes foi antes do Natal. Neste contexto, a diretoria da confederação já admite romper o contrato, possivelmente em janeiro. O caso caminha para um litígio judicial.

No segundo semestre de 2018, a CBF obteve uma representação dos clubes para negociar os direitos de placas e de transmissões internacionais do Brasileiro da Série A. O vencedor foi o grupo BR Foot, um fundo formado com participações de empresários brasileiros e americanos que tem como sede Delaware, um paraíso fiscal nos EUA. Sua oferta era de R$ 550 milhões.

Só que, pouco depois de fechar o negócio, iniciou-se uma disputa entre as partes. Na versão do BR Foot, a CBF e os clubes venderam direitos como exclusivos que também pertenciam à Globo por contrato. Na versão da CBF, o fundo sabia o que estava comprando e depois descumpriu pagamentos.

No início de dezembro, o fundo não pagou as luvas de R$ 100 milhões e até agora não fez nenhum transferência. Em contrapartida, o BR Foot pediu para a CBF mostrar o contrato da Globo para comprovar que descumpria seu compromisso e não obteve respostas.

O diretor executivo e futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo, admitiu que uma das possibilidades é o rompimento do contrato por falta de pagamento, e prevê uma decisão em janeiro. Isso porque faltariam apenas três meses para o início do Brasileiro e ainda não foram vendidas as placas, propriedade que rendia dinheiro em contratos com a Globo.

''Estamos na fase de notificações. Mas tem que resolver em janeiro'', afirmou Caboclo. ''(Se for rompido) Os clubes terão de decidir se retomam a licitação já feita, colocando o segundo colocado, ou se iniciam um novo procedimento.'' Oficialmente, em sua última manifestação pública, o BR Foot dizia que tinha intenção de manter o compromisso.

Caboclo disse que os direitos internacionais são mais difíceis de vender se não for coletivamente com todos os clubes. Enquanto isso, as placas têm um valor imediato, pois têm exibição em bom espaço nas transmissões de TV Aberta. Flamengo e Corinthians negociaram em separado suas placas e acertaram R$ 12 milhões cada um pelas placas de seus campos.

O problema é que, se houver rompimento, é provável uma disputa judicial entre as partes. A CBF pode cobrar multas por falta de pagamento, e o fundo pode exigir indenização por descumprimento de contrato. Isso pode dificultar novos acordos.

Alguns clubes como o Athletico-PR e o Corinthians reclamam que a CBF não considerou outra oferta feita por um fundo inglês chamado Prudent no seu processo de licitação. Houve ainda gigantes como IMG que participaram do processo, mas ofereceram menos dinheiro na mãos dos clubes, e acabaram perdendo o processo de licitação.

A entidade alega ter respeitado a vontade dos clubes de dar seguimento à vencedora da licitação, a BR Foot. A empresa tem capital pequeno no Brasil, com o controlador com sede em Delaware, nos EUA. Certo é que a receita anual prevista de R$ 5 milhões por clubes, por enquanto, é miragem.

 


Athletico-PR pede à Turner bloqueio da cota do Santos por causa da Globo
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Athletico-PR já reivindicou à Turner o bloqueio de R$ 17,5 milhões da cota de TV fechada do Santos por ter assinado com a Globo. A alegação é de que o time paulista deve uma multa contratual por compromisso assinado entre os times de que só fechariam com a emissora carioca em conjunto. O Santos entende que não haverá bloqueio de sua verba.

Após fecharem com a Turner, quatro clubes, Athletico-PR, Bahia, Coritiba e Santos, formaram um grupo chamado G4 para negociar em conjunto a TV Aberta e o pay-per-view com a Globo. O blog confirmou com três fontes envolvidas com o caso que há um contrato assinado entre as partes que estabelecia uma multa para quem fizesse acordo em separado com a emissora carioca.

Mas houve uma mudança de gestão no Santos com a eleição de José Carlos Peres no lugar de Modesto Roma, que tinha assinado o compromisso. Assim, em março de 2018, a nova diretoria santista assinou um contrato com a Globo pela TV Aberta e o PV, inclusive com um redutor sobre parte dos jogos por ser parceiro da Turner. Athletico-PR e Coritiba, fechou com a emissora. Agora, o Bahia também fechou com a Globo, segundo apurou o blog. Isso também enfraquece o grupo.

