Blog do Rodrigo Mattos

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Este blog está de recesso até o final de outubro porque o autor vai trabalhar na cobertura do UOL de eleições.


CBF deveria usar dinheiro da Copa do Brasil para prêmio do Brasileiro
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O debate sobre os clubes em segundo plano o Brasileiro voltou durante a semana com a ideia da CBF de restringir o número de inscritos. Clubes rejeitaram a ideia por entenderem que a culpa é do calendário da própria confederação. Como a confederação não vai mudar o seu cronograma da temporada e os times vão barrar o limite de inscritos, uma sugestão (paliativa) seria desviar uma parte da verba da Copa do Brasil para o Brasileiro para aumentar sua atratividade.

Explica-se: a CBF assinou um belo contrato de direitos para a Copa do Brasil com a Globo em um total de R$ 330 milhões. Com isso, aumentou de forma considerável as premiações, inclusive dando R$ 20 milhões para o vice-campeão e R$ 50 milhões para o campeão. Tudo válido ainda neste ano.

A questão é que isso criou uma disparidade com o Brasileiro que tem premiação originária da cota da Globo. Em 2018, o campeão vai levar um prêmio de R$ 20 milhões. Para o próximo ano, com os novos contratos, esse valor vai chegar à R$ 33 milhões, ainda inferior ao da Copa do Brasil.

O fator financeiro não é a única explicação para a prioridade de alguns clubes para a Copa do Brasil. Os jogos decisivos e a perspectiva de eliminação tendem a botar titulares em campo nesta competição. Mas, obviamente, uma semifinal em que a classificação garante pelo menos R$ 20 milhões vai ter um peso na decisão do clube em que competição jogar. Isso pode chegar a 10% do orçamento de certos clubes grandes, mais do que o dobro de um patrocínio.

Ora, se a CBF não vai fazer nada a respeito do calendário, poderia pelo menos equilibrar os recursos em relação à premiação para refletir a maior importância do Brasileiro. Como? a confederação poderia reserva uma parte da verba do contrato, digamos R$ 100 milhões, para um fundo para reforçar a premiação do Brasileiro.

Como hipótese, o prêmio para o campeão da Copa do Brasil poderia cair para R$ 30 milhões, e o campeão do Brasileiro ter o seu bônus turbinado até os R$ 50 milhões. O mesmo poderia ocorrer em outras posições aumentando a importância de se chegar na frente no Nacional, e induzindo os clubes a escalarem mais os titulares. Pode se ter uma discussão sobre o caixa já que o dinheiro é gerado pela Copa do Brasil, mas, com um acordo com os times, isso poderia ser viabilizado.

Não, isso não resolveria a questão principal que é o fato de o calendário ter um excesso de jogos e por isso obrigar os clubes a escalar reservas em jogos importantes. Isso só vai ser tratado quando se enfrentar a questão política das federações e se reduzir a participação dos clubes grandes nos Estaduais. Mas, pelo menos, as recompensas financeiras do Brasileiro e da Copa do Brasil estariam mais de acordo com a importância das duas competições. Seria um passo inicial.


Sul-Americana terá final única por questão política para agradar Lima
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A decisão do Conselho da Conmebol de realizar uma final única da Sul-Americana teve relação com uma negociação política na entidade. Inicialmente, essa não era o plano desenvolvido pelos organizadores da competição que pretendiam manter dois jogos na competição, como contraponto à Libertadores.

Com a confirmação da final única da Libertadores-2019, a Conmebol lançou uma concorrência para escolher a cidade-sede desta primeira decisão. Só houve candidaturas formais de Lima, Santiago e Montevidéu, que desistiu no meio por faltas de recursos. Cidades brasileiras como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro chegaram a se interessar, mas não apresentaram candidatura formal.

Foi feita uma visita técnica de membros da Conmebol que concluíram que Santiago reunia as melhores condições para a final. O Conselho da entidade sul-americana confirmou a cidade chilena, o que gerou descontentamento em Lima.

No meio da reunião nesta semana, um dirigente da federação colombiana sugeriu que fosse feita a final da Sul-Americana em Lima como compensação. Assim, ficaria decidido que também a segunda competição da Conmebol teria apenas um jogo na decisão. Todos os dirigentes aprovaram.

