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Rodrigo Mattos

Exclusão do Grêmio por racismo cria exemplo e ajuda a educar torcedor

rodrigomattos

03/09/2014 18h03

Por princípio, o ideal é que o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) não interfira no resultado do campo. Ao mesmo tempo, os clubes devem ser punidos por atitudes violentas de seus torcedores porque isso serve como medida educacional – foi assim que se reduziram os casos de arremessos ao campo. Era entre esses dois extremos que o Grêmio era julgado na primeira instância pelos atos racistas contra o goleiro Aranha do Santos.

E decidiu-se, por unanimidade, pela punição educativa e retirada do time da competição. É uma medida inédita em relação ao racismo, grave, e cria um precedente no tribunal. A partir de agora, terá de punir da mesma forma outros times cujas torcidas se envolvam em gritos discriminatórios. Há peso para cada tipo de manifestação.

Sob esse aspecto, a decisão do STJD é positiva. Ora, a boa parte da torcida do Grêmio que costuma cantar sobre macacos para provocar seus rivais do Internacional terá de repensar sua forma de agir. Outros torcedores pelo país também vão lembrar desse caso quando cogitarem arremessos de bananas, ou imitações de animais nas arquibancadas.

É certo que o Grêmio não tem culpa direta pelos atos de seus torcedores, e seu presidente Fábio Koff agiu de forma correta ao se desligar de uma organizada e ajudar nas investigações. Por isso, seus advogados pediram a inclusão no artigo 243-G apenas na parte de multa, alegando que os torcedores não tem vínculo com o clube e eram minoria.

Mas, pela previsão do CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), os times são, sim, responsáveis por parte dos atos de quem usa sua camisa e grita em seu favor. E o 243-G prevê que, em casos de gravidade, o clube pode ser punido com perda de mando de campo, pontos ou exclusão.

Agora, caberá ao futebol brasileiro demonstrar que essa não é uma medida específica para o caso do clube gaúcho, que já estava quase eliminado da Copa do Brasil, por ter perdido o jogo por 2 a 0 para o Santos. Em outras ocasiões, tribunais esportivos já foram bastante frouxos com casos de racismo, e ignoram homofobia.

E, claro, não vai ser todo ato racista ou discriminatório que vai levar a mesma punição. Só aqueles graves. Mas o STJD terá de mudar sua abordagem ao tema para não se tornar contraditório e sancionar apenas em casos de grande repercussão na mídia.

Assim como aconteceu com as latinhas arremessadas em campo, pode ser que o futebol brasileiro reduza as manifestações racistas nos estádios. Isso não acabará com a discriminação arraigada na sociedade brasileira, que deixa, por exemplo, negros restritos às arquibancadas e aos campos, e longe da direção de clubes. Mas, pelo menos, atletas como Aranha não passarão por nova provação como a ocorrida na Arena do Grêmio.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

Rodrigo Mattos