Fato é que o Athletico-PR notificou a Turner e o Santos sobre o desrespeito. E reivindica o total da multa que é de R$ 104 milhões, R$ 17,5 milhões por ano durante seis temporadas que duram o compromisso com a Turner. A intenção é que o montante devido pela emissora ao time santista seja retido em juízo.

No Santos, há um entendimento que haverá uma disputa em torno do tema e um otimismo porque a Turner se manifestou ao clube contra a cobrança da multa. Além disso, o clube avalia que tem bons argumentos para alegar que o G4 nunca entrou em prática porque não teve reuniões. Mas dirigentes santistas sabem que há uma risco e a possibilidade uma disputa em Comitê de Arbitragem.

Oficialmente, o Santos afirmou por meio de assessoria: ''Não fomos citados de nada ainda, além da então notificação'', informou, sobre a primeira notificação do Athletico-PR.

O clube paranaense não fala oficialmente do assunto. Mas o Athletico-PR não está perto de fazer acordo com a Globo, o que reforça sua posição de cobrar o Santos. Os paranaenses pretendem levar o caso para a arbitragem se a cota santista não for bloqueada.

Por meio de sua assessoria, a Turner não quis comentar o assunto: ''Em respeito aos clubes e às cláusulas de confidencialidade, a Turner não comenta contratos”.

PS Foi feita uma correção no texto inicial porque o Bahia também fechou com a Globo para o Brasileiro-2019.


Sport é denunciado no STJD por salário atrasado e pode ter pena esportiva
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A procuradoria do STJD recebeu uma denúncia contra o Sport por falta de pagamento dos salários do jogador Gabriel durante a temporada de 2018. O clube terá um prazo até o início de fevereiro para pagamento ou acordo com o jogador. Em caso contrário, sofrerá uma denúncia da procuradoria com pedido de punição esportiva que pode ser perda de ponto, proibição de contratação ou suspensão de competições.

O Sport foi rebaixado no Brasileiro da Série A. Durante a campanha, atrasou salários de jogadores o que levou até a mobilização do sindicato de jogadores de Pernambuco. Gabriel é credor de salários e direitos de imagem do clube.

Durante o Nacional, não houve denúncia ao tribunal esportivo. O regulamento do Brasileiro prevê perda de três pontos por jogo após o prazo para pagamento dos salários atrasados. Em janeiro, chegou a denúncia pelo caso de Gabriel à procuradoria do STJD.

Procuradores já determinaram que o Sport tem 15 dias para pagar ou pedir uma audiência de conciliação com o jogador, prazo que começa a contar a partir do dia 20 de janeiro quando acaba o recesso da Justiça Desportiva. Se o débito não for resolvido até o início de fevereiro, haverá denúncia contra o clube pernambucano.

A tendência é que a procuradoria peça punições não só de perda de pontos como penas previstas no código disciplinar da Fifa, segundo apurou o blog. Isso porque a retirada de pontos seria inócua com o Sport já rebaixado. Entre as possíveis sanções pelo código da Fifa, estão suspensão de competições da CBF e proibições de contratar. Não é fácil, no entanto, os auditores do STJD aceitarem uma tese baseada no código da Fifa.

O blog procurou a assessoria de imprensa do Sport, mas não obteve retorno sobre o caso.


Criticado por Paulo Guedes, investimento da Caixa em clubes somou R$ 664 mi
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Criticado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, o investimento da Caixa Econômica em camisas de clubes de futebol acumulou R$ 663,6 milhões nos últimos sete anos. O futuro do projeto ainda não está definido para 2019, mas a tendência é não continuar pelas declarações do governo. Clubes se preparam para a saída do principal patrocinador do esporte e boa parte deles retirou a marca do banco dos sites.

Durante a cerimônia de posse do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, Guedes afirmou que ''às vezes é possível fazer coisas cem vezes melhor com menos recursos do que gastar com publicidade em times de futebol''.

O projeto da Caixa iniciou seu projeto em camisas de futebol em 2012, ano em que gastou apenas R$ 5,8 milhões. Com o tempo, o banco foi se tornando o maior patrocinador do esporte, chegando ao seu ápice em 2017 com R$ 145,8 milhões. O levantamento fornecido pela Caixa mostra que o total chegou a R$ 663,6 milhões, o que dá uma média de R$ 95 milhões por ano.

Foram 25 clubes patrocinados em 2018, sendo que 23 deles já tiveram seus acordos encerrados no final de dezembro. Apenas dois contratos continuam em vigor: o do Sport (vai até o final de maio) e o do Botafogo (vai até final de fevereiro). A assessoria da Caixa informou que ''os patrocínios para 2019 estão sob análise''.