A questão é que, antes disso, a Sul-Americana tinha sido pensada justamente para ser diferente da Libertadores. Primeiro, manteria a tradição de duas decisões nas casas dos times finalistas. Segundo, seria vendida comercialmente como uma competição diferente da principal.

A decisão política, no entanto, botou esse plano por água abaixo. Agora, a decisão é de que as finais únicas ocorrerão em 2019 e será testado o modelo. No futuro, o objetivo é fazer uma semana de eventos anteriores a cada semana, com a possibilidade de as duas decisões serem na mesma cidade.

 


Presidente do Fla protesta por perda de Paquetá para convocação: ‘Absurdo’
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O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, classificou como absurda a convocação do meia do time Lucas Paquetá para amistoso da seleção, provavelmente desfalcando o time na semifinal da Copa do Brasil. Para ele, a inclusão na lista interfere no equilíbrio da competição.

Nesta sexta-feira, o técnico da seleção Tite chamou, além de Paquetá, Dedé, do Cruzeiro, e Fagner, do Corinthians, todos de times nas semifinais da Copa do Brasil. O amistoso com o El Salvador nos EUA é na véspera desses jogos decisivos. Times como Fluminense e Grêmio também perdem Pedro e Everton para rodadas do Brasileiro.

''Um absurdo. Interferir no equilíbrio da semifinal da principal competição mata-mata do Brasil para disputar dois amistosos sem expressão é lamentável'', afirmou Bandeira ao blog.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, foi mais contido, mas também considerou injusto que seu time perca um jogador. ''Não acho (justo), mas historicamente é assim'', disse. Já o vice-presidente de Futebol do Cruzeiro, Itair Machado, afirmara à Rádio Itatiaia que tentaria uma logística para contar com Dedé no jogo semifinal, trazendo o de avião.

O coordenador de seleções Edu Gaspar afirmou que os jogadores ficam nas duas partidas, e que a comissão evitou chamar mais de um jogador por time. Esse conflito de datas também ocorre para a final da Copa do Brasil. Tite ainda não definiu o que fará sobre esse jogo. Na convocação, ele admitiu prejuízo aos times.


Com novos acordos, Fla e Corinthians dobram valor ganho com placas em 2019
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Os novos acordos do Flamengo e Corinthians para placas publicitárias no Brasileiro dobram o valor ganho pelos dois times a partir de 2019. Cada um dos dois clubes fechou com a Sportpromotion por R$ 12 milhões de garantia mínima pelas placas em volta do campo em seus jogos, enquanto recebiam apenas R$ 6 milhões da Globo pelas mesmas propriedades em 2018. Ainda vão ganhar mais do que o dobro do que outros times se estes assinarem de fato com a BR Foot.

Os termos dos acordos de Flamengo e Corinthians com a Sportpromotion foram revelados primeiro pela ''ESPN''. Pelos contratos, os clubes recebem pelo menos R$ 12 milhões pelas placas, e depois 65% do que exceder esse valor. Os compromissos são válidos por quatro anos.

No caso do Flamengo, foi feita uma concorrência com empresas: a Sportpromotion foi vencedora também pela forma de modelo proposto. A empresa faz a procura por interessados e tem que respeitar duas premissas: primeiro tem que oferecer os espaços para os parceiros da Globo, o que está previsto por contrato com a emissora.

Na sequência, o clubes rubro-negro pretende que se priorize seus patrocinadores. Então, por exemplo, concorrentes de seus parceiros podem ser barrados, como uma empresa de energéticos diferente da da Carabao. Todos os contratos de patrocínio serão assinados com o próprio clube e não com a Sportpromotion. E o valor de R$ 12 milhões é líquido.

Pelo acordo atual com a Globo, a empresa dá a garantia mínima de R$ 6 milhões, mas só vendeu R$ 3,5 milhões em 2018. Ou seja, o clube ficou neste patamar mínimo. E a emissora tinha total controle sobre a comercialização dos espaços publicitários. Os acordos do Corinthians com a Globo eram similares ao do que clube rubro-negro por um acordo com a emissora.

