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Rodrigo Mattos

Após vetar investidores, Fifa aperta o cerco contra clubes de fachada

rodrigomattos

19/10/2014 06h00

Depois de proibir a participação de investidores em direitos de jogadores, a Fifa apertou o cerco contra clubes de fachada controlados por empresários com uma punição inédita por transferências simuladas. Desta forma, empresas ou fundos terão muito mais dificuldades de manter o controle de jogadores por meio de times como fazem no Brasil, e outros países.

A proibição da federação internacional aos investidores ocorreu no final de setembro em reunião do Comitê Executivo da Fifa. Ainda não foi estabelecida uma regulamentação para o veto, que passa a valer em quatro anos.

Pois bem, em 10 de outubro, a Fifa já deu uma sinalização de que as restrições serão grandes, com uma punição estabelecida pelo seu Comitê de Apelação contra clubes uruguaios e argentinos por transferências-pontes. Esse nome é dado quando a negociação de um jogador passa por um time intermediário, em geral de empresário, que ganha com isso sem que o atleta jogue com a sua camisa.

A investigação da Fifa ocorreu em cima de seis transferências de 2012 que tiveram como intermediário o clube uruguaio Institución Atlética Sud América. Os jogadores foram para gigantes do futebol argentino como o Racing Club e o Independente, além do Rosário Central e o Central Córdoba.

Como os atletas nunca atuaram pelo clube uruguaio, este foi punido com o veto a atuar em duas janelas de transferências, e os outros com multas. A Fifa entendeu que não houve fins esportivos nas vendas e empréstimos dos atletas. Assim, a entidade deixou claro que os empresários não poderão usar clubes de fachada para faturar com direitos de atletas.

"As falas do Blatter e do Valcke já indicavam que tentaria se fechar todas as brechas no futebol para que houvesse um banimento de fato dos direitos de investidores. Essa decisão (do comitê disciplinar) mostra que a Fifa será dura como os clubes que tentarem burlar a futura proibição", comentou o especialista em direito esportivo internacional Eduardo Carlezzo.

Inseguros, sem saber as regras definitivas, investidores já reduziram os recursos para o futebol. E, para o advogado, a decisão do comitê da entidade é uma demonstração de que haverá um aperto no cerco em relação aos clubes sem finalidade esportiva, que têm apenas intuito de fazer negócios.

Como o blog já mostrou, um clube da terceira divisão de Minas Gerais, o Coimbra, tem jogadores mais valiosos que equipes do Brasileiro da Série A, como Flamengo e Palmeiras.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

Rodrigo Mattos