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Rodrigo Mattos

Wendell Lira representa o futebol brasileiro que é ignorado pela CBF

rodrigomattos

11/01/2016 18h33

A escolha de Wendell Lira como autor do gol mais bonito do mundo em 2015 (prêmio Puskas) serve para nos lembrar como é mal tratada a maioria dos jogadores brasileiros. Para além da imagem de carrões e propostas milionárias da China, o atleta nacional sofre com salários baixos, péssimas condições de treinamento e falta de competições para disputar. É solenemente ignorado pela CBF que só pensa na seleção brasileira e na elite.

Dados da própria confederação e do Bom Senso indicam que 82% dos jogadores nacionais ganham até dois salários mínimos, e outros 15% estão desempregados. Apenas 3% têm vencimentos acima dos dois salários. Isso em um universo de 20 mil atletas.  Esses números foram divulgados recentemente por reportagem da "Placar". Representam uma realidade conhecida e imutável há anos.

"Eu sou como 90% dos jogadores de futebol do país que treinam em campo ruim, sofrem para achar time, têm dificuldade para pagar as contas", disse Wendell Lira ao site "Fato online", antes de ganhar o prêmio. Seu salário no Goianésia quando marcou o gol premiado era de R$ 3 mil, enfrentou desemprego, trabalhou até como caixa de supermercado.

Há três fatos que multiplicam casos como o de Lira pelo país, ambos são responsabilidade da CBF. 1) O calendário do futebol ignora a maior parte das 600 equipes do país ao não organizar ou incentivar campeonatos o ano inteiro para times pequenos 2) Não há regulação eficiente para garantir que os direitos dos atletas sejam respeitados, sem atrasos de salários 3) A entidade investe apenas uma pequena parcela dos seus ganhos milionários com as competições do país.

Basta dizer que, em 2014, a confederação ganhou R$ 519 milhões. Desse total, apenas R$ 58,7 milhões fora investidos em competições. A CBF costuma alardear que dá R$ 100 milhões para o futebol do país, citando passagens e agrados para Série C e D. Há ainda mesadas para federações de parcos recursos que quase não investem nesta base. É pouco, pouquíssimo.

Os contratos milionários da CBF só são possíveis porque há essa base gigantesca de jogadores, maior do que a de qualquer lugar do mundo, para lapidar os maiores talentos para sua seleção brilhar no mundo. Quem ultrapassa todas as barreiras é recompensado com grandes salários. Aos outros, é destinado o esquecimento da confederação como ocorre com Lira, lembrado só agora no site pelo seu gol.

Não se defende aqui que todos os jogadores sejam milionários. É normal os melhores se destacarem e terem melhores salários. Mas é inadmissível que a confederação não tenha sequer um plano para desenvolver a grande base do futebol do país.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.