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Unimed teve até R$ 63 mi em atletas no Flu. Clube só pode bancar time médio

rodrigomattos

10/12/2014 12h27

Mais uma sinal do fim da farra do futebol brasileiro, o rompimento da parceria entre Fluminense e Unimed após 15 anos tem um impacto muito maior do que outros encerramentos de patrocínio. A empresa chegou a ter R$ 63 milhões em direitos de jogadores no clube em 2012, mais do que a maioria dos times nacionais. Sem o plano de saúde, o time tricolor carioca terá de se adaptar a um orçamento de 2o escalão no futebol brasileiro, abaixo dos mais ricos.

Por conta de seu presidente Celso Barros, a Unimed sempre colocou bastante dinheiro no clube, pagando salários e turbinando o valor da camisa como na época de Edmundo e Romário. Foi a partir da metade da década passada que ele resolveu começar a comprar direitos de jogadores e explodiu o investimento no time carioca.

Criou-se a Unimed-Rio Participações e Investimentos S/A em 2010, uma subsidiária da empresa principal, que ficava com os direitos econômicos dos atletas. E houve uma escalada de valores: começou com R$ 23 milhões naquele ano, saltou para R$ 30 milhões no ano seguinte. Os números são do balanço da empresa.

Mas, em 2012, ano em que o clube foi campeão brasileiro, a Unimed investiu R$ 46 milhões. Seu total em direitos econômicos de atletas atingiu R$ 63,4 milhões. Para efeito de comparação, clubes como Flamengo e Palmeiras não tinham valores tão altos em direitos de jogadores quanto o plano de saúde. Só o fundo BMG e poucos times como São Paulo e Corinthians atingem esse patamar.

A situação financeira do plano de saúde se deteriorou e esse valor caiu para R$ 43,5 milhões ao final de 2013, ainda muito alto. Com o final da parceria, a Unimed terá de negociar a sua saída e transferências dos atletas. O problema é que dificilmente conseguirá recuperar o dinheiro em um mercado recessivo, ainda mais se levarmos em conta que os jogadores não são novos. Contratos em vigor para pagamento de salários terão de ser rompidos ou cumpridos.

E como fica o Fluminense? O clube passa a um patamar bem mais modesto com as outras receitas disponíveis. Em 2014, sua renda até o terceiro trimestre era de R$ 85 milhões. Isso significaria uma receita anual de R$ 114 milhões.

Claro, o clube pode melhorar isso com um novo patrocínio que pague pela camisa, mas nunca vai se igualar a, por exemplo, Corinthians e São Paulo com os quais competiu neste Brasileiro. A nova realidade será a de montar um time de custo médio, longe dos primeiros lugares da tabela, e reforçado pela base.

Bem antes do final da parceria, jogadores do Fluminense já estava no mercado à procura de clube. Só não houve uma debandada ainda porque exigem salários muito altos, fora da realidade atual do futebol nacional.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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