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Rodrigo Mattos

Atlético-PR e Coritiba defendem seus direitos e dão exemplo ao Brasil

rodrigomattos

19/02/2017 18h24

Atlético-PR e Coritiba não aceitaram jogar o clássico porque a Federação Paranaense de Futebol tentava atrapalhar sua transmissão online, e a partida foi cancelada. Nada mais fizeram do que defender seus direitos previstos em lei e deram um exemplo para outros clubes brasileiros. O sistema autoritário de confederação e federações só prejudica os times.

A disputa começou quando os dois grandes do Paraná decidiram não assinar o contrato com a Globo para transmissão do Estadual. A emissora fechou com federação para ter o campeonato com os outros times.

Até aí é do jogo. Pela lei Pelé, em seu artigo 42, é de prerrogativa exclusiva das entidades de prática esportiva (isto é, os clubes) a negociação de seus direitos de transmissão, assim como todos os direitos de arena. Só Atlético-PR e Coritiba, portanto, podem autorizar transmissão de seus jogos. Teoricamente, federações e CBF nem deveriam participar disso.

Sem contrato com a Globo, os dois times decidiram fazer uma transmissão online do jogo em seus canais próprios e no youtube. Contrataram uma produtora, narradores e repórteres para atender suas torcidas.

Pouco antes do jogo, o árbitro informou que não poderia ser realizado o jogo com a transmissão. A Federação Paranaense de Futebol informou, por meio de um advogado, que a justificativa era a falta de credenciamento de repórteres em campo. Difícil acreditar nisso. O que quiseram foi atrapalhar a iniciativa da transmissão que fragilizava a FPF.

O presidente do Atlético-PR, Luiz Emed, reafirmou que seu time não aceitaria a decisão que classificou de arbitrária da federação. "Aprendam com Atlético-PR e Coritiba e digam não. Chega, não", afirmou ele, em recado a outros clubes brasileiros.

Sim, já passou da hora de os clubes brasileiros lutarem por seus direitos e tomarem em suas mãos seus destinos. Pela lei, têm direitos de transmissão sobre todos seus campeonatos, assim como a chance de organizar suas próprias competições por meio de ligas como se faz no mundo inteiro.

Isso só foi possível em países como Espanha e Itália quando os clubes enfrentarem o sistema de suas federações nacionais. Atlético-PR e Coritiba fizeram isso no Paraná, assim como a Primeira Liga fez em 2016 com a CBF, embora tenha deixado o movimento enfraquecer em 2017. Esse é o único caminho se os clubes quiserem mudar o futebol nacional.

PS Nota tristíssima de que morreu um torcedor do Coritiba antes da partida, além de confusão geral entre as torcidas. É a segunda morte em menos de um mês de futebol no país em 2017.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

Rodrigo Mattos