Blog do Rodrigo Mattos

Com titulares, Grêmio é quase igual a Corinthians, mas reservas destoam

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Renato Gaúcho é o técnico que montou o time de futebol mais vistoso no Brasil em 2017. Disputaria o posto de equipe mais eficiente do ano (veja que os dois conceitos são diferentes) com o líder Corinthians. Mas o treinador gremista decidiu largar o Brasileiro em favor da Copa do Brasil e da Libertadores.

Neste final de semana, Renato escalou reservas na Arena Grêmio que não foram capazes de bater o Atlético-PR. Lembre-se que é o mesmo time que os titulares gremistas golearam por 4 a 0 pela Copa do Brasil. Com o empate, manteve-se a sete pontos do líder Corinthians, que tem um jogo a menos.

O treinador escalou equipes completamente reservas em quatro ocasiões, Atlético-PR, Palmeiras, Sport e Botafogo. Somou um em 12 pontos, um desempenho de rebaixado. Houve duas ocasiões, Atlético-GO e Atlético-MG, em que usou time misto e foi bem, com duas vitórias.

Considerando apenas a campanha com titulares ou pelo menos misto, o Grêmio somou 76,5% dos pontos. O Corinthians tem o rendimento de 78% até agora, com um jogo a menos. Ou seja, se o time gaúcho tivesse escolhido o Brasileiro como prioridade, provavelmente estaria em disputa equilibrada com a equipe paulista.

Em vez disso, Renato já deixou clara sua preferência pelas Copas. Após o empate com o Atlético-PR, afirmou: ''Não vai mudar, vai continuar. Demos chance para quem não vem jogando, os garotos. Não adianta, não é que eu queira fazer isso. Nós somos obrigados.'' E completou: ''E é assim: não temos como jogar com o mesmo time todos os campeonatos. Demos prioridade à Copa do Brasil e à Libertadores.''

Em certa parte, não dá para discordar do treinador: a temporada no Brasil tem excesso de jogos e é impossível não poupar. Compereende-se a prioridade à Libertadores. Mas a questão é por que da preferência à Copa do Brasil em relação ao Brasileiro?

O campeonato nacional é o mais nobre do país. É assim no Brasil e em todos as nações com pontos corridos. Não há nenhum lugar em que a Copa seja priorizada, nem com o argumento de que ''só falta três jogos para ser campeão''. Um mata-mata é imprevisível, se faltam três jogos, vai uma bola na trave e o time é eliminado. E uma equipe que joga o futebol mais vistoso do país não deveria se prender ao imponderável.

Mais do que isso, o Grêmio não ganha um Brasileiro há 21 anos. O título de 1996, aliás, é o último dos gaúchos no Brasileiro. Entre os quatro Estados mais fortes do futebol do país, é único que nunca ganhou nos pontos corridos.

Aí talvez esteja a explicação para a estratégia de Renato. Os times do Rio Grande do Sul têm um gosto pela Copa, pelo mata-mata, maior do que outros Estados. Seu jogo nem sempre é o melhor do país (em 2017 é na minha opinião), mas são capazes de se impor no confronto direto.

Assim, não ganharam Brasileiros por 21 anos, mas o Inter foi duas vezes campeão da Libertadores, e o Grêmio levou três Copas do Brasil neste período. Não faltaram títulos importantes copeiros.

Quando manifestei no Twitter que não entendia a estratégia do Grêmio, a maioria dos torcedores do time se posicionou contrário, concordando com a tática de Renato. É uma amostragem pequena, mas a torcida gremista parece gostar mais das Copas do que dos pontos corridos.

É absolutamente compreensível. Mas esse time construído por Renato pode, sim, aspirar a ser considerado o melhor do Brasil. Seria uma disputa dura contra o Corinthians. Ele preferiu seguir a sua alma gaúcha e optar pelas Copas. Assim, só uma queda acentuada do rival lhe permitirá disputar o Brasileiro.