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Rodrigo Mattos

Em novo estatuto, CBF reduz votos dos clubes e dá mais poder a federações

rodrigomattos

23/03/2017 13h05

A CBF aprovou um novo estatuto que dá mais peso ao voto das federações estaduais e reduz dos clubes na eleição da entidade. A mudança foi feita em assembleia justamente com as federações, sem os times. A manobra foi articulada para minimizar a entrada dos clubes da Série B no colégio eleitoral que os deixaria em vantagem.

Pela lei, a CBF era obrigada a incluir os times da Segundona na eleição. Tanto que na eleição do vice, Coronel Nunes, já houve participação desses clubes no final de 2015. Assim, seriam 40 clubes diante de 27 federações.

Mas, agora, as federações terão voto peso três na eleição, enquanto os clubes da Série A têm peso dois, e os da Série B têm peso 1. Com isso, as 27 federações passam a controlar 81 votos. Os times das duas séries juntas ficam com apenas 60 votos.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, defendeu a medida afirmando que a entidade dá uma demonstração de democratização. Segundo ele, só a CBF entre as confederações dá voto aos clubes. Alegou que as federações têm que ter maior peso porque representam vários clubes, não só os das duas divisões.

"Quando você olha o estudo, vê que os clubes representam 42,5% do colégio eleitoral .É muito expressivo"; argumentou. "A formação do colégio eleitoral foi muito sensata. Incorporou democraticamente os clubes da Série B, e deu peso dois para os clubes da Série A, muito parecido com as federações."

"Foi feito um estudo técnico da CBF. Assim, aumentou o número de votos de todos", alegou o presidente da Federação do Amapá, Roberto Góes, que alegou que isso favoreceu os clubes. "Dando poder às federações, dão mais poder aos clubes. Clubes têm participação pela federação que elegem e também têm seu voto", defendeu o presidente da Federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo.

Os clubes continuam fora da assembleia que toma as decisões sobre o poder da entidade. É essa assembleia, por exemplo, que aprova as mudanças no estatuto. Clubes da Primeira Liga alegavam que, pela lei, era obrigatória a presença deles neste organismo. A CBF entende que não pode haver interferência.

Foi mantida também a regra da cláusula de barreira em que um candidato à presidência da CBF precisa do apoio de pelo menos oito federações. Isso impede de os clubes terem candidato próprio à entidade.

Houve ainda modificação na regra para substituição do presidente no caso vacância do cargo. Antes, o vice mais velho assumia o que obrigou a manobra para elevar o Coronel Nunes ao cargo de primeiro substituto de Marco Polo Del Nero. Agora, o mais velho assume apenas por um mês e convoca novas eleições.

No novo pleito, só podem ser eleitos os oito vices-presidentes que serão empossados juntamente com o presidente, isto é, que fazem parte de sua chapa. Esses vices vão compor um Conselho Administrativo da CBF juntamente com o presidente. Teoricamente, é para dividir o poder, mas todos serão aliados do mandatário ao contrário do que ocorre na Fifa.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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