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Rodrigo Mattos

Time da 3a divisão de Minas tem atletas mais caros do que Palmeiras e Fla

rodrigomattos

01/10/2014 06h00

Um clube da terceira divisão de Minas Gerais é um prova de como será difícil para a Fifa impor a proibição de investidores terem direitos sobre fatias de jogadores. Controlado por um fundo ligado ao BMG, o Coimbra Esporte Clube Ltda detém maior valor em atletas do que Flamengo e Palmeiras, dois grandes da Série A do Brasileiro. Só que nenhum deles atua pela equipe mineira.

É uma demonstração de como os investidores podem criar clubes pequenos com atividade esportiva irrelevante para controlar seus atletas. A Fifa diz estar de olho nos chamados times hospedeiros, que servem apenas para esse fim.

O crescimento financeiro do Coimbra começou quando um dos acionistas do BMG, Ricardo Guimarães, ex-presidente do Atlético-MG, decidiu investir em jogadores em 2009. Foi criado um fundo chamado BR Soccer, com registro na CVM (Comissão de Valores Imobiliários), que deteve controle de fatias até de atletas de seleção como Marquinhos, Oscar e Bernard, em um total de mais de 100.

Esse fundo é dono da empresa chamada Vevent, que por sua vez é a controladora do pequeno clube mineiro. Com informações até março de 2014, o balanço do BR Soccer registra que o total investido pelo Coimbra em jogadores, contratados ou revelados no clube, é de R$ 62,4 milhões. É o valor incluído no ativo do clube.

Para efeito de comparação, o Flamengo contabilizou R$ 36,5 milhões em direitos de jogadores no ativo do seu balanço até o meio de 2014. Já o Palmeiras tem um total de R$ 41 milhões também até a metade do ano. O Corinthians, com elenco mais caro, tem R$ 84,7 milhões em números do final de 2013.

Só que nenhum desses atletas sobre os quais o Coimbra detém direitos entra em campo. O gerente de futebol do time, Maron, relata que são 27 jogadores no elenco do time. "É uma maioria de jogadores formado na divisão de base do clube", contou o dirigente. Ele afirmou que não poderia falar sobre a relação com o fundo, e o responsável não atendeu os telefonemas.

Na CBF, o time tem 58 jogadores registrados, entre eles, atletas como Jocinei e Moacir, com passagens pelo Corinthians. Mas o filé do fundo está ligado a grandes clubes brasileiros, e o Coimbra detém fatias. Já fez negócios com Corinthians, Atlético-MG, São Paulo, Fluminense, Santos, Internacional e Cruzeiro, entre outros.

Em campo, no entanto, o time só conta com um categoria infantil e outra profissional, e disputa dois torneios, Taça Belo Horizonte e o Mineiro -está no módulo II do Estadual, correspondente à terceira divisão. Joga em um estádio cedido em Nova Lima, mas sua sede é em Belo Horizonte.

Ao final do Mineiro-2014, o time ficou em terceiro na chave A deste campeonato: foi a nona melhor campanha em 12 equipes. Não tem site, e seus contatos na federação mineira são celulares de dirigentes. Uma realidade bem diferente do glamour dos nomes ligados ao Coimbra. Só no cartório.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.