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Uma das maiores da história, Alemanha põe seleção brasileira no museu

rodrigomattos

08/07/2014 18h49

A goleada da Alemanha sobre a seleção brasileira, na semifinal da Copa, representa uma mudança de era: a queda do império romano do futebol. E os bárbaros não são mais bárbaros. São os alemães quem têm o refinamento, a técnica, a bola. Ao Brasil, sobraram alguns bons jogadores, a motivação, e só um passado glorioso.

Não há a desculpa das ausências de Thiago Silva e Neymar. Não há como reclamar de apagão. Não hão como falar em falhas individuais, tantas foram elas. Foi um banho de bola, técnico, tático, de cada um dos jogadores.

O placar só não foi maior na primeira etapa porque a Alemanha respeitou o passado do futebol pentacampeão, e decidiu tirar o pé quando poderia ter feito ainda mais do que os cinco gols assinalados nesta etapa.

Foi só vontade que o Brasil mostrou nos primeiros minutos. Mas não demorou muito tempo para Khedira, Schweinsteiger, Kroos e Özil passarem a dominar o jogo. Era o melhor meio de campo do mundo contra nenhum meio de campo.

Pior, havia uma bagunça generalizada na marcação que gerou o primeiro gol de Müller, em que David Luiz falhou. A partir daí, os gols eram quase de pelada, com tabelas dentro da grande área. Foram três em três minutos, com dois de Kroos e Klose, que bateu o recorde de Ronaldo, com 16 gols. E Khedira aumentou.

Desnorteado, o Brasil tinha Hulk e Fred nulos. Fernandinho e Luiz Gustavo eram envolvido pelos rivais. A zaga tentava conter vazamentos em um cano estourado.

Diga-se a verdade: a Alemanha decidiu se poupar no segundo tempo. Tirou seu melhor zagueiro Hummels. E passou a tocar lentamente a bola. O Brasil tentou se estruturar com Ramires e Paulinho, e evitar o pior. Não rolou.

Com poucos ataques, e um pouco mais de velocidade, Schürrle conseguiu mais dois gols no segundo tempo, um deles com chute que bateu na trave. As tentativas de ataque brasileiro esbarravam em erros individuais, e em um desorganização poucas vezes vista em um time de futebol. O gol de Oscar foi isolado, e quase uma concessão dos alemães para o placar de 7 a 1. Sim, acredite, sete.

O ritmo de treino era tão claro que o Brasil acabou o jogo com mais posse de bola. E – parece piada, mas é verdade – com mais arremates a gol do que os germânicos. Em compensação, a Alemanha correu cerca de 10 km a mais do que a seleção.

Essa seleção europeia já se apresenta como uma das maiores da história, certamente a melhor em décadas da Copa. Torna-se desde já a favorita para a final. O resultado de uma verdadeira revolução no futebol alemão que foi construída desde 2002 quando se decidiu reestruturar o esporte no país, com investimento em divisões de base, CTs, técnicos, etc.

Um processo que o Brasil teria que passar para renovar o futebol nacional. A decadência é vista há anos, e nada tem sido feito. Difícil acreditar que isso ocorrerá nas mãos de dirigentes e técnicos ultrapassados responsáveis pelo que ocorreu nesta semifinal à seleção brasileira. De consolo, o enorme respeito com que a Alemanha tratou a seleção, apesar da humilhação.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

Rodrigo Mattos