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Árbitro de vídeo não atuará em lances interpretativos como gol do São Paulo

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A comissão de arbitragem da CBF tem orientado os árbitros de vídeo (AV) que não poderão opinar ou interferir em lances passíveis de interpretação nos jogos do Brasileiro. Um exemplo é a marcação de falta de Pratto em Cássio que levou à anulação do gol do São Paulo diante do Corinthians. A intervenção do vídeo será só para jogadas claras, de acordo com as instruções da confederação.

O instrutor de árbitro de vídeo, Manoel Serapião Filho, afirmou que será seguido o protocolo da Fifa que não abre possibilidade para o juiz na frente do monitor atuar em jogadas subjetivas, com mais de um julgamento. Isso só poderá ser feito pelo que estiver em campo.

''Se tiver que interpretar, o árbitro de vídeo está fora. Só vai julgar o que for preto no branco, não entrará em zonas cinzentas'', explicou Serapião. ''Ele não é um clínico geral. É como se fosse um médico cirurgião. Só salva vida na UTI.''

Como exemplo, o instrutor do AV explica que o homem à frente do monitor não poderia interferir nem no gol anulado de Eder Militão, nem no pênalti marcado de Edílson sobre Allione no Grêmio e Bahia. Houve reclamação dura de são-paulinos e gremistas em relação às duas decisões do juiz.

''Nenhum dos dois (árbitro de vídeo pode atuar). Não tem imagem clara da televisão. Um não dá para ver se há o toque (pênalti para o Bahia) e no outro está um bolo de jogadores no meio (falta de Pratto)'', explicou Serapião Filho. ''Vai servir para lance como a mão do Jô que é claro. Impedimento que interferiu, pênalti e gols (claros).''

Apesar de Serapião citar o protocolo da Fifa, a entidade liberou que o árbitro de vídeo pudesse chamar o juiz de campo para citar lances que possam ser subjetivos. A CBF, no entanto, é contra esse tipo de atuação porque entende que pode aumentar erros. ''Com esse limite, vai melhorar 80%. Ser ou não ser. A faixa de equívoco será mínima'', completou ele.

O instrutor da CBF, no entanto, admite que há uma interpretação na própria decisão do árbitro de vídeo de qual lance é ou não subjetivo. Neste caso, ele será treinado para que procure a melhor definição de acordo com os parâmetros estabelecidos pela confederação. E haverá uma vigilância sobre os juízes para que não extrapolem sua função no vídeo.

O treinamento da CBF envolve 64 árbitros que atuam na primeira divisão e vai durar até 11 de outubro. Aliado a isso, chegarão os equipamentos da Bélgica para serem utilizados no sistema. A imagens usadas serão da Globo, com a possibilidade de botar câmeras extras na linha do gol. Por isso, a previsão é de implantação do sistema até o meio de outubro no Brasileiro.

''A CBF sempre teve treinamento para árbitro de vídeo. Não está queimando etapas, está antecipando etapas. Já estava previsto e todos terão o curso'', finalizou Serapião, que estava ministrando um dos cursos.

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