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Rodrigo Mattos

Custo de estádios da Copa triplica na conta final. Itaquerão passa Maracanã

rodrigomattos

06/01/2015 05h00

Após quase seis meses de espera, o Ministério do Esporte publicou a conta definitiva da Copa-2014, na véspera do Natal do ano passado. O valor do custo dos estádios ficou em R$ 8,4 bilhões, o que significa um aumento de 184%, ou praticamente o triplo, em relação ao primeiro orçamento feito para o Mundial pela CBF. Pelo documento, o Itaquerão ultrapassou o preço do Maracanã.

Foi a última atualização da matriz de responsabilidades que o o governo federal prometia desde o final da Copa. No documento, o total gasto no Mundial foi de R$ 27,1 bilhões, cerca de R$ 1,5 bilhão a mais do que no ano anterior. Esse montante ficou abaixo do esperado pelo governo federal que era R$ 33 bilhões. Mas não é motivo para festejos porque o que se perdeu foram projetos de mobilidade urbana nas cidades-sede.

Desde o início da preparação, os custos aumentaram em relação aos estádios, e operações do Mundial. Em 2007, a CBF estimou em US$ 1,1 bilhão (pela cotação do dólar atual R$ 2,96 bilhões) o total a ser gasto com arenas em seu primeiro documento para a Fifa – não havia número de sedes definidas. A primeira matriz de responsabilidades, com orçamentos já feitos de estádios, previa R$ 5 bilhões de gastos. Agora, o montante final ficou em R$ 8,4 bilhões.

Em compensação, houve queda no valor total para obras de mobilidade urbana porque vários projetos foram retirados: não foram concluídos a tempo da competição. No total, foram 34 obras concluídas nesta área. Custos de aeroportos, operações de segurança e portos se mantiveram estáveis, com leves aumentos ou quedas em relação a 2013. Foram acrescentadas as instalações provisórias da Fifa em um total de R$ 580 milhões.

O estádio mais caro foi o Mané Garrincha, com R$ 1,4 bilhão. O Itaquerão aparece como segundo com maior preço com R$ 1,080 bilhão, e o Maracanã em terceiro, com R$ 1,050 bilhão. Isso porque houve um salto de R$ 260 milhões na sede paulista, enquanto a arena carioca, teoricamente, manteve o preço. Esse valor do estádio corintiano já é conhecido e foi comunicado ao conselho do clube no primeiro semestre do ano passado.

Há ressalvas: só estão consideradas as obras dentro dos muros. E tem que se lembrar que o contrato do Maracanã teve vários aditivos, e o tribunal de contas da união questionava alguns valores das obras. A Odebrecht tocou ambas as construções.

Os estádios têm características diferentes. O Maracanã tem uma capacidade maior, acima de 70 mil contra entre 40 mil e 50 mil, mas o Itaquerão tem maior área construída. O material de acabamento utilizado na arena corintiana é mais luxuoso.

Fato é que, com estádios mais caros e menos legado para as cidades, o governo não tem muito o que festejar da conta da Copa tanto que a publicou no dia 24 de dezembro, sem nenhuma publicidade.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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