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Dez estádios da Copa tiveram obras mais lentas que padrão. Veja quais

rodrigomattos

18/05/2014 06h00

Com o primeiro jogo oficial no Itaquerão, neste domingo, os 12 estádios da Copa-2014 terão recebido partidas oficiais de futebol. Ou seja, todos estão funcionais, o que marca praticamente o final das obras – ainda há o fazer em alguns projetos que estão inacabados. Um levantamento do blog mostra que dez das arenas tiveram construções ou reformas mais lentas do que o padrão internacional.

Um dos vice-presidentes do Sinaenco, Leon Myssior, que projetou a Arena Independência, explicou que um estádio com planejamento bem feito pode ser erguido em um prazo entre 24 meses e 30 meses. Isso desde que não existam condições que dificultem a obra, como terrenos não-planos ou necessidade de demolições.

"Para isso, contando um estádio com cerca de 100 mil metros quadradros, se o projeto executivo estiver pronto, e com a utilização de pré moldados dá para fazer neste prazo. É o prazo certo, que dá para cumprir bem sem necessidade de terceiro turno. Em um processo acelerado, poderia ser feito em 20 meses", explicou Myssior.

Do que foi feito para a Copa-2014, apenas os estádios do Mineirão e do Castelão foram feitos dentro deste prazo – ambos foram concluídos em 26 meses. A Arena das Dunas até teve as obras concluídas em 30 meses para realização da primeira partida. Mas ainda há arquibancadas provisórias sendo colocadas para atender a capacidade exigida para o Mundial.

De resto, os outros nove estouraram o prazo padrão. A obra mais demorada foi a Arena Pantanal, cuja construção demorou 47 meses, entre maio de 2010 e abril de 2014, quando foi realizado o primeiro jogo. A Arena Amazônia e o Beira-Rio também ultrapassaram os 40 meses para serem concluídos.

Claro que cada um teve um problema diferente – a Arena da Baixada e o Beira-Rio, por exemplo, tiveram falta de recursos para os projetos em determinado momento. Mas, em comum entre os erros, Myssior vê a falta de um projeto executivo bem elaborado antes do início das obras, e o uso de materiais estrangeiros de difícil aquisição.

Lembre-se que foi o governo federal que criou uma lei diferenciada para as contratações da Copa (RDC), que permitia licitações apenas com projeto básico. Lembre-se que a Fifa exigiu determinados padrões nos estádios que levaram a instalações de coberturas e especificações que muitas vezes só eram atendidas no exterior.

"A falta de projeto básico transforma as estimatidas de prazo e de custo em meras estimativas sem nenhuma base na realidade. Somos todos bobos em acreditar nisso. Os primeiros números divulgados foram simplesmente jogados para a platéia", afirmou Myssior.

"E essas membranas de TPFE que foram instaladas na cobertura, só podem ser feitas em poucos países. Isso cria um problema logístico. Aquelas sedes que terminaram mais rápido, Castelão e Mineirão, foram justamente por substituíram muitos desses materiais"

Veja abaixo o prazo que cada estádio demorou para ficar pronto:

Belo Horizonte

Mineirão: 26 meses

Início de obra: Dezembro/2010

Primeiro jogo: Janeiro/2013

Brasília

Mané Garrincha: 35 meses

Início de obra: julho/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Cuiabá

Arena Pantanal: 47 meses

Início da obra: maio/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Curitiba

Arena da Baixada: 32 meses

Início da obra: outubro/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Fortaleza

Castelão: 26 meses

Início da obra: dezembro/2010

Primeiro jogo: janeiro/2010

Manaus

Arena Amazônia: 44 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: março/2014

Natal

Arena das Dunas: 30 meses

Início da obra: Agosto/2011

Primeiro jogo: janeiro/2014

Porto Alegre

Beira-Rio: 46 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Recife

Arena Pernambuco: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Salvador

Fonte Nova: 34 meses

Início da obra: junho/2010

Primeiro jogo: abril/2013

Rio de Janeiro

Maracanã: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: junho/2013

São Paulo

Itaquerão: 36 meses

Início da obra: maio/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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