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Rodrigo Mattos

Um rapaz de 22 anos decide a Copa para o melhor time

rodrigomattos

13/07/2014 18h44

Houve um momento em que Schweisteiger sofreu seguidas pancadas de argentinos. Primeiro, foi Mascherano, duas vezes. Depois, foi Aguero, que lhe acertou quase um soco. Ele foi costurado no canto do campo e voltou. Ali, a Argentina deixou de jogar bola, e só sobrou um time que tem muita bola em campo.

Pouco tempo depois, Schurrle deu uma arrancada pela esquerda e cruzou na medida para Gotze, que dominou, com categoria, e chutou na saída do goleiro Romero já na prorrogação do jogo. Era um prêmio para a Alemanha, que exibiu o melhor o melhor futebol do torneio.

Foi quem teve a posse de bola, apresentou um estilo diferente com dinâmica no ataque, compactação, e jogadores excepcionais. Os argentinos foram bravos, mas essa taça não poderia estar em melhores mãos. Só que até lá foi um sobe e desce de emoção.

De início, Alejandro Sabella fez o que deveria ter feito Felipão na semifinal: trancou o jogo no meio de campo com as voltas constantes de Lavezzi e Enzo Perez para fechar o setor. Quando saía, a Argentina era inteligente ao explorar as costas da defesa alemã.

E foram seguidas as chances de gol criadas desta forma, inclusive com um Messi livre pela direta que superava com facilidade Hummels ou Howedes. O mano a mano era perigoso para os alemães, que, do outro lado, não conseguiam furar o bloqueio rival. Era sentida a falta de Khedira no toque de bola germânico.

Mas a melhor chance surgiu com o erro de Kroos que recuou uma bola nos pés de Hinguaín. Em tarde infeliz, ele perdeu a melhor oportunidade do jogo ao chutar para fora, sozinho.

A pancada na cabeça que tirou Kramer do jogo ajudou a Alemanha. Joachim Low colocou Schurrle e, com uma ajuda de uma bronca de Schweisteiger, a Alemanha se ajeitou e equilibrou a partida. Já tinha mais a bola, mas passou a também criar espaços para a conclusão, e quase faz em cabeçada de Howedes na trave.

A final era boa como há muito não se via na Copa. Mas o intervalo teve os retornos dos dois times mais cansados. Perigoso no primeiro tempo, Messi tinha menos pernas e se poupava para lances decisivos. E teve um a sua disposição à frente de Neuer, mas chutou fraco para defesa do goleiro rival.

Como em todo o jogo, a Alemanha tinha mais posse de bola, mas seu jogo esbarrava em atuações abaixo da média de Kroos e Özil. Quando aparecia a chance de um chute claro, Romero se encarregava de evitar o gol, assim como Neur fazia do outro lado.

Com os times cansados, chegou a prorrogação. Mais uma vez, a defesa aberta alemã dava as melhores chances para o rival. Palacio deve ter sido xingado pelo Obelisco em peso quando desperdiçou o arremate, livre, após falha de Hummels. Candidato a melhor da Copa, ele tinha atuação fraca, perdendo a maioria dos duelos individuais.

Mas quem tem um jogador como Schweisteiger não perde com facilidade. Melhor em campo, ele teve fôlego para dominar o meio de campo até o final. E pesou em favor da Alemanha.

Coube o papel de protagonista ao garoto de 22 anos, acusado de traidor quando deixou o Borussia Dortmund pelo Bayern de Munique. Qualquer investimento em um jogador como esse se justifica. Em uma final de Copa, ele soube fazer o que nem Messi, nem Palacio, nem Higuaín souberam. Diante do gol, dominou no peito e tocou para as redes.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

Rodrigo Mattos