O acordo feito pelos outros 18 clubes com a BR Foot dá a cada um R$ 5,5 milhões. Mas desse valor é descontada a comissão de 10% da CBF que portanto reduz em R$ 500 mil. Além disso, há um desconto de R$ 1,7 milhão para logística do campeonato. A diretoria do Flamengo entende que pode fazer parcerias e reduzir consideravelmente este custo ou até anula-lo.

 


Santos e Atlético-PR veem contrato com Turner válido após fim de canal
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Após o fim do canal Esporte Interativo, houve uma insegurança de clubes em relação à manutenção do contrato com a Turner para transmissão do Brasileiro. Depois de análises jurídicas e conversas, Santos e Atlético-PR concluíram que os termos do acordo seguem válidos e não veem motivo para rompimento. O Palmeiras ainda estuda o caso.

Logo após o anúncio do fim do canal, executivos da Turner passaram a procurar os clubes para expressar a intenção de manter o compromissos de direitos do Brasileiro. Era uma forma de garantir que os pagamentos seriam feitos e explicar como seria feita a transmissão dos jogos do Nacional.

De início, a reação pública mais dura em relação a um possível rompimento foi do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Internamente, o presidente do Santos, José Carlos Peres, também manifestou contrariedade e a possibilidade de romper o acordo.

Só que o departamento jurídico do Santos analisou o contrato e não entendeu que a Turner tenha descumprido nenhum dos termos do acordo. Explica-se: o contrato é com a Turner, e não com o Esporte Interativo. Há permissão para passar os jogos em outros canais do grupo.

Advogados do Atlético-PR fizeram um estudo similar a respeito do acordo com a empresa norte-americana e chegaram a mesma conclusão. Embora exista um contexto de transmissão em canal esportivo, isso não é obrigatório em nenhum parte do acordo. Ou seja, a Turner tem direito de passar seus jogos no TNT e no Space como pretende pelo seu novo projeto.

No Palmeiras, o acordo ainda está em estudo e o clube não tem nenhuma posição sobre o assunto. O clube foi quem recebeu o maior pagamento da Turner, em um total de R$ 100 milhões em contratos de luvas e outros direitos de amistosos e exploração de sócio-torcedor. As outras agremiações receberam R$ 40 milhões de luvas.


Clubes rejeitam limite a elenco e culpam CBF por time misto no Brasileiro
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O plano da CBF para induzir os clubes a usarem titulares no Brasileiro não foi bem recebido por boa parte dos times que tem poupado suas equipes no campeonato. A diretoria da confederação pensa em criar limite de jogadores inscritos na competição para evitar reservas, como revelou o blog do Marcel Rizzo. Dirigentes de clubes, no entanto, rejeitam a ideia e culpam o calendário feito pela CBF pela escalação de times mistos no Nacional.

Com a extensão de Libertadores e Sul-Americana no ano inteiro, os clubes que disputam três competições têm poupado jogadores no Brasileiro desde 2017. Isso se deve a um calendário apertado com excesso de jogos importantes já que não há redução dos Estaduais. A diretoria da CBF tem se incomodado com a principal competição ser deixada de lado.

A restrição de uso de jogadores inscritos é utilizada em campeonatos pelo mundo, entre eles a Libertadores e a Liga dos Campeões além de algumas ligas nacionais europeias. No Brasil, precisaria passar pelo Conselho Técnico da Série A composto pelos clubes para ser aprovada.

Entre os clubes que mais têm sofrido com o calendário, a medida é rejeitada. ''Sou contra. Não sou eu quem faz o calendário que obriga a poupar. Se levar para votação, vou me posicionar contra'', afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Seu time tem poupado sistematicamente no Brasileiro para privilegiar a Copa do Brasil e a Libertadores. A estratégia é sempre priorizar a competição em que o time pode ser eliminado no próximo jogo.

''Estendeu-se a Libertadores pelo ano inteiro e fica essa superposição. Às vezes, o time pode estar disputando simultâneo pre-Libertadores ou Copa do Brasil e Estaduais. Depois, é Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro'', analisou o presidente gremista. ''Isso implica em ter elencos maiores. Tem que ter elenco para atender à qualidade que a torcida espera. É a racionalidade.''

Mesmo tom de discurso foi adotado pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, cujo time também disputa as três competições. ''Sou contra isso totalmente. Eles (CBF) que melhorem o calendário'', disse ele, que entende que a CBF joga para cima dos clubes um problema criado pela própria entidade. ''Lógico, isso eles têm que ver na Conmebol, a Libertadores o ano todo, mais Copa do Brasil, mais Brasileiro. Quem se destaca é prejudicado''.

