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Rodrigo Mattos

Por que favoritos Galo, Palmeiras e Fla capengam no início do Brasileiro

rodrigomattos

05/06/2017 04h00

Antes do início do Brasileiro, a maioria dos analistas apontava Atlético-MG, Flamengo e Palmeiras como os elencos e times mais capazes de brigar pelo título. Passadas quatro rodadas, os favoritos não conseguiram engrenar no campeonato, seja em resultados, seja no futebol apresentado. Por que isso acontece?

Primeiro, é importante que se diga que há boas chances de os três times se recuperarem e passarem ao alto da tabela no transcorrer do Brasileiro. O campeonato só terá um cenário mais claro a partir da 10a rodada, e só na virada do turno costuma se definir quem disputará o título. Mas desempenho ruim no início impactará suas campanhas.

Feitas as contas, os três times somaram 13 pontos juntos, com uma performance de 36% dos pontos possíveis. Houve dois confrontos entre eles, isto é, seria impossível terem os 36 pontos máximos. De qualquer maneira, é um desempenho decepcionante.

Tanto que o Flamengo é 11o colocado, o Palmeiras, 12o e o Atlético-MG, 17o. Juntos, têm duas vitórias apenas. E o confronto entre o time alviverde e o alvinegro mineiro, neste domingo, mostrou como essas posições refletem o pobre futebol jogado pelas equipes no momento.

Foi um jogo fraco em que o Galo priorizou a defesa à espera de um contra-ataque, e em que o Palmeiras mostrou falta de alternativas para achar espaços contra um adversário fechado. Vamos tentar entender ponto a ponto o motivo da má fase (até agora) dos três favoritos:

Atlético-MG

Não falta talento à linha de frente do Atlético-MG. Só que Roger ainda não encontrou uma forma de juntar todos eles e se manter com um time compacto e confiável. Até brilhou em alguns jogos da Libertadores, mas não no Brasileiro onde não jogou nenhuma partida inteira bem.

Um dos problemas é o fato de a equipe estar muito espaçada quando ataca. Cazares, Otero, Robinho e Fred, quando jogam os quatro juntos, têm dificuldade para se aproximar e recebem bolas às vezes isolados já que o meio-campo está muito recuado. Esse problema é minimizado com Elias em campo, que conecta os setores.

Defensivamente, o time melhorou nos jogos fora (sofreu apenas um gol diante de Fla e Palmeiras) com um volante a mais ao lado de Rafael Carioca. Mas, quando tem que sair como diante do Fluminense em casa, não tem um sistema eficiente para conter os contra-ataques.

Flamengo

O time carioca não tem exibido o futebol consistente que o caracterizou na maior parte do primeiro semestre. Uma das explicações são desfalques importantes como Diego e Everton, entre outros, que agora voltaram ao time. E a queda na Libertadores afetou a confiança do time que passou a errar muito fundamento, principalmente passe. Embora tenha dominado boa parte de seus jogos, o rubro-negro não exibiu um futebol que intimide o rival.

Além da queda na Libertadores e dos desfalques,  o Flamengo tem um dilema em seu jogo. Em 2016 e parte de 2017, exibiu seus melhores momentos com dois ponteiros abertos que voltavam. Só que não tem jogadores no elenco que estejam funcionando nestas funções com Berrío (contundido) e sem eficiência, e Gabriel sem ser incisivo.

Para isso, há duas soluções que se vislumbram no clássico diante do Botafogo. Um é o garoto Vinicius Jr que tem entrado bem e ensaia queimar etapas em sua adaptação. Outra é -com a possibilidade de ter Diego, Conca e talvez Everton Ribeiro – o técnico Zé Ricardo fazer a transição para um jogo mais centrado nos meias, e menos na velocidade.

A defesa também tem falhado excessivamente, Vaz foi barrado e Rever tem cometido mais erros do que de hábito. Muralha melhorou nos últimos jogos, mas ainda está longe de exibir a segurança do ano passado.

Palmeiras

Campeão em 2016, o Palmeiras ainda não sabe a fórmula para repetir o feito. Desde a volta de Cuca o time vem procurando uma nova identidade que pode ter elementos do ano passado, mas terá de buscar novidade. Como bem lembrou o treinador, o time perdeu Moisés (este ainda pode voltar), Gabriel Jesus e Vitor Hugo, sendo os dois primeiros bem difíceis de substituir.

Diante do Atlético-MG, o time alviverde apostou em três atacantes rápidos, Roger Guedes, Keno e Willian, em formato já testado por Eduardo Baptista. Faltava profundidade ao time, o que não se resolveu com a entrada de Borja que continua mal.

Além disso, falta jogo de meio de campo ao Palmeiras, com Guerra armando o time só em velocidade, com um Tchê Tchê apagado. Quando o time precisa rodar a bola para achar espaço, não tem um jogador que coordene essa movimentação.

Aposta-se portanto sempre na jogada veloz pela ponta ou nas bolas paradas, e isso torna o time mais previsível para um adversário fechado. A defesa passa por instabilidade com Edu Dracena em má fase, e até Prass em momento hesitante (quase entregou um gol ao Galo desperdiçado por Rafael Moura).

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.