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Rodrigo Mattos

Fifa tem dificuldade para evitar 'pegadinha da deficiência' na Copa

rodrigomattos

18/06/2014 06h00

Como parte de seu programa de responsabilidade social, e em respeito à lei brasileira, a Fifa destinou cerca de 1% dos ingressos para deficientes físicos em diversas categorias, o que dá um total de 21 mil lugares. O problema é que a própria entidade admite dificuldades para controlar se todos os que compraram bilhetes desse tipo são de fato portadores de deficiência.

Para poder adquirir as entradas especiais, a pessoa tem que apresentar um documento por meio da internet. São quatro possibilidades para brasileiros: certificado médico, passe livre de transporte, carta de pensão ou estacionamento de deficiente.

Só que os critérios para obtenção desses documentos, no Brasil, não incluem apenas pessoas que têm real problemas de mobilidade, ou outro tipo de deficiência. Há casos de pessoas que não podem trabalhar mais, mas tem condições plenas de andar.

Além disso, antes da Copa, havia anúncios na internet que oferecia até cadeiras de roda, e certificado médico, para serem vendidos com ingressos para o evento. Houve relatos de um argentino que se fingiu de cadeirante para assistir ao jogo, mas não era.

"Temos que nos basear no que o governo diz. Não podemos dizer se quem é deficiente ou não. Não é justo", explicou o chefe responsabilidade social corporativa da Fifa, Federico Addiechi.

Outra questão é que obesos, por exemplo, têm direito aos bilhetes por terem IMC (Indice de Massa Corporal) acima de 30. Isso inclui pessoas que podem ter problemas de saúde, e estar fora de forma, mas estão longe de terem dificuldade real de andar.

"Não é a Fifa. É o limite da Organização Mundial de Saúde", contou Addiechi. Só que a OMS tem níveis diferentes de obesidade: a Fifa escolheu usar o mais baixo.

Além dos critérios, a federação internacional tem dificuldade para fazer revistas que comprovem a deficiência da pessoa habilitada ao ingresso especial. Nem todos são verificados. Só alguns são selecionados na entrada do estádio.

"Alguns casos pode ter acontecido de não ser deficiente. Temos uma dificuldade. Mas entendemos que não há abuso. Ninguém foi barrado até agora"; afirmou Addiechi.

Quando uma pessoa sem deficiência entra no estádio em lugares reservados para eles, tira o lugar de uma pessoa que de fato é portadora de necessidades especiais. Ainda há 1,4 mil bilhetes para deficientes à venda. É isso que, com tato, a Fifa tenta evitar dentro dos seus limites.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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