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Copa América no Brasil tem direito de tv preso à empresa acusada de propina

rodrigomattos

10/03/2017 04h00

Os direitos de televisão da Copa América do Brasil, em 2019, continuam presos a uma empresa acusada de pagar propina para ex-dirigentes da Conmebol, a Datisa. Isso gera um dificuldade para a comercialização da competição. Tanto que começou a ser discutida uma solução para esta questão em reunião da confederação sul-americana nesta semana.

A investigação do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA apontou que a Datisa e seus donos (Traffic, Torneos e Full Play) se comprometeram a pagar US$ 110 milhões em propina para dirigentes da Conmebol, entre presidentes da entidade e das federações nacionais. Em troca, levaram o contrato da Copa América até 2023. Três ex-presidentes da confederação sul-americana estão presos e outros dirigentes como José Maria Marin.

Pois bem, a Conmebol anunciou que tinha rompido o contrato com a Datisa para a Copa América Centenario, em 2016. Mas a empresa recebeu dinheiro pelos direitos em acordo revelado pelo jornal paraguaio "ABC Color" em julho do ano passado. O periódico mostrou que a Datisa e seus associados ganhariam US$ 40 milhões com a competição.

No processo norte-americano sobre corrupção, um ex-advogado da Conmebol afirmou que levantou US$ 25 milhões em dinheiro com contratos de televisão liberados pela Datisa para poder pagar as seleções. Afinal, a empresa estava com as contas bloqueadas pela Justiça. Esse dinheiro foi obtido com a venda dos direitos, e boa parte repassado à própria Datisa.

O acordo valeu para a Copa América Centenario, mas o problema ressurge para as próximas edições da competição para as quais o contrato continua válido. Para o torneio no Brasil, os cartolas da Conmebol começaram a discutir como resolver o contrato com a Datisa. Afinal, a empresa que deveria revender os direitos de televisão, mas não goza de credibilidade após o escândalo. Fato é que, passado o momento inicial da denúncia, a Datisa e seus donos se fortaleceram e o rompimento do contrato fica mais difícil.

Sem saber quanto vai arrecadar com direitos de televisão, a Conmebol tem dificuldade para planejar todo o restante da Copa América. É o dinheiro da comercialização que banca a organização e garante a renda para as seleções. A questão será discutida mais a fundo no encontro do executivo da Conmebol em abril, no Paraguai. O formato da Copa América e a escolha de sedes do torneio dependem de saber quanto de dinheiro tem disponível.

A Conmebol se posiciona como vítima no processo norte-americano em que seus ex-dirigentes são acusados de corrupção. Segundo seus advogados, a entidade tem sido totalmente transparente com o governo dos EUA em relação a informações sobre o caso desde que o presidente da entidade, Alejandro Dominguez assumiu no início de 2016.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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