Mas os clubes já estão cientes que é pequena a chance de renovação, segundo o blog apurou. Pelo menos dirigentes de três times manifestaram reservadamente que não acreditam na continuidade do contrato, embora um deles tenha mandado proposta de prorrogação.

Outro sinal é que a maioria dos clubes já tirou a marca da Caixa de seus sites em janeiro. São os casos de Flamengo, Cruzeiro, Atlético-MG, Athletico-PR e Santos. Alguns deles já começam a excluir o nome do banco também da camisa.

Nos anos anteriores, era normal que os clubes mantivessem os símbolos da Caixa em camisas e sites até a renovação. Isso porque já tinham a expectativa de que o compromisso fosse ser renovado para as temporadas. Agora, a maioria está buscando novo parceiro para o espaço nobre da camisa.

E, com algumas exceções, as perspectivas não são muito otimistas. Sites de apostas, que poderiam se tornar uma alternativa por exemplo, ainda não estão liberados para patrocinar camisas pois ainda falta regulamentar as apostas online. O blog apurou que o Flamengo, que detém o maior patrocínio no total de R$ 25 milhões, tinha propostas de empresas, mas, até agora, não há nada encaminhado.

A não ser em caso de reviravolta no rumo do governo de Jair Bolsonaro, o primeiro semestre será marcado pela busca dos grandes clubes por patrocínios master, com exceções daqueles que já têm parceiros como é o caso do Palmeiras e do São Paulo, por exemplo.


Após violência, regra da Libertadores-2019 veta maioria das bandeiras
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O novo regulamento de segurança da Conmebol veta praticamente todos os tipos de bandeiras em jogos na Libertadores. O documento foi elaborado no final do ano passado e teve influência do episódio de violência na final da competição entre River Plate e Boca Juniors. Assim, estabelece restrições ainda maiores nos estádios em relação às medidas tomadas para 2018.

O diretor de competições da Libertadores, Frederico Nantes, explicou em entrevista ao blog em dezembro que a intenção é criar uma operação padrão de seguranças para partidas da competição. Admitiu que o novo conjunto de regras, que antes estava no regulamento geral, representa um endurecimento por parte da entidade em reação à violência.

Isso já pode ser percebido na lista de objetos proibidos dentro dos estádios. Até 2018, eram 18 itens proibidos. Agora, para 2019, são 21 itens e há ainda mais subitens com detalhamento de outras limitações. E houve amplo veto a bandeiras.

Para se ter uma ideia, na última Libertadores, havia proibição de faixas e bandeiras que tapem a publicidade ou impeçam a identificação. A partir de agora, estão vetadas: ''bandeiras gigantes'' (os chamados bandeirões), bandeiras que ultrapassem 1,5 metro de comprimento por 1 metro de largura e mastros de bandeiras. Haverá equipes dos estádios para medir os artefatos que poderão entrar.

Também passam a ser proibidas as bandeiras ou faixas presas a cercas e divisórias das arquibancadas, algo bem tradicional no Brasil e principalmente na Argentina. Os estádios argentinos são inundados pelos trapos pendurados em todos os lugares. Bombas de estouro ou fumaça, comuns no Brasil, também são vetadas. É certo, portanto, que vai afetar o espetáculo de torcidas na competição.

O regulamento se torna ainda mais restrito quanto ao acesso ao estádio a partir de 2021. A partir daí, todos os clubes e estádios terão de ter sistemas de vendas online que exijam a identificação do comprador com dados completos. A Conmebol afirma que os clubes terão que impedir o acesso daqueles impedidos de entrar nas arenas – no Brasil, há uma lista de torcedores vetados por medidas judiciais.

Há ainda um item que pode ter um impacto mais significativo: exige-se que todos os ingressos sejam numerados com assentos. Teoricamente, isso acabaria com os setores em pé de torcedores como ocorre na Arena Corinthians. Mas o texto não deixa claro que será proibido esse tipo de setor. O blog tentou esclarecimento com a Conmebol sobre o assunto, mas não obteve resposta.

Outra característica do regulamento é aumentar as responsabilidades do clube mandante com segurança que já estavam explícitas nas regras anteriores. Agora, o oficial de segurança do time precisará tratar com policiais da proteção da delegação visitante até fora do estádio. Além disso, foi implantado um sistema de grupo de crise para casos de incidentes como a final.