Outro que aponta o problema do calendário é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que é mais uma equipe que joga as três competições ao mesmo tempo. ''Sou contra (a restrição a elenco). Se o calendário fosse mais racional, nenhum clube teria necessidade de escalar times alternativos no Brasileirão'', definiu.

O calendário da CBF para o próximo ano não vai mudar muito o cenário em relação a 2018. Em linhas gerais, serão mantidos os Estaduais com 18 datas, Brasileiro espremido antes e depois da Copa América, e uma pré-temporada reduzida. A vantagem é que a Copa América é menor do que a Copa do Mundo da Rússia, com três semanas contra cinco.


Com Maracanã caro, Fla usa público recorde para ganhar com sócio e comida
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Para manter o Maracanã cheio, o Flamengo tem deixado o ingresso barato para jogos do Brasileiro o que proporcionou uma média de público recorde nos pontos corridos. Neste cenário, o lucro com bilheteria percentual tem sido de um quinto do total porque os custos do estádio continuam altos mesmo após novo acordo com o estádio.  A compensação calculada pela diretoria do clube é o ganho técnico, e faturamento com sócios-torcedores e comida.

O Flamengo teve um faturamento de bilheteria no Brasileiro em torno de R$ 13,5 milhões, excluída a última partida contra o Cruzeiro que ainda não tinha borderô disponível. Desse total, apenas 21% ficaram para o Flamengo. E, por conta de promoções, jogos como Botafogo, Sport e São Paulo, que foram depois da Copa, também tiveram percentual baixo de renda para o clube rubro-negro mesmo com o novo acordo válido de despesas válidas.

A diretoria do Flamengo tem consciência que deixa a margem de lucro bem reduzida com o preço menor do ingresso. Em média, os bilhetes custam em torno de R$ 30 no jogo do time no campeonato por conta de promoções com pacotes de jogo. Houve uma pequena queda de custos do Maracanã com o novo acordo, mas esta ainda não é significativa.

Em comparação, outros times como o Palmeiras, Corinthians e até o São Paulo tiveram rendas líquidas bem superiores no Brasileiro mesmo com menos público. O líder do campeonato tem patamar de preço de ingresso similar ao time carioca, mas fica com a maior parte de sua renda porque o Morumbi tem custo bem menor do que o Maracanã. Com quase metade do dinheiro arrecadado pelo Flamengo, o São Paulo ficou com R$ 5 milhões líquidos.

Em contraposição, na Libertadores, diante do Cruzeiro, o Flamengo cobrou ingresso médio de quase R$ 80 e sobrou R$ 1,3 milhão de renda para o clube. A diretoria foi criticada pelo alto preço e o Maracanã ficou longe de encher, com muitos espaços vazios no setor Sul e até no Norte, mais tradicional da torcida.

A aposta dos dirigentes rubro-negro, no entanto, é que os jogos do Brasileiro alavanquem outras receitas. No novo acordo, o Flamengo fica com parte das comidas e bebidas que dão pelo menos R$ 200 mil por jogo quando o estádio está cheio.

Outra vantagem vista pelo clube foi um aumento da adesão dos sócios-torcedores. Recentemente, o clube atingiu o patamar de 100 mil sócios, marca que já foi ampliada para 103 mil. Desde o início do ano, a receita de sócio-torcedor passou a ser calculada junto com à de bilheteria para que os dois itens não sejam concorrentes.

A política de ingressos mais baixos é quase uma unanimidade atualmente dentro do clube. Até porque resultados em campo têm sido positivos e a torcida está satisfeita. Como o Maracanã não se tornou barato, resta à diretoria se equilibrar com outros ganhos.


Qatar tem patrocínio encaminhado para a Libertadores
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A Conmebol está próxima de fechar um patrocínio do Qatar para a Libertadores, reforçando o caixa da competição. A parceria não será restrita à principal competição sul-americana, estendendo-se também à Copa América. O valor deve girar em torno de US$ 15 milhões e US$ 20 milhões.

Dirigentes da confederação sul-americana e da organização da próxima Copa estão próximos politicamente desde encontro neste ano na América do Sul. Houve conversas políticas que levaram à confirmação do Qatar como participante da próxima Copa América-2019, no Brasil. Além disso, a Conmebol tem apoiado demandas do país do Oriente Médio na Fifa.

Neste contexto, houve negociações sobre um patrocínio para as competições sul-americanas. Por meio de suas fundações ou empresas, o Qatar investe em esporte. Uma companhia é dona do Paris Saint-Germain (Qatar Sports Investments), outra estampava a camisa do Barcelona e aparece agora na da Roma (Qatar Airways).

Todas essas empresas são ligadas ao próprio governo do país que é organizador do Mundial-2022. Neste contexto, o Qatar tem expandido sua presença e já se acertou em uma negociação de acordo com dirigentes da Conmebol. Falta, no entanto, acertar um contrato definitivo para fechar o acordo.

Entre as propriedades, estão o patrocínio da Libertadores e da Copa América. Não foi possível descobrir qual empresa do grupo qatariano, de fato, terá o nome associado às competições. No pacote, também estão direitos de transmissão da competição para o Oriente Médio para a Bein Sports, subsidiária da Al Jazeera, maior rede de televisão do Qatar e da região.


Contrato da Turner do Brasileiro gera dúvida se clubes podem rescindir
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Os contratos da Turner com os clubes para a compra dos direitos do Brasileiro a partir de 2019 preveem que a empresa pode transmitir em outros canais diferentes do Esporte Interativo. Ao mesmo tempo, o acordo não trata da possibilidade do final do canal e tem um contexto de transmissões em um canal esportivo. Será a análise dessas cláusulas que vai determinar o futuro da transmissão dos jogos do Nacional após o encerramento do canal Esporte Interativo.

A Turner tem contratos com 15 clubes para direitos do Brasileiro da Série A na TV fechada, sendo que pouco menos da metade desses está, de fato, na elite. Entre eles, estão Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia, Atlético-PR e Ceará.

O anúncio do final do canal do Esporte Interativo na TV a cabo pegou os clubes de surpresa na quinta-feira: nenhum deles tinha sido avisado anteriormente. Depois disso, executivos da Turner ligaram para os clubes para dizer que tinham a intenção de manter o compromisso, e transmitir os jogos no canal Space e TNT como anunciado.

Mas já estava instalado um cenário de desconfiança entre os clubes. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, fala claramente em partir para a briga e levar o caso para o rompimento. ''Não há outro caminho. Já havia problemas na relação por conta da questão da luvas superiores para o Palmeiras'', afirmou o dirigente.

Clubes como Santos e Atlético-PR são mais cautelosos, preferindo esperar uma avaliação do contrato para saber quais os próximos passos. ''O jurídico ainda está analisando'', afirmou Marcelo Frazão, diretor de marketing do Santos.

A questão é a leitura do contrato que tem dados que podem levar a conclusões diferentes sobre as consequências com o final do canal. Primeiro, o compromisso é assinado com a Turner que continua a existir, e não com o Esporte Interativo. Segundo, o documento tem um cláusula em que permite que a empresa transmita os jogos em outros canais diferentes do Esporte Interativo.

Mas o problema é que não há nenhuma previsão do final do canal. E, segundo o blog apurou, todo o contrato é feito em um contexto de exibição das partidas em um canal exclusivo de esportes. E também não se especifica nem se é permitido que não se transmita jogos no Esporte Interativo nem o que ocorreria no caso de final do canal.

Neste contexto, os clubes veem um prejuízo porque a exibição de marcas de seus patrocinadores pode ser inferior à prevista. E há a argumentação de que, se não houvesse o Esporte Interativo, a negociação teria sido feita de forma completamente diferente.

Do outro lado, a Turner tem a cláusula a seu favor e pode exigir a execução do contrato. Além disso, houve uma antecipação de R$ 40 milhões para cada um dos clubes, dinheiro que é como um misto de antecipação/luvas. Ou seja, se tentarem romper, os clubes poderiam ter de devolver os recursos e possivelmente ter de pagar indenizações.

Caso os clubes de fato partam para a briga, a questão será decidida por uma corte de arbitragem da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Um grande empecilho é o tempo visto que o caso teria de ser decidido antes do início do Brasileiro-2019.