Blog do Rodrigo Mattos

Marketing de emboscada na Copa envolve Neymar e Huck, mas tem pena branda

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As ações de repressão ao marketing de emboscada na Copa-2014 envolveram famosos como o jogador Neymar e o apresentador de TV Luciano Huck, além de patrocinadores da Fifa. Mas, na maioria dos casos, a CBF e a federação internacional apenas pediram retiradas de campanhas e produtos, e as punições geradas foram brandas. Há apenas três processos em curso.

Em relatório, o departamento jurídico da confederação listou 97 empresas que foram atacadas com reclamações relacionadas ao uso indevido da marca da seleção. Desse total, 92 resultaram em notificações e a simples retirada da campanha ou do produto de venda. Houve cinco processos, três deles ainda ativos, entre eles um contra empresa que tem como sócio Luciano Huck.

O blog apurou que a Fifa não deu início a nenhuma ação judicial por marketing de emboscada no Mundial. Houve apenas notificações extrajudiciais como a relacionada à sunga exibida por Neymar durante jogo.

''A maioria das empresas só recebeu notificação para adequar campanhas. Em alguns casos, houve acordos com remuneração'', afirmou Gustavo Piva de Andrade, do escritório Dannemann e Siemsen, que representa a CBF e, em alguns casos, a Fifa. ''Existiu caso de desconhecimento de empresas pequenas. Mas a maioria das empresas grandes estava ciente, e testava limites.''

No caso da Fifa, por exemplo, a entidade pediu que fosse impedida a distribuição das camisas de determinada marca na zona de exclusão de estádios do Mundial. Outra situação foi a sunga exibida por Neymar de uma marca diferente da Nike durante o intervalo do jogo contra Camarões.

A entidade investigou o caso e inocentou Neymar. Mas mandou uma notificação extrajudicial para a empresa Blue Man, que respondeu que o produto fora um presente para os jogadores sem intenção de fazer propaganda. O caso foi encerrado sem ação pelo que apurou o blog. E a marca festeja a exposição da sunga.

Das três ações em curso da CBF, uma foi contra a Johnson & Johnson, outra contra a Reserva. A multinacional de ramo de higiene pessoa foi patrocinadora da Copa, e a campanha com camisas amarelas foi interrompida, mas ainda não há acordo judicial.

Enquanto isso, a ação contra a Reserva está perto de um acordo. A empresa que produz camisas tem como um dos sócios o fundo Joá, que tem como participante Luciano Huck. Ele é muito próximo da CBF e chegou a interromper um treino da seleção para gravar um programa. Mas suas empresas foram alvos duas vezes de ações contra marketing de emboscada da entidade.

''Estamos em fase de acordo'', disse o advogado da CBF, Carlos Eugênio Lopes, explicando que isso envolve um pagamento por parte da Reserva. A reclamação é de que a empresa usou uma camisa com um escudo que se assemelha ao da seleção. A campanha e a camisa já foram retirados, e o valor a ser pago não deve ser alto.

O advogado da Reserva e da Use Huck, Vicente Donnici, confirmou que está perto de um acordo com a confederação no processo, e disse que há certa subjetividade nos julgamentos do que é símbolo da CBF.

O outro caso foi uma notificação para a Use Huck-Reserva. Havia uma camisa amarela com o logo ''Imagina na Copa'' com um símbolo parecido com a CBF, e foi vendida por quase um ano. ''A UseHuck (…) respondeu a notificação explicando que nunca houve a intenção de infringir quaisquer direitos e, para evitar maiores problemas, cancelou a venda da camiseta'', afirmou Donnici. 

Ou seja, na maioria dos casos, a campanha ou produto que supostamente fere os direitos da CBF e da Fifa sai do ar e deixa de ser vendido com a notificação. Mas a empresa já aproveitou a exposição.

Carlos Eugênio Lopes, no entanto, está satisfeito com os resultados do combate ao marketing de emboscada. ''Compensou o trabalho e foi fundamental. O objetivo é preservar a marca. Se não combate o uso indevido, daqui a pouco não vai ter patrocinador nenhuma'', afirmou o advogado da CBF.