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Rodrigo Mattos

Pressão do Santos na CBF é para afastar repórteres da Globo de árbitros

rodrigomattos

27/07/2017 17h21

Para além de anular o jogo com o Flamengo, o principal objetivo da pressão da diretoria do Santos é afastar os repórteres da Globo dos árbitros no campo. Na visão na cúpula santista, a proximidade dos jornalistas do 4o árbitro e auxiliares tem causado problemas recorrentes de suspeita de interferência externa nos jogos do Brasileiro e da Copa do Brasil. Há a consciência de dirigentes santistas de que a anulação do jogo é bem difícil no STJD, embora entendam que têm obrigação de tentar.

O que o Santos quer é uma decisão administrativa da CBF afastando os jornalistas dos árbitros. Foi mandado um ofício santista para a confederação com esse pedido de vetar comunicação entre os jornalistas e os árbitros. Além disso, o presidente do Santos, Modesto Roma Jr., ligou para o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. A versão santista é de que a CBF foi receptiva na conversa.

Em sua argumentação, que será apresentada no STJD para tentar anular o jogo, o Santos tem imagens de seu circuito interno que pegam o campo de forma secundária, o principal objetivo é filmar torcedores. Há ainda fotos de repórteres. Mas até agora não há nenhuma imagem revelada que mostre o repórter da Globo Erick Faria se comunicando com o quarto árbitro Flávio Rodrigues de Souza. O repórter nega ter falado com o auxiliar que também descartou ajuda externa em entrevista ao "Globo.com".

Outro dado levantado pelo Santos é de que o quarto árbitro teria feito um gesto de tela o que demonstraria que se baseou em televisão. Na visão de dirigentes santistas, não faria sentido Leandro Pedro Vuadem pedir opinião para um quarto árbitro que estava a 60 metros do lance.

A procuradoria do STJD entende que a prova para anular um jogo é muito difícil. "A interferencia externa demanda a prova inequívoca do seu ocorrido e prova que essa interferências tenha sido determinante para mudar a opinião do árbitro", explicou o procurador Felipe Bevilaqua.

Extraoficialmente, a cúpula do Santos sabe ser difícil a anulação já que o STJD não anula nenhum jogo desde o Brasileiro-2005 no caso da máfia do apito. Mas o objetivo é pressionar para acabe com as suspeitas de interferência externa afastando os repórteres da Globo do banco. É citado o caso do Fla-Flu em que um gol impedido foi anulado, entre outros exemplos de vezes em que houve suspeita.

A diretoria do clube paulista entende que haverá maior crediblidade para o campeonato se os repórteres não puderem falar com os árbitros e estiverem longe deles. A CBF já orienta seus juízes a não falar com jornalistas quando estiverem em campo.

Